segunda-feira, 20 de maio de 2013

Chomsky alerta NY Times sobre diferença de tratamento entre Venezuela e Honduras - por CubaSí

Chomsky alerta NY Times sobre diferença de tratamento entre Venezuela e Honduras
Ao lado de outros intelectuais, o linguista norte-americano Noam Chomsky enviou correspondência a Margaret Sullivan, editora no ‘The New York Times’, cobrando o jornal a rever seu tratamento sobre Venezuela e Honduras: Chávez, apesar das vitórias eleitorais, é costumeiramente citado como ‘ditador’, e Micheletti, que sucedeu Zelaya, é presidente interino.
CubaSí
A seguinte petição, assinada por mais de uma dúzia de especialistas no tema América Latina e meios de comunicação, foi enviada a Margaret Sullivan, editora no ‘The New York Times.’

“14 de maio de 2013.

Estimada Margaret Sullivan,

Em uma coluna recente (12/4/2013) você comentou:

“Embora as palavras e frases por si mesmas não tenham a importância que merecem pelo grande fluxo diário que se cria, a linguagem importa. Quando as organizações de notícias aceitam a maneira de expressar dos governos, elas parecem aceitar a forma de pensar destes governos. No ‘Times’, estas decisões têm mais peso.”

À luz desses comentários, nós a exortamos a comparar a caracterização do New York Times à liderança do desaparecido Hugo Chávez na Venezuela com aquela a Roberto Micheletti y Porfirio Lobo em Honduras.

Nos últimos quatro anos, o ‘Times’ tem caracterizado Chávez como ditador, déspota, líder autoritário, e um “caudilho” em suas coberturas noticiosas. Se incluirmos os artigos de opinião, o ‘Times’ publicou pelo menos quinze trabalhos empregando tal linguagem, descrevendo Chávez como “ditador” o “homem duro”. No mesmo período — desde o golpe militar que derrubou o hondurenho Manuel Zelaya no dia 28 de junho de 2009 — nenhum colaborador do ‘Times’ utilizou esses termos para referir-se a Micheletti, que presidiu Honduras depois do golpe a Zelaya, ou Porfirio Lobo, que o sucedeu. Ao invés disso, o jornal os têm descrito em suas coberturas como “interino”, “de fato”, e “novo”.

Porfirio Lobo assumiu a presidência depois de ganhar as eleições que tiveram lugar sob o mandato do governo golpista de Micheletti. Ditas eleições foram marcadas pela repressão e pela censura e os observadores internacionais, como o Centro Carter, as boicotaram. Desde o golpe de estado, as forças militares e policiais hondurenhas assassinaram civis com assiduidade.

Nos últimos 14 anos, a Venezuela realizou 16 eleições ou referendos. Jimmy Carter elogiou as eleições na Venezuela, entre as 92 eleições que o Centro Carter monitorou, e as descreveu como “um magnífico sistema de votação”. Ele concluiu que “o processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo”. Enquanto alguns grupos de direitos humanos criticam o governo de Chávez, as forças de ordem na Venezuela não têm indícios de haver assassinado civis, como aconteceu em Honduras.

Qualquer coisa que se pense sobre as credenciais democráticas da presidência de Chávez — e achamos que algumas pessoas responsáveis podem não estar de acordo com isto — não há nada registrado, ao compará-lo com sua contraparte em Honduras, que justifique as discrepâncias nas coberturas do ‘Times’ em ambos governos.

Convidamos você a examinar essa diferença nas coberturas e o uso da linguagem, em particular aquela que possa fazer ver aos seus leitores a parcialização na posição do governo estadunidense com respeito a seu par de Honduras (ao que apoia), e o governo venezuelano (ao que se opõe) — precisamente a síndrome que você escreve e adverte em sua coluna.

Sinceramente,

- Noam Chomsky, Professor Emérito do Instituto Tecnológico de Massachusetts;
- Edward Herman, Professor Emérito de Finanças na Wharton School, Universidade da Pensilvânia;
- Greg Grandin, Professor de História na Universidade de Nova York;
- Sujatha Fernandes, Professor de Sociologia no Queen College e do Centro Graduado da Universidade de Nova York;
- Corey Robin, Professor de Ciências Políticas, Brooklyn College;
- Adrienne Pine, Professor de Antropologia na American University;
- Mark Weisbrot, Doutor em Filosofia e codiretor do Centro para o Estudo da Política e Economia;
- Miguel Tinker Salas, Professor de História e Estudos latino-americanos no Porma College;
- Katherine Hite, Professora de Ciências Políticas no Vassar College;
- Steve Ellner, Professor de Assuntos Internacionais e Públicos na Universidade de Columbia e na Universidade do Oriente;
- George Ciccariello-Maher, Professor de Ciências Políticas - Universidade de Drexel;
- Daniel Kovalik, Professor de Direitos Humanos Internacionais da Faculdade de Direito na Universidade de Pittsburgh;
- Gregory Wilpert, Doutor em Filosofia, autor de “Cambiar a Venezuela tomando el poder”;
- Joseph Nevins, Professor de Geografia no Vassar College;
- Zazih Richani, Diretor de Estudos da América Latina, Universidade de Kean;
- Steven Volk, Professor de História no Oberlin College;
- Aviva Chomsky, Professora de História na Salem State University;
- Keane Bhatt, Congresso norte-americano para a América Latina;
- Chris Spannos, analista do New York Times;
- Michael Albert, Znet.”


Extraído do NACLA (Congresso Norte-americano sobre Latino-américa).

Tradução: Liborio Júnior
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fé Demais - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Deus não existe!... Revista Bula

