segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O beco sem saída dos EUA no Afeganistão - Por Jean-Marie Colombani

O beco sem saída dos EUA no Afeganistão - Por Jean-Marie Colombani

A ambiguidade paquistanesa, por um lado, o bloqueio iraniano por outro, a reaparição de certa instabilidade no Iraque com a recusa dos xiitas – apoiados pelo Irã – em obedecer o resultado das eleições...Tudo se passa como se as guerras de Bush tivessem levado Barack Obama a um beco sem saída. Mas a verdade é que não existe, nem os Estados Unidos nem na Europa, uma reflexão alternativa que gere uma estratégia melhor sobre o terreno. Esse é, sem dúvida, o motivo pelo qual, mais por resignação que por convicção, a guerra do Afeganistão vai continuar como está até agora.
O artigo é de Jean-Marie Colombani.

O assunto dos documentos secretos sobre a Guerra do Afeganistão no período 2004-2009, publicados por Wikileaks, Guardian, Der Spiegel e New York Times, pode ser avaliado em função de três aspectos: as próprias revelações contidas nestes documentos, a atitude dos parceiros dos Estados Unidos na guerra e, talvez, sua possível influência na estratégia estadunidense para a região.

Como “revelações”, não há dúvida de que constituem um magnífico golpe jornalístico, mas não aportam nenhum elemento que transtorne por completa a idéia que podíamos ter do conflito afegão. Em 1973, o Washington Post publicou os extratos de um volumoso documento elaborado a pedido do ministro da Defesa, que permitiu estabelecer a origem da Guerra do Vietnã e mostrar que, desde o princípio, esse conflito tinha partido de bases falsas.

Os documentos obtidos pelo site Wikileaks não contém nada parecido: nos informam que as vítimas civis são provavelmente mais numerosas do que afirmam os balanços oficiais, que as autoridades afegãs são corruptas e que os serviços secretos paquistaneses mais utilizam os talibãs do que os combatem. Mas tudo isso já era conhecido e figurava inclusive em informes oficiais.

Por outro lado, pode-se estabelecer uma relação entre esses elementos e a mudança de estratégia estadunidense decretada por Barack Obama e que já está sendo implementada pelo general Petraeus (verdadeiro autor dessa mudança). A partir de agora a ordem é trabalhar para ganhar “corações e mentes”.

Mas é preciso levar em conta as repercussões políticas destas revelações. Como costuma acontecer, a publicação destes papéis pode servir para formar as opiniões e, em qualquer caso, suscita emoções que, por sua vez, se convertem em elementos da realidade política. Por isso foram reabertos os debates na Europa, em países onde a opinião pública rechaça há muito tempo a idéia da Guerra no Afeganistão. É o que acontece na Alemanha, por exemplo, onde freqüentemente se questiona a presença de quase 5 mil soldados alemães naquela região. Essa situação se complica ainda mais na medida em que, nos documentos, fica evidenciado o papel das forças especiais estadunidenses, que escapam de qualquer controle e que estão alojadas, em parte, em um acampamento militar do exército alemão.

Do mesmo modo, esse debate ressurgiu com força na Inglaterra, país onde a opinião pública ainda está impactada pelo “erro” (termo utilizado pelo vice-primeiro ministro, Nick Clegg) que justificou a participação inglesa na guerra do Iraque. Por esse motivo, foi feita a promessa de abrir e ampliar uma investigação parlamentar sobre os segredos da Guerra do Afeganistão, apesar de o governo ter se comprometido a retirar seus 9 mil soldados até 2015. Dependendo do resultado da investigação, o governo poderia ver-se obrigado a antecipar essa data de retirada. O primeiro país a anunciar sua saída foi a Holanda, cujos 2 mil soldados já começaram a se retirar. Na França, a comoção é menor. Salvo pela tomada de posição de um ex-ministro de Defesa socialista, Paul Quilès, que exigiu a retirada das tropas francesas, não ocorreu nada que seja comparável ao que, há dois anos, seguiu-se à morte de 10 soldados franceses em uma emboscada.

Os olhares agora estão muito mais dirigidas aos Estados Unidos, onde a publicação destes documentos ocorre em um momento em que se multiplicam as dúvidas sobre a estratégia estadunidense para a região. Ocorreu um debate muito enérgico no Congresso, concluído com a aprovação, por grande maioria, da renovação dos fundos para a guerra. Em troca, muitos se preocupam se os Estados Unidos já não se encontram em uma situação impossível.

É evidente que, no essencial, trata-se de uma estratégia herdada de George W. Bush. Lembremos que este último inventou a ameaça das armas de destruição em massa no Iraque para justificar o começo da guerra neste país, apesar de se saber que uma boa parte das bases de apoio da Al Qaeda estavam não só no Afeganistão, mas também no Paquistão, que segue sendo o epicentro e o calcanhar de Aquiles dos Estados Unidos. Os norteamericanos esperam que os paquistaneses intensifiquem sua luta contra os talibãs. Mas está claro que o Paquistão pensa muito mais no que acontecerá depois da guerra e tenta antecipar-se controlando uma parte do país que, é de imaginar, no futuro estará repartido entre a influência do Paquistão, por um lado, e do Irã, por outro. Não é de se estranhar, portanto, que os serviços secretos paquistaneses sigam apoiando por completo ou em parte os talibãs, ao mesmo tempo que concedem, aqui e ali, algumas detenções ou eliminações cuja veracidade sequer pode ser comprovada.

O primeiro ministro inglês David Cameron cometeu uma gafe ao exigir do Paquistão que escolhesse um lado, sem distinguir, como deveria ter feito, entre o governo civil e o aparato militar, provocando uma crise diplomática com Islamabad. Cameron fez a declaração na Índia, onde estava em viagem oficial. O Exército paquistanês tem uma única obsessão: impedir qualquer influência da Índia e, de modo mais geral, qualquer avanço da Índia na região.

A hipótese paquistanesa, por um lado, o bloqueio iraniano por outro, a reaparição de certa instabilidade no Iraque com a recusa dos xiitas – apoiados pelo Irã – em obedecer o resultado das eleições...Tudo se passa como se as guerras de Bush tivessem levado Barack Obama a um beco sem saída. Mas a verdade é que não existe, nem os Estados Unidos nem na Europa, uma reflexão alternativa que gere uma estratégia melhor sobre o terreno. Esse é, sem dúvida, o motivo pelo qual, mais por resignação que por convicção, a guerra do Afeganistão vai continuar como está até agora.
(*) Jean-Marie Colombani foi diretor do Le Monde. Artigo publicado originalmente no jornal “El País”, de Madri.

Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior

Milhares de vítimas: Retratos de uma tragédia: as imagens que a BP não quer mostrar - por ANDA

Milhares de vítimas: Retratos de uma tragédia: as imagens que a BP não quer mostrar -por ANDA
(da Redação)

A empresa British Petroleum, responsável por uma das maiores tragédias ambientais no planeta, desde o início tenta encobrir o alto número de vidas animais perdidas no vazamento de petróleo no Golfo do México. A administração da empresa tem mantido jornalistas fora das áreas mais atingidas pelo óleo e ameaça prendê-los se eles tentarem tirar fotos. Mesmo sob todas as intimações, corajosos fotógrafos conseguiram registrar a terrível situação de alguns animais vítimas dessa tragédia sem precedentes.

Flagrante de um peixe, entre milhares de outros, que morreu na catástrofe. Foto: Getty Images

Imagem de uma foca vítima da catástrofe. Como ela, milhares de animais morreram. Foto: sem crédito

Um pelicano marron aparece na praia totalmente coberto por uma pesada camada de óleo, na costa da Louisiana. (Foto: AP / Charlie Riedel)

Mais um pelicano morto pelo derramamento de óleo. Foto: Charlie Riedel

Uma tartaruga morta flutua em uma poça de óleo na costa da Luisiana. Foto: AP / Charlie Riedel

Pelicano, coberto pelo óleo, grita por ajuda. Foto: AP/Charlie Riedel

Pássaro morto flutua na mancha de óleo. Foto: AP/Charlie Riedel

Tartaruga marinha morta é encontrada atolada no óleo. Foto: Reuters/ Lee Celano)

Um pássaro ainda filhote foi resgatado completamente coberto de óleo. Nesses casos, a chance de sobreviver é pequena. Foto: Reuters/Lee Celano

Uma garça jovem senta-se para morrer no meio do óleo que invadiu um manguezal Foto: AP / Gerald Herbert

Um pássaro coberto de óleo luta para sobreviver ao lado de uma embarcação Foto: AP/ Gerald Herbert

Um pássaro bebê preso no lamaçal de óleo tenta se alimentar com um peixe deixado por sua mãe. Foto: Julie Dermansky

Um golfinho é retirado sem vida das águas do Golfo do México. Ele morreu sufocado pelo óleo numa das áreas com maior biodiversidadedo planeta. Foto: sem crédito

Fonte: http://www.anda.jor.br/

sábado, 7 de agosto de 2010

Relembrando Lumumba - Por Mwaura Kaara

Relembrando Lumumba - Por Mwaura Kaara

A celebração do 50º aniversário da independência da República Democrática do Congo deveria ter sido uma reflexão sobre o grande contributo de Lumumba para a luta congolesa, a sua visão de uma nação una por sobre todas as divisões étnicas e tribais, apesar da feroz oposição europeia. Por Mwaura Kaara [*]

Patrice Lumumba

No dia 17 de Janeiro de 1961, Patrice Lumumba, o carismático primeiro e único primeiro-ministro eleito do Congo, foi brutalmente assassinado. As circunstâncias de sua morte continuam sendo um mistério e a identidade de seus assassinos desconhecida.

