segunda-feira, 10 de maio de 2010

Loukanikos, o cão grego libertário - ANA

Loukanikos, o cão grego libertário

O nome dele é Loukanikos (Respeito, em grego). Um cão extremamente esperto, charmoso e cheio de graça. Seu porte altivo e elegância chamam a atenção. Seu olhar é doce e fulminante. Ele transparece segurança e confiança. Não se assusta nem foge da luta, da repressão fardada, dos gases lacrimogêneos, do fogo inimigo.

É impressionante como por detrás deste animal salta aos olhos uma imagem terna, de dignidade e rebeldia. Mais uma das tantas poesias anárquicas gregas.

Nos últimos dois anos ele foi visto em quase todas as manifestações em Atenas, tanto nos protestos dos anarquistas como nos dos trabalhadores e estudantes. Presume-se que ele pertença a um dos manifestantes. Mas é um cão livre.

E novamente, lá estava ele, firme, no meio da multidão, do lado do povo grego, participando dos protestos contra as medidas de austeridade do governo grego, FMI e União Européia.

Na edição da última quinta-feira (6), o jornal inglês The Guardian divulgou uma galeria de imagens deste cachorro, que já foi destaque em outras mídias.

Aqui galeria de imagens do The Guardian:
› http://www.guardian.co.uk/world/gallery/2010/may/06/greece-protest?picture=362290874
Aqui um blog com várias imagens do Loukanikos:
› http://www.thisblogrules.com/2010/03/dog-that-hasnt-missed-a-single-riot-for-years.html
Aqui um blog que foi criado recentemente com imagens do Loukanikos:
› http://rebeldog.tumblr.com/

Aqui um blog com muitas imagens, vídeos e histórias de cães rebeldes gregos, principalmente do cão Kanelos, dos “Blacks Dogs”:

› http://kanelos.blogspot.com/

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite trevosa
eis, quando menos se espera,
teu semblante, lua!

Alexei Bueno

Charge do dia.



Fonte: http://blogdolute.blogspot.com/

Lançamento da Rádio Livre Antena Negra em Porto Alegre dia 14/5

Lançamento da Rádio Livre Antena Negra em Porto Alegre dia 14/5

Contra leis criminosas,
ondas libertárias,
hordas libertárias,
erguem antenas,
transformam vozes que são armas,
por um mundo livre,
milhões de vozes no ar!

Os coletivos gestores da Rádio Antena Negra FM convidam a tod@s para a festa da Rádio no dia 14 de maio próximo. Venha celebrar conosco liberdade de expressão, desobediência civil, insistência e resistência pela comunicação livre pela queda deste estado mafioso encabeçado por uma governadora que leva a corrupção a um novo patamar, estado fantoche ao serviço de elites agrárias e corporações internacionais, que reprimem a dissidência e tod@s os que lutam por um mundo mais digno e livre.

Transmitindo há mais de um ano na frequência 92.5 FM para toda a região central de Porto Alegre e através da internet pelo endereço antena-negra.noblogs.org, a Antena Negra segue em busca de nov@s apoiador@s e parceir@s para avançarmos nessa luta pela libertação dos meios de comunicação, que está longe de acabar. Temos como meta criar uma rede de transmissores operacionalizada por uma rede de produtores de conteúdo, que seja capaz de fazer frente ao monopólio criminoso da comunicação em voga neste país de contrastes. Nosso sistema de transmissões descentralizado cria condições para a participação do diversos coletivos e indivíduos identificados com os ideais libertários que dão forma à Antena Negra.

Dia 14 de maio às 22:00 no Espaço Entrebar (José do Patrocínio, 340 - Cidade Baixa - Porto Alegre) - Festa de Antena Negra!

Não se revolte em silêncio!
Não se indigne sozinho!
Organiza-te em torno de novas formas de ação política!
Odeia a mídia? Okupe a mídia!
Lança a tua voz através do ar!

Fonte: http://www.midiaindependente.org/

A verdadeira lição da crise grega: deixemos que o neoliberalismo morra com o euro - Por Marshall Auerback - Sin Permiso(*)

A verdadeira lição da crise grega: deixemos que o neoliberalismo morra com o euro

Por que há déficits orçamentários enormes em todo planeta? Não é porque, de repente, todos os funcionários do mundo tenham se convertido em burocratas de estilo soviético. É, e muito, porque uma economia global em declínio levou à diminuição de renda e a um gasto público maior na rede de seguridade social. O cúmulo da ignorância econômica é propor a destruição dessa rede de seguridade social a partir de uma extrapolação das lições equivocadas proporcionadas pelos problemas particularíssimos em que a própria Zona do Euro se meteu.

A análise é de Marshall Auerback.
Marshall Auerback - Sin Permiso(*)

São legiões de analistas de mercados, gazeteiros e economistas que não se cansam de repetir o quanto é difícil para eles achar um padrão que situe os EUA numa posição financeira melhor que a da Grécia. Ken Rogoff, por exemplo, advertiu recentemente de que uma quebra da Grécia traria consigo uma série de quebras soberanas; também recentemente se sugeriu no NPR [Blog Planet Money] que a crise teria implicações para os EUA. O historiador Nial Ferguson fez observações de teor parecido no Financial Times há alguns meses. Os grunhidos dos falcões do déficit sobem de tom. Arrependei-vos libertinos fiscais, que o dia do juízo final se aproxima!

Deixemos de lado a histeria retórica bíblica, agora que ainda estamos em tempo de debater com racionalidade. A resposta recente do mercado às pressões cada vez mais intensas na Zona do Euro sugerem que os investidores começam a distinguir entre países que são emissores soberanos de moeda, como os EUA e o Japão, e emissores não-soberanos, como a Grécia e qualquer outra nação na Zona do Euro. O dólar se valoriza, apesar do déficit público dos EUA, enquanto o sofrimento que emana da dívida nos países PIIGS, sobretudo na Grécia, intensifica-se; isso traz consigo a queda do euro em relação ao dólar, aos seus níveis mais baixos dos últimos 12 meses.

O comportamento distinto das diferentes moedas em relação ao dólar estadunidense se torna fartamente esclarecedor a esse respeito. No último trimestre, os dólares australianos, neozelandeses e canadenses registraram altas em torno de 4% em relação ao estadunidense. E a maior queda? O euro, que no mesmo período registrou baixas pouco surpreendentes de 6,3%. Conscientemente ou não, os mercados estão demonstrando que compreendem a diferença entre as nações que usam uma moeda (e que, pelo mesmo motivo, enfrentam uma restrição financeira externa) e as nações que não enfrentam qualquer restrição estrangeira nas suas políticas de gasto público, porque são nações criadoras de moedas.

Que os EUA disponham de moeda reserva é irrelevante neste contexto. A distinção-chave segue sendo a que separa o usuário do criador. As nações da Zona do Euro são usuárias; Canadá, Austrália, Reino Unido, Japão e EUA são criadoras de moeda.

Erram aqueles que, como Rogoff e um sem número de comentaristas, empenham-se em buscar analogias entre os países PIIGS e os EUA e o Reino Unido. A debilidade analítica desses críticos do déficit público decorre de sua incapacidade de distinguir entre o leque de políticas monetárias que se oferecem às nações criadoras de moeda e o leque que se oferece a nações monetariamente soberanas e aquele disponível às nações que não são soberanas monetariamente. Qualquer governo soberano – e os da União Européia não desfrutam dessa condição – pode lidar financeiramente com um colapso na receita e um aumento de gastos, sem terminar no beco sem saída em que a Zona do Euro se encontra, agora. Daí porque, por exemplo, o yen japonês não despenca em queda livre frente ao dólar, apesar da dívida pública japonesa representar 200% de seu PIB, quer dizer, numa razão que multiplica por 2,5 a da dívida pública estadunidense. O certo é que nos últimos dias, até o yen tem se valorizado frente ao dólar. Por que será, se a lição que supostamente deveríamos aprender é a dos males do gasto público deficitário “insustentáveis”?

A sustentabilidade fiscal é irrelevante num sistema que não enfrenta restrições operativas à capacidade do Estado para gastar. Os cheques da Seguridade Social estadunidense não serima devolvidos por falta de fundos. Tampouco seus equivalentes canadenses ou japoneses. Analogamente, seus títulos da dívida pública sempre serão capazes de dar lucro.

Observe-se que isso não significa que não haja verdadeiras restrições de recursos em matéria de gasto público. Diga-se assim: quem quer que promova o uso de políticas fiscais como ferramenta de contra-estabilização efetiva tem de saber sempre que essas intervenções têm um custo. Esse custo bem que poderia ser a inflação se, como resultado da expansão fiscal se chegasse ao pleno emprego e se, mesmo que aumentassem as restrições de recursos o governo seguisse gastando. Mas se a economia não se recupera, a receita fiscal aumentará e o gasto líquido na rede de seguridade social e bem estar cairá. Nos EUA, isso significa que voltaremos provavelmente à “normalidade”, com déficits em torno de 2-4%, segundo o estado da economia, que são níveis que temos tido nos últimos 30 anos, fora o período de 1998-2001.

Por que esses déficits não resultariam inflacionários? Como o professor Scott Fullwiler observou numa troca de emails comigo há pouco, uma vez que a marcha de recuperação esteja em alta, e que a economia recobre uma capacidade significativamente maior de utilização – no que poderiam parecer pressões para uma alta de preços -, o déficit baixará substancialmente. Também será parcialmente diminuído por uma queda discreta no gasto com bem estar social. É paradigmático que, quanto mais rapidamente cresce a economia, tanto menor é o déficit, a menos que o governo siga gastando irresponsavelmente, coisa pela qual, deve-se dizer, não advogamos.

E, chegando ao ponto em que poderíamos chegar a ter inflação, o déficit terá retornado aos níveis de 2,3%, que é, como se disse, o que temos tido nos últimos 30 anos, período em que a inflação girou em torno de 2%. observe-se: inflação não equivale a quebra. Vocês e eu poderíamos comprar credit default swaps, quer dizer, permutas de inadimplência creditícia, de qualquer país do mundo, mas seríamos incapazes de recolher os lucros dessa compra sem que quaisquer dos países em questão registre uma taxa positiva de inflação – inclusive uma taxa de inflação de dois dígitos -, porque inflação e quebra não são equivalentes. Tampouco as agências de classificação de risco categorizariam dessa maneira a quebra. A quebra se define como incapacidade para levar a cabo uma tarefa ou de honrar uma obrigação, particularmente uma obrigação financeira. A inflação não se incorpora na definição, quando se trata de insolvência nacional.