Deus não existe!...
Se Deus existe, Ele passou muito tempo na moita. Até que pudesse ser percebido por alguém. Acompanhe o raciocínio: O universo, como existência física, é estimado em 14,5 bilhões de anos pelo calendário terreno, quando surgiu de um ovo pré-universal, numa explosão espetacular, cujos estilhaços, gases e poeiras deles decorrentes, formam os monumentais corpos celestes. Em um desses estilhaços, dos bem pequenos, é verdade, o Homo sapiens, a nossa espécie primordial, surgiu há cerca de 145 mil anos, ou seja: a nossa existência no universo ocupa o percentual infinitamente miúdo de 0,001% da existência do mundo.
Astronomicamente falando é um tempo tão ínfimo quanto aquele gasto no piscar de uma lagartixa no contexto de um ano. Em algum momento de nossa curtíssima trajetória, desenvolvemos alguns atributos que nos foram diferenciando da bicharada, tais como consciência, o raciocínio lógico, o desenvolvimento de ferramentas, a interferência conduzida no meio ambiente, a cultura e a intuição da existência do sobrenatural. Só então Deus começou a dar as caras. Ou seja, a existência de Deus como ideia e conceito começa de fato com a evolução racional do ser humano, dentro de um processo da evolução natural das espécies. Daí não ser um disparate afirmar que a natureza criou o homem e o homem criou Deus. A existência de Deus, se fosse pão, ainda estava quentinho de derreter a manteiga. Nenhuma das linhagens que nos antecederam, como as bactérias, as formigas, as baratas, os crocodilos, os dinossauros, supõe-se, não chegaram a aventar, ou mesmo intuir a existência de Deus. Pela simples razão de que eram ou são seres irracionais. A existência de Deus teve início com a nossa espécie.
A existência de Deus, a rigor, é um efeito colateral da racionalidade. Ela acontece onde o nosso limitado raciocínio esgota suas forças e não consegue romper. Aí entra a ordem sobrenatural, tendo como centro o Deus absoluto, princípio, meio e fim, aquele que é ubíquo e tudo sabe, que tem visão de raio X para saber o que existe por trás das pedras, por trás de nosso discurso falho e não raro dissimulado.
Costumamos afirmar que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, o que nos parece não só uma forma arrogante de nos colocar em posição superior diante das demais criaturas e assim subjugá-las, mas também um evidente equívoco, prontamente observável.
Admitindo que Deus esteve por trás do big-bang que supostamente deu origem ao mundo, com sua alquimia explosiva, Ele esperou com paciência por mais de 14 bilhões de anos para inserir o homem em sua arena. Se fôssemos tão importantes como supomos ser, talvez Deus tivesse nos preparado mesmo antes da construção do cenário e nos conservado no formol divino e nos inserido em cena desde o primeiro ato. Já o Homo sapiens, ao contrário de Deus, é um bicho extremamente ansioso. Queremos alcançar resultados, atingir objetivos desde as primeiras ações.
Diante desta situação, de duas uma: ou Deus é semelhante a nós, mas não somos importantes para Ele, apesar da semelhança. (A semelhança, no caso, ao invés de produzir simpatia, pode ter produzido rejeição, pois, pelo dom da ubiquidade, Deus sabia desde sempre quem seríamos nós e do que seríamos capazes.) Ou então Deus não é semelhante a nós e, como espécie, somos apenas mais uma no desenrolar do longo novelo evolutivo, e que irá desaparecer até mais rapidamente do que as outras, como as baratas, as formigas e as bactérias, em razão de nossa racionalidade convertida em estupidez.
É uma noção quase unânime, independente da seita que se filie, ou da versão de Deus que se adote, que Ele é um ser permeável e receptivo aos nossos rapapés, que costumamos chamar de orações. E isso talvez nos fizesse especiais diante de Deus, pois somos a única espécie capaz de desenvolver rituais bajulatórios. Ora, há evidências de que Deus, se existe, não se impressiona com nossos comovidos petitórios. Ou pelo menos a comoção de Deus não se manifesta de forma semelhante à comoção humana. Vez que somos tendentes a poupar de nossa ira as pessoas que nos beijam as mãos.
Ao longo da história, não foi uma nem duas vezes que templos abarrotados desabaram sobre os fiéis em oração. Exemplo clássico foi o Dia de Todos os Santos de 1755, em Lisboa. Estando as igrejas da Capital repletas de fiéis, veio um terremoto. Quem sobreviveu ao terremoto foi engolido pelas chamas provocadas pelos escombros sobre as velas acesas. Quem ainda conseguiu sobreviver, em seguida foi engolido por um tsunami. Milhares e milhares de pessoas morreram rezando. A família real sobreviveu porque estava praticando um ato que contrariava a suposta vontade de Deus. Naquele domingo santo, dia de fervorosas adorações, a família real se ocupava de afazeres hedonistas: fazendo churrasco, tomando vinho enquanto veraneava em Queluz.
Outro exemplo bem recente foi o tremor de terras do Haiti. Um dos países mais pobre do mundo, um povo extremamente sofrido e digno da piedade humana e divina e outras mais, se mais houver. Foi violentamente sacudido, não poupando nada nem ninguém. Levou de eito aficionados do vodu, do budismo, do islã, do cristianismo e quem mais estivesse por lá. Levou inclusive a Dra. Zilda Arns, a nossa santa viva e operante, que salvou milhões de crianças da mortalidade infantil, no Brasil e em outras partes do mundo. Inclusive estava lá em missão de salvação dos pequeninos, quando a igreja desabou sobre ela.
Em qualquer tempo e lugar, as pessoas que apostaram na hipótese de um Deus expresso e socorrista, a não ser que tenham se vendando pelas lonas do autoengano, acabaram desiludidas. O próprio Jesus Cristo, que se achava em condição mais do que especial diante das atenções de Deus, na hora em que ele mais esperava, desabafou: — Oh, Pai, por que me abandonaste!?
Deus não é um ser de misericórdia e amor. Pelo menos seu amor e sua misericórdia não têm as feições que gostaríamos que tivessem. Nem tem o apego por nós que gostaríamos que tivesse. Talvez do que Deus goste mesmo sejam suas esferas rodopiantes, suas galáxias em espirais, suas estrelas incendiadas, seus buracos negros que povoam o universo numa profusão quase infinita. Enquanto nós, bicho da terra tão pequeno, como já sentenciou Camões, continuamos circunscritos a este estilhaço minúsculo, neste recanto de universo, que Terra tem por nome, com nosso destino atrelado ao destino das baratas e das moscas varejeiras. Ainda assim cheios de poesia em nosso triunfalismo enganoso.
Quanto ao título “Deus não existe!…” pode ser tomado tanto no sentido literal, quanto no conotativo popular. Quando alguém nos surpreende de forma cabal, ou tem qualidades que superam quaisquer expectativas ou prescrições, nós dizemos simplesmente: “Fulano não existe!…” Assim me parece que seja Deus, uma entidade difícil de existir, mas se existe é surpreendente, sobejante, incapaz de se ajustar ao entendimento humano, aos dogmas religiosos, à ciência ou à vã filosofia. Portanto, o leitor que escolha o sentido que melhor lhe convier.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O plano da ONU para acabar com a fome no mundo - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Maio de 68: 45 anos depois – por Luis Roca Jusmet - Rebelión

Maio de 68: 45 anos depois
Não conhecemos alternativas globais e as que se ensaiaram fracassaram, mas temos que introduzir uma lógica diferente ao capitalismo para conseguir o máximo de felicidade coletiva e de autonomia pessoal. Como já viam bem os jovens de Maio de 68, o que nos oferece o sistema é um engano: uma satisfação aparente através do consumo.
Quando acabou o Maio de 68? Foi o que perguntaram a Daniel Blanchard, agudo observador e participante em ditos acontecimentos. Em Junho de 68, afirmou. A resposta tinha algo de brincadeira e algo de verdade: a energia se perdeu em grande parte quando acabou a mobilização.

Sabemos que foi o sintoma de uma transformação a longo prazo. O primeiro aspecto que reivindicavam era o fim das instituições hierárquicas. A sociedade era muito autoritária em todos os âmbitos da vida cotidiana, da família (patriarcal) até a política (o Presidente de Gaulle ou seu revés, o PC francês) passando, é claro, pelas instituições educativas. Podemos perguntar-nos agora se nestes quarenta e cinco anos ganhamos algo neste sentido. A resposta é ambígua, ambivalente.

Jacques Lacan dizia que passamos do Discurso do Amo ao Discurso Universitário. Já não são poderes autoritários, personalizados, patriarcais. São poderes tecnocráticos, de especialistas e gestores, de avaliadores anônimos. Gilles Deleuze falava da passagem da sociedade disciplinar à sociedade de controle. Michael Foucault foi quem trabalhou mais, embora tenha morrido a meio caminho. Entendeu que as sociedades disciplinares que havia estudado em seu célebre texto Vigiar e Punir estavam se transformando em formas de governos que exerciam o poder indiretamente. Nikolás Rose o desenvolveu mais em seus estudos sobre neoliberalismo social. Vargas Llosa, que é um liberal conservador, dizia que o Maio de 68 tinha provocado a crise de valores e autoridade que vivemos. É verdade. O patriarcado caiu e com ele a autoridade, tal como nos mostrava o psicossociólogo Gerard Mendel em sua excelente análise histórica da autoridade. Quando cai o patriarcado na sociedade moderna, a autoridade em todos os âmbitos cambaleia. A sociedade é hoje mais liberal em todos os aspectos, isto é o que se ganhou: direitos da mulher, das crianças, dos homossexuais, das minorias raciais e étnicas...