Em 1956, Lumumba era funcionário dos correios; quatro anos depois seria primeiro-ministro. Entretanto, fora um “évolué” – membro da pequena classe média negra do Congo, vendedor de cerveja e duas vezes preso pelas suas ideias políticas.

Na prisão radicalizou-se e, por volta de 1958, participara na fundação de um partido político, o Movimento Nacional Congolês, o MCN que se destacou pelo pan-africanismo.

O Dia da Independência foi celebrado no dia 30 de Junho em uma cerimônia assistida por muitos dignatários, incluindo o rei Balduíno [da Bélgica, ex-colonizadora do “Congo Belga”] e os dignatários estrangeiros, e a imprensa. Patrice Lumumba fez o seu famoso discurso de independência depois de, apesar de ser o novo primeiro-ministro, ter sido oficialmente excluído do programa do evento. No seu discurso, o rei Balduíno elogiou o desenvolvimento conseguido no colonialismo, e a sua referência ao “gênio” de seu grande tio-avô, Leopoldo II da Bélgica, ofuscou as atrocidades cometidas durante o Estado Livre do Congo.

O rei continuou: “Não comprometam o futuro com reformas precipitadas, e não substituam as estruturas que a Bélgica vos passou para as mãos antes de estarem certos de que podem fazer melhor [… ] Não tenham medo de vir até nós. Nós vamos continuar ao vosso lado, dar-vos conselhos”.

Em seu discurso, dirigido diretamente ao monarca e aos ministros da Bélgica, Lumumba reivindicou a história e a dignidade do povo congolês em suas longas décadas de luta pela independência:

“Quanto a esta independência do Congo, […] nenhum congolês digno desse nome deverá nunca esquecer que foi lutando que a conseguimos, uma luta dia-a-dia, uma luta apaixonada por ideais, uma luta em que não poupámos privações nem sofrimentos, e pela qual demos a nossa força e o nosso sangue […] Nós sentimo-nos orgulhosos desta luta, das lágrimas, do fogo, do sangue, até ao fundo do nosso ser, porque foi uma luta nobre e justa, e indispensável para colocar um fim na escravidão humilhante que nos foi imposta pela força”.

Lumumba foi primeiro-ministro por apenas dois meses antes de ser destituído ilegalmente e finalmente morto. Isto ocorreu sob os auspícios e a coordenação de uma seção das Nações Unidas fiel ao governo belga, às autoridades belgas e à Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA).

No dia 11 de Julho de 1960, a rica província do Katanga anunciou separar-se do Congo sob a liderança de Moisés Tshombé. As tropas da Bélgica prontamente vieram em seu apoio. Esse movimento provocou uma vaga de protestos internacionais, em particular as críticas do bloco socialista, encabeçado pela União Soviética, e dos países em processo de descolonização em África e na Ásia. Os [militares] belgas retiraram-se para dar o lugar às tropas da ONU, mas as Nações Unidas não declararam nula a secessão de Tshombé. O primeiro-ministro Lumumba apelou à ONU e aos Estados Unidos, mas as potências imperialistas não deram ouvidos ao novo líder africano. Ele se virou à União Soviética, que apoiou as forças leais com medicamentos e tropas [aero]transportadas para ajudar a pôr fim à secessão.

No dia 5 de Setembro, o presidente pró-imperialista Kasavubu destituiu Lumumba ilegalmente. Lumumba levou o caso ao parlamento, que o confirmou no seu posto. Em resposta, Kasavubu dissolveu o parlamento.

Moise Tshombé organizou a secessão do Katanga em conluio com os ex-colonizadores belgas

O secretário-geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjold aprovou publicamente o gesto de Kasavubu. Já antes uma seção das forças das Nações Unidas leais ao governo Belga tinha tentado obstaculizar Lumumba fechando uma estação de rádio que ele usava para se defender perante o povo. No decurso destas lutas, o coronel Joseph Mobutu tomou o poder com um golpe de Estado apoiado pela CIA favorável a Kasavubu e às Nações Unidas. Lumumba foi colocado em prisão domiciliária, “protegido” por tropas das Nações Unidas que intervieram ativamente contra o seu [legítimo] poder.

Lumumba percebeu que a ONU estava a agir como forças armadas das potências imperialistas ocidentais. Recusando ficar preso em casa, decidiu fugir. Na sua fuga, foi capturado pelas forças de Mobutu no dia 10 de Dezembro de 1960. Mobutu entregou Lumumba ao secessionista Tshombé, que o executou a meio da noite de sua captura. Tudo isso - a captura por Mobutu e a entrega a Tshombé - foi orquestrado pelas autoridades belgas com pleno conhecimento e ajuda da CIA.

Com o novo governo, Mobutu aumentou o seu poder, e veio a ser o brutal ditador que, com o apoio do imperialismo dos EUA, se manteve no poder até ser derrubado em 1997.

Este ano a República Democrática do Congo celebrou 50 anos de independência e, no meio do barulho e da cacofonia, o nome de uma das grandes figuras do passado da África e seus importantes contributos para o movimento de libertação africana foram silenciados.

O significado da vida e da obra de Patrice Lumumba teve como base a sua determinação em lutar contra as forças da dominação e opressão, representadas pelo mundo europeu no mais turbulento período da história do Congo, e já que a República Democrática do Congo promoveu festividades para marcar os 50 anos da independência como prenúncio simbólico de uma nova era baseada num novo ethos e em novos valores, haveria que centrar-se numa reflexão sobre a luta incansável de Lumumba, um efetivo movimento popular em África.

Soldados de Mobutu maltratam e atam Lumumba com cordas

A celebração deveria ser uma reflexão sobre o grande contributo de Lumumba para a luta do Congo, sua articulação com a ideia de um Congo unido, uma visão que almejava construir uma nação unida acima de toda divisão étnica e tribal, apesar da feroz oposição europeia. Uma visão que ia a par com seu sentimento pan-africanista de unidade africana, dois ideais que eram inaceitáveis para as potências imperialistas, que querem um Congo e uma África estilhaçados por conflitos internos para melhor os submeterem.

Enquanto a elite política na República Democrática do Congo continua a sofrer da obsessão de estar nas boas graças de seus senhores belgas, usufruindo da sua grande indulgência, e as celebrações são marcadas pelas manifestações festivas de seu povo atingido pela pobreza, que não compreende o que está acontecendo, devemos pensar e refletir sobre o legado de Patrice Lumumba. Um legado que se prolonga nos anseios pan-africanos, nas instituições e políticas da União Africana e no espírito que presidiu à adoção do Consenso de Ezulwini, que propõe um lugar africano permanente num Conselho de Segurança da ONU reformado.


O coronel Joseph Mobutu, que depôs Lumumba com um golpe militar, assistindo à sua prisão. Apoiado pela Bélgica e pelos EUA, estabeleceu uma feroz ditadura que duraria 30 anos.

Sua capacidade para mostrar tão cruamente quanto seu povo vivia subjugado, derivava de um raro entendimento da duplicidade inerente ao discurso colonial. Como disse Jean Van Lierde:

“Ele foi o único líder congolês que se colocou acima das dificuldades étnicas e das preocupações tribais que destruíram todos os outros partidos. Lumumba foi realmente o primeiro pan-africanista”.

Pouco antes do seu assassinato, Lumumba escreveu as seguintes palavras em uma carta de despedida: “A única coisa que queremos para nosso país é o direito a uma existência decente, a uma dignidade sem hipocrisia, a uma independência sem restrições […] Chegará o dia em que a história terá que se pronunciar.”

Em conclusão, podemos dizer que os seus inimigos, tanto externos como internos, levaram à queda e à morte de Patrice Lumumba. Mas, felizmente, seu legado continua vivo.

[*] Mwaura Kaara, que nasceu e vive no Quénia, é o coordenador para a juventude da Campanha Millennium das Nações Unidas em África.

Fonte: Passa Palavra.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

[Israel] Terceira detenção do objetor de consciência, anarquista e ativista anti-ocupação Shir Regev - ANA

[Israel] Terceira detenção do objetor de consciência, anarquista e ativista anti-ocupação Shir Regev

[Shir Regev, de 20 anos, residente em Tuval, no norte de Israel, é um anarquista, ativista anti-ocupação e objetor de consciência. Ele foi detido pela primeira vez em 2 de março passado por se negar a servir ao sistema militar israelense e condenado a 20 dias de prisão. Posteriormente, no dia 24 de março, recebeu sua segunda sentença de prisão, 10 dias de cadeia. Agora, em 14 de julho, ele foi condenado pela terceira vez a 34 dias de prisão. O jovem insubmisso deverá ser libertado em 13 de agosto de 2010.]

Na sua declaração de recusa a servir ao exército, Shir Regev escreveu:

”Eu acredito que seja meu dever repudiar e recusar efetivamente a minha incorporação num exército cujo objetivo principal é a ocupação policial, para a manutenção da "ordem de Israel”, impondo-a aos palestinos indefesos, aos quais é negada a cidadania.