Em troca, a idéia de uma quebra grega prevalece nos mercados, e se torna por consequência uma preocupação razoável no contexto da Zona do Euro. A opção da quebra se considera pouco menos que inevitável, ainda que se ponha em curso um resgate massivo de 110 bilhões de euros que, destinado a provocar “assombro e temeridade” entre os investidores, tenha se limitado só a assombrar. Se resgatar a Grécia custa 110 bilhões de euros, quanto custará resgatar a Espanha, a Itália ou a França?

Se os mercados se preocupam com a capacidade de solvência de um país, não lhe oferecerão créditos. E esse é o problema que todos os países da Zona do Euro enfrentam. Grécia, Portugal, Itália, França e Alemanha são todas nações usuárias das emissões de euros. A esse respeito, assemelham-se a uma municipalidade dos EUA, que são usuários do dólar emitido pelo governo federal do país.

Os déficits, por si mesmos, não fornecem as bases de uma quebra dos EUA. Se os EUA segue incorrendo em déficits exportadores líquidos (o que é o mais provável, dado o curso da queda do valor do euro), e se o setor interno privado tem poupança líquido, o governo dos EUA terá de fazer gasto líquido, quer dizer, incorrer em déficits. E isso é uma equação contábil elementar: nada mais nem nada menos. Se, nessas circunstâncias, o governo dos EUA consegue obter dividendos, o que conseguirá, de imediato, será forçar o setor privado nacional a incorrer em déficits (e a aumentar sua dívida), e terminará fracassando, porque o que o setor privado fará será tratar de aumentar mais uma vez sua taxa de poupança.

A mesma lógica vale para a Grécia. Supõe-se que o pacote de ajude do FMI e da UE é para reduzir seu déficit orçamentário, dos atuais 13,6% do PIB para 8,1% em 2011. Como o conseguirão? Buscar uma redução de déficit mediante programas de austeridade (ou de congelamentos, ou de como se quiser chamar) em um momento em que o gasto privado já é insuficiente para manter um crescimento adequado do PIB é a receita mais segura para o desastre. O que provocará é um aumento do déficit.

Considere-se nesse contexto o caso da Irlanda como amostra. A Irlanda começou a cortar o gasto deficitário já em 2008, quando teve início sua crise bancária e seu déficit orçamentário representava 7,3% do PIB. Não tardou para a economia se contrair em 10% e, oh, que surpresa!, seu déficit disparou para 14,3%. Podemos estar certos de que a Grécia aguarda um destino similar, dada a incapacidade da União Européia para compreender ou ainda categorizar os balanços financeiros básicos e as interrelações fundamentais entre os vários setores da economia. Nenhum governo, tampou o FMI, pode prever com segurança qual será o resultado; ao final, o que determinará o resultado serão as preferências privadas de poupança, como Bill Mitchell observou repetidas vezes.

Por que há déficits orçamentários enormes em todo planeta? Não é porque, de repente, todos os funcionários do mundo tenham se convertido em burocratas de estilo soviético. É, e muito, porque uma economia global em declínio levou à diminuição de renda (menos renda = menos impostos arrecadados, visto que o grosso da arrecadação se baseia na renda, e menos módulos fiscais) e a um gasto público maior na rede de seguridade social. O cúmulo da ignorância econômica é propor a destruição dessa rede de seguridade social a partir de uma extrapolação das lições equivocadas proporcionadas pelos problemas particularíssimos em que a própria Zona do Euro se meteu. Essa ignorância, porém, reflete também uma agenda política transparente que os EUA fariam muito mal em abraçar. Os pacotes de resgate, a intervenção do FMI e todo esse papo fiado sobre as “quebras ordenadas” dos PIIGS [Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, em sua sigla em espanhol] não podem esconder o erro fundamental no desenho da União Monetária Européia. Deixemos que o neoliberalismo morra com o euro.

(*) Marshall Auerbak é analista econômico dos EUA e membro conselheiro do Instituto Franklin e Eleanor Roosevelt, onde colabora com o projeto de política econômica alternativa new deal 2.0
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

domingo, 9 de maio de 2010

Governo do Congo rechaça denúncias de atrocidades militares - Por Emmanuel Chaco


Governo do Congo rechaça denúncias de atrocidades militares
Por Emmanuel Chaco

Mbandaka, Congo – O governo da República Democrática do Congo (RDC) desmentiu que tropas do Exército tenham executado 50 civis no começo do mês de abril perto de Mbandaka, capital da província de Équateur. “Cerca de 50 civis congolenses foram mortos pelas Forças Armadas (conhecidas pela sigla em francês Fardc) em abril de 2010”, afirma um documento da Associação Africana de Defesa dos Direitos do Homem (Asadho), com sede em Kinshasa, capital deste país.

O informe também responsabiliza os rebeldes da etnia enyélé pelo assassinato de dois civis. Além da lista de vítimas, o documento afirma que as mortes foram cometidas quando as Fardc enfrentavam uma rebelião local que conseguiu ocupar brevemente o aeroporto de Mbandaka. Em entrevista coletiva no dia 22 de abril, o ministro das Comunicações e Mídia, Lambert Omalanga Mende, afirmou que o informe estava repleto de erros, “o que deixa evidente que nenhum investigador da Asadho visitou Équateur para verificar as denúncias ali contidas”.

Ninguém se lembra de ter conversado com investigadores da Asadho, disse Mende, nem o governador provincial, Jean-Claude Baender, nem integrantes de seu governo, o prefeito ou vereadores de Mbandaka, ou os comandantes militares, policiais ou qualquer dos magistrados, afirmou. Segundo o ministro, isto tira toda a credibilidade da Asadho quando afirma que seus investigadores se reuniram com autoridades políticas, judiciais, militares e policiais. E, portanto, rechaça seu pedido de uma comissão independente para esclarecer as circunstâncias em que foram cometidos os supostos assassinatos.

Sem dar detalhes sobre quem fez as diligências, o vice-presidente da Asadho, George Kapiamba, disse à IPS que “a investigação foi conduzida por uma equipe de profissionais em Équateur”. Uma fonte próxima ao governo da província, que falou com a IPS sob a condição de não ter sua identidade revelada, atribuiu méritos ao informe. “O documento da Asadho é verídico no geral, pois de fato houve massacres, embora pareça que tenham exagerado no número de vítimas, o que não muda o fato de as Fardc terem executado civis inocentes”, disse a fonte.

O ex-soldado Pierre Bofunda, agora defensor de direitos humanos, também apoiou a denúncia de execuções extrajudiciais cometidas pelo Exército. “No dia 19 de abril, por exemplo, um estudante e uma jovem grávida foram executados em casa na localidade de Bolenge Pêcheur, a cerca de dez quilômetros de Mbandaka”, afirmou. Segundo Bofunda, a permanente situação de insegurança nessa província se deve ao fato de as tropas das Fardc atacarem as pessoas à noite para roubar dinheiro, celulares ou qualquer objeto de valor.

“Além disso, o governo provincial, que participou de uma audiência pública após o duplo crime de 19 de abril, organizou uma campanha conta a insegurança convidando os cidadãos a ocupar as ruas e protestar quando souberem de um ataque contra um vizinho”, disse Bofunda. “O que podem perder se pegarem este informe e iniciarem uma verdadeira investigação pedindo a colaboração de seus autores?”, questionou a professora Sophie Ekanga, de Mbandaka, desgostosa porque as autoridades congolenses estão novamente ignorando o valor da vida humana.

A RDC sofre, há mais de uma década, sangrentos conflitos entre tropas governamentais e grupos rebeldes, frequentemente vinculados a interesses de países vizinhos. Porém, muito poucos creem que a denúncia será investigada ou, se isso ocorrer, que alguém seja culpado. O juiz aposentado Cyprian Abangapakwa disse que o “sistema judicial, conhecido por sua extrema debilidade, não é a melhor instituição para essa tarefa”. Embora seus membros possam participar de uma comissão investigadora, “os 14 magistrados de Mbandaka, pobremente equipados, com salários baixos e vivendo isolados e em más condições, não são capazes de realizar as diligências apropriadas”, afirmou.

Com informações da IPS/Envolverde.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br/

Futebol pela paz: jogadores de Gaza disputam Copa do Mundo simbólica - Por Marina Terra

Futebol pela paz: jogadores de Gaza disputam Copa do Mundo simbólica

Impossibilitados de sair do território devido ao cerco israelense, os amantes da bola na Faixa de Gaza decidiram criar um mundial próprio, a um mês do oficial. Até as seleções são as mesmas

A máxima de que o futebol desconhece fronteiras parece estar sendo comprovada no Oriente Médio. Isso porque, enquanto os amantes de futebol no mundo inteiro aguardam com ansiedade a próxima Copa, que será realizada a partir de 11 de junho, na África do Sul, os palestinos da Faixa de Gaza decidiram organizar seu próprio “mundial”.

Impossibilitados de deixar o território devido ao cerco israelense, os entusiastas da bola locais formaram – como forma de protesto e demonstração de amor pelo futebol – um evento similar ao Mundial da FIFA, inclusive com seleções internacionais. Estados Unidos, Itália, França, dentre outras equipes, integradas por palestinos e funcionários de organizações humanitárias, disputam a sonhada taça desde a última segunda-feira (3/5). O vencedor será conhecido no dia 15.


Seleções da Palestina e Itália participam de partida inaugural na Cidade de Gaza

A Copa do Mundo de Gaza é uma invenção do norte-americano Patrick McGann e do palestino Ashraf Mohammed Hamad. McGann viajou a Gaza pela primeira vez há um ano, liderando a Jumpstart International, organização não-governamental que constrói escolas e ensina cartografia a estudantes locais. A Jumpstart não atua mais no território, mas o voluntário decidiu permanecer. "O cerco israelense me fez querer ficar," contou ao IPS (Inter Press Service News Agency).

A ideia de realizar o torneio surgiu quando McGann e Hamad, que trabalha na Universidade de Ciências Aplicadas em Gaza, começaram a jogar futebol juntos no campus da escola, atraindo outras pessoas e formando pequenos campeonatos.

"O futebol é muito importante em Gaza e Ashraf me perguntou o que poderíamos fazer para promover algo maior... Nos ocorreu que o futebol poderia se tornar um veículo para a conquista de diversos objetivos, como ajudar os jovens a desenvolverem habilidades para a busca pela paz e a construírem orgulho próprio por meio de suas conquistas, além de reunir as pessoas – estrangeiros e palestinos, palestinos de diferentes opiniões políticas etc."

