terça-feira, 16 de julho de 2013

[França] 1993-2013: 20 anos sem Léo Ferré - por ANA

[França] 1993-2013: 20 anos sem Léo Ferré
Morrer, num 14 de julho - não havia outro dia para que Léo Ferré o fizesse! E, em julho de 2012, Max Leroy nos propôs seu primeiro texto¹: um livro que inscreve Léo Ferré na longa tradição anarquista. À ocasião desses dois aniversários, o Ateliê de Criação Libertária [Editora] vos propõe de obter tal obra sob diversos formatos:
• A versão em papel, por 12 euros.
• A versão ebook (diversos formatos possíveis) por 4 euros: poderá ler ainda o livro no tablet, smartphone, computador .
• A versão em papel + versão ebook por apenas 1 euro a mais: por 13 euros, você terá o prazer de ter entre as mãos o livro... e de o ter também no seu tablet, smartphone e computador.
E, sobretudo, não se esqueça de escutar ou reescutar as canções do “pai” Ferré, elas não vão no pacote!
Lágrimas Libertárias - Política de Léo Ferré
Max Leroy - 154 páginas
O cantor é conhecido: nenhuma necessidade de reapresentá-lo. Mas quem foi o poeta e o escritor? E mais particularmente o escritor político da Irlanda do Norte à queda de Allende, da guerra da Argélia à ditadura Franquista, Léo Ferré foi uma testemunha crítica do seu tempo. Se ele hesitou em se considerar como um “militante”, sua obra e sua vida testemunham todo tempo um engajamento contínuo. É este engajamento, inscrito na longa tradição anarquista que é posto à prova ao longo de todo seu livro. "Homens de pé não se deitam a não ser para morrer", disse um dia.
Se o homem morreu, o poeta demora a esvanecer, seus versos batem à porta de nosso tempo.
 [1] Em 2013, Max Leroy tornou a nos apresentar Jean Sénac, "poeta, socialista, anarquista, revolucionário, cristão incrédulo, homossexual... "; nascido pé-negro (pied-noir: filho de franceses nascido na Argélia) e filho espiritual de Camus, ele tomou pra si a causa da independência da Argélia. Uma Argélia para todos: árabes, berbéres, kabyles, judeus ou europeus. Ele predisse que seria assassinado, e foi encontrado nas favelas de Argel, rua Eliseu Reclus, o crânio fraturado e o corpo repleto de cortes de faca. Cidadão do Vulcão - Epitáfio para Jean Sénac.
Tradução > TAZ
agência de notícias anarquistas-ana
olhos dos meninos
as luzes do pisca-pisca
se multiplicaram
José Marins