E qual é essa ”ordem de Israel"?
É um processo contínuo, com efeitos há mais de 42 anos, incluindo um regime militar, que nega à comunidade palestina o acesso a terras, água, culturas agrícolas e minérios. Um processo que implica, também, a poluição das suas terras e das suas nascentes, juntamente com a busca de colonos que vivem nas mesmas áreas, no âmbito de um sistema separado de leis, aparentemente democrático. E nem menciono a violação dos mais básicos direitos humanos palestinos, como negar a sua liberdade de movimento, causando traumas, incluindo massacres em massa, sem a devida investigação de alegados crimes de natureza grave, reconhecido na lei israelita. Esses atos, realizados em um território sob ocupação militar, também constituem crimes de guerra e outras violações do direito internacional.

Desde que obtive o perfil médico de um ”soldado de combate", quando me apresentei, ao exército, não há dúvida nenhuma de que eu teria sido enviado para servir esse “sistema mafioso", que não tem quase nada a ver com o papel designado pela IDF, de "Forças Defensivas”.

Este é um exército que serve interesses em que eu não acredito. Portanto, no dilema entre fazer tal serviço militar e obedecer a minha consciência, não tenho nenhuma dúvida sobre a minha decisão.

Chegará o dia em que a minha decisão será apreciada pelas pessoas que hoje negam a terrível realidade: a de que nós, como sociedade, estamos criando para outro povo e os danos que estamos causando nas almas de muitos jovens israelitas que podem não estar cientes da degradação moral em que participam".

Envio de cartas para Shir Regev:

Shir Regev
Military ID 5966205
Military Prison No. 6
Military Postal Code 01860, IDF
Israel
Fax: +972-4-9540580

Uma vez que as autoridades da prisão bloqueiam freqüentemente os e-mails como forma de rechaçar os objetores de consciência, se recomenda que envie as suas cartas de apoio e encorajamento através do e-mail: messages2prison@newprofile.org. Eles serão impressos e entregues durante as visitas.

Também envie cartas de protesto às autoridades e às embaixadas de Israel, assim como apelos à libertação imediata do objetor de consciência Shir Regev e de todos os outros presos objetores de consciência naquele país. Cartas por e-mail para o Ministro Israelita da Defesa, Ehud Barak, podem ser enviadas através de: http://wri-irg.org/node/10559.

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana
Chuva de primavera –
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Novo centro de documentação pretende impulsionar investigação sobre Nietzsche

Novo centro de documentação pretende impulsionar investigação sobre Nietzsche

O edifício finalizado ao lado da residência materna de Nietzsche, em Naumburg, deverá abrigar o maior acervo bibliográfico particular sobre a recepção desse pensador que viria a marcar profundamente o século 20.


Codiretor Ralf Eichberg folheia um dos 7 mil volumes do acervo

A obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) vai ganhar mais um espaço de investigação com a planejada abertura do Centro de Documentação Nietzsche (Nietzsche-Dokumentationszentrum) em Naumburg, em outubro próximo.

A iniciativa surgiu em 2000, centenário da morte do filósofo, quando a cidade de Naumburg – onde Nietzsche passou grande parte de sua vida – recebeu a oferta de adquirir a biblioteca do germanista norte-americano Richard Frank Krummel, considerada a maior coleção particular sobre a recepção desse filósofo no espaço de língua alemã.

A aquisição do acervo Krummel foi o ponto de partida para a fundação do centro de documentação, que será instalado em um novo edifício ao lado da Casa Nietzsche, em Naumburg.

Segundo Ralf Eichberg, membro do diretório do centro de documentação, o volume do novo acervo bibliográfico – que se estenderá por 520 metros quadrados – não poderia ser abrigado no museu-casa, que deverá ser mantido intacto para visitas públicas.

O novo edifício, construído ao lado da residência materna de Nietzsche, está praticamente finalizado. "Hoje ou amanhã os andaimes deverão ser desmontados", declarou Eichberg à Deutsche Welle nesta quinta-feira (05/08).

Obra dispersa, e controversa
A inquieta trajetória intelectual e pessoal de Friedrich Nietzsche torna-se de certa forma legível nos lugares onde viveu, muitos dos quais guardam até hoje os rastros de sua passagem.

Naumburg, localidade com menos de 30 mil habitantes situada entre Leipzig e Weimar, foi onde Friedrich Nietzsche passou, a partir dos cinco anos de idade, sua infância e adolescência, e para onde retornou em 1890, permanecendo durante anos sob os cuidados da mãe, após ter sofrido um colapso psíquico do qual nunca mais se recuperaria.

Também foi em Naumburg que sua irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche, criou nesta mesma época o Arquivo Nietzsche, aproveitando-se do crescente renome do irmão. Logo o arquivo seria transferido para as imediações de Weimar, onde a poeta suíça Meta von Salis-Marschlins colocou à disposição da família, em 1897, a residência onde Nietzsche passaria os últimos anos de sua vida, aos cuidados da irmã.

Essa residência, cujo interior foi inteiramente reformado pelo arquiteto belga Henry van de Velde na época, pode ser visitada hoje como mais um dos marcos da vida de Nietzsche, embora a biblioteca do filósofo tenha sido incorporada à Anna Amalia Bibliothek na década de 1940. Também foi nessa época que parte dos manuscritos e todo material de arquivo foram transferidos para o Arquivo Goethe-Schiller, também abrigado em Weimar.

Outra parte dos manuscritos de Nietzsche se encontra, por sua vez, na biblioteca da Universidade de Basileia, onde o filósofo trabalhou de 1869 a 1879. Foi para lá que seus amigos levaram parte de seus escritos, reagindo à tentativa de falsificação por parte de sua irmã.

Elisabeth Förster-Nietzsche – que fracassara no Paraguai na tentativa de fundar a colônia "ariana" Nueva Germania, juntamente com seu marido, Bernhard Förster – não deixou de ter êxito em sua tentativa de adulterar a obra do irmão como corroboração da ideologia antissemita. Foi em Basileia, entretanto, que se desenvolveu outra tradição de estudos nietzscheanos, independente da cooptação do filósofo pelo nazismo.

Para além da reconstituição filológica
O novo centro de documentação em Naumburg não se vê em concorrência, no entanto, com outros acervos da obra de Nietzsche, como Weimar ou Basileia. Hans Eichberg explica que o centro se dedicará exclusivamente à recepção da obra do filósofo, sem qualquer pretensão de colecionar manuscritos ou relíquias.

Ao lado das funções museológica e pedagógica, a nova instituição pretende sobretudo oferecer condições de pesquisa para estudiosos de Nietzsche. Isso inclui não só abertura do acervo bibliográfico Krummel, cujos 7 mil volumes e inúmeros artigos esparsos ainda deverão ser catalogados nos próximos tempos, mas também a realização de simpósios e congressos sobre a obra do filósofo.

Para Eichberg, a disponibilização pública da biblioteca Kummel coincide também com o redirecionamento dos estudos nietzscheanos, que durante muito tempo mantiveram um viés estritamente filológico, ocupados em restabelecer a autenticidade dos textos falsificados.

A biblioteca do novo centro de documentação poderá dar um novo impulso à investigação científica, pois oferece subsídios para o estudo de múltiplos aspectos da recepção de Nietzsche, não só filosóficos, mas também literários e culturais.

Autora: Simone Lopes
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: http://www.dw-world.de

Descriminalização de crueldades: Animais domésticos e domesticados podem perder a proteção prevista na lei federal 9.605

Descriminalização de crueldades: Animais domésticos e domesticados podem perder a proteção prevista na lei federal 9.605

(da Redação)

Cães, gatos, coelhos, cavalos, pássaros, bois, galinhas, cabras, porcos, ovelhas e tantos outros animais podem perder a proteção prevista na lei federal 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). Se a realidade deles é triste, muitas vezes trágica, pode ficar pior. Um projeto de lei que está para ser votado, nos próximos dias, na Câmara dos Deputados retira esses animais do abrigo da Lei.

Assim que a lei 9.605 foi aprovada, em fevereiro de 1998, o ex-deputado Thomás Nonô, atualmente filiado ao DEM de Alagoas, protocolou o projeto de lei 4.548/98, com o objetivo de retirar da Lei de Crimes Ambientais a proteção dos animais domésticos e domesticados. Sob o absurdo argumento de preservação da cultura, da tradição, já que os animais são usados em rodeios, vaquejadas, rinhas e em outras crueldades.

O artigo 32, que o PL do ex-deputado quer retirar, diz que é crime “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

Se com a proteção da lei os animais já são vítimas de explorações, maldades, sem ela não teremos forma legal de penalizar as crueldades cometidas contra eles.

Na terça-feira (03) o deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB/SP), com base eleitoral em Sorocaba, requereu, com prioridade, a inclusão do PL 4.548/98 do ex-deputado Thomás Nonô para entrar na Ordem do Dia. Isto significa que o PL pode ser votado a qualquer momento na Câmara dos Deputados, e pior, os animais domésticos e domesticados podem perder a proteção.

A aprovação deste projeto de lei é um gravíssimo retrocesso. Enquanto o mundo todo avança no sentido de proteger os animais, aqui no Brasil políticos sem qualquer consciência querem tirar o pouco de direito que eles têm.

“É necessário que os ativistas e todas as pessoas que amam animais se mobilizem. Não podemos aceitar que crueldades cometidas em atividades como vaquejadas, rinhas e tantas outras formas de tortura não sejam mais tipificadas como crime. É fundamental que promovamos uma ampla mobilização para que as deputadas e deputados ouçam as vozes da sociedade”, conclamou o ex-vereador e ativista pelos Direitos Animais, Gabriel Bittencourt.