O outro aspecto que reivindicavam era a felicidade, a alegria. Contra as paixões tristes, contra o mal-estar, contra a infelicidade. Aqueles jovens viam (víamos) que a forma de vida de nossos pais, que a geração que herdávamos não era uma sociedade de pessoas felizes. E que o consumo como expectativa só gerava insatisfação. A felicidade, já o sabemos, é uma cosa muito complexa e que só pode ser medida em termos subjetivos (objetivá-la é um dos aspectos da biopolítica, que também nos diz como ser felizes). Mas aquelas pessoas não pareciam muito felizes e queríamos outra vida, tentá-la de outra forma. Talvez tivesse algo de ingenuidade porque, como dizia o velho e sábio Freud, a civilização comporta repressão e, portanto, mal-estar e ninguém está disposto a negar as vantagens de um mundo civilizado. Mas ainda aceitando isto podíamos aspirar certo grau de felicidade e não nos conformar em sermos vítimas de costumes e de uma maneira de viver com a qual não nos identificávamos. Podemos nos perguntar também se quarenta e cinco anos depois, nas chamadas sociedades avançadas, somos mais felizes. E eu também diria que não. A sociedade cada vez parece produzir mais infelicidade e a depressão tem características de praga social, acrescentada a outras como a anorexia, os vícios... Parece cumprir-se a fatal profecia de Nietzsche, quando dizia que o que chegaria se não éramos capazes de transformar os valores, era o niilismo do último homem. Aqui Nietzsche afirmava uma questão central que era que, para viver intensamente, para querer viver, temos que aceitar a dor e a morte. E não aceitamos nem uma coisa nem a outra, pelo qual nos transformamos, cada vez mais, em indivíduos que o único que querem é não sofrer e negar a própria finitude, a própria morte. E o preço é viver no mínimo e guiados por uma sociedade que cada vez nos oferece mais serviços para ser um rebanho que tem a vida cada vez mais regulamentada e que vai dos objetos tecnológicos até o turismo de massas, que por outra parte criam cada vez novas e maiores obrigações para todos os que compomos, queiramos ou não, este rebanho.

Podemos pensar então que o que vale a pena recolher daquele movimento é a luta pela autonomia e a luta pela felicidade. Isto, queiramos ou não, não é apenas incompatível com o autoritarismo ou com os costumes repressivos, uma vez que, como bem nos lembra Zizek, agora o imperativo é que temos que gozar. Com o que é realmente incompatível é com o capitalismo. Já sei que não conhecemos alternativas globais e as que se ensaiaram fracassaram, mas temos que introduzir uma lógica diferente a ele para conseguir o máximo de felicidade coletiva e o máximo de autonomia pessoal. Como já viam bem os jovens de Maio de 68, com suas consignas anticapitalistas, o que nos oferece o sistema é um engano: uma satisfação aparente através do consumo que não é felicidade e um individualismo que não é autonomia real.

Em todo caso, vale a pena não esquecer e procurar algo melhor do que o que temos. Estes valores dos quais falo, não esqueçamos, sim são mostras do Progresso, que não é outra coisa que o que ganhamos coletivamente em felicidade e em liberdade. É incompatível com o capitalismo.

Nestes momentos de crise, tentemos recuperar algo desta luta pela autonomia e pela felicidade que não passe por querer recuperar o consumismo.

Não esqueçamos tampouco que, como dizia Claude Lefort, também vinculado ao movimento, que as duas saídas ao vazio de poder das sociedades tradicionais são a democracia e o totalitarismo. São as duas opções que hoje podemos ver mais claras na crise que vivemos, do Estado oligárquico liberal que nos geriu todos esses anos.

Não esqueçamos também, que o capitalismo sobreviveu perfeitamente a esta crise de autoridade. Tudo que é sólido se desvanece, dizia Marx, referindo-se ao capitalismo. Equivocaram-se os que diziam que a crise da família patriarcal autoritária seria o fim do capitalismo. O capitalismo sobrevive com casais gays, com mulheres emancipadas e muito mais. É a lógica do aumento incessante do capital e da mercantilização generalizada o que o define. E se adapta muito bem às mudanças sociais. Não será isto o que o matará.

Tradução: Liborio Júnior

terça-feira, 14 de maio de 2013

Uma charge para a Marcha das Vadias, Londrina 2013 - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Controle sobre os genes, a próxima batalha – por Joseph Stiglitz

Controle sobre os genes, a próxima batalha
Suprema Corte dos EUA pode aceitar patenteamento do código genético. Significaria colocar lucros acima de tudo: inclusive da vida humana
A Suprema Corte dos Estados Unidos começou há pouco a julgar um caso que destaca o tema muito problemático dos direitos de propriedade intelectual. Os genes humanos – seus genes – podem ser patenteados? Expresso de outra forma; deveríamos transferir a alguém o direito de, digamos, verificar se você tem um conjunto de genes que implica possibilidades acima de 50% de desenvolver câncer nos seios?
Para quem está fora do mundo iniciático dos direitos de propriedade intelectual, a resposta parece óbvia: não! Você possui seus genes. Uma empresa pode possuir, no máximo, a propriedade intelectual relacionada ao teste genético; e como a pesquisa e desenvolvimento necessários para desenvolver os testes podem custar bastante, seria correto que ela pudesse cobrar para executá-los.
Mas uma empresas sediada no estado norte-americano de Utah, a Myriad Genetics, reivindica mais que isso. Ela exige possuir os direitos sobre qualquer teste feito para verificar a presença de dois genes críticos, associados ao câncer de seio. Ela bate-se agressivamente por tal direito, embora seu teste seja inferior ao que a Universidade de Yale desejava oferecer, a custo muito mais baixo. As consequências são trágicas. Testes eficientes e acessíveis que identifiquem pacientes com alto risco de desenvolver câncer salvam vidas. Impedi-los provoca mortes. A Myriad é um exemplo real de corporação norte-americana para a qual o lucro supera qualquer outro valor – inclusive o da própria vida humana.
O caso é particularmente crítico. Normalmente, os economistas falam de compensações. Argumenta-se que direitos de propriedade intelectual mais frágeis eliminariam o incentivo à inovação. A ironia aqui é que a descoberta da Myriad teria ocorrido de qualquer maneira, graças a um esforço internacional, financiado com recursos públicos, para decodificar todo o genoma humano – uma conquista singular da ciência moderna. Os benefícios sociais da descoberta da empresa, ligeiramente precoce, são incomparavelmente menores que os custos impostos por sua busca irresponsável de lucros.
Num contexto mais amplo, cresce o reconhecimento de que o sistema de patentes, em sua forma atual, impõe inúmeros custos sociais e é, além disso, incapaz de maximizar a inovação – como demonstram as patentes de genes da Myriad. Afinal de contas, a corporação não inventou as tecnologias usadas para analisar os genes. Se estas tecnologias tivessem sito patenteadas, a empresa não poderia ter feito suas descobertas. E o rígido controle que exerce sobre suas patentes inibiu o desenvolvimento, por outros, de testes melhores e mais precisos sobre a presença do gene. A questão é simples: toda pesquisa é baseada em pesquisa anterior. Um sistema de patentes mal-concebido – com o que temos hoje – pode inibir a sequência de investigações científicas.
É por isso que não se permitem patentes de insights básicos em matemática. E é por isso que estudos demonstraram: o patenteamento de genes reduz, na realidade, a produção de novos conhecimento sobre genes. A fonte mais importante para a produção de novo conhecimento é conhecimento anterior. Mas o acesso a este é inibido pelo sistema de patentes.
Felizmente, o que motiva os avanços mais significativos do conhecimento humano não são os lucros, mas o próprio desejo de conhecer. Foi assim com todas as descobertas e inovações transformadoras – o DNA, os transístores, os lasers, a Internet e tantas outras.
Uma disputa judicial à parte revelou um dos maiores perigos de um poder de monopólio criado por patentes: a corrupção. Como os preços excedem em muito os custos de produção, surgem, por exemplo, oportunidades de lucros imensos quando se persuade farmácias, hospitais ou médicos a mudar a marca dos medicamentos consumidos.
O procurador norte-americano para o distrito Sul de Nova York acusou recentemente o gigante farmacêutico suíço Novartis de fazer exatamente isso, por meio de incentivos ilegais, honrarias e outros “benefícios” oferecidos a médicos. É exatamente o que a Novartis prometera não fazer, na resolução de um caso semelhante, há três anos. O Public Citizen, um grupo que atua em favor dos direitos do consumidor, calculou que, só nos Estados Unidos, a indústria farmacêutica foi obrigada a pagar bilhões de dólares, como resultado de decisões judiciais e acordos financeiros firmados com governos federais e estaduais.
É triste, mas os Estados Unidos e outros países avançados têm pressionado pela adoção, em todo o mundo, de regimes de propriedade intelectual ainda mais draconianos. Se adotados, eles limitarão o acesso dos países pobres ao conhecimento de que precisam para desenvolver-se, e negarão medicamentos genéricos, que podem salvar vidas, a centenas de milhões de pessoas que não podem pagar os preços de monopólio dos produtores de drogas.
Este tema vai torna-se central, em negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC). O acordo de propriedade intelectual da OMC, chamado de TRIPS, originalmente garantia “flexibilidade” às 48 nações menos desenvolvidas, que têm renda per capita inferior a 800 dólares anuais. O acordo original parece especialmente claro: a OMC irá estender estas “flexibilidades”, a partir de demanda das nações menos desenvolvidas. Mas agora, quando tais nações apresentaram a demanda, os Estados Unidos e a Europa hesitam em reconhecê-las.
Os direitos de propriedade intelectual são regras que nós criamos e que, supõe-se, ampliam o bem-estar social. Mas regimes de propriedade intelectual desequilibrados produzem ineficiência – inclusive, lucros de monopólio e incapacidade de maximizar o uso do conhecimento – que frustram o avanço da inovação. E, como mostra o caso da Myriad, podem resultar em vidas desnecessariamente perdidas.
O regime de propriedade intelectual que vigora nos Estados Unidos – e que eles ajudaram a empurrar ao resto do mundo, por meio do acordo TRIPS – é desequilibrado. Todos deveríamos esperar que, ao decidir o caso Myriad, a Suprema Corte contribua para a criação de uma estrutura mais sensível e humana.
Tradução: Antonio Martins