Mantendo o espírito de diversidade, como também a celebração dos talentos locais, McGann conseguiu apoio tanto de fora – uma judia portorriquenha que trabalha em uma organização criada por McGrann criou o logo usado no Mundial – quanto local, com fundos doados pelo Banco da Palestina, PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e Pepsi Co.

O troféu, criado por Hamad, foi feito a partir dos destroços deixados pela invasão israelense à Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Futebol sob cerco

"É impossível jogar futebol de verdade em Gaza. Não podemos sair para jogar com outros times”, disse ao IPS Ahmed Abu Lefa, de 24 anos, enquanto esperava para entrar em campo pela seleção da Palestina, contra a Itália.

"Espero que a presença da imprensa mostre o que está acontecendo a outros países," afirmou o jovem, que trabalha como engenheiro civil, porém, sonha ser jogador profissional. "Espero que todas as pessoas ao redor do mundo vejam que somos como elas. Jogamos pela alegria do esporte. Mas somos incapazes de conquistar mais por causa do cerco que nos aprisiona", explicou Abu Lefa.

A seleção da “Itália” saiu vitoriosa na disputa, após ganhar do time da Palestina por 1 a 0.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/

Liberdade aos Panteras Negras - Por Latuff

Mais um maio sem abolição... Povo em luta sempre!



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Grécia: O terror continua - ANA

Grécia: O terror continua

[Não só ativistas são reprimidos pela polícia, mas advogados, aposentadas... A tática ordenada pelo Governo aos repressores parece ser a de aplicar um terrorismo não seletivo, assustar não só os ativistas, mas qualquer pessoa.]

Um dos advogados mais conhecidos da Grécia, Giannis Vlachos, foi duramente espancado por policiais quando estava caminhando para o seu escritório no bairro de Exarchia. Ele tentou mostrar sua carteira de identidade, mas a polícia não estava interessada em vê-la. Eles só queriam aterrorizar com extrema violência.

A polícia parece ter ordens para aterrorizar os advogados. De acordo com um texto postado no Indymídia Atenas, um manifestante disse: "Eu estava na esquina da Korai e Panepistimiou quando ouvi um grupo de policiais discutindo e um deles falando ao outro que o plano é para prender os advogados e acusá-los de resistência contra autoridade”.

A polícia grega não hesitou em atirar granadas de iluminação diretamente no corpo das pessoas. Há relatos de homens e mulheres que sofreram queimaduras no rosto e hemorragias, por granadas lançadas contra eles pela polícia. Muitos jornalistas e qualquer pessoa que era vista carregando uma câmera de vídeo ou fotografias foram agredidas pela polícia.

Uma mulher idosa foi duramente espancada [fotos em anexo] por policiais na frente do Parlamento, na Praça da Constituição, ontem (6 de maio).

Como se vê, os policiais não se importam com o que diz a Constituição, e provavelmente nunca leram ela. A mulher indefesa estava sangrando e chocada com a extrema violência policial contra ela sem qualquer motivo.

Dois centros sociais em Atenas foram atacados pela polícia que golpearam e feriram todos os que se encontravam por lá, homens e mulheres. A polícia também destruiu algumas bandeiras e estandartes encontrados nas proximidades, e passou a atacar as pessoas em suas casas e cafés em todo o bairro de Exarchia.

A democracia na Grécia e noutros países, é apenas uma cortina de fumaça. A realidade é a escravidão, terror, sangue, espancamentos, a tortura, a miséria, a repressão, a censura, o desemprego, a fome e a morte.

Em anexo uma foto de Ioanna Manoushaka, espancada pela polícia, após ter seu apartamento invadido por agentes da ordem na quarta-feira (5 de maio).

Mais fotos e o vídeo da idosa antes da atuação das forças da ordem:

› http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1165226

agência de notícias anarquistas-ana

Aperta meu peito
o inverno que não chegou:
amigo esperado.

Yberê Líbera

“Desinformar-se e enfrentar a investida dos meios de comunicação capitalistas” - Por Cristiano Navarro

“Desinformar-se e enfrentar a investida dos meios de comunicação capitalistas”
Por Cristiano Navarro, 07.05.2010

Das periferias para o centro, a comunicação alternativa vai buscando brechas para transferir o poder da palavra dos maiores aos pequenos. Modificando a ordem dos caminhos da comunicação, o movimento zapatista, do México, experimentou, na década de 1990, a possibilidade de, por meio da internet, ser ouvido no mundo desde sua realidade local.

Uma das protagonistas dessa ação foi Gloria Muñoz Ramírez, jornalista que acompanha o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN)desde seu levante em 1994, no estado de Chiapas. Gloria segue militando na contra-informação. Seu mais novo projeto é dirigir a revista mensal Desinformémonos.

Em janeiro deste ano, o Brasil de Fato iniciou um intercâmbio de conteúdo com a publicação. Com versão na web (http://desinformemonos.org/), a iniciativa envolve colaboradores de inúmeras partes do planeta e é traduzida para o português, grego, italiano, inglês, francês, alemão, e a língua indígena tseltal, bastante falada no sul do México.

A seguir, a diretora de Desinformémonos fala sobre esse projeto internacional e a experiência acumulada em anos junto aos zapatistas.

Brasil de Fato – Pode nos falar um pouco de como nasceu o projeto Desinformémonos?
Gloria Muñõz – Consideramo-nos uma ferramenta de luta por um mundo melhor, ou seja, por um mundo justo, livre e democrático. Aderimos às batalhas que se passam “abajo y a la izquierda”, à margem do poder e dos poderosos. Estamos do lado da autonomia dos povos, pelo direito a decidir sobre nossos próprios destinos. Somos, sem ambiguidades, fruto de uma luta que, desde 1º de janeiro de 1994, nos transformou: o levantamento do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). E é no terreno da “desinformação” que atuaremos.

Por que “Desinformémonos”?
Pegamos o nome emprestado de Mario Benedetti [poeta e escritor uruguaio morto em maio do ano passado]. Estávamos preparando esse projeto quando fomos surpreendidos pela triste notícia de sua morte. Pusemos pra tocar um CD com seus poemas, gravado para La Casa de las Américas, como uma singela homenagem a esse grande poeta e lutador das causas justas. De repente, no meio da incipiente edição dessa revista, lá estava o poema: desinformémonos hermanos/ hasta que el cuerpo aguante/ y cuando ya no aguante/ entonces decidámonos/ carajo decidámonos/ y revolucionémonos.

Depois, veio o jogo de palavras. Desinformar-se e enfrentar a investida dos grandes meios de comunicação capitalistas, aqueles que nos dizem o que, como, quando, onde e por que, do ponto de vista – e para benefício – dos poderes políticos e econômicos, dirigido àqueles que se creem os donos do mundo. “Desinformémonos”: desfazer-nos do que nos oferecem e munirmo-nos de Outra Informação, geralmente invisível, na qual os depoimentos dos “ninguéns”, como diz Eduardo Galeano [jornalista e escritor uruguaio] são o que nos dá sentido e corpo, horizonte e destino. Os povos têm suas próprias vozes e eles mesmos se encarregam de que os demais as escutem.

O que nos propusemos em Desinformémonos é ser olhado e ouvido… caixinhas de ressonância. Escutar, como diria o estimado escritor [inglês] John Berger, “as vozes da terra… sempre em baixo”. Sem confundir, como ele mesmo nos alerta, “a intenção deliberada de desinformar com o estar desinformado”. A resistência, nos disse no processo de inauguração desse espaço, “está em saber escutar a terra. A liberdade é descoberta pouco a pouco, não do lado de fora, mas nas profundidades da prisão”.

Quem são os colaboradores do projeto?
Bom, somos pessoas de muitas partes do mundo. Nosso ponto de vista pretende ser global e abarcar lutas e resistências dos cinco continentes. Atualmente, tocam esse projeto homens e mulheres do México, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha e Itália, com colaboradores na Grécia, Palestina, Turquia, Irã, Bélgica, Chile, Grã Bretanha, República Árabe Saaráui e Honduras.

Em sua experiência junto aos zapatistas, foi possível acompanhar como eles utilizaram de maneira muito hábil a internet para comunicar suas posições para todo planeta. Como isso se deu?
A ideia do uso da internet pelos zapatistas nasceu como um mito que, em muitos sentidos, persiste ainda hoje. Em 1994, a internet ainda era algo muito incipiente e os primeiros comunicados do EZLN eram xerox distribuídos a nós jornalistas na cidade de San Cristóbal de las Casas, em Chiapas. Com o tempo, um exército de mulheres e homens anônimos se incumbiu de difundir as palavras zapatistas pela internet. Na selva em que vivem os zapatistas, não havia sequer luz, que dirá um computador. Assim, o mérito da difusão da palavra zapatista no ciberespaço não é propriamente zapatista, mas de todos que acreditaram nesse movimento e fizeram circular seus comunicados e pronunciamentos. Atualmente, algumas comunidades em resistência têm acesso à internet, mas isso é algo relativamente novo e não pode ser generalizado.

De que maneira a internet pode fazer frente aos meios de comunicação tradicionais em favor dos movimentos sociais?
Esse ciberespaço, ainda que criado pela elite, tem servido de ferramenta, vínculo e ponte para os setores da base nos últimos quinze anos. As lutas e a resistência dos povos campesinos e indígenas, dos migrantes, trabalhadores, estudantes, jovens e um longo etcétera, transitam pela rede produzindo identificações onde menos se esperava, isso apesar do acesso à internet ainda estar longe de ser uma realidade, ao menos nos países do chamado Terceiro Mundo. Mas isso não é necessariamente uma carência. Provavelmente não necessitam dessa “conexão”.

O que desejamos com Desinformémonos é aproveitar esse espaço virtual, não apenas por falta de recursos para nascer em papel, como gostaríamos, mas porque reconhecemos nesse meio uma alternativa para conhecer o outro, a outra, suas histórias e tragédias, de um lado ao outro do planeta. Desejamos, como diria o mestre do jornalismo [bielo-russo] Ryszard Kapuscinski, “converter-nos imediatamente, desde o primeiro momento, em parte de seus destinos”. Afinal, somos os mesmos, as mesmas. E estamos na mesma situação. Entretanto, a internet, ao menos no México e em muitos países da América Latina, não é um meio acessível para toda a população. Nas áreas rurais e nos bairros de periferia, as pessoas não estão conectadas à rede. Essa é a razão, creio, de que o principal meio de comunicação popular, por excelência, continua sendo o rádio e de que, até agora, não haja espaço para se substituir a comunicação alternativa em papel. Insisto que estou falando do mundo dos de baixo.

É por isso que na Desinformémonos criamos uma revista de bairro e comunitária em PDF, com o objetivo de que seja distribuída em comunidades que não têm acesso à internet. Essa singela revista pode ser distribuída como “folhas soltas” ou pregada em algum muro como jornal-mural.

Com a dificuldade de transmitir mensagens ao grande público, como os movimentos sociais são mostrados hoje nos grandes meios de comunicação mexicanos?
Os movimentos sociais não aparecem nos grandes meios de comunicação do México e, quando aparecem, são satanizados e desprestigiados. Poderia dizer que apenas o jornal La Jornada (considerando os meios de comunicação massiva, não os marginais nem alternativos) dá espaço para as lutas sociais do país. É por isso que, cada vez mais, os movimentos vêm criando seus próprios meios, para que sua palavra seja conhecida. Ao mesmo tempo, crescem os meios alternativos, livres e independentes, ainda que com muitas limitações.

Nas revoltas de Oaxaca, a tomada das rádios foi a primeira ação dos movimentos mobilizados. O que isso pode significar?
A Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) não apenas tomou as rádios e até mesmo a televisão comercial; ela criou uma rede de meios de comunicação. Essa rede serviu não só para difundir suas causas, mas para convocar, organizar as barricadas e as marchas e, sobretudo, a defesa da ocupação que mantiveram no centro da cidade. Tomar as rádios e a televisão foi muito significativo para mostrar a força popular do movimento, mas foi ainda mais relevante a forma como conseguiram conduzir a relação com as rádios alternativas, principalmente com a Radio Plantón, que é hoje um exemplo do grande poder que um meio dessa natureza pode significar, de “abajo y a la izquierda”, de dentro do próprio movimento.

Você acredita que os movimentos de esquerda conhecem a importância da comunicação em um processo de mudança?
Acredito que os movimentos de esquerda estão cada vez mais conscientes da importância de uma comunicação do e para o movimento. Entretanto, acredito que enfrentamos grandes desafios, pois muitas vezes não comunicamos entre nós mesmos o que está acontecendo, não fazemos grande esforço para ultrapassar as barreiras impostas e fazer com que nossa palavra chegue “a outros como nós”. Na minha opinião, esse é um grande desafio, e devemos nos preocupar em não estar à margem, mas em atingir cada vez mais gente, sem preconceitos nem esteriotipização. Nunca sabemos onde ou quando haverá ressonância, temos que procurar por isso permanentemente. Ao mesmo tempo, acredito que outro desafio é a manipulação da linguagem feita pelos movimentos sociais de esquerda. Acho que devemos nos arriscar mais, jogar com as palavras e com as imagens, não ser tão sérios, mas ter a capacidade de rirmos, de sermos irônicos, de dar espaço ao jogo e à palavra lúdica. Esse, finalmente, foi outro dos ensinamentos dos zapatistas que, desde o princípio, comunicam-se com uma linguagem diferente, que incluem desde um conto, até uma piada ou uma canção.

(*) Cristiano Navarro é jornalista. Entrevista publicada originalmente no Brasil de Fato.

Fonte: http://www.fazendomedia.com/

Caça a guerrilha paraguaia é véu do interesse dos EUA nas fronteiras do país - Por por Diego Ghersi

Caça a guerrilha paraguaia é véu do interesse dos EUA nas fronteiras do país.
Escrito por Diego Ghersi

Algo está acontecendo no Paraguai, porém, as dúvidas aumentam, sobretudo pelas grandes dificuldades na hora de colher informações confiáveis. Apareceu o Exército do Povo Paraguaio (EPP), grupo ‘guerrilheiro’ auto-declarado "marxista-leninista e guevarista", que estaria atuando em cinco departamentos (estados) do país: Concepción, San Pedro, Amambay, Presidente Hayes e Alto Paraguay.

A origem do EPP data de princípios de 2008 e estaria conformada por um núcleo ativo de 20 membros. Diz estar enfrentado com o presidente Fernando Lugo, a quem acusam de não promover a Reforma Agrária, questão que motorizaria seus esforços para destituí-lo, tomar o poder em seu lugar e constituir-se como um governo marxista-leninista. Tudo muito linear, não?

Não desmente seus vínculos com as FARC colombianas e nem que seus membros teriam sido treinados em Cuba e Venezuela. São acusados de roubos, seqüestros, atentados e ao menos quatro assassinatos ao longo deste ano. Tudo muito parecido ao discurso linha dura de figuras como Álvaro Uribe, da Colômbia, não?

Ao presidente Lugo não lhe faltam problemas: não conta com maioria no Congresso; tem o vice-presidente contra si; é apedrejado pelos meios de comunicação e o Poder Judiciário, por demandas sexuais motivadas durante seu bispado. Além do mais, o EPP atua no território onde ele foi sacerdote e enfrentou o latifúndio. Cenário propício para desestabilização, não?

As prefeituras de Concepción, San Pedro, Amambay, Presidente Hayes e Alto Paraguay – onde operaria o EPP – se caracterizam pela concentração de grandes extensões de terras em poucas mãos. Ditas terras foram adquiridas durante os processos ditatoriais de Stroessner em favor de militares de alto coturno do regime. Outras, em regiões fronteiriças, foram compradas por criadores de gado e sojeiros brasileiros, à mercê de leis e decretos violatórios à soberania do país.

A região envolvida ocupa grande parte do território do país, com cerca de 800 mil habitantes submetidos à pobreza; abundam as fazendas de gado e as chamadas "zonas liberadas" para cultivos de maconha.

Lugo havia proclamado durante sua campanha a necessidade de encarar uma Reforma Agrária integral e como veículo imediato por excelência para combater a desigualdade social do país. Mesmo assim, os avatares de seu mandato marcado por contínuas tentativas destituintes forçaram-no a adiar seus projetos.

Neste contexto se produz a sugestiva irrupção do EPP. Sugestiva porque sua pobre organização não está à altura dos objetivos que se propõe; porque sua imagem midiática parece estar construída na medida justa que requer a formação de uma politicamente correta opinião pública – de rejeição às práticas violentas e antidemocráticas; e porque ninguém acredita que a melhor maneira de favorecer a Reforma Agrária seja socavar o governo Lugo, mas exatamente o contrário.

A aparição do EPP forçou o mandatário paraguaio a solicitar o Estado de Exceção por 30 dias nos departamentos afetados, e isso significa que neste período o Executivo poderá decretar prisões nas zonas de luta. "O objetivo principal do Estado de Exceção é capturar membros do EPP que cometeram uma série de crimes horrendos no Paraguai", explicou o próprio Lugo.

A medida foi acompanhada pelo deslocamento de 3000 efetivos – entre exército e polícia -, comandados pelo general Oscar Velázquez.

A respeito da participação militar, o presidente do Partido Comunista do Paraguai, Ananias Maidana, destacou o importante apoio das forças populares ao ministro da Defesa, Luis Bareiro Spaini, "porque ele representa o melhor da tradição e da história do exército paraguaio em defesa da soberania nacional e contra a intervenção estrangeira". A observação é importante porque coloca o ministro da Defesa fora de suspeitas de desestabilização.

A Câmara dos Deputados – opositora a Fernando Lugo – tenta destituir Bareiro Spaini. O ministro teria enviado uma carta à Embaixada dos EUA em Assunção, censurando-a em alguns conceitos que seu titular teria emitido sobre a gestão Lugo, o que motivou a ira dos legisladores – materializadas em um "voto de censura em sua gestão" – e também que Lugo tivesse de respaldá-lo.

No estritamente operacional, os entendidos em assuntos militares destacam o controle que o Exército Paraguaio tradicionalmente tem de seu território nacional, ao que qualificam de "efetivo e total". Sendo assim, na realidade o EPP deve estar com seus dias contados, dado que o esforço militar se soma ao fato de que suas lideranças estariam identificadas, o que os afasta dos refúgios urbanos e os relega a uma dura sobrevivência na selva.

As atitudes da diplomacia estadunidense, questionadas pelo ministro da Defesa, fazem lembrar ações da embaixada de Washington na Bolívia, quando dos episódios na "Meia Lua", em 2008, em busca de destituição do presidente Evo Morales.

Com efeito, enfrentar um movimento insurgente sem armas e nem recursos, sem meios para tarefas de propaganda e sem algum apoio urbano é uma situação difícil de digerir e que conta com os vários antecedentes negativos da história militar, que não se pode crer que alguém treinado desconheça. Então, por que tanto barulho com isso? Tudo tem um cheiro estranho, não?

Por um lado pode se pensar que se forçou o presidente Lugo a direcionar esforços em uma questão que se não for exitosa lhe trará uma imagem de fraqueza e afundará ainda mais as bases de seu governo.

Por outro, o obriga a utilizar mecanismos excepcionais de repressão – emprego do exército em questões internas -, configurando um perigoso precedente para toda a América do Sul.

Além do mais, repercutiu que militares estadunidenses instalados na localidade de Estigarribia poderiam colocar sua "experiência de combate em regiões de similares características" a serviço dessa operação de caça a título de "colaboração extra-oficial".

Isso corrobora a teoria de que os EUA tentam por qualquer meio envolver-se militarmente em regiões de abundantes recursos – já estão na Colômbia – e a partir dali projetar-se a países fronteiriços ao Paraguai.

Neste marco, toda a operação EPP poderia ser uma nova criação tática de Washington, afinal de contas, não constituiria nenhuma novidade, correto?

Diego Ghersi é professor da Faculdade de Jornalismo e Comunicação Social da Universidade Nacional de La Plata (Argentina).

Publicado originalmente na Agencia Periodística del Mercosur (http://www.prensamercosur.com.ar/apm/nota_completa.php?idnota=4657)
Traduzido por Gabriel Brito, jornalista.
Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Santuário de filhotes: Maré negra ameaça ‘creche animal’ da América do Norte - Por ANDA


Maré negra ameaça ‘creche animal’ da América do Norte

A mancha de petróleo que ameaça chegar ao sul dos Estados Unidos põe em risco a existência dos pântanos que os especialistas consideram uma espécie de “creche animal”, numa época do ano na qual nascem aves, tartarugas e mamíferos.