Fonte: http://www.anda.jor.br

Ponto de Cultura COHABITARTE convida!


A segunda edição do CineHabitarte vem com tudo este mês contando com uma programação bem animada, literalmente! Neste próximo sábado dia 07 de agosto de 2010 faremos exibições de desenhos animados alternativos. Vale a pena conferir!
No decorrer da semana ainda passaremos por duas quintas feiras seguidas (12/08 e 19/08) pelo Bar do Camacho, um ponto de encontro dos artistas da região para exibir filmes como "A chave da Casa" que relata as últimas 24horas de uma comunidade de palestinos na faixa de Gaza.
Ainda seguimos o mês de agosto com o Circuito Tela Verde que será exibido em lugares como a Rua Cristóvon de Salamanca (dia 21/08), um lugar bem especial conhecido como Chácara onde ainda resiste uns resquícios de Mata Atlantica e uma nascente.
Encerraremos o Circuito Tela Verde na Praça Mãe Menininha do Gantois (pça Brasil) dia 29/08 juntamente com o cordão Folclórico de Itaquera do Sucatas Ambulantes. Os filmes do Circuito Tela Verde são produções independente de várias regiões do Brasil que relatam os mais diversos contextos socioambientais que assolam a realidade brasileira.

Esperamos por você!
Fonte: www.almaambiental.blogspot.com/

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Charge do dia - as mentiras de Obama!


http://blogdolute.blogspot.com/

Consciênca e ética: Morrissey pede à rainha da Inglaterra que a guarda deixe de usar peles animais - por ANDA

Consciênca e ética: Morrissey pede à rainha da Inglaterra que a guarda deixe de usar peles animais - por ANDA

Por Lilian Garrafa (da Redação)

O cantor Morrissey escreveu uma carta para o jornal The Times pedindo à rainha que a guarda do exército britânico deixe de usar peles de animais em seus chapéus.

A carta do ex-vocalista do Smiths foi publicado no jornal de 2 de agosto. Nela, Morrissey escreveu que a responsabilidade pelo traje é da rainha.

“É difícil não olhar para a própria rainha – afinal, eles são os seus guardas, e ela certamente deve estar ciente do horrível processo utilizados para suprir com pele de urso os chapéus de seus guardas”, escreveu ele. E acrescentou: “A mera visão de cada chapéu de pele de urso deve certamente atingir o coração da rainha”.

Morrissey também mostrou seu apoio à política conservadora Anne Widdecombe, que também escreveu sobre o assunto no jornal em 30 de julho, e elogiou a filha de Paul McCartney, Stella, pela criação de chapéus de pele sintética.

Ele escreveu: “Sim, direitos dos animais movem pessoas diferentes de formas diferentes, e há ainda aqueles que pensam que os animais simplesmente não têm direitos. Mas não existe razão para propositadamente impedir a vida do urso pardo do Canadá especialmente para os chapéus da guarda – isso é um absurdo, pois eles podem ser facilmente substituídos por versões artificiais (graças à visionária Stella McCartney), sem envolver mortes. “

O cantor terminou sua carta dizendo que guardas que usam peles de animais refletem “o que há de mais baixo no espírito humano”.
Fonte: http://www.anda.jor.br/

Uma guerra impossível de ganhar - por Tariq Ali

Uma guerra impossível de ganhar
Todos sabem o que o exército paquistanês vem fazendo com diversas facções dos talibãs desde que o Afeganistão foi ocupado, há quase nove anos. Não há motivos para que ninguém se surpreenda. A causa está clara também. A guerra é impossível de ser ganha.

Por Tariq Ali

Não é nenhum segredo o que o Paquistão vem fazendo com o talibã. Todas as partes em conflito sabem o que vem ocorrendo desde que o Afeganistão foi ocupado. O que também é claro é que essa guerra é impossível de ser ganha.

As declarações de David Cameron (primeiro-ministro britânico, em visita à Índia), posteriores às investigações de WikiLeaks, sobre a ajuda dada pelo Paquistão ao inimigo em Hindu Kush, não deveriam ser levadas tão a sério. [1] O golpe cuidadosamente orquestrado na Índia estava destinado a agradar seus anfitriões e selar acordos de negócios (Cameron e Vince Cable fazem um leva-e-traz da indústria de armamento britânica). [2] A resposta oficial do Paquistão foi igualmente falsa, dado que é impossível que Islamabad ataque o tocador.

Enquanto isso, todas as partes sabem o que o exército paquistanês vem fazendo com diversas facções dos talibãs desde que o Afeganistão foi ocupado, há quase nove anos. Há três anos, um soldado paquistanês matou um agente da polícia norte-americanaem meio a essas conversações, tal como informou a imprensa paquistanesa. Uma fonte próxima ao exército paquistanês me contou o ano passado, em Islamabad, que estiveram presentes agentes da inteligência norte-americana em conversas recentes entre o SIP (Serviço de Inteligência do Paquistão) [3] e os rebeldes. Não há motivos para que ninguém se surpreenda. A causa está clara também. A guerra é impossível de ser ganha.

O Paquistão nunca chegou a abandonar totalmente os talibãs depois de 11 de setembro. Como iria deixá-los? Foi Islamabad que organizou a retirada dos talibãs de Kabul, para que os EUA e seus aliados pudessem ocupar o país sem ter que entrar em combate. Os generais paquistaneses aconselharam seus amigos afegãos a esperar o momento oportuno.

À medida que a guerra no Afeganistão piorava, cresciam os rebeldes. O caos social e a corrupção política da equipe de Hamid Karzai faziam com que a ocupação estrangeira parecesse muito pior aos olhos de muitos afegãos, incorporando uma nova geração de combatentes jovens que não haviam feito parte do regime deslocado. São estes neotalibãs os que organizaram de maneira efetiva a extensão da resistência que, tal como mostrava o diagrama de engenhos explosivos improvisados revelado por WikiLeaks, chega praticamente a qualquer parte do país.

Matthew Hoh, antigo capitão de infantaria da Marinha, que serve como oficial político no Afeganistão foi claro: "Os rebeldes pastúns, compostos de múltiplos grupos locais aparentemente infinitos, se veem nutridos pelo que percebem como uma incessante agressão contra a terra, a cultura, as tradições e a religião pastún por parte de inimigos internos e externos (...). Observei que o grosso da rebeldia luta não pela insígnia branca dos talebâs e sim contra a presença de soldados estrangeiros e os impostos estabelecidos por um governo não representativo em Kabul".

No ano de 2007, os EUA tentaram apartar uma parte dos rebeldes do mulá Omar, líder dos talibãs, oferecendo a eles postos no governo. Os líderes neotalibãs se negaram a ajudar qualquer governo enquanto houvesse tropas estrangeiras no país.

O SIP, cuja autonomia sempre foi valorizada, deixou-se controlar. Alguns delinqüentes foram descobertos quando aprovaram o ataque contra a embaixada indiana em Kabul, em 2008 e foram imediatamente disciplinados e deslocados. Hoje em dia, atacar o SIP se tornou conveniente para o Ocidente, que necessita do general Kayani e não pode, portanto, atacá-lo diretamente. Não há maneira de que o SIP ou alguma das partes do exército possa ajudar os rebeldes sem conhecimento de Kayani. E este sabe perfeitamente que para preservar os contatos, estes têm que oferecer proteção aos rebeldes que lutam contra a OTAN.

Karzai estava tão desesperado há alguns meses por cortejar os talibãs que pediu ao general Eikenberry, o conciliador embaixador norte-americano, que tire toda a direção talibã, incluindo Omar, da lista dos mais buscados. Eikenberry não se negou e sugeriu que cada caso deveria ser considerado por seus méritos. Que melhor indicação de que a guerra está perdida?

WikiLeaks parece ter revivido temporariamente Karzai. "Coisa diferente é se o Afeganistão tem capacidade para isso", contestou ao responder a uma pergunta sobre o apoio do Paquistão aos talibãs, (...) "mas nossos aliados dispõe desta capacidade. Agora a pergunta é: por que não atuam?"

Mas atuam sim, e vem fazendo isso desde que Barack Obama se tornou presidente. Os ataques com aviões não tripulados estavam destinados a sufocar o apoio aos rebeldes através da fronteira. O que conseguiram foi desestabilizar o Paquistão. No ano passado, o exército deslocou à força mais de 250 mil pessoas do distrito de Orakzai, na fronteira afegã, e os colocaram em campos de refugiados. Muitos juraram vingança. No dia 8 de junho, militantes armados com granadas e morteiros atacaram um comboio da Otan em Rawalpindi. Cinqüenta veículos da Otan foram destruídos e mais de uma dúzia de soldados morreram.

Isso não pode mais piorar. É hora de Obama abandonar todas suas pretensões utilizadas para justificar uma guerra que só pode conduzir a mais mortes, mas não a uma solução. O que faz desesperadamente falta é uma estratégia de saída.

(1) Durante visita recente à Índia, Cameron acusou elementos do Estado paquistanês de promover a exportação do terrorismo.
(2) Índia firmou um acordo com a BAE Systems no valor de 500 milhões de libras a fim de adquirir caças de aviação do tipo Hawk.
(3) O SIP é um dos serviços de inteligência das forças armadas do Paquistão, e desempenhou um papel essencial na organização dos rebeldes afegãos desde a invasão soviética em 1979...até hoje, segundo argumentam entre outros o mesmo Ali.

Publicado por Rebelion. Tradução de André Rossi.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br

Iraque 2011, Afeganistão 2014, Irã ?

Iraque 2011, Afeganistão 2014, Irã?
De forma realista e pragmática, uma operação militar no Irã, ou mesmo bombardeios aéreos a instalações nucleares que seriam identificadas como riscos, é inviável no atual quadro regional, uma vez que colocaria em xeque as retiradas no Iraque e no Afeganistão e sinalizaria novos engajamentos em um momento no qual a opinião pública dos EUA se mostra contrária a operações externas. Dentro da lógica ofensiva de certos setores, e da perspectiva indicada por Emmanuel Todd de “teatralização” dos conflitos e da necessidade de “bater no fraco por não poder enfrentar o forte”, é preciso avaliar que nem sempre as motivações que impelem os norte-americanos à guerra são aquelas que se encontram mais visíveis.
Cristina Soreanu Pecequilo (*)

No último dia 2 de agosto, o presidente Barack Obama anunciou oficialmente que as tropas de combate norte-americanas no Iraque iniciarão sua retirada a partir do dia 31 de agosto, com previsão de saída total até dezembro de 2011. O encerramento da Guerra do Iraque, uma das principais peças de campanha do então candidato, que a definia como a “guerra de escolha” que drenava recursos dos Estados Unidos (EUA) da “guerra da necessidade” contra o terrorismo no Afeganistão (e Paquistão), surge em um momento sensível da administração democrata.

Tal momento é simbolizado pela proximidade das eleições legislativas de meio de mandato de novembro de 2010, para a qual as pesquisas de opinião indicam perda da maioria democrata em pelo menos uma das casas do Legislativo (ou nas duas inclusive), pela desaceleração da economia dos EUA e de uma intensa batalha no campo da legislação para a imigração. A catastrófe ambiental da British Petroleum e o que alguns definiram como fraqueza do governo em lidar com o caso, associado ao vazamento de informações sobre a Guerra do Afeganistão no site Wikileaks, igualmente compõem este quadro.

Depois de algumas importantes vitórias como a aprovação da reforma do sistema de saúde e de bem estar, o avanço da reforma financeira e o lançamento da nova Grande Estratégia de Segurança Nacional, Obama encontra-se na defensiva pressionado não só pelos republicanos, mas pelas forças democratas, dentro e fora do gabinete.

A “confirmação” da retirada das tropas no Iraque representa uma tentativa de recuperar o poder de iniciativa de Washington, e recolocar o debate em termos mais favoráveis. Neste quadro, ainda se insere a prometida ofensiva na Guerra do Afeganistão, visando minar as forças da Al-Qaeda, estando subjacente a este esforço intensivo dos EUA e de seus aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma projeção adicional de desengajamento militar, com início previsto para 2011 e término em 2014.

Mais do que motivadas por questões estratégicas, as retiradas com data programada respondem a necessidades políticas norte-americanas e, no caso do Afeganistão, às demandas dos aliados, que gradualmente já vem diminuindo sua participação na guerra (pressões internas, custos excessivos, desgaste eleitoral). No caso dos EUA, os processos de “Iraquização” e “Afeganização”, que correspondem na retórica à transferência de responsabilidades de defesa às tropas locais, remontam à experiência da “Vietnamização” da década de 1970, e da saída honrosa, sem derrota, de um cenário de instabilidade que permanece em aberto.

Paradoxalmente, porém, os ecos do Vietnã e de uma possível síndrome do Iraque ou do Afeganistão, e o questionamento dos porquês destas operações (em sua origem desenvolvimento e possível fim próximo) restringem-se aos setores mais críticos nos EUA, o que se repete pelo sistema internacional.

É questionável que estes cronogramas correspondam ao “sucesso” militar das operações no que se refere ao combate a focos de terrorismo, disseminação da democracia e consolidação de um cenário estável no Iraque e Afeganistão (ou especificamente no Iraque, o encerramento de um conflito “errado”). Estes rearranjos estratégicos de tropas norte-americanas, transitando do Oriente Médio à Eurásia respondem a um esgotamento duplo, político e militar, revelado na superextensão. Ao mesmo tempo, não se pode desconsiderar que o rearranjo esteja relacionado a um reposicionamento de presença, vide as declarações do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, Mike Mullen, de que existe uma opção militar de intervenção no Irã caso o país prossiga com seu programa nuclear. As declarações de Mullen foram realizadas menos de uma semana depois da Casa Branca ter anunciado que estaria disposta a retomar negociações com Teerã sobre a questão da proliferação, retomando o acordo tripartite conduzido por Brasil, Turquia e Irã.

Este acordo tem sido objeto de inúmeras idas e vindas na Casa Branca: inicialmente os esforços de Brasil e Turquia foram bem recebidos e incentivados por serem considerados essenciais para destravar o processo diplomático, concluído o acordo, contudo, o texto foi rejeitado pelos EUA que investiram em sanções unilaterais e via Conselho de Segurança das Nações Unidas, as quais se agregaram sanções da UE e, nas últimas semanas, sinalizações positivas ressurgiram no campo diplomático, as quais se seguiram às declarações de Mullen. As hipóteses de guerra no Irã são recorrentes em Obama tanto quanto foram em W. Bush, mesmo que sob um referencial diferente, proliferação nuclear e guerra contra o terror respectivamente, uma vez que respondem a pressões de grupos de interesse e à visão militarista e messiânica compartilhada por falcões republicanos e democratas.

A consequência destas oscilações de posições é o reforço preventivo da postura do Irã, respondendo ao seu estrangulamento na região, e o favorecimento de suas correntes radicais (em detrimento das forças reformistas que haviam alcançado grande relevância nos anos 1990 com Khatami e sua proposta do Diálogo das Civilizações). No cenário asiático, a despeito da diferença de tratamento e postura dos EUA diante da Coréia do Norte e seu programa de proliferação (vide as Conversações das Seis Partes que agregam EUA, Rússia, China, Japão, Coréia do Norte e Coréia do Sul em esforços multilaterais), resultado similar se observa, de maior fechamento do regime norte-coreano.

De forma realista e pragmática, uma operação militar no Irã, ou mesmo bombardeios aéreos a instalações nucleares que seriam identificadas como riscos, é inviável no atual quadro regional, uma vez que colocaria em xeque as retiradas no Iraque e no Afeganistão e sinalizaria novos engajamentos em um momento no qual a opinião pública dos EUA se mostra contrária a operações externas. Dentro da lógica ofensiva de certos setores, e da perspectiva indicada por Emmanuel Todd de “teatralização” dos conflitos e da necessidade de “bater no fraco por não poder enfrentar o forte” (Depois do Império, 2003), é preciso avaliar que nem sempre as motivações que impelem os norte-americanos à guerra são aquelas que se encontram mais visíveis.

Temas contundentes do Oriente Médio pelos quais passam o futuro deste cenário como a retomada do processo de paz Israel-Palestina surgem em segundo plano, invertendo a equação dos anos 1970 quando se avaliava que a estabilidade da região iniciava-se pela reinserção equilibrada de todos os Estados e povos pela acomodação, respeito e coexistência (e da qual resultaram acordos como Israel-Egito em Camp David e os Tratados de Oslo na década de 1990). Permanece um contexto de crises, no qual o desengajamento militar norte-americano de 2011, 2014 ou, eventualmente, um novo cronograma para novos conflitos, demonstra a volatilidade estratégica regional, e o vácuo diplomático e político de soluções mais duradouras, sujeitas às mudanças de compromisso e das prioridades dos atores envolvidos.

(*) Doutora em Ciência Política e Professora de Relações Internacionais
Fonte: Carta Maior

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Instituto Justiça Ambiental processa empresa, em Belém (PA), pelo abate Ilegal de mais de 280 mil tubarões.

Instituto Justiça Ambiental processa empresa, em Belém (PA), pelo abate Ilegal de mais de 280 mil tubarões.
Mais de 25 toneladas de barbatanas e bexigas natatórias estariam sendo comercializadas de forma ilegal

A ação civil pública foi protocolada via fax na Justiça Federal de Belém (PA), com base em fiscalizações e autos de infração do IBAMA/PA. O IJA busca indenização pelos danos ambientais irreversíveis e incontáveis causados pela captura ilegal de 25 toneladas de barbatanas de tubarão e bexigas natatórias de animais não identificados, número que representa mais de 280 mil tubarões. A empresa processada é a Sigel do Brasil Comércio, Importação e Exportação Ltda. A Sigel processa e beneficia barbatanas e bexigas natatórias para futuramente serem revendidas de forma ilegal. Dentre os animais abatidos constam espécies marinhas em risco de extinção e vulnerabilidade, como é o caso do tubarão grelha.

“Acreditamos que esta seja uma autuação recorde, nunca ouvimos nada parecido. O que é assustador é que provém de apenas uma empresa. Imaginem então as quantidades que escapam da fiscalização do Ibama/PA”, comenta Cristiano Pacheco, diretor do IJA. “Quase não se fala na área costeira amazônica. Os brasileiros precisam saber que é a mais rica do país em biodiversidade marinha, banhada pela foz do Rio Amazonas. Suprimir os tubarões dessa forma absurda e descontrolada colocará em colapso os ecossistemas marinhos na região, já que o tubarão é topo de cadeia, inventor da seleção natural nos oceanos e habitante deste planeta há mais de 400 milhões de anos”, completa Pacheco.