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Para além da maioridade penal – por Luís Fernando itagliano

Para além da maioridade penal
Mídia e conservadores reabrem debate oportunista e vazio, com objetivos eleitoreiros. Esquerda precisa preparar-se para propor segurança cidadã
Uma dentista assassinada por bandidos que atearam fogo em seu corpo por ter somente 30 reais em sua conta bancária; um garoto assassinado com um tiro a queima roupa na cabeça por não entregar sua mochila. A crueldade dos crimes praticados por menores de idade chama a atenção midiática nesses dois casos. Somados a isso, os índices divulgados na semana passada só vêm comprovar o que a percepção da população já havia expressado: o aumento significativo da criminalidade em São Paulo, principalmente de assassinatos e latrocínios.
Voltou à tona uma discussão – casuística e rasa – sobre a maioridade (ou menor idade) penal. Com 18 anos uma pessoa está perdida o suficiente para ingressar no sistema penitenciário brasileiro? As casas de menores são instituições que não recuperam nem geram outras oportunidades para jovens infratores. Fato. Mas, os criminosos e assassinos menores de idade são minorias e casos à parte – tratar o todo pela exceção não resolve, só piora o problema. Falar, portanto, de redução da maioridade penal sem discutir recuperação penitenciária, ou as causas que levam às praticas do menor infrator, ou medidas como aumento das penalidades para quem usa menores como cúmplices é um debate viciado e oportunista. Ainda mais quando se explora meia dúzia de casos expostos pela mídia.
Em vez de aceitar esta armadilha, é mais útil examinar a consequência direta do debate sobre a violência em São Paulo: as eleições. Já sabemos que o desgaste natural, a falta de opções de renovação em seu partido e as ultimas derrotas políticas colocaram o governador Geraldo Alckmin na berlinda. Mas enganam-se aqueles que defendem que as eleições são apenas propaganda e popularidade, desprovidas de conteúdo político. Alguns temas que tomam a agenda de campanha são muito importantes para a ascensão ou queda dos candidatos. E a crescente violência urbana no Estado tornou-se o calcanhar de Aquiles do governo que já foi cobrado a dar uma resposta urgente aos eleitores. A segurança pública será certamente o tema mais explorado do debate paulista do próximo ano e neste ponto há de se destacar que as esquerdas patinam.
São Paulo é um caso especial de conservadorismo e desenvolvimento que tem uma dinâmica única eleitoral. Os eleitores paulistas vivem uma polarização própria: os tradicionalistas que querem manter a ordem e o progresso e os inovadores que defendem políticas liberais. Vai-se do “rouba mais faz” à defesa consequente dos direitos humanos – sendo que, no interior do estado, as forças conservadoras são muito presentes. Conformou-se um colégio eleitoral que majoritariamente apoiou o “estupra, mas não mata”, ratificou a frase “bandido bom é bandido morto” e aceita as recentes declarações do próprio governador em exercício sobre uma ação criminosa da polícia: “esta vivo quem não reagiu”.
O mais dramático é que as esquerdas não têm uma plataforma clara sobre o tema específico da segurança pública. Não há uma proposta na agenda para além da ausência de propostas. Desde a ditadura militar – quando se denunciava o uso do tema segurança pública para perseguir, prender e torturar –, a oposição de esquerda, não demonstra preocupação com as instituições policiais. Além disso, a ideia de uma ruptura da ordem, presente em várias concepções de esquerda, tem levado a não considerar essas instituições como legítimas. Oposições ao exército e às forças da ordem reforçam a noção de que essas instituições são repressivas e opressivas, o que leva muitos militantes a desconsiderar a esfera da segurança pública. Na base do silêncio e da resignação, frustrou-se a possibilidade de construir uma proposta de segurança cidadã, baseada nos direitos humanos. Isso impede o diálogo com parte importante das frações médias da sociedade paulista.
A ideia vulgar, hoje predominante, é que só os “humanos direitos” merecem direitos humanos. Ou seja, tais direitos não se aplicam aos criminosos. Promove-se um escândalo de capa de revista quando um cidadão de classe média sofre violações físicas, mas não são dignas de nota as torturas e violações de direitos praticadas constantemente em delegacias de polícia e presídios. Parece haver carta branca contra aqueles que são indiciados como criminosos. Nesse ambiente, as esquerdas tendem a se opor às instituições policiais e a despreza a necessidades de reformar e reorganizar o sistema com base nos direitos humanos. Isso pode servir ao próprio governador, que procura identificar-se com os pontos de vistas conservadores – e majoritários – sobre o tema.
Sem uma plataforma séria, que responda às ondas crescentes de criminalidade urbana com propostas práticas e efetivas de redução da violência, as esquerdas vão perder espaço. Sem um sistema policial com respeito aos direitos humanos, formação de policiais com capacidade de fazer cumprir os direitos cidadãos e possibilidade de cumprir sua missão e garantir a segurança da população, as esquerdas desperdiçarão a oportunidade de renovar sua própria relação com instituições políticas que serviram a ditadura em outra época, mas hoje devem servir a sociedade democrática de direito baseada na cidadania.
Luís Fernando Vitagliano é cientista político e professor.
Imagem: Carlos Bassan

O bobo da corte dos cretinos...

Stephen Hawking adere ao boicote acadêmico a Israel – por Baby Siqueira Abrão

Stephen Hawking adere ao boicote acadêmico a Israel
A informação é do jornal 'The Guardian'. Stephen Hawking, um dos mais importantes físicos teóricos e cosmólogos do mundo e professor da Universidade de Cambridge, recusou convite para participar da conferência anual do presidente israelense Shimon Peres em junho, data em que também serão comemorados os 90 anos do mandatário.
O movimento internacional de boicote acadêmico e cultural a Israel acaba de ganhar um membro de peso. Stephen Hawking, um dos mais importantes físicos teóricos e cosmólogos do mundo, aderiu à causa, informou o jornal inglês The Guardian desta quarta-feira (8).