A primavera é, para a fauna, o período no qual nascem os animais. Com as tartarugas marinhas, isso se traduz na migração e depois na postura de ovos. É também o momento em que as aves fazem seus ninhos. Para os animais, os pântanos da Louisiana, do Mississipi e do Alabama constituem um santuário.

“Os golfinhos estão particularmente ameaçados porque não têm nenhuma pele para protegê-los do petróleo. O óleo penetra em seus olhos, sua pele e nas demais mucosas”. explica Mandy Tumlin, bióloga do Departamento de Fauna do estado da Louisiana.

Seu colega, o ornitologista Michael Carloss, reafirma: “As aves aproveitam a primavera para migrar. Neste momento, os pelicanos pardos fazem ninhos e seus ovos não devem demorar a eclodir”. Sua população é estimada em 30 mil na Louisiana.

Se invadir os pântanos, o petróleo entrará na cadeia alimentar de toda a região. O “bayou” (grande região úmida do sul da Louisiana) é repleto de peixes e crustáceos, alimento para as aves, jacarés e guaxinins. “Os peixes ficariam manchados. Quando os pelicanos e outras aves comessem esses peixes, se contaminariam, e depois seus filhotes”, explicou Carloss.

Quando ingerido, o petróleo provoca inflamações e lesões internas com consequências muitas vezes fatais, lembrou Mandy Tumlin.

A isto se soma o estresse provocado pela camada de petróleo. “Um pássaro preso no meio tentará com todas as suas forças se soltar. Se não conseguir, estará completamente desorientado. E depois estarão os filhotes que, se seus pais morrem, ficam sozinhos no ninho sem nada para comer”, acrescentou Michael Carlos.

Com informações da AFP/Terra

Fonte: http://www.anda.jor.br/

Exposição 20 Anos de Aviso Final zine‏

Exposição 20 Anos de Aviso Final zine‏


No próximo sábado, dia 08 de maio, a partir das 18:00 horas acontecerá na famosa casa paulistana de música punk Hangar 110 o evento Isto é Olho Seco. Este nome é uma referência a música da lendária banda punk OLHO SECO que cada banda participante tocará um som. Estão escalados: Hellsakura, Invasores de Cérebros, Lobotomia, D.E.R. e Slot. A atração principal é a banda japonesa Darge, excursionando pela primeira vez no Brasil e que tem um integrante brasileiro, o baixista Rafael.

Dando início as comemorações do Aviso Final zine, que em setembro completa 20 anos, haverá uma exposição de todas as capas através de um banner idealizado pela artista plástica Karina Polycarpo, e se tudo der certo, estarei lançando a edição #26.

Ficarei muito feliz com a presença de vocês!

Ingressos antecipados:

Loja 255 - Rua 24 de Maio,62 Lj 255

Acesso p/ deficiente físico

Lotação 640 lugares

Censura 14 Anos


HANGAR 110 "Música & Cultura"

Rua Rodolfo Miranda, 110

Bom Retiro - SP/SP

(Próximo da Estação Armênia do Metrô)

email:hangar_110@terra.com.br

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Obama e Irã "todas as opções estão sobre a mesa!" - Por Latuff

Verdurada em São Paulo - 16/05/2010 - Rua da Consolação, 1897

VERDURADA DE MAIO


Quando: 16/05/2010, Domingo
Horário: das 16h às 22h
Preço: R$ 8,00
Local: Rua da Consolação, 1897
(Em frente ao cemitério da Consolação, próximo ao Metrô Consolação)

- Jantar VEGetariANO grátis e venda de material independente.
- Por favor, sem cigarros e sem álcool.

Contatos com a imprensa:
André Mesquita - xdedex@hotmail.com

Internet:
http://www.verdurada.org
http://www.myspace.com/verdurada
verdurada@riseup.net


VIRADA CONTRACULTURAL
É com muita satisfação que anunciamos a segunda Verdurada de 2010. Com o sucesso da edição de janeiro e a boa acomodação do novo local, repetimos a dose na Consolação, coincidindo com o fim de semana da Virada Cultural de São Paulo e servindo como um contraponto radical e independente.

Assim, quem quiser evitar shows chatos, barbárie, multidões e outras mazelas da Virada poderá se refugiar na Verdurada. Como sempre misturando públicos e tendências dentro do cenário musical Faça Você Mesmo, trazemos mais uma vez o punk rock do Flicts junto a bandas de hardcore de estilos que vão do crustcore do Social Chaos, ao old school do Vendetta e In Your Face e, de volta aos palcos, um legítimo representante do som new school metálico da década de 90, o Deal Cards.

Relembramos a todos que, como o local atual é menor do que o galpão do Jabaquara que nos abrigou até 2009, a quantidade de ingressos à venda também é menor do que costumava ser. Portanto, não perca tempo ou você poderá ficar de fora!

Vamos à programação!

BANDAS
- Flicts (http://www.myspace.com/flicts)
Após uma pausa de alguns anos, está de volta a banda que se tornou uma das mais queridas e influentes do cenário punk rock nacional nas décadas de 90 e 2000. Trazendo pela segunda vez seus hinos aos palcos da Verdurada, o Flicts promete dar mais uma aula de como misturar política e diversão, num dos shows mais energéticos e participativos do underground nacional.

- Vendetta (http://www.myspace.com/vendettaxxx)
Diretamente do ABC paulista vem o Vendetta, uma das mais atuantes bandas do straightedge nacional. Com seu som baseado no hardcore youth crew de tendências melódicas inspirado em nomes como Gorilla Biscuits e Bane, o Vendetta faz sua aguardadíssima estréia no evento lançando o álbum “Incondicional”.

- Social Chaos (http://www.myspace.com/socialchaos01)
Mais um representante da longa tradição hardcore do ABC paulista, o Social Chaos volta aos palcos da Verdurada se preparando para mais uma turnê européia. Confirmando o título de um dos mais ilustres representantes do crustcore tupiniquim, os shows da banda funcionam como uma rajada de riffs dischargeanos executados com brutalidade escandinava, selvageria brasileira e o peso de um rolo compressor.

- Deal Cards (http://www.myspace.com/xdealcardsx)
Velhos conhecidos da velha guarda, o Deal Cards atravessou a década de 90 como um dos principais representantes da cena hardcore santista, participando intensamente dos primeiros dias da Verdurada. Após um longo hiato, a banda está de volta em versão restaurada e mais brutal, utilizando sua mistura de Judge, 108 e Integrity a serviço do vegan straightedge.

- In Your Face (http://www.myspace.com/inyourfacesp)
Fazendo a conexão Leste Oeste da cena paulistana, os representantes da nova geração abrem esta edição apresentando seu som baseado no lado mais feio e malvado do hardcore americano old school, executado com a atitude própria da periferia de São Paulo. Slapshot, Warzone e Life's Blood de acordo com quem cresceu a base de “Grito Suburbano” e Facção Central.

VÍDEO - “O Mundo Segundo a Monsanto”
A atração extra-musical será desta vez o documentário francês considerado um dos mais polêmicos dos últimos anos. Provando que o Psykoze tinha razão quando dizia em 1982 que “as indústrias alimentícias estão matando pouco a pouco a população”, o filme aborda os bastidores da produção de alimentos, mostrando como a corporação multinacional Monsanto, que até alguns anos atrás produzia produtos químicos, domina hoje as patentes da maior parte do estoque mundial de comida.

SOBRE OS INGRESSOS

São Paulo (Capital):
Os ingressos estão à venda no seguinte local:
- Loja Vegan Pride: Rua 24 de Maio, 62 - Loja 464 (Galeria do Rock)..

Outras Cidades e Estados:
Envie um e-mail para verdurada@riseup.net (não faça pedidos através do site da Verdurada, Orkut ou MySpace), informando nome completo, RG, cidade/estado. A retirada do ingresso será no dia do show. Os ingressos não retirados serão vendidos na portaria.

BANQUINHAS
Devido ao fato da Verdurada ter um público em número crescente, somente os selos, coletivos ou pessoas que recebem o e-mail convite diretamente do Coletivo Verdurada podem montar banquinhas no evento. Se você tem interesse em divulgar material faça-você-mesmo mande um e-mail: verdurada@riseup.net

Lembrando que as bandas que tocam no dia tem seu espaço para banquinha garantido.


O QUE MAIS?

1- Por favor, sem álcool, drogas ou cigarro dentro do local do evento.
2- Nada de alimentos que contenham produtos de origem animal.
3- Banquinhas de livros, cds, fanzines e material independente e divergente a preços populares.
4- Venda de comida vegetariana, desde hambúrgueres, coxinhas, kibes, até bolos, tortas, bombons.
5- Os shows acabam antes das onze e meia da noite, para que os espectadores possam se valer do sistema público de transporte.
6- O dinheiro arrecadado com os ingressos é utilizado para pagar as despesas com o evento (transporte das bandas, locação do espaço, divulgação, locação da aparelhagem de som e luz).
7- Parte do dinheiro dos ingressos será utilizada em campanhas públicas de assuntos ligados aos interesses do Coletivo Verdurada, como vegetarianismo ético, práticas de democracia direta, questões políticas e sociais.

O QUE É A VERDURADA?

O Coletivo Verdurada é o responsável pela organização do evento realizado em São Paulo desde 1996. Ele consiste na apresentação de banda (especialmente de hardcore, mas o palco é aberto a outros gêneros) e palestras sobre assuntos políticos, além de oficinas, debates, exposição de vídeos e de arte de conteúdo político e divergente. No final é distribuído um jantar totalmente vegetariano.

Este é o mais antigo e talvez o mais importante evento do calendário faça-você-mesmo brasileiro. Isso quer dizer que a organização é da própria comunidade hardcore punk-straightedge de São Paulo, que se encarrega tanto do contato com bandas e palestrantes, quanto da locação do espaço, contratação do som e divulgação. Tudo sem fins lucrativos ou patrocínios de empresas. A renda é destinada a cobrir os custos e colaborar com atividades e iniciativas realizadas, ou apoiadas pelo coletivo.

Os objetivos são basicamente dois: mostrar que se pode fazer com sucesso eventos sem o patrocínio de grandes empresas e sem divulgação paga na mídia e levar até o público a música feita pela juventue as idéias e opiniões de pensadores e ativistas divergentes.

Coletivo Verdurada

Verdurada.Org
MySpace

Ações diretas pela libertação animal no México - ANA

Ações diretas pela libertação animal no México


Fazemos públicas as ações que levamos a cabo durante o mês de abril no Distrito Federal mexicano mediante este comunicado:

[3 de abril]
Liberadas duas tartarugas em um grande lago onde poderão viver felizes longe dos maus tratos e do enclausuramento monótono. Ação dedicada ao preso pela libertação da terra Abraham López Martínez.