Sou todo ouvidos... – por Juliana Sayuri entrevista Andy Müller-Maguhn

Sou todo ouvidos...
Ainda abrigado no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, o procurado americano de 29 anos, ex-CIA, delator do esquema orwelliano de vigilância, voltou à imprensa internacional pela primeira vez nessa sexta-feira com uma carta. Começava assim: “Olá. Meu nome é Ed Snowden. Há um mês, eu tinha uma família, uma casa no paraíso. Também tinha a capacidade de, sem nenhuma permissão, vasculhar, ler e apreender suas comunicações. A comunicação de qualquer um, a qualquer hora. Esse é o poder de mudar o destino das pessoas”.
Publicada no WikiLeaks, a carta foi lida ao lado de ativistas da Anistia Internacional e do Human Rights Watch. Trazia também um pedido às autoridades russas. Acossado num jogo de espiões, Edward Snowden quer asilo político temporário na terra de Putin. Após a saga mirabolante Havaí-Hong Kong-Moscou, o ex-técnico do Serviço Secreto americano tropeçou na impossibilidade de cruzar os céus europeus para desembarcar num dos países latino-americanos que lhe ofereceram refúgio diplomático, como Bolívia e Venezuela.
Desde junho, quando Snowden revelou as traquinagens da agência americana NSA no monitoramento – os bons e velhos grampos, mas também o upgrade no xeretar de e-mails, perfis de Facebook e afins – de milhões de cidadãos no mundo, uma atmosfera quase paranoica dominou a rede. Além dos diplomatas europeus e outros políticos furiosos com a bisbilhotice, uns arriscaram humor, como mostram os cartazes da capa do Aliás. Outros partiram para alternativas inusitadas: um bureau do Serviço Secreto russo decidiu trocar os computadores por antigas máquinas de escrever; uma ministra venezuelana fez um apelo aos compatriotas para saírem do Facebook. No Brasil, que nessa semana também se descobriu alvo da espionagem, a presidente Dilma Rousseff reagiu: “Isso é violação de soberania”.
“A internet é uma das mais importantes ferramentas para garantir a liberdade e o livre fluxo de informação. Mas vivemos numa atmosfera política de control freaks. Os governos controlam não só o território físico, mas a própria informação”, critica o hacker alemão Andy Müller-Maguhn, porta-voz da associação hackativista Chaos Computer Club. “Na ética hacker, a ideia é divulgar informações públicas e proteger informações particulares”, diz, sobre a questão da vigilância.
Com Julian Assange, Müller-Maguhn assina Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet (Boitempo, 2013), livro elaborado a partir de reflexões com os companheiros rebeldes Jacob Appelbaum e Jérémie Zimmermann no programa The World Tomorrow. Ele também faz parte da Wau Holland Foundation, a principal coletora de fundos do WikiLeaks. De Berlim, após uma viagem a Londres para visitar Assange na embaixada equatoriana, Müller-Maguhn deu esta entrevista ao Aliás.
Nessa semana, vimos que o Brasil também era um dos alvos da NSA. Para muitos, foi uma surpresa. É surpreendente para o sr.?
A NSA está basicamente tentando interceptar o máximo de países possíveis, então não é surpreendente que o Brasil tenha se tornado um alvo. Além disso, devido a sua posição econômica significativa na América Latina, era esperado que o país se tornasse alvo preferencial.
Especialistas dizem que as leis brasileiras não estão prontas (ou não são sofisticadas o bastante) para garantir e lidar com os direitos na internet. Há um país que poderia nos oferecer um modelo nesse quesito?
A Alemanha tem um monte de leis relacionadas às questões da internet, mas muitas delas foram revisadas e reescritas. Para compreender essa questão, a chave é que muitos políticos nasceram num tempo em que o rádio e a TV eram as mídias primárias – e esses políticos ainda têm dificuldade para entender uma sociedade que literalmente “vive” na internet. Quando discutimos a internet, esses conceitos simplesmente não funcionam. Passamos a ter expectativas sobre a transparência dos governos, que deveriam proporcionar as informações necessárias para os cidadãos de uma, afinal, sociedade da informação. Como a internet se tornou o locus primário para os processos sociais, econômicos e culturais no mundo moderno, é preciso ter um entendimento não só da própria internet, mas sobre as limitações, as possibilidades e as questões tecnológicas que precisam de uma legislação especial. A legislação alemã está caminhando na linha tentativa e erro nessa área. Em parte, porque os alemães tentaram aplicar conceitos das antigas mídias à internet – e falharam. Eu não diria para não “copiar” esse modelo. É possivelmente um bom caso de estudo, para descobrir quais erros foram cometidos e como aprender com esses erros.
Delator do monitoramento da NSA, Edward Snowden deu um belo drible nos EUA…
Snowden está se expondo a muitos riscos, mas acredito que tenha dedicado muito tempo a pensar direitinho o que ia fazer, o que é muito bom. Mas, como neste momento sua situação ainda é uma incógnita, não sei como avançará e se avançará com segurança, prefiro não comentá-la.
A ‘caçada’ a Snowden respingou na diplomacia internacional, após a parada aérea de Evo Morales. François Hollande, por exemplo, criticou os grampos americanos e exigiu providências – mas a França foi um dos países que barraram o presidente boliviano. Como compreender isso?
Fechar o espaço aéreo europeu para o avião de Morales, sob óbvias pressões dos EUA, foi uma das atitudes mais bizarras que vi nos últimos tempos. De fato, por suas relações, os EUA são capazes de mexer os pauzinhos na realidade administrativa de muitos, para não dizer a maioria, dos países europeus – e essas manobras se tornaram muito óbvias. Fico especialmente envergonhado pelos políticos alemães, que também parecem estar mais preocupados com o bem-estar dos aliados americanos que com os interesses dos cidadãos europeus, que, aliás, deveriam ser protegidos dessas espionagens. Elas violam os direitos humanos garantidos nas Constituições europeias. Além disso, a Alemanha recusou o pedido de asilo político de Snowden. Políticos alemães disseram publicamente que não viam Snowden como uma cidadão caçado por “razões políticas”, desculpa tão bizarra quanto fechar o espaço aéreo sob a suspeita de que Snowden estivesse no avião de Morales.
Entre outros tópicos, Cypherpunks, de sua autoria, aborda a questão da comunicação e da vigilância. Com o progresso da tecnologia da comunicação, seremos todos vigiados?
O protocolo básico da internet e a maioria dos serviços construídos nessa plataforma estão ancorados no envio de informações não criptografadas, quer dizer, de pacotes de dados “limpos” ao redor do mundo. Isso basicamente significa que, quando processos sociais, econômicos e culturais são operados na rede, eles se tornam facilmente acessíveis por terceiros. Para impedir essas intercepções, seria muito importante criptografar e minimizar o fluxo de informações.