Hawking, 71 anos, professor da Universidade de Cambridge, aceitara o convite para participar da conferência anual do presidente israelense Shimon Peres em junho, data em que também serão comemorados os 90 anos do mandatário. Mas mudou de ideia. Segundo o Guardian, ele não anunciou a decisão publicamente. Foi uma declaração divulgada pelo Comitê Britânico para as Universidades da Palestina, com a aprovação de Hawking, que colocou a notícia na ordem do dia. O texto afirma que o cientista tomou “a decisão independente de respeitar o boicote, baseado em seu conhecimento sobre a Palestina e na recomendação unânime de seus contatos acadêmicos palestinos”.

Ao aderir ao boicote acadêmico e cultural a Israel, Stephen Hawking une-se a outras personalidades britânicas que recusaram convites para apresentar-se lá, como Elvis Costello, Brian Eno, Annie Lennox, Mike Leigh e Roger Waters, um dos fundadores do extinto Pink Floyd e ativista incansável a favor dos direitos do povo palestino.

Desde que anunciou sua ida a Israel, quatro semanas atrás, Hawking diz ter sido “bombardeado” com mensagens de várias partes do mundo, que procuravam persuadi-lo a não ir. No final, segundo comentou com amigos, ele resolveu seguir o conselho de seus colegas das universidades palestinas e desistiu da viagem.

Essa seria sua quinta visita a Israel. A última aconteceu em 2006, quando ele deu conferências públicas em universidades israelenses e palestinas, a convite da embaixada britânica em Tel Aviv. De lá para cá a situação mudou muito, levando Hawking a repensar o país sionista. O bombardeio do exército israelense a Gaza, entre o final de 2008 e o início de 2009, teve um papel fundamental nessa mudança. À época, ele declarou à rede Al-Jazira que a ação de Israel era “completamente desproporcional”. “A situação é semelhante à da África do Sul antes de 1990 [durante o apartheid] e não pode continuar”, afirmou então.

O gabinete do presidente Peres, ainda de acordo com o Guardian, não anunciou formalmente a desistência de Hawking nem aceitou pronunciar-se sobre o assunto. Mas o nome do cientista não consta mais da lista de oradores do site oficial da conferência (confira em http://2013.presidentconf.org.il/en/speakers/). É interessante notar que a maior parte dos conferencistas é de Israel e dos Estados Unidos, a maioria oriunda da comunidade judaica; os poucos que virão de outros países (França, Suíça, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha) têm, todos, sobrenomes judeus. Será, portanto, um encontro entre pares.

BDS, uma campanha em crescimento
BDS, sigla formada pelas iniciais das palavras boicote, desinvestimento e sanções [a Israel], é um movimento iniciado na Palestina em 2005 (http://www.bdsmovement.net/). Baseados no que ocorreu com a África do Sul na época do apartheid – em que o boicote econômico internacional foi decisivo para derrubar o governo colonial e racista –, os palestinos fizeram um chamado à população mundial para que boicotasse produtos de Israel, evitasse investir no país ou retirasse seus investimentos de lá e pressionasse governos e órgãos internacionais a impor sanções ao país sionista pelos crimes cometidos contra a população nativa.

Em seus oito anos de duração, a campanha já se espalhou pelo mundo, levando universidades, colégios, Igrejas, governos, supermercados, indústrias e centrais sindicais a votar a favor do BDS e a deixar de comprar produtos israelenses, sobretudo os que vêm das colônias ilegais construídas na Palestina. O crescimento do apoio à campanha tem acarretado prejuízos sérios à economia do país sionista, a ponto de em 2011 o Parlamento aprovar uma lei criminalizando quem quer que apoie o BDS dentro de Israel. Os sionistas também tentaram impor sanções ao movimento na França, sem sucesso.

Em 2013 prepara-se uma nova ofensiva contra o BDS e contra o crescimento do apoio internacional à Palestina. No Fórum Global de Combate ao Antissemitismo (Jerusalém, 28 a 30 de maio), três grupos de trabalho terão como foco estratégias para “construir uma imagem mais positiva de Israel”. Não se espere, porém, que isso signifique o fim da ocupação da Palestina e o reconhecimento dos direitos da população nativa. Os grupos estão propondo levar aos tribunais os ativistas solidários aos palestinos, sob a acusação de antissemitismo. Não se sabe como os sionistas conseguirão essa proeza, uma vez que os palestinos são os verdadeiros semitas da história. A maioria dos israelenses, vinda do Leste Europeu, tem origem cazar, asquenázi, não semita. Nesse caso, antissemitismo seria apoiar o sionismo, e não o contrário.

Outro objetivo do encontro é mudar as leis, de Israel e de países onde o BDS e o apoio à Palestina aumentam. Um dos alvos são os movimentos nos campus estadunidenses, onde o sionismo vem perdendo terreno de maneira acelerada. É importante lembrar que outras tentativas nesse sentido deram em nada. Como escreveu o comentarista político Stephen Landmann em análise recente, “Israel já perdeu toda a credibilidade”.

A decisão de acadêmicos importantes como Stephen Hawking está ancorada nesse tipo de atitude, de insistência na repressão e no colonialismo, no regime de apartheid, na negação dos direitos do povo palestino. No mês passado, o governo israelense sofreu mais revezes: a União dos Professores da Irlanda tornou-se a primeira associação de mestres europeus a apoiar o boicote acadêmico a Israel. Nos Estados Unidos, também em abril, a Associação de Estudos Asiáticos-Estadunidenses votou pelo apoio ao BDS.

No Brasil, carta recente dos movimentos sociais critica o governador Tarso Genro pelo acordo assinado com a Elbit Systems, a principal indústria bélica israelense, exige o fim do acordo militar entre Brasil e Israel e subscreve o BDS. A CUT, Central Única dos Trabalhadores, votou pelo BDS em 2010. Oficialmente lançado aqui em setembro de 2011, o movimento vem sendo coordenado pela Frente em Defesa do Povo Palestino, reunião de dezenas de associações, sindicatos, movimentos populares, organizações não governamentais, partidos, centrais sindicais e cidadãos solidários à causa palestina.

Só falta agora a cantora Gal Costa recusar o convite de se apresentar em Israel. Artistas brasileiros como Roberto Carlos, Gilberto Gil e Daniela Mercury não respeitaram o boicote, apesar da campanha que o BDS Brasil realizou no sentido de explicar a importância do boicote. Em relação a Gal, fãs da Europa já se uniram aos do Brasil para convencê-la a desistir da viagem a Israel.

domingo, 5 de maio de 2013

Israel e o conflito na Síria - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

“EUA usam drones como alternativa a Guantánamo”, diz ex-consultor do governo

“EUA usam drones como alternativa a Guantánamo”, diz ex-consultor do governo
Mortes com veículos não tripulados já chegaram a 4.700 em quatro países
 “Esse governo optou por, em vez de prender membros da Al Qaeda, simplesmente matá-los”. A polêmica frase foi proferida pelo advogado John Bellinger, responsável por coordenar a criação das bases jurídicas da política norte-americana para o uso letal de drones (aviões não-tripulados) contra suspeitos de terrorismo, que criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante conferência em Washington realizada nesta quinta-feira (02/05).

Segundo Bellinger, o governo Obama abusou do direito de utilizar os drones em razão, principalmente, da relutância em capturar prisioneiros que iriam, eventualmente, serem levados à prisão militar de Guantánamo, em Cuba, fonte de uma série de denúncias de abusos aos direitos humanos – atualmente, cem do 166 detentos (130 segundo os advogados) estão em greve de fome por protesto.

Agência Efe (27/04)
Foto de militar iemenita morto por ataque dos EUA durante encontro de vítimas de drones no Iêmen

Bellinger, ex-conselheiro jurídico do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional, começou a formular as políticas para o uso de drones durante a administração anterior, do republicano George W. Bush (2001-2009).