[13 de abril]
Colocamos bombinhas de pintura azul contra o metrô férreo (a linha férrea), da estação agrícola oriental ao canal de San Juan, desde uma ponte de pedestres que cruzava por cima da linha, paredes, janelas, teto e portas ficaram manchadas. Ação dedica ao preso pela libertação animal e da terra Adrian Magdaleno Gonzales.

[23 de abril]
Pulamos algumas bordas e grades durante a noite para tirar de suas jaulas dois coelhos que se encontravam em um cativeiro, escravos dos caprichos desta sociedade adormecida e alienada. Os resgatamos e depois nos dispusemos a libertá-los.

Desafortunadamente um dos coelhos que resgatamos morreu durante o trajeto ao bosque, seus meses já enclausurado fizeram com que perdera a mais mínima esperança de poder ser salvo e não resistiu, o devolvemos para a terra de onde certamente provinha antes de capturarem seus parentes para serem vendidos a pessoas irresponsáveis. O outro coelho foi libertado em um bosque onde poderá honrar a morte de seu parente vivendo em liberdade e sem nenhuma grade que lhe separe da realidade, ou seja, da natureza. Ação dedicada ao preso pela libertação animal e da terra Diego Alonso.

Estas ações foram feitas em apoio aos presos no México, sem esquecer a Victor Herrera, Emmanuel Hernandéz, Socorro Molineto e tampouco esquecer aos presos de todo o mundo.

Que a chama do ecologismo radical faísque nossas palavras para que se detonem as ações contra a sociedade destruidora e cúmplice.

Frente de Libertação Animal - México

agência de notícias anarquistas-ana

um longo suspiro –
o luar brilha sobre
seios intumescidos

Suezan Aikins

terça-feira, 4 de maio de 2010

Protestos contra lei do Arizona revelam sociedade rachada nos EUA - Por Adriana Maximiliano

Protestos contra lei do Arizona revelam sociedade rachada nos EUA

A ideia era fazer uma nova "Marcha sobre Washington", protesto que marcou a luta pelos direito dos negros nos Estados Unidos dos anos 1960. A recente lei de imigração do Arizona, que incita o racismo, e a apatia do governo Barack Obama em relação à reforma das leis de imigração mobilizaram dezenas de milhares de imigrantes hispânicos em diversas cidades norte-americanas no último sábado. Mas os protestos estão longe de fazer História. Em ano de eleições de deputados e senadores, parece que só mesmo um novo Martin Luther King poderia mudar a sorte dos imigrantes nos EUA.

"Será que é preciso lembrar aos republicanos e democratas mais uma vez que os hispânicos são a maior minoria nos EUA? Nem todos somos ilegais. Nós temos poder de voto", alerta o ativista Juan Ruiz, da Federação Latina da Grande Washington.

Manifestantes contra a nova lei de imigração do Arizona em protesto no último sábado, em Phoenix

Durante os protestos, os imigrantes compararam a perseguição que vêm sofrendo com o nazismo alemão. Em Dallas, onde cerca de 10 mil pessoas participaram de uma passeata, as câmeras de TV flagraram cartazes em que a governadora do Arizona, Jan Brewer, era mostrada vestindo uniforme nazista e o Z do nome do estado aparecia em forma de suástica.

"Nós, latinos, somos os judeus do século XXI", comparou um imigrante.

De acordo com a lei SB-1070, qualquer pessoa suspeita de ser ilegal pode ser parada pela polícia do Arizona com uma pergunta que lembra a perseguição aos judeus na Alemanha dos anos 1930: "Cadê seus papéis?". Sancionada por Brewer no dia 23 do mês passado, a lei considera um crime estar ilegal dentro do estado do Arizona e promete punição também para quem der trabalho ou transporte para ilegais. Se nada for feito, a lei entrará em vigor no fim de julho.

No domingo, um dia depois dos protestos, peças-chave do governo Obama se manifestaram contra a lei, mas apenas quando provocadas pela imprensa. A Secretária de Estado, Hillary Clinton, comentou num programa de TV que a SB-1070 pode incitar o racismo e que o Arizona não tem o direito de passar por cima da legislação federal. Já a ex-governadora do Arizona e atual secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, disse que já vetou esse tipo de lei e que a considera desnecessária, "porque a imigração ilegal está diminuindo no estado".

Obama, que criticou a lei no fim do mês passado, recebeu hoje uma carta do Senado Mexicano pedindo ação. "Esta lei vai contra os Direitos Humanos", escreveram os senadores mexicanos. Segundo o procurador-geral, Eric Holder, o Departamento de Justiça dos EUA pode recorrer à Justiça para impugná-la. Mas faltou dizer quando. Os imigrantes têm a esperança de que a visita do presidente mexicano, Felipe Calderon, a Washington nos dias 18 e 19 deste mês, traga resultados mais efetivos.

Enquanto isso, grupos ativistas tentam provocar uma onda de boicotes ao Arizona. Eles conseguiram que a companhia aérea Aeroméxico suspendesse seus voos para as cidades de Tucson e Phoenix. Agora aguardam uma resposta positiva para o pedido de suspensão no Arizona de jogos da Major League Baseball, cujos melhores jogadores são latinos.

Outros pedidos de boicotes estão sendo avaliados em inúmeras cidades norte-americanas. E, claro, mexicanas também. No site Facebook, uma comunidade chamada "Boicote comercial de sonorenses contra o Arizona por causa da SB-1070" reúne mais de 10 mil membros, a maioria formada por moradores do estado mexicano de Sonora que costumam fazer turismo e compras no Arizona.

Conservadores
No Partido Republicano, há defensores e críticos da nova lei do Arizona. O ex-candidato a presidente John McCain é um dos defensores. Já o ex-governador da Flórida Jeb Bush, irmão de George W. Bush, é do time do contra. Com uma eleição em jogo, em novembro, muita gente evita se posicionar. A pressão dos imigrantes para colocar as leis de imigração em evidência nas eleições ainda não teve o efeito esperado. "Hoje nós protestamos, amanhã votamos", lembrava em vão um cartaz em frente à Casa Branca, sábado à tarde em Washington.

No movimento Tea Party, a posição é mais clara. Uma pesquisa mostrou que apenas 41% dos membros do movimento acreditam que Obama tenha nascido nos Estados Unidos. Ou seja, eles acham que o próprio presidente americano é um imigrante, o "Alien Number 1", e que por isso mesmo não defende a lei do Arizona.

"Eu fico aliviada de morar em Washington e não no Arizona. Mas isso não significa que não sinta medo. Até mesmo dentro do Banco Mundial já fizeram pixações contra imigrantes", conta a babá boliviana Jovita Díaz, que tem visto de trabalho e mora com a família de um diretor latino do Banco Mundial.

Justiça
A embaixada do México é a mais ativa nos protestos. Além de apoiar as ações judiciais contra a nova lei que organizações dos direitos dos imigrantes decidirem abrir, ela alertou a população mexicana que este não é um bom momento para visitar aquele estado: “Todo cidadão mexicano pode ser intimidado e questinado sem qualquer motivo a qualquer hora". Ontem, em visita à Alemanha, foi a vez de Calderón chamar a nova lei de racista e de "uma ameaça aos imigrantes e a toda comunidade hispânica".

Os protestos e vigílias que, segundo os organizadores, se repetiram em 70 cidades norte-americanas surpreenderam em alguns lugares - como em Los Angeles, onde 50 mil pessoas compareceram sob a liderança de autoridades religiosas. Do outro lado da briga, o presidente da organização United For Sovereign America, que fica no Arizona, Rusty Childress, acredita que quem não apoia a nova lei é ignorante - ou imigrante ilegal: "Os cidadãos do Arizona precisam do apoio de outros norte-americanos nesta batalha. Ilegais são foras-da-lei e devem ser tratados como tal".

Fonte: http://operamundi.com.br

Estado Assassino: Israel priva de água aldeias palestinianas - Por Ma’an News Agency e Info-Palestine

Israel priva de água aldeias palestinianas

Como parte de uma «série de ataques contra os habitantes e que têm como objectivo expulsá-los das suas terras», as forças de ocupação israelitas no Vale do Jordão apoderaram-se de quatro bombas de água necessárias à irrigação e ao aprovisionamento de água potável de uma pequena comunidade agrícola. Por Ma’an News Agency e Info-Palestine

Um despacho da Ma’an News Agency e da Info-Palestine.net, de 21 de Abril, revela que as forças israelitas de ocupação invadiram a aldeia de Khirbet Al-Farsieyah, no norte do vale do Jordão, e apoderaram-se de quatro bombas de água utilizadas para a irrigação e o aprovisionamento de água potável da pequena comunidade agrícola. As bombas foram roubadas nas quintas de Ali Az-Zohdi, Fayeq Sbeih e Taleb Radi.

Segundo os habitantes, a supressão das bombas ameaça milhares de dunums [*] de campos de cultivo e os agricultores estimam que cada uma das bombas custe 25.000 shekels (6.750 dólares US).

O consumo de água potável de um israelita é de 400 litros/dia, o de um colono na Cisjordânia é de 800 litros/dia e o de um palestiniano da Cisjordânia é de 70 a 90 litros/dia.

O governador da região de Tubas, Marwan Tubasi, denunciou durante uma visita às quintas em causa os roubos cometidos pelos israelitas, enquanto que o coordenador da campanha para salvar o vale do Jordão, Fathi Ikhdeirat, declarou que os acontecimentos do dia faziam parte de uma «série de ataques contra os habitantes e têm como objectivo expulsá-los das suas terras».

No domingo, as autoridades israelitas tinham fechado a principal fonte de água utilizada para a agricultura nessa aldeia do vale do Jordão, declararam os membros do comité e os seus advogados, quatro dias apenas após responsáveis militares terem ameaçado «fechar as torneiras se os palestinianos não tratassem melhor as suas águas sujas».

Foto fornecida pelo gabinete do presidente palestiniano que mostra Mahmoud Abbas inaugurando novos poços de água no colonato israelita evacuado de Nitzarim, no norte da Faixa de Gaza, em 22 de Setembro de 2005. (MaanImages, HO)

Ikhdeirait também declarou que a empresa israelita da água, Mekorot, tinha construído três poços aquíferos na região desde os anos 1970, apoderando-se de 5.000 m³ de água por hora, em grande parte em benefício dos colonatos judeus vizinhos, enquanto que a aldeia de Bardalah só tirava 65 m³ de água por hora antes de as tropas de ocupação terem cessado a bombagem de água. «Ouvimos o barulho da água a passar pelos canos no centro da aldeia, mas não podemos nem bebê-la nem servir-nos dela. As condutas de água instaladas pela companhia das águas israelita separam a aldeia em duas partes», acrescentou.

Dezenas de agricultores protestaram contra as acções israelitas no vale do Jordão e exigiram que uma solução rápida fosse encontrada antes que perdessem as culturas das quais dependem para os seus rendimentos e a sua subsistência.

Nader Thawabteh, um advogado de Bardalah, declarou que a companhia das águas israelita acusava os habitantes da aldeia de roubar água, «tomando isso como uma desculpa para deixar de bombear a água para nós. Desmentimos categoricamente esta afirmação». O advogado acrescentou que a quantidade de água bombeada na aldeia fora reduzida em cinco anos de 150 m³ por hora para 65 m³ e agora «está totalmente cortada».

Os agricultores da aldeia apelaram à Autoridade palestiniana [de Ramallah] e às organizações internacionais para ter de novo acesso à água para as suas explorações.

Bardalah tem 1900 habitantes, a maioria dos quais vive dos recursos agrícolas nos 300 dunums de estufas. A grande maioria das estufas e das terras têm de ser irrigadas, o restante dispondo de culturas que não necessitam de rega.

[…] Segundo um relatório de 2009 de B’Tselem […] apenas 81 dos 121 colonatos judeus de povoamento na Cisjordânia estavam ligados a instalações de tratamento de águas usadas. «O resultado é que apenas uma parte das águas usadas provenientes dos colonatos é tratada, enquanto que o resto das águas sujas vai para os cursos de água e para os vales da Cisjordânia», diz o relatório. […]

[*] Medida de superfície. Em Israel, Jordânia, Líbano e Turquia, 1 dunum equivale a 1 hectare.

Fonte: http://passapalavra.info/

Segmentação do programa nuclear do Irã - Por Latuff

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Charge do dia. Por Lute



http://blogdolute.blogspot.com/

A política de desarmamento do governo Obama - Por José Luis Fiori


A política de desarmamento do governo Obama

Ao contrário das aparências, em plena crise econômica, o presidente Obama decidiu mudar o foco e dedicar-se à consolidação do poder militar dos EUA em todo mundo, demonstrando plena consciência de que este poder militar é indispensável à reconstrução da economia norteamericana e da própria liderança mundial do dólar. Deste ponto de vista, o que Obama está propondo, de fato, é uma espécie de congelamento da atual hierarquia do poder militar mundial, com a manutenção do direito e da obrigação americana de aumentar continuamente os seus próprios arsenais.
O artigo é de José Luis Fiori.

“America´s interests and role in the world require armed forces with unmatched capabilities and a willingness on the part of the nation to employ them in defense of our interests and the common good. The United States remains the only nation able to protect and sustain large-scale operations over extended distances. This unique position generates an obligation to be responsible stewards of the power and the influence that history, determination and circumstance have provided”(Department of Defense, USA, Quadrennial Defense Review Report, February 2010)

Depois de quinze meses de discursos e indecisões, o presidente Barak Obama conseguiu transformar em fatos, o que deseja ser a marca de sua política externa, voltada para o desarmamento e o controle nuclear. No inicio do mês de abril, Obama redefiniu a estratégia nuclear dos Estados Unidos, prometendo não utilizar mais armas atômicas contra países que não as possuam, e que assinem e cumpram com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Logo em seguida, no dia 8 de abril, Barak Obama, assinou - em Praga - um acordo com o presidente russo Dmitry Mevedev, com o objetivo de reduzir o arsenal nuclear duas maiores potências atômicas do mundo. E quatro dias depois, Barak Obama liderou a reunião da Cúpula de Segurança Nuclear, reunindo em Washington, 47 chefes de Estado, para discutir a sua própria proposta de controle da proliferação nuclear, ao redor do mundo. Com vistas à reunião qüinqüenal de reexame do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que se realizará no próximo mês de maio, na cidade de New York, com a participação dos 189 estados assinantes do TNP.

Até aqui, a retórica e a encenação foram perfeitas, mas os limites e contradições desta nova proposta de desarmamento do presidente Obama, são muito visíveis. Em primeiro lugar, o que ele chamou de “nova estratégia nuclear americana”, não passa de uma decisão e de um compromisso verbal que pode ser revertido e abandonado em qualquer momento, dependendo das circunstâncias e de uma decisão arbitrária dos próprios EUA. Em segundo lugar, o acordo entre os presidentes Obama e Mevedev, envolve uma redução insignificante e quase só simbólica, dos seus arsenais atômicos, permitindo ao mesmo tempo, a substituição e modernização das cabeças nucleares dos vetores já existentes.

Além disto, o novo acordo de desarmamento não incluiu nenhuma discussão a respeito do aumento exponencial dos gastos militares norte-americanos nos últimos anos, nem a respeito do aperfeiçoamento dos novos vetores X 51 da Boeing, com capacidade nuclear e que entrarão em ação em 30 meses, sendo capazes de alcançar qualquer pais do mundo, em menos de uma hora. Nem tampouco se falou dos novos submarinos russos Yassen, que tem capacidade de transportar 24 mísseis a bordo, cada um com seis bombas atômicas. Em terceiro lugar, em nenhum momento e em nenhuma destas reuniões se mencionou o armamento atômico da OTAN, localizado secretamente, na Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Turquia. Nem muito menos se incluiu na discussão os arsenais atômicos de Israel e Paquistão, que estão hoje sob o controle de governos com forte presença de forças fundamentalistas e belicistas, e que atuam sob a batuta dos próprios norte-americanos.

Por fim, é lógico que não aparece, em nenhum momento, nesta agenda pacifista de Barak Obama, o aprofundamento recente da Guerra do Afeganistão, e os preparativos dos Estados Unidos e de Israel, para um ataque arrasador contra o Irã, que é um país que não possui armamento atômico, e que assinou o Tratado de Não Proliferação, ao contrário de Israel.

Estas contradições não são novas nem surpreendentes, fazem parte da política externa dos Estados Unidos, desde o fim da Guerra Fria. O importante, neste caso, é que os demais países envolvidos entendam e assimilem a lição, e saibam se posicionar em função dos seus próprios interesses. Os Estados Unidos são um “poder global”, e os “interesses nacionais” de um poder global envolvem posições a defender em todo mundo, o que diminuiu muito sua capacidade de sustentar princípios e valores universais. Por isto, depois do fracasso do fundamentalismo quase religioso do governo Bush, o presidente Obama vem surpreendendo alguns analistas com o realismo pragmático e relativista de sua política externa. Mas o seu objetivo central segue sendo o mesmo, ou seja, a primazia mundial dos Estados Unidos. Além disto, ao contrário das aparências, em plena crise econômica, Barak Obama decidiu mudar o foco e dedicar-se à consolidação do poder militar americano em todo mundo, sem grandes preocupações com diretos humanos ou com a difusão da democracia, e demonstrando plena consciência de que este poder militar é indispensável à reconstrução da economia americana e da própria liderança mundial do dólar. Deste ponto de vista, o que o presidente Obama está propondo, de fato, é uma espécie de congelamento da atual hierarquia do poder militar mundial, com a manutenção do direito e da obrigação americana de aumentar continuamente os seus próprios arsenais.

Os reveses econômicos e militares dos Estados Unidos, na primeira década do século XXI, atingiram o projeto de poder global dos EUA, mas ele não foi abandonado. Hoje, está em curso um realinhamento interno de forças dentro do establishment americano - como ocorreu na década de 70 - e desta luta interna poderá surgir uma nova estratégia internacional, como aconteceu nos anos 80, com o governo Reagan. Mas estes processos de realinhamento costumam ser lentos e seus resultados dependerão da própria luta interna, e dos desdobramentos dos conflitos externos em que os Estados Unidos estão envolvidos.

De qualquer maneira, o que é importante compreender é que seja qual for o resultado desta disputa interna, os EUA não abdicarão voluntariamente do poder global que já conquistaram e não renunciarão à sua expansão futura. A política externa das potências globais tem uma lógica própria, e por isto mesmo, com ou sem política de desarmamento, os EUA deverão seguir aumentando sua capacidade militar de forma contínua, e numa velocidade que deverá crescer nos próximos anos, na medida em que se aproxime a hora da ultrapassagem da economia americana, pela economia chinesa.

Fonte: www.cartamaior.com.br

domingo, 2 de maio de 2010

A ira do Cinturão da Ferrugem - Por Noam Chomsky


A ira do Cinturão da Ferrugem - Por Noam Chomsky
Do The New York Times

No dia 18 de fevereiro, Joe Stack, um engenheiro de computadores de 53 anos, lançou seu avião monomotor contra um edifício em Austin, no Texas, atingindo um escritório da Receita Federal, cometendo suicídio, matando uma pessoa e ferindo outras.

Stack deixou um manifesto antigoverno explicando suas ações. A história começa quando ele era um adolescente que vivia de ninharias em Harrisburg, na Pensilvânia, próximo do coração do que uma vez havia sido um grande centro industrial.

Sua vizinha de 80 anos, que sobrevivia à base de comida de gatos, era a "viúva de um operário de usina siderúrgica aposentado". O marido dela tinha trabalhado a vida inteira nas indústrias do centro da Pensilvânia com a promessa das grandes empresas e dos sindicatos de que, após 30 anos de serviços, ele poderia contar com uma pensão e assistência médica em sua aposentadoria.

"Em vez disso, ele foi um dos milhares que ficaram sem nada porque o incompetente gerente da usina e o sindicato corrupto (sem falar no governo) se apropriaram de seus fundos de pensão e roubaram suas aposentadorias. Tudo o que ele teve para se sustentar foi a Previdência Social".

Stack poderia ter acrescentado que os muito ricos e seus aliados políticos também continuam tentando faturar a Previdência Social.

Stack decidiu que não podia confiar nas grandes empresas e que agiria por si próprio, apenas para descobrir que ele também não podia confiar em um governo que não se importa com nada em relação a pessoas como ele, mas apenas com os ricos e privilegiados; ou confiar em um sistema jurídico no qual "existem duas 'interpretações' para cada lei, uma para os muito ricos e outra para o resto".

