terça-feira, 10 de maio de 2011

[EUA] O terceiro "terrorista" mais procurado pelo FBI é um ativista do movimento de Libertação Animal e da Terra - por ANA

[EUA] O terceiro "terrorista" mais procurado pelo FBI é um ativista do movimento de Libertação Animal e da TerraCom a suposta morte do fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, o FBI, a polícia federal estadunidense, reorganizou em 2 de maio passado a lista dos mais buscados pelos Estados Unidos por atividades terroristas; Andreas San Diego, fugitivo do movimento de libertação animal é agora o número três.

San Diego foi acusado em 2004 pelos ataques sofridos a duas metas relacionadas com a campanha contra a HLS (Huntingdon Life Sciences), Chiron (Emeryville, Califórnia) e Shaklee (Pleasonton, Califórnia). Foi visto em 2003, depois que ele escapou da vigilância do FBI no centro de São Francisco.Andreas San Diego é o principal suspeito referente ao bombardeio a Shaklee, pois foi detido por uma infração menor de trânsito, a menos de uma milha antes da detonação de explosivos (pelo que a polícia suspeita). Ele está em fuga por quase oito anos.

A adesão de San Diego na lista dos mais procurados é uma estratégia ousada do governo federal, vendendo ao público a falsa informação de que os ativistas pela libertação animal e a ALF são terroristas. Esse movimento em que, em mais de 30 anos de atividade, nenhum humano foi afetado. Os ataques de San Andreas foram realizados em edifícios de escritórios vazios e ninguém ficou ferido.

O FBI diz o seguinte sobre o fugitivo:
"Daniel Andreas San Diego é procurado por seu suposto envolvimento no bombardeio de dois edifícios de escritórios na área de São Francisco, Califórnia. Em 28 de agosto de 2003, duas bombas explodiram, cerca de uma hora de diferença na Chiron Corporação, em Emeryville. Então, em 26 de setembro de 2003, uma bomba, amarrada com pregos, explodiu na Corporação Shaklee, em Pleasanton. San Diego foi acusado no Tribunal Federal Distrital, Distrito Norte da Califórnia, em julho de 2004”.

Depois disse, é claro, "deve ser considerado armado e perigoso" (a ficha de Peter Young, que estava foragido há 7 anos do FBI, continha a mesma anotação, embora ele nunca tenha tido uma arma de fogo).

É impossível saber onde se esconde Andreas San Diego, mas por favor, pergunte a si mesmo o que você faria se uma noite, em sua porta, ele pedisse ajuda. San Diego está enfrentando uma sentença de prisão perpétua se preso, e agora, literalmente, fugiu por sua vida.

agência de notícias anarquistas-ana
Instante pequeno

Cair da tarde

A lua vindo

Kátia Ribeiro de Oliveira

Biblioteca Latino-Americana – Facundo, ou civilização e barbárie, por Domingo Faustino Sarmiento (1845) - por Idelber Avelar

Biblioteca Latino-Americana – Facundo, ou civilização e barbárie, por Domingo Faustino Sarmiento (1845)Domingo Faustino Sarmiento
Não seria exagero dizer que este é o livro que inventa a Argentina moderna. Domingo Faustino Sarmiento é membro da geração liberal que funda a literatura argentina no exílio durante o regime do caudilho Juan Manuel de Rosas (1829-52), período em que o país se divide entre unitários (liberais que favoreciam a unificação com capital em Buenos Aires) e federais (coalizão de caudilhos e líderes regionais que defendiam um regime federativo com autonomia para as províncias). Praticamente toda a historiografia, teoria política e literatura argentinas dessa época, decisiva para a construção do país, se escreveria em Santiago, em Montevidéu ou no Rio de Janeiro. Sarmiento foi seu nome mais expressivo.

Em 1845, já exilado no Chile durante o regime rosista, Sarmiento publica Facundo, ou civilização e barbárie. À primeira vista, trata-se de uma biografia de Facundo Quiroga (1788-1835), o temível caudilho federal de La Rioja e antecessor de Rosas. Mas o livro acabou sendo muito mais que uma biografia. Foi um manifesto modernizador, um tratado etnográfico, a fundação da narrativa argentina e a sua mais célebre coleção de mitos. Foi também a base ideológica para a presidência do próprio Sarmiento, que se iniciaria 23 anos depois, em 1868. Estudando-se este livro, tem-se a chave para uma série de diferenças importantes entre o Brasil e a Argentina. Todos os grandes fundadores da literatura argentina no século XIX estão diretamente vinculados à luta pelo poder estatal. Fazendo uma analogia de Sarmiento com seus equivalentes no Brasil, é como se Machado de Assis ou José de Alencar tivessem escrito o programa ideológico da nossa classe dominante e depois se tornado de chefes de Estado — algo, evidentemente, impensável na realidade oitocentista brasileira. Até hoje, na Argentina, a literatura tem um papel chave nas lutas políticas. Está organicamente ligada a elas, em contraste com o Brasil, onde as duas esferas estão separadas com muito mais nitidez.

Facundo consolida a oposição entre os termos “civilização” e “barbárie”, que atravessariam todo o pensamento latino-americano no século XIX. Composto de três eixos principais — uma descrição histórica e geográfica da Argentina, uma compilação das proezas de Facundo Quiroga e um libelo político anti-rosista —, o livro associa a civilização a um modelo de desenvolvimento inspirado principalmente nos Estados Unidos. Civilizar o país, para Sarmiento, seria povoá-lo com imigrantes brancos, desenvolvê-lo com industrialização e ferrocarris, domar a imensidão vazia dos pampas. Seu conceito de barbárie, encarnado no “selvagem inculto dos pampas”, não está isento de racismo. O programa de Sarmiento para a Argentina não é somente modernizador. Trata-se também de um projeto de branqueamento.

Mas Sarmiento também polemiza com seus companheiros liberais que querem implantar uma modernização baseada em ideias europeias sem conhecer as entranhas do país. Daí o longo texto em que Sarmiento, com uma mescla de horror e fascínio, relata as proezas de Quiroga, de quem se diz que matou uma onça com uma faca e um poncho; explica os vários tipos de gaucho que se conhecem: o gaucho mau, o cantor, o baqueano e o rastreador; e descreve a imensidão dos pampas, que Sarmiento só conheceria ao vivo, aliás, alguns anos depois de publicar o livro.

Da mesma forma como nem todos os liberais modernizadores são iguais, para Sarmiento também há uma distinção entre os bárbaros. Quiroga, o caudilho mítico, e Rosas, o déspota atual, não são idênticos. Ambos são bárbaros sanguinários, mas Sarmiento vê em Quiroga a expressão autêntica dos pampas indomados. Ele tem altivez e honra. Rosas seria a reencarnação farsesca dessa barbárie, na forma de um tirano que apunhala pelas costas. Essa dicotomia atravessaria toda a cultura argentina e seria chave para a compreensão que teve a elite liberal do país, um século depois, da figura de Perón, um herdeiro do legado caudilhesco rosista.

Todos os grandes cacoetes que encontraríamos depois em Jorge Luis Borges, o maior escritor argentino de todos os tempos — a mistura delirante entre ficção e não-ficção, o jogo com citações falsas ou adulteradas, a tensão entre o ideário europeu e a realidade americana — já estão antecipados em Sarmiento, de quem Borges foi um grande admirador. Excludente, elitista e racista, Facundo é um documento indispensável para se conhecer a história do pensamento dominante latino-americano.

Para ler o livro completo no original espanhol, em excelente edição da Biblioteca Ayacucho, clique aqui. Para conhecer a nova edição brasileira, lançada pela Cosac Naify, clique aqui. Para ler um estudo mais detalhado da obra, escrito pela Profa. Laura Janine Hosiasson (USP), clique aqui.
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A Biblioteca Latino-Americana da revista Fórum é uma coleção de introduções às principais obras do pensamento de nossos vizinhos, um acervo de referência sobre os grandes clássicos latino-americanos. A cargo de Idelber Avelar, a Biblioteca incluirá breves resenhas, compreensíveis para o leitor não-especializado, de textos clássicos de historiografia, teoria política, literatura e outras áreas. Quando possível, ofereceremos também o link à própria obra e a outros estudos disponíveis sobre ela.
Fonte: www.revistaforum.com.br

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tributo as Mães de Maio e as mulheres de coragem do Brasil e de todo mundo - por Latuff


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Morte de Bin Laden abre acalorado debate no Paquistão - por Tariq Ali - Sin Permiso

Morte de Bin Laden abre acalorado debate no Paquistão
No Paquistão, abriu-se um acalorado debate e seu establishment político-militar pode ser condenado por uma razão ou outra. Se admitem que sabiam da operação dos EUA, se arriscam à condenação em suas próprias fileiras. Há um grande dissenso entre os jovens oficiais e soldados, descontentes com as missões nas fronteiras, onde são obrigados a tomar como alvos seu próprio povo. Se os EUA nem se deram ao trabalho de informar os paquistaneses de que havia helicópteros no país para agarrar Bin Laden, expõem-se à opinião pública como dirigentes que permitem que a soberania do país seja violada à vontade.

Cego pela sede de vingança, os Estados Unidos acabaram com a vida de mais um de seus inimigos. Os cidadãos estadunidenses celebraram. Os funcionários de George W. Bush nos dizem que, depois de tudo, isso demonstra que a tortura em Guantánamo funciona. A Europa aplaude. E vassalos de todas as partes, incluindo o presidente do Paquistão, felicitam os EUA pela missão cumprida.

Tudo isso é um pouco estranho levando-se em conta que Bin Laden encontrava-se aparentemente em um lugar seguro, perto da academia militar paquistanesa, na qual residiu durante seis anos. Ninguém acredita que isso pudesse acontecer sem o conhecimento dos oficiais de inteligência do mais alto nível. Um deles, com o qual me reuni em 2006, e que cito em meu último livro sobre o Paquistão, confirmou-me que Bin Laden encontrava-se no país e que estava protegido. Esta pessoa em questão me disse que os estadunidenses só queriam Bin Laden morto, mas que o Paquistão tinha interesse em mantê-lo vivo. Em suas próprias palavras: “por que íamos matar a galinha dos ovos de ouro?”, referindo-se aos bilhões de dólares em ajuda militar proporcionada ao exército paquistanês. Naquela época não estava seguro se minha fonte estava jogando comigo, divertindo-me ou desinformando-me. Obviamente, estava me dizendo a verdade.

No Paquistão, abriu-se um acalorado debate: seu establishment político-militar será condenado por uma razão ou outra. Se admitem que sabiam, se arriscam à condenação em suas próprias fileiras. Há uma grande quantidade de dissenso entre os jovens oficiais e soldados, descontentes com as missões nas fronteiras, onde são obrigados a tomar como alvos seu próprio povo. Se os EUA nem se deram ao trabalho de informar os paquistaneses de que havia helicópteros no país para agarrar Bin Laden, expõem-se à opinião pública como dirigentes que permitem que a soberania do país seja violada à vontade.

O presidente da CIA, Leon Panetta, disse que a decisão de não informar o Paquistão foi tomada desde o início para não comprometer a operação. Mas as versões estão mudando com rapidez e nada pode ser tomado ao pé da letra. Como Wikileaks revelou, houve um acordo entre o Paquistão e os EUA de modo que o primeiro toleraria os ataques com drones (aviões não tripulados), mas seria obrigado a denunciá-los para evitar o enfurecimento da população. Por outro lado, dado que dentro da CIA há quem se refira ao ISI (serviço de inteligência do Paquistão) como uma organização terrorista, pode ser que se temesse possíveis vazamentos de informações. Os helicópteros que entraram no espaço aéreo paquistanês poderiam fazer parte de um reconhecimento rotineiro. O radar paquistanês já foi bloqueado anteriormente para facilitar as incursões aéreas. Desta vez não foi.

Fontes confiáveis no Paquistão insistem que o exército não tinha conhecimento prévio desta incursão. Levando em conta que não existe absolutamente nenhuma chance de o Paquistão ter considerado esta operação como aceitável, o ISI, se ficasse sabendo, teria tentado sem dúvida um movimento preventivo, pois este acontecimento afetará quase com toda certeza a futura ajuda estadunidense. Se o exército paquistanês ou a inteligência estivessem implicados teriam deslocado sem problemas o enfrentamento final para algum lugar menos embaraçoso, como as montanhas do Waziristão, por exemplo. Além disso, permitiu tanto a Índia como ao Afeganistão uma nova oportunidade para recuperar terreno em suas guerras de propaganda contra o Paquistão.

A morte de Bin Laden não muda nada, na verdade, exceto, talvez, para assegurar que, se a economia permitir, Barack Obama seja reeleito. A ocupação do Iraque, a guerra afegã-paquistanesa e a aventura da OTAN na Líbia parece que continuarão. A situação entre Israel e Palestina está empatada, ainda que os despotismos no mundo árabe que Obama denunciou estejam sob pressão (exceto o pior deles: Arábia Saudita).

No Afeganistão, os líderes talibãs respiraram aliviados sabendo que já não serão mais associados com Bin Laden, mas seu assassinato não muda a situação. Os insurgentes podem não estar em posição de tomar Kabul (de fato nunca estiveram, nem mesmo durante a ocupação russa), mas em outros lugares controlam grandes áreas de terreno. Os EUA não podem ganhar esta guerra. Quanto antes saírem do país, melhor. E até que o façam, seguirão dependendo do Paquistão, o aliado que os americanos amam odiar.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior

Enquanto isso o Governador do Rio – por Latuff


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As 10 transnacionais secretas que controlam as matérias primas - por Alfredo Jalife-Rahme - La Jornada

As 10 transnacionais secretas que controlam as matérias primasComo é possível que no século 21 ainda existam empresas "secretas" e/ou piratas, que se dão ao luxo de não ter ações nas bolsas de valores, mas que gozam de todas as vantagens do "livre mercado", incluindo operações suspeitas em paraísos fiscais. Pode manter-se "secreta" a atividade dessas dez transnacionais "gigantes" que controlam os alimentos e a energia, usados como "armas de destruição maciça" contra a maioria do gênero humano? O jornal The Daily Telegraph revelou a identidade oculta das principais 10 transacionadoras globais de petróleo e matérias primas.

Antecedentes: Zheng Fengtian, professor da Escola de Economia Agrária da Universidade Renmin, na China (Global Times, 13/4/11), fustiga "o monopólio dos cereais que o Ocidente exerce" e a "manipulação deliberada dos preços pelos especuladores internacionais" graças à desregulação de que gozam em Wall Street e na City, assim como nos paraísos fiscais (nomeadamente a Suíça): "não podemos depender apenas dos Estados Unidos (EUA) para resolver a crise alimentar global" nem das "quatro (sic) gigantes (sic) transnacionais".

Não especifica quais, mas os leitores podem consultar os meus artigos sobre o "cartel anglo-saxão da guerra alimentar" e o seu "meganegócio" (Radar Geopolítico; Contralínea, 30/1/11). Fengtian adota a velha tese de Bajo la Lupa sobre a "guerra alimentar" que trava Washington para submeter o mundo: "no passado (sic), os EUA aproveitaram as vantagens do seu papel dominante no mercado global de alimentos para adotá-los como arma (¡supersic!) política".

Atos: O mundo anglo-saxão cacareja vaziamente sobre a transparência e a prestação de contas, enquanto oculta simultaneamente as suas "10 gigantes (sic) transnacionais secretas (¡supersic!)" que "controlam a comercialização dos hidrocarbonetos e das matérias primas", segundo The Daily Telegraph (15/4/11). Como se não bastassem as depredadoras transnacionais (BP, Tepco, Schlumberger/Transocean, etc.) que estabelecem suas cotações desapiedadamente na bolsa!

Para além dos tenebrosos grupos da plutocracia – como o grupo texano Carlyle (ligado ao nepotismo dos Bush) e o inimputável Blackstone Group (controlado por Peter G. Petersen e Stephen A. Schwarzman, cujas façanhas remontam ao macabro recebimento dos seguros das Torres Gémeas do 11/9) – The Daily Telegraph revela a identidade oculta das "principais 10 transacionadoras globais de petróleo e matérias primas":

1. Vitol Group: sede em Genebra e Roterdan, com resultados de 195 mil milhões de dólares na comercialização de hidrocarbonetos; a primeira petrolífera a exportar com pontualidade da região controlada pelos rebeldes na Líbia.

2. Glencore Intl.: sede em Baar (Suíça), com resultados por 145 bilhões de dólares em metais, minerais, produtos agrícolas e de energia; fundada pelo israelo-belga-espanhol Marc Rich; acusada pela CIA (¡supersic!) de subornar governantes; controla 34 por cento da mineira global suíço-britânica Xstrata; apostou na subida do trigo durante a seca russa (The Financial Times, 24/4/11); o banqueiro Nat Rothschild "recomendou" o seu polêmico novo director Simon Murray (The Daily Telegraph, 23/4/11); destaca a circularidade financeira do binômio Rotshchild-Rich.

3. Cargill: sede em Minneapolis, Minnesota, com resultados por 108 bilhões de dólares em agronegócios, carnes, biocombustíveis, aço e sal; severamente criticada pela desflorestação, contaminação de todo o gênero (incluindo a alimentar) e abusos contra os direitos humanos.

4. Koch Industries: sede em Wichita, Kansas, com resultados por 100 bilhões de dólares em refinação e transporte de petróleo, petroquímicos, papel, etc.; empresa familiar (a segunda mais importante nos EUA depois da Cargill) manejada pelos irmãos ultraconservadores David e Charles Koch, que financiam o Tea Party.

5. Trafigura: sede em Genebra, com resultados por 79,200 bilhões de dólares em petróleo cru, comercialização de metais; depredadora tóxica em África; provém da separação de várias empresas do israelo-belga-espanhol Marc Rich.

6. Gunvor Intl.: sede em Amsterdã e Genebra, com resultados por 65 bilhões de dólares em petróleo, eletricidade e carvão.

7. Archer Daniels Midland Co.: sede em Decatur, Illinois, com resultados por 62 bilhões de dólares em milho, trigo, cacau; listada na Bolsa de Nova Iorque; atuação escandalosa e processada por contaminação reiterada; beneficiou com os subsídios agrícolas do governo dos EUA.

8. Noble Group: sede em Hong Kong, com resultados por 56 700 bilhões de dólares em açúcar brasileiro e carvão australiano; sólidos laços com a HSBC e a polêmica empresa contabilística Pricewaterhouse Coopers; cotada no Índice Strait Times (Singapura).

9. Mercuria Energy Group: sede em Genebra, com resultados de 46 bilhões de dólares em petróleo e gás.

10. Bunge: sede em White Plains, Nova Iorque, com resultados de 45,7 bilhões de dólares em cereais, soja, açúcar, etanol e fertilizantes; multada nos EUA por emissões contaminantes.

The Daily Telegraph adiciona surpreendentemente como "menção especial" a Phibro, hoje subsidiária da Occidental Petroleum Corporation (Oxy): sede em Westport (Connecticut), com 10 por cento dos resultados do banco Citigroup em 2007 em petróleo, gás, metais e cereais, onde iniciou a sua "aprendizagem" o israelo-belga-espanhol Marc Rich.

Das 11 transnacionais piratas, cinco pertencem aos EUA, três à Suíça (notável paraíso fiscal bancário), duas são suíço-holandesas e uma é de Hong Kong (ligada à Grã-Bretanha). Se as 11 fossem cotadas na bolsa colocar-se-iam da posição sete até à 156 na classificação da Fortune Global 500. Sem penetrar na genealogia dos seus testa-de-ferro e verdadeiros donos, destaca-se a nefasta sombra do israelo-belga-espanhol Marc Rich em três empresas piratas: Glencore Intl., Trafigura e Phibro.

O israelo-belga-espanhol Marc Rich merece uma menção honrosa e com uma biografia mafiosa revela quiçá uma das razões do hermetismo das "gigantes" transnacionais que não estão cotadas nas bolsas e que movimentam nocivamente verdadeiras fortunas sem o menor escrutínio governamental ou cidadão. Será mera causalidade que Rich apareça em três das "secretas" 11 empresas "gigantes" que especulam na penumbra com os preços dos alimentos, hidrocarbonetos e metais?

Marc Rich, perseguido por evasão fiscal nos EUA (logo perdoado, polemicamente, por Clinton), foi denunciado como "espião da Mossad israelense" (Niles Latham, New York Post, 5/2/01) e "lavador de dinheiro" das mafias (The Washington Times, 21/6/02).

O investigador William Engdahl expôs há 15 anos "a rede financeira secreta (¡supersic!)" por trás dos banqueiros escravagistas Rothschild, o megaespeculador "filantropo" George Soros e Marc Rich. Cada vez se afirma mais o papel determinante de Israel na lavagem de dinheiro global (ver Bajo la Lupa, 20/4/11).

Conclusão: Como pode uma transnacional "gigante" passar sem ser detectada na época da antiterrorista "segurança interna"? Será possível que no século 21 ainda existam empresas "secretas" e/ou piratas, que se dão ao luxo de não se cotar nas bolsas, mas que gozam de todas as vantagens do "livre mercado", incluindo operações suspeitas em paraísos fiscais.

São "gigantes secretos" e/ou "clandestinos" tolerados pelo sistema anglo-saxão e seus mafiosos paraísos fiscais? Pode manter-se "secreta" a atividade dessas transnacionais "gigantes" que controlam os alimentos e a energia, usados como "armas de destruição maciça" contra a maioria do gênero humano?
(*) Tradução de Paula Sequeiros para o Esquerda.net
Fonte: Carta Maior

Quando a escola vira alvo - por Latuff


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sexta-feira, 6 de maio de 2011

As mentiras do Império do mal! por Bruno


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Yemen: a linguagem de Ali Abdullah - por Latuff


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O verdadeiro terrorista - por Georges Bourdoukan

O verdadeiro terroristaO verdadeiro terrorista é o FMI que graças à mais letal das armas, os juros, submete nações inteiras com a conivência de dirigentes submissos, sejam eles presidentes, reis ou ditadores.

Desde a aurora da história ninguém causou mais vítimas do que esse malfadado banco seja pela fome ou pela exclusão.

São centenas de milhões de seres humanos assassinados anualmente, impunemente, graças à conivência de uma mídia deformadora, que há muito trocou a informação pela formação. Se antes decidia o que informar, hoje decide como devemos entender essa informação, o que lhe permite moldar mentes e corações ao sabor das necessidades do sistema.

Tudo de maneira subliminar.
Veja-se o exemplo dos Estados Unidos: com apenas cinco por cento da população mundial consomem mais de 35 por cento da energia do planeta.

Ao invadir, ocupar e estuprar o Iraque e o Afeganistão garantiram uma sobrevida por mais alguns anos.

Invadir, destruir e ocupar países para saquear seus patrimônios não é um ato de terror?

E mais: 40 por cento da riqueza do planeta são controlados por apenas 300 pessoas, que, não satisfeitos em sugar até a última gota de sangue de nações, financiam, através do FMI, invasões de países ou golpes de Estado.

Isso não é terrorismo?
Graças aos juros, e, repita-se, a governantes servis, mais de dois bilhões de pessoas dormem com fome todos os dias; centenas de milhões vivem sem eletricidade e mais de três bilhões jamais fizeram uma ligação telefônica.

Isso na era da internet e da empulhação denominada globalização que invade, ocupa e sangra nações silenciosamente, e nunca é demais repetir, com a conivência de governantes submissos e de uma mídia totalmente subordinada à grande pirâmide, em cujo topo se encontram os seis grandes conglomerados globais que irradiam para o resto do mundo a sua vontade.

E quem são esses seis grandes conglomerados que acusam de terrorista o infeliz que explode o corpo para chamar a atenção sobre a opressão em que vive o seu povo, e se calam diante dos milhões de mortos pela fome?

AOL Time Warner, The Walt Disney Company, Bertelsmann AG, Viacom, News Corporation e Vivendi Universal cujos tentáculos dominam editoras de livros (incluindo as especializadas em ciência e negócios), redes e canais de televisão por cabo, estações de rádio e televisão abertas, estúdios cinematográficos e salas de projeção, produção e distribuição de filmes e conteúdos televisivos, produção e distribuição de DVDs e multimídia, agências noticiosas, revistas, jornais, mídias digitais, telecomunicações, serviços on-line e internet, música, teatro, casas de impressão, agências de publicidade.

E ainda inúmeras áreas do esporte, parques temáticos, hotéis e empresas ligadas ao meio ambiente.

Em síntese, isso significa que se você vai ao cinema, assiste à TV, ouve música e procura informação na mídia impressa ou eletrônica, você já é uma de suas vítimas sem se dar conta disso.

Tudo isso, graças à mais letal das armas terroristas, os juros.

Como diria o grande Horácio, somos conduzidos como títeres que um fio manobra.

Só faltou dizer a caminho do matadouro.

Haverá terrorismo pior do que esse?
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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Netanyahu está pronto para a terceira Intifada - por Latuff


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Maria Aparecida Aquino: “Não há razão para comemorar um assassinato” - Fazendo Média

Maria Aparecida Aquino: “Não há razão para comemorar um assassinato”Por Redação.

A primeira reação de grande parte da população americana diante da notícia da morte de Osama bin Laden, o rosto mais famoso do terrorismo internacional, foi sair às ruas para comemorar a derrota de seu inimigo. No entanto, a operação contra o terrorista saudita foi um assassinato sumário e como tal não deveria ser comemorado, de acordo com a análise da historiadora Maria Aparecida de Aquino.

“Há meses vem sendo preparada, junto com o governo do Paquistão, toda uma operação para chegar à casa de Osama bin Laden. A ordem que se tinha era metralhar, a ordem era atirar. Fica difícil pensar em motivo para comemoração”, pondera Aquino, professora em História Social da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisadora também questiona os precedentes abertos pela ação americana. “Isso não significa defender o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, que foi um ato terrível e ofendeu a humanidade. Não significa negar o direito da população americana de buscar os culpados.

Mas defender a forma como isso foi feito será dar aos Estados Unidos a possibilidade de amanhã entrar em qualquer uma de nossas casas e dizer: ‘olha, imaginei que aqui houvesse um terrorista e andei metralhando’. É muito grave o que aconteceu”.

Acompanhe a íntegra da entrevista.

UOL Notícias: Os americanos reagiram à notícia da morte de Bin Laden com festa e era possível ver cenas de comemoração e euforia nas ruas. Existe razão para comemorar? Essa euforia é justificável?
Maria Aparecida Aquino: Não. Se a gente admitir que existe razão para comemorações neste momento, então estaríamos admitindo que existe razão para comemorar um assassinato. Uma coisa que normalmente não se comenta é que os Estados Unidos gostam de jogar na cara de todos os outros países que eles são os guardiões da democracia do mundo, e sempre interferem em outros países para assegurar a democracia.

Entretanto, o que eles fizeram nesse caso é simplesmente um assassinato. Se houve um crime e você está atrás de uma pessoa que é teoricamente uma das responsáveis por esse crime, você tem o direito de pegar essa pessoa e submetê-la a um julgamento. Mas o que aconteceu foi simplesmente um assassinato.

O que podemos observar é que toda a euforia inicial nos Estados Unidos já baixou um pouco, porque eles têm um temor muito grande – e devem mesmo; pensar que a Al Qaeda se restringe a um homem só, Osama bin Laden, é uma tolice. A Al Qaeda é uma imensa organização. E é muito possível que haja retaliações. Então, em circunstância alguma teríamos motivos para comemorar, mesmo pertencendo à população americana, mesmo sendo o presidente dos Estados Unidos.

Se pessoas como nós, pessoas comuns, simplesmente coadunássemos com a ideia de comemoração, estaríamos coadunando contra todos os princípios que os próprios Estados Unidos dizem defender com tanta força.

UOL Notícias: Então é possível imaginar que os Estados Unidos poderiam ter feito uma captura sem recorrer a assassinato?
Aquino: Lógico. Eles tinham noção da localização. Planejaram a ação muito cuidadosamente. Chegaram até a casa e uma vez lá não havia condições de reação. Eles simplesmente metralharam quem estava pela frente.

UOL Notícias: Com relação ao corpo, como a senhora interpreta essa decisão dos Estados Unidos jogá-lo ao mar?
Aquino: A notícia de que eles teriam jogado o corpo ao mar é mais grave ainda, porque você não só submete o inimigo a um assassinato, como você também impede o ritual da morte.

Mesmo que não haja uma retaliação imediata, em breve essa ficha acaba caindo, mesmo entre a população, de que nem mesmo o direito à morte foi dado. Um dos maiores pilares da democracia é o habeas corpus, que em uma tradução muito simples do latim quer dizer: que se tenha direito ao corpo. Então foi negado um elemento característico do estado de Direito.

Os americanos têm direito de estar muito zangados com o que aconteceu no 11 de setembro? Sim. Têm direito de investigar quem seriam os responsáveis? Sim. Mas a forma como se faz isso pode acabar por retirar todos os direitos que nos restam.

UOL Notícias: É possível imaginar que os Estados Unidos enxerguem a morte de Bin Laden como a morte do “mal”?
Aquino: É o que eles defendem. No fundo, eles pretendem impor ao mundo inteiro uma ideia: de que estão cobertos de razão, de que a humanidade pode respirar aliviada e de que agora estamos livres do mal, já que o mal estava condensado em uma pessoa. Mas isso é uma ilusão de ótica. É como os mágicos fazem: você olha para o outro lado, não presta atenção na prestidigitação que ele está fazendo com as mãos. Não podemos cair nesta história.

Isso não significa defender o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, que foi um ato terrível e ofendeu a humanidade. Não significa negar o direito da população americana de buscar os culpados. Mas defender a forma como isso foi feito será dar aos Estados Unidos a possibilidade de amanhã entrar em qualquer uma de nossas casas e dizer: ‘olha, imaginei que aqui houvesse um terrorista e andei metralhando’. É muito grave o que aconteceu. Ou seja, não há motivo para comemoração.
Fonte:http://www.fazendomedia.com

Intifada! - por Latuff


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A execução de Bin Laden: uma vitória de Pirro - por Reginaldo Nasser e Marina Mattar Nasser

A execução de Bin Laden: uma vitória de PirroA “guerra contra o terror” não possui um inimigo homogêneo representado na figura de Bin Laden como quer fazer-nos acreditar os EUA. Existem diversos grupos que, por compartilharem alguns interesses comuns, estabeleceram alianças estratégicas. Como muitos já alertaram, não é possível carimbar como terror islâmico tudo aquilo que contesta a ocupação militar dos EUA naquela região. Quem será o próximo monstro a ser executado em nome da humanidade?

Uma das grandes perguntas que se colocam agora, após a morte de Bin Laden, diz respeito ao futuro da Al-Qaeda e da “guerra contra o terror” iniciada pelos Estados Unidos logo após os atentados do 11 de Setembro. Com a morte de seu líder, a Al -Qaeda se enfraquecerá? Isso representa a vitória dos EUA contra o terrorismo? Afinal, o que representa a morte de Bin Laden? Em que muda a situação atual no Iraque, Afeganistão e em seus países vizinhos?

A imagem da Al-Qaeda construída pela política externa norte-americana e veiculada pela mídia ocidental mostra-nos uma organização forte e homogênea com atuação global cujo principal objetivo é o de combater a civilização ocidental e reestabelecer o regime de Califados no mundo islâmico. A Al-Qaeda, entretanto, funciona mais como uma empresa de capital de risco, proporcionando dinheiro, contatos e assessoria a numerosos grupos e indivíduos militantes de todo o mundo islâmico. Ou seja, a organização tem como estratégia vincular aos grupos locais que não necessariamente compartilham seus ideais e objetivos, mas que por interesses circunstanciais, estabelecem uma aliança. Em muitos casos, a relação destes grupos com a Al-Qaeda é apenas nominal.

Talvez por esta razão que os EUA e as informações da grande imprensa não tenham percebido – ou revelado - que a Al-Qaeda está se enfraquecendo há anos. Em 2007, o atual número 1 da Al-Qaeda, al-Zawahiri, percebendo a crescente impopularidade da organização, realizou um debate aberto em um fórum de jihadistas, de perguntas e respostas, no qual foi amplamente questionado sobre a morte de civis muçulmanos em atentados realizados pela a Al-Qaeda. Diversas pesquisas mostram a crescente queda em popularidade da Al-Qaeda em diversas sociedades do mundo árabe e islâmico após terem sofrido atentados terroristas da organização. Um bom exemplo disso é a Jordânia, onde o índice de aprovação da Al-Qaeda entre a população teve uma queda brusca de 70%(quando?) para 10% no ano de 2005 quando três explosões em hotéis da capital Amman mataram e feriram centenas de pessoas, muitas delas estavam celebrando um casamento.

Em pesquisa desenvolvida pelo centro PEW sobre a confiança das populações muçulmanas de diversos países do mundo árabe e islâmico em Bin Laden prova que os diversos atentados da Al-Qaeda que mataram civis muçulmanos afetou, em grande medida, sua popularidade entre as sociedades. No Paquistão, sua popularidade caiu de 46%, em 2003, para 18% em 2010; na Palestina, de 72% para 34%; e na Jordânia, caso de maior índice de queda, de 56% para 13%.

De acordo com relatório da RAND Corporation de 2008, houve uma mudança na estratégia do braço da Al-Qaeda no Iraque, a partir de 2005, quando deixaram de atacar os oficiais dos EUA e de seus aliados e passaram a atacar a própria sociedade iraquiana, o que não foi bem recebido pela população. A onda de atentados entre 2005 e 2007 liderada pela Al-Qaeda iraquiana matou, em média, 16 civis por dia. Durante todos os anos de guerra, de 2003 aos dias atuais, os anos de 2006 e 2007 foram os que mais civis morreram, superando, até mesmo, os bombardeios dos EUA em 2003.

Basta perceber que a Al-Qaeda não está presente na chamada primavera árabe. Estes movimentos civis, por meio de protestos pacíficos, conseguiram derrubar governos que a Al-Qaeda se propõe a combater, há mais de duas décadas, apresentando uma alternativa às sociedades árabes e marginalizando, ainda mais, o grupo terrorista.

Assim, além das áreas tribais no norte do Paquistão, a Al-Qaeda está presente apenas em regiões marginais do mundo árabe e islâmico por contatos, muitas vezes, superficiais como no nordeste do Yemen, na Somália e no sul da Argélia. Por conta das diversas alianças realizadas, a Al-Qaeda não conseguiu liderar uma única estratégia e seu principal objetivo de tornar-se um movimento insurgente, caracterizado, sobretudo, pelo grande apoio da comunidade, acabou, portanto, por falhar.

Prova disso foram os desentendimentos entre Bin Laden e Al-Zarqawi, que liderou o braço da Al-Qaeda iraquiano, quanto às formas de agir no país. A CIA interceptou cartas entre eles que mostravam discordância de Bin Laden com a crescente onda de atentados no Iraque uma vez que isto impossibilitaria a aproximação da Al-Qaeda da sociedade iraquiana. a Al-Qaeda já enfrentava, portanto, um momento de crise e de possível mudança estratégica, anterior à morte de seu líder.

A “guerra contra o terror” não possui um inimigo homogêneo representado na figura de Bin Laden como quer fazer-nos acreditar os EUA. Existem diversos grupos que, por compartilharem alguns interesses comuns, estabeleceram alianças estratégicas. Como muitos já alertaram, não é possível carimbar como terror islâmico tudo aquilo que contesta a ocupação militar dos EUA naquela região. Quem será o próximo monstro a ser executado em nome da humanidade?
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os Estados Unidos cansados de guerra - Por Immanuel Wallerstein

Os Estados Unidos cansados de guerra
Wallerstein desenha cenário da próxima eleição presidencial norte-americana e prevê: sentimento anti-militar crescerá; Obama terá de guinar à esquerda
Tradução: Daniela Frabasile

Os Estados Unidos estão atualmente envolvidos em três guerras no Oriente Médio – no Afeganistão, no Iraque e agora na Líbia. Mantêm bases militares em todo o mundo, em mais de 150 países. Têm relações tensas com a Coréia do Norte e com o Irã, e nunca descartaram a possibilidade de ação militar.

Quando começou, em 2002, a guerra do Afeganistão tinha grande apoio da opinião pública estadunidense e em outros países. A guerra no Iraque tinha quase o mesmo apoio da opinião pública norte-americana quando começou, em 2003, mas muito menos defensores em outros países. Agora, os Estados Unidos semi-envolvidos na Líbia. Menos da metade do público estadunidense é favorável, e há muita oposição no resto do mundo.

As pesquisas mais recentes nos EUA mostram oposição não apenas à operação na Líbia, mas também à permanência no Afeganistão. Os pesquisadores estão falando em “desgaste de guerra”, tanto quanto possível, uma vez que é difícil argumentar que os Estados Unidos foram vitoriosos em algum desses conflitos.

O conflito na Líbia está indo em direção a um longo pântano. No Afeganistão, todos estão tentando imaginar uma solução política, o que significaria aceitar que o Talibã participe do governo e talvez mesmo controle sozinho o poder, em pouco tempo. No Iraque, os Estados Unidos planejam retirar suas tropas em 31 de dezembro. Ofereceram manter 20 mil soldados por mais tempo, contanto que o governo iraquiano solicite, e que faça isso logo. O primeiro ministro iraquiano Nouri al-Maliki pode estar tentado, mas o movimento liderado por Muqtaba al-Sadr [forte especialmente entre os xiitas pobres (nota da tradução)] afirma que, se ele o fizer, retirá seu apoio, e o governo cairá.

O mais interessante, no entanto, é o que pode acontecer na política interna dos Estados Unidos no ano que vem, frente a uma eleição presidencial. Desde 1945, o Partido Republicano planeja sua campanha como o partido que apoia fortemente o exército, e acusa o Partido Democrata de ser muito suave. Os democratas sempre reagiram procurando provar que não eram. Na prática não havia muita diferença nas políticas verdadeiramente executadas, qualquer que fosse o partido na presidência. De fato, as maiores guerras – Coréia e Vietnã – foram iniciadas com presidentes democratas.

O Partido Democrata sempre teve um grupo, considerado sua ala esquerda, mais crítico em relação a essas guerras, e esse grupo continua existindo e protestando. Porém, entre os políticos eleitos, esses democratas sempre foram minoria, e foram amplamente ignorados.

O Partido Republicano era mais unido em relação ao programa de apoio estável ao exército e às guerras. Raros políticos republicanos sustentavam visões diferentes. Eles vêm da ala ultra-liberais [orig: “libertarian”] do partido, e o político mais conhecida com essa visão foi o deputado Ron Paul, do Arizona. Ele também foi um dos poucos políticos a julgar que o apoio ilimitado dos Estados Unidos a Israel era uma má ideia.

No momento, é este o ponto em que estamos, na corrida presidencial. Barack Obama será o candidato democrata. Ele é incontestável no partido. O quadro no Partido Republicano é o oposto. Existem dez ou doze pré-candidados, e nenhum deles é claramente o favorito. A corrida dentro do partido está totalmente em aberto.

O que isso significa para a política externa? Ron Paul busca a nomeação. Em 2008, ele quase não teve apoio. Agora, sua campanha vai melhor. Isso se deve, em parte, à posição forte quanto às políticas fiscais, mas suas posições em relação à guerra estão chamando atenção. Além disso, um novo candidato entrou na disputa. Ele é Gary Johnson, ex-governador republicano do Novo México. Também é ultra-liberais, e tem visões ainda mais fortes que Paul em relação à guerra. Johnson pede retirada total e imediata do Afeganistão, do Iraque e da Líbia.

Dado o amplo apoio de vários potenciais candidatos, certamente haverá programas de TV em que todos os candidatos republicanos irão falar e debater. Se Johnson fizer de sua opinião sobre a guerra o grande argumento da campanha, isso assegurará que todos os candidatos republicanos terão que abordá-la.

Quando isso acontecer, descobriremos que o chamado Tea Party republicano está profundamente dividido na questão do envolvimento nas guerras. Subitamente, todo o país estará debatendo essa questão. Barack Obama descobrirá que a posição de centro, que está tentando manter, moveu-se de repente para a esquerda. Para permanecer ao centro, ele também terá que caminhar à esquerda.

Esse será um importante ponto de virada na políticas dos Estados Unidos. A ideia de que tropas devem retornar se tornará uma grande possibilidade. Alguns irão se irritar, porque os Estados Unidos estarão exibindo fraqueza. E de certo modo, isso será verdade. É parte do declínio dos Estados Unidos. Irá lembrar aos políticos estadunidenses, no entanto, que entrar em guerras exige grande apoio da opinião pública. E nessa combinação de pressões geopolíticas e econômicas que todos sentem, o “cansaço de guerra” é um grave fator a partir de agora.
Fonte: http://www.outraspalavras.net/

Prepare-se para a terceira Intifada! - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Bin Laden e a última aventura do Super Homem - por Ariel Dorfman - Página/12

Bin Laden e a última aventura do Super HomemPara entender por que agora, justamente agora, nesta data entre todas as outras possíveis, decidiu-se realizar o “justiçamento” de Bin Laden, talvez seja necessário vincular sua morte repentina e desejada com dois acontecimentos aparentemente desconectados que surgiram na semana passada: o anúncio do Super Homem (na sua história n° 900) de que pensava ir às Nações Unidas para renunciar à cidadania norteamericana, e a divulgação pelo presidente Barack Obama da certidão de nascimento que comprova sua nacionalidade estadunidense. Terá sido uma suprema coincidência?

Pode ser uma suprema coincidência? Ou por acaso tem gato – ou super herói – nesta tuba?

Para entender por que agora, justamente agora, nesta data entre todas as outras possíveis, decidiu-se realizar o “justiçamento” de Bin Laden, talvez seja necessário vincular sua morte repentina e desejada com dois acontecimentos aparentemente desconectados que surgiram na semana passada.

O primeiro, que causou entre os fanáticos da guerra entre o bem e o mal quase tanta consternação como o assassinato do funesto e lúgubre chefe da Al Qaeda, ainda que menos júbilo, foi o anúncio do Super Homem (na história n° 900 do aniversário que celebra suas peripécias) de que pensava ir às Nações Unidas para renunciar à cidadania norteamericana. O Homem de Aço que, desde sua primeira aparição inaugural na revista Action, em junho de 1938, veste-se com as cores da bandeira estadunidense e age em nome dos valores norteamericanos, chegou a essa decisão tão drástica depois de sofrer críticas do encarregado de segurança do governo estadunidense (um homem negro parecido com Colin Powell) por ter voado até Teerã para demonstrar, durante 24 horas, sua solidariedade com os manifestantes da Revolução Verde que protestavam contra o despotismo de Ahmadinejad e seus partidários.

O governo do Irã (na história em quadrinhos, é claro, já que duvido que os aiatolás reais se dediquem a ler dissimuladamente as aventuras de Superman) denunciou esse ato – por silencioso que fosse e motivado pela não violência – como uma ingerência do Grande Satã em seus assuntos internos, quase como uma declaração de guerra. Os autocratas do Irã me desagradam muito, mas não se objetar sua lógica de aceitar as palavras do próprio Homem de Aço que encarna há décadas o conjunto “truth, justice and the American way” (verdade, justiça e o modo americano de vida). De modo que o Super Homem, para poder agir daqui em diante para além das fronteiras nacionais e os interesses circunstanciais de qualquer Estado, se viu obrigado a estabelecer sua independência frente a seu país adotivo. Porque, de fato, o Super Homem não nasceu nos Estados Unidos, mas sim no planeta Krypton, chegando bebê (sem passar por aduanas nem imigração) ao Kansas em uma pequena nave espacial, sendo acolhido neste território, no centro dos EUA, pelos Kent, fazendeiros que personificam personificam precisamente o “american way”. Era Ka-El. Virou Clark Kent.

É difícil exagerar a indignação com que este ato audacioso de renunciar à cidadania, esta “bofetada” do Superman, foi recebida pelo povo norteamericano. Eu li blogueiros defendendo seriamente que o novo campeão do internacionalismo fosse deportado para seu planeta de origem (como se fosse um mexicano ilegal), e já circula um abaixo assinado para que os executivos da Time Warner (donos da empresa que comercializa o Super Homem) forcem os autores da história a se retratar. Além disso, vários comentaristas conservadores viram esse insulto do super herói como a prova definitiva da decadência do país mais poderoso da terra: até o ídolo que representa mais universalmente nosso modo de vida está nos dando as costas!.

Não sei se o presidente Obama segue atentamente as aventuras do Super Homem (sabe-se que é um fã do Homem Aranha, de cuja origem nova-iorquina não cabem dúvidas), mas alguém deve ter chamado a sua atenção sobre a perda de prestígio que significa a deserção de um tal titã. O que acontece, por exemplo, se o Homem de Aço, guia dos despossuídos, decide fechar Guantánamo ou usar seus olhos de raios X para liberar alguns Super Wikileaks, agora que já deve lealdade à bandeira norteamericana? O que acontece se ele se põe a serviço de uma potência como a China? – ainda que, pensando bem, não haja muita Verdade ou Justiça neste país, de modo que ele seguramente não aceitaria esse tipo de aliança. Em todo o caso, os conselheiros de Obama devem ter lhe explicado que a defecção de Super Homem deveria ser tratada como uma imensa crise cultural e ideológica que inclusive poderia custar a reeleição ao presidente, uma vez que os republicanos já cozinhavam planos para acusá-lo de ter “perdido” o Super Homem (como ocorreu com Cuba ou Vietnã).

A resposta de Obama foi genial: ao matar Bin Laden, provava que os EUA não necessitava de um homem musculoso que voa e atravessa paredes para defender-se dos terroristas, pois, para isso, tem helicópteros e tropas especiais como os Seals, computadores e armas – como que não – de aço. Um modo de restaurar a confiança nacional que estava machucada e que dificilmente poderia tolerar outro menosprezo à sua auréola.

É claro que, antes de poder realizar aquela operação no Paquistão, Obama tinha que acertar outro assunto, um problema que o rondava há vários anos. Como iria apresentar-se perante o mundo e anunciar o assassinato de Bin Laden em nome dos Estados Unidos se uma insólita porcentagem de seu próprio povo duvidada que seu presidente era, de fato, norteamericano? Como criar o contraste com o trânsfuga Super Homem se Obama mesmo era acusado de ter nascido no estrangeiro, no Quênia, que, como se sabe, está muito mais longe do Kansas do que o planeta Krypton, por mais que os três lugares compartilhem a kafkiana letra K?

Isso levou Obama a divulgar, há alguns dias, sua certidão de nascimento, tapando a boca daqueles que o apontavam como um “alien” (alheio, estrangeiro, mas também extraterrestre, outro significativo paralelo entre o presidente e o super herói). Por certo que um conjunto de seus concidadãos segue acreditando que Obama não nasceu em território norteamericano. Insistem que o documento foi flasificado, que o hospital foi subornado e que a mãe (nascida originalmente nada mais nada menos que no Kansas) trouxe o menino de contrabando para o Wawaí, porque sabia que, dali a quarenta e tantos anos, aquele menino mulato seria presidente. Creio que a única maneira desses recalcitrantes aceitarem que Obama nasceu nos EUA seria ele branquear inteiramente a cara e toda a pele. Aí ele já não seria mais um “alien”.

Mas, para a maioria de seus compatriotas, Obama conseguiu em uma semana uma verdadeira e tripla proeza. Ao provar que era um presidente legítimo, pode, armado de seu certificado de nascimento e também do exército mais poderoso do globo, eliminar o sinistro inimigo número um dos Estados Unidos. E sem precisar da intervenção do Super Homem.

E agora?
Agora, proponho uma façanha de verdade: já que a razão pela qual Bush invadiu o Afeganistão era o apoio que os talibãs ofereciam a Bin Laden, não chegou o momento de retirar todas as forças norte-americanas desse país de montanhas e guerrilhas?

Estou seguro que o Super Homem, em parceria com as Nações Unidas e esgrimindo seu novo passaporte cosmopolita e global, ficaria feliz em ajudar no transporte rápido das tropas. Seria bonito vermos isso nas próximas aventuras do Homem de Aço, seria alentador que Obama e o Superman – ambos com suas origens no Kansas, ambos menosprezados por serem “estrangeiros” – colaborassem para criar pelo menos um pequeno oásis de paz no mundo onde infelizmente escasseiam hoje tanto a verdade como a justiça.
(*) Ariel Dorfman é escritor. Seu romance mais recente é “Americanos: Los passos de Murieta”.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior

terça-feira, 3 de maio de 2011

Obama surfando na onda da morte! Por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

"Há uma guerra civil rastejante na sociedade capitalista" diz Zizek - por Benedetto Vecchi - Il Manifesto

"Há uma guerra civil rastejante na sociedade capitalista"
A crise do capitalismo alimenta o crescimento, na Europa, de um populismo inquietante e autoritário que tem em Sílvio Berlusconi o maior intérprete. Mas abre também espaço inédito para uma política que tenda à sua superação, defende o filósofo esloveno Slavoj Zizek em entrevista a Benedetto Vecchi, do Il Manifesto. "Há uma guerra civil rastejante na sociedade capitalista. A inquietação ambiental atingiu os níveis de vigilância. A democracia é reduzida a um simulacro. Ainda assim, nem tudo está perdido", diz Zizek.
Benedetto Vecchi - Il Manifesto

Escrita em estilo sóbrio, a obra analisa o mundo depois da crise econômica e a tendência de muitos governos de intervir, por meio de financiamento das dívidas dos bancos e das grandes instituições financeiras, para evitar aquilo que apenas há poucos anos parecia a trama de um filme de ficção sobre o colapso do capitalismo. 
Mas o autor procura distanciar-se das posições teóricas de muitos estudiosos marxistas, que sempre viram o neoliberalismo como um parêntese que, eventualmente, seria substituído por uma realidade social e política mais consentânea com as leis económicas, dando pouco espaço para os rentistas que enriqueceram com as loucuras especulativas das últimas décadas.

Para Zizek, ao contrário, o neoliberalismo tem sido uma adequada contra-revolução que cancelou a constituição material e formal surgida após a II Guerra Mundial, quando o capitalismo era sinonimo de democracia representativa. No início do terceiro milênio, a contra-revolução terminou, abrindo espaço para uma política radical que Zizek, em sintonia com o filósofo francês Alain Badiou, chama enfaticamente de “hipótese comunista”.

O filósofo esloveno não fecha, porém, os olhos para o fato de que os sinais provenientes de toda a Europa apontam para a ascensão de uma direita populista que conquista consensos onde os partidos social-democratas eram tradicionalmente fortes – como na Holanda, Noruega, Suécia. E também era irônico que com os democratas e norte-americanos radicais, que “nos Estados Unidos, depois de haver saudado a eleição de Obama para a Casa Branca como um evento divino, agora se deleitassem em discutir se é politicamente mais incisivo 'Avatar', de James Cameron, ou 'Estado de Guerra', de Kathryn Bigelow”. Eis a entrevista:

Num artigo, você lançou farpas contra “Avatar”, definindo-o como um filme apolítico. No entanto, no filme de Cameron, há fortes referências tanto à guerra do Iraque quanto à destruição da floresta amazônica: em ambos os casos, os vilões são as multinacionais…

Slavoj Zizek: O filme de James Cameron é agradável, divertido, uma obra inovadora do ponto de vista do uso das tecnologias digitais. Mas aqueles que sustentam que os críticos radicais nos Estados Unidos são uma espécie de ala marxista de Hollywood não me convencem. Eles escreveram que Avatar retrata a luta de classes e a luta dos pobres contra os ricos, com o fim de auto-determinarem a sua vida. Há um planeta, Pandora, que é invadido por uma tropa de mercenários a soldo de multinacionais. O objetivo é depredar os seus recursos naturais, colocando, assim, em perigo o milenário equilíbrio que os seres vivos estabeleceram com o luxuriante ecossistema. Podemos estabelecer certa analogia com o que as multinacionais e os países imperialistas fazem com a Floresta Amazônica, com o Iraque ou com toda aquela realidade onde estão as fontes energéticas e as matérias primas fundamentais para a produção de riqueza. No filme, os aborígenes de Pandora, em nome de uma visão holística de relação com a natureza, opõem-se ao capitalismo, vencendo, no final, a sua batalha. Mas a natureza é um produto cultural que muda com a mudança das relações sociais.

Os seres sempre retiraram da natureza os meios para viver e se reproduzir como espécie. Mas ao fazê-lo, transformaram a natureza. Não é, portanto, retornando a uma idade de ouro idealizada, como sugere James Cameron, que se pode derrotar o capitalismo. “Avatar” é pura fantasia, fascinante por certo, mas sempre fantasia.

Você tem frequentemente sublinhado que o populismo é uma doença do Político. Não lhe parece que o populismo, mais que uma doença, seja a forma política que, melhor que as outras, se adapta ao capitalismo contemporâneo?

Zizek: Até há alguns anos, afirmava-se que o capitalismo era sinônimo de democracia na sua forma liberal, fundada sobre a tolerância, o multiculturalismo e o politicamente correto. Agora, ao contrário, assistimos às forças ou aos líderes políticos que invocam a mobilização do povo para combater os inimigos do estilo de vida moderno. O filósofo argentino Ernesto Laclau analisou a fundo a lógica do populismo, sustentando que existe uma variante de esquerda e uma variante de direita. A tarefa do pensamento crítico consistiria em evitar a derivação de direita.

Não estou de acordo com essa posição. Em primeiro lugar, o populismo é sempre de direita. Além disso, o povo, como a natureza, é uma invenção. Laclau acredita que para fazê-lo tornar-se realidade deve-se imaginar um universal que contenha e supere as diferenças dentro dele. Daí a necessidade de identificar um inimigo que impede a formação do povo. Não é uma coincidência, então, que a forma acabada de populismo seja o anti-semitismo, porque indica um inimigo que vive entre nós. O mesmo fazem os populistas contemporâneos quando indicam os migrantes como a quinta-coluna entre nós.

Na sua avaliação, o populismo dirigirá o conflito contra inimigos de conveniência, para esconder o sistema de exploração do capitalismo. Isso quer dizer que esta tendência ocupa um espaço político abandonado, por exemplo, pela esquerda. Como recuperar esse espaço?

Zizek: Walter Benjamin escreveu que o fascismo emerge de onde uma revolução foi derrotada. Um conceito que, aplicado à realidade contemporânea, explica o fato de o populismo emergir quando a hipótese comunista, que não coincide com o socialismo real, é retirada da discussão pública. Entretanto, no tolerante capitalismo contemporâneo assistimos à campanha midiática contra os migrantes, porque atentam contra a nossa segurança. Ou ficamos atordoados com intelectuais que, como Bernard Henri-Levy, debatem longamente sobre a superioridade da civilização ocidental e sobre o perigo representado pelo fundamentalismo islâmico, qualificado como islamo-facismo.

Creio, todavia, que há fortes pontos de contacto entre a ideologia liberal e o populismo: ambos são pensamentos políticos que levam em conta o estilo de vida capitalista ocidental como o único mundo possível. Os liberais, em nome da superioridade da democracia, os populistas em nome do único estilo de vida que as pessoas se dão. Há também diferenças. Os liberais estão impondo, mesmo com as armas, a democracia e a tolerância entre quem não é democrático nem tolerante. Os populistas desejam, ao contrário, aniquilar de modo suave de polícia étnica as diversidades culturais, sociais, de estilo de vida. O populismo é, portanto, uma das formas políticas do capitalismo global, mas não a única. Silvio Berlusconi, frequentemente julgado como um comediante ou um personagem de opereta, é, ao contrário, um líder político para ser estudado com atenção, porque pretende conjugar a democracia liberal com o populismo.

O primeiro-ministro italiano está, todavia, acelerando uma tendência presente em todos os sistemas políticos democráticos. Sua obra visa modificar o equilíbrio dos poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário – para benefício do Executivo, de modo tal que o executivo englobe o Legislativo e o Judiciário, mas sem cancelar os direitos civis e políticos. As eleições são consideradas como uma sondagem sobre a obra do executivo. Se Berlusconi perde, invoca em seguida a soberania popular representada por ele. A forma política que propõe é, sim, uma mescla entre democracia e populismo, se bem que a sua ideia de democracia seja uma democracia pós-constitucional que faz da invenção do povo o seu traço distintivo. Tudo isso faz com que a Itália, mais que um país atípico, seja um laboratório inquietante onde se desenvolveu uma democracia pós-constitucional. Desse ponto de vista, na Itália está sendo construído o futuro dos sistemas políticos ocidentais…

O que quer dizer com pós-constitucional?

Zizek: Uma democracia que elimina a antiga divisão e equilíbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Equilíbrio dos poderes definido por todas as constituições europeias e pelo Bill of Rights dos Estados Unidos…

Na Europa, tudo isso é chamado pós-democracia. Claro, Sílvio Berlusconi deseja superar a democracia representativa que conhecemos no capitalismo. Por isso é um líder político mais que nenhum outro. Acho que o presidente Nicolas Sakozy tem uma visão muito mais clara do que aquela posta em jogo no capitalismo. Isso quer dizer que é mais perigoso do que os outros expoentes da direita europeia ou dos EUA. Não nos encontramos, portanto, em frente a um personagem de opereta, que vai às mulheres e promulga leis ad personam. A tragédia apresenta sempre momentos de opereta. Mas há tragédia quando se manifestam conflitos radicais, onde não há possibilidade nem de mediação nem de salvação.

Será, por isso, interessante ver como evoluirá a situação italiana, que não representa – e sobre isso, estou de acordo consigo – uma anomalia, mas um laboratório político cuja existência condicionará muitíssimo o futuro político da Europa. Na Holanda, na Suécia, na Noruega, na Dinamarca, na França, na Inglaterra há, de fato, forças políticas populistas que recolhem sempre mais consensos eleitorais graças às campanhas anti-migratórias que conduzem, mas não têm aquele radicalismo que apresenta a situação italiana.

Dito isso, não é preciso, no entanto, desenvolver uma visão apocalíptica da realidade. É claro: há uma guerra civil rastejante na sociedade capitalista. A inquietação ambiental atingiu os níveis de vigilância. A democracia é reduzida a um simulacro. Ainda assim, nem tudo está perdido.

Pelo contrário. Como demonstra a recente crise econômica, quando tudo parece perdido, abre-se espaço para uma ação política radical, que eu chamo de comunista. Tomemos o recente encontro sobre ambiente realizado no ano passado em Copenhaga. O resultado final, mais que um êxito decepcionante, foi um desastre político. Há propostas, derrotadas nos trabalhos da cúpula, que indicam na salvaguarda do ambiente uma das prioridades para salvar o capitalismo. Podemos pensar numa aliança tática com quem o carrega avante.

A crise econômica, além disso, exigiu uma intervenção do Estado para salvar da bancarrota empresas, bancos e sociedades financeiras. Mas isso significou que o tabu sobre a periculosidade da intervenção reguladora do Estado foi quebrada. Isso pode reforçar os socialistas — isto é, aqueles que apontam para uma redistribuição dos rendimentos e de poder. Não é a política que eu amo, mas abre espaço a propostas mais radicais. Por outras palavras, volta forte a ideia comunista de transformar a realidade. O que proponho não é um mero exercício de otimismo da razão, mas a consciência de que há forças e relações sociais que podem ser liberadas a partir da camisa de força do capitalismo.

Toni Negri e Michael Hardt acham que enfatizando as características do capitalismo pós-moderno criam-se condições para o governo da comuna — isto é, do comunismo – graças àquilo que definiu a virtude prometeica da multidão. Mais realisticamente, acho que devemos organizar as forças sociais oprimidas para uma ação praticável no presente e no futuro imediato.

VocÊ escreve, em sintonia com Alain Badiou, que o comunismo é uma ideia eterna. Uma política “comunista” deve, todavia, ancorar-se numa análise das relações sociais de produção e das formas que ela assume numa contingência histórica. Pode-se estar de acordo ou em discordância com a tese de Negri e Hardt sobre o capitalismo cognitivo, mas os seus escritos assinalam exatamente essa necessidade. Caso contrário, o comunismo torna-se uma teologia política, não acha?

Zizek: Não acredito, como Hardt e Negri, que com o desenvolvimento capitalista as forças produtivas, mais cedo ou mais tarde, entrem em rota de colisão com as relações sociais de produção. Precisamos agir politicamente para que isso aconteça. É esse o legado de Lenin que não pode mais ser apagado. Mas deixemos fora os textos sagrados e olhemos o capitalismo real. Existe certamente uma setor de força-trabalho cognitiva, mas que também continua a trabalhar em fábrica e que, como os migrantes, é reduzida a uma condição de submissão servil no processo laboral.

Para não jogar no lixo da história esses “excluídos”, ou “marginais”, é preciso uma forte imaginação política, capaz de recompor e unir os diferentes setores da força-trabalho. A teologia é sempre fascinante, mas, quando digo que a ideia comunista é eterna, refiro-me ao fato de que é uma constante na história humana a tensão de superar a condição de escravidão e exploração. Por isso, o comunismo volta sempre, mesmo quando tudo previa que fosse permanecer definitivamente sepultado sob os escombros do socialismo real.

Tradução: Anete Amorim Pezzini para o Outras Palavras
Fonte: Carta Maior

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Como os Estados Unidos criaram Bin Laden - por Antonio Martins

A história proibida da aliança entre Washington e o homem que ordenaria os ataques de 11 de setembro
Por Antonio Martins* | Imagem: Dragão, de M.C. Escher (detalhe)

A ordem formal para detonar o último esconderijo de Bin Laden foi dada por Barack Obama na manhã de sexta-feira, informou nesta manhã (2/5) o New York Times. Antes de rumar para o Alabama, onde acompanhou o socorro às vítimas de tornados violentos, o presidente determinou que forças especiais da central de inteligência dos EUA – a CIA desencadeassem o ataque. Instalado numa casa em Abbottabad, a apenas 50 quilômetros da capital do Paquistão, o líder da Al Qaeda teria resistido ao comando que o localizou. Segundo fontes norte-americanas, foi ferido na cabeça e em seguida, estranhamente, sepultado no mar. As circunstâncias exatas da operação ainda são desconhecidas.
Ironicamente, a CIA, encarregada de conduzir a operação que liquidou Bin Laden, está estreitamente associada ao surgimento do terrorista. Pouco se falará a respeito, nos próximos dias, mas tanto o homem de barbas longas e olhar calmo quanto a própria Al Qaeda forma conscientemente criados pelos Estados Unidos, no contexto da disputa contra a União Soviética, na “guerra fria”.

Os fatos estão estão disponíveis em algumas publicações alternativas norte-americanas, entre as quais destacam-se, o site Z-Net, a revista The Nation. Para esta escreve Robert Fisk, um repórter veterano e especializado em questões de Oriente Médio. Ele escreve fala com a autoridade de quem se encontrou várias vezes, na condição de jornalista, com Bin Laden.
A última delas, conta, foi em 1997, nas montanhas do Afeganistão. Avistou o saudita na pose e nos trajes em que aparece costumeiramente na imprensa ocidental. Roupas afegãs tradicionais, refestelado em sua caverna, ar tranqüilo. Bin Laden aparentou um conhecimento muito superficial sobre a situação do mundo. Atirou-se sobre o jornal que Fisk tinha consigo. Deu a entender que a leitura lhe trazia muitas novidades, mas abandonou a atividade depois de meia hora. Preferiu falar sobre sua crença na proteção que lhe seria assegurada por Alá. Relatou os muitos episódios em que, ao enfrentar os ocupantes soviéticos do Afeganistão, salvou-se porque os foguetes que foram atirados sobre seus esconderijos deixaram de explodir. Afirmou não temer a morte, porque “como muçulmano, acredito que, quando morremos em combate, vamos para o Paraíso”. Mas não deixou, nem por um instante, o abrigo em que se encontrava. Fisk registra: era “uma relíquia dos dias em que combateu os soviéticos: um nicho de oito metros de altura escavado na rocha, à prova até mesmo de ataques de mísseis”.

Em nome da vitória sobre os soviéticos, acordo com os extremistas
Num outro texto — um artigo analítico assinado por Dilip Hiro, intitulado “O custo da ‘vitória’ afegã” The Nation revive as circunstâncias da aliança que acabaria envolvendo Washington e Bin Laden. O cenário é o Afeganistão; a época, a última fase da Guerra Fria. Em 1979, um golpe militar havia levado ao poder grupos ligados à União Soviética (URSS). Anticomunista fervoroso, Zbigniew Brzezinsky, assessor de Segurança Nacional do então presidente Jimmy Carter, vislumbra uma oportunidade de passar da defesa ao ataque. Não quer apenas reinstalar em Kabul um governo aliado ao Ocidente. Pretende disseminar, entre as populações muçulmanas da URSS, um tipo de pensamento religioso capaz de incitá-las ao máximo contra o governo de Moscou. The Nation frisa: havia alternativas, mesmo para os que, como o assessor de Segurança Nacional, estavam empenhados em promover a Guerra Fria. Exitiam no Afeganistão “diversos grupos seculares e nacionalistas opostos aos soviéticos”. Ao invés de apoiá-los, no entanto, a Casa Branca parte para o que julga ser uma cartada genial. Impulsiona as organizações afegãs mais fundamentalistas, reunidas, desde 1983, na Aliança Islâmica do Mujahedin Afegão (IAAM, em inglês).
Os instrutores valorizam ao máximo a guerra santa (Jihad) contra Moscou. A Casa Branca quer matar dois coelhos com uma só paulada. A suposta defesa do islamismo contra os ateus soviéticos serve para consolidar, no Paquistão, o poder de Zia ul-Haq, fiel aliado do Ocidente. O terceiro elo da coalizão é a Arábia Saudita, onde outro governo pró-americano, embora muito rico, necessita de reforço ideológico. Ao longo de alguns anos, os príncipes sauditas serão convidados a “doar” 20 bilhões de dólares para a cruzada da IAAM. Através da CIA, os Estados Unidos comparecerão com mais US$ 20 bi. Os rios de dinheiro verde servirão para recurtar e formar guerrilheiros fanatizados e armá-los até os dentes. Fazem parte de seu arsenal mísseis anti-helicópteros que serão decisivos para enfrentar e vencer tanto o governo pró-URSS quanto as próprias tropas soviéticas, que, em favor de seu aliado, ocuparam o país em 1979.

Um milionário saudita adere a estranhos “lutadores da liberdade”
É esse clima de extremismo e intolerância suscitado por Washington que atrairá o saudita Osama bin Laden ao Afeganistão. No início dos anos 80, quando chegou ao país, ele era apenas o jovem herdeiro milionário de uma família de empresários do ramo da construção. Estava fascinado pela jihad patrocinada pelos EUA. Foi o primeiro saudita a aderir a ela, e levou consigo, ao longo do tempo, pelo menos 4 mil compatriotas. Tornou-se líder dos “voluntários” no Afeganistão. Aproximou-se dos dirigentes do IAAM, que, graças ao apoio recebido da Casa Branca, constituiriam anos depois o governo Taliban. Construiu abrigos reforçados para depósito de armas, participou de ações guerrilheiras. Jamais lhe faltou apoio moral do Ocidente. O repórter Robert Fisk relata: “Estava no Afeganistão em 1980, quando Laden chegou. Ainda tenho minhas notas de reportagem daqueles dias. Elas recordam que os guerilheiros mujahedin queimavam escolas e cortavam as gargantas das professoras, porque o governo tinha decidido formar classes mistas, com meninos e meninas. O Times de Londres os chamava de ‘lutadores da liberdade’. Mais tarde, quando os mujahedins derrubaram (com um míssil inglês Blowpipe) um avião civil afegão com tripulação e 49 passageiros, o mesmo jornal os chamou de ‘rebeldes’. Estranhamente, a palavra ‘terroristas’ nunca foi usada para qualificá-los”

A partir de 1989, com o colapso do governo pró-soviético no Afeganistão e da própria União Soviética, os “voluntários” começaram a voltar a seus países. Ao retornarem ao mundo árabe, explica Dilip Hiro, formaram um grupo à parte, que se tornou conhecido como os “afegãos”. Tinham marcas muito características. A intolerância e o desprezo pela vida humana eram os mesmos cultivados sob comando e por determinação consciente dos Estados Unidos. Haviam adquirido, nos anos da luta anti-soviética, alta capacitação em práticas terroristas. Eram, contudo, menos inexperientes do ponto de vista político. Passaram a observar que países como a Arábia Saudita e o Egito eram governados por elites tão submissas aos Estados Unidos quanto era subordinado aos soviéticos o governo afegão contra o qual lutaram.

A cobra volta-se contra o ninho em que se criou
A guerra do Golfo os voltou de vez contra Washington. Encerrada a campanha contra o Iraque, em 1991, a Casa Branca descumpriu a promessa de retirar da Arábia Saudita — país onde estão as cidades sagradas de Meca e Medina — as bases militares e os milhares de soldados mobilizados contra Saddan Hussein. Bin Laden e seus liderados lembraram que isso contraria a Sharia , lei islâmica. Em 1993, o rei Fahd, talvez o mais fiel aliado dos EUA no mundo árabe, ainda cortejou o milionário, chegando a ponto de nomeá-lo para um Conselho Consultivo real. Em 94, depois de novos desentendimentos, Bin Laden foi expulso da Arábia Saudita. Em 96, declarou uma jihad contra a presença norte-americana no país. Afirmou então que “expulsar do ocupante americano é o mais importante dever dos muçulmanos, depois do dever da crença em Deus”. Dois anos depois, uma declaração conjunta assinada por uma frente de organizações fundamentalistas formada por Bin Laden exortava: “A determinação de matar os americanos e seus aliados — civis e militares — é um dever individual para todo muçulmano que possa fazê-lo em qualquer país onde isso for possível, com objetivo de libertar de suas garras a Mesquita de Al-Aqsa [em Jerusalém] e a Mesquita Sagrada [Meca]. Isso está em consonância com as palavras de Deus todo poderoso”.
Em seu relato para The Nation, Robert Fisk lembra que Bin Laden não é o primeiro aliado com quem a Casa Branca se relaciona intimamente durante certo tempo, para mais tarde, quando já não necessita de seus serviços, acusá-lo — com ou sem motivos — de terrorista. Ele cita os casos de Saddan Hussein, visto como herói quando atacou com armas químicas o Irã; ou de Iasser Arafat, considerado “super-terrorista” quando liderava a luta pela libertação da Palestina e mais tarde “respeitável homem de Estado”, ao firmar com Israel acordos de paz jamais cumpridos.

Bastaria olhar para a América Latina para encontrar outros múltiplos exemplos de relações privilegiadas entre Washington e terroristas, praticantes de golpes de Estado, governantes tirânicos, corruptos, torturadores. Num outro sentido, menos direto, porém mais ameaçador, a aliança com o terror está, aliás, sendo reeditada neste exato momento. Bin Laden usa a opressão dos EUA e de Israel contra o mundo árabe como pretexto para justificar sua intolerância e atos criminosos. Todas as declarações dos governantes norte-americanos feitas após os atentados de 11 de setembro indicam que a Casa Branca pretendem apoiar-se no risco real do terror para desencadear uma ofensiva militar e política que, se não for barrada, transformará o planeta num local muito mais violento, antidemocrático e desigual. Talvez por isso, as sociedades tenham o direito de dizer que, contra a barbárie dos extremistas e do Império, a única saída é a construção de um mundo novo.

* As partes essenciais deste texto foram escritas em setembro de 2011 e publicadas no site Planeta Porto Alegre, cujos arquivos – recentemente resgatados pelo webmaster e midiativista Rafael Banto — estão disponíveis aqui
Fonte: http://www.outraspalavras.net

A morte de Osama: Obama apresenta o matador - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

[França] Lyon: Uma TAZ contra o Estado fascista francês - por ANA

[França] Lyon: Uma TAZ contra o Estado fascista francêsNo dia 10 de abril, domingo, ocorreu na Place de la Croix-Rousse (Praça da Cruz Vermelha), em Lyon, uma TAZ (Zona Autônoma Temporária) contra a lei LOPPSI 2, com o lema: “Manifestival por nossas liberdades”. O acampamento de resistência reuniu centenas de pessoas, entre crianças e adultos, num ambiente divertido, animado e subversivo.O evento contou com diversas atividades: bate-papos, feira de trocas e sem preço, concertos, teatro, performances, roda de brincadeiras, pinturas etc.

Recentemente, a Assembléia Nacional Francesa aprovou em primeira instância a Lei de Orientação e Programação para a Segurança Interior, a lei LOPPSI 2. O objetivo das autoridades francesas com essa lei draconiana é "tornar a França um lugar mais seguro", permitindo que o governo instale trojans nos computadores dos usuários para monitorá-los.A LOPPSI 2 abrange diversas áreas, como criminalização do roubo de identidade na web e pedofilia, e prevê maior investimento da polícia na ampliação do banco de dados de DNA, monitoramento do acesso à internet, grampos de linhas telefônicas, entre outros assuntos.

Uma das propostas da lei LOPPSI 2 obriga provedores de acesso a bloquear ou filtrar sites que o governo determinar.Para ampliar esta luta contra a lei LOPPSI 2, vários acampamentos de resistência e ação estão sendo organizados ao redor da França, por frentes, redes, organizações, associações, grupos, sindicatos, movimentos, formal ou informal.

Galeria de imagens da TAZ:
› http://www.flickr.com/photos/atelierdecreationlibertaire/with/5646818647/

agência de notícias anarquistas-ana
Num vôo direto
o pássaro volta
procurando um teto

Eugénia Tabosa

Osama Bin Laden está morto: eles vão sentir sua falta - por Latuff

Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Para o Brasil "Crescer e Ficar Forte" - por Juliana Borges

Para o Brasil "Crescer e Ficar Forte"
Belo Monte : Privatização da Água e do Território Amazônico
por Rafael Freire

Belo Monte, apesar do nome, tem sido, há três décadas, mais um capítulo do processo de degradação da Floresta Amazônica, do massacre dos povos indígenas, do saque das riquezas brasileiras e da privatização dos setores econômicos estratégicos para a soberania nacional em favor dos monopólios capitalistas.
(...)
Histórico
Ainda em 1975, iniciaram-se os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu, para avaliar o potencial de geração de energia elétrica do rio. Em 1980, a Eletronorte (subsidiária da estatal Eletrobrás) passa a estudar a viabilidade técnica e econômica do chamado Complexo Hidroelétrico de Altamira, inicialmente formado por duas futuras usinas: Babaquara e Kararaô.
Já em 1989, durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, os participantes se posicionam contra a construção da usina Kararaô e exigem que o nome do projeto seja alterado, em respeito à sua opinião contrária. Neste encontro, uma cena ganhou o mundo e entrou para história. Enquanto o então presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz, falava sobre a usina, a índia Tuíra se levantou da plateia e encostou a lâmina de seu facão no rosto de Muniz, numa demonstração de que os povos indígenas da Amazônia estão prontos para ir à luta pela preservação da Floresta e pela sua sobrevivência.
Durante anos, o projeto fica engavetado, e só em 2001, quando foi divulgado um plano de emergência de US$ 30 bilhões para aumentar a oferta de energia no país, com a construção de 15 usinas hidrelétricas, é que Belo Monte volta a ser discutido oficialmente. Em 2002, enquanto o então presidente da República Fernando Henrique Cardoso critica ambientalistas e diz que a oposição à construção de usinas hidrelétricas atrapalha o país, o então candidato e futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança um documento intitulado “O Lugar da Amazônia no Desenvolvimento do Brasil”, que cita Belo Monte e diz que “a matriz energética brasileira, que se apoia basicamente na hidroeletricidade, com megaobras de represamento de rios, tem afetado a Bacia Amazônica”.
Em 2007, durante o Encontro Xingu para Sempre, índios entram em confronto com o responsável pelos estudos ambientais da hidrelétrica, Paulo Fernando Rezende, que fica ferido, com um corte no braço. Após o evento, o movimento elabora e divulga a “Carta Xingu Vivo para Sempre”, que especifica as ameaças ao Rio Xingu e apresenta um projeto de desenvolvimento para a região. No mesmo ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de Brasília, autoriza a participação das empreiteiras Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez nos estudos de impacto ambiental da usina, numa clara demonstração de quais interesses, de fato, comandarão e sairão ganhando com a construção da usina.

Projeto e leilão
A área total do projeto é de aproximadamente 1.000 km2*. A área inundada com o lago da usina pertence aos municípios de Altamira (267 km2), Vitória do Xingu (248 km2), Brasil Novo (0,5 km2). Estima-se que a obra obrigará o deslocamento forçado e imediato de cerca de 20 mil pessoas e ainda afetará a migração de outras 100 mil entre moradores de Altamira (principal cidade da região), povos indígenas e população ribeirinha que vive ao longo do Rio Xingu e seus afluentes.
O custo da obra está orçado inicialmente em R$ 19 bilhões, mas vários especialistas e até as próprias empresas que participaram dos estudos prévios já disseram que, ao final, tudo sairá por volta dos R$ 30 bilhões. Dinheiro para tal feito não é problema. O Governo Federal já se comprometeu em financiar 80% da obra através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com ressarcimento dos empréstimos em até 30 anos. Além disso, as megaempresas exigiram um abatimento de 75% no Imposto de Renda sobre as movimentações relativas à obra; conseguiram.
Após diversas idas e vindas judiciais, com liminares suspendendo e liberando o leilão, este aconteceu no dia 20 de abril e durou apenas 10 minutos.
O governo brasileiro ainda enfrentará pelo menos 15 questionamentos judiciais sobre a viabilidade econômica da obra e os impactos sociais e ambientais na região, sendo 13 deles impetrados pelo Ministério Público Federal do Pará.
O vencedor do leilão foi o consórcio Norte Energia, que ofereceu o valor de R$ 78 por megawatt-hora (MWh). Nele, a participação estatal é de 49,98%. Ou seja. Por apenas 0,02% das ações, grandes empresas privadas serão os acionistas majoritários do empreendimento. Vão mandar e desmandar no processo de construção e gestão da usina e dos recursos hídricos do Xingu.
Mais uma vez, repete-se a velha lógica de usar recursos públicos, dinheiro do povo, para financiar os lucros dos monopólios capitalistas, como ocorreu nas famigeradas privatizações.

Desrespeito aos povos e privatização
Assim, além de privatizar a Amazônia e nossas riquezas, Belo Monte desrespeita frontalmente os povos indígenas, rasgando a Convenção 69 da OIT, da qual o Brasil é signatário, que prevê que o governo precisa conseguir o consentimento prévio, livre e informado dos povos indígenas, antes de tomar medidas que os afetem.
Pois declarou Dom Erwin Kräutler, Bispo do Xingu e Presidente do Cimi ao jornal Voz de Nazaré “Se Belo Monte for construída, a obra será realizada no limite de terras indígenas com inegáveis impactos sociais e culturais causados pela proximidade do canteiro de obras e de pessoas estranhas às aldeias. Ao longo de cerca de 100 km, a volta Grande do Xingu sofrerá "redução da vazão e rebaixamento do lençol freático com impactos biológicos originando um Trecho de Vazão Reduzida (TVR). Essa perda de recursos naturais e hídricos prejudicará diretamente os povos indígenas. Como viver no seco? De que se alimentarão, já que "o conjunto das espécies que vivem neste trecho do rio não sobreviverá sob um regime de vazão", em outras palavras, se aos indígenas falta o peixe?
Em 2007, quando o presidente Lula deu a medalha de Ordem do Mérito Cultural ao cacique Raoni, líder dos indígenas da região, ele disse que não iria assinar a construção da barragem de Belo Monte. Pelo jeito, o presidente Lula também esqueceu suas promessas para satisfazer as grandes corporações capitalistas.
Rafael Freire é diretor do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba
Fonte : A Verdade
Fonte: http://peledaterra.blogspot.com/

[Suíça] Marco Camenisch é transferido pela segunda vez em 6 meses! - por ANA

[Suíça] Marco Camenisch é transferido pela segunda vez em 6 meses!O eco-anarquista preso Marco Camenisch foi transferido pela segunda vez em 6 meses. Desta vez foi levado à cadeia de Lenzburg, em Argovia. Ninguém sabe o porquê. O que está claro é que cada traslado torna-se um grande estresse para o preso. Uma situação nova, um novo regime, novos vexames.

Marco precisa de nossa solidariedade! Por 20 anos está como um prisioneiro político.

Envie cartas de apoio:

Marco Camenisch

Justizvollzugsanstalt Lenzburg

Postfach 75

5600 Lenzburg

Suíça

Um pouco de história
Marco Camenisch: Prisioneiro eco-anarquista suíço, ativo durante a década de 70, realizou uma campanha feroz contra a indústria nuclear, atacando torres de energia e sabotando centrais nucleares. Foi preso em 1980, mas escapou da prisão no ano seguinte, durante a fuga realizada com outros cinco presos - um guarda foi morto a tiros e outro ficou gravemente ferido. As autoridades acusaram Marco de ser o único a disparar a arma. Embora tenha sempre negado.

Esteve por 10 anos foragido, vivendo nas montanhas e cooperativas, até que foi preso na Itália em 1991; durante sua detenção iniciou-se um tiroteio no qual Camenisch feriu um carabineiro, Marco também foi ferido e preso.

Sua casa foi revistada e foram encontradas duas pistolas e seis bombas caseiras. Em 2002 ele foi mandado para a Suíça, onde ele está agora.

Camenisch sempre manteve sua atitude contestatória, publicando de artigos em vários jornais, fazendo greves de fome e outras manifestações.

agência de notícias anarquistas-ana
silenciosamente
uma aragem enfuna
as cortinas enluaradas

Rogério Martins