“Somos o único país no mundo que pensa que estamos em uma guerra contra a [rede terrorista] Al Qaeda, mas cabe aos países sob ataque decidirem se estão em guerra ou não”, ponderou. “Esses ataques com drones estão nos causando grande prejuízo ao redor do mundo. Por outro lado, se você é o presidente e não faz nada para impedir outro 11 de Setembro, então você tem outro problema”.

Na última terça-feira (30/04), Obama prometeu intensificar os esforços para fechar a prisão militar localizada em Cuba. No entanto, essa foi uma promessa de campanha de sua primeira eleição, em 2008 – na época, ele chegou a prometer que o fechamento de Guantánamo seria sua primeira medida como presidente eleito. O que, de fato, não ocorreu – em parte, devido à divisão no Congresso em relação a desacordos sobre o devido tratamento a terroristas e insurgentes capturados em território estrangeiro.

Aproximadamente 4.700 pessoas foram mortas em quatro países (Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Iraque) por cerca de 300 ataques de drones e o programa gera controvérsias em relação ao seu status jurídico, tanto internamente quanto em relação às leis internacionais. Os críticos temem que o uso desses veículos ficou tão banalizado que, em um futuro próximo, outros países se sentirão encorajados a utilizar essa tecnologia embasados no precedente norte-americano.

Na mesma conferência , Philip Zelikow, um conselheiro militar senior de Obama, concordou que a interpretação legal dos critérios do atual governo sobre o uso dos drones  - estado de guerra contra a Al Qaeda e ameaça de ataques contra alvos norte-americanos em outros países – poderia até mesmo ser aplicada em um caso hipotético de ataque da Al Qaeda em território norte-americano.

"No entanto, isso seria um ato de guerra e eles sofreriam as consequências”, afirmou, ao ser perguntado sobre essa possibilidade pelo jornal britânico Guardian, ressaltando tratar-se de sua posição pessoal, e não do governo.

Ele também acredita que a administração Obama deveria ser mais clara em especificar que o uso dos drones em território estrangeiro “responde a ameaças específicas contra a segurança nacional”.

No entanto, Zelikow criticou a administração Bush, negando que eles pudessem tratar a questão de maneira mais racional.

A lenta conquista da transparência financeira – por Ladislau Dowbor

A lenta conquista da transparência financeira
Apoiados na internet, estudos inovadores começam a desvendar mundo proibido do poder econômico. No futuro, rede poderá torná-lo dispensável
Em maio de 2012, entrou em vigor uma lei de suma importância, a Lei da Transparência. Agora, todo cidadão tem direito de acessar as contas de qualquer repartição federal, estadual ou municipal. É um grande avanço. Com toda a teatralidade da perseguição a atos de corrupção, o que funciona mesmo não é enfileirar anos de investigação, e sim simplesmente acender a luz. Ou seja, tornar os atos transparentes.
Saber o que acontece com o dinheiro público é um grande avanço, e os efeitos se farão sentir à medida que diversos atores sociais e a cidadania em geral se acostumem a utilizar o instrumento legal agora em suas mãos. Em termos de apresentação de dados, a mudança também é substantiva: o cidadão tinha certo controle sobre os resultados, podia ver com os seus olhos se as escolas foram construídas ou não, mas agora vai poder controlar os processos. Em termos de organização de indicadores e da informação econômica em geral, as pessoas estão começando a querer saber como os resultados são atingidos.
Não basta ter informações sobre o dinheiro público, é igualmente importante saber o que acontece com o dinheiro do público. Ou seja, além de saber que serviço nos presta uma empresa, precisamos também saber, cada vez mais, como e a que custo foi prestado, ou seja, conhecer o processo. A busca da transparência na divulgação de informações comerciais e financeiras está apenas começando no setor privado. E, tratando-se de dinheiro do público, nada melhor do que começar pelo setor de intermediação financeira.
Pouco percebidos pela população em geral, há avanços muito significativos, resultado indireto da crise. O descontrole das transações dos grandes bancos tornou-se evidente, propiciando a elaboração de estudos sobre as dinâmicas financeiras e iniciativas de saneamento. Inclusive porque o setor produtivo exige serviços muito mais eficientes.
O primeiro grande estudo que surge, o do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH, na sigla alemã), apresentou dados impressionantes: ao analisar o sistema de controle nas 43 mil maiores corporações do mundo, constatou que 737 grupos controlam 80% do universo corporativo e, destes, um núcleo particularmente fechado de 147 controla 40%. Três quartos dessas corporações são da área financeira. O estudo conclui que, com esse grau de concentração, falar em “mercado” no sentido de concorrência faz pouco sentido. Confirma o conceito de “clube dos ricos”. Não precisa inventar teorias conspirativas para entender que um grupo tão pequeno e com interesses convergentes “faz” o mercado e cria, pela força política que representa, as suas regras, entre as quais, evidentemente, a redução da transparência.
Um segundo estudo importante foi coordenado por James Henry, ex-economista-chefe da McKinsey, no quadro da Tax Justice Network. Cruzando dados de fluxos registrados ou parcialmente registrados nas diversas fontes, bancos centrais, bancos privados, administradores de grandes fortunas e outros, o estudo identificou as ordens de grandeza do dinheiro em paraísos fiscais, portanto fruto de evasão fiscal, de lavagem de dinheiro de drogas, venda ilegal de armas, corrupção e semelhantes. O resultado da pesquisa aponta para dinheiro ilegal acumulado entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões, ou seja, entre um quarto e um terço do PIB mundial. A participação brasileira é estimada em US$ 520 bilhões, cerca de um quarto do PIB do país. No seu número de 15 de fevereiro de 2013, a revista The Economist publica um dossiê sobre esses recursos, adotando a cifra de US$ 20 trilhões como estimativa mais provável. E expande a pesquisa de James Henry, apontando para os principais paraísos fiscais: não são as Ilhas Cayman e semelhantes, mas o Estado de Delaware e a praça de Miami, nos Estados Unidos, e a praça financeira de Londres. E a gestão está nas mãos dos grandes bancos internacionais, basicamente os mesmos analisados pelo estudo do Instituto Federal Suíço.
Juntam-se a isso, naturalmente, a manipulação do Libor e do Euribor pelos mesmos grupos financeiros, os processos contra o HSBC por lavagem de dinheiro de drogas, as pressões de vários governos no sentido de resgatar informações sobre o dinheiro ilegal, os processos movidos contra usuários do sistema de evasão, como Google, Facebook e Starbuck na Europa, e assim por diante.
Basicamente, e apesar da enorme resistência do grupo de 28 instituições financeiras que The Economist apresenta como sendo “sistemicamente relevantes”, estão sendo geradas obrigações de apresentação de contas (disclosure) e outras medidas por meio da proposta de lei Dodd-Frank, nos Estados Unidos, indo até o outro extremo de nacionalização dos bancos na Islândia, e medidas intermediárias, como no caso da Grã-Bretanha e da União Europeia. Chipre, cansado de ser um país pobre que abriga grandes fortunas, em particular da Rússia, criou uma taxa sobre depósitos, forma de atingir o dinheiro fugitivo.
No Brasil, constatamos as progressivas iniciativas por parte do governo, utilizando os bancos oficiais para forçar a redução de juros, e iniciativas interessantes como do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e do Instituto Akatu, este último publicando cartilhas que ensinam os usuários de bancos a se proteger, cartilhas elaboradas juntamente com as áreas de responsabilidade social dos próprios bancos. Mas temos um imenso caminho por trilhar. É difícil entender por que os americanos pagam 16% no cartão de crédito e os brasileiros 238%. Estamos dando os primeiros passos.
Outras práticas estão aparecendo no que Milton Santos chamava de “circuito inferior” da economia. Pequenas iniciativas que se multiplicam tornam-se significativas. A pesquisa de alternativas de intermediação financeira Banco Palmas 15 anos, por parte do Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (Nesol-USP),  mostra como o dinheiro pode ser administrado em função das necessidades dos próprios poupadores. No Brasil, já são 103 bancos comunitários, há Oscips de intermediação financeira, como em Criciúma (SC), Agências de Garantia de Crédito, como em Caxias do Sul (RS), e semelhantes. O dinheiro tem pezinhos ágeis e, ao surgirem alternativas, poderá migrar. É útil lembrar que a Alemanha resiste melhor à crise não só porque tem maior força industrial, mas porque os dois terços da totalidade das poupanças das famílias, o que é muito dinheiro, estão não em grandes bancos, mas nas tradicionais caixas de poupança locais, financiando os pequenos projetos e necessidades econômicas da própria localidade. Boa prática, na área da intermediação financeira, exige hoje a flexibilidade de se adaptar às necessidades reais dos clientes.
Imagem: Addie May Hirschten, A caixa de Pandora
Ladislau Dowbor é economista e professor titular no Departamento de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Os sacos de dinheiro da CIA - Por Rodrigo Vianna