O governo nos deixa com "a piada que chamamos de sistema de saúde americano, incluindo as indústrias farmacêuticas e companhias de seguro (que) estão matando dezenas de milhares de pessoas a cada ano", com uma assistência distribuída em grande parte conforme a riqueza, não a necessidade.

Stack atribui esses males a uma ordem social na qual "uma porção de bandidos e espoliadores podem cometer atrocidades impensáveis (...), e quando chega a hora de o trem da alegria deles sucumbir ao peso de sua gula e de sua devastadora estupidez, a tropa do governo federal não tem dificuldade em vir em sua ajuda em questão de dias, ou mesmo horas".

O manifesto de Stack termina com duas sentenças evocativas: "A bandeira comunista: de cada um, conforme sua habilidade; a cada um, conforme sua necessidade. A bandeira capitalista: de cada um, conforme sua ingenuidade; a cada um, conforme sua ganância".

Estudos comoventes sobre o Cinturão da Ferrugem (região no nordeste dos EUA cuja economia é baseada na indústria pesada e de manufatura; o nome é uma ironia referente à degradação da área e ao grande número de galpões abandonados) americano revelam um revolta semelhante entre indivíduos que foram deixados de lado à medida que os programas público-privados fecharam fábricas e destruíram famílias e comunidades.

Um forte sentimento de traição tomou rapidamente as pessoas que acreditavam terem cumprido seu dever com a sociedade em um pacto moral com o governo e as empresas, apenas para descobrirem que haviam sido nada mais que instrumentos de lucro e poder.

Semelhanças evidentes existem na China, a segunda maior economia do mundo, e são investigadas pela pesquisadora da Universidade da Califórnia (UCLA) Ching Kwan Lee.

Lee compara a revolta e o desespero da classe operária nos setores descartados dos Estados Unidos com o que ela chama de "cinturão da ferrugem da China" - o centro industrial socialista estatal no nordeste do país, atualmente abandonado em favor do desenvolvimento capitalista estatal do "cinturão do sol" do sudeste.

Em ambas as regiões, Lee encontrou massivos protestos de trabalhadores, porém com uma diferença. No cinturão da ferrugem chinês, os trabalhadores expressam o mesmo sentimento de traição de seus colegas americanos - no caso dos primeiros, a traição dos princípios maoístas de solidariedade e dedicação ao desenvolvimento de uma sociedade que eles pensavam ter sido um pacto moral, apenas para descobrirem que, independentemente do que fosse, hoje é uma fraude cruel.

No mundo inteiro, milhões de trabalhadores egressos dos sindicatos "são atormentados por um profundo sentimento de insegurança", o que incita "a raiva e o desespero", escreve Lee.

Os trabalhos e estudos de Lee sobre o cinturão da ferrugem americano deixam claro que não devemos subestimar a profunda indignação moral existente por trás da amargura furiosa e frequentemente autodestrutiva em relação ao governo e ao poder empresarial.

Nos Estados Unidos, o movimento ultraconservador Tea Party - e principalmente os círculos mais amplos que ele atinge - refletem o espírito de desencantamento. O extremismo anti-impostos do Tea Party não é tão imediatamente suicida como o protesto de Joe Stack, mas ainda assim é suicida.

A atual Califórnia é um exemplo dramático. O maior sistema público de ensino superior do mundo está se desmantelando.

O governador Arnold Schwarzenegger diz que terá de eliminar os programas estaduais de saúde e auxílio-desemprego, a menos que o governo federal desembolse mais de US$ 7 bilhões. Outros governantes estão se unindo a ele.

Enquanto isso, um recém-criado e poderoso movimento pelos diretos dos estados está exigindo que o governo federal não se intrometa em nossas questões - um belo exemplo do que Orwell chamava de "pensamento duplo" (doublethink, em inglês): a capacidade de sustentar duas ideias contraditórias enquanto se acredita em ambas, praticamente um lema na nossa época.

Os problemas da Califórnia resultam, em grande parte, do fanatismo anti-impostos. É praticamente a mesma coisa em todo lugar, até nos subúrbios afluentes.

Estimular o sentimento anti-impostos foi a base da propaganda empresarial. As pessoas devem ser doutrinadas para odiar e temer o governo, por boas razões: dos sistemas de poder existentes, o governo é aquele que - em princípio e, algumas vezes, de fato - responde ao público e pode restringir os estragos feitos pelo poder privado.

Porém, a propaganda antigovernamental deve ser matizada. Os negócios, é claro, favorecem um estado poderoso que trabalha pelas multinacionais e instituições financeiras - e até as socorre quando destroem a economia.

Mas, em um brilhante exercício de pensamento duplo, as pessoas são levadas a odiar e temer o déficit. Dessa forma, os grupos ligados ao setor empresarial em Washington podem concordar em reduzir benefícios e direitos sociais como a Previdência Social (mas não o socorro financeiro a empresas e bancos).

Ao mesmo tempo, as pessoas não devem se opor ao que está, em boa medida, criando o déficit - o crescente orçamento militar e o irremediavelmente ineficiente sistema de saúde privatizado.

É fácil ridicularizar a forma como Joe Stack e outros como ele articulam suas preocupações, mas é mais apropriado entender o que está por trás de suas percepções e atitudes, em um momento em que as pessoas com insatisfações reais estão se mobilizando de tal forma que representam perigos não desprezíveis para si e para os outros.

(O novo livro de Noam Chomsky', recém-publicado, é "Hopes and Prospects" - Esperanças e Perspectivas, em português. Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Massachusetts Institute of Technology, em Cambridge, Massachusetts.)

Noam Chomsky é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Artigo distribuído pelo The New York Times Syndicate.
Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/

A mão protetora dos Torturadores no Brasil – Por Latuff

Domenico Losurdo e a linguagem do Império - Redação


Domenico Losurdo e a linguagem do Império

Estudioso de Nietszche e Heidegger e crítico do pensamento liberal, o autor italiano vem a ao Brasil para o lançamento do livro "A linguagem do Império - léxico da ideologia estadunidense". Nele, Lusardo busca definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente. Ele debaterá com intelectuais brasileiros, a partir de 3 de maio, em São Paulo (USP e PUC), Marília (Unesp), Campinas (Unicamp), Belo Horizonte (UFMG), Fortaleza (parceria com a Prefeitura) e Rio de Janeiro (UFF e Uerj).

Redação
Marcando o lançamento de A linguagem do Império – léxico da ideologia estadunidense , a Boitempo traz ao Brasil o filósofo Domenico Losurdo, para uma série de conferências em universidades brasileiras. Losurdo debaterá com intelectuais brasileiros como Antonio Carlos Mazzeo, Marcos Del Roio, João Quartim de Morais, Ruy Braga, Giovanni Semeraro e Gaudêncio Frigotto, entre outros, a partir de 3 de maio, em São Paulo (USP e PUC), Marília (Unesp), Campinas (Unicamp), Belo Horizonte (UFMG), Fortaleza (parceria com a Prefeitura) e Rio de Janeiro (UFF e Uerj).

Estudioso de Nietszche e Heidegger, crítico do pensamento liberal pretensamente universalista, o autor busca neste livro definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente. Segundo Losurdo, os Estados Unidos utilizam-se de categorias como "terrorismo", "fundamentalismo", "ódio ao Ocidente" e "antiamericanismo" como "armas de guerra" para rotular não só seus inimigos como também os que não mostram disposição em cerrar fileiras neste combate aos que ameaçam seu modelo de sociedade. "Quem não estiver com a América é automaticamente inimigo da paz e da civilização", aponta Losurdo, que busca nesta obra refletir sobre os perigos desta política, a partir da qual "a lista dos possíveis alvos pode ser continuamente atualizada e aumentada".

Programação
São Paulo (USP) – 03/05, 18h
Com a participação de Ruy Braga (USP) e Antonio Carlos Mazzeo (Unesp)
Local: Casa de Cultura Japonesa (USP). Av. Prof. Lineu Prestes,
159 - Cidade Universitária.
Organização: Boitempo e Cenedic-USP

Marília – 04/05, 20h
Apresentação e coordenação de Marcos Del Roio (Unesp)
Local: Anfiteatro I da FFC- UNESP / Marília. Av. Hygino Muzzi Filho, 737
Organização: Boitempo; GP Cultura e Política do Mundo do Trabalho; Programa de PG em Ciências Sociais; Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da UNESP

Campinas – 05/05, 14h
Debatedor: João Quartim de Morais (Unicamp)
Local: Auditório do IFCH. Rua Cora Coralina S/N. Cidade Universitária “Zeferino Vaz”
Organização: Boitempo e Cemarx/IFCH-Unicamp

Belo Horizonte – 06/05, 15h
Debate “Nietzsche e o marxismo”, com: Antonio Julio Menezes, Rosemary Dore, Rogério Antonio Lopes
Local: Sala de Teleconferência da Faculdade de Educação da UFMG. Av. Antônio Carlos, 6627
Organização: Linhas de pesquisa Política, Trabalho e Formação Humana e Políticas Públicas de Educação: Concepção, Implementação e Avaliação do Programa de Pós- Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFMG.

São Paulo (PUC) – 10/05, 19h30
Apresentação de Maria Margarida Cavalcanti Limena (PUC)
Local: Auditório 239 - Prédio Novo. Entrada Rua Ministro Godoi,
969, Perdizes.
Organização: Boitempo e “Núcleo de Estudos de História: trabalho, ideologia e poder”, da graduação e pós da História, das Faculdades de Ciências Sociais e Serviço Social da PUC-SP

Fortaleza – 12/05, 17h30
Conferência de Domenico Losurdo
Local: Mercado dos Pinhões - Pça. Visconde de Pelotas
Promoção: Prefeitura Municipal de Fortaleza (Comissão de Participação Popular e Secretaria de Cultura Municipal) e Boitempo Editorial.

Rio (UFF) – 13/05, 18h30
Coordenação e apresentação de Giovanni Semeraro (UFF)
Local: Auditório Florestan Fernandes, Bloco D, Campus do Gragoatá. Av. Visconde de Rio Branco, s/n
Organização: Boitempo e Programa de PG em Educação e Núcleo de Estudos e Pesquisas em Filosofia Política e Educação.
(NUFIPE/UFF)

Rio (UERJ) – 14/05, 18h
Com a participação de Gaudêncio Frigotto (UERJ e UFF)
Local: Capela Ecumênica. Rua São Francisco Xavier, 524.
Organização: Boitempo, PPFH e LPP-UERG.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br