O “eco-modus operandi” do ex-secretário de meio ambiente de Cubatão para quem não o conhece
A seguir eu reproduzo três cartas que saíram no jornal A Tribuna em abril de 2006, na seção Tribuna do Leitor; uma delas explicita um "pouquinho" do “eco-modus operandi” do Senhor Eduardo Silveira Bello, Tenente Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo e ex-secretário de meio ambiente de Cubatão.
É este Senhor, com uma “sensibilidade à flor da pele”, que deseja me processar por crime de calúnia, infâmia e difamação. Ou como disse um companheiro jornalista e advogado: “Esses são os mecanismos antigos de intimidação que os autoritários utilizam nessa triste cidade de Cubatão, desde sempre. A instauração de Inquérito Policial é nada mais nada menos que o mecanismo de intimidação que todos utilizavam no passado e continuam utilizando no presente para silenciar as vozes que não dizem amém”.
Moésio Rebouças
moelpececito@gmail.com
Coqueiros na 9 de Abril
Alguém saberia explicar o motivo pelo qual, meses após o plantio, vários coqueiros, no canteiro central da Avenida 9 de Abril, em Cubatão, permanecem com suas copas totalmente amarradas? Esperam que assim elas sobrevivam? Em Cubatão o descaso com a coisa pública chega ao absurdo!
Yllecir de Oliveira Xatara
[6 de abril de 2006]
Plantio de palmeiras
Em atenção à carta publicada em 6 de abril, a Secretaria de Meio Ambiente de Cubatão (Semam) informa que a espécie de vegetal plantada no canteiro central da Avenida Nove de Abril é uma palmeira denominada Palmeira Seafortea. A técnica do plantio, orientada pelo engenheiro agrônomo da secretaria, é a do amarrilho da folha da palmeira, que visa reter mais umidade para o vegetal e impede a sua derrubada pelos ventos no período pós plantio, pois foram plantadas recentemente.
Informamos também que, nessa fase, diminuindo-se a área verde do vegetal, evita-se a transpiração do mesmo, facilitando o enraizamento, uma vez que a adaptação da espécie na área urbana é difícil, principalmente nessa época do ano, quando o calor é intenso.
Vale lembrar ainda que o tempo previsto para essa operação de amarração das folhas é de 45 até 60 dias, no máximo. No entanto, sugerimos que, antes de encaminhar cartas aos veículos de comunicação sobre temas relacionados ao meio ambiente, que a Semam seja consultada. Para isso, colocamos à disposição dos munícipes os telefones 3375-1480 e7130.
Eduardo Silveira Bello, secretário municipal de Meio Ambiente de Cubatão.
[14 de abril de 2006]
Consultas prévias
Muito elucidativa a carta do secretário Eduardo Bello, de Cubatão (“Plantio de palmeiras” – 14/4/06). Elucida, sem muita sutileza, o vezo autoritário que perpassa todos a quem se atribua qualquer tipo de cargo ou autoridade. De porteiros a síndicos, de seguranças a diretores, de vereadores a senadores, de agentes de trânsito a guardas municipais, todos se arvoram o direito de “puxar a orelha” de cidadãos que se preocupam e escrevem aos jornais.
Democratas, querem que se lhes “consulte”, previamente, embora seja obrigação dessas mesmas autoridades explicar sem tergiversar o que fazem com os recursos públicos, incluído aí o salário que recebem do erário. No caso presente, o secretário deveria explicar por que se planta um vegetal possivelmente alienígena, como o nome dessa palmeira faz parecer, estando sua cidade no coração mesmo da Mata Atlântica, e que tem espécies muito mais bonitas, mais apropriadas e de fixação mais fácil.
Os hortos de Santos e São Vicente proclamam que têm mudas disponíveis, talvez pudessem fornecê-las, embora essas mesmas municipalidades tenham, também, o estranho hábito de buscar espécies fora e remover as já aclimatadas, como aconteceu com os ingazeiros da Avenida Ana Costa.
É, santo de casa não faz milagre.
Albano Fonseca
[26 de abril de 2006]
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Perseguição em Cubatão, cadê o Ministério Público? : Estou sendo processado pelo ex-secretário de meio ambiente de Cubatão
Estou sendo processado pelo ex-secretário de meio ambiente de Cubatão
Quarta-feira (3 de novembro) da semana passada recebi uma intimação para comparecer ao Primeiro Distrito Policial de Cubatão nesta segunda-feira (8 de novembro). Indo lá hoje para saber o motivo da intimação policial, qual a minha surpresa?! Estou sendo processado por crime de calúnia, infâmia e difamação pelo ex-secretário de meio ambiente de Cubatão, o Senhor Eduardo Silveira Bello, Tenente Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Tudo porque eu escrevi a carta abaixo (“Fui ameaçado...”) em 2 de julho de 2008.
Enfim...
Moésio Rebouças
Fui ameaçado...
Não é legal escrever na primeira pessoa. Nem me coloco como vítima, perseguido, coitadinho ou coisa do tipo. Mas vejam só. Hoje, quarta-feira, dia 2 de julho, no meio da tarde, apareceu aqui em casa um "guarda-costa" a mando do secretário do meio ambiente de Cubatão, o Coronel da Reserva do Exército Eduardo Silveira Belo, com o seguinte recado, em resumo: "pára de denunciar e escrever contra a Secretaria Municipal do Meio Ambiente".
A pessoa que veio aqui em casa é meu conhecido; e falou que eles, os poderosos, tinham se reunido dias atrás e resolveram me "derrubar", só não fizeram isso porque essa pessoa disse que me conhecia, contemporizando que eu era um cara legal, e argumentando com seus parceiros que iria me procurar e conversar comigo, para que eu desse um tempo nas denúncias, deixasse passar as eleições, escrevesse sobre outras coisas que não enfocasse o meio ambiente e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Essa pessoa ainda me ofereceu um trabalho “bem remunerado” para que eu ficasse quieto, “na minha”, e passasse para o lado deles, da atual administração municipal.
Semanas atrás uma pessoa próxima do secretário Eduardo Silveira Belo, já tinha passado um recado para a minha mãe, dizendo que era para eu ficar “esperto”, que o Coronel Belo estava de olho em mim.
Diante disso, muito poderia ser escrito, mas fica só um alerta, se por acaso acontecer algo a minha vida, com certeza o atual secretário de meio ambiente da cidade de Cubatão estará envolvido como mandante.
Enfim, sigo meu caminho, sem se curvar para o dinheiro nem para nenhuma autoridade, e na companhia e defesa da Liberdade e da Natureza.
Moésio Rebouças
Cubatão, 2 de julho de 2008
Quarta-feira (3 de novembro) da semana passada recebi uma intimação para comparecer ao Primeiro Distrito Policial de Cubatão nesta segunda-feira (8 de novembro). Indo lá hoje para saber o motivo da intimação policial, qual a minha surpresa?! Estou sendo processado por crime de calúnia, infâmia e difamação pelo ex-secretário de meio ambiente de Cubatão, o Senhor Eduardo Silveira Bello, Tenente Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Tudo porque eu escrevi a carta abaixo (“Fui ameaçado...”) em 2 de julho de 2008.
Enfim...
Moésio Rebouças
Fui ameaçado...
Não é legal escrever na primeira pessoa. Nem me coloco como vítima, perseguido, coitadinho ou coisa do tipo. Mas vejam só. Hoje, quarta-feira, dia 2 de julho, no meio da tarde, apareceu aqui em casa um "guarda-costa" a mando do secretário do meio ambiente de Cubatão, o Coronel da Reserva do Exército Eduardo Silveira Belo, com o seguinte recado, em resumo: "pára de denunciar e escrever contra a Secretaria Municipal do Meio Ambiente".
A pessoa que veio aqui em casa é meu conhecido; e falou que eles, os poderosos, tinham se reunido dias atrás e resolveram me "derrubar", só não fizeram isso porque essa pessoa disse que me conhecia, contemporizando que eu era um cara legal, e argumentando com seus parceiros que iria me procurar e conversar comigo, para que eu desse um tempo nas denúncias, deixasse passar as eleições, escrevesse sobre outras coisas que não enfocasse o meio ambiente e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Essa pessoa ainda me ofereceu um trabalho “bem remunerado” para que eu ficasse quieto, “na minha”, e passasse para o lado deles, da atual administração municipal.
Semanas atrás uma pessoa próxima do secretário Eduardo Silveira Belo, já tinha passado um recado para a minha mãe, dizendo que era para eu ficar “esperto”, que o Coronel Belo estava de olho em mim.
Diante disso, muito poderia ser escrito, mas fica só um alerta, se por acaso acontecer algo a minha vida, com certeza o atual secretário de meio ambiente da cidade de Cubatão estará envolvido como mandante.
Enfim, sigo meu caminho, sem se curvar para o dinheiro nem para nenhuma autoridade, e na companhia e defesa da Liberdade e da Natureza.
Moésio Rebouças
Cubatão, 2 de julho de 2008
1989: Cai o Muro de Berlim
1989: Cai o Muro de Berlim
Atrás do Muro, os militares
No dia 9 de novembro de 1989, acelerada por uma pane de comunicação no governo da RDA, a abertura da fronteira entre as Alemanhas foi o primeiro passo declarado no sentido da Reunificação.
Aquela entrevista coletiva de imprensa no horário nobre da televisão alemã conta entre as mais memoráveis do continente europeu. Günter Schabowski, porta-voz do governo da então Alemanha Oriental, acabara de anunciar a nova legislação sobre viagens do país. Devido a um mal-entendido, respondeu à pergunta de um jornalista italiano, a respeito do momento em que a lei entraria em vigor, com uma frase que se tornou famosa: "Pelo que sei, ela entra... já, imediatamente".
Como a entrevista era transmitida ao vivo e acompanhada tanto na Alemanha Ocidental como na Oriental, essa pane de comunicação teve consequências enormes para a política mundial.
O fiasco histórico de Günter Schabowski
Pressão popular
Pois, logo em seguida, os cidadãos da República Democrática Alemã, de regime comunista, peregrinaram até a fronteira interna em Berlim. Durante três horas, os guardas de fronteira – que não haviam sido informados do novo regulamento – contiveram o afluxo humano.
O mais tardar quando a "TV do Oeste" montou suas câmeras e confirmou a sensacional notícia, ficou claro que naquela noite chegava ao fim a divisão da Alemanha, marcada pela construção do Muro de Berlim, em 21 de agosto de 1961.
Tarde da noite, naquele 9 de novembro de 1989, os agentes de segurança suspenderam sua resistência, abriram as passagens de fronteira berlinenses e deixaram as pessoas passarem do Leste para o Oeste e vice-versa, sem que fossem controladas.
Inspiração de Gorbachev
Durante meses, milhares de cidadãos da Alemanha Oriental vinham realizando passeatas e exigindo com veemência reformas políticas. As "manifestações de segunda-feira", em especial, pelas ruas de Leipzig, já tinham se tornado famosas.
'Protesto de segunda-feira' na Nikolaikirche de Berlim
Os manifestantes escandiam: "Nós somos o povo!" e "Gorbil! Gorbil!", referindo-se ao secretário-geral do partido comunista russo, Mikhail Gorbatchev (1931). Desde 1985, ele vinha realizando reformas na União Soviética, numa nova política que os habitantes da RDA também desejavam para si.
Porém, por total falta de espírito reformista, o governo de Erich Honecker (1912-1994) bloqueara as mudanças, precipitando, assim, seu próprio fim.
Fruto da falta de confiança
Em 18 de outubro de 1989, Honecker fora substituído por Egon Kreuz (1937) no cargo de secretário-geral do partido e presidente do Conselho de Estado. Porém, nem isso pôde conter a derrocada do governo comunista da RDA.
Em 4 de novembro, cerca de meio milhão de pessoas haviam se reunido na praça Alexanderplatz, em Berlim Oriental, para protestar em prol de uma reforma do Estado. A partir dessa poderosa manifestação ficou claro que o novo governo não contava com a confiança popular.
Cinco dias mais tarde era aberto o Muro. Ao mesmo tempo, tornavam-se cada vez mais fortes as exigências de que se fundissem os dois Estados da Alemanha.
Resistência inglesa e francesa
Algumas semanas após a queda do Muro de Berlim, e em meio ao clamor crescente pela reunificação, iniciou-se, às vésperas do Natal de 1989, um intenso tráfego diplomático na RDA.
A França e a Inglaterra, em especial, mostravam-se ressabiadas diante da perspectiva de uma Alemanha grande e economicamente forte, no centro do continente. Elas tentaram, se não impedir, pelo menos subordinar a certas condições políticas a união da República Federal da Alemanha e da República Democrática Alemã.
'Meu Deus, ajudai-me a sobreviver este amor fatal': Gorbatchev e Honecker na East Side Gallery
Entre o povo e as potências europeias
O chanceler federal da RFA, Helmut Kohl (1930), registrou publicamente tais temores num discurso acompanhado pelo mundo inteiro, diante das ruínas da Igreja Frauenkirche, de Dresden, em 19 de dezembro.
Naquela noite, Kohl confirmou, por um lado, a intenção de respeitar a vontade da população da RDA, qualquer que ela fosse. Por outro lado, reconheceu que uma unidade alemã só seria possível "numa casa europeia". A unidade alemã e do continente eram, portanto, dois lados de uma mesma moeda.
Dessa forma, o chefe de governo rechaçava peremptoriamente uma Alemanha reunificada neutra, num posicionamento que lhe valeu o aplauso frenético dos cidadãos da RDA presentes.
Ainda assim, dois dias mais tarde, o então presidente francês, François Mitterand (1916-1996), voou para a RDA a fim de evitar uma "anexação" desta à RFA. No início de 1990, o processo de unificação de ambos os Estados alemães foi integrado num processo internacional, o qual considerava tanto os interesses dos alemães quanto o das potências aliadas vencedoras da Segunda Guerra Mundial.
Matthias von Hellfeld (av)
Revisão: Alexandre Schossler
Fonte: http://www.dw-world.de/
Atrás do Muro, os militaresNo dia 9 de novembro de 1989, acelerada por uma pane de comunicação no governo da RDA, a abertura da fronteira entre as Alemanhas foi o primeiro passo declarado no sentido da Reunificação.
Aquela entrevista coletiva de imprensa no horário nobre da televisão alemã conta entre as mais memoráveis do continente europeu. Günter Schabowski, porta-voz do governo da então Alemanha Oriental, acabara de anunciar a nova legislação sobre viagens do país. Devido a um mal-entendido, respondeu à pergunta de um jornalista italiano, a respeito do momento em que a lei entraria em vigor, com uma frase que se tornou famosa: "Pelo que sei, ela entra... já, imediatamente".
Como a entrevista era transmitida ao vivo e acompanhada tanto na Alemanha Ocidental como na Oriental, essa pane de comunicação teve consequências enormes para a política mundial.
O fiasco histórico de Günter SchabowskiPressão popular
Pois, logo em seguida, os cidadãos da República Democrática Alemã, de regime comunista, peregrinaram até a fronteira interna em Berlim. Durante três horas, os guardas de fronteira – que não haviam sido informados do novo regulamento – contiveram o afluxo humano.
O mais tardar quando a "TV do Oeste" montou suas câmeras e confirmou a sensacional notícia, ficou claro que naquela noite chegava ao fim a divisão da Alemanha, marcada pela construção do Muro de Berlim, em 21 de agosto de 1961.
Tarde da noite, naquele 9 de novembro de 1989, os agentes de segurança suspenderam sua resistência, abriram as passagens de fronteira berlinenses e deixaram as pessoas passarem do Leste para o Oeste e vice-versa, sem que fossem controladas.
Inspiração de Gorbachev
Durante meses, milhares de cidadãos da Alemanha Oriental vinham realizando passeatas e exigindo com veemência reformas políticas. As "manifestações de segunda-feira", em especial, pelas ruas de Leipzig, já tinham se tornado famosas.
'Protesto de segunda-feira' na Nikolaikirche de BerlimOs manifestantes escandiam: "Nós somos o povo!" e "Gorbil! Gorbil!", referindo-se ao secretário-geral do partido comunista russo, Mikhail Gorbatchev (1931). Desde 1985, ele vinha realizando reformas na União Soviética, numa nova política que os habitantes da RDA também desejavam para si.
Porém, por total falta de espírito reformista, o governo de Erich Honecker (1912-1994) bloqueara as mudanças, precipitando, assim, seu próprio fim.
Fruto da falta de confiança
Em 18 de outubro de 1989, Honecker fora substituído por Egon Kreuz (1937) no cargo de secretário-geral do partido e presidente do Conselho de Estado. Porém, nem isso pôde conter a derrocada do governo comunista da RDA.
Em 4 de novembro, cerca de meio milhão de pessoas haviam se reunido na praça Alexanderplatz, em Berlim Oriental, para protestar em prol de uma reforma do Estado. A partir dessa poderosa manifestação ficou claro que o novo governo não contava com a confiança popular.
Cinco dias mais tarde era aberto o Muro. Ao mesmo tempo, tornavam-se cada vez mais fortes as exigências de que se fundissem os dois Estados da Alemanha.
Resistência inglesa e francesa
Algumas semanas após a queda do Muro de Berlim, e em meio ao clamor crescente pela reunificação, iniciou-se, às vésperas do Natal de 1989, um intenso tráfego diplomático na RDA.
A França e a Inglaterra, em especial, mostravam-se ressabiadas diante da perspectiva de uma Alemanha grande e economicamente forte, no centro do continente. Elas tentaram, se não impedir, pelo menos subordinar a certas condições políticas a união da República Federal da Alemanha e da República Democrática Alemã.
'Meu Deus, ajudai-me a sobreviver este amor fatal': Gorbatchev e Honecker na East Side GalleryEntre o povo e as potências europeias
O chanceler federal da RFA, Helmut Kohl (1930), registrou publicamente tais temores num discurso acompanhado pelo mundo inteiro, diante das ruínas da Igreja Frauenkirche, de Dresden, em 19 de dezembro.
Naquela noite, Kohl confirmou, por um lado, a intenção de respeitar a vontade da população da RDA, qualquer que ela fosse. Por outro lado, reconheceu que uma unidade alemã só seria possível "numa casa europeia". A unidade alemã e do continente eram, portanto, dois lados de uma mesma moeda.
Dessa forma, o chefe de governo rechaçava peremptoriamente uma Alemanha reunificada neutra, num posicionamento que lhe valeu o aplauso frenético dos cidadãos da RDA presentes.
Ainda assim, dois dias mais tarde, o então presidente francês, François Mitterand (1916-1996), voou para a RDA a fim de evitar uma "anexação" desta à RFA. No início de 1990, o processo de unificação de ambos os Estados alemães foi integrado num processo internacional, o qual considerava tanto os interesses dos alemães quanto o das potências aliadas vencedoras da Segunda Guerra Mundial.
Matthias von Hellfeld (av)
Revisão: Alexandre Schossler
Fonte: http://www.dw-world.de/
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
A guerra financeira mundial - por Fernando Moreno Bernal
A guerra financeira mundial
Os diferentes países tentam superar a sua crise aumentando as suas exportações, dada a queda da procura interna, mas os mercados estrangeiros estão estagnados, à exceção dos emergentes BRIC. O sistema financeiro internacional é baseado na supremacia econômica e na posição privilegiada do dólar americano como moeda mundial de comércio e reserva. E essa supremacia desmoronou-se.
Por Fernando Moreno Bernal, da ATTAC Andaluzia
No dia 22 de outubro de 2010, com a presença de ministros das Finanças, governadores de Bancos Centrais e chefes das principais instituições internacionais, teve início, em Gyeongju (Coreia do Sul), a reunião preparatória da cúpula de chefes de Estado e de governo do G20, que vai se realizar em 11 e 12 de novembro em Seul. De acordo com o que foi dito, o objetivo é parar com a guerra de divisas desencadeada no verão e tentar aproximar as posições das economias emergentes e das ricas, para não pôr em risco a recuperação econômica.
Não participam nesta reunião nem o ministro da Fazenda, nem o presidente do Banco Central do Brasil. Para que, se os Estados Unidos não cedem? No último 4 de outubro, o Brasil aumentou o imposto aos especuladores da sua moeda, o real, de 2% para 4%, e um novo aumento foi anunciado para 6% a partir de 25 de outubro. A China, a Rússia, o Brasil e a Turquia já assinaram acordos para utilizar as suas próprias moedas à margem do dólar e do euro.
Vivemos o colapso do sistema de relações monetárias e comerciais multilaterais vigente, e o colapso também das probabilidades de ser criada uma coordenação multilateral para sair da crise do capitalismo financeiro. Os diferentes Estados-nação tentam superar a sua crise aumentando as suas exportações, dada a queda da procura interna, mas os mercados estrangeiros estão estagnados, à exceção dos emergentes BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que crescem entre os 5% e os 9,6% da China. O sistema financeiro internacional é baseado na supremacia econômica e na posição privilegiada do dólar americano como moeda mundial de comércio e reserva. E essa supremacia desmoronou-se.
Em 2010, o sistema capitalista em crise agudiza as suas contradições, sem que esteja sequer no horizonte qualquer alternativa estratégica para o mesmo. Os processos lógicos e previsíveis levaram-no ao beco sem saída onde se move a economia-mundo deste sistema capitalista que agoniza. As operações de resgate da banca privada especuladora e os estímulos condenaram-nos ao endividamento fiscal, à dívida sem sustentação real e à falência dos Estados, que só os Estados Unidos podem evitar abusando do dólar como moeda internacional, mas agudizando com isso as tensões no sistema financeiro internacional. Ao suspender os incentivos, a queda vertiginosa do consumo e da produção aprofunda a crise social, devido ao desemprego, e a crise das prestações e serviços públicos que a acompanham. É uma luta de todos contra todos, combinada com um ataque geral em cada país contra os cidadãos, que são forçados a pagar com a redução dos salários diretos, com os aumentos da idade da reforma e com a perda de direitos do Estado social, denominadas “medidas de austeridade”, devido ao colapso da ordem econômica capitalista global.
As greves e conflitos sociais generalizados em todo o mundo estão apenas começando. Quebrando-se todas as alianças, o ano de 2010 está sendo o ano da solidão e da angústia para os Estados-nação. A desconfiança e a insegurança generalizam-se. Ninguém confia em ninguém. Todos se confrontam. A própria União Europeia já se deparou com grandes confrontos no seu seio, que puseram em perigo a sobrevivência da Zona Euro e que ainda podem chegar a fraturá-la. Os principais ataques aos países periféricos da Zona Euro provêm da Alemanha e da França e têm como objetivo debilitar o euro e melhorar as suas posições de países exportadores nesta batalha mundial comercial e de divisas.
Aqueles que contrapõem as medidas adotadas pelos Estados Unidos às da UE, esquecem-se da posição diferente em que se encontram as suas oligarquias. Todas elas favorecem os seus próprios especuladores, mas partindo de posições hegemônicas ou subalternas no ainda vigente sistema financeiro internacional.
Os planos de salvação da banca privada, após a explosão da bolha de 2008, inundaram o sistema de liquidez. Necessária, diziam, para que continuasse a fluir o crédito às empresas e às famílias. Não tendo utilizado estes fundos para nacionalizar consequentemente a banca e deixando-a agir sem qualquer controle, este excesso de liquidez fluiu não para a economia real e produtiva que cria emprego e satisfaz necessidades sociais, mas para a especulação internacional de divisas, aumentando as suas taxas de câmbio e prejudicando as exportações ao encarecê-las. Fluiu também para os títulos da dívida soberana dos Estados, criando crises artificiais para obter lucros substanciais com a sua especulação. Longe de ajudar a recuperação global, a “maré de liquidez” procedente do Federal Reserve e do Banco Central Europeu está causando o caos nos mercados de divisas e no sistema financeiro internacional.
O Federal Reserve dos Estados Unidos anunciou o início de outro plano de incentivos de cerca de um bilhão de dólares. Desde o início de setembro, o preço do ouro disparou, os investidores institucionais vendem dólares, baixando a sua cotação e melhorando a sua posição exportadora, e as restantes nações e divisas têm de adotar medidas tendentes que protejam as suas próprias economias. Especialmente os BRIC que, ao crescerem e oferecerem juros mais altos, atraem os fundos de investimento como refúgio.
Assim, o atual sistema financeiro internacional favorece a especulação e obriga os bancos centrais dos outros países a efetuar empréstimos aos Estados Unidos. Os especuladores obtêm lucros em dobro: por um lado da margem entre empréstimos a 0,25% ou 1% contraídos nos Estados Unidos ou na UE e os rendimentos dos títulos de dívida soberana dos países a quem concedem empréstimos; e, por outro, dos ganhos no mercado resultantes da revalorização da taxa de câmbio da divisa utilizada nos empréstimos.
O crescimento dos dólares nas reservas dos Bancos Centrais transfere para o resto do mundo o financiamento do déficit orçamental dos Estados Unidos, provocado maioritariamente pelas guerras do Iraque e do Afeganistão, pela multiplicação de bases militares por todo o mundo e pelos planos públicos para salvar os especuladores internacionais. Face à entrada massiva de dólares, todos os países se vêm obrigados a manipular a cotação das suas divisas como forma de autodefesa.
O sistema financeiro global está destruído. As possibilidades de ação são três: 1) reciclar os dólares entrados, comprando títulos de dívida dos EUA, coisa que está a fazer-se; 2) controlar os movimentos de capital, como fez a Malásia em 1998 e como Lula fez no Brasil, por via fiscal; 3) Evitar a utilização do dólar e do euro, como estão fazendo a China, a Rússia, o Brasil, a Turquia, a Índia e cada vez mais países.
Tanto a possibilidade 2 como a 3 vão na direção contrária à seguida até agora e levam ao fim do FMI, do Banco Mundial e da OMC.
É neste contexto que teve início a reunião de ministros e governadores do G20. O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner abriu-a com uma comunicação, na linha do esboço preparado pela organização, que é um ataque aos BRIC e que já foi rejeitada por estes, pelo Japão e pela Austrália. Na segunda-feira, dia 18, a reunião preparatória entre o FMI e a China, em Xangai, terminou sem conferência de imprensa, com os seus principais dirigentes revelando a manutenção dos desacordos e dos confrontos verificados nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial de 9 e 10 de outubro em Nova York.
A alternativa é clara: ou se apoia com bom senso e coerência a economia produtiva, normalizando o comércio internacional e regulando as finanças internacionais num sistema financeiro internacional que corresponda ao interesse partilhado por todos ou, pelo contrário, se criam e mantêm as oportunidades para os especuladores institucionais, beneficiando não mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, e com o proveito exclusivo do complexo industrial-militar dos EUA e da Grã-Bretanha, mantendo o atual sistema financeiro com retoques que, na sua essência, nada mudam.
E é neste contexto que a ATTAC Espanha lança a sua Campanha por um Imposto sobre Transações Financeiras (ITF) JÁ. Porque existe uma saída na direção correta do “bem viver”, que passa por obrigar os que causaram a crise a pagá-la, por meio da aplicação de um imposto aos especuladores, tanto nas transações financeiras em divisas comuns, como internamente nos Estados-nação, e por fazer aflorar o dinheiro sujo dos paraísos fiscais.
A luta pela criação de um ITF é muito mais do que conseguir algumas receitas para financiar os Objetivos do Milênio (ODM). Tal como estão as coisas, os ODM são inatingíveis e ficarão cada vez mais distantes, tal como hoje o estão mais que em 2000. Os poucos êxitos foram conseguidos nos países do BRIC que deixaram de acatar as diretivas neoliberais.
Criar um ITF é lutar contra a especulação que destrói o emprego e o bem-estar dos cidadãos, razão pela qual tem de ser suficientemente elevado para impossibilitar esta especulação. Criar um ITF é defender o sistema democrático, que implica sair da crise colocando-nos na perspectiva de solucionar em primeiro lugar as necessidades das pessoas, o que exige necessariamente a regulação e o controlo do sistema financeiro especulador. Criar um ITF é apostar na saída da crise, porque o cenário possível sem ele é um ano de 2011 recessivo, de ruptura e de contração até ao esgotamento e ao cansaço final.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br
Os diferentes países tentam superar a sua crise aumentando as suas exportações, dada a queda da procura interna, mas os mercados estrangeiros estão estagnados, à exceção dos emergentes BRIC. O sistema financeiro internacional é baseado na supremacia econômica e na posição privilegiada do dólar americano como moeda mundial de comércio e reserva. E essa supremacia desmoronou-se.Por Fernando Moreno Bernal, da ATTAC Andaluzia
No dia 22 de outubro de 2010, com a presença de ministros das Finanças, governadores de Bancos Centrais e chefes das principais instituições internacionais, teve início, em Gyeongju (Coreia do Sul), a reunião preparatória da cúpula de chefes de Estado e de governo do G20, que vai se realizar em 11 e 12 de novembro em Seul. De acordo com o que foi dito, o objetivo é parar com a guerra de divisas desencadeada no verão e tentar aproximar as posições das economias emergentes e das ricas, para não pôr em risco a recuperação econômica.
Não participam nesta reunião nem o ministro da Fazenda, nem o presidente do Banco Central do Brasil. Para que, se os Estados Unidos não cedem? No último 4 de outubro, o Brasil aumentou o imposto aos especuladores da sua moeda, o real, de 2% para 4%, e um novo aumento foi anunciado para 6% a partir de 25 de outubro. A China, a Rússia, o Brasil e a Turquia já assinaram acordos para utilizar as suas próprias moedas à margem do dólar e do euro.
Vivemos o colapso do sistema de relações monetárias e comerciais multilaterais vigente, e o colapso também das probabilidades de ser criada uma coordenação multilateral para sair da crise do capitalismo financeiro. Os diferentes Estados-nação tentam superar a sua crise aumentando as suas exportações, dada a queda da procura interna, mas os mercados estrangeiros estão estagnados, à exceção dos emergentes BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que crescem entre os 5% e os 9,6% da China. O sistema financeiro internacional é baseado na supremacia econômica e na posição privilegiada do dólar americano como moeda mundial de comércio e reserva. E essa supremacia desmoronou-se.
Em 2010, o sistema capitalista em crise agudiza as suas contradições, sem que esteja sequer no horizonte qualquer alternativa estratégica para o mesmo. Os processos lógicos e previsíveis levaram-no ao beco sem saída onde se move a economia-mundo deste sistema capitalista que agoniza. As operações de resgate da banca privada especuladora e os estímulos condenaram-nos ao endividamento fiscal, à dívida sem sustentação real e à falência dos Estados, que só os Estados Unidos podem evitar abusando do dólar como moeda internacional, mas agudizando com isso as tensões no sistema financeiro internacional. Ao suspender os incentivos, a queda vertiginosa do consumo e da produção aprofunda a crise social, devido ao desemprego, e a crise das prestações e serviços públicos que a acompanham. É uma luta de todos contra todos, combinada com um ataque geral em cada país contra os cidadãos, que são forçados a pagar com a redução dos salários diretos, com os aumentos da idade da reforma e com a perda de direitos do Estado social, denominadas “medidas de austeridade”, devido ao colapso da ordem econômica capitalista global.
As greves e conflitos sociais generalizados em todo o mundo estão apenas começando. Quebrando-se todas as alianças, o ano de 2010 está sendo o ano da solidão e da angústia para os Estados-nação. A desconfiança e a insegurança generalizam-se. Ninguém confia em ninguém. Todos se confrontam. A própria União Europeia já se deparou com grandes confrontos no seu seio, que puseram em perigo a sobrevivência da Zona Euro e que ainda podem chegar a fraturá-la. Os principais ataques aos países periféricos da Zona Euro provêm da Alemanha e da França e têm como objetivo debilitar o euro e melhorar as suas posições de países exportadores nesta batalha mundial comercial e de divisas.
Aqueles que contrapõem as medidas adotadas pelos Estados Unidos às da UE, esquecem-se da posição diferente em que se encontram as suas oligarquias. Todas elas favorecem os seus próprios especuladores, mas partindo de posições hegemônicas ou subalternas no ainda vigente sistema financeiro internacional.
Os planos de salvação da banca privada, após a explosão da bolha de 2008, inundaram o sistema de liquidez. Necessária, diziam, para que continuasse a fluir o crédito às empresas e às famílias. Não tendo utilizado estes fundos para nacionalizar consequentemente a banca e deixando-a agir sem qualquer controle, este excesso de liquidez fluiu não para a economia real e produtiva que cria emprego e satisfaz necessidades sociais, mas para a especulação internacional de divisas, aumentando as suas taxas de câmbio e prejudicando as exportações ao encarecê-las. Fluiu também para os títulos da dívida soberana dos Estados, criando crises artificiais para obter lucros substanciais com a sua especulação. Longe de ajudar a recuperação global, a “maré de liquidez” procedente do Federal Reserve e do Banco Central Europeu está causando o caos nos mercados de divisas e no sistema financeiro internacional.
O Federal Reserve dos Estados Unidos anunciou o início de outro plano de incentivos de cerca de um bilhão de dólares. Desde o início de setembro, o preço do ouro disparou, os investidores institucionais vendem dólares, baixando a sua cotação e melhorando a sua posição exportadora, e as restantes nações e divisas têm de adotar medidas tendentes que protejam as suas próprias economias. Especialmente os BRIC que, ao crescerem e oferecerem juros mais altos, atraem os fundos de investimento como refúgio.
Assim, o atual sistema financeiro internacional favorece a especulação e obriga os bancos centrais dos outros países a efetuar empréstimos aos Estados Unidos. Os especuladores obtêm lucros em dobro: por um lado da margem entre empréstimos a 0,25% ou 1% contraídos nos Estados Unidos ou na UE e os rendimentos dos títulos de dívida soberana dos países a quem concedem empréstimos; e, por outro, dos ganhos no mercado resultantes da revalorização da taxa de câmbio da divisa utilizada nos empréstimos.
O crescimento dos dólares nas reservas dos Bancos Centrais transfere para o resto do mundo o financiamento do déficit orçamental dos Estados Unidos, provocado maioritariamente pelas guerras do Iraque e do Afeganistão, pela multiplicação de bases militares por todo o mundo e pelos planos públicos para salvar os especuladores internacionais. Face à entrada massiva de dólares, todos os países se vêm obrigados a manipular a cotação das suas divisas como forma de autodefesa.
O sistema financeiro global está destruído. As possibilidades de ação são três: 1) reciclar os dólares entrados, comprando títulos de dívida dos EUA, coisa que está a fazer-se; 2) controlar os movimentos de capital, como fez a Malásia em 1998 e como Lula fez no Brasil, por via fiscal; 3) Evitar a utilização do dólar e do euro, como estão fazendo a China, a Rússia, o Brasil, a Turquia, a Índia e cada vez mais países.
Tanto a possibilidade 2 como a 3 vão na direção contrária à seguida até agora e levam ao fim do FMI, do Banco Mundial e da OMC.
É neste contexto que teve início a reunião de ministros e governadores do G20. O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner abriu-a com uma comunicação, na linha do esboço preparado pela organização, que é um ataque aos BRIC e que já foi rejeitada por estes, pelo Japão e pela Austrália. Na segunda-feira, dia 18, a reunião preparatória entre o FMI e a China, em Xangai, terminou sem conferência de imprensa, com os seus principais dirigentes revelando a manutenção dos desacordos e dos confrontos verificados nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial de 9 e 10 de outubro em Nova York.
A alternativa é clara: ou se apoia com bom senso e coerência a economia produtiva, normalizando o comércio internacional e regulando as finanças internacionais num sistema financeiro internacional que corresponda ao interesse partilhado por todos ou, pelo contrário, se criam e mantêm as oportunidades para os especuladores institucionais, beneficiando não mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, e com o proveito exclusivo do complexo industrial-militar dos EUA e da Grã-Bretanha, mantendo o atual sistema financeiro com retoques que, na sua essência, nada mudam.
E é neste contexto que a ATTAC Espanha lança a sua Campanha por um Imposto sobre Transações Financeiras (ITF) JÁ. Porque existe uma saída na direção correta do “bem viver”, que passa por obrigar os que causaram a crise a pagá-la, por meio da aplicação de um imposto aos especuladores, tanto nas transações financeiras em divisas comuns, como internamente nos Estados-nação, e por fazer aflorar o dinheiro sujo dos paraísos fiscais.
A luta pela criação de um ITF é muito mais do que conseguir algumas receitas para financiar os Objetivos do Milênio (ODM). Tal como estão as coisas, os ODM são inatingíveis e ficarão cada vez mais distantes, tal como hoje o estão mais que em 2000. Os poucos êxitos foram conseguidos nos países do BRIC que deixaram de acatar as diretivas neoliberais.
Criar um ITF é lutar contra a especulação que destrói o emprego e o bem-estar dos cidadãos, razão pela qual tem de ser suficientemente elevado para impossibilitar esta especulação. Criar um ITF é defender o sistema democrático, que implica sair da crise colocando-nos na perspectiva de solucionar em primeiro lugar as necessidades das pessoas, o que exige necessariamente a regulação e o controlo do sistema financeiro especulador. Criar um ITF é apostar na saída da crise, porque o cenário possível sem ele é um ano de 2011 recessivo, de ruptura e de contração até ao esgotamento e ao cansaço final.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br
Estado Assassino: Intelectuais protestam contra racismo em Israel - por Guila Flint
Intelectuais protestam contra racismo em Israel
De Tel Aviv para a BBC Brasil
Vários importantes intelectuais de Israel protestaram neste domingo em Tel Aviv contra manifestações crescentes de racismo que, dizem, afetam os cidadãos árabes do país.
Os manifestantes, entre eles escritores e artistas de renome, criticaram decretos recentes de rabinos proibindo o aluguel de apartamentos a cidadãos árabes e a promulgação de leis de caráter discriminatório no Parlamento.
O protesto ocorreu na Alameda Rotschild, no centro de Tel Aviv, em frente ao prédio onde foi realizada a histórica declaração da fundação do Estado de Israel, em 1948, conhecida como Declaração da Independência.
De acordo com os organizadores, o local foi escolhido para marcar o que consideram a contradição entre a realidade atual no país e o conteúdo da declaração, que garantia "igualdade total de direitos políticos e sociais para todos os cidadãos, sem discriminação de religião, raça ou gênero".
Participantes do protesto ouvidos pela BBC Brasil mencionaram o "perigo da ascensão do fascismo em Israel".
O jornalista e escritor Uri Avnery, 87, que lutou na guerra de 1948 pela criação de Israel, disse à BBC Brasil que participou do protesto "porque quando eu tinha nove anos vi a ascensão do fascismo na Alemanha e não quero vê-la, pela segunda vez, no Estado que ajudei a construir".
De acordo com o escritor Sefi Rachlevsky, "a Declaração da Independencia está sendo pisada pelos atos e as leis que vemos hoje".
"Em um país em que tantos cidadãos já sofreram perseguições e racismo, não podemos permitir que coisas como essas aconteçam."
Aluguéis vetados
No dia 25 de outubro, o rabino-chefe da cidade de Tzfat (norte de Israel), Shlomo Eliahu, e mais 17 rabinos publicaram um decreto proibindo os habitantes da cidade de alugarem apartamentos para cidadãos árabes.
O decreto atinge centenas de estudantes árabes que cursam a Faculdade de Tzfat.
Segundo o decreto, os habitantes da cidade devem boicotar aqueles que alugarem propriedades a "não judeus".
O presidente da união dos estudantes árabes da Faculdade, Mahmoud Abu Salah, disse que a maioria dos proprietários de imóveis está obedecendo ao decreto dos rabinos.
Abu Salah também afirmou que esta é a primeira vez em que os estudantes árabes se deparam com tal rejeição por parte de proprietários de apartamentos em Tzfat.
O decreto foi endossada pelo rabino Ovadia Yossef, lider espiritual do partido Shas, que faz parte da coalizão governamental.
Para o escritor Yoram Kaniuk, "não é possivel parar o fascismo com palavras, são necessários atos significativos".
Durante a manifestação deste domingo, o escritor anunciou que pretende exigir que o Ministério do Interior apague seu registro como judeu da carteira de identidade e o defina como "sem religião".
'Não quero ser judeu'
"Se isso é judaismo então não quero ser judeu", declarou Kaniuk.
O jurista Mordechai Kremnitzer mencionou projetos de lei em tramitação no Parlamento que podem atingir diretamente a população árabe de Israel. É o caso de uma lei que, se aprovada, permitirá que comissões de admissão em povoados pequenos vetem a entrada de novos membros "que possam afetar o caráter da comunidade".
Para a professora de História da Arte Gila Balas, existem hoje em Israel "todos os sintomas que havia na Europa no começo do fascismo".
"Não podemos ficar quietos, temos que fazer algo para impedir que esse processo continue", disse Balas à BBC Brasil. "Estão utilizando caminhos supostamente legais para promulgar leis antidemocráticas, justamente como aconteceu na Europa."
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese
De Tel Aviv para a BBC Brasil
Vários importantes intelectuais de Israel protestaram neste domingo em Tel Aviv contra manifestações crescentes de racismo que, dizem, afetam os cidadãos árabes do país.
Os manifestantes, entre eles escritores e artistas de renome, criticaram decretos recentes de rabinos proibindo o aluguel de apartamentos a cidadãos árabes e a promulgação de leis de caráter discriminatório no Parlamento.
O protesto ocorreu na Alameda Rotschild, no centro de Tel Aviv, em frente ao prédio onde foi realizada a histórica declaração da fundação do Estado de Israel, em 1948, conhecida como Declaração da Independência.
De acordo com os organizadores, o local foi escolhido para marcar o que consideram a contradição entre a realidade atual no país e o conteúdo da declaração, que garantia "igualdade total de direitos políticos e sociais para todos os cidadãos, sem discriminação de religião, raça ou gênero".
Participantes do protesto ouvidos pela BBC Brasil mencionaram o "perigo da ascensão do fascismo em Israel".
O jornalista e escritor Uri Avnery, 87, que lutou na guerra de 1948 pela criação de Israel, disse à BBC Brasil que participou do protesto "porque quando eu tinha nove anos vi a ascensão do fascismo na Alemanha e não quero vê-la, pela segunda vez, no Estado que ajudei a construir".
De acordo com o escritor Sefi Rachlevsky, "a Declaração da Independencia está sendo pisada pelos atos e as leis que vemos hoje".
"Em um país em que tantos cidadãos já sofreram perseguições e racismo, não podemos permitir que coisas como essas aconteçam."
Aluguéis vetados
No dia 25 de outubro, o rabino-chefe da cidade de Tzfat (norte de Israel), Shlomo Eliahu, e mais 17 rabinos publicaram um decreto proibindo os habitantes da cidade de alugarem apartamentos para cidadãos árabes.
O decreto atinge centenas de estudantes árabes que cursam a Faculdade de Tzfat.
Segundo o decreto, os habitantes da cidade devem boicotar aqueles que alugarem propriedades a "não judeus".
O presidente da união dos estudantes árabes da Faculdade, Mahmoud Abu Salah, disse que a maioria dos proprietários de imóveis está obedecendo ao decreto dos rabinos.
Abu Salah também afirmou que esta é a primeira vez em que os estudantes árabes se deparam com tal rejeição por parte de proprietários de apartamentos em Tzfat.
O decreto foi endossada pelo rabino Ovadia Yossef, lider espiritual do partido Shas, que faz parte da coalizão governamental.
Para o escritor Yoram Kaniuk, "não é possivel parar o fascismo com palavras, são necessários atos significativos".
Durante a manifestação deste domingo, o escritor anunciou que pretende exigir que o Ministério do Interior apague seu registro como judeu da carteira de identidade e o defina como "sem religião".
'Não quero ser judeu'
"Se isso é judaismo então não quero ser judeu", declarou Kaniuk.
O jurista Mordechai Kremnitzer mencionou projetos de lei em tramitação no Parlamento que podem atingir diretamente a população árabe de Israel. É o caso de uma lei que, se aprovada, permitirá que comissões de admissão em povoados pequenos vetem a entrada de novos membros "que possam afetar o caráter da comunidade".
Para a professora de História da Arte Gila Balas, existem hoje em Israel "todos os sintomas que havia na Europa no começo do fascismo".
"Não podemos ficar quietos, temos que fazer algo para impedir que esse processo continue", disse Balas à BBC Brasil. "Estão utilizando caminhos supostamente legais para promulgar leis antidemocráticas, justamente como aconteceu na Europa."
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese
domingo, 7 de novembro de 2010
Manuel Castells: "O poder tem medo da internet" - Por Antonio Ateu
Manuel Castells: "O poder tem medo da internet"
Segundo o Social Sciences Citation Index o sociólogo espanhol Manuel Castells foi o quarto cientista social mais citado no mundo no período 2000-2006 e o mais citado acadêmico da área de comunicação, no mesmo período.
Poucos pensadores em todo o mundo estudaram a sociedade da informação com tanta profundidade quanto Castells. A sua trilogia A era da informação já foi traduzida para 23 línguas, e já se transformou numa obra de leitura obrigatória nas faculdades de comunicação social em todo o mundo.
Ano passado (Janeiro de 2008), Castells concedeu uma entrevista à jornalista Milagros Pérez Oliva, do periódico espanhol El País, onde ele fala sobre uma das pesquisas mais recentes desenvolvidas por ele. O Projeto Internet Cataluña, em que durante seis anos analisou, com 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil pela internet, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social.
Na entrevista que se segue ele sustenta, com sua genialidade costumeira, que o poder tem medo da internet e mostra ainda como as novas tecnologias da web social distanciam cada vez mais a política da cidadania.
Eis a entrevista.
El País - Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos acreditam, mas que as pessoas que mais usam o chat são as mais sociais.
Castells – Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenho sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
El País – Por que acredita que a idéia contrária se estendeu com tanto sucesso?
Castells - Os meios de comunicação tem muito a ver. Todos sabermos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos, também. Mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que é um fator de alienação é mais interessante do que dizer: A Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet lhe ajudará um pouquinho, mas não muito. Os meios são um certo modo de expressão do que pensa a sociedade: a questão é por que a sociedade pensa isso.
El País - Porque tem medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade tem medo da nova, os pais dos seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado num mundo tecnológico, social e culturalmente antigo do poder que lhes abalroa, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo. E no fundo é mesmo um perigo. Porque a Internete é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre foi baseado no controle das pessoas por meio do controle da informação e da comunicação. Mas isto acaba. Porque a Internet não pode ser controlada.
El País - Vivemos numa sociedade onde a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se converteu na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública requer meios que sejam controláveis, e se a Internet não é …
Castells – Não é, e isso explica porque os poderes tem medo da Internet. Estive em várias comissões de assessoria de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não se pode. Pode se vigiar, mas não controlar.
El País - Se a Internet é tão determinante da vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não. O mais importante segue sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional e, ainda anteriormente, ao nível educativo, porque sem educação, a tecnologia não serve para nada. Na Espanha, a chamada exclusão digital é por questão de idade. Os dados estão muito claros: entre os maiores de 55 anos, somente 9% são usuários da Internete, mas entre os menores de 25 anos, são 90%.
El País - É, portanto, uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração desaparecer, não haverá mais esta exclusão digital no que diz respeito ao acesso. Mas na sociedade da Internet, o complicado não é saber navegar, mas saber onde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso requer educação. Na realidade, a Internet amplifica a velha exclusão social da história, que é o nível de educação. O fato de que 555 dos adultos não tenha completado, na Espanha, a educação secundária, essa é a verdadeira exclusão digital.
El País - Nesta sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que é cada vez mais globalizada, aumenta a sensação de insegurança, de que o mundo se move debaixo dos nossos pés?
Castells – Há uma nova sociedade que eu busquei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede e que não está distante da que define Bauman. Eu creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e onde menos controle das instituições tradicionais.
El País – Em que sentido?
Castells – Estende-se a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então, o chão se move sob os nossos pés. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e que não são confiáveis. Começamos mal. Segundo, elas pensam que o mercado é bom para os que ganham e mau para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança para o que a lógica pura e dura do mercado pode proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso significa que nosso dinheiro está no fluxo global que não controlamos, que a população está submetida ás pressões migratórias muito fortes, de modo que cada vez mais é difícil encerrar as pessoas numa cultura ou nas fronteiras nacionais.
El País - Qual é o papel da Inernet neste processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir aceder à toda informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isto é algo que demonstramos pela primeira vez na nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mas ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões da autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer uma dessas dimensões, ela utiliza Internet com muito mais freqüência e intensidade. E o uso da Internet reforça, por sua vez, a sua autonomia. Mas, claro, quanto mais uma pessoa controla a sua vida, menos ela se fia das instituições.
El País – E maior pode ser sua frustração pela distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que exerce na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos?
Castells - Sim, há um descompasso entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios colocaram Wi-Fi de acesso, mas se ao mesmo não são capazes de articular um sistema de participação, servem para que as pessoas organizem melhor as suas próprias redes, mas não para participar na vida política. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia e, portanto, estas tecnologias contribuem para distanciar ainda mais a política da cidadania.
Fonte: http://www.novae.inf.br

Segundo o Social Sciences Citation Index o sociólogo espanhol Manuel Castells foi o quarto cientista social mais citado no mundo no período 2000-2006 e o mais citado acadêmico da área de comunicação, no mesmo período.
Poucos pensadores em todo o mundo estudaram a sociedade da informação com tanta profundidade quanto Castells. A sua trilogia A era da informação já foi traduzida para 23 línguas, e já se transformou numa obra de leitura obrigatória nas faculdades de comunicação social em todo o mundo.
Ano passado (Janeiro de 2008), Castells concedeu uma entrevista à jornalista Milagros Pérez Oliva, do periódico espanhol El País, onde ele fala sobre uma das pesquisas mais recentes desenvolvidas por ele. O Projeto Internet Cataluña, em que durante seis anos analisou, com 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil pela internet, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social.
Na entrevista que se segue ele sustenta, com sua genialidade costumeira, que o poder tem medo da internet e mostra ainda como as novas tecnologias da web social distanciam cada vez mais a política da cidadania.
Eis a entrevista.
El País - Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos acreditam, mas que as pessoas que mais usam o chat são as mais sociais.
Castells – Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenho sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
El País – Por que acredita que a idéia contrária se estendeu com tanto sucesso?
Castells - Os meios de comunicação tem muito a ver. Todos sabermos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos, também. Mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que é um fator de alienação é mais interessante do que dizer: A Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet lhe ajudará um pouquinho, mas não muito. Os meios são um certo modo de expressão do que pensa a sociedade: a questão é por que a sociedade pensa isso.
El País - Porque tem medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade tem medo da nova, os pais dos seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado num mundo tecnológico, social e culturalmente antigo do poder que lhes abalroa, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo. E no fundo é mesmo um perigo. Porque a Internete é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre foi baseado no controle das pessoas por meio do controle da informação e da comunicação. Mas isto acaba. Porque a Internet não pode ser controlada.
El País - Vivemos numa sociedade onde a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se converteu na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública requer meios que sejam controláveis, e se a Internet não é …
Castells – Não é, e isso explica porque os poderes tem medo da Internet. Estive em várias comissões de assessoria de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não se pode. Pode se vigiar, mas não controlar.
El País - Se a Internet é tão determinante da vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não. O mais importante segue sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional e, ainda anteriormente, ao nível educativo, porque sem educação, a tecnologia não serve para nada. Na Espanha, a chamada exclusão digital é por questão de idade. Os dados estão muito claros: entre os maiores de 55 anos, somente 9% são usuários da Internete, mas entre os menores de 25 anos, são 90%.
El País - É, portanto, uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração desaparecer, não haverá mais esta exclusão digital no que diz respeito ao acesso. Mas na sociedade da Internet, o complicado não é saber navegar, mas saber onde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso requer educação. Na realidade, a Internet amplifica a velha exclusão social da história, que é o nível de educação. O fato de que 555 dos adultos não tenha completado, na Espanha, a educação secundária, essa é a verdadeira exclusão digital.
El País - Nesta sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que é cada vez mais globalizada, aumenta a sensação de insegurança, de que o mundo se move debaixo dos nossos pés?
Castells – Há uma nova sociedade que eu busquei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede e que não está distante da que define Bauman. Eu creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e onde menos controle das instituições tradicionais.
El País – Em que sentido?
Castells – Estende-se a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então, o chão se move sob os nossos pés. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e que não são confiáveis. Começamos mal. Segundo, elas pensam que o mercado é bom para os que ganham e mau para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança para o que a lógica pura e dura do mercado pode proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso significa que nosso dinheiro está no fluxo global que não controlamos, que a população está submetida ás pressões migratórias muito fortes, de modo que cada vez mais é difícil encerrar as pessoas numa cultura ou nas fronteiras nacionais.
El País - Qual é o papel da Inernet neste processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir aceder à toda informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isto é algo que demonstramos pela primeira vez na nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mas ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões da autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer uma dessas dimensões, ela utiliza Internet com muito mais freqüência e intensidade. E o uso da Internet reforça, por sua vez, a sua autonomia. Mas, claro, quanto mais uma pessoa controla a sua vida, menos ela se fia das instituições.
El País – E maior pode ser sua frustração pela distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que exerce na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos?
Castells - Sim, há um descompasso entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios colocaram Wi-Fi de acesso, mas se ao mesmo não são capazes de articular um sistema de participação, servem para que as pessoas organizem melhor as suas próprias redes, mas não para participar na vida política. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia e, portanto, estas tecnologias contribuem para distanciar ainda mais a política da cidadania.
Fonte: http://www.novae.inf.br
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
O que é existencialismo? - por Luiz Damon Santos Moutinho
O que é existencialismo?
A metáfora clássica da consciência como um continente onde conteúdos se alojariam dá lugar à metáfora moderna de um movimento, uma ação
Sabe-se que a rubrica “existencialismo” foi uma invenção da mídia francesa para dar nome a um movimento intelectual surgido no pós-guerra – a bem da verdade, ao que se tomou por um movimento, pois isso, ao menos no início, não esteve em questão para os autores. O termo, ainda que Sartre o julgasse mais tarde “idiota”, não deve ter-lhe parecido assim tão absurdo, pois o próprio Sartre dele se serviu em escritos menores (por exemplo, no texto daquela célebre conferência “O existencialismo é um humanismo”, que foi, por sinal, renegada por ele); e o mesmo fez Merleau-Ponty, publicando na recém-criada Les Temps Modernes alguns pequenos artigos sobre o assunto (“A querela do existencialismo”, “O existencialismo em Hegel” etc.). A bem da verdade, Merleau-Ponty preferiu mais tarde adotar uma outra rubrica, a “filosofia da existência”; com isso, ele pretendia não tanto marcar identidade própria, já que, com o tempo, o existencialismo terminou por confundir-se com a doutrina de Sartre, mas sobretudo abrir o horizonte para além da cena francesa do momento; mais do que isso, pretendia mostrar que a filosofia da existência é o traço distintivo de todo o pensamento moderno: menos que uma doutrina particular, uma doutrina entre outras (uma doutrina apropriada, como se diz ainda hoje, às angústias daqueles tempos ferozes), o existencialismo francês apenas retoma uma tarefa que é própria dos Tempos Modernos.
São esses os nossos tempos – o que Sartre e Merleau-Ponty já indicavam pelo título da revista criada por eles – e o seu começo remonta, ao contrário do que possa parecer, não a Descartes, embora em Descartes uma virada decisiva tenha se produzido com o aparecimento da subjetividade (em sentido estrito, ignorada pelos antigos e medievais), tão decisiva que toda a filosofia, ainda hoje, não pode ignorá-la, como não podemos ignorar uma espinha de peixe cravada em nossa garganta; mas não é ainda Descartes que define as tarefas que são as nossas, pois, se ele é o descobridor da moderna subjetividade, ele ainda a faz apoiar-se em um pensamento do infinito: se, por exemplo, Descartes tematiza a percepção, é menos para mostrá-la em sua contingência e finitude do que para pensá-la segundo um critério que a ultrapassa. Na formulação de Foucault, a questão colocava-se para os clássicos (Descartes entre eles) da seguinte maneira: dado que a verdade é o que é, como acontece de perceber como percebemos. A questão dos Tempos Modernos, ao contrário, começa por dar um sentido positivo à finitude.
O começo dos Tempos Modernos, aqueles de que o existencialismo se julga herdeiro, se encontra em Hegel, que, como se sabe, era uma obsessão naqueles dias – um Hegel, é verdade, aclimatado pelos célebres cursos de Kojève, dos anos 1930, e sobretudo o primeiro Hegel, o da Fenomenologia do espírito. Foi esse o primeiro passo a infletir a filosofia em uma direção que permanece, para o existencialista, a nossa direção, pois foi ali que apareceu um novo conceito de razão, uma razão alargada, capaz de explorar o irracional, o contingente, o singular; a tarefa que os existencialistas se davam (e que é ainda a nossa tarefa) é hegeliana: trata-se de explorar e integrar o irracional a uma razão mais alargada, mais compreensiva que o entendimento, e não será surpresa se, no final das contas, a filosofia tiver de abandonar a idéia de uma esfera própria e realizar-se na não-filosofia. Que se tome o conceito de experiência em operação na Fenomenologia do espírito: ele deve incorporar todas as manifestações do espírito, as que residem tanto nos costumes, nas estruturas econômicas, nas instituições jurídicas, quanto nas ciências; ele deve incorporar a experiência moral, estética, religiosa e deve fazê-lo de modo a revelar sua lógica imanente, em lugar de subsumi-la, por encadeamento, a uma construção conceitual. Daí porque Hegel interessava tanto aos existen-cialistas: ao recobrar para a experiência essa dimensão, ele abria a via para revelar o que ela tem de metafísica. A questão que se coloca já não é, como em Kant, a de saber quais as condições de possibilidade de uma experiência, que é, em Kant, puramente científica e cujo correlato é o mundo das ciências da natureza, mas a de revelar as condições de realidade da experiência efetiva, da experiência humana em todos os seus setores.
Mas há o Hegel do fim, do sistema, o Hegel contra o qual Kierkegaard não cessa de apontar suas críticas, aquele que julga o desenvolvimento do mundo e o declara acabado no Estado prussiano; esse Hegel é aquele que finge ignorar sua inerência histórica, aquele que finge colocar-se fora de qualquer situação, é o Hegel que se esquece de sua própria subjetividade. Não foi tanto Hegel, mas Kierkegaard, o primeiro a usar o termo “existência” em seu sentido moderno, diz Merleau-Ponty, e esse sentido é precisamente aquele consubstanciado na crítica de Kierkegaard a Hegel: a existência não se deixa absorver pelo conceito, pelo sistema, pela idéia. A existência implica de imediato uma inerência, uma encarnação, uma situação que é inultrapassável pelo conceito. Verdade, nota Sartre, que é a religião que Kierkegaard quer defender, verdade que ele é um cristão romântico que luta contra a racionalização da fé, verdade que ele procura, incansavelmente, escapar à “terrível mediação” e que, por isso mesmo, seu subjetivismo religioso pode passar por cúmulo do idealismo, mas resta que ele tem razão contra Hegel e representa um progresso em relação a ele: ao afirmar que a vida subjetiva, enquanto vivida, não pode jamais ser objeto de um saber, Kierkegaard afirma a irredutibilidade do vivido, isto é, de um certo real ao pensamento e o seu primado. É essa incomensurabilidade entre o real e o saber que resta para o existencialista, o ganho definitivo de Kierkegaard – ainda, é certo, que ele envolva riscos de um irracionalismo, da afirmação obstinada de uma subjetividade vazia; daí porque, contra Kierkegaard, Hegel também tem razão: em lugar de deter-se em paradoxos da subjetividade, Hegel exige o “ultrapassamento”, a passagem, a mediação. Daí porque, para o existencialista, a questão é menos a de afirmar os direitos inalienáveis da subjetividade, mas a de encontrar nela sua própria transcendência; menos que mostrá-la insubmissa ao conceito, a questão é mostrar que o conceito se funda nessa estrutura existencial.
Assim, por exemplo, no momento em que Hegel vai tratar da alteridade (e esse tema é uma inovação hegeliana: ele vai de par com a inovação do conceito de experiência), Sartre nota que Hegel fala do ponto de vista de uma totalidade, não de seu próprio ponto de vista: se Hegel pode falar em um Todo, em um mundo humano que é mais que um agregado de sujeitos, mais que uma soma de indivíduos, é porque ele encontra um laço que une intimamente os sujeitos e os faz depender uns dos outros; ora, mas Hegel só pode fazer isso, objeta o existencialista em registro kierkegaardiano, abstraindo de sua própria consciência, visando à relação entre as consciências dos outros, tornando equivalentes o seu ser e o ser dos outros; é a esse preço que ele pode falar em totalidade, ao preço de esquecer-se de si mesmo, de sua própria existência. O idealismo de Hegel está aqui, na passagem ao ponto de vista do Todo. No entanto, daí não se segue – é o momento hegeliano tal como o existencialista o interpreta – que os sujeitos estejam ilhados em suas consciências, que eles não formem um mundo humano, que a comunicação seja apenas equívoco, que o outro não possa captar-me no âmago do meu ser: a existência do outro é tão certa quanto a minha e eu nem mesmo colocaria essa questão se ela não se assentasse em uma intuição do outro. Em suma, o verdadeiro cogito é esse “ultrapassamento” para fora de si, essa exigência contínua de um mundo, de um fora, sem o qual ele nada é, mas ele não pode jamais desvencilhar-se de si mesmo e tornar-se essa exterioridade para a qual ele é perpétuo “ultrapassamento”. O sujeito é inteiramente consagrado ao mundo, ele é-no-mundo, continuadamente fora-de-si, mas não pode jamais desfazer-se de si mesmo e tornar-se outro: a síntese hegeliana é travada antes de ela passar adiante, antes de converter-se em idealidade.
Esse sujeito existencialista – mais especialmente: o sujeito sartriano, pois aqui, agora, falamos apenas de Sartre – guarda alguns traços do seu homônimo mais célebre, o sujeito cartesiano, mas o cartesianismo de Sartre é mediado pelas leituras de Husserl, sua referência intelectual mais próxima. Sartre guarda o primado do cogito (é do cogito que se deve partir, ele diz); acontece que esse primado, em Descartes, é idêntico ao primado do pensamento, ele implica um sujeito de pensamento, de representações, de idéias: as idéias são em Descartes aquilo a que o sujeito deve se confinar se quiser buscar a verdade. Ora, o cogito sartriano não seria possível sem a crítica prévia de Husserl à noção de representação. Essa crítica vai implodir o sujeito clássico enclausurado em meio a suas idéias, pois dela sobressai a necessidade de distinguir ato e correlato, a consciência e aquilo de que ela é consciência.
Dito de outro modo: o efeito mais visível da crítica husserliana é a necessidade de voltar à descrição de modos de consciência, modos que a noção clássica de representação ignora (modo imaginativo, perceptivo, signitivo, intelectual etc.); assim, atos de perceber, de imaginar, de inteligir são diferentes modos de consciência e implica diferentes correlatos, diferentes modos de “objeto”. Ou, em termos mais conhecidos: toda consciência é consciência de alguma coisa, implicam um correlato, conforme reza a fórmula clássica da intencionalidade. Cada um dos diferentes atos de consciência possui sua estrutura própria, sua “essência”, e é isso que um clássico é levado a ignorar no momento em que, por um lado, traduz tais modos em termos de “faculdades” (faculdade de imaginar, de sentir etc.), como se essas fossem predicados de um sujeito, e, por outro, lida com o operador geral “idéia”. Resulta daí um duplo prejuízo: o sujeito cartesiano é um sujeito genérico, como que o suporte das diferentes faculdades, e a esse sujeito genérico corresponde uma idéia pouco clara de “idéia”, já que ela ignora, por sua vez, os diferentes modos do objeto.
Ora, essa crítica husserliana vai entusiasmar o jovem Sartre – que dela vai fazer um uso bem peculiar. Todos se lembram da história contada por Simone de Beauvoir, segundo a qual Raymond Aron teria estimulado o jovem Sartre a passar uma temporada na Alemanha para estudar Husserl. O episódio famoso se passou em um café, diante de um coquetel de damasco, e Aron teria dito: “Estás vendo, meu camaradinha, se tu és fenomenólogo, podes falar deste coquetel e é filosofia”. A partir daí, Sartre passaria longos anos debruçado sobre a obra husserliana e dela retiraria as possibilidades que ele buscava desde jovem: a de definir novamente o sujeito, a de superar o primado do conhecimento (tão marcante na filosofia francesa de então), a de fazer jus à diversidade da experiência humana. Daí a insistência no conceito de intencionalidade: em interpretação sartriana, dizer que a consciência é intencional é o mesmo que dizer que ela alcança o objeto em sua transcendência, que o mundo não pode ser convertido em minha representação, que a consciência não é um lugar de representações. Assim, perceber uma árvore não é desvanecer a árvore em uma miríade de sensações coloridas, táteis, térmicas etc., que seriam “representações”: não há elementos subjetivos imanentes, diz Sartre, de modo que perceber uma árvore é alcançá-la lá onde ela está, fora de nós. Daí a insistência de que Husserl libertou o mundo psíquico de um enorme peso ao lançar os conteúdos para fora e definir a consciência como intenção dirigida para o mundo.
A metáfora clássica da consciência como uma caixa, um continente onde conteúdos se alojariam, dá lugar à metáfora moderna de um movimento, um direcionar-se para algo, uma ação: a metáfora do continente é tipicamente espacial, ilusão oriunda do equívoco de pensar o sujeito a partir do mundo espacial; mas o sujeito é “esvaziado” de representações, ou antes, ele não é um “dentro” por oposição a um “fora”, um “interior” por oposição a um “exterior”; ele é uma intenção, uma visada; assim, em vez de espacial (e, por isso, estático e contemplativo), o sujeito será pensado em paradigma temporal (e, por isso, dinâmico e ativo). É assim que o sujeito se dessubstancializa (e só um sujeito temporal pode ser não substancial) e, por conta disso, ele deve ser definido não mais por aquilo que é, mas apenas por aquilo que fizer.
A via aberta por Husserl é imensa e um vasto campo de trabalho se abre para Sartre. Não é à toa que, ainda nos anos 1930, logo depois de ter voltado de Berlim, Sartre se dedique a fazer a fenomenologia de um desses territórios: servindo-se de instrumentos husserlianos, Sartre se volta para a imaginação; ele escreve A imaginação, obra crítica que procura explorar a confusão clássica entre diferentes modos de consciência, confusão que termina por ignorar a especificidade do ato de imaginar, e, logo depois, O imaginário, exercício de “psicologia fenomenológica” no qual aplica o princípio da intencionalidade e revela a essência desse modo de consciência.
Mas o principal da via aberta por Husserl não está aí. O principal está consubstanciado em duas obras: em um pequeno texto, escrito ainda em Berlim, A transcendência do ego, e na obra maior de Sartre, O ser e o nada. É que nessas obras, mais do que em qualquer outra, Sartre traz à luz a união de duas estratégias aparentemente antagônicas: voltar-se para o sujeito existente, para o sujeito concreto no mundo, por um lado, e afirmar o primado do cogito, por outro. Para isso, é preciso redefinir o cogito, mas, antes disso, é preciso mostrar que o ego descoberto pela reflexão é uma criação dela. O que isso significa? Significa que o campo da consciência, em sua pureza, é sem ego, sem persona; só uma reflexão purificadora pode descortinar uma tal consciência sem alma. Aqui, Sartre leva ao limite o princípio da intencionalidade, tornando o próprio ego um objeto, um objeto especial, certamente, mas um objeto transcendente visado por nós a cada vez que operamos uma reflexão, isto é, a cada vez que reunimos nossos atos perpetuamente fluentes em uma unidade e dizemos: “eu lia”, “eu tocava piano” etc. Com isso, Sartre deixa em aberto a possibilidade de descrever a consciência em ação no mundo, aquela de nossa experiência espontânea, irrefletida, tal como ela é antes que nosso olhar reflexivo lance sobre ela aquilo que ela, originalmente, não tem.
Mas daí não se segue que a experiência irrefletida seja inconsciente de si mesma. Todo ato é consciente de si mesmo sem a necessidade de um concurso da reflexão, cada ato se sabe a si mesmo de dentro porque cada um deles, autonomamente, faz unidade consigo mesmo, e cada um se sabe a si mesmo sem que um Eu, além desse ato, o veja realizar-se, como se houvesse um pequeno Eu dentro de cada um de nós (como uma identidade além do fluxo dos atos) que os veria fluir e permaneceria incólume a essa fluência. O ato é para si, ele não é para um Eu. Daí porque Sartre vai dizer que toda consciência é consciente (de) si – assim mesmo, com o “de” entre parêntesis, designando com isso que essa consciência (de) si não representa uma segunda instância, que ela não exige um novo ato. Esse apuro obedece ao princípio fenomenológico de ausência de pressupostos, aquele que pretende acolher o fenômeno em sua pureza.
Ora, visto de perto, cada um desses traços apontados por nós – da herança de Kierkegaard, que afirma o primado do existente, à interpretação de Husserl, segundo a qual a filosofia vai encontrar o fenômeno (isto é, ela será verdadeiramente radical) se voltar-se para a experiência irrefletida – aponta para um mesmo alvo: o existencialismo sartriano muito facilmente pode ser confundido com uma forma de antropologia, isto é, de um discurso que se coloca no mesmo plano das ciências empíricas e que por isso compete com elas. É esse risco que coloca a questão maior ao existencialismo, questão cuja resposta exige longas considerações, a questão relativa ao estatuto do seu discurso: afinal, que é o existencialismo?
Luiz Damon Santos Moutinho
professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autor de Sartre: psicologia e fenomenologia (Ed. Brasiliense)
Fonte: http://revistacult.uol.com.br/
A metáfora clássica da consciência como um continente onde conteúdos se alojariam dá lugar à metáfora moderna de um movimento, uma açãoSabe-se que a rubrica “existencialismo” foi uma invenção da mídia francesa para dar nome a um movimento intelectual surgido no pós-guerra – a bem da verdade, ao que se tomou por um movimento, pois isso, ao menos no início, não esteve em questão para os autores. O termo, ainda que Sartre o julgasse mais tarde “idiota”, não deve ter-lhe parecido assim tão absurdo, pois o próprio Sartre dele se serviu em escritos menores (por exemplo, no texto daquela célebre conferência “O existencialismo é um humanismo”, que foi, por sinal, renegada por ele); e o mesmo fez Merleau-Ponty, publicando na recém-criada Les Temps Modernes alguns pequenos artigos sobre o assunto (“A querela do existencialismo”, “O existencialismo em Hegel” etc.). A bem da verdade, Merleau-Ponty preferiu mais tarde adotar uma outra rubrica, a “filosofia da existência”; com isso, ele pretendia não tanto marcar identidade própria, já que, com o tempo, o existencialismo terminou por confundir-se com a doutrina de Sartre, mas sobretudo abrir o horizonte para além da cena francesa do momento; mais do que isso, pretendia mostrar que a filosofia da existência é o traço distintivo de todo o pensamento moderno: menos que uma doutrina particular, uma doutrina entre outras (uma doutrina apropriada, como se diz ainda hoje, às angústias daqueles tempos ferozes), o existencialismo francês apenas retoma uma tarefa que é própria dos Tempos Modernos.
São esses os nossos tempos – o que Sartre e Merleau-Ponty já indicavam pelo título da revista criada por eles – e o seu começo remonta, ao contrário do que possa parecer, não a Descartes, embora em Descartes uma virada decisiva tenha se produzido com o aparecimento da subjetividade (em sentido estrito, ignorada pelos antigos e medievais), tão decisiva que toda a filosofia, ainda hoje, não pode ignorá-la, como não podemos ignorar uma espinha de peixe cravada em nossa garganta; mas não é ainda Descartes que define as tarefas que são as nossas, pois, se ele é o descobridor da moderna subjetividade, ele ainda a faz apoiar-se em um pensamento do infinito: se, por exemplo, Descartes tematiza a percepção, é menos para mostrá-la em sua contingência e finitude do que para pensá-la segundo um critério que a ultrapassa. Na formulação de Foucault, a questão colocava-se para os clássicos (Descartes entre eles) da seguinte maneira: dado que a verdade é o que é, como acontece de perceber como percebemos. A questão dos Tempos Modernos, ao contrário, começa por dar um sentido positivo à finitude.
O começo dos Tempos Modernos, aqueles de que o existencialismo se julga herdeiro, se encontra em Hegel, que, como se sabe, era uma obsessão naqueles dias – um Hegel, é verdade, aclimatado pelos célebres cursos de Kojève, dos anos 1930, e sobretudo o primeiro Hegel, o da Fenomenologia do espírito. Foi esse o primeiro passo a infletir a filosofia em uma direção que permanece, para o existencialista, a nossa direção, pois foi ali que apareceu um novo conceito de razão, uma razão alargada, capaz de explorar o irracional, o contingente, o singular; a tarefa que os existencialistas se davam (e que é ainda a nossa tarefa) é hegeliana: trata-se de explorar e integrar o irracional a uma razão mais alargada, mais compreensiva que o entendimento, e não será surpresa se, no final das contas, a filosofia tiver de abandonar a idéia de uma esfera própria e realizar-se na não-filosofia. Que se tome o conceito de experiência em operação na Fenomenologia do espírito: ele deve incorporar todas as manifestações do espírito, as que residem tanto nos costumes, nas estruturas econômicas, nas instituições jurídicas, quanto nas ciências; ele deve incorporar a experiência moral, estética, religiosa e deve fazê-lo de modo a revelar sua lógica imanente, em lugar de subsumi-la, por encadeamento, a uma construção conceitual. Daí porque Hegel interessava tanto aos existen-cialistas: ao recobrar para a experiência essa dimensão, ele abria a via para revelar o que ela tem de metafísica. A questão que se coloca já não é, como em Kant, a de saber quais as condições de possibilidade de uma experiência, que é, em Kant, puramente científica e cujo correlato é o mundo das ciências da natureza, mas a de revelar as condições de realidade da experiência efetiva, da experiência humana em todos os seus setores.
Mas há o Hegel do fim, do sistema, o Hegel contra o qual Kierkegaard não cessa de apontar suas críticas, aquele que julga o desenvolvimento do mundo e o declara acabado no Estado prussiano; esse Hegel é aquele que finge ignorar sua inerência histórica, aquele que finge colocar-se fora de qualquer situação, é o Hegel que se esquece de sua própria subjetividade. Não foi tanto Hegel, mas Kierkegaard, o primeiro a usar o termo “existência” em seu sentido moderno, diz Merleau-Ponty, e esse sentido é precisamente aquele consubstanciado na crítica de Kierkegaard a Hegel: a existência não se deixa absorver pelo conceito, pelo sistema, pela idéia. A existência implica de imediato uma inerência, uma encarnação, uma situação que é inultrapassável pelo conceito. Verdade, nota Sartre, que é a religião que Kierkegaard quer defender, verdade que ele é um cristão romântico que luta contra a racionalização da fé, verdade que ele procura, incansavelmente, escapar à “terrível mediação” e que, por isso mesmo, seu subjetivismo religioso pode passar por cúmulo do idealismo, mas resta que ele tem razão contra Hegel e representa um progresso em relação a ele: ao afirmar que a vida subjetiva, enquanto vivida, não pode jamais ser objeto de um saber, Kierkegaard afirma a irredutibilidade do vivido, isto é, de um certo real ao pensamento e o seu primado. É essa incomensurabilidade entre o real e o saber que resta para o existencialista, o ganho definitivo de Kierkegaard – ainda, é certo, que ele envolva riscos de um irracionalismo, da afirmação obstinada de uma subjetividade vazia; daí porque, contra Kierkegaard, Hegel também tem razão: em lugar de deter-se em paradoxos da subjetividade, Hegel exige o “ultrapassamento”, a passagem, a mediação. Daí porque, para o existencialista, a questão é menos a de afirmar os direitos inalienáveis da subjetividade, mas a de encontrar nela sua própria transcendência; menos que mostrá-la insubmissa ao conceito, a questão é mostrar que o conceito se funda nessa estrutura existencial.
Assim, por exemplo, no momento em que Hegel vai tratar da alteridade (e esse tema é uma inovação hegeliana: ele vai de par com a inovação do conceito de experiência), Sartre nota que Hegel fala do ponto de vista de uma totalidade, não de seu próprio ponto de vista: se Hegel pode falar em um Todo, em um mundo humano que é mais que um agregado de sujeitos, mais que uma soma de indivíduos, é porque ele encontra um laço que une intimamente os sujeitos e os faz depender uns dos outros; ora, mas Hegel só pode fazer isso, objeta o existencialista em registro kierkegaardiano, abstraindo de sua própria consciência, visando à relação entre as consciências dos outros, tornando equivalentes o seu ser e o ser dos outros; é a esse preço que ele pode falar em totalidade, ao preço de esquecer-se de si mesmo, de sua própria existência. O idealismo de Hegel está aqui, na passagem ao ponto de vista do Todo. No entanto, daí não se segue – é o momento hegeliano tal como o existencialista o interpreta – que os sujeitos estejam ilhados em suas consciências, que eles não formem um mundo humano, que a comunicação seja apenas equívoco, que o outro não possa captar-me no âmago do meu ser: a existência do outro é tão certa quanto a minha e eu nem mesmo colocaria essa questão se ela não se assentasse em uma intuição do outro. Em suma, o verdadeiro cogito é esse “ultrapassamento” para fora de si, essa exigência contínua de um mundo, de um fora, sem o qual ele nada é, mas ele não pode jamais desvencilhar-se de si mesmo e tornar-se essa exterioridade para a qual ele é perpétuo “ultrapassamento”. O sujeito é inteiramente consagrado ao mundo, ele é-no-mundo, continuadamente fora-de-si, mas não pode jamais desfazer-se de si mesmo e tornar-se outro: a síntese hegeliana é travada antes de ela passar adiante, antes de converter-se em idealidade.
Esse sujeito existencialista – mais especialmente: o sujeito sartriano, pois aqui, agora, falamos apenas de Sartre – guarda alguns traços do seu homônimo mais célebre, o sujeito cartesiano, mas o cartesianismo de Sartre é mediado pelas leituras de Husserl, sua referência intelectual mais próxima. Sartre guarda o primado do cogito (é do cogito que se deve partir, ele diz); acontece que esse primado, em Descartes, é idêntico ao primado do pensamento, ele implica um sujeito de pensamento, de representações, de idéias: as idéias são em Descartes aquilo a que o sujeito deve se confinar se quiser buscar a verdade. Ora, o cogito sartriano não seria possível sem a crítica prévia de Husserl à noção de representação. Essa crítica vai implodir o sujeito clássico enclausurado em meio a suas idéias, pois dela sobressai a necessidade de distinguir ato e correlato, a consciência e aquilo de que ela é consciência.
Dito de outro modo: o efeito mais visível da crítica husserliana é a necessidade de voltar à descrição de modos de consciência, modos que a noção clássica de representação ignora (modo imaginativo, perceptivo, signitivo, intelectual etc.); assim, atos de perceber, de imaginar, de inteligir são diferentes modos de consciência e implica diferentes correlatos, diferentes modos de “objeto”. Ou, em termos mais conhecidos: toda consciência é consciência de alguma coisa, implicam um correlato, conforme reza a fórmula clássica da intencionalidade. Cada um dos diferentes atos de consciência possui sua estrutura própria, sua “essência”, e é isso que um clássico é levado a ignorar no momento em que, por um lado, traduz tais modos em termos de “faculdades” (faculdade de imaginar, de sentir etc.), como se essas fossem predicados de um sujeito, e, por outro, lida com o operador geral “idéia”. Resulta daí um duplo prejuízo: o sujeito cartesiano é um sujeito genérico, como que o suporte das diferentes faculdades, e a esse sujeito genérico corresponde uma idéia pouco clara de “idéia”, já que ela ignora, por sua vez, os diferentes modos do objeto.
Ora, essa crítica husserliana vai entusiasmar o jovem Sartre – que dela vai fazer um uso bem peculiar. Todos se lembram da história contada por Simone de Beauvoir, segundo a qual Raymond Aron teria estimulado o jovem Sartre a passar uma temporada na Alemanha para estudar Husserl. O episódio famoso se passou em um café, diante de um coquetel de damasco, e Aron teria dito: “Estás vendo, meu camaradinha, se tu és fenomenólogo, podes falar deste coquetel e é filosofia”. A partir daí, Sartre passaria longos anos debruçado sobre a obra husserliana e dela retiraria as possibilidades que ele buscava desde jovem: a de definir novamente o sujeito, a de superar o primado do conhecimento (tão marcante na filosofia francesa de então), a de fazer jus à diversidade da experiência humana. Daí a insistência no conceito de intencionalidade: em interpretação sartriana, dizer que a consciência é intencional é o mesmo que dizer que ela alcança o objeto em sua transcendência, que o mundo não pode ser convertido em minha representação, que a consciência não é um lugar de representações. Assim, perceber uma árvore não é desvanecer a árvore em uma miríade de sensações coloridas, táteis, térmicas etc., que seriam “representações”: não há elementos subjetivos imanentes, diz Sartre, de modo que perceber uma árvore é alcançá-la lá onde ela está, fora de nós. Daí a insistência de que Husserl libertou o mundo psíquico de um enorme peso ao lançar os conteúdos para fora e definir a consciência como intenção dirigida para o mundo.
A metáfora clássica da consciência como uma caixa, um continente onde conteúdos se alojariam, dá lugar à metáfora moderna de um movimento, um direcionar-se para algo, uma ação: a metáfora do continente é tipicamente espacial, ilusão oriunda do equívoco de pensar o sujeito a partir do mundo espacial; mas o sujeito é “esvaziado” de representações, ou antes, ele não é um “dentro” por oposição a um “fora”, um “interior” por oposição a um “exterior”; ele é uma intenção, uma visada; assim, em vez de espacial (e, por isso, estático e contemplativo), o sujeito será pensado em paradigma temporal (e, por isso, dinâmico e ativo). É assim que o sujeito se dessubstancializa (e só um sujeito temporal pode ser não substancial) e, por conta disso, ele deve ser definido não mais por aquilo que é, mas apenas por aquilo que fizer.
A via aberta por Husserl é imensa e um vasto campo de trabalho se abre para Sartre. Não é à toa que, ainda nos anos 1930, logo depois de ter voltado de Berlim, Sartre se dedique a fazer a fenomenologia de um desses territórios: servindo-se de instrumentos husserlianos, Sartre se volta para a imaginação; ele escreve A imaginação, obra crítica que procura explorar a confusão clássica entre diferentes modos de consciência, confusão que termina por ignorar a especificidade do ato de imaginar, e, logo depois, O imaginário, exercício de “psicologia fenomenológica” no qual aplica o princípio da intencionalidade e revela a essência desse modo de consciência.
Mas o principal da via aberta por Husserl não está aí. O principal está consubstanciado em duas obras: em um pequeno texto, escrito ainda em Berlim, A transcendência do ego, e na obra maior de Sartre, O ser e o nada. É que nessas obras, mais do que em qualquer outra, Sartre traz à luz a união de duas estratégias aparentemente antagônicas: voltar-se para o sujeito existente, para o sujeito concreto no mundo, por um lado, e afirmar o primado do cogito, por outro. Para isso, é preciso redefinir o cogito, mas, antes disso, é preciso mostrar que o ego descoberto pela reflexão é uma criação dela. O que isso significa? Significa que o campo da consciência, em sua pureza, é sem ego, sem persona; só uma reflexão purificadora pode descortinar uma tal consciência sem alma. Aqui, Sartre leva ao limite o princípio da intencionalidade, tornando o próprio ego um objeto, um objeto especial, certamente, mas um objeto transcendente visado por nós a cada vez que operamos uma reflexão, isto é, a cada vez que reunimos nossos atos perpetuamente fluentes em uma unidade e dizemos: “eu lia”, “eu tocava piano” etc. Com isso, Sartre deixa em aberto a possibilidade de descrever a consciência em ação no mundo, aquela de nossa experiência espontânea, irrefletida, tal como ela é antes que nosso olhar reflexivo lance sobre ela aquilo que ela, originalmente, não tem.
Mas daí não se segue que a experiência irrefletida seja inconsciente de si mesma. Todo ato é consciente de si mesmo sem a necessidade de um concurso da reflexão, cada ato se sabe a si mesmo de dentro porque cada um deles, autonomamente, faz unidade consigo mesmo, e cada um se sabe a si mesmo sem que um Eu, além desse ato, o veja realizar-se, como se houvesse um pequeno Eu dentro de cada um de nós (como uma identidade além do fluxo dos atos) que os veria fluir e permaneceria incólume a essa fluência. O ato é para si, ele não é para um Eu. Daí porque Sartre vai dizer que toda consciência é consciente (de) si – assim mesmo, com o “de” entre parêntesis, designando com isso que essa consciência (de) si não representa uma segunda instância, que ela não exige um novo ato. Esse apuro obedece ao princípio fenomenológico de ausência de pressupostos, aquele que pretende acolher o fenômeno em sua pureza.
Ora, visto de perto, cada um desses traços apontados por nós – da herança de Kierkegaard, que afirma o primado do existente, à interpretação de Husserl, segundo a qual a filosofia vai encontrar o fenômeno (isto é, ela será verdadeiramente radical) se voltar-se para a experiência irrefletida – aponta para um mesmo alvo: o existencialismo sartriano muito facilmente pode ser confundido com uma forma de antropologia, isto é, de um discurso que se coloca no mesmo plano das ciências empíricas e que por isso compete com elas. É esse risco que coloca a questão maior ao existencialismo, questão cuja resposta exige longas considerações, a questão relativa ao estatuto do seu discurso: afinal, que é o existencialismo?
Luiz Damon Santos Moutinho
professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autor de Sartre: psicologia e fenomenologia (Ed. Brasiliense)
Fonte: http://revistacult.uol.com.br/
Por que os beduínos não se submetem
Por que os beduínos não se submetem
Por Adam Morrow e Khaled Moussa al-Omrani, da Agência IPS

Desde junho, a península do Sinai, na fronteira entre Israel e o território palestino de Gaza, é cenário de vários enfrentamentos entre beduínos e as forças de segurança do Egito
Os beduínos são uma comunidade nômade que vive nos desertos do Orientem Médio e África. Estima-se que na península do Sinai, entre os mares Mediterrâneo e Vermelho, vivam cerca de 380 mil, integrantes de 26 tribos.
“É uma região sensível, por sua proximidade com a Palestina ocupada”, considera o analista Amr Hashen Rabie, do Centro Al Ahram de Estudos Estratégicos e Políticos. Ele continua: “além disso, há uma crise de confiança antiga entra as tribos locais e a polícia”.
No final de setembro, registraram-se “enfrentamentos limitados” entre beduínos e forças de segurança, após uma tentativa de expulsá-los da zona que ocupam, no centro do Sinai. Uma semana antes, sete beduínos foram condenados a 35 anos de prisão por agredir, em maio, a policiais e “perturbar o comércio entre Egito e Israel”, segundo a imprensa estatal. Os líderes beduínos negam as acusações. “São invenções com finalidades políticas”, sustentou Mussa al-Delha, porta-voz das tribos do centro da península.
Pouco depois da decisão judicial, desconhecidos armados dispararam contra o entroncamento comercial de Al Auja, entre Egito e Israel. As operações foram temporariamente paralisadas. Em seguida, veículos blindados fustigaram povoados da tribo Tarabin e impuseram toque de recolher em sua área.
Não foram os primeiros distúrbios deste ano, na península do Sinai. Em junho, a polícia lançou uma campanha no centro da região, para capturar a beduínos procurados. As forças de segurança empregaram veículos armados, que teriam disparado de forma indiscriminada contra casas na zona de Wadi Aamer. Os beduínos responderam no mês seguinte, atacando um comboio de ônibus que se dirigiam a Gaza e atentando contra um gasoduto vital, próximo à fronteira.
As relações entre o governo e as tribos beduínas do Sinai – tensas, no melhor dos casos – deterioraram-se nos últimos seis anos. Um atentado triplo a bomba, no balneário de Taba, em 2004, provocou a morte de 34 pessoas e foi seguido por outras explosões.
No ano seguinte, 88 pessoas morreram em outro ataque, no balneário de Sharm el-Sheij. Em 2006, dezenas de pessoas perderam a vida na localidade turística de Dehab. Depois, voltaram as detenções maciças de habitantes da região, apesar de não haver provas de sua participação em episódios de violência.
Os distúrbios atuais são consequência da dura resposta policial a estes ataques, afirma Jalil Gabr, coordenador do Comitê Popular pelos Direitos Civis para o Norte e Centro do Sinai. “Deste então, a polícia trata os beduínos com desprezo e violência. O Estado é totalmente responsável pelo caos atual na península”.
Os líderes tribais reivindicaram várias vezes o fim da violência policia contra a população local e a liberdade dos beduínos detidos sem processo, após os atentados. Ainda há cerca de 4 mil pessoas presas, segundo um porta-voz da comunidade. Ativistas beduínos também pedem o desenvolvimento econômico da península, adiado historicamente pelo governo central, e oportunidades de emprego para a população local.
Após o atentado contra o gasoduto, pelo qual o gás natural flui até Israel, o ministério do Interior prometeu libertar diversos beduínos. No início destes mês, membros do partido do governo reuniram-se com líderes da etnia para escutar suas queixas e negociar uma trégua.
“Mas a trégua só durou duas semanas, devido às provocações da polícia”, frisou Gabr. “Muitos funcionários reconhecem que nossas reivindicações são legítimas, mas a polícia do Sinai insiste em submeter os beduínos pela força, um contexto que só agrava a tensão”, acrescentou. Segundo ele, “as ameaças contra interesses estratégicos do Egito levaram o governo a fazer certas concessões, como libertar mais de cem presos.
“Os beduínos aprenderam a explorar as fraquezas do governo”, afirma Rabie, do Centro Al-Ahram. “Por exemplo, organizam manifestações próximas à fronteira com Israel, bloqueiam vias comerciais ou ameaçam gasodutos, como forma de pressionar as autoridades para que atendam suas exigências. Além disso, não gostam de receber ordens”, frisou – “e os métodos da polícia costumam ser violentos e cruéis.
O acordo de Camp David, firmados em 1979, entre Egito e Israel, proíbem o Cairo de deslocar quantidade significativa de policiais ou soldados à sua fronteira nordeste. Além disso, o Egito não deseja nenhum tipo de tensão diplomática ou política nesta área delicada.
Fonte: http://www.outraspalavras.net/
Por Adam Morrow e Khaled Moussa al-Omrani, da Agência IPS

Desde junho, a península do Sinai, na fronteira entre Israel e o território palestino de Gaza, é cenário de vários enfrentamentos entre beduínos e as forças de segurança do Egito
Os beduínos são uma comunidade nômade que vive nos desertos do Orientem Médio e África. Estima-se que na península do Sinai, entre os mares Mediterrâneo e Vermelho, vivam cerca de 380 mil, integrantes de 26 tribos.
“É uma região sensível, por sua proximidade com a Palestina ocupada”, considera o analista Amr Hashen Rabie, do Centro Al Ahram de Estudos Estratégicos e Políticos. Ele continua: “além disso, há uma crise de confiança antiga entra as tribos locais e a polícia”.
No final de setembro, registraram-se “enfrentamentos limitados” entre beduínos e forças de segurança, após uma tentativa de expulsá-los da zona que ocupam, no centro do Sinai. Uma semana antes, sete beduínos foram condenados a 35 anos de prisão por agredir, em maio, a policiais e “perturbar o comércio entre Egito e Israel”, segundo a imprensa estatal. Os líderes beduínos negam as acusações. “São invenções com finalidades políticas”, sustentou Mussa al-Delha, porta-voz das tribos do centro da península.
Pouco depois da decisão judicial, desconhecidos armados dispararam contra o entroncamento comercial de Al Auja, entre Egito e Israel. As operações foram temporariamente paralisadas. Em seguida, veículos blindados fustigaram povoados da tribo Tarabin e impuseram toque de recolher em sua área.
Não foram os primeiros distúrbios deste ano, na península do Sinai. Em junho, a polícia lançou uma campanha no centro da região, para capturar a beduínos procurados. As forças de segurança empregaram veículos armados, que teriam disparado de forma indiscriminada contra casas na zona de Wadi Aamer. Os beduínos responderam no mês seguinte, atacando um comboio de ônibus que se dirigiam a Gaza e atentando contra um gasoduto vital, próximo à fronteira.
As relações entre o governo e as tribos beduínas do Sinai – tensas, no melhor dos casos – deterioraram-se nos últimos seis anos. Um atentado triplo a bomba, no balneário de Taba, em 2004, provocou a morte de 34 pessoas e foi seguido por outras explosões.
No ano seguinte, 88 pessoas morreram em outro ataque, no balneário de Sharm el-Sheij. Em 2006, dezenas de pessoas perderam a vida na localidade turística de Dehab. Depois, voltaram as detenções maciças de habitantes da região, apesar de não haver provas de sua participação em episódios de violência.
Os distúrbios atuais são consequência da dura resposta policial a estes ataques, afirma Jalil Gabr, coordenador do Comitê Popular pelos Direitos Civis para o Norte e Centro do Sinai. “Deste então, a polícia trata os beduínos com desprezo e violência. O Estado é totalmente responsável pelo caos atual na península”.
Os líderes tribais reivindicaram várias vezes o fim da violência policia contra a população local e a liberdade dos beduínos detidos sem processo, após os atentados. Ainda há cerca de 4 mil pessoas presas, segundo um porta-voz da comunidade. Ativistas beduínos também pedem o desenvolvimento econômico da península, adiado historicamente pelo governo central, e oportunidades de emprego para a população local.
Após o atentado contra o gasoduto, pelo qual o gás natural flui até Israel, o ministério do Interior prometeu libertar diversos beduínos. No início destes mês, membros do partido do governo reuniram-se com líderes da etnia para escutar suas queixas e negociar uma trégua.
“Mas a trégua só durou duas semanas, devido às provocações da polícia”, frisou Gabr. “Muitos funcionários reconhecem que nossas reivindicações são legítimas, mas a polícia do Sinai insiste em submeter os beduínos pela força, um contexto que só agrava a tensão”, acrescentou. Segundo ele, “as ameaças contra interesses estratégicos do Egito levaram o governo a fazer certas concessões, como libertar mais de cem presos.
“Os beduínos aprenderam a explorar as fraquezas do governo”, afirma Rabie, do Centro Al-Ahram. “Por exemplo, organizam manifestações próximas à fronteira com Israel, bloqueiam vias comerciais ou ameaçam gasodutos, como forma de pressionar as autoridades para que atendam suas exigências. Além disso, não gostam de receber ordens”, frisou – “e os métodos da polícia costumam ser violentos e cruéis.
O acordo de Camp David, firmados em 1979, entre Egito e Israel, proíbem o Cairo de deslocar quantidade significativa de policiais ou soldados à sua fronteira nordeste. Além disso, o Egito não deseja nenhum tipo de tensão diplomática ou política nesta área delicada.
Fonte: http://www.outraspalavras.net/
Escritor afirma que internet está prejudicando nossas atividades cerebrais
Escritor afirma que internet está prejudicando nossas atividades cerebrais
Para o norte-americano Nicholas Carr, não conseguimos mais ler com a concentração necessária e a culpa disso é da internet. Hipótese demasiado pessimista ou simples realidade?
Ler e assimilar informações é algo que acontece na era digital de maneira completamente distinta dos velhos tempos. A maior parte das pessoas informa-se, hoje em dia, através da web. E quem ainda se aventura a pegar um livro ou um jornal, acaba não raramente sendo interrompido pela mídia digital, já que a internet está onipresente.
O BlackBerry registra novos e-mails, as redes sociais alertam para novas mensagens e o próximo tweet também não espera. Não importa se na vida privada ou profissional, o hype é ser multitasking.
A internet está bagunçando nosso cérebro?
Os usuários de internet só ficam na superfície, diz Nicholas Carr, jornalista norte-americano especializado em Ciência. Carr já havia suscitado, há dois anos, uma polêmica internacional com seu ensaio O Google está nos tornando estúpidos?
Em seu livro The Shallows. What The Internet Is Doing To Our Brains (Os Superficiais. O que a internet está fazendo com nossos cérebros), o autor sugere, ele próprio, uma resposta à sua pergunta. Sua tese é de que a sociedade digital não consegue mais se concentrar porque os usuários da rede são constantemente atacados com uma avalanche de informações, de forma que essas informações não conseguem se firmar na memória de longo prazo.
O autor não exclui a si próprio: "Nos últimos anos, fui várias vezes acometido pela sensação de que alguém ou algo estaria bagunçando meu cérebro. Hoje, não penso mais da mesma forma que antigamente", diz Carr. Isso, segundo ele, fica visível sobretudo no ato de ler, quando, depois de uma ou duas páginas, os pensamentos começam a se dispersar.
O autor, no entanto, não culpa apenas a internet em si. Embora saiba estimar as conquistas da revolução digital, ele acha que a internet também nos impede de compreender temas complexos.
Resultados de pesquisas sobre o funcionamento do cérebro
Carr não está sozinho com seus temores. Em 2009, Frank Schirrmacher, um dos editores do diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, publicou o livro Payback. Por que nós, na era da informação, somos obrigados a fazer coisas que não queremos, e como podemos recuperar o controle sobre nosso pensamento.
Schirrmacher queixa-se no livro sobre distúrbios de concentração semelhantes aos mencionados por Carr e sobre a falta de discernimento da sociedade digital, que não consegue separar informações importantes das irrelevantes.
Na época, Carr cumprimentou Schirrmacher por sua obra, definindo-a como a mais importante contribuição para o debate sobre a internet até então. Schirrmacher, por sua vez, assina o prefácio do recente livro de Carr.
Aos 51 anos, Carr, ex-aluno da Universidade de elite de Harvard, recheia suas teses com resultados de pesquisas sobre o funcionamento do cérebro, como por exemplo com a menção das "mudanças neoplásticas" – conceito segundo o qual o cérebro não é um sistema estático, mas sim em constantes mudanças provocadas por novos impulsos.
Carr remete também a um estudo neurológico feito pela Universidade da Califórnia, no ano de 2008, no qual dois pesquisadores desenharam as correntes cerebrais de dois grupos de pessoas, enquanto estas usavam máquinas de busca na internet.
Um grupo tinha experiência no uso do Google, o outro, não. Os cérebros dos inexperientes mostraram, em um curto espaço de tempo, os mesmos valores de atividade cerebral que os dos conhecedores da máquina de busca. Até aí, tudo bem.
No entanto, Carr conclui – ao contrário dos cientistas da Universidade da Califórnia – que o alto índice de atividade cerebral significa ao mesmo tempo um enfraquecimento da memória de longo prazo.
"Carr tem e não tem razão ao mesmo tempo"
Peter Kruse, pesquisador alemão de tendências, estuda as consequências sociais da cultura de rede. Kruse concorda com Carr quando o assunto é a leitura, apontando como de grande valor o discurso do autor norte-americano em defesa do livro.
Entretanto, Kruse critica as declarações de Carr no que diz respeito à internet, considerando "indiscutível" a tese de que a rede reduz a capacidade do ser humano de assimilar conhecimentos profundos sobre temas específicos.
"Isso não depende somente da rede, mas também da intenção do usuário'", diz Kruse, para quem Carr esquece que a cultura de rede é um fenômeno social coletivo, que não pode ser atrelado a problemas individuais de concentração para a leitura. Muito além disso, analisa Kruse, é preciso assegurar que as informações sejam suficientemente refletidas pelo usuário da rede.
Uma tarefa social que não tem, contudo, de acordo com o pesquisador alemão, nada a ver com a internet, mas sim com o nível de formação do usuário. Sendo assim, Kruse chega à seguinte conclusão paradoxal: "Carr tem e não tem razão ao mesmo tempo".
Ao contrário do autor norte-americano, Kruse vê na rede uma oportunidade: "Do ponto de vista cultural, a internet é mais uma resposta à forma de lidar com a complexidade".
Infelizmente, apesar de todo seu pessimismo em relação à internet, Carr não dá nenhuma dica primordial de leitura, à qual o usuário deveria se manter atento. Ele se resume a aconselhar o usuário da rede a encontrar um equilíbrio saudável entre a leitura e a reflexão. Ou seja, nenhuma descoberta que poderá mudar o mundo.
No entanto, apesar de todas as críticas, o livro de Carr é divertido e induz à reflexão sobre a efemeridade da era digital, enriquecendo o debate internacional sobre a internet, do qual participam também profissionais ligados à Psicologia e à Neurobiologia.
Autora: Franziska Schmidt (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: http://www.dw-world.de
Para o norte-americano Nicholas Carr, não conseguimos mais ler com a concentração necessária e a culpa disso é da internet. Hipótese demasiado pessimista ou simples realidade?
Ler e assimilar informações é algo que acontece na era digital de maneira completamente distinta dos velhos tempos. A maior parte das pessoas informa-se, hoje em dia, através da web. E quem ainda se aventura a pegar um livro ou um jornal, acaba não raramente sendo interrompido pela mídia digital, já que a internet está onipresente.
O BlackBerry registra novos e-mails, as redes sociais alertam para novas mensagens e o próximo tweet também não espera. Não importa se na vida privada ou profissional, o hype é ser multitasking.
A internet está bagunçando nosso cérebro?
Os usuários de internet só ficam na superfície, diz Nicholas Carr, jornalista norte-americano especializado em Ciência. Carr já havia suscitado, há dois anos, uma polêmica internacional com seu ensaio O Google está nos tornando estúpidos?
Em seu livro The Shallows. What The Internet Is Doing To Our Brains (Os Superficiais. O que a internet está fazendo com nossos cérebros), o autor sugere, ele próprio, uma resposta à sua pergunta. Sua tese é de que a sociedade digital não consegue mais se concentrar porque os usuários da rede são constantemente atacados com uma avalanche de informações, de forma que essas informações não conseguem se firmar na memória de longo prazo.
O autor não exclui a si próprio: "Nos últimos anos, fui várias vezes acometido pela sensação de que alguém ou algo estaria bagunçando meu cérebro. Hoje, não penso mais da mesma forma que antigamente", diz Carr. Isso, segundo ele, fica visível sobretudo no ato de ler, quando, depois de uma ou duas páginas, os pensamentos começam a se dispersar.
O autor, no entanto, não culpa apenas a internet em si. Embora saiba estimar as conquistas da revolução digital, ele acha que a internet também nos impede de compreender temas complexos.
Resultados de pesquisas sobre o funcionamento do cérebro
Carr não está sozinho com seus temores. Em 2009, Frank Schirrmacher, um dos editores do diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, publicou o livro Payback. Por que nós, na era da informação, somos obrigados a fazer coisas que não queremos, e como podemos recuperar o controle sobre nosso pensamento.
Schirrmacher queixa-se no livro sobre distúrbios de concentração semelhantes aos mencionados por Carr e sobre a falta de discernimento da sociedade digital, que não consegue separar informações importantes das irrelevantes.
Na época, Carr cumprimentou Schirrmacher por sua obra, definindo-a como a mais importante contribuição para o debate sobre a internet até então. Schirrmacher, por sua vez, assina o prefácio do recente livro de Carr.
Aos 51 anos, Carr, ex-aluno da Universidade de elite de Harvard, recheia suas teses com resultados de pesquisas sobre o funcionamento do cérebro, como por exemplo com a menção das "mudanças neoplásticas" – conceito segundo o qual o cérebro não é um sistema estático, mas sim em constantes mudanças provocadas por novos impulsos.
Carr remete também a um estudo neurológico feito pela Universidade da Califórnia, no ano de 2008, no qual dois pesquisadores desenharam as correntes cerebrais de dois grupos de pessoas, enquanto estas usavam máquinas de busca na internet.
Um grupo tinha experiência no uso do Google, o outro, não. Os cérebros dos inexperientes mostraram, em um curto espaço de tempo, os mesmos valores de atividade cerebral que os dos conhecedores da máquina de busca. Até aí, tudo bem.
No entanto, Carr conclui – ao contrário dos cientistas da Universidade da Califórnia – que o alto índice de atividade cerebral significa ao mesmo tempo um enfraquecimento da memória de longo prazo.
"Carr tem e não tem razão ao mesmo tempo"
Peter Kruse, pesquisador alemão de tendências, estuda as consequências sociais da cultura de rede. Kruse concorda com Carr quando o assunto é a leitura, apontando como de grande valor o discurso do autor norte-americano em defesa do livro.
Entretanto, Kruse critica as declarações de Carr no que diz respeito à internet, considerando "indiscutível" a tese de que a rede reduz a capacidade do ser humano de assimilar conhecimentos profundos sobre temas específicos.
"Isso não depende somente da rede, mas também da intenção do usuário'", diz Kruse, para quem Carr esquece que a cultura de rede é um fenômeno social coletivo, que não pode ser atrelado a problemas individuais de concentração para a leitura. Muito além disso, analisa Kruse, é preciso assegurar que as informações sejam suficientemente refletidas pelo usuário da rede.
Uma tarefa social que não tem, contudo, de acordo com o pesquisador alemão, nada a ver com a internet, mas sim com o nível de formação do usuário. Sendo assim, Kruse chega à seguinte conclusão paradoxal: "Carr tem e não tem razão ao mesmo tempo".
Ao contrário do autor norte-americano, Kruse vê na rede uma oportunidade: "Do ponto de vista cultural, a internet é mais uma resposta à forma de lidar com a complexidade".
Infelizmente, apesar de todo seu pessimismo em relação à internet, Carr não dá nenhuma dica primordial de leitura, à qual o usuário deveria se manter atento. Ele se resume a aconselhar o usuário da rede a encontrar um equilíbrio saudável entre a leitura e a reflexão. Ou seja, nenhuma descoberta que poderá mudar o mundo.
No entanto, apesar de todas as críticas, o livro de Carr é divertido e induz à reflexão sobre a efemeridade da era digital, enriquecendo o debate internacional sobre a internet, do qual participam também profissionais ligados à Psicologia e à Neurobiologia.
Autora: Franziska Schmidt (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: http://www.dw-world.de
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
[Reino Unido] Punk para o Povo - por ANA
[Reino Unido] Punk para o Povo

The Story of Crass traça a história criativa e as raízes de um ativismo social dos punk rockers do Reino Unido
A cultura Punk Rock é diversa, desde os okupas anarquistas mais radicais aos sucessos de rádio de um punk-pop adolescente, e dentro desse panorama não existem dúvidas que o lendário coletivo britânico Crass deixou a sua marca na história do punk rock.
Os Crass apareceram na cena punk britânica nos finais dos anos 70, dotados de um som e de uma prática política que desafiou e transformou o gênero. Letras flamejantes apontadas ao Estado e às autoridades políticas superaram interpretações artísticas mais vagas no som do punk rock, ao mesmo tempo que membros do coletivo Crass se juntavam ativamente a lutas populares da época, levando as letras à prática enquanto ativistas sociais.
The Story of Crass (A História dos Crass), de George Berger, oferece uma impressionante e profunda descrição sobre a formação e trajetória dos Crass. Para além do punk, o livro oferece uma visão importante sobre o contexto político nas Ilhas Britânicas durante a era pós-hippie e de depressão econômica dos finais dos anos 70, que alimentaram o aparecimento da cultura punk no Reino Unido.
A icônica meditação do dramaturgo Bertolt Brecht "a Arte não é um espelho onde a realidade se reflete, mas um martelo que ajuda a dar-lhe forma", apropriadamente inicia um capítulo chave: a arte, para a banda, é vividamente descrita nas páginas biográficas como um processo criativo diretamente ligado ao confronto com as injustiças sociais compreendidas na época.
A sua forma singular de assumir uma cultura punk, granjeou ao grupo um estatuto permanente na história contemporânea do punk, ainda que A História dos Crass aponte para a rejeição do estrelato por parte do grupo, especialmente no seu auge, assim como aprofunda as origens de uma prática de rejeição publicitária de coletivos musicais revolucionários reconhecidos tais como os Godspeed You! Black Emperor, que continuam a desconcertar a imprensa musical ainda hoje.
"Talvez tenha passado despercebido aos membros dos Crass que a sua deliberada política de anonimato, misturada com estórias sobre uma remota rocinha no campo, lhes tenham emprestado uma certa mística dentro do circuito punk", escreve Berger. "Toda a gente quer saber a resposta a um segredo, tal como qualquer mágico de palco ou fisiologista amador poderá testemunhar".
De fato, um dos muitos segredos abertos dos Crass, como nos diz o livro, é a sua expressão de uma honesta fúria popular contra as injustiças sociais da era Margret Thatcher. Ao unir a música, o ativismo político e a experimentação artística durante um período em que a agitação política abundava, os Crass deixaram a sua marca na história cultural contemporânea.
O livro vai para além dos chavões, para detalhar as múltiplas influências artísticas da banda, que conhecidamente combinava uma colagem do som, projeções ao vivo, guitarras ruidosas, vocalizações punk rock e amostras de som ainda antes da música feita por computador. É certo que a ressonância dos Crass está também ligada à sua experimentação artística inovadora, já que o coletivo orquestrava não apenas um som único mas também alguns dos primeiros projetos de graffiti no Reino Unido.
"Outra linha do assalto multimídia dos Crass à conformidade apareceu no fórum sobre a campanha do graffiti de stencil", descreve em linhas gerais Berger. "A febre do graffiti de stencil tornou-se uma pequena revolução no Reino Unido durante algum tempo, já que as pessoas seguiam a iniciativa dos Crass ao longo de todo o país, usando os seus slogans políticos, subvertendo anúncios ("Sub-vertising") e a sociedade por todo o lado". A História dos Crass aponta também para uma duradoura influência cultural dos Crass na arte de rua, citando artistas conhecidos a nível global tais como Banksy.
A História dos Crass tenta seguir o rasto à cena cultural punk que deu origem aos Crass através de sub-culturas dos finais da década de 60, quebrando um tabu da sub-cultura punk ao destacar uma trajetória-história entre a época hippie e a do punk rock, que faria Sid Vicious dar voltas no túmulo. Mas a tentativa dos Crass de articularem sonhos revolucionários, na ação e na música, vai para além de rótulos culturais como o do punk rock. Fundamental para a compreensão da contínua relevância dos Crass ainda hoje é a natureza universal das idéias anarquistas que alimentaram o grupo.
Stefan Christoff
A História dos Crass, por George Berger (PM Press), 304 págs.
Mais infos: http://www.pmpress.org
Tradução > P.
agência de notícias anarquistas-ana
Lanternas quebradas
pirilampos precavidos
não vagam na noite.
Urhacy Faustino

The Story of Crass traça a história criativa e as raízes de um ativismo social dos punk rockers do Reino Unido
A cultura Punk Rock é diversa, desde os okupas anarquistas mais radicais aos sucessos de rádio de um punk-pop adolescente, e dentro desse panorama não existem dúvidas que o lendário coletivo britânico Crass deixou a sua marca na história do punk rock.
Os Crass apareceram na cena punk britânica nos finais dos anos 70, dotados de um som e de uma prática política que desafiou e transformou o gênero. Letras flamejantes apontadas ao Estado e às autoridades políticas superaram interpretações artísticas mais vagas no som do punk rock, ao mesmo tempo que membros do coletivo Crass se juntavam ativamente a lutas populares da época, levando as letras à prática enquanto ativistas sociais.
The Story of Crass (A História dos Crass), de George Berger, oferece uma impressionante e profunda descrição sobre a formação e trajetória dos Crass. Para além do punk, o livro oferece uma visão importante sobre o contexto político nas Ilhas Britânicas durante a era pós-hippie e de depressão econômica dos finais dos anos 70, que alimentaram o aparecimento da cultura punk no Reino Unido.
A icônica meditação do dramaturgo Bertolt Brecht "a Arte não é um espelho onde a realidade se reflete, mas um martelo que ajuda a dar-lhe forma", apropriadamente inicia um capítulo chave: a arte, para a banda, é vividamente descrita nas páginas biográficas como um processo criativo diretamente ligado ao confronto com as injustiças sociais compreendidas na época.
A sua forma singular de assumir uma cultura punk, granjeou ao grupo um estatuto permanente na história contemporânea do punk, ainda que A História dos Crass aponte para a rejeição do estrelato por parte do grupo, especialmente no seu auge, assim como aprofunda as origens de uma prática de rejeição publicitária de coletivos musicais revolucionários reconhecidos tais como os Godspeed You! Black Emperor, que continuam a desconcertar a imprensa musical ainda hoje.
"Talvez tenha passado despercebido aos membros dos Crass que a sua deliberada política de anonimato, misturada com estórias sobre uma remota rocinha no campo, lhes tenham emprestado uma certa mística dentro do circuito punk", escreve Berger. "Toda a gente quer saber a resposta a um segredo, tal como qualquer mágico de palco ou fisiologista amador poderá testemunhar".
De fato, um dos muitos segredos abertos dos Crass, como nos diz o livro, é a sua expressão de uma honesta fúria popular contra as injustiças sociais da era Margret Thatcher. Ao unir a música, o ativismo político e a experimentação artística durante um período em que a agitação política abundava, os Crass deixaram a sua marca na história cultural contemporânea.
O livro vai para além dos chavões, para detalhar as múltiplas influências artísticas da banda, que conhecidamente combinava uma colagem do som, projeções ao vivo, guitarras ruidosas, vocalizações punk rock e amostras de som ainda antes da música feita por computador. É certo que a ressonância dos Crass está também ligada à sua experimentação artística inovadora, já que o coletivo orquestrava não apenas um som único mas também alguns dos primeiros projetos de graffiti no Reino Unido.
"Outra linha do assalto multimídia dos Crass à conformidade apareceu no fórum sobre a campanha do graffiti de stencil", descreve em linhas gerais Berger. "A febre do graffiti de stencil tornou-se uma pequena revolução no Reino Unido durante algum tempo, já que as pessoas seguiam a iniciativa dos Crass ao longo de todo o país, usando os seus slogans políticos, subvertendo anúncios ("Sub-vertising") e a sociedade por todo o lado". A História dos Crass aponta também para uma duradoura influência cultural dos Crass na arte de rua, citando artistas conhecidos a nível global tais como Banksy.
A História dos Crass tenta seguir o rasto à cena cultural punk que deu origem aos Crass através de sub-culturas dos finais da década de 60, quebrando um tabu da sub-cultura punk ao destacar uma trajetória-história entre a época hippie e a do punk rock, que faria Sid Vicious dar voltas no túmulo. Mas a tentativa dos Crass de articularem sonhos revolucionários, na ação e na música, vai para além de rótulos culturais como o do punk rock. Fundamental para a compreensão da contínua relevância dos Crass ainda hoje é a natureza universal das idéias anarquistas que alimentaram o grupo.
Stefan Christoff
A História dos Crass, por George Berger (PM Press), 304 págs.
Mais infos: http://www.pmpress.org
Tradução > P.
agência de notícias anarquistas-ana
Lanternas quebradas
pirilampos precavidos
não vagam na noite.
Urhacy Faustino
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Cadê a vadia que disse que o problema do Metrô era “sabotagem”!!!
IC aponta falha técnica, e não blusa, como causa de pane que parou o metrô
Em Setembro rapidamente apareceram os mesmos que queriam transformar a eleição brasileira em guerra dizendo que o Metrô tinha sido sabotado!
E agora como é que fica?
A maioria dos que aparecem na mídia para falar do Metrô jamais o utilizaram em horários de pico, é um monte de imbecis que falar de algo que não conhecem.
Utilizo o Metrô desde 84 para sair de Itaquera e chegar à Praça da República, no início o final era no Tatuapé, depois de alguns anos passou a ser na Penha, depois de mais alguns anos o Metrô chegou a Itaquera.
O Metrô é lotado, o Metrô não comporta o povo que sai da Zona Leste com destino ao Centro, Paulista e região, os funcionários do Metrô são ruins e os Agentes de Segurança estão mais preocupados em ver as mulheres bonitas do que informar e ajudar os usuários, sem contar que os Agentes de Seguranças são mais broncos do que a polícia, e ainda se acham Autoridades!
Cadê a propaganda que o no ano todo disse que o Metrô iria para todas as regiões em 15, 25 minutos – o derrotado disse que o usuário que utilizasse o Metrô na estação Patriarca na zona leste chegaria ao Morumbi em 20 minutos, cadê? A propaganda enganosa é só do adversário?
Aí aparece uma Ameba que saiu pulando de galho em galho atrás de um biquinho em algum partido político, agora achou, achou um partido de um ótimo partido, como ela que ao toque do patrão vai mudando de coloração.
Provos Brasil

Em Setembro rapidamente apareceram os mesmos que queriam transformar a eleição brasileira em guerra dizendo que o Metrô tinha sido sabotado!
E agora como é que fica?
A maioria dos que aparecem na mídia para falar do Metrô jamais o utilizaram em horários de pico, é um monte de imbecis que falar de algo que não conhecem.
Utilizo o Metrô desde 84 para sair de Itaquera e chegar à Praça da República, no início o final era no Tatuapé, depois de alguns anos passou a ser na Penha, depois de mais alguns anos o Metrô chegou a Itaquera.
O Metrô é lotado, o Metrô não comporta o povo que sai da Zona Leste com destino ao Centro, Paulista e região, os funcionários do Metrô são ruins e os Agentes de Segurança estão mais preocupados em ver as mulheres bonitas do que informar e ajudar os usuários, sem contar que os Agentes de Seguranças são mais broncos do que a polícia, e ainda se acham Autoridades!
Cadê a propaganda que o no ano todo disse que o Metrô iria para todas as regiões em 15, 25 minutos – o derrotado disse que o usuário que utilizasse o Metrô na estação Patriarca na zona leste chegaria ao Morumbi em 20 minutos, cadê? A propaganda enganosa é só do adversário?
Aí aparece uma Ameba que saiu pulando de galho em galho atrás de um biquinho em algum partido político, agora achou, achou um partido de um ótimo partido, como ela que ao toque do patrão vai mudando de coloração.
Provos Brasil
Para Ramonet, jornalismo atravessa grave crise de identidade - El Periódico (Espanha)
Para Ramonet, jornalismo atravessa grave crise de identidade
O jornalista Ignácio Ramonet, ao receber o Prêmio Antonio Asensio, em Barcelona, criticou aqueles que fazem “entretenimento domesticado” ao invés de fazer jornalismo. “A imprensa escrita”, assinalou, “vive um dos momentos mais difíceis, e o jornalismo atravessa uma grave crise de identidade. O importante se dilui no trivial e o sensacionalismo substitui a explicação. A informação é algo muito sério, pois de sua qualidade depende a qualidade da democracia. Para ele, ainda há muitas injustiças no mundo que justificam uma concepção do jornalismo a favor de mais liberdade, justiça e democracia”.
El Periódico (Espanha)
Data: 02/11/2010
No dia 27 de agosto, Ignácio Ramonet desafiou, desde a tribuna do Pequeno Palácio da Música, em Barcelona, a todos aqueles que defendem que o jornalismo – e o jornalista – já não são necessários, e que afirmam que a informação circula mais livre, mais abundante e mais transparente do que nunca. Frente a estes, sentenciou que não: que “a massa de informação oculta supera o imaginável em muitos temas“, que “na democracia a batalha pela liberdade de expressão nunca está definitivamente terminada”, e que os jornalistas devem existir porque uma de suas tarefas é “ampliar os limites dessa liberdade”.
A entrega do oitavo prêmio Antonio Asensio de Jornalismo, homenagem concedida pelo grupo Zeta em memória de seu fundador, foi – e provavelmente muitos antecipavam que, sendo Ramonet o premiado, seria assim – reivindicativa: uma tranqüila, mas robusta, reivindicação do jornalismo.
Ramonet é diretor da edição espanhola do Le Monde Diplomatique e figura proeminente da esquerda. Em seu discurso, o presidente do grupo Zeta, José Montilla, lembrou que o prêmio foi outorgado a ele “enquanto jornalista e ativista, por seu trabalho no Le Monde Diplomatique, mas também por suas iniciativas sociais”. Ramonet citou a divulgação de documentos do Pentágono feito pelo Wikileaks como exemplo do jornalismo com rótulo: o rótulo do necessário. “Ultimamente alguns grandes conglomerados de comunicação de dimensão continental e mesmo planetária querem converter o jornalismo em um entretenimento domesticado, em uma tediosa simplificação da realidade. O importante se dilui no trivial e o sensacionalismo substitui a explicação. Felizmente, mesmo neste novo contexto, podem surgir forças resistentes, como o Wikileaks está demonstrando”.
Sem dizê-lo, porém, Ramonet insinuou que Wikileaks é mais a exceção e menos a regra. “A imprensa escrita”, assinalou, “vive um dos momentos mais difíceis, e o jornalismo atravessa uma grave crise de identidade. Digo isso sem nostalgia, porque não creio que tenha existido uma idade de ouro do jornalismo. Fazer jornalismo de qualidade jamais foi fácil, sempre comportou riscos e ameaças: o poder político e o poder do dinheiro, e freqüentemente os dois, sempre trataram de coagir sua liberdade”.
Frente a este estado de coisas, “o jornalista deve reafirmar sua vontade de saber e compreender para poder transmitir”, disse ainda Ramonet. “Quando todos os meios de deixam arrastar pela velocidade e pela instantaneidade, o jornalista deve considerar que o importante é frear, desacelerar, conceder-se tempo para a dúvida, a análise e a reflexão. A informação é algo muito sério, porque de sua qualidade depende a qualidade da democracia”. E fez um último chamamento: “Ainda existem muitas injustiças no mundo que justificam uma concepção do jornalismo a favor de mais liberdade, justiça e democracia”.
A fala de Ramonet não foi um discurso isolado. O seu diagnóstico sobre o estado das coisas no jornalismo coincidiu, em termos gerais, com as palavras de Montilla, que disse que “as novas tecnologias não deveriam supor a desaparição da profissão jornalística” e defendeu profissionais rigorosos e com independência de critérios. Na mesma linha, o presidente da comissão executiva do grupo Zeta, Juan Llopart, falou dos “momentos incertos e confusos que vive o jornalismo” (provocados, em parte, para ele, pela “vertiginosa revolução tecnológica”) e reivindicou o rigor intelectual, o profissionalismo e o compromisso nas salas de redação. Valores que, concluiu, Ramonet representa.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/
O jornalista Ignácio Ramonet, ao receber o Prêmio Antonio Asensio, em Barcelona, criticou aqueles que fazem “entretenimento domesticado” ao invés de fazer jornalismo. “A imprensa escrita”, assinalou, “vive um dos momentos mais difíceis, e o jornalismo atravessa uma grave crise de identidade. O importante se dilui no trivial e o sensacionalismo substitui a explicação. A informação é algo muito sério, pois de sua qualidade depende a qualidade da democracia. Para ele, ainda há muitas injustiças no mundo que justificam uma concepção do jornalismo a favor de mais liberdade, justiça e democracia”.
El Periódico (Espanha)
Data: 02/11/2010
No dia 27 de agosto, Ignácio Ramonet desafiou, desde a tribuna do Pequeno Palácio da Música, em Barcelona, a todos aqueles que defendem que o jornalismo – e o jornalista – já não são necessários, e que afirmam que a informação circula mais livre, mais abundante e mais transparente do que nunca. Frente a estes, sentenciou que não: que “a massa de informação oculta supera o imaginável em muitos temas“, que “na democracia a batalha pela liberdade de expressão nunca está definitivamente terminada”, e que os jornalistas devem existir porque uma de suas tarefas é “ampliar os limites dessa liberdade”.
A entrega do oitavo prêmio Antonio Asensio de Jornalismo, homenagem concedida pelo grupo Zeta em memória de seu fundador, foi – e provavelmente muitos antecipavam que, sendo Ramonet o premiado, seria assim – reivindicativa: uma tranqüila, mas robusta, reivindicação do jornalismo.
Ramonet é diretor da edição espanhola do Le Monde Diplomatique e figura proeminente da esquerda. Em seu discurso, o presidente do grupo Zeta, José Montilla, lembrou que o prêmio foi outorgado a ele “enquanto jornalista e ativista, por seu trabalho no Le Monde Diplomatique, mas também por suas iniciativas sociais”. Ramonet citou a divulgação de documentos do Pentágono feito pelo Wikileaks como exemplo do jornalismo com rótulo: o rótulo do necessário. “Ultimamente alguns grandes conglomerados de comunicação de dimensão continental e mesmo planetária querem converter o jornalismo em um entretenimento domesticado, em uma tediosa simplificação da realidade. O importante se dilui no trivial e o sensacionalismo substitui a explicação. Felizmente, mesmo neste novo contexto, podem surgir forças resistentes, como o Wikileaks está demonstrando”.
Sem dizê-lo, porém, Ramonet insinuou que Wikileaks é mais a exceção e menos a regra. “A imprensa escrita”, assinalou, “vive um dos momentos mais difíceis, e o jornalismo atravessa uma grave crise de identidade. Digo isso sem nostalgia, porque não creio que tenha existido uma idade de ouro do jornalismo. Fazer jornalismo de qualidade jamais foi fácil, sempre comportou riscos e ameaças: o poder político e o poder do dinheiro, e freqüentemente os dois, sempre trataram de coagir sua liberdade”.
Frente a este estado de coisas, “o jornalista deve reafirmar sua vontade de saber e compreender para poder transmitir”, disse ainda Ramonet. “Quando todos os meios de deixam arrastar pela velocidade e pela instantaneidade, o jornalista deve considerar que o importante é frear, desacelerar, conceder-se tempo para a dúvida, a análise e a reflexão. A informação é algo muito sério, porque de sua qualidade depende a qualidade da democracia”. E fez um último chamamento: “Ainda existem muitas injustiças no mundo que justificam uma concepção do jornalismo a favor de mais liberdade, justiça e democracia”.
A fala de Ramonet não foi um discurso isolado. O seu diagnóstico sobre o estado das coisas no jornalismo coincidiu, em termos gerais, com as palavras de Montilla, que disse que “as novas tecnologias não deveriam supor a desaparição da profissão jornalística” e defendeu profissionais rigorosos e com independência de critérios. Na mesma linha, o presidente da comissão executiva do grupo Zeta, Juan Llopart, falou dos “momentos incertos e confusos que vive o jornalismo” (provocados, em parte, para ele, pela “vertiginosa revolução tecnológica”) e reivindicou o rigor intelectual, o profissionalismo e o compromisso nas salas de redação. Valores que, concluiu, Ramonet representa.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/
O Surf esta de luto!

A morte do surfista Andy Irons, de apenas 32 anos de idade, chocou o mundo dos esportes na noite desta terça-feira. Irons foi tricampeão mundial de surfe e seu domínio no circuito foi um dos grandes fatores que motivou Kelly Slater, mito do esporte e prestes a conquistar seu décimo campeonato, a voltar.
Segundo o diretor da ASP (Associação dos surfistas profissionais), Renato Hickel,
Irons chegou em Isabela, Porto Rico, muito desidratado e com uma aparente virose. O surfista escolheu voltar para sua residência no Havai, mas durante uma escala em Dallas foi impedido de embarcar devido ao seu estado de saúde.
Irons se hospedou em um hotel para repousar. O surfista foi encontrado no dia seguinte morto. Segundo sua família, Irons faleceu em decorrência de um dengue hemorrágica.


Fonte: http://espnbrasil.terra.com.br/surfe/
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Uma estória do México segundo Diego Rivera - por Débora Cambé
Uma estória do México segundo Diego Rivera - por Débora Cambé
Diego Rivera, 1933 © Esther Born
Diego Rivera (1886-1957) foi um homem de paixões: sobejamente conhecido pela sua fama de mulherengo, nutria um grande afecto pelas suas raízes e expressava os seus ideais comunistas sem medos. A sua arte era a sua forma de comunicar com o povo. Não uma elite de intelectuais, mas todos os que no início do século XX tentavam sobreviver à guerra civil mexicana, que terá sido responsável pela morte de centenas de milhar de pessoas.
O seu talento precoce para as artes valeu-lhe uma bolsa de estudo que o levou ao epicentro da revolução cultural operada pelas vanguardas modernistas: a Europa. Ao percorrer países como Espanha, França, Bélgica, Holanda e Inglaterra, o artista integrou-se no círculo social próximo de personalidades como Amedeo Modigliani e experienciou de perto a obra de Henri Rousseau - "o único dos modernistas cujo trabalho mexe com cada fibra do meu ser", terá afirmado Rivera.
Em Paris, sobretudo, o pintor envolveu-se no movimento cubista, protagonizado por artistas como Paul Cézanne e Pablo Picasso, que terá expressado a sua admiração pelas pinturas de Diego Rivera quando ambos se conheceram em 1914, no seguimento da sua exposição na Societé des Artistes Indépendants. O sucesso começava, assim, a despontar na carreira de Rivera, também influenciado pela estética do fauvismo, cujo uso acentuado de cores vibrantes apelou muito naturalmente à sensibilidade do pintor de raízes mexicanas. Nesta altura, predominam nas suas obras retratos e representações de naturezas mortas.
Natureza morta, 1918
A partir de 1920, Diego Rivera viria a desenvolver a sua verdadeira identidade como pintor. Numa viagem por Itália, estudou com atenção a arte dos frescos renascentistas, motivando o seu posterior envolvimento no primeiro mural que haveria de assinar, já no México, em 1922. Juntamente com José Orozco e David Siqueiros deu início ao movimento muralista, que levou à produção de inúmeros murais de cariz interventivo, ao representar cenas sociais e políticas e de afinidade marxista.
"El Campesino Oprimido", 1935
Diego Rivera deixaria também a sua marca indelével nos Estados Unidos, onde pintou aquela que o próprio pintor considerava ser uma das suas obras mais bem sucedidas, intitulada "Detroit Industry". Instalado no museu do Instituto das Artes de Detroit, o conjunto de murais representa uma fábrica automóvel, onde homens de todas as raças estão lado a lado na linha de produção, observados por Henry Ford.
"Detroit Industry", 1933 © Ashley Street
Um dos seus murais mais emblemáticos, "Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central" (1947), é uma peça de 65 metros quadrados que retrata, em síntese, a história da civilização mexicana, seguindo uma ordem cronológica. Vista da esquerda para a direita, a obra conta o episódio da conquista da então Nova Espanha, os massacres dos infiéis, a construção da Igreja de San Diego e a manifestação dos direitos da mulher - na figura da poetisa Juana Inés de la Cruz. Trata-se também de uma das mais polémicas obras do pintor, graças à inscrição da frase "Deus não existe", situação que remeteu o mural para a censura em grande parte dos círculos sociais daquela época. Apenas em 1956 o mural voltaria a ser exibido livremente, já depois de Rivera ter substituído a controversa frase por uma outra inscrição.
"Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central", 1947
"Mercado de Tenochtitlan", 1945
Mas falar de Diego Rivera é também falar de Frida Kahlo, sua mulher e outra das mais influentes artistas do século XX. Pertenciam ambos ao partido comunista mexicano, mas as suas obras, tal como eles mesmos, diferiam na sua dimensão física e emocional; Frida, uma mulher frágil e debilitada, pintava quadros mais intimistas, enquanto Rivera procurava representar grandes temas históricos como a construção da civilização mexicana e o resgate do seu legado. O casal tinha uma relação tumultuosa, mas apaixonada, e Rivera não continha a admiração pela obra da mulher. "Frida Kahlo é a maior pintora mexicana. O seu trabalho será multiplamente reproduzido e, graças à literatura, vai comunicar com o mundo. É um dos mais formidáveis legados artísticos e o mais intenso testemunho da verdade humana dos nossos dias'', declarou Rivera numa entrevista concedida em 1953, um ano antes da morte de Frida.
Diego Rivera e Frida Kahlo em San Angel, 1940 © Nickolas Muray.
Fonte: http://obviousmag.org/
Diego Rivera, 1933 © Esther BornDiego Rivera (1886-1957) foi um homem de paixões: sobejamente conhecido pela sua fama de mulherengo, nutria um grande afecto pelas suas raízes e expressava os seus ideais comunistas sem medos. A sua arte era a sua forma de comunicar com o povo. Não uma elite de intelectuais, mas todos os que no início do século XX tentavam sobreviver à guerra civil mexicana, que terá sido responsável pela morte de centenas de milhar de pessoas.
O seu talento precoce para as artes valeu-lhe uma bolsa de estudo que o levou ao epicentro da revolução cultural operada pelas vanguardas modernistas: a Europa. Ao percorrer países como Espanha, França, Bélgica, Holanda e Inglaterra, o artista integrou-se no círculo social próximo de personalidades como Amedeo Modigliani e experienciou de perto a obra de Henri Rousseau - "o único dos modernistas cujo trabalho mexe com cada fibra do meu ser", terá afirmado Rivera.
Em Paris, sobretudo, o pintor envolveu-se no movimento cubista, protagonizado por artistas como Paul Cézanne e Pablo Picasso, que terá expressado a sua admiração pelas pinturas de Diego Rivera quando ambos se conheceram em 1914, no seguimento da sua exposição na Societé des Artistes Indépendants. O sucesso começava, assim, a despontar na carreira de Rivera, também influenciado pela estética do fauvismo, cujo uso acentuado de cores vibrantes apelou muito naturalmente à sensibilidade do pintor de raízes mexicanas. Nesta altura, predominam nas suas obras retratos e representações de naturezas mortas.
Natureza morta, 1918A partir de 1920, Diego Rivera viria a desenvolver a sua verdadeira identidade como pintor. Numa viagem por Itália, estudou com atenção a arte dos frescos renascentistas, motivando o seu posterior envolvimento no primeiro mural que haveria de assinar, já no México, em 1922. Juntamente com José Orozco e David Siqueiros deu início ao movimento muralista, que levou à produção de inúmeros murais de cariz interventivo, ao representar cenas sociais e políticas e de afinidade marxista.
"El Campesino Oprimido", 1935Diego Rivera deixaria também a sua marca indelével nos Estados Unidos, onde pintou aquela que o próprio pintor considerava ser uma das suas obras mais bem sucedidas, intitulada "Detroit Industry". Instalado no museu do Instituto das Artes de Detroit, o conjunto de murais representa uma fábrica automóvel, onde homens de todas as raças estão lado a lado na linha de produção, observados por Henry Ford.
"Detroit Industry", 1933 © Ashley StreetUm dos seus murais mais emblemáticos, "Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central" (1947), é uma peça de 65 metros quadrados que retrata, em síntese, a história da civilização mexicana, seguindo uma ordem cronológica. Vista da esquerda para a direita, a obra conta o episódio da conquista da então Nova Espanha, os massacres dos infiéis, a construção da Igreja de San Diego e a manifestação dos direitos da mulher - na figura da poetisa Juana Inés de la Cruz. Trata-se também de uma das mais polémicas obras do pintor, graças à inscrição da frase "Deus não existe", situação que remeteu o mural para a censura em grande parte dos círculos sociais daquela época. Apenas em 1956 o mural voltaria a ser exibido livremente, já depois de Rivera ter substituído a controversa frase por uma outra inscrição.
"Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central", 1947
"Mercado de Tenochtitlan", 1945Mas falar de Diego Rivera é também falar de Frida Kahlo, sua mulher e outra das mais influentes artistas do século XX. Pertenciam ambos ao partido comunista mexicano, mas as suas obras, tal como eles mesmos, diferiam na sua dimensão física e emocional; Frida, uma mulher frágil e debilitada, pintava quadros mais intimistas, enquanto Rivera procurava representar grandes temas históricos como a construção da civilização mexicana e o resgate do seu legado. O casal tinha uma relação tumultuosa, mas apaixonada, e Rivera não continha a admiração pela obra da mulher. "Frida Kahlo é a maior pintora mexicana. O seu trabalho será multiplamente reproduzido e, graças à literatura, vai comunicar com o mundo. É um dos mais formidáveis legados artísticos e o mais intenso testemunho da verdade humana dos nossos dias'', declarou Rivera numa entrevista concedida em 1953, um ano antes da morte de Frida.
Diego Rivera e Frida Kahlo em San Angel, 1940 © Nickolas Muray.Fonte: http://obviousmag.org/
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dia Mundial do Veganismo: Inspire-se com uma linda história de respeito e compaixão pelos animais
Dia Mundial do Veganismo: Inspire-se com uma linda história de respeito e compaixão pelos animais 
Por Karen Heath* (Tradução por Lobo Pasolini)
Eu lembro bem da minha última refeição com carne: o quase mítico sanduíche de bacon. Eu o preparei, o comi e pensei: “É isso; meus dias de comer carne chegaram a um fim”. E que alívio isso representou. Eu sabia há muito tempo que havia algo errado em comer animais, mas nunca tinha conseguido desistir. Isso foi 25 anos atrás.
Quando eu estava crescendo eu nunca tive exemplos de pessoas que não comiam carne em minha vida. Eu não conhecia nenhum vegetariano, mas eu sabia que eu deveria ser um deles. Meu pais às vezes chegava em casa depois de ter visto carneiros brincando em um campo e nesses dias declarava que ele não queria seu bife de cordeiro. Mas, além disso, nós éramos uma família que comia carne em toda refeição.
Karen Heath e amigos
Depois de eliminar a carne da minha vida demorou alguns anos até eu me tornar vegana. Eu ainda me encontrava em processo de negação sobre a crueldade da indústria de laticínios e tinha essa imagem na minha cabeça de uma vaca feliz voluntariamente jorrando seu leite cremoso para dentro de um balde para que nós bebermos! Então um dia eu fiquei em uma fazenda leiteira e essa imagem se despedaçou. Não era nem mesmo uma fazenda ruim, de fato era uma dessas fazendas de família, daquelas bonitinhas que você vê em livros. Mas a realidade não era bonitinha – eu vi os bezerros sendo arrancados de suas mães para que as pessoas possam beber o leite que deveria ser deles. Os bezerros chupavam meu dedo ansiosamente e eu fiquei horrorizada ao tomar conhecimento daquilo que até então eu desconhecia.
Nesta mesma época eu comecei a resgatar animais, principalmente gatos, mas qualquer outro animal também. Tudo começou quando eu recolhi uma que havia sido atingida por um carro. A coisa escalou literalmente da noite para o dia e logo eu me tornei muito ativa em campanhas de castração e no trabalho com colônias de gatos não-domesticados. Mas eu acho que foi quando eu resgatei um cabrito perambulando nas ruas de Londres (sim, em Londres!) e eu o coloquei sentado no banco do passageiro do carro olhando pela janela que eu realmente me tornei vegana.
Como eu sempre gostei de cozinhar, não foi nada difícil. Eu senti falta de algumas receitas que não podem ser imitadas. Mas fica cada vez mais fácil a medida que novos produtos são lançados e eu sou, modéstia a parte, bastante inventiva!
Trabalhar com animais me dá certeza que se eu tenho uma certeza em relação ao futuro essa é que eu sei que eu nunca vou comer ou vestir qualquer coisa feita de algum animal ou contribuir para o sofrimento de animais de qualquer forma que esteja sob o meu controle. Com certeza eu não consigo ser tão boa quanto eu gostaria. Eu não sou perfeita e logo minhas ações afetam o planeta e seus habitantes. Eu mantenho um grupo de resgate de animais na Espanha, o que significa que minha pegada de carbono é pesada. Eu tenho que voar com freqüência mas eu tenho compensar minhas falhas onde é possível.
Eu sou ativa em vários tipos de campanhas no momento. As peles são notícias de novo. Eu sempre fico pasma ao ver um número grande de mulheres em geral inteligentes que saem por aí usando peles, as vezes até para passear com seus cães e declarando que amam animais. Eu adoro moda e sempre colecionei roupas de brechó mas nunca pele – como essas mulheres podem justificar isso? Eu acho estarrecedor e tenho sempre uma pilha enorme de panfletos na minha bolsa (que não é de couro) para distribuir assim que a estação das peles começa.
Além de existirem em um estado de negação em relação ao couro, um número ainda maior de pessoas que eu encontro tentam não pensar sobre a origem de sua comida. Eu fico comovida quando eles começam a dizer, “por favor, não me diga – é muito perturbador!”. Há esperança. Com um pouco de ajuda, eles poderiam ser os veganos do futuro. É muito fácil!
*Karen Heath vive em Londres, de onde ela coordena o Mama Cat Trust, que opera principalmente na região de Cambrils na Espanha. Visite o website: http://www.mamacat.co.uk/
Fonte: http://www.anda.jor.br/

Por Karen Heath* (Tradução por Lobo Pasolini)
Eu lembro bem da minha última refeição com carne: o quase mítico sanduíche de bacon. Eu o preparei, o comi e pensei: “É isso; meus dias de comer carne chegaram a um fim”. E que alívio isso representou. Eu sabia há muito tempo que havia algo errado em comer animais, mas nunca tinha conseguido desistir. Isso foi 25 anos atrás.
Quando eu estava crescendo eu nunca tive exemplos de pessoas que não comiam carne em minha vida. Eu não conhecia nenhum vegetariano, mas eu sabia que eu deveria ser um deles. Meu pais às vezes chegava em casa depois de ter visto carneiros brincando em um campo e nesses dias declarava que ele não queria seu bife de cordeiro. Mas, além disso, nós éramos uma família que comia carne em toda refeição.
Karen Heath e amigosDepois de eliminar a carne da minha vida demorou alguns anos até eu me tornar vegana. Eu ainda me encontrava em processo de negação sobre a crueldade da indústria de laticínios e tinha essa imagem na minha cabeça de uma vaca feliz voluntariamente jorrando seu leite cremoso para dentro de um balde para que nós bebermos! Então um dia eu fiquei em uma fazenda leiteira e essa imagem se despedaçou. Não era nem mesmo uma fazenda ruim, de fato era uma dessas fazendas de família, daquelas bonitinhas que você vê em livros. Mas a realidade não era bonitinha – eu vi os bezerros sendo arrancados de suas mães para que as pessoas possam beber o leite que deveria ser deles. Os bezerros chupavam meu dedo ansiosamente e eu fiquei horrorizada ao tomar conhecimento daquilo que até então eu desconhecia.
Nesta mesma época eu comecei a resgatar animais, principalmente gatos, mas qualquer outro animal também. Tudo começou quando eu recolhi uma que havia sido atingida por um carro. A coisa escalou literalmente da noite para o dia e logo eu me tornei muito ativa em campanhas de castração e no trabalho com colônias de gatos não-domesticados. Mas eu acho que foi quando eu resgatei um cabrito perambulando nas ruas de Londres (sim, em Londres!) e eu o coloquei sentado no banco do passageiro do carro olhando pela janela que eu realmente me tornei vegana.
Como eu sempre gostei de cozinhar, não foi nada difícil. Eu senti falta de algumas receitas que não podem ser imitadas. Mas fica cada vez mais fácil a medida que novos produtos são lançados e eu sou, modéstia a parte, bastante inventiva!
Trabalhar com animais me dá certeza que se eu tenho uma certeza em relação ao futuro essa é que eu sei que eu nunca vou comer ou vestir qualquer coisa feita de algum animal ou contribuir para o sofrimento de animais de qualquer forma que esteja sob o meu controle. Com certeza eu não consigo ser tão boa quanto eu gostaria. Eu não sou perfeita e logo minhas ações afetam o planeta e seus habitantes. Eu mantenho um grupo de resgate de animais na Espanha, o que significa que minha pegada de carbono é pesada. Eu tenho que voar com freqüência mas eu tenho compensar minhas falhas onde é possível.
Eu sou ativa em vários tipos de campanhas no momento. As peles são notícias de novo. Eu sempre fico pasma ao ver um número grande de mulheres em geral inteligentes que saem por aí usando peles, as vezes até para passear com seus cães e declarando que amam animais. Eu adoro moda e sempre colecionei roupas de brechó mas nunca pele – como essas mulheres podem justificar isso? Eu acho estarrecedor e tenho sempre uma pilha enorme de panfletos na minha bolsa (que não é de couro) para distribuir assim que a estação das peles começa.
Além de existirem em um estado de negação em relação ao couro, um número ainda maior de pessoas que eu encontro tentam não pensar sobre a origem de sua comida. Eu fico comovida quando eles começam a dizer, “por favor, não me diga – é muito perturbador!”. Há esperança. Com um pouco de ajuda, eles poderiam ser os veganos do futuro. É muito fácil!
*Karen Heath vive em Londres, de onde ela coordena o Mama Cat Trust, que opera principalmente na região de Cambrils na Espanha. Visite o website: http://www.mamacat.co.uk/
Fonte: http://www.anda.jor.br/
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