Os sacos de dinheiro da CIA
Artigo do Foreign Policy confirma o que já se sabia: a CIA age,  sim, sem pudores pelo mundo; mata, encomenda assassinatos, tira e põe governos
Deve ter sido o inconsciente do editor de Internacional. Ou então, ele quis passar a mensagem de forma subliminar – sem alertar os diretores do jornal. Seja como for, a página A-14 (reproduzida ao lado) no “Estadão” dessa sexta-feira (03/05) é didática.
No alto, um texto demolidor sobre as ações da CIA pelo mundo: “Os Sacos de dinheiro da CIA”. Sim: conspirações, assassinatos, malas de dinheiro para derrubar governos não-alinhados com Washington. Não é nenhum “esquerdista” bolivariano quem diz. O artigo, publicado pelo Foreign Policy (um site sobre Politica Internacional dos EUA) e traduzido pelo jornal paulista, fala sobre tudo aquilo a que fazemos referência aqui na internet, e que muitas vezes é tratado como “teoria conspiratória”: a CIA age,  sim, sem pudores pelo mundo; mata, encomenda assassinatos, tira e põe governos. É o braço de “inteligência” do imperialismo. Sim, imperialismo. Isso não é discurso “da época da Guerra Fria”. Isso não é discurso de esquerdista antiamericano. Não. São fatos. Tudo está lá, no artigo publicado pelo ”Estadão” - leia aqui.
O curioso é que na mesma página (e por isso digo que o inconsciente do editor parece ter agido), há duas outras reportagens: uma sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez; a outra sobre a Globovisión (TV privada antichavista, que ajudou a dar o golpe contra Chávez em 2002).
Quando a tal blogueira esteve no Brasil, eu disse a alguns amigos que ela parecia agir sob orientação (e com apoio) da CIA. Não se trata de opinião. Há fotos de Yoani entrando para reuniões num casarão mantido pelos EUA, no bairro de Miramar em Havana. Eu já vi essas fotos.
A outra reportagem na mesma página do jornal trata da “guerra de informações” na Venezuela. Com destaque para a “Globovisión”. A mídia pró-EUA tenta vender a imagem de que a Venezuela é uma ditadura. Trata-se, claramente, de uma campanha midiática. Eu não tenho dúvidas de que a CIA está por trás disso. Assim como está por trás das ações mais violentas da oposição antichavista – comandadas agora por Capriles.
Vejam, não estou dizendo que todos os antichavistas são “teleguiados” pela CIA. Não é isso. Há, é claro, muita gente que não gosta de Chávez e Maduro. O que digo é que a oposição é potencializada com ajuda dos Estados Unidos. Temo que os Estados Unidos estejam preparando o terreno para que se inicie uma guerra civil no país vizinho. Roteiro parecido com o da Síria. Vejam: no Paraguai e em Honduras, governos “fracos” puderam ser derrubados com “golpes institucionais”. Na Venezuela, isso é impossível. Ali, só a guerra civil. O risco é imenso.
Da mesma forma, não quero dizer que todos “dissidentes” cubanos sejam agentes da CIA. Mas os métodos e os parceiros de Yoani (inclusive no Brasil) não deixam dúvida: o blog dela pode ter surgido, lá atrás, como iniciativa individual de uma jovem descontente com o governo de Cuba. Hoje,só os ingênuos ou mal intencionados podem desconhecer que Yoani trabalha, de fato, como agente dos interesses dos EUA e seus aliados.
Ah, tudo isso é “teoria conspiratória”! Ah, é? Então leiam o artigo do “Foreign Policy”. A CIA ajudou a matar Patrice Lumumba no Congo, nos anos 60. Deu armas e dinheiro para Mobutu Sese Seko, o adversário de Lumumba. O texto fala de ações semelhantes no irã dos anos 50, no Afeganistão dos anos 80. E isso não ocorria só na “periferia”. A CIA (que normalmente trabalha dentro das embaixadas americanas) despejou caminhões de dinheiro na democracia-cristã italiana para barrar o avanço do Partido Comunista Italiano – o mais poderoso do Ocidente.
O artigo diz que a CIA deveria “aprender com seus erros”. E eu me pergunto: erros?  O que deu errado? Os EUA seguem poderosíssimos, a União Soviética já não existe, no Oriente Médio quem ousou agir com alguma independência foi esmagado (Iraque, Líbia – nos anos mais recentes) e na “periferia” quase não se fala em “socialismo” ou rebeldia antiamericana.
Há só uma exceção: América Latina. Aqui, enquanto os EUA faziam a “limpeza” no Oriente Médio,  surgiu uma geração de governos não-alinhados com o projeto neoliberal. Em 2002, com o golpe derrotado na Venezuela, os EUA perderam a capacidade de iniciativa durante alguns anos… Mas a onda já virou. A derrubada de Lugo e Zelaya foram sinais. Os ataques ininterruptos a Cristina, Evo e Lula foram um passo adiante. No caso brasileiro, está tudo claríssimo: há encontros de jornalistas da Globo/Abril/Folha com representantes dos EUA. Tudo registrado no Wikileaks. Há o Insituto Millenium, há o giro internacional de Yoani.
As malas de dinheiro, de que fala o artigo do “Foreig Policy”, continuam circulando.
Nos anos 70/80, quem dizia que a CIA tinha ajudado a dar o golpe contra Jango (e poderia ter até ajudado a matar o presidente deposto) era chamado de “esquerdista adepto de teorias conspiratórias”. Os documentos mais recentes (inclusive gravações de conversas na Casa Branca) mostram que conspiração, de fato, houve: na Casa Branca e nas embaixadas americanas. E não era teoria. Eram fatos.
Os fatos estão aí de novo: escancarados. Vivemos numa encruzilhada. A chance da América Latina, dessa vez, é que os Estados Unidos têm tantas frentes para combater (Coréia, Síria, Iraque – sem falar na crise que debilita as contas e o poder imperial) que talvez isso nos dê fôlego para reagir e resistir.
Mas do outro lado o exército vai-se fortalecendo – com políticos, empresários, empresas de mídia, colunistas… Alguns são mercenários. Outros fazem por amor. Parte da elite latino-americana gosta de se deitar à cama com a turma da CIA.
Em 20 ou 30 anos, saberemos detalhes e compreenderemos que nada disso é “teoria conspiratória.” Espero que (mais uma vez) não seja tarde demais.
Por Rodrigo Vianna, em seu blogue

A tragédia humana do holocausto somali - por Latuff

Fome matou 258 mil pessoas na Somália, segundo a Organização das Nações Unidas
Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Israel bombardeia Damasco mais uma vez. Rússia reage – por Baby Siqueira Abrão

Israel bombardeia Damasco mais uma vez. Rússia reage.
Pouco antes das duas da madrugada deste domingo (5), aviões israelenses invadiram o espaço aéreo sírio e atiraram cerca de 12 mísseis perto do monte Qasioun, a menos de 20 quilômetros do centro de Damasco. Abdallah Mawazini, jornalista que vive em Damasco, declarou que quatro explosões foram ouvidas na capital, “fazendo todas as casas tremerem”. Segundo a agência de notícias Interfax, um navio russo deixou o Mar Negro com destino ao porto de Tartur, na Síria.
O ataque de Israel à Síria na sexta-feira à noite parece ter sido somente o prólogo de um bombardeio de grandes proporções em Damasco, a capital do país árabe. Pouco antes das duas da madrugada deste domingo, 5 de maio, aviões israelenses invadiram o espaço aéreo sírio e atiraram cerca de 12 mísseis perto do monte Qasioun (veja aqui http://youtu.be/f_j8ID-m1pU e aqui http://youtu.be/e84pVGsP6YU), a menos de 20 quilômetros do centro de Damasco e onde se localiza o centro de pesquisa científico-militar de Jamraya.