No primeiro momento do escândalo, Barack Obama disse: é impossível ter 100% de segurança e 100% de privacidade. Ainda assim, os EUA se dizem grandes defensores da ideia de liberdade. É possível ter liberdade numa sociedade orwelliana?
Não tenho ideia do que a atual definição de “liberdade” possa significar nos EUA. Eles se dão a liberdade de interceptar e interferir na comunicação de quase todos no planeta Terra. Seria um passo importante restabelecer alguma razão no campo da segurança, mas sem usar a propaganda da “liberdade” – e sem abusar de outros termos, como “terrorismo”. Também seria importante não cair no esquema simplista de uma struggle strategy, isto é, uma estratégia da tensão em que as agências de inteligência se permitem cometer atos de terrorismo e violência para organizar uma sociedade que pede por vigilância de instituições que falham na transparência e no controle democrático.
Mas é possível garantir privacidade para os fracos e exigir transparência para os poderosos?
Penso que é absolutamente possível vislumbrar uma sociedade em que o equilíbrio entre transparência e privacidade se torne uma realidade. A visão de Wau Holland, o fundador do Chaos Computer Club, era ter um esquema de governo “legível” por máquinas – ao contrário de uma sociedade civil “legível” por máquinas. Precisamos de políticas ajustadas para proporcionar transparência nesses processos, que afetam tanto a sociedade e precisam estar sujeitos a processos de controle democrático. Sem transparência, não é possível termos decisões bem fundamentadas. O esquema de política básica, tal como definimos na ética hacker, é “divulgar informações públicas, proteger informações particulares”.
Como analisa os leaks do Anonymous? Revelar informações pessoais dos poderosos também não é uma violação de privacidade?
Sim. De fato, a revelação de informações pessoais (para revelar crimes, expor subornos e divulgar operações de espionagem de agências, entre outros contextos) às vezes afeta a privacidade das pessoas envolvidas. Mas penso que é importante analisar cuidadosamente as informações, para julgar se são de interesse público e se realmente merecem ser reveladas. Infelizmente, o âmbito das ações do Anonymous não se limita às atividades com as quais eu concordaria. Por exemplo, eles extrapolam com atividades de espiões governamentais atuando como “provocadores” para contaminar protestos políticos. Às vezes, também estão entre os Anonymous apenas uns adolescentes que ainda não têm um senso de humor “inteligente”.
E a vigilância de impérios midiáticos, como o News of the World de Rupert Murdoch? É diferente ser vigiado por governo ou mídia?
Certamente, é muito importante compreender que os perigos da vigilância não advêm apenas das instituições governamentais. O uso de informações interceptadas (no contexto de espionagem econômica, nas oscilações de ações no mercado financeiro e a habilidade de usar informações em campanhas difamatórias, midiáticas e políticas, por exemplo) acontece com os grandes conglomerados midiáticos, inclusive com a cooperação de agências de inteligência e informantes específicos dessas companhias. De fato, se você observar a Fox News e outros business, o império de Murdoch é um excelente exemplo do uso de informações, obtidas por oficiais de inteligência, por uma companhia midiática. É importante notar que Murdoch em parte assumiu o papel de Robert Maxwell, cujo império midiático foi quase inteiramente construído reciclando informações de agências de inteligência.
Que futuro o sr. imagina para a internet?
A internet é uma das mais importantes ferramentas para garantir a liberdade de informação (o acesso) e o livre fluxo de informação (a possibilidade de se comunicar com os outros livremente, além das fronteiras geográficas). Mas, muitas vezes, os governos não parecem ter um papel muito útil nem no garantir a liberdade, nem no livre fluxo. Vivemos atualmente numa atmosfera política composta por neuróticos que estão acostumados a ter tudo supervisionado por uma central de controle. Muitos governos tentam controlar não apenas o território físico de sua responsabilidade, mas a própria informação e a atmosfera comunicativa em que os cidadãos estão. São “control freaks”.
* Publicado originalmente no suplemento Aliás do jornal
O Estado de S. Paulo, em 13 de julho de 2013.
Andy Müller-Maguhn é veterano do Chaos Computer Club, cofundador da European Digital Rights (Edri) e representante europeu eleito do Icann, responsável pela elaboração de políticas internacionais para a determinação de “nomes e números” na internet. Trabalha atualmente com a criptografia nas telecomunicações e a investigação sobre a indústria da vigilância. Escreveu, em conjunto com Julian Assange, Jacob Appelbaum e Jérémie Zimmermann, Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet (Boitepmpo, 2013).

O duplo assassinato de Trayvon Martin - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Igualdad Animal: A realidade das fábrica de peixes - Por Noelia Gigli

Igualdad Animal:  A realidade das fábrica de peixes
A ONG Igualdad Animal alimenta o site “Granjas de Esclavos“, com textos sobre animais criados e mortos por diversas indústrias para servirem como mercadorias. Um dos assuntos abordados são as fábricas de peixes. O texto a seguir é a tradução de uma publicação da ONG.
Foto: Igualdad Animal
É uma fábrica de peixes; é quase possível sentir a angústia e o sofrimento dos peixes trancados nos tanques escuros, sem entender por que são vítimas de cativeiro e o que lhes espera.
Essas fábricas são uma forma de atender o crescente apetite pelos peixes, fazendo com que sejam criado salmões, enguias ou trutas em tanques que podem ser encontrados tanto em mares como nos rios como no interior de naves cobertas de terra.
Nos tanques, a taxa de crescimento dos animais é alterada mediante a manipulação de luz. Os tanques são cobertos até ficar na completa escuridão, para depois utilizar luzes intensas que os façam crer que estão em sua estação de crescimento.
Além disso, sua alimentação é alta em proteínas e está especialmente idealizada para que ganhem o máximo de peso no menor tempo possível. Depois de várias semanas, serão assassinados para sua posterior comercialização.
A superlotação de peixes é enorme. Num mesmo tanque, podem ser encontrados até 50 mil salmões, as trutas se encontram ainda mais apinhadas. Tais condições fazem com que os peixes estejam muito vulneráveis a diversas doenças.
Os salmões sofrem de um grande número de parasitas e outros agentes debilitantes como a furunculose e as doenças do pâncreas. Costumam ter feridas e os parasitas acabam comendo os peixes vivos – literalmente (nos salmões selvagens são encontrados uma média de 13 parasitas enquanto que nos explorados, 100).
Para evitar as perdas econômicas que suporia um elevado número de mortes por doenças, antibióticos e substâncias químicas são administrados aos peixes regularmente. Apesar disso, entre 20 e 50% morrem por doenças como câncer ou infecções do pâncreas ou rim.
Quando confinados em tanques, costumam mostrar comportamentos anormais, como uma maior agressividade, feridas, deformidades e infecções, desenvolvem cataratas que prejudicam a córnea, deixando-os cegos e até sangram.
Engenharia genética a serviço da exploração
Os peixes de fazendas são submetidos à diversas técnicas de engenharia genética que procuram:
• Peixes que cresçam mais e mais rápido;
• Maior eficiência na conversão dos músculos;
• Mais resistência à doenças;
• Mais tolerantes a baixos níveis de oxigênio na água;
• Capazes de suportar temperaturas mais baixas.
Além de outras técnicas, aplica-se a triploidia, ou alteração cromossômica para obter peixes fêmeas estéreis com maior eficiência na conversão de alimento. Isso tem como resultado que as trutas arco-íris triplóides tenham um maior índice de deformidades espinais. Os salmões triploides, por exemplo, têm índices de sobrevivência menores e são menos capazes de absorver o oxigênio da água, o que o torna menos capazes de superar situações estressantes.
Também são empregadas técnicas de manipulação hormonal e sexual – dando testosterona às fêmeas jovens prenhas – para que dê a luz somente as fêmeas que amadurecerão depois dos machos. Isso é feito porque os peixes sexualmente maduros padecem mudanças que reduzem a qualidade de sua carne.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Assange: a América Latina na era das cyberguerras - Por Julian Assange

Assange: a América Latina na era das cyberguerras

Espionagem global é ponta de gigantesco iceberg. Controle dos fluxos de comunicação é nova arma dos Impérios. Alternativa pode estar no Sul

O que começou como meio para preservar a liberdade individual pode agora ser usado por Estados menores, para frustrar as ambições dos maiores.
O cypherpunks[1] originais eram, na maioria, californianos libertaristas.[2]  Eu vim de tradição diferente, onde todos nós buscávamos proteger a liberdade individual contra a tirania do Estado. Nossa arma secreta era a criptografia. Já se esqueceu o quanto isso foi subversivo. A criptografia, então, era propriedade exclusiva dos Estados, para uso em suas muitas guerras. Ao escrever nossos próprios programas e distribuí-los o mais amplamente possível, liberamos a criptografia, a democratizamos e a espalhamos pelas fronteiras da nova internet.

A reação contra, sob várias leis “de tráfico de armas”, falhou. A criptografia se difundiu nos browsers da rede e em outros programas que, hoje, as pessoas usam diariamente. Criptografia forte é ferramenta vital na luta contra a opressão pelo Estado. Essa é a mensagem do meu livro Cypherpunks. Mas o movimento para disponibilizar universalmente uma criptografia forte tem de trabalhar para obter mais do que isso. Nosso futuro não está apenas na liberdade para os indivíduos.

Nosso trabalho em WikiLeaks implica compreensão semelhante da dinâmica da ordem internacional e da lógica do império. Durante o período de formação de WikiLeaks, encontramos evidências de pequenos países abusados e dominados por países maiores, ou infiltrados por empresas de fora, forçados agir contra eles próprios. Vimos o desejo popular ao qual não se dava voz e expressão, eleições compradas e vendidas, e países ricos, como o Quênia, assaltados e leiloados por plutocratas em Londres e em New York.

A luta pela autodeterminação latino-americana é importante para muito mais gente do que os que vivem na América Latina, porque mostra ao resto do mundo o que pode ser feito. Mas a independência da América Latina ainda engatinha. Tentativas para subverter a democracia latino-americana ainda acontecem, inclusive recentemente, em Honduras, Haiti, Equador e Venezuela.
Por isso a mensagem dos cypherpunks tem importância especial para os públicos latino-americanos. A vigilância em massa não é só problema para a governança e a democracia – é uma questão geopolítica. Se a população de um país inteiro é vigiada por país estrangeiro, há ameaça contra a soberania. Intervenção após intervenção nos assuntos da democracia na América Latina ensinaram-nos a ser realistas. Sabemos que os velhos poderes ainda explorarão, para benefício deles, qualquer possibilidade de retardar ou suprimir a eclosão da independência latino-americana.

Considere-se a simples geografia. Todos sabem que os recursos em petróleo regem a geopolítica global. O fluxo do petróleo determina quem é dominante, quem é invadido, quem é posto em ostracismo fora da comunidade global. O controle físico sobre um segmento de oleoduto define maior poder geopolítico. Governos que se ponham nessa posição podem obter concessões gigantescas. Num golpe, o Kremlin pode condenar a Europa Oriental e a Alemanha a um inverno sem calefação. E até a possibilidade de Teerã controlar um oleoduto para o leste, até Índia e China, é pretexto para a lógica belicosa de Washington.
Mas o novo grande jogo não é a guerra por oleodutos. É a guerra pelos dutos pelos quais viaja a informação: o controle sobre as vias de cabos de fibras óticas que se espalham pela terra e pelo fundo dos mares. O novo tesouro global é o controle do fluxo gigante de dados que conecta todos os continentes e civilizações, conectando as comunicações de bilhões de pessoas e empresas.

Não é segredo que, na Internet e no telefone, todas as rotas que entram e saem da América Latina passam pelos EUA. A infraestrutura da Internet dirige 99%  do tráfego que entra e que sai da América do Sul por linhas de fibras óticas que atravessam fisicamente fronteiras dos EUA. O governo dos EUA não mostrou qualquer escrúpulo quanto a quebrar sua própria lei e plantar escutas clandestinas nessas linhas e espionar os seus próprios cidadãos. Todos os dias, centenas de milhões de mensagens de todo o continente latino-americano são devoradas por agências de espionagem dos EUA, e armazenadas para sempre em armazéns do tamanho de pequenas cidades. Os fatos geográficos sobre a infraestrutura da Internet, portanto, têm consequências sobre a independência e a soberania da América Latina.
O problema também transcende a geografia. Muitos governos e militares latino-americanos protegem seus segredos com maquinário de criptografia. São caixas e programas que “desmontam” as mensagens na origem e as “remontam” no destino. Os governos compram essas máquinas e programas para proteger seus segredos – quase sempre o próprio povo paga (caro) –, porque temem, corretamente, que suas comunicações sejam interceptadas.

Mas as empresas que vendem esses equipamentos e programas caros mantêm laços estreitos com a comunidade de inteligência dos EUA. Seus presidentes e altos executivos são quase sempre matemáticos e engenheiros da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) capitalizando as invenções que eles mesmos criaram para o Estado de Vigilância. Não raras vezes, as máquinas que vendem são quebradas: quebradas propositalmente, por uma razão. Não importa quem as use ou como as usem – as agências dos EUA conseguem “remontar” os sinais e leem as mensagens.
Esse equipamento é vendido para a América Latina e outros países como útil para proteger os segredos do comprador, mas são, de fