sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por que é preciso criminalizar a homofobia - Por Rachel Duarte

Por que é preciso criminalizar a homofobiaEm 24/9, Willian participou da abertura do Fórum Social Temático. No domingo, foi agredido de forma estúpida.

Entrevista com Willian do Santos, vítima de atentado que repercute intensamente nas redes sociais. Agredido em Porto Alegre no domingo, garoto perdeu quatro dentes, mas garante que não deixará caso passar em branco.

“Tudo que aconteceu comigo é reversível. O que permanecerá em mim é a lembrança da tragédia. Esta eu levarei para o resto da vida”, disse ao Sul21 o jovem Willian dos Santos, vítima de agressão por homofobia no último domingo (5), em Porto Alegre. Com dificuldades na fala, em razão da perda de quatro dentes e deslocamento da mandíbula, por conta da violência sofrida ao sair do cinema no bairro Cidade Baixa, o estudante de 20 anos está disposto a não deixar o caso passar em branco. “O que aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas e pode acontecer de novo. Estou a disposição do estado para novos esclarecimentos”, disse.

Com voz e jeito de rapaz muito humilde, William conta que embarca no próximo domingo (12) para Natal (RN) onde dará continuidade na faculdade de Relações Internacionais que cursava no Rio Grande do Sul. “Eu não estou indo embora por causa da agressão, já tinha esta oportunidade. Vou sentido em deixar os amigos, ainda mais nesta hora que todos estão me apoiando pelo que me aconteceu”, fala. O jovem chegou a aparecer no Sul21 dias antes da agressão, por conta de sua participação na marcha de abertura do Fórum Social Temático.

O coordenador do Grupo Somos, Alexandre Boer, foi procurado pelo jovem no dia da agressão e conta que ele já prestou trabalhos voluntários na ONG. “Ele é muito espontâneo, agilizado. Ele é daqueles que podemos dizer que tem o jeito de ‘bichinha’. Mas para tu seres agredido no Brasil hoje nem precisa ter cara de gay. Qualquer um confundido com homossexual está apanhando na rua”, comenta.

Willian mora com um amigo em Novo Hamburgo e ao deixar a última sessão do cinema no último domingo voltava sozinho em direção ao Centro de Porto Alegre. Na Rua Sarmento Leite, próximo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ele foi agredido verbalmente por dois homens. Os agressores, ambos jovens, um branco e outro negro, atacaram fisicamente William sem ele ter manifestado qualquer reação ao xingamento de “veado”.

“Achei que fosse pela minha forma comportamental ou vestimenta. Mas, neste dia eu estava ‘fantasiado de heterossexual’, como eu costumo dizer. Ainda estou costurado por dentro e por fora da boca. Minha gengiva ainda sangra. Também levei quatro pontos na testa e outros no supercílio. Mas os edemas e o inchaço estão passando. O dano estético eu vou poder recuperar”, afirma o jovem que saiu da sedação e voltou a comer apenas nesta quarta-feira (08)

“Ele chegou a ficar desacordado e ao retomar a consciência conseguiu ligar para amigos que o levaram ao HPS. Os homens levaram alguns bens pessoais e a bolsa dele, deixando o celular dele no bolso”, conta Alexandre Boer.

Assim que retomou a consciência, Willian fez uma foto da própria face. “Eu não queria parecer nojento. Foi a forma que encontrei de mostrar para as pessoas o que tinha me acontecido. Eu tentei abordar policiais na rua naquela hora, mas, com todo o sangue que eu tinha, eles não me deram bola. Acho que pensaram que eu era um bêbado qualquer”, revela.

No dia seguinte, com auxílio da ONG Somos e da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Willian fez o registro da ocorrência. “Levei ele no Palácio da Polícia porque lá já fazem o exame de corpo de delito. Como homofobia não é crime, o registro vai da sensibilidade da polícia. E no boletim dele o atendente percebeu que era caso de homofobia. Agrediram só o rosto dele e deixaram o telefone pra ele. Foi uma agressão gratuita”, defende o coordenador da Somos.

Casos de agressões por homofobia crescem no RS
De acordo com a diretora estadual de Direitos Humanos, Tâmara Biolo Soares, que foi avisada do caso na noite de domingo e realizou o transporte da vítima para o registro do boletim de ocorrência, infelizmente a agressão de Willian é mais comum do que se divulga. “Vamos publicar uma nota de repúdio, com base neste episódio, contra este tipo de violência, que tem acontecido como muita frequencia em Porto Alegre e aumentado a incidência também no interior do estado”, lamenta.

Segundo Tâmara, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos está atenta aos desdobramentos judiciais que serão dados ao caso de Willian. “Registramos a queixa na Ouvidoria de Segurança Pública que abriu inquérito para identificar os agressores e entrar com processo judicial no Ministério Público. Estamos acompanhando também as investigações do delegado que está com o caso”, explica.

“As pessoas não fazem o tipo de registro por constrangimento, por isso que parece que só acontecem casos fora do RS. Eles muitas vezes dizem que foi só roubo. Os índices estão crescentes e assustadores e esta população está cada vez mais vulnerável, além de estar sendo impedida de usufruir o direito de ir e vir livremente. Por isso que defendemos o projeto de criminalização da homofobia”, defende o coordenador da Somos, Alexandre Boer.

Fotos: Daniela Bitencourt
Fonte: http://www.novae.inf.br/

"The Ape Crusaders" - Livro de ativista mostra ‘cruzada’ para salvar orangotangos - por ANDA

"The Ape Crusaders" - Livro de ativista mostra ‘cruzada’ para salvar orangotangos(Foto: Reprodução/BBC)
O ativista Sean Whyte escreveu um livro para falar sobre o seu trabalho no sul da Ásia contra a indústria que mata e captura orangotangos.

Além de falar sobre o trabalho da sua entidade de proteção aos animais, o livro The Ape Crusaders (“Os cruzados dos primatas”, em tradução livre) alerta para a possibilidade de os orangotangos virem a ser extintos nos próximos anos.

O Centro de Proteção de Orangotangos (COP), fundado por Whyte, recebe denúncias sobre animais capturados e leva fiscais aos locais onde atividades irregulares estão acontecendo.

O autor do livro conta que seu trabalho é difícil e perigoso, mas que o resultado é recompensador.(Foto: Reprodução/BBC)
Fonte: http://www.anda.jor.br/

Uma “foto” que revela muitas coisas!

Grupo de franco-atiradores americanos no Afeganistão, com bandeira da SS, a polícia nazista
Fonte: ASSOCIATED PRESS

Vamos acreditar na ingenuidade, somos todos tolos...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SP: Marcha Contra o RACISMO, a Higienização Sócio Racial e a Criminalização da Pobreza 11/02/2012!

Marcha Contra o RACISMO, a Higienização Sócio Racial e a Criminalização da Pobreza
DIA 11 DE FEVEREIRO - SÁBADO

Fonte: http://www.contraogenocidio.blogspot.com/

Estado Assassino: Israel insiste na guerra - por Luiz Eça

Israel insiste na guerraO general Dempsey foi claro: se Israel atacar o Irã sem prévio acordo com os EUA, “não conte com nosso auxílio”. O objetivo evidente era convencer os israelenses a manterem seus bombardeiros em terra até Obama decidir que os iranianos tinham ido longe demais. O que poderia nunca acontecer.

Nem bem o general voltou para seu país e o governo de Israel realizou uma reunião do mais alto nível, num subúrbio de Tel-aviv, para elencar argumentos capazes de convencer Obama que já chegara a hora de atacar. Ou, pelo menos, deixar claro que ele deveria ir se preparando, pois Israel considerava as sanções insuficientes e, portanto, já se decidira a bombardear o Irã, logo. E que seria bem sucedido.

O vice-primeiro-ministro para Assuntos Estratégicos, Moshe Ya’lon, rejeitou o argumento de que o ataque não conseguiria êxito total. “É possível destruir todas as instalações nucleares do Irã”, garantiu.

Numa tentativa de mostrar que o problema era também dos EUA, Ya’lon afirmou que a explosão de uma base de mísseis no Irã, em fins do ano passado, foi obra do serviço secreto israelense. O maior beneficiário dessa ação seria, segundo ele, os EUA, pois os mísseis da base tinham um alcance de 10.000 quilômetros, prontos para atingir cidades americanas.

O ministro não apresentou nenhuma prova ou evidência dessa asserção. A idéia de atacar os EUA é absurda. Os iranianos podem ser atrevidos, mas não são loucos.

Por sua vez, Yoram Cohen, chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna), denunciou ataques do Irã em alvos israelenses no exterior. Três deles teriam sido evitados em tempo: contra diplomatas israelenses na Turquia, Azerbaijão e Tailândia. A denúncia de Cohen ficou nas palavras, pois nenhuma prova, evidência ou sequer indício foi apresentado.

O Major-General Aviv Kochavi foi, talvez, a sensação da noite. Ele jurou que o Irã acumulou mais 4,5 toneladas de urânio enriquecido ao nível de 3,5% e quase 100 quilos ao nível de 20%. Material suficiente para produzir quatro bombas nucleares.

Como se sabe, bombas nucleares exigem urânio enriquecido a 90%. Kochavi não vê dificuldade nenhuma nisso. “No momento em que Kamenei der ordens para acelerar a produção do primeiro engenho nuclear, estimamos que levará um ano para o Irã conseguir o grau de enriquecimento necessário”.

Todas essas informações são muito estranhas. Embora se saiba que o último relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) contou com amplas informações dos serviços secretos do Ocidente – inclusive de Israel-, nada disso foi comunicado. O que nos leva a crer que as denúncias do general não passaram de words, words, words.

Há décadas que Israel ameaça bombardear o Irã. E fica por isso mesmo. Desta vez, parece que é sério. Autoridades dos EUA que têm participado das gestões diplomáticas com Israel acreditam que as chances de guerra são de 50%. Há alguns que falam em 70%.

O próprio Secretário da Defesa, Leon Panetta, declarou ao Washington Post que acreditava que Israel atacaria entre abril e junho. Depois desmentiu. Disse que não era bem assim…

O fato é que, apesar das exortações de Obama e da condenação inflamada do antigo chefe do Mossad, Meir Dagan, e de outras importantes figuras de Israel, Netanyahu não desiste do ataque.

A intransigência israelense tem dois objetivos:
1) Fazer Obama “esforçar-se mais” para tornar as sanções realmente destruidoras. E é o que o presidente tem feito. Pressionou (e continua pressionando) vários países a respeitarem o boicote do petróleo iraniano e do seu Banco Central. Procura convencer as potências petrolíferas a aumentarem sua produção para substituir o petróleo iraniano tirado do mercado.

Aumentou a força naval no Golfo e fortaleceu militarmente os países satélites da região (Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos).

Promoveu ciberataques contra as instalações iranianas e financia grupos dissidentes que querem derrubar o regime iraniano.

2) Fornecer munição aos republicanos e às personalidades públicas pró-Israel para defenderem o ataque ao Irã e pressionarem Obama, de modo a obrigá-lo a, senão apoiar esse ataque, pelo menos entrar na luta depois que os iranianos revidarem e a guerra se concretizar.

A estas alturas, é quase certo que Israel, dentro de poucos meses, enviará sua aviação para atacar o Irã. E não somente as instalações nucleares. É de se crer que bombardearão também os principais objetivos militares do país, para enfraquecer a retaliação inevitável.

Claro, com a participação americana, o ataque seria arrasador. O Irã ficaria militarmente enfraquecido, sem muitos meios para reagir à altura.

O plano B de Netanyahu é começar sozinho, aceitando que a resposta iraniana poderá causar muitas mortes.

Em compensação, causaria também a entrada dos EUA na guerra. E o fim de mais um país que se atreveu a procurar igualar a capacidade militar de Israel.

Há quem ache que pode não dar certo. Que ressurja o Obama modelo 2008, dos tempos da campanha eleitoral. Esse Obama redivivo interviria, exigindo uma trégua, com apoio e controle da ONU.

Todos os países do mundo ficariam de pé para aplaudi-lo. Até os Estados Unidos.

Luiz Eça é jornalista.
Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/

O dia em que Portinari não pisou em Nova York - Por Marília Balbi

O dia em que Portinari não pisou em Nova YorkNo cinquentenário de sua morte, vale (re)ler perfil de pintor que nunca renegou suas convicções políticas, e as atribuía a algo mais profundo que a razão

Uma agenda extensa de comemorações marcará, em 2012, os 50 anos da morte de Cândido Portinari, que se completaram em 6 de fevereiro. Em São Paulo, o Memorial da América Latina exibe, desde ontem, “Guerra” e “Paz” os murais mais famosos do pintor, cuja instalação permanente é a sede das Nações Unidas, em Nova York. Eles foram restaurados no ano passado, no Museu Gustavo Capanema, no Rio, em trabalhos abertos ao público. Outros eventos ocorrerão em diversas cidades do país.

Há uma bibliografia razoável sobre o pintor. Entre os livros não-esgotados, uma excelente opção é o breve — porém denso — perfil produzido pela jornalista Marília Balbi. Intitula-se “Portinari, o pintor do Brasil” e foi publicado em 2003 pela Editora Boitempo, uma parceira de “Outras Palavras”. Integra a coleção “Pauliceia”, dirigida por Emir Sader. Na semana do cinquentenário (até 12/2), está sendo vendido com desconto de 50% (por R$ 17,50). O trecho — curioso e revelador — que publicamos a seguir é seu capítulo inicial.

Portinari, o pintor do Brasil, de Marília Balbi.
Editora Boitempo, 2003.

Aquela data era aguardada havia muitos anos por todo o mundo. Finalmente, no dia 6 de setembro de 1957, os gigantes painéis Guerra e Paz foram apresentados nas paredes do Hall dos Delegados da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A presença daquela obra monumental ali – na casa que deve zelar pelo bem-estar de todos os homens da Terra – era obviamente carregada de sentido. As expressões de dor e esperança pintadas nos dois painéis de 140 metros quadrados simbolizam, de um lado, o flagelo das guerras irracionais e, de outro, o regozijo da harmonia entre as nações. Dois lembretes para a eternidade.

Curiosamente, a cerimônia de inauguração do monumento à humanidade foi discreta, e poucos foram os convidados. Em especial, um esteve ausente: o autor dos dois painéis, Cândido Portinari.

Os tempos eram outros. Os Estados Unidos viviam o auge do macartismo, a doutrina de proteção americana contra ações supostamente subversivas, cujo expoente anti-comunista foi o senador Joseph McCarthy. Portinari, por sua vez, era um declarado comunista e fora candidato à Câmara Federal, em 1945, e ao Senado, em 1947, pelo “partidão”. Duas posturas inconciliáveis nos idos da Guerra Fria. Por isso, desde os anos 1940, Portinari vinha tendo sua entrada nos EUA negada.

Mas como manter aquela proibição no momento em que o artista brasileiro, reconhecido em todo o mundo, tinha sua gigantesca obra em defesa da paz afixada em caráter permanente na “casa de todas as nações”?

O mal-estar crescia. Esperava-se uma posição conciliatória do governo americano. Após a intervenção da diplomacia brasileira, encontrou-se uma solução: bastava que Portinari solicitasse o visto americano no Brasil e este lhe seria concedido. Isso não ocorreria. Homem de personalidade forte, Portinari queria um convite oficial de Washington para pisar em solo americano. Assim era o homem.

O episódio envolvendo Guerra e Paz foi apenas mais um constrangimento a que Cândido Portinari foi submetido durante a vida. Como diversos artistas, ele foi perseguido, cerceado, estigmatizado pelas posições de esquerda. A polícia política brasileira, por exemplo, acompanhou seus passos durante décadas. O Departamento Estadual de Ordem Política e Social – o famigerado Deops – acumulou notícias a seu respeito até mesmo depois de sua morte, em 1962.

Ele explicava a quem perguntasse por que se aproximara da política. A Vinícius de Moraes, confidenciou, em texto publicado postumamente, em março de 1962: “Não pretendo entender de política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força da minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo”.

Portinari pintou o povo sofrido, a miséria, o homem de enxada na mão, pés na terra – o trabalhador brasileiro. Pela primeira vez, um artista expressou a tragédia do Nordeste do Brasil assolado pela seca. Ou como sintetiza de maneira brilhante seu único filho, João Cândido, Portinari “fez do pincel sua arma para denunciar as injustiças e os valores sociais e humanos”.

O artista começou retratando sua aldeia. Depois, partiu para o universal. Das crianças brincando na terra roxa em sua natal Brodósqui às crianças dos painéis da ONU. Temas universais também estão presentes na mulher com o filho morto nos braços – a Pietà nordestina – e nos horrores da guerra. Visionário e esperançoso, pintou um judeu e um árabe de braços dados.

As imagens que ele criou são facilmente reconhecidas por todos. Muitas delas nem sequer saem de nossa memória. Assim que tentamos conceber a cena de um trabalhador, imediatamente nos vêm à mente seu estivador, seu lavrador de café, seu sorveteiro, seu operário, seu lenhador ou ainda o sapateiro de Brodósqui. O mesmo ocorre com os pobres e miseráveis: de pronto, suas favelas, seus morros e as figuras esquálidas da série Retirantes nos preenchem a visão.

Reconhecemos nessas obras nossa gente, nossas dores e nossa esperança – além das marcas inconfundíveis de um grande artista.

Imagem: estudos para Guerra e Paz, de Cândido Portinari
Fonte: http://www.outraspalavras.net/

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cinco dias depois de despejo, sem teto permanecem sem atendimento em São Paulo - Redação

Cinco dias depois de despejo, sem teto permanecem sem atendimento em São PauloFamílias ainda estão na calçada da avenida São João

Desde o despejo que sofreram na última quinta-feira (02), as famílias que ocupavam o prédio da Avenida São João permanecem na calçada sob lonas aguardando atendimento da prefeitura de São Paulo.

Osmar Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia (FLM), afirma que, somente nesta terça-feira (07), um representante da prefeitura esteve no local e se comprometeu a agendar uma reunião entre os sem-teto e membros das Secretarias Municipais que devem prestar assistência às famílias. “Ele falou que iria marcar uma reunião com uma comissão para discutir o impasse do acampamento. Mas ainda não houve ninguém que viesse para informar o horário da reunião ou se eles têm alguma proposta”, conta.

O coordenador da FLM reclama da demora e da falta de informação da prefeitura com relação ao atendimento das famílias. Segundo ele, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) tem dado declarações somente à imprensa sem, de fato, providenciar um local para encaminhar os sem teto.

Após o despejo, assistentes sociais estiveram no acampamento propondo o encaminhamento das famílias para albergues, no entanto, a proposta foi recusada. “Quer levar as famílias para alojamento, a gente aceita um espaço onde possam ficar todos juntos”, afirma. Não vamos aceitar o albergue, porque vai separar as famílias, vai levar mulheres e crianças para um lado, homens para outro”, alega Borges.

As cerca de 230 famílias ocupavam o prédio de três andares que fica na esquina das avenidas Ipiranga e São João, onde funcionava um bingo, desde 6 de novembro de 2011.

Elas foram despejadas após uma decisão judicial que determinou a reintegração de posse do imóvel. Sem ter para onde ir, os sem teto decidiram permanecer na calçada da Avenida São João.

Um acampamento chegou a ser montado com placas de madeiras, mas na sexta-feira (03) a Guarda Civil Metropolitana (GCM) recolheu os materiais, deixando as famílias apenas com seus pertences. Lonas foram colocadas, então, para abrigar as famílias.

Segundo Borges, os sem teto aguardam, ainda nesta terça-feira, uma reunião com representantes do Ministério Público para cobrar uma ação em favor das famílias. O Ministério Público havia conseguido uma liminar que obrigava a prefeitura a prestar assistência às famílias e providenciar moradias definitivas. No entanto, a administração municipal recorreu e conseguiu a autorização do desembargador José Maria Câmara Junior, da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça, para alojar as famílias em abrigos e albergues municipais.

O coordenador da FLM explica que o Ministério Público recorreu da decisão, mas ainda não teve parecer da Justiça. Agora, os sem teto querem cobrar dos promotores uma atitude em relação à situação em que se encontram. “O que está acontecendo com essas famílias é um terrorismo por parte da prefeitura, isso não pode ser tolerado”, protesta.

Truculência
No domingo, em torno de 300 guardas civis fecharam o quarteirão onde as famílias estão acampadas. De acordo com Borges, a GCM se posicionou em frente ao acampamento, deixando as famílias acoadas. Logo após, iniciou-se um confronto entre os guardas e os sem teto. “Toda a confusão começou quando um GCM jogou um spray de pimenta na cara de uma das mães e outros GCMs começaram a agredir com cassetete as outras pessoas que estavam no acampamento”, relata.

O coordenador da FLM conta que as famílias apenas tentaram se defender da ação truculenta da Guarda Civil. “Algumas crianças foram socorridas e levadas ao PS, com problemas de respiração por conta do spray e do gás da bomba de efeito moral. Saíram pessoas machucadas, com hematomas”, descreve.

Segundo Borges, a ação da GCM foi “desnecessária” já que as famílias permanecem no local de forma pacífica. “Ninguém aqui estava dando motivo para uma ação como essa contra as famílias que estão lutando por moradia”, defende.
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/

O capital nos separa e a pobreza nos iguala: Grandes bancos lucram quase R$ 50 bi; taxação do setor: R$ 35 bi - Redação

Grandes bancos lucram quase R$ 50 bi; taxação do setor: R$ 35 biBanco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Bradesco e Santander ganharam no ano passado R$ 48 bi, valor que subirá quando BB fechar resultado do último trimestre. Alta do volume de empréstimos, que atingem meio PIB, do juro e do spread garante recordes. Para governo, reduzir juro final ao cliente é desafio. Setor bancário pagou R$ 35 bi em quatro tributos federais.

Brasília – O Itaú anunciou nesta terça-feira (7) o maior lucro da história bancária no Brasil, R$ 14,6 bilhões em 2011, 9% mais do que em 2010. Juntas, as cinco maiores instituições – três privadas (Itaú, Bradesco e Santander) e duas públicas (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) – em operação no país embolsaram R$ 48 bilhões, ganho que deve ultrapassar os R$ 50 bilhões, pois o BB só divulgará o resultado do último trimestre no dia 15.

Os lucros sistema financeiro engordaram no ano passado, o primeiro do governo Dilma, devido ao aumento da quantidade de operações de crédito, que atingiram 49% do total de riquezas produzidas no país (PIB) - eram 45% no fim de 2010. Mas, também, por causa do tradicional apetite bancário.

A taxa média de juros cobrada pelas instituições em empréstimos aos clientes fechou o ano em 37%, dois pontos mais do que em 2010 (35%), segundo dados divulgados recentemente pelo Banco Central (BC).

Essa elevação pode ser explicada pelo juro básico do BC, um dos fatores que entram no cálculo da taxa final dos empréstimos comuns. Em 2011, o BC manteve sua taxa mais alto do que em 2010 durante boa parte do tempo.

O juro final cobrado dos clientes tem ainda um segundo fator a influenciar sua calibragem, e esse depende só da gula bancária. É dessa parcela, chamada spread, que as instituições tiram seus lucros, além de obter dinheiro para pagar funcionários e impostos. Em 2011, o spread subiu acima da taxa final, 3,4 pontos, para 27%.

Em novembro do ano passado, enquanto os bancos anunciavam seu lucros obtidos até o terceiro trimestre, o Banco Central divulgava um anuário sobre o setor no qual expunha claramente que considerava que a fatia “margem de lucro” dentro do spread estava alta demais. Para o BC, haveria “espaço para redução” da margem.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que considera que o juro final cobrado pelos bancos é de excessivo e que o governo precisa enfrentar o desafio de barateá-lo, embora não esteja seria a ação oficial nesse sentido, além do uso dos bancos públicos como concorrentes.

O que o setor bancário lucrou no ano passado supera o que teve de pagar em tributos ao governo federal. Segundo dados da Receita Federal, em 2011, as entidades financeiras recolheram R$ 35 bilhões em IRPJ, CSLL, Cofins e PIS.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Na Europa, o poder é do Goldman Sachs - por Eduardo Febbro

Na Europa, o poder é do Goldman SachsEles pertencem à rede que o Goldman Sachs teceu no Velho Continente e, em diferentes graus, participaram da mais truculenta operação ilícita orquestrada pela instituição americana. Além disso, não estão sozinhos.

Os adeptos das teorias conspiratórias estão vendo suas expectativas se cumprirem. Onde está o poder mundial? A resposta cabe num nome e num lugar: na sede do banco de negócios Goldman Sachs.

O banco americano consegui uma façanha rara na história política mundial: colocar os seus homens à frente de dois governos europeus e do banco que rege os destinos das políticas econômicas da União Europeia. Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, presidente do Conselho italiano, que substituiu Silvio Berlusconi e Lucas Papademos, o novo primeiro-ministro grego; todos pertencem à galáxia do Goldman Sachs.

Estes governantes, dois dos quais Monti e Papademos, são a ponta de lança da anexação da política pela tecnocracia econômica, pertencem à rede Sachs e participaram das mais truculenta operação ilícita orquestrada pela instituição americana. Além disso, eles não estão sozinhos. Pode-se também mencionar Petros Christodoulos, hoje à frente do organismo que administra a dívida pública grega e ex-presidente do Banco Nacional da Grécia, a quem Sachs vendeu o produto financeiro conhecido como swap e com o qual as autoridades gragas e Goldman Sachs orquestraram a maquiagem das contas gregas.

O dragão que protege os interesses de Wall Street conta com homens chaves nos postos mais decisivos, mas não apenas na Europa. Henry Paulson, ex-presidente do Goldman Sachs, foi nomeado secretário do Tesouro americna, enquanto que William C. Dudley, outro das altas esferas do Goldman Sachs, é o atual presidente do Federal Reserve de Nova York.

Mas o caso dos líderes europeus é mais paradigmático. O lugar de honra cabe a Mario Draghi.

O hoje, presidente do Banco Central Europeu, BCE, foi vice-presidente da Goldman Sachs para a Europa entre 2002 e 2005. O título de seu cargo era “empresas e dívidas públicas”. Precisamente nessa cargo, Draghi teve como missão vender o incendiário produto swap. Este instrumento financeiro é chave na ocultação da dívida pública, ou seja, na maquiagem das contas gregas. Foi essa ardilosa armação que permitiu a Grécia se qualificar para fazer parte dos países que entrariam no euro, a moeda única europeia. Tecnicamente, e com o Goldman Sachs como operador, transformou-se a dívida externa da Grécia de dólares para euros.

Com isso, a dívida grega desapareceu dos balanços negativos e Goldman Sachs (GS) levou uma suculenta comissão. Logo depois, em 2006, Goldman Sachs vendeu parte desse pacote de Swaps ao principal banco comercial do país, o National Bank of Greece, liderada por um outro homem da GS, Petros Christodoulos, um ex-corretor da Goldman Sachs e atual diretor do órgão de gestão da dívida da Grécia que ele mesmo e, os citados anteriormente, até então ajudaram esconder.

Mario Draghi tem uma história pesada. O ex-presidente da República Italiana, Francesco Cossiga acusou Draghi de ter favorecido Goldman Sachs na adjudicação de grandes contratos, quando era diretor do Tesouro da Itália e estavam em pleno processo de privatização. A verdade é que agora o diretor do Banco Central Europeu, aparece como o grande vendedor de Swaps em toda a Europa.

Neste emaranhado de falsificações aparece o chefe do Executivo grego, Lucas Papademos. O primeiro-ministro foi o governador do banco central grego entre 1994 e 2002. Esse é precisamente o período em que Sachs foi cúmplice na ocultação da realidade econômica grega. Papademos, responsável pela entidade bancária nacional, não podia ignorar a armação que estava sendo montada. As datas em que ocupou o cargo fazem dele um operador da montagem.

Na lista de notáveis segue Mario Monti. O atual presidente do Conselho italiano foi conselheiro internacional do Goldman Sachs desde 2005. Em síntese, muitos dos homens que fabricaram o desastre foram chamados agora para tomar as rédeas de postos chaves, com a missão de reparação às custas dos benefícios sociais do povo, conseqüências que eles mesmos criaram. Não há dúvida de estamos vendo o que os analistas chamam de "um governo Sachs europeu”.

O Português Antonio Borges dirigia até pouco tempo – acaba de renunciar - o Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional. Até 2008, Antonio Borges foi vice-presidente do Goldman Sachs. O sumido Karel Van Miert – Bélgica –, foi comissário europeu da Competividade e também um quadro do Goldman Sachs. O alemão Ottmar Issing foi sucessivamente presidente do Bundesbank, conselheiro internacional do banco de negócios americano e membro do Conselho de Administração do Banco Central Europeu.

Peter O'Neill é outro homem do emaranhado: presidente do Goldman Sachs Asset Management, O'Neill, apelidado de O Guru do Goldman Sachs, é o inventor do conceito Brics, o grupo de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Acompanha O'Neill outro peso pesado, Peter Sutherland, ex-presidente da Goldman Sachs International, membro da seção Europeia da Comissão Trilateral, assim como Lucas Papademos, ex-membro da Comissão de Competividade da União Europeia, fiscal-geral da Irlanda e influente mediador do plano que desembocou no resgate da Irlanda.

Alessio Rastani é que tem toda a razão. Este personagem que se apresentou diante da BBC como um trader disse faz poucas semanas: "Os políticos não governam o mundo. Goldman Sachs governa o mundo". Sua história é exemplar do duplo jogo, como as personalidades e as carreiras dos braços mundiais do Goldman Sachs. Alessio Rastani disse que ele era um trader londrinense, mas logo depois descobriu-se que nada tinha de trader e que fazia parte do Yes Men, um grupo de ativistas que, através da comédia e da infiltração nos meios de comunicação, denunciam o liberalismo.

Ficará para as páginas da história mundial a impunidade desses personagens. Empregados por uma empresa americana, orquestraram uma dos maiores golpes já conhecidos, cujas conseqüências estão sendo pagas hoje. Foram premiados, agora, com o leme da crise, planejada por eles mesmos.

A reportagem é de Eduardo Febbro e publicado pelo Página/12, 23-11-2011. A tradução é do Cepat.
Fonte: http://diacrianos.blogspot.com/

Ignacio Ramonet vê o xadrez das ameaças ao Irã -

Ignacio Ramonet vê o xadrez das ameaças ao IrãGoverno israelense quer guerra já; Washington reluta. Conflito incendiaria Oriente Médio, atingindo abastecimento do petróleo e economia mundial

Será 2012 o ano do fim do mundo? É o que, dizem, vaticina uma lenda maia — que inclusive fixaria a data exata do apocalipse: o 12 de dezembro próximo (12/12/12). Em qualquer caso, em um contexto de recessão econômica e grave crise financeira e social em diversas partes do mundo (especialmente na Europa), não faltarão riscos este ano – que verá, entre outros fatos, eleições decisivas nos Estados Unidos, Rússia, França, México e Venezuela.

Mas o principal perigo geopolítico continuará situado no Golfo Pérsico. Israel e Estados Unidos lançarão o anunciado ataque militar contra as instalações nucleares do Irã? O governo de Teerã reivindica seu direito a dispor de energia nuclear civil. E o presidente Mahmud Ahmadinejad repetiu que o objetivo de seu programa não é militar; que sua finalidade é simplesmente produzir energia de origem nuclear. Também lembra que o Irã assinou e ratificou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), enquanto Israel nunca o fez.

As autoridades israelenses pensam que não se deve esperar mais. Segundo elas, aproxima-se perigosamente o momento em que o regime dos aiatolás disporá da arma atômica; e a partir deste instante, já não se poderá fazer nada. Estará rompido o equilíbrio de forças no Oriente Médio, onde Israel já não gozará de uma supremacia militar incontestável. O governo de Benjamin Netanyahu avalia que, nestas circunstâncias, a própria existência do Estado Judeu estaria ameaçada.

Segundo os estrategistas israelenses, o momento atual é o mais propício para golpear. O Irã está debilitado. Tanto no âmbito econômico – após as sanções impostas desde 2007, pelo Conselho de Segurança da ONU, com base em informes alarmantes da Organização Internacional de Energia Atômica (OIEA) – quanto no contexto geopolítico regional. Seu principal aliado, a Síria, vive insurreição interna e está impossibilitado de prestar-lhe ajuda. A incapacidade de Damasco repercute em outro parceiro iraniano, o Hezbolá libanês, cujas linhas de abastecimento militar desde Teerã deixaram de ser confiáveis.

Por estas razões, Israel deseja que o ataque seja executado o quanto antes. Para preparar o bombardeio, já há, infiltrados no Irã, efetivos das forças especiais. E é muito provável que agentes israelenses tenham concebido os atentados que causaram, nestes últimos dois anos, as mortes de cinco importantes cientistas nucleares iranianos.

Ainda que Washington também acuse Teerã de levar a cabo um programa nuclear clandestino para dotar-se da arma atômica, sua análise sobre a oportunidade do ataque é diferente. Os Estados Unidos estão saindo de duas décadas de guerras nesta região, e o balanço não é animador. O Iraque foi um desastre, e terminou em mãos da maioria xiita, que simpatiza com Teerã. No lodaçal afegão, as forças norte-americanas mostram-se incapazes de vencer o talibã, com quem a diplomacia da Casa Branca resignou-se a negociar, antes de abandonar o país a seu destino.

Estes conflitos custosos debilitaram os Estados Unidos e revelaram aos olhos do mundo os limites de sua potência, assim com o início de seu declínio histórico. Não é hora de novas aventuras. Muito menos num ano eleitoral, em que o presidente Barack Obama não tem certeza de ser reeleito. E quando todos os recursos são mobilizados para combater a crise e reduzir o desemprego.

Além disso, Washington tenta mudar sua imagem no mundo árabe-muçulmano, sobretudo depois das insurreições da “Primavera Árabe”, no ano passado. Antes cúmplice de ditadores – em particular, o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak –, deseja agora aparecer como mecenas das novas democracias árabes. Uma agressão militar contra o Irã, sobretudo em colaboração com Israel, arruinaria estes esforços e despertaria o anti-norteamericanismo latente em muitos países. Especialmente naqueles cujos novos governos, surgidos das revoltas populares, são dirigidos por islamitas moderados.

Uma importante consideração complementar: o ataque contra o Irã teria consequências não apenas militares (não se pode descartar que alguns mísseis iranianos alcancem o território israelense, ou consigam atingir as bases norte-americanas no Kuait, Barain ou Oman) mas, principalmente, econômicas. A resposta mínima do Irã a um bombardeio de suas instalações nucleares consistiria, como seus dirigentes militares não se cansam de alertar, no bloqueio do Estreito de Ormuz. É o funil do Golfo Pérsico, por lá passa um terço do petróleo do mundo, 17 milhões de barris por dia. Sem este abastecimento, os preços do combustível chegariam a níveis insuportáveis, o que impediria reativar a economia mundial e deixar a recessão para trás.

O Estado-maior iraniano afirma que “não há nada mais fácil que fechar este Estreito”. Multiplica as manobras navais na região, para demonstrar que está em condições de cumprir suas ameaças. Washington respondeu que o bloqueio da passagem estratégica de Ormuz seria considerado um “caso de guerra”, e reforçou sua V Frota, que navega pelo Golfo.

É muito improvável que o Irã tome a iniciativa de bloquear a passagem de Ormuz (embora possa tentá-lo, em represália a uma agressão). Em primeiro lugar, porque daria um tiro no pé, já que exporta seu próprio petróleo por esta via, e que os recursos destas exportações lhe são vitais

Em segundo lugar, porque atingiria alguns de seus principais parceiros, que o apoiam em seu conflito com os Estados Unidos. Principalmente a China, cujas importações de petróleo, que chegam a 15% do consumo, procedem do Irã. Sua eventual interrupção paralisaria parte do aparato produtivo.

As tensões estão abertas. As chancelarias do mundo observam, minuto a minuto, uma perigosa escalada que pode desembocar num grande conflito regional. Estariam implicados não apenas Israel, os Estados Unidos e o Irã, mas também três outras potências do Oriente Médio: a Turquia, cujas ambições na região voltaram a ser consideráveis; a Arábia Saudita, que sonha há décadas em ver destruído seu grande rival islâmico xiita; e o Iraque, que poderia romper-se em duas partes: uma xiita e pró-iraniana; outra sunita e pró-ocidental.

Além disso, um bombardeio das instalações nucleares iranianos pode provocar uma nuvem radiativa nefasta para a saúde de todas as populações da área (incluídos os milhares de militares norte-americanos e os habitantes de Israel). Tudo isso conduz a pensar que embora os belicistas ergam a voz com força, o tempo da diplomacia ainda não terminou.

Tradução: Antonio Martins
Fonte: http://www.outraspalavras.net

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

E para o Povo... Justiça reduz R$ 1,6 milhão da dívida de IPTU de proprietária do Pinheirinho - UOL

Justiça reduz R$ 1,6 milhão da dívida de IPTU de proprietária do PinheirinhoA massa falida da empresa Selecta Comércio e Indústria S/A, proprietária do terreno que abrigava a comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), conseguiu na Justiça reduzir R$ 1,6 milhão da dívida que contraiu junto à prefeitura por não pagamento de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano).

A dívida total da massa falida com a prefeitura é de R$ 14,6 milhões. O valor abatido refere-se ao IPTU de 2004 e 2005. Os advogados da Selecta, empresa do investidor Naji Nahas, entraram com ação em 2006 solicitando alteração da alíquota de cobrança do imposto nos dois anos.

Com a decisão favorável, a Selecta conseguiu reduzir R$ 777 mil do IPTU em 2004 e R$ 835 mil em 2005. A decisão, de segunda instância, foi do juiz José Henrique Fortes Júnior, da 15ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, e ocorreu na última sexta-feira (28), seis dias após a reintegração do terreno.

A Prefeitura de São José afirmou que já recorreu de decisão. A vitória da Selecta na Justiça abre precedente para a massa falida pedir redução da alíquota do IPTU também nos anos seguintes, o que reduziria sensivelmente as dívidas da massa falida com o terreno do Pinheirinho.

Segundo Antonio Donizete, advogado das famílias despejadas, a Selecta nunca pagou IPTU desde que comprou o terreno, em 1982. A massa falida também possui dívidas com a União.
Nahas foi preso em 2008 durante a operação Satiagraha, acusado pela Polícia Federal de cometer crimes no mercado financeiro. Em 1989, o investidor foi apontado como o responsável pela quebra da bolsa do Rio de Janeiro, ao comprar e vender ações para si mesmo, utilizando laranjas, para controlar os preços do mercado.

A reportagem do UOL procurou os advogados da massa falida, mas não conseguiu localizá-los.
Por: Guilherme Balza da UOL

'O neoprogressismo pode ter vários anos pela frente' - por Martín Granovsky - Página/12

'O neoprogressismo pode ter vários anos pela frente'
O jornalista e escritor Ignacio Ramonet diz, em entrevista ao jornal Página/12 que a maioria dos governos da América do Sul cumpre a função dos social-democratas europeus nos anos 50 e que, se não cometerem erros, podem aspirar a um ciclo longo de governo. "A construção do Estado de bem-estar e o aumento do nível de vida acaba com qualquer tipo de recurso para as oposições tradicionais conservadoras. Agora, a população está percebendo como os seus países estão reconstruindo sociedades arrasadas".

Porto Alegre - Nascido em Pontevedra e emigrado com sua família para a França, Ignacio Ramonet dirige o Le Monde Diplomatique em espanhol. Foi um dos animadores do primeiro Fórum em 2001 e é um dos jornalistas que mais percorrem o mundo, observando suas diferentes realidades.

– Sobre o final do Fórum temos direito de perguntar se foi útil e o que mudou com respeito ao primeiro encontro, de 2001.
Ramonet –Quando o fórum foi criado não havia outro governo dos que eu chamo neoprogressistas na América Latina que não fosse o de Hugo Chávez, que inclusive veio ao fórum. No ano seguinte, em 2002, pela primeira vez Chávez se declarou socialista. Também veio Lula quando ainda não era presidente, mas candidato. Agora, ao contrário, os governos neoprogressistas estão implementando as políticas de inclusão social e, ao mesmo tempo, o fórum é menos um fórum dos movimentos sociais. É um fórum no qual se discutiu a crise européia, o movimento dos indignados em geral (os chilenos, Wall Street, etc.) e a questão da memória. A jornada da Flacso na sexta-feira, o dia do Holocausto, foi uma das atividades centrais, organizada pelo Fórum Social Temático e o Fórum Mundial da Educação.

Até agora esses não eram assuntos do fórum. Os indignados são um tema que não tem mais de um ano, e o debate sobre a memória não havia sido proposto dessa maneira. Dominavam o anti-imperialismo e a denúncia das guerras dos Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão. Está se chegando a um nível diferente. Os governos aqui na América do Sul estão agindo bem em seu conjunto. Mas, cuidado, chega uma nova etapa e é preciso melhorar certos aspectos qualitativos.

– O que deveria melhorar na América do Sul?
Ramonet – Não acreditar que esta bonança que se está vivendo vai ser duradoura. Depende do êxito norte-americano e europeu e de se há baixa ou não na economia chinesa que afete a potências agrícolas ou de minérios.

– Um dos pontos é como a América do Sul aproveita sua atual vantagem pelos preços favoráveis dos produtos primários que vende para que outra vez o lucro principal não sejam palácios franceses no meio da pampa úmida.
Ramonet – A economia funciona por ciclos. Na Europa não podemos falar de palácios no meio de nada, mas sim de grandes aeroportos moderníssimos que agora quase não funcionam ou óperas em cidades pequeníssimas. A riqueza passou e nem sempre se sabe aproveitar. Aqui, na América do Sul, a solução é criar mais e mais mercado interno. E mercado interno protegido. E também ampliar os intercâmbios no marco da solidariedade latino-americana. Agora, o mercado latino-americano tem que se articular para que haja massa crítica para todos. Se não, o Brasil se desenvolverá, mas o Uruguai não. Agora que desapareceram 80 milhões de pobres, há uma classe média que consome. O Brasil introduziu o imposto sobre a produção de automóveis frente à China e aumentou essa taxa em 30%. É proteção e é correta.

– Que discussão mundial nova apareceu no Fórum?
Ramonet – Por agora, muitos constataram que, além das diferentes opiniões, a globalização existe. Se existe, há que analisá-la e descobrir como evitar seus inconvenientes. Em escala mundial, em um debate sobre a crise do capitalismo, uma das opiniões foi que havia que pensar talvez em desglobalizar e reduzir a globalização. Não existe só uma crise econômica. Existe uma crise da política, da democracia, uma crise alimentar, ecológica. Muitos países latino-americanos não estão pensando nas outras crises, em particular na ecológica. Boaventura de Souza Santos sublinhou que não é normal que se acuse comunidades indígenas, chamando-as de "terroristas" quando querem proteger o meio ambiente. As realidades vão mudando. O Movimento dos Sem Terra do Brasil, que antes ocupava terras, não o faz porque não as têm. Qualquer pedaço de terra é soja. E como o MST, quando se assenta, realiza produções ecológicas, é recriminado pelo agronegócio.

– A discussão ecológica é chave também porque haverá uma cúpula mundial no Rio de Janeiro em junho.
Ramonet – A precaução ecológica é algo que se lembrou e que, em certa medida, faz com que os governos estejam pensando em fazer as coisas certas. Dilma disse que queria dar casas à população. Parece-me muito bem, realmente muito bem. Mas tenhamos cuidado de não chegar ao pragmatismo chinês, que em nome do desenvolvimento destrói o que se oponha a essa idéia, e terminemos entrando sem necessidade em uma grande contradição.

– Dilma diria: “Está bem, Ignacio, mas eu tenho que governar o Brasil e terminar com a miséria”.
Ramonet – As preocupações ecológica e a social não são excludentes. O Fórum apreciou muito que Dilma tenha decidido vir aqui e não tenha viajado ao Fórum de Davos. Quando Lula veio e disse que depois se dirigiria a Davos, alguém lhe disse: “Não se pode servir a dois senhores de uma vez”. É uma frase bíblica. “Tem que escolher.”

– Talvez Lula necessitasse ir a Davos porque isso também ajudava na consolidação política de seu governo e hoje o Brasil não necessita de Davos.
Ramonet – Claro, as condições mudam. E o fórum deve mudar também. Antes muitos dirigentes ou presidentes vinham aqui se fortalecer. Chávez e Lula, que já citei. Também Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo. Para algumas discussões, uma reunião do fórum pode ter hoje um maior sentido na Europa, para discutir ali mesmo a tremenda crise. No próximo ano está previsto que tenha lugar em um país árabe, porque lá os movimentos sociais não só estão se desenvolvendo, mas também conseguiram ganhar em dois países. E há novas discussões, por exemplo, entre movimentos sociais laicos e movimentos sociais islâmicos.

– O que poderia ser discutido na Europa?
Ramonet – Na Europa já há algumas discussões que se produziam na América Latina. Uma é a idéia de que a política está gasta e se necessita uma renovação política. De que o sangue e a vitalidade nova virão dos movimentos sociais. Dessa vitalidade pode surgir uma mudança. Este fórum não teria o mesmo sentido se fosse organizado em Madri, Atenas ou Barcelona, onde há sociedades que sofrem e ao mesmo tempo registram em alguns setores grande vontade de mudança. Na América do Sul, por sorte de vocês, existem situações em que a preocupação é seguir crescendo e como fazê-lo melhor.

– Não há um risco de endeusar os movimentos sociais como fatores de mudança? Se não há construção política, não se diluem?
Ramonet – Sim, é importante ver como se passa de um momento ao outro. Ainda não estamos nessa etapa na Europa, me parece. Ainda não. Ninguém expressa melhor o sofrimento social que o movimento social. Mas se não se dá o passo para a política, todas as grandes crises sempre servem à extrema direita, que aparece sob a forma de movimentos e de partidos anti-sistema. Prometem as mudanças mais radicais, demagógicas, transformacionais. É importante que o sofrimento social se encarne em movimentos que tenham vocação de se envolver na política.

– Por que ainda não acontece esse passo?
Ramonet – Entre outras coisas, em minha opinião, porque faltam líderes. Até o momento, o movimento social inclusive reprova ter líderes. São muito igualitaristas do ponto de vista do funcionamento democrático. É como a doença infantil do movimento social. Em breve chegará o momento da adolescência ou a maturidade, quando seguramente se gerarão líderes. Não líderes salvadores. Falo de dirigentes democráticos que possam entender o movimento social e ajudá-lo a encontrar respostas. Depois da crise do sistema político venezuelano, no final do que se chamou o “puntofijismo”, teria havido mudanças sem Chávez e o que ele representava? E me faço a mesma pergunta com respeito ao Equador e Correa, à Bolívia e Evo, ao Brasil e Lula, à Argentina e Kirchner.

– E como funciona a relação entre os líderes, os movimentos e os partidos nesses países da América do Sul?
Ramonet – Minha percepção é que hoje os partidos têm menos influência que há dez anos e os movimentos sociais também porque os governos estão fazendo tudo. Os líderes dos governos conduzem a mudança. Houve uma energia social que produziu a mudança, mas a mudança está tão encarrilhada que às vezes há uma descapitalização da política que paradoxalmente não incomoda muito.

– Talvez com as construções políticas aconteça o mesmo que com os ciclos econômicos. Talvez devam ou possam ser realizadas antes que o ciclo atual de governos sul-americanos termine.
Ramonet – A função destes governos é muito semelhante a dos governos europeus dos anos 50 que, essencialmente, sendo conservadores ou progressistas, tinham como funções construir o Estado de bem-estar, reconstruir cada país depois da guerra e aumentar o nível de vida da população. Isso lhes deu 40 anos de estabilidade política. Mas terminou. Se os neoprogressistas sul-americanos não cometerem muitos erros, talvez tenham pela frente várias décadas como a social-democracia nórdica. Hoje melhoram estruturas, o nível de vida, criam trabalho. Não é por acaso que são os governos neoprogressistas os que estão trabalhando bem. Assim aconteceu com os velhos partidos social-democratas. Além disso, a construção do Estado de bem-estar e o aumento do nível de vida acaba com qualquer tipo de recurso para as oposições tradicionais conservadoras. Agora a população percebe como os países reconstroem sociedades arrasadas.

As favelas eram pensadas como uma fatalidade. Para a direita, era assim porque é assim. Mas a força da direita desapareceu, e também o elemento militar. As leis da memória são as que devem responsabilizar – sem vingança, com documentos e base histórica sólida – e estabelecer responsabilidades. Não vingar-se, mas terminar com a impunidade. Apesar de que o que vou dizer parece escandaloso, estamos no momento mais fácil da América do Sul. Se não cometerem erros e fizerem uma gestão tranquila, os governos de sinal neoprogressista podem ficar no poder muito tempo. Por isso é preciso pensar bem as sucessões políticas. Na Argentina isso funcionou bem. No Brasil, o que fez Lula foi exemplar. É uma lição. E por isso hoje Dilma tem mais aprovação popular do que Lula tinha em seu primeiro ano de governo.

(*) Ignacio Ramonet é autor, entre outras obras, de "Fidel Castro: biografia a duas vozes" (Boitempo, 2006).
Tradução: Libório Junior
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

[Sérvia] Os Seis de Belgrado voltarão a ser julgados - por ANA

[Sérvia] Os Seis de Belgrado voltarão a ser julgados
Gostaríamos de informar que em 8 de fevereiro de 2012 haverá um novo julgamento contra quatro membros da Iniciativa Anarco-Sindicalista (ASI) da Sérvia, e de dois anarquistas não afiliados, de Belgrado, como parte de um processo judicial contra os Seis de Belgrado (BG6).

Os seis libertários em Belgrado são acusados de incitar, auxiliar e executar um ataque contra a Embaixada da Grécia em Belgrado, no final de agosto de 2009, em solidariedade a um preso político grego em greve de fome. Imediatamente após o ataque à embaixada, os BG6 (Tadej Kurepa, Ratibor Trivunac, Ivan Savic, Ivan Vulovic, Nikola Mitrovic e Sanja Dojkic) foram detidos e mantidos presos durante os seguintes seis meses, acusados de “terrorismo internacional”. Graças à mobilização maciça de apoio, tanto global como localmente, foram liberados pouco antes da data do julgamento. Em junho de 2010, foram absolvidos completamente, finalmente, pelo Supremo Tribunal em Belgrado, que decidiu que não havia base para um veredito de culpabilidade em qualquer das acusações.

A promotoria apresentou uma queixa, mas a Corte de Apelações não respondeu até o momento em que razões políticas adequadas surgiam. Poucos dias depois dos protestos anti-militaristas contra a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), realizada em Belgrado em junho de 2011, onde Ratibor Trivunac foi preso, a Corte de Apelações aceitou a acusação da promotoria e não conseguiu reabrir o caso contra os BG6.

Atualmente, continuam os procedimentos criminais contra sete membros do grupo local de Belgrado da ASI, e todos têm motivação política. A reabertura do processo contra os BG6 pode ser visto apenas como a continuação da repressão do Estado contra aqueles que se opõem à pilhagem e a exploração. Considerando que a Sérvia é uma república de banana periférica, governada por um estrato da burguesia abastada, é mostrado que, nesta fase da luta, a maior força contra o aparelho repressivo do Estado é a solidariedade internacional.

Por isso, chamamos a todos os companheiros e companheiras anarcossindicalistas, sindicalistas revolucionários e anarquistas de luta de classe em todos os lugares para se juntar em um dia internacional de solidariedade com os BG6, organizado globalmente em 6 de fevereiro, em frente às embaixadas, consulados e instituições culturais da República da Sérvia. Os protestos devem levar uma clara demanda pelo final de todos os processos judiciais contra os libertários de Belgrado e o cancelamento das acusações.

A liberdade de nossos companheiros depende em grande parte das atividades do movimento libertário internacional, e estamos convencidos de que a solidariedade internacional mostrará sua força uma vez mais.

Liberdade para os BG6!

Morte ao Estado e ao capitalismo!

Secretariado Internacional da ASI-AIT

agência de notícias anarquistas-ana
Manhã de sol -
Filhotes de beija-flores
ensaiam o voo.
Benedita Azevedo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Holocausto animal: Ativistas pelos animais respondem a comentário especista de rabino canadense - Por Lobo Pasolini

Holocausto animal: Ativistas pelos animais respondem a comentário especista de rabino canadense
Uma das comparações mais frequentes feitas por ativistas dos direitos animais sobre a relação dos humanos com os não-humanos é com o Holocausto que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. A primeira pessoa a comparar a tirania humana em relação aos animais com o nazismo foi o escritor judeu Isaac Bashevis Singer, ganhador do Nobel de Literatura em 1978, e que disse: “Para os animais, todos os humanos são nazistas.”

Inspirado nessa analogia, Charles Patterson escreveu um livro seminal dos direitos animais, The Eternal Treblinka (2002), atualmente sendo traduzido para o português brasileiro para possível lançamento ainda em 2012. E apesar de ter sido lançado uma década atrás, o livro ainda incomoda alguns que não apreciam a comparação.

O caso mais recente foi o de um rabino canadense chamado Avi Shafran que escreveu na publicação canadense Jewish Chronicle que “dar direitos aos animais conduz a obscenidades como o livro Eternal Treblinka que compara fábricas de criação com campos de concentração nazistas.” Avi cometeu o erro de equacionar a valorização dos animais com a desvalorização dos humanos.

Como era de se esperar, vários ativistas escreveram para a publicação para rebater afirmações especistas tão absurdas. O professor de filosofia Robert T. Hall da Universidad Autónoma de Querétaro no México escreveu: “Valorização moral não é um jogo de soma zero. Não é como se tivéssemos um número limitado de direitos para distribuir de modo que se dermos direitos a alguns teremos que tirar de outros. Eu não tenho que desvalorizar meus filhos para valorizar minhas filhas. Dizer que os animais têm direitos não significa que os humanos não os tenham ou tenham menos,” ele disse.

“A atitude paranoica e míope do rabino em relação aos animais é muito parecida com a atitude dos nazistas em relação à nós (judeus). Não é a Eternal Treblinka que é um livro obsceno. É sua falta de compaixão”, escreveu Rina Deych, do Brookly em Nova Iorque.

“Quando eu ouço as pessoas falarem dessa forma, eu secretamente desejo que exista algo como a transmigração da alma onde a alma volte em um estado diferente, talvez como um animal. Nenhum de nós gostaria de voltar como um animal confinado em fazendas fábricas. Que terrível é para eles estar encarcerados em locais escuros e sem ar. Nenhum de nós gostaria de sentir o cheiro daquele ar poluído com fezes e urina. Os trabalhadores se protegem usando máscaras,” escreveu Susana Megles de Ohio.

O holocausto acontece todos os dias nos matadouros do mundo, nas ruas (carroças, animais abandonados etc), nos mares (pesca), circos e pelas mãos de desmatadores que destroem o habitat natural de nossos companheiros de planeta. É uma analogia justa e precisa e que nos faz reavaliar nossa atitude tirânica, naturalizada pelo costume e tradição.
Fonte: http://www.anda.jor.br/

[EUA] Após passar 20 dias no “buraco”, Mumia Abu-Jamal é transferido para prisão comum - por ANA

[EUA] Após passar 20 dias no “buraco”, Mumia Abu-Jamal é transferido para prisão comumNa última sexta-feira, 27 de janeiro, vencemos mais uma batalha na luta pela liberdade de Mumia Abu-Jamal. Desde 7 de dezembro de 2011, quando sua sentença de morte foi finalmente cancelada, ele foi trancado em unidades de isolamento em condições piores das que já tinha no corredor da morte - nas últimas sete semanas em Detenção Administrativa nas Unidades de Celas Restritivas (RHU) na prisão SCI Mahanoy. O nome dessas unidades pode variar de uma prisão para outra, mas todas são conhecidas como "o buraco".

Mas, graças à pressão de milhares de pessoas no mundo, as autoridades finalmente abandonaram suas desculpas para isolá-lo e ordenaram a transferência de Mumia para a População Geral (prisão comum). Isto aconteceu apenas algumas horas depois que ativistas da Filadélfia viajaram a prisão de Camp Hill, perto de Harrisburg, Pensilvânia, na quinta-feira passada para se opor a seu isolamento ante o Escritório do Diretor de Prisões. Entregaram 5.500 assinaturas e alçaram uma reivindicação com o Relator Especial sobre Tortura da ONU, Juan Mendez.

Para Mumia, este é um momento muito especial. Pela primeira vez em quase 30 anos, poderá abraçar os seus entes queridos durante uma visita e deve ter condições muito menos restritivas. No entanto, continuamos com a luta para ganhar a sua liberdade completa. Sabemos que seus inimigos ainda estão à procura de seu silêncio e que teremos que enfrentar muitas manobras contra ele.

Em 24 de abril (data de seu aniversário de 58 anos) haverá uma ocupação do Departamento de Justiça em Washington DC e outras atividades internacionais para exigir a liberdade para Mumia.

Mumia livre já!
Escreva uma carta para Mumia, ou mande um postal:

Mumia Abu-Jamal #AM8335
SCI Mahanoy
301 Morea Road
Frackville, PA 17932
EUA

agência de notícias anarquistas-ana
No beiral da casa
uma andorinha fez ninho.
Abrem-se biquinhos.
Angélica Maria Villela Rebello Santos

Justiça e mídia tentam culpar família por morte de liderança indígena - por Fábio Nassif

Justiça e mídia tentam culpar família por morte de liderança indígena Um dos filhos do cacique Nísio Gomes, assassinado em novembro de 2011, no Mato Grosso do Sul, tenta provar que seu pai está morto. Ele e seu irmão, que também presenciou a retirada do corpo na caminhonete dos jagunços, tentam superar as dificuldades da vida na aldeia. Os indígenas da aldeia Guaiviry, localizada a poucos metros da rodovia e cercada pela plantação de soja, permanecem em alerta.
A história se repete: pistoleiros matam uma liderança indígena na frente de seus parentes e as autoridades responsabilizam sua própria família. Foi assim no assassinato de uma das principais lideranças Guarani, Marçal de Souza, em 1983; no assassinato de Marco Verón, em 2003; e agora, no de Nísio Gomes. Um dos filhos do cacique assassinado em novembro de 2011, no Mato Grosso do Sul, tenta provar que seu pai está morto. Ele e seu irmão, que também presenciou a retirada do corpo na caminhonete dos jagunços, tentam superar as dificuldades da vida na aldeia.

O Estado de São Paulo reproduzia, em novembro de 1983, a versão da Casa Civil do Governo do Estado e da Secretaria de Segurança, com a matéria “Mulher do líder indígena mandou matá-lo: ciúmes”. A história, que ficou conhecida pela brutalidade com que os fazendeiros travavam a disputa pelas terras, passou a ser famosa também pela injustiça: depois de anos tentando responsabilizar os criminosos, a família viu o crime prescrever. Ninguém foi punido.

Marco Verón, cacique da Aldeia Takwara e contemporâneo de Marçal, também foi morto na frente da família. Enquanto seu filho Ládio quase foi queimado vivo no dia de seu aniversário, quando tentava evitar o assassinato de seu pai, algumas mulheres da aldeia foram estupradas pelos pistoleiros. A primeira versão oficial da polícia dizia que o traumatismo craniano do cacique Marco não era das coronhadas dos jagunços, mas de uma cadeirada dada em uma briga familiar. Oito anos depois, os criminosos foram considerados culpados, mas conseguiram habeas corpus da Justiça do Mato Grosso do Sul e permanecem livres. De vez em quando, transitam na frente da aldeia, dando risadas e ameaçando o restante da família.

O último caso com repercussão no Estado foi o de Nísio Gomes. Os indígenas da aldeia Guaiviry, localizada a poucos metros da rodovia e cercada pela plantação de soja, permanecem em alerta. Com vestimentas e pinturas de guerra, os jovens fazem a primeira abordagem de cada pessoa que chega no local. Logo, passam a relatar que Nísio foi chamado até a entrada da trilha e, quando começou a conversar com um dos homens, outros começaram a atirar de dentro da mata. Em seguida seu corpo foi levado em uma caminhonete.

No dia 22 de dezembro a Polícia Federal de MS publicou uma nota explicando o motivo da abertura de inquérito contra um dos filhos de Nísio, no qual se dedica a apontar supostas contradições dos depoimentos. E conclui dizendo que, como não há indícios de onde está o corpo, Nísio é dado como desaparecido. Tenta-se insinuar - com a ajuda da mídia local - que os indígenas armaram a situação e esconderam Nísio para chamar a atenção. Na nota, a PF afirma que o fato de os cartuchos das balas disparadas serem verdes dificulta as investigações.

Os vários depoimentos do filho, distorcidos pelas dificuldades na tradução do idioma guarani-kaiowá – uma outra velha tática de incriminação dos indígenas –, não encerraram o assunto. O outro filho, que permanece na aldeia, se indigna com a versão de que seu pai está vivo. Ele viu o assassinato.

Quando a Carta Maior esteve no local, dois meses depois da morte de Nísio, as crianças e os adultos estavam no quarto dia sem alimentação. Como as áreas são pequenas, espremidas pelas plantações de soja, eles dependem de uma cesta de alimentos distribuída pela Funai. Estava atrasada.

O procurador da República em Dourados, Marco Antônio, explica que os fazendeiros estão contratando pistoleiros que usam balas de borracha, como forma de argumentar perante à Justiça que a intenção não é matar os índios. E a própria nota da PF, citando o laudo, argumenta que “o ferimento de Nísio Gomes não foi suficiente para causar sua morte”. Os três suspeitos detidos, pertencentes a uma empresa privada de segurança, já estão soltos.

A Grande Assembleia Guarani e Kaiowá-Aty Guasu, instância de organização dos indígenas, permanece questionando a versão da polícia. Os próprios indígenas estão colhendo informações sobre o caso. Recentemente, colheram nomes de suspeitos e os valores que cada um deles teria recebido pela morte de Nísio.

Segundo o delegado da Polícia Federal de Ponta Porã, Jorge Figueiredo, o processo segue em segredo de justiça. Para os índios, a injustiça deste caso está bem visível.

Fotos: Fábio Nassif
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

Torcidas e política no Egito: um massacre - Por Aldo Cordeiro Sauda

Torcidas e política no Egito: um massacre
Muitos companheiros estão dizendo que isto é uma punição coletiva, organizada pela polícia, para se vingar dos torcedores do Ahly, que estiveram nas linhas de frente dos confrontos com a polícia. Por Aldo Cordeiro SaudaHoje, 1º de fevereiro, morreram 73 companheiros da torcida do Ultras Ahly, a maior torcida organizada do Egito. Foram assassinados pelos torcedores do Massry, um time de Port Said. Antes do jogo começar foram espalhados boatos em Port Said de que os torcedores do Ahly estavam armados e iriam atacar e destruir a cidade. De acordo com alguns jornalistas, estes boatos fizeram com que os torcedores do Massry, com medo de serem massacrados pelos torcedores do Ahly, se armassem para enfrentar seus inimigos. O Massry é um time relativamente pequeno quando comparado com o Ahly (o maior) e o Zamalak (o segundo maior).

Já fui a jogos com a torcida organizada do Ahly. Eles são extremamente pacíficos em relação às outras torcidas e muito politizados. Esta torcida está presente desde o início das mobilizaçõe na Praça Tahir e, ao lado da torcida Ultras Zamalak, promoveram uma fusão entre as torcidas organizadas e agora se apresentam como ”Ultras Freedom”, ou seja “Ultras Liberdade”. No início do jogo de hoje começaram a ofender do Marechal Tantawi, chefe da Junta Militar egípcia que preside o país.

O ataque aos torcedores do Ahly provocou uma reação da torcida do Zamalak. Alguns relatos contam que, em solidariedade aos que caíram, eles atearam fogo no Estádio do Cairo. Outros relatos informam que a torcida do Zamalak, principal rival do Ahly, falou que irá marchar até à cidade de Port Said para defender seus companheiros do Ultras Ahly que estão sendo massacrados pela polícia e pelos torcedores do Massry. É mais ou menos o equivalente à Mancha Verde [Torcida do Palmeiras] atear fogo no Pacaembu [estádio municipal de São Paulo] em solidariedade a um massacre da Gaviões da Fiel [torcida do Cortinthians] em um jogo contra o Sport Recife.Muitos companheiros estão dizendo que isto é uma punição coletiva, organizada pela polícia, para se vingar dos torcedores do Ahly, que estiveram nas linhas de frente dos confrontos com a polícia. O fato é que em todas a imagens podemos ver a polícia apenas assistindo ao massacre, o que é confirmado pelo relato de todas as testemunhas.

É provável que este episódio desencadeie um processo de vingança, porque, pela tradição familiar egípcia, é uma questão de honra vingar seus primos mortos. O massacre gera então um processo de destabilização das Ultras, importante grupo na Revolução Egípcia.Os torcedores do Ultras Ahly saudam os mártires de Suez, a mãe da revolução
Neste momento ocorre um ato em solidariedade aos mortos. Concentraram-se em frente à sede do clube, inicialmente com 300 pessoas, e foram caminhando até à estação de trem. Os relatos indicam que o ato não para de crescer e não sabemos ao certo quantas pessoas estão lá neste momento. Agora o ato se dirige a uma delegacia de Polícia. Entre os manifestantes existe a certeza de que o massacre foi obra de agentes provocadores.
Apesar de alguns gritos contra Massry, a grande maioria dos cantos exige a execução dos generais que comandam a junta militar.
Fonte: http://passapalavra.info/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ÍNDIO SEM TERRA. TERRA COM SANGUE. Campanha urgente!!!

ÍNDIO SEM TERRA. TERRA COM SANGUE. Campanha urgente!!!

“A maior parte das minhas tatuagens vem primeiro de uma idéia ou poesia, que depois vira desenho e então tatuagem” - por ANA

“A maior parte das minhas tatuagens vem primeiro de uma idéia ou poesia, que depois vira desenho e então tatuagem”
[Confira a seguir a entrevista que a tatuadora Marina Knup concedeu à ANA. Ela acredita que as tatuagens feitas por anarquistas quase sempre acabam partindo da idéia de expressar no próprio corpo a rebeldia e criatividade anárquica.]Agência de Notícias Anarquistas > Como foi esse encontro com a tatuagem? Como começou?
Marina Knup < Comecei há quase 10 anos atrás, quando chegou na minha mão uma primeira maquininha caseira, que um amigo me deu. Eu era bem nova na época e não tinha pretensão alguma de tatuar realmente, mas como sempre desenhei desde pequena, achei que seria legal tentar. A máquina era totalmente precária, mas gostei da coisa e fui atrás de equipamento profissional, que fui conseguindo com o tempo. Também não tinha a mínima idéia dos procedimentos de tattoo, técnicas, cuidados de biosegurança, e por isso comecei a ir atrás também de outros tatuadores e trabalhei em alguns estúdios fazendo desde serviços externos até limpeza e montagem de bancada pra aprender tudo o que precisava - já que pra além das técnicas de tatuar, o processo também envolve todo um cuidado com contaminação cruzada e outras coisas que podem colocar em risco tanto quem tatua como quem é tatuado.

ANA > Você lembra qual foi a primeira tatuagem que fez?
Marina < A primeira tatuagem que fiz, já com uma máquina profissional, foi em mim mesma. Como não tinha noção de técnicas de traço e pintura, quis treinar na minha própria pele para ver como seria. Depois foram surgindo várias pessoas próximas, do meio punk, que se ofereceram pra ser minhas primeiras “cobaias”. Então as primeiras foram todas desenhos como A-na-bolas, imagens punks, de bandas, e símbolos relacionados.ANA > E qual foi o desenho que você fez em si mesma? Aliás, você tem várias tatuagens. Poderia descrevê-las e como escolheu cada desenho?
Marina < O desenho que fiz em mim mesma é parte de um maior que fui fazendo com o tempo, que vem da idéia de orquídeas nascendo do concreto e rompendo o chão com suas raízes. Pensei na orquídea a partir do velho mito da “planta exótica” que era muito usada pelos críticos e opositores do anarquismo entre o século XIX e começo do XX no Brasil – algo que segundo eles seria externo à realidade local e que não criaria raízes. Disso então, as orquídeas enraizadas que quebram o concreto conforme crescem. A maior parte das minhas tatuagens vem primeiro de uma idéia ou poesia, que depois vira desenho e então tatuagem.

ANA > Qual a sua linha?
Marina < Na verdade gosto de tatuar em linhas diversas, procuro não me limitar a um único estilo. A única coisa que nunca gostei muito foi o estilo mais comercial de tattoo, que não me estimula em nada... Tento fugir do que para mim seria uma forma "industrial" de tatuar.

Mas já há alguns anos tenho me desenvolvido mais para o lado do preto e sombra, e nos últimos tempos estou trabalhando muito com a técnica de pontilhismo - tanto para tattoo quanto para criações. É uma técnica que comecei a usar há cerca de 1 ano e meio, e desde então estou aplicando em muitos trabalhos pelos efeitos que o pontilhismo consegue dar para a tatuagem.ANA > Décadas atrás a tatuagem carregava um certo grau de marginalidade, preconceito... mas isso de certa forma mudou nos últimos anos. Podemos dizer que hoje a tatuagem é moda?
Marina < Para uma enorme quantidade de pessoas acho que podemos dizer sim que é uma moda. E dá pra perceber que se tem investido muito nisso, com reality shows, revistas e publicações diversas, roupas, bolsas e outras tantas coisas ligadas a tatuagem, e por aí vai... E nisso surgem pessoas querendo fazer as tatuagens que os famosos têm, ou perguntando qual tipo de tatuagem tá na moda no momento (como se desse pra trocar de tatuagem depois), ou buscando exatamente o mesmo desenho que viu em outras pessoas na rua, e por aí vai..., como se tudo se resumisse a um carimbo que você faz na pele.

ANA > Você conhece outros tatuadores e tatuadoras anarquistas?
Marina < Conheço outros tatuadores anarquistas e punks, tanto daqui quanto de outras partes. Alguns deles começando agora, outros já tatuando há muitos anos. Um dos tatuadores que sempre me apoiou muito é também anarquista e punk, e o interessante destes contatos é exatamente encontrar uma visão libertária tanto da questão de como desenvolver o trabalho em si, como também formas diferentes de se pensar a relação com as pessoas, as criações, as rotinas, a busca por uma forma não “industrial” de tatuar... Enfim, desses contatos surgem trocas de experiências muito interessantes que vão além da questão técnica de se fazer uma tatuagem.

ANA > E já pensaram em organizar algum evento de tatuagem?
Marina < Essa idéia já surgiu algumas vezes em momentos diferentes, e inclusive chegou a acontecer um encontro de tatuagem em um espaço que existia há alguns anos atrás em Cotia (cidade próxima de São Paulo). Não pude ir neste encontro, mas a idéia sempre acaba voltando em algumas conversas. Também já tatuei em uma atividade anarcopunk há alguns anos atrás, enquanto rolavam as bandas.

ANA > Lá pelos idos da década de 80 e 90 eu não via tantos libertários tatuados... Hoje a cultura da tatuagem é mais intensa no meio anarquista, não?
Marina < Realmente, hoje é mais difícil encontrar pessoas não tatuadas no meio anarquista do que pessoas tatuadas! Sei que existem também motivações estéticas, mas o interessante é que as tattoos feitas por anarquistas quase sempre acabam partindo da idéia de expressar no próprio corpo os pensamentos, questionamentos, críticas, idéias e propostas libertárias, e toda a criatividade que o meio libertário tem! E disso surgem desenhos e propostas para tatuagens completamente diferentes do que existe por aí, nas revistas de tattoo e catálogos de desenhos...

ANA > Você vê alguma relação de anarquia com tatuagem?
Marina < Essa pergunta é um tanto difícil de responder, já que como eu falei em uma pergunta anterior, muita gente trata a questão da tatuagem como um modismo e mesmo como um nicho de mercado com enorme potencial de lucro. Então, neste sentido, não teria relação anárquica nenhuma. Por outro lado, como estava falando, acaba sendo, para os e as anarquistas que se tatuam, uma forma de expressar no corpo suas idéias e aspirações libertárias. Para mim, enquanto tatuadora e anarquista, e da forma como levo adiante este trabalho, acaba sendo também uma forma de trabalhar com total autonomia, criando minha própria rotina e tempo conforme minhas possibilidades e necessidades, e possibilitando dentro disso o tempo que preciso para desenvolver os projetos anarquistas e anarcopunks em que estou envolvida, e que não conseguiria levar adiante se tatuasse 12 horas por dia em escala industrial. Então a forma como levo esse trabalho me permite atuar mais ativamente, conciliando as coisas.ANA > Já tatuou alguma frase libertária em alguém?
Marina < Como desde o início tatuei muita gente do meio anarquista e punk, foram várias as tattoos com imagens ou frases libertárias. De A-na-bolas dos mais diversos tipos, punks jogando molotovs, fazendo ocupações, incendiando o capitalismo, gatos negros, formas diversas de se expressar a palavra Liberdade, estrelas vermelhas e pretas, colagens de zines, passando por rosas negras que surgem das engrenagens, poesias libertárias, e tantas outras...!

ANA > Uma curiosidade. Já tatuou o rosto da Emma Goldman em alguma pessoa?
Marina < Não... Que me lembre agora nunca tatuei o rosto de nenhum anarquista!

ANA > Tem notícias de alguém que já ficou em maus lençóis por ter uma tatuagem libertária? Uma vez eu li numa matéria sobre alistamento militar que as Forças Armadas brasileiras aceitavam pessoas tatuadas, mas não com tatuagens anarquistas... (risos)
Marina < Não me lembro agora de nenhum caso específico, mas uma coisa que já aconteceu muito é a prática de fotografar as tatuagens de punks e anarquistas que são detidos em manifestações e atos, que vão diretamente para um banco de dados específico para isso. De qualquer forma, tomar um enquadro da polícia pode se complicar mais dependendo da tatuagem que você tem...

ANA > Para terminar, entre tantos trabalhos, qual tatuagem libertária que te marcou mais?
Marina < Uma que me marcou muito, em um sentido emocional, foi a que fiz em um amigo anarcopunk que morreu de câncer há pouco mais de um ano, o Mudinho. É um desenho de um homem rico que está no meio de um incêndio tentando salvar seu dinheiro, que já está nas chamas. Ainda hoje é bem estranho pensar que nunca mais vou ver essa tattoo...!

ANA > Mais alguma coisa? Valeu!
Marina < Valeu pelo espaço! Fica um e-mail de contato pra quem quiser trocar idéia... Abraços y resistência!

marina_tattoos@yahoo.com.br

agência de notícias anarquistas-ana
Chuva de verão —
barquinhos de papel seguem
enxurrada abaixo.
Regina Célia de Andrade

Até onde irão os Indignados? - Por Manuel Castells

Até onde irão os Indignados?Manuel Castells aposta: ao recuar, quando ação se desgastou, movimento revelou maturidade surpreendente. Assumiu novas formas. Reemergirá, quando crise exigir

O movimento de indignados, que surgiu em 2011 na Espanha, Europa e Estados Unidos, é uma lufada de ar fresco em um mundo que cheira a podre. Expuseram nas redes sociais e em acampamentos o que muitos pensam: que os bancos e os governos criaram a crise; que as pessoas sofrem com ela; que os políticos apenas representam a si mesmos; que os meios de comunicação estão condicionados; que não existem vias para que o protesto social se traduza em verdadeiras mudanças, porque na política tudo está amarrado – e bem amarrado, para que as mesmas pessoas de sempre continuem cobrando e as mesmas pagando.

Por isso, durante meses, dezenas de milhares de pessoas participaram de assembleias e manifestações e por isso a maioria dos cidadãos (até 73%, na Espanha) compartilha de suas críticas. E tudo isso de forma pacífica, exceto a violência resultante de ações policiais excessivas, que levaram os responsáveis a julgamento. O movimento teve a maturidade de levantar os acampamentos quando sentiu que as ocupações já não repercutiam e que só os ativistas participavam das assembleias diárias.

Mas o movimento não desapareceu. Apenas se difundiu pelo tecido social, com assembleias de bairro, ações de defesa contra injustiças – como a oposição a despejos de famílias – e extensão de práticas econômicas alternativas: cooperativas de consumo, banco ético, redes de intercâmbio e outras tantas formas de viver de maneira diferente para viver com sentido.

Ainda assim, os indignados, que em algum momento chegaram a assustar as elites pela possibilidade de contágio, sofreram perseguição midiática, policial e política. Isso criou a impressão de que o movimento se limitou a alguns jovens idealistas ou alguns poucos exaltados. Basta isolar os grupos e deixar que se cansem. Os partidos de ultra-esquerda tentaram pescar em águas turbulentas, para realimentar suas hostes minguadas, mas viram que os novos rebeldes já têm claro que por esse caminho não conseguirão as mudanças pelas quais lutam. Apesar da hostilidade dos poderosos, o movimento continuou, manteve sua deliberação em assembleias, comissões pela internet, e segue contando com participação popular quando surgem iniciativas concretas, e aparece à superfície o trabalho cotidiano daqueles que não aceitam que tudo continue igual.

A determinação de criar novas formas de ação transformadora sem liderança formal e sem organizações burocráticas traz dificuldades consideráveis. Por um lado, não valia a pena chegar até aqui para voltar a reproduzir um modelo de ativismo que já fracassou repetidamente. Por outro, o essencial é estabelecer um vínculo entre a deliberação e ação, além de conectar-se com os 99% que o movimento quer representar. Buscando novas vias, o 15-M está abrindo um debate profundo sobre como continuar agindo e inovando no que diz respeito a organização e elaboração estratégica. Em 19 de dezembro, depois de uma discussão em assembleia, a Comissão de Extensão Internacional da Porta do Sol de Madri decidiu suspender sua atividade e se declarar em reflexão ativa indefinida.

“O espaço público que havíamos redescoberto voltou a ser substituído por uma soma de espaços privados… O êxito do movimento depende de que sejamos de novo os 99%. Ainda que não tenhamos a resposta do que deve vir depois, que forma pode assumir o reinício de que necessitamos, entendemos que o primeiro passo para escapar de uma dinâmica equivocada é romper com ela: parar, deter-se e tomar perspectiva”, foi a argumentação.

Mesmo que esta atitude não reflita necessariamente o sentimento de outras assembleias e comissões do 15-M, é significativa. Evidencia a capacidade de autocrítica e autorreflexão que caracteriza esse movimento. Somente assim pode se constituir um novo processo de mudança que não desnaturalize seus objetivos de democracia real nas formas de sua existência. Porque onde se chega depende de como se faz para chegar, qualquer que sejam as intenções. Se a questão é como se conectar com os 99%, como se opera essa conexão?

O essencial em qualquer movimento social é a transformação mental das pessoas. Poder imaginar outras formas de vida. Romper a subordinação e a manipulação midiática. Sentir que muitos pensam como um mesmo. Esquecer o medo de afirmar seus direitos e opiniões. Nesse sentido, existem múltiplas indicações de que as pessoas estão mudando, de que o 15-M fez visível a indignação e alimentou a esperança, e que ainda que haja menos participação nas assembleias de ativistas, muitas pessoas estão buscando, de múltiplas maneiras, ocupar espaço no cotidiano e estabelecer vínculos com experiências similares.

Têm claro que a mudança não passa por eleições como as últimas, na Espanha. O triunfo da direita reunida no PP, ampliado por uma lei eleitoral não representativa do voto, foi muito menos relevante (400 mil votos a mais que em 2008), que a queda do Partido Socialista. Ela expressa o esgotamento dos que supostamente representariam os “de baixo”. Também deixa claro que a crise vai piorar, sem que ninguém saiba como lidar com ela.

Diante deste impasse, as pessoas buscam suas próprias soluções. Contando com redes de solidariedade cada vez mais numerosas. E apoiando as ações reivindicativas onde surgem. Essa transformação mental e essas múltiplas mudanças cotidianas podem ser ativadas em níveis mais amplos, em formas a ser descobertas, conforme se for quebrando a normalidade. Não se trata do velho mito comunista do súbito colapso do capitalismo, mas simplesmente de saber que a economia europeia afunda na recessão, que a cobertura social se dilui, que a política tradicional patina e que os cidadãos continuam indignados e são cada vez mais conscientes.

No 15-M existe essa consciência. Como a água, ela irá encontrando suas próprias vias até que se torne torrente – quando a situação se fizer crítica. Ainda bem: porque a alternativa a esse protesto pacífico e construtivo é uma explosão violenta e destrutiva.

Tradução: Daniela Frabasile
Fonte: http://www.outraspalavras.net/