O ataque, segundo uma fonte dos serviços de inteligência ocidentais ouvida pela agência de notícias Reuters, teve como alvo 100 mísseis Fateh, supostamente armazenados em Jamraya, que também supostamente seriam enviados ao Hezbollah, grupo militar da resistência libanesa, vindos do Irã.

Outra fonte afirmou à rede russa RT que o bombardeio também visou atingir a 104ª e a 105ª brigadas da Guarda da República Síria.

Abdallah Mawazini, jornalista que vive em Damasco, declarou que quatro explosões foram ouvidas na capital, “fazendo todas as casas tremerem”. A poeira se espalhou pela cidade e os moradores acordaram, “correndo para a rua, em pânico”. Testemunhas afirmaram que o ataque, sem precedentes, lembrava “um terremoto”. O cheiro forte e a asfixia sentida pelos habitantes levou alguns especialistas a suspeitar que os mísseis atirados por Israel conteriam material radioativo.

As primeiras notícias informaram que cerca de dois civis e 300 militares sírios perderam a vida no bombardeio, e que várias casas foram atingidas. A vista privilegiada do monte Qasioun – de onde se vê toda Damasco – levou para a região milhares de pessoas e dezenas de restaurantes, sempre cheios. O local também é carregado de simbolismo religioso: diz-se que Adão, personagem bíblico considerado o primeiro homem, viveu numa caverna situada na encosta do monte; que Abrão e Jesus costumavam rezar ali e que aquele foi o lugar onde Caim matou Abel. Diz-se também que as preces feitas no Qasioun são sempre atendidas.

Caças abatidos e reação russa
William Parra, jornalista da TeleSur, publicou no Twitter que o Exército sírio teria derrubado dois caças israelenses e conseguido capturar os pilotos. As TVs de Israel confirmaram que a força aérea do país perdeu contato com dois aviões (essa informação ainda não foi confirmada oficialmente).

A reação da Rússia não tardou: segundo a agência de notícias Interfax, um navio russo deixou o Mar Negro com destino ao porto de Tartur, na Síria. Na outra ponta do conflito, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, parte na tarde de domingo para uma visita de cinco dias à China, outra aliada da Síria. Em pauta, além de assuntos econômicos, a discussão dos conflitos na região.
Fotos: Foto publicada no twitter, na madrugada deste domingo, por morador de Damasco.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Charge @Operamundi: @tarsogenro ignora apartheid e assina acordo com Israel - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Bradley Manning é vetado como Grão Marechal da Parada do Orgulho LGBT de San Francisco

Bradley Manning é vetado como Grão Marechal da Parada do Orgulho LGBT de San Francisco
(Foto: Divulgação/San Francisco Pride)
Um comunicado dos organizadores do Parada do Orgulho LGBT de São Francisco está gerando uma grande polêmica na rede entre os militantes do tema no mundo inteiro. A organização do evento vetou a indicação do soldado Bradley Manning como grão marechal do evento. Bradley é assumidamente gay e foi quem vazou os documentos do Wikileaks. Ele teria sido eleito pelos participantes, mas os organizadores alegam que suas posições são questionadas como impatrióticas por muitos que irão participar da Parada. E que por isso não podem aceitá-lo como homenageado.
Segue a tradução de trechos de um comunicado da Fundação Peter Tatchell questionando essa posição. Quem quiser ler o texto dos organizadores, vetando o nome de Bradley, pode fazê-lo a partir do Facebook, em inglês, neste link (https://www.facebook.com/SanFranciscoPride/posts/622822351079480). A tradução a seguir é do Vinicius Sartorato. A dica da história foi do amigo Idelber Avelar.
Londres, 30 de abril de 2013 – Os organizadores do São Francisco Orgulho LGBT revogaram a nomeação do Soldado Bradley Manning como Grão-Marechal da Parada do Orgulho LGBT deste ano .
Os líderes do “São Francisco Orgulho LGBT” estão errados do ponto de vista dos fatos e da ética. Bradley revelou crimes de guerra dos EUA. Ele não causou nenhum dano a militares americanos ou civis. Ele foi nomeado Grande Marechal de acordo com as regras do San Francisco Pride. A decisão de proibir a indicação de Bradley é veto político, que não tem lugar no movimento LGBT. Por isso, ele deve ser reintegrado como Grande Marechal da Parada de San Francisco.
Os organizadores do evento estão agindo como neo-macartistas, exigindo que alguém nomeado como um Grande Marechal primeiro passe por um teste de patriotismo. Mas lealdade ao governo dos EUA e à sua política militar não são exigências para que alguém se torne um Grande Marechal de uma parada LGBT.
Ao vetar a indicação de Bradley, os organizadores do orgulho estão dizendo que ele estava errado em expor atos criminosos realizados por militares dos EUA. Estão compactuando com um sistema militar que perpetraram crimes de guerra e seu acobertamento.
Bradley é um herói que tentou defender a lei internacional de direitos humanos contra aqueles que violaram as leis da guerra.
Bradley é abertamente gay e participou das Marchas do Orgulho LGBT, além de fazer campanha contra a política militar homofóbica dos EUA, “Não pergunte, não diga ‘. Em 2008, ele participou de um comício em Nova York, para se opor a tentativas de proibir o casamento homossexual na Califórnia.
Ele passou aproximadamente três anos na prisão sem julgamento e por muitos meses foi submetido a um tratamento cruel, degradante e humilhante de maus-tratos por parte das autoridades militares norte-americanas.
Ele foi preso no Iraque após a divulgação pelo Wikileaks de imagens de vídeo de um helicóptero de ataque Apache dos EUA que matou a tiros 11 civis iraquianos em 2007, incluindo dois jornalistas da Reuters e homens que tinham ido para o auxílio dos mortos e feridos. Duas crianças ficaram gravemente feridas quando o helicóptero dos EUA abriu fogo sobre sua Van. O vídeo registra soldados americanos repugnantes rindo e brincando com os assassinatos.
Ele expôs este massacre pelas tropas americanas no Iraque. O vídeo do massacre pode ser visto em: www.collateralmurder.com
Este massacre já tinha sido objeto de um encobrimento por parte das forças armadas norte-americanas, que alegou desonestamente que o helicóptero tinha sido envolvido em operações de combate contra insurgentes armados.
É apenas graças a Bradley Manning, que agora sabemos a verdade sobre o assassinato de civis inocentes.
Bradley acredita que os cidadãos norte-americanos têm o direito de saber o que seu governo está fazendo em seu nome. Bradley não deveria estar na prisão. As acusações contra ele precisam ser abandonadas.
Bradley Manning é um verdadeiro patriota, não um traídor. Por isso, sua defesa à verdade e à justiça devem ser aplaudidos e homenageados na Parada do Orgulho de San Francisco deste ano.