O valor provisório da indenização, pleiteado pela instituição, é de R$ 1.382.725.000,00 (um bilhão trezentos e oitenta e dois mil setecentos e vinte e cinco reais). No decorrer do processo o IJA apresentará parecer técnico que deverá superar em muito o valor, já que o cálculo considerará todos os ecossistemas afetados. O valor da indenização será revertido ao Fundo Nacional do Meio Ambiente.

Veja as imagens: http://rapidshare.com/files/408667560/Barbatanas.MOD

Instituto Justiça Ambiental (IJA)
O Instituto Justiça Ambiental (IJA) é uma organização não-governamental, sediada em Porto Alegre (RS), sem fins lucrativos, formada por profissionais atuantes na área do direito ambiental e na área técnica, destinada a promover a proteção do meio ambiente. O Conselho do Instituto Justiça Ambiental é formado por advogados, promotores de justiça, biólogos e veterinários, de renome nacional e internacional.

Fonte: Guilherme Ferreira - Assessoria de Imprensa
Retirado do: www.ija.org.br

As 10 estratégias de manipulação da Mídia – por Noam Chomsky

As 10 estratégias de manipulação da Mídia – por Noam Chomsky

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
Fonte: www.chomsky.info

PM mata 7 em SP nas 36h após atentado contra Rota

PM mata 7 em SP nas 36h após atentado contra Rota

São Paulo - Nas primeiras 36 horas após o atentado contra o tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), policiais militares mataram sete pessoas na cidade de São Paulo. Entre esses sete não está incluído Frank Ligieiri Sons, o homem baleado e morto sob a acusação de atacar a tiros na madrugada de domingo o quartel da Rota, na Luz, no centro de São Paulo.

O número de casos depois do atentado a Telhada é seis vezes a média diária de 0,78 caso de tiroteio com morte registrada pela corporação no primeiro semestre deste ano na cidade - 141 casos em 181 dias. Desde os ataques contra Telhada e a sede da Rota, a polícia ficou em estado de alerta e reforçou a vigilância de bases comunitárias e a atenção no patrulhamento das ruas. O primeiro dos tiroteios a terminar com a morte de um acusado de roubo ocorreu às 15 horas de sábado. Um homem foi morto em confronto com homens da Rota, acusado de dirigir um carro roubado e reagir à prisão. O segundo caso envolveu os homens do 3º Batalhão da PM, na zona sul de São Paulo.

No primeiro semestre deste ano, segundo números da Ouvidoria da Polícia de São Paulo, policiais da Rota mataram 36 pessoas em tiroteios. No mesmo período de 2009, esse número havia ficado em 21. O aumento é creditado pelos policiais do batalhão ao aumento dos enfrentamentos envolvendo o combate ao crime organizado, o que teria, até mesmo, provocado os atentados contra o tenente-coronel Telhada e a sede do batalhão. A polícia de São Paulo deve continuar em alerta até o fim do próximo fim de semana, quando cerca de 20 mil presos do regime semiaberto devem receber o direito de visitar suas famílias por cinco dias durante o Dia dos Pais.
Fonte: Agência Estado.

Serra e FHC, uma relação delicada - Luis Nassif

Serra e FHC, uma relação delicada
Luis Nassif

No futuro, um dos enigmas políticos contemporâneos, que talvez se torne tese para algum candidato ao mestrado de história, serão as relações políticas e pessoais entre Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Não apenas os amuos recíprocos, as críticas ferinas que sempre trocaram, mas a relação quase simbiótica, a sujeição intelectual e política de Serra a FHC.

O que levou o tucano que parecia ter o maior potencial de liderança do partido, que assumiu o maior estado da União, em que as melhores experiências administrativas poderiam ser colocadas em prática, a ficar sempre em segundo plano, ofuscado pela liderança daquele que caminhava para ser o mais impopular ex-presidente da história?

Aqui alguns elementos para futuros historiadores que quiserem se habilitar a desvendar o enigma.

Eleito governador, José Serra parecia pronto para a escalada rumo à presidência da República. As eleições presidenciais foram encarniçadas. Sem dispor de cargos executivos, o ex-presidente FHC e senadores como Arhur Virgílio e Tasso Jereissatti, estimulavam o clima de guerra, o único no qual poderiam ganhar espaço junto ao PSDB.

O pêndulo do partido se inclinaria inevitavelmente para os governadores. O jogo político passaria a ser exercitado em outro nível porque todos - Lula e governadores – precisariam de um pacto de governabilidade. Os novos governadores seriam a caminho de arejamento da oposição, buscando governar da melhor forma possível para se qualificar para a sucessão de Lula. As esperanças maiores estavam em Aécio Neves, em Minas, e Serra, em São Paulo.

Terminada as eleições, com os ecos das baixarias ainda muito fortes, escrevi um artigo dizendo que tinha chegado a era dos negociadores. Serra tinha formação de centro-esquerda, não tinha acertos de conta com a biografia – como FHC com Lula -, seria o negociador, o governador com capacidade para conduzir uma interlocução de alto nível com o governo federal, enterrando a loucura que havia tomado conta da oposição e da mídia.

A partir dali, o país entraria na era do amadurecimento político, com oposição e situação disputando quem faria melhor governo, teria as melhores propostas, sem intenções golpistas, sem dossiês, sem o clima terrível inaugurado pelo pacto espúrio de 2005 com a mídia

No artigo, dizia que a única esperança de Serra se consolidar seria enterrar o fernandismo e inaugurar definitivamente o serrismo. Outros conselheiros de Serra insistiram no mesmo ponto.

Até então, julgava que as constantes manifestações de Serra sobre temas relevantes – levantados por um grupo restrito de pessoas que ele ouvia – fossem sinais de uma visão mais abrangente da economia. Levei algum tempo para entender que, afora alguns temas de economia, Serra passara ao largo de todas as grandes discussões dos anos 90 – gestão, inovação, políticas sociais etc. Suas manifestações sobre alguns temas que ganhavam repercussão na mídia eram meramente táticas, visando ganhar a confiança de jornalistas ou de lideranças de alguns setores para fortalecer sua cruzada anti-Malan, na disputa pelas atenções de FHC.

Assim que recebeu o artigo pelo mailing, ele me ligou. Disse que, em geral, concordava com minhas posições, mas não naquela visão de romper com o fernandismo. «Ele é meu amigo, me apoia», me disse.

Estranhei a conversa. Não estavam em jogo amizade ou coisas do gênero, mas a afirmação de um novo conjunto de idéias, de uma nova liderança, o que só poderia ser feito se se enterrasse o modelo anterior, desenhado e conduzido por FHC. Como inaugurar uma nova era no PSDB sem consumar o enterro da anterior, que o partido carregava como uma bola de ferro amarrada aos pés?

Desligado o telefone, fiquei tentando entender a conversa. Aí caiu a primeira ficha.

Lembrei-me de uma cena ocorrida alguns anos antes que se fixara em algum lugar da memória e agora voltava à tona.

Foi no período em que ACM saiu atirando para todo lado. Deu entrevistas a duas ou três semanais, levantou o caso Ricardo Sérgio, atacou Serra, falou no caso do Fórum do TRT e do leque de escândalos que a mídia vinha agitando.

Tinha um almoço com Serra no mesmo sábado no qual saíram as entrevistas com ACM. Ele ligou remarcando em lugar mais discreto. Almoçamos no restaurante do Hotel Cá Doro.

As entrevistas haviam sido violentas. Na revista Época, o Augusto Nunes – então diretor – forçara a barra até o limite da imprudência. Na abertura da entrevista, dizia que ela tinha a mesma importância da que Pedro Collor dera à Veja no início do processo de impeachment. Era evidente que a mídia procurava colocar uma outra marca na pistola, de derrubar mais um presidente.

No almoço, disse claramente a Serra que FHC era muito contemporizador, mas agora não tinha saída: ou destruía ACM ou seria destruído.

Serra ouvia e de vez em quando soltava comentários no estilo «faço e aconteço». «É por isso que não me querem na presidência porque sabem que em dois tempos acabo com eles», comentou. Na época tinha credibilidade para esse tipo de bazófia e acreditei piamente que ele acreditava no que dizia.

Segunda-feira tinha palestra em Brasília. Por volta do meio dia estava a caminho do aeroporto quando recebi telefonema do Serra. Perguntou se poderia almoçar com ele e FHC no Alvorada. Pedi para o taxista dar meia volta e fui para lá.

Durante algum tempo ficamos os três conversando na sala. Ali, pela primeira vez, pude entender melhor a relação entre ambos.

Até então tivera muitos encontros com FHC – desde os tempos de Senado – e com Serra, mas isoladamente. Em períodos de crise, FHC procurava seduzir interlocutores; em período de bonança, tornava-se arrogante. Na crise, tornava-se pró-ativo; na calmaria, acomodado.

Já Serra, desde que se tornara Ministro de FHC tinha por hábito, nas conversas, de criticar todas suas decisões, dizer-se melhor preparado para a presidência e contar como faria melhor isso ou aquilo. Todos jornalistas sabiam disso e achavam engraçado.

Mesmo com muitas conversas em off, minha percepção, até então, era de um FHC frágil, pouco determinado. E era impressão generalizada. Lembro-me de um almoço com o embaixador norte-americano, no segundo semestre de 1994. Eu lhe dizia que não acreditava na disposição de FHC para conduzir reformas importantes ou enfrentar grandes desafios. Ele me disse que era a mesma percepção do Departamento de Estado. E nem me conhecia pessoalmente, mas apenas pelas colunas.

Surpreendi-me com a rude franqueza dele, ainda mais sabendo-se que o estilo da mídia, desde aquela época, era de não respeitar off. Para sua sorte sua inconfidência foi feita a um jornalista que respeitava o combinado.

Mas o que via na minha frente, ali no Alvorada, era algo que não batia com minha percepção sobre os dois políticos. FHC estava à vontade, falava bastante. Serra estava inibido, sorumbático, monossilábico.

Na conversa, FHC comentou sobre os problemas no TRT de São Paulo. Disse que as acusações iriam quebrar a cara porque o contrato era juridicamente perfeito.

Antes de ir para a mesa, Serra virou-se para mim e pediu que repetisse para FHC o que havia lhe dito no almoço de sábado. Repeti, disse que ou FHC destruiria ACM, ou seria destruído por ele.

FHC não perdeu a bonomia. Como se tivesse tratando de um problema banal, disse:

- O António Carlos está esperneando porque sabe que está perdido. Vai ser cassado por causa do vazamento do painel de votação do Senado.

O caso do vazamento ainda não ganhara os jornais. Não piscou, não perdeu a segurança. Era o Príncipe em estado puro, frio, senhor da situação, analista absoluto de todos os desdobramentos da maior crise que enfrentara.

Olhei para o Serra, minha esperança de futuro grande estadista do país. E vi apenas um político assustado, inibido pela presença e pela análise de situação de FHC.

Fiquei algum tempo sem entender direito. Porque Serra precisou de mim para transmitir um recado que, se ele tivesse o poder de que se jactava, teria sugerido pessoalmente a FHC? Mais que isso: parecia desconhecer a determinação de FHC. Será que aquela inibição que testemunhei no almoço, quase um temor reverencial, era a regra nas suas relações pessoais?

Saí do almoço intrigado. Depois o dia a dia soterrou por algum tempo as lembranças daquelas cenas. A memória trouxe de volta quando Serra desligou o telefone, depois de me dizer que não havia razão para romper com o fernandismo.

No fundo, jamais conseguiu se desvencilhar da influência massacrante de FHC. Não propriamente nas ideias, mas na capacidade de decidir, de se mover no cenário político, na frieza ao tratar com os grandes perigos, na clareza de definir slogans mobilizadores de campanha, da segurança de saber o que queria.

E FHC sempre conheceu Serra como a palma da mão. Daí a relutância permanente em abrir espaço para ele – que Serra interpretava como medo da sua competência. Daí as ressalvas permanentes, as dicas que passou no perfil que a revista Piauí traçou sobre Serra.

Durante os quatro anos como governador, comeu na mão de FHC. Através dele, montou o pacto com a mídia que lhe permitiu exercitar seu esporte predileto: fuzilar reputações de terceiros, pedir a cabeça de jornalistas, atuando nos bastidores. Foi a FHC que recorreu em pânico, em janeiro, querendo se afastar do cálice da candidatura a presidente, conforme a reconstituição feita pelo Estadão.

Em toda sua vida política, afastou-se de FHC apenas nos dos últimos meses, pressionado pelos altíssimos índices de rejeição do seu guru. E aí tornou-se um trem desgovernado, sem maquinista
Fonte: http://www.novae.inf.br

IV Encontro de Fanzineiros - São Caetano do Sul - 07.08.2010

IV Encontro de Fanzineiros - São Caetano do Sul - 07.08.2010

Amigo fanzineiro,

No próximo sábado, dia 07 de agosto a partir das 23:00 horas, a Cultural B irá promover no Cidadão do Mundo o lançamento do cd “Superação Punk Rocker” da banda Esquisitosomos de São Bernardo do Campo. A abertura ficará a cargo do Overlife Inc. Além do IV Encontro de Zineiros com exposição de diversos zines, haverá uma intervenção artística do grafiteiro Daniel Melin durante o evento. Dando seqüência nas comemorações dos 20 anos do Aviso Final zine, estarei lançando a edição # 27 - especial do Olho Seco - que vem acompanhada do cd European Tour 99.

Cidadão do Mundo – Rua Rio Grande do Sul, 78 – centro – São Caetano do Sul

Ingressos: R$ 10,00.

Venha participar e divulgar seu fanzine!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Iraque: a ruína que será deixada para trás - por Patrick Cockburn

Iraque: a ruína que será deixada para trás - por Patrick Cockburn
No dia 14 de junho, um intérprete chamado Hameed al-Daraji, que trabalhava para o exército dos EUA, foi morto a tiros enquanto dormia em casa em Samarra, a 100 quilômetros de Bagdá.

Em alguns aspectos, não havia nada de estranho no episódio, já que 26 civis iraquianos foram assassinados em diversas partes do país no mesmo dia. Além de trabalhar periodicamente para os norte-americanos desde 2003, Al-Daraji pode ter se convertido recentemente ao cristianismo e cometido a imprudência de usar um crucifixo no pescoço - gesto suficiente para transformá-lo em um alvo na terra dos sunitas.

O que fez os iraquianos, tão acostumados à violência, dar atenção especial à morte de Al-Daraji foi a identidade do assassino. Preso logo depois que o corpo foi encontrado, seu filho teria confessado o assassinato, explicando que o trabalho e a mudança de religião do pai haviam trazido tanta vergonha à família que não restou alternativa a não ser matá-lo. Um segundo filho e um sobrinho de Al-Daraji também são procurados pelo crime. Afirma-se que os três jovens teriam ligações com a Al-Qaeda.

O caso ilustra como o Iraque continua sendo um lugar extraordinariamente violento. Sem que o restante do mundo prestasse muita atenção, cerca de 160 iraquianos foram mortos e centenas foram feridos nas últimas duas semanas. As vítimas civis no Iraque ainda são mais numerosas do que no Afeganistão, embora nos últimos dias o segundo venha recebendo atenção quase exclusiva na mídia. Mas o assassinato de Al-Daraji deveria servir de advertência para quem imagina que a ocupação norte-americana do Iraque de algum modo se acertou nos últimos anos, e as forças de combate dos EUA poderiam até mesmo ficar no país além da data programada para a partida, 31 de agosto. Todos os soldados norte-americanos remanescentes devem sair até o final de 2011, segundo o Acordo de Status das Forças assinado pelo então presidente George W. Bush em 2008, em seus últimos dias na Casa Branca.

O país que os soldados norte-americanos deixam para trás é um resto de naufrágio que mal consegue flutuar. Bagdá parece uma cidade sob ocupação militar, com terríveis engarrafamentos provocados pelos 1.500 postos de revista e ruas bloqueadas por quilômetros de muros de concreto antiexplosões que sufocam as comunicações dentro da área urbana. A situação no Iraque está, em muitos aspectos, "melhor" do que estava, mas não poderia ser diferente, dado que os assassinatos, no auge registrado em 2006-2007, eram cerca de 3.000 por mês. Dito isso, Bagdá continua sendo uma das cidades mais perigosas do mundo, onde caminhar é mais arriscado do que em Cabul ou Kandahar.

Herança maldita
Nem tudo é culpa dos atuais líderes políticos. O Iraque se recupera de 30 anos de ditadura, guerras e sanções, e a recuperação é desesperadoramente lenta e incompleta porque o impacto dos múltiplos desastres que atingiram o país a partir de 1980 foi enorme. Saddam Hussein despejou dinheiro na guerra que ele próprio provocou contra o Irã, deixando os hospitais e escolas sem nada. A derrota para a coalizão liderada pelos EUA no Kuwait motivou o colapso da moeda e 13 anos de sanções da ONU que representaram um verdadeiro sítio econômico. O Iraque nunca se recuperou dessas catástrofes. Quando a ONU tentou organizar a substituição de equipamentos nas usinas de energia e tratamento de água nos anos 1990, os fabricantes originais disseram que as instalações eram tão antigas que as peças de reposição não eram mais produzidas.

Durante o período de sanções, o governo ficou sem dinheiro e parou de pagar os funcionários, que passaram a cobrar por seus serviços. Hoje, eles têm bons salários, mas a velha tradição de não fazer nada sem suborno não morreu. Níveis extremos de corrupção tornam o Estado disfuncional. Para dar um pequeno exemplo: uma amiga que leciona em uma universidade em Bagdá engravidou e pediu um mês de licença remunerada para ter o bebê, como era seu direito. Os administradores da universidade disseram que ela poderia sair de licença, mas só se entregasse a eles o salário do mês. O que torna o efeito da corrupção no Iraque tão devastador é o fato de ela paralisar o aparato estatal e impedi-lo de desempenhar suas funções mais essenciais. Em 2004-2005, por exemplo, o orçamento de aquisições militares de 1,2 bilhão de dólares foi integralmente roubado, embora isso pudesse ser explicado pelo caos dos primeiros anos do Estado iraquiano pós-Saddam, com os norte-americanos dando muitas ordens e ninguém sabendo ao certo quem realmente tinha o poder.

Cinco anos depois, é razoável pensar que as aquisições militares teriam melhorado, especialmente no que diz respeito a equipamentos essenciais para as forças de segurança. Aqui, não existe prioridade maior para o governo do que deter os suicidas da Al-Qaeda que invadem o centro de Bagdá com veículos cheios de explosivos e os detonam diante de ministérios, matando e ferindo centenas de pessoas.

Sucata antiterror
Os iraquianos sempre se perguntam por que os terroristas conseguem passar por tantos postos de revista sem despertar suspeita. Ao longo do último ano, ficou claro que existe uma razão simples para isso, que explica muito da fraqueza da máquina estatal iraquiana. O trabalho de manter os homens-bomba fora de Bagdá foi, para dizer o mínimo, debilitado porque o principal dispositivo de detecção de explosivos usado por militares e policiais é uma fraude comprovada. O governo pagou grandes somas pelo detector, chamado de "sonar" pelos iraquianos, embora ele venha sem fonte de alimentação - e supostamente a receba do homem que o segura, que deve arrastar os pés para gerar eletricidade estática.

Por mais inútil que seja, o "sonar" (uma alça de plástico preto da qual sai uma vareta prateada que lembra uma antena de televisão) é o principal método pelo qual os veículos suspeitos são revistados pelos soldados e policiais em Bagdá. Se armas ou explosivos estão presentes, a vareta deve inclinar-se em sua direção, funcionando do mesmo modo que uma vara divinatória usada para encontrar água.

O que mais surpreende em relação ao detector de bombas, oficialmente conhecido como ADE-651, é que ele tem sido exposto repetidamente como inútil por especialistas do governo, jornais e canais de TV. O aparelho era originalmente produzido na Inglaterra, em uma fazenda leiteira desativada em Somerset, mas o diretor da companhia foi preso sob suspeita de fraude e a exportação agora está proibida. O único componente eletrônico do dispositivo é um pequeno disco que custa alguns centavos de libra e é similar àqueles alarmes pregados às roupas nas lojas para impedir as pessoas de sair com elas sem pagar.

Embora a produção de cada "sonar" custe apenas cerca de 50 dólares, o Iraque gastou 85 milhões de dólares com sua compra em 2008 e 2009. Apesar de terem sido expostos como imprestáveis, eles nunca foram retirados e continuam sendo um dos principais meios de deter os homens-bomba da Al-Qaeda. Um chefe policial iraquiano confidenciou-me que os agentes sabem que seus detectores não funcionam, mas continuam a usá-los porque receberam ordens de fazê-lo. Afirma-se em Bagdá que alguém recebeu uma grande propina para comprar os "sonares" e não quer admitir que eles são um lixo. Não surpreende que as bombas que explodem com efeito devastador no coração da capital tenham passado por dezenas de postos de checagem sem ser detectadas.

Seis por meia dúzia
A corrupção explica muita coisa no Iraque - mas não é a única razão pela qual tem sido tão difícil criar um governo que funcione. Não deveria ser muito complicado superar Saddam Hussein. Parte do problema é que a invasão dos EUA e a derrubada de Saddam tiveram consequências revolucionárias porque transferiram o poder dos baathistas árabes sunitas para os 60% de iraquianos que são xiitas e mantêm aliança com os curdos. O Iraque ganhou uma classe dominante com raízes na população rural xiita e liderada por ex-exilados que não tinham nenhuma experiência de governo. Em muitos aspectos, seu modelo de governo é recriar o sistema de Saddam, mas desta vez com os xiitas no poder. Costumava-se dizer que o Iraque estava sob o comando de árabes sunitas de Tikrit, a cidade de Saddam ao norte de Bagdá. Hoje, moradores de Bagdá reclamam que um grupo coeso similar, da cidade xiita de Nasiriyah, cerca o primeiro-ministro Nouri al-Maliki.

Em muitos aspectos, o Iraque torna-se parecido com o Líbano, com seu sistema político e sua sociedade divididos por seitas e lealdades comunitárias. O resultado da eleição parlamentar de 7 de março podia ser facilmente previsto considerando-se que a maioria dos iraquianos votaria sob a condição de sunitas, xiitas ou curdos. Cargos no topo do governo e em toda a estrutura burocrática são preenchidos informalmente de acordo com a filiação sectária. Grosso modo, isso realmente concede a todos uma fatia do bolo, mas o bolo é pequeno demais para satisfazer mais do que uma minoria dos iraquianos. O governo também acaba enfraquecido porque os ministros são representantes de algum partido, facção ou comunidade e não podem ser demitidos por desonestidade ou incompetência.

Retornando a Bagdá no mês passado, depois de permanecer ausente por algum tempo, fiquei surpreso ao ver como as coisas mudaram pouco. O aeroporto ainda era um dos piores do mundo. Quando tentei voar para Basra, a segunda maior cidade do país e centro da indústria petrolífera, a Iraqi Airways informou que havia apenas um voo durante a semana e não tinha certeza de quando ele partiria.

Refugiados
A violência pode ter diminuído, mas poucos entre os 2 milhões de refugiados iraquianos na Jordânia e na Síria acham que é seguro voltar para casa. Outros 1,5 milhão são deslocados internos, expulsos de suas casas em pogroms sectários em 2006 e 2007 e assustados demais para retornar. Destes, cerca de 500 mil tentam sobreviver em campos de refugiados que, segundo a Refugees International, carecem de "serviços básicos, incluindo água, saneamento e eletricidade, e são construídos em locais precários - sob pontes, ao longo de ferrovias e em meio a depósitos de lixo". Um dado preocupante sobre esses campos é que o número de moradores deveria diminuir à medida que a guerra sectária enfraquece, mas na verdade a população de deslocados internos está crescendo. Hoje, os refugiados chegam aos campos não por medo dos esquadrões da morte, mas por causa da pobreza, do desemprego ou da prolongada seca que expulsa os fazendeiros de suas terras.

O Iraque está cheio de pessoas que têm pouco a perder e sentem profundo ódio de um governo que, a seu ver, é dominado por uma elite cleptomaníaca que devora as receitas petrolíferas do país. Como no Líbano e no Afeganistão, onde as disparidades de riqueza também são enormes, o ódio de classes e as diferenças religiosas se somam para exacerbar o ódio sentido entre as comunidades e dentro delas. A revolta dos despossuídos explica a selvageria dos saques em Bagdá em 2003, quando as pessoas saíram das favelas de Cidade Al-Sadr para pilhar ministérios e escritórios governamentais.

Petrodólares
O Iraque difere do Líbano em um aspecto fundamental: é um Estado petrolífero com receitas de 60 bilhões de dólares no ano passado e uma das maiores reservas inexploradas do mundo. Suas exportações de petróleo podem quadruplicar ao longo da próxima década graças a contratos assinados com companhias petrolíferas internacionais em 2009. Deve haver dinheiro suficiente para elevar os padrões de vida e reconstruir a infraestrutura depois de um longo período de abandono.

À primeira vista, o petróleo poderia ser a solução para os inúmeros problemas do Iraque. Mas no passado no Iraque, assim como em outros Estados petrolíferos, o produto mostrou ser uma maldição política, além de uma bênção econômica. Países dependentes de exportações de petróleo e gás são quase invariavelmente ditaduras ou monarquias. O controle das receitas do petróleo, e não o apoio popular, surge como a fonte de poder dos governantes. Se há oposição, a riqueza petrolífera permite que os líderes reúnam e paguem forças de segurança para esmagá-la.

Nenhum país no mundo precisa do compromisso cuidadosamente calculado entre comunidades e partidos mais do que o Iraque, mas o petróleo pode tentar governos a recorrer à força. Foi o que aconteceu com Saddam Hussein, que nunca teria tido a força para invadir o Irã ou o Kuwait sem a riqueza petrolífera do Iraque. A situação pode se repetir: um Estado todo-poderoso - ainda que corrupto e incompetente - pode tentar esmagar seus oponentes em vez de conciliá-los. O petróleo, sozinho, não estabilizará o Iraque.

*Patrick Cockburn é autor de Muqtada: Muqtada Al-Sadr, the Shia Revival, and the Struggle for Iraq (“Muqtada: Muqtada Al-Sadr, o renascimento xiita e a luta pelo Iraque”; sem lançamento no Brasil). Artigo originalmente publicado em Counterpunch. Tradução: Alexandre Moschella.

Fonte: Opera Mundi

Terror faz um show perfeito e tem público a altura da banda.

Terror faz um show perfeito e tem público a altura da banda. Se pararmos para pensar já se foi cinco anos desde o primeiro show aqui no Brasil mais exatamente em São Paulo, capital – deste show de domingo os únicos que estavam em 2005 são o vocal e o batera e a meu ver os que mantêm a banda na ativa. O Jabaquara estava daquele jeito – energia, efervescência, idéias as mil quem sabe um dia aparece algum louco e coloque tudo aquilo em movimento, imagem e idéias (em outra perspectiva, não a que esta sendo abordada pelo Marcelo Fonseca), neste caso especifico temos o DVD The Living Froof para refrescar as mentes mais esquecidas. Essa postagem tem dois fins – sou fã da banda, e pela primeira vez a banda teve um público de verdade prestigiando o seu trabalho, não sei se essa “verdade” deve ser levada bem ao pé da letra, em 2005 tínhamos mais atrações, o momento do Hardcore (tudo aqui é uma opinião) era outro, mais hard, sei lá era melhor, éramos mais novos! Alem das pedradas nacionais que os caras dividiram o palco teve outro show arrasador com o excelente Born From Pain que tinha um público pífio, no domingo passado neste mesmo lugar assisti ao fantástico show do Fishbone com outras duzentas testemunhas ou um pouco mais, mas neste show do Terror teve um público a sua altura e o Scott reconheceu dizendo que o show estava perfeito. Até o próximo show! Provos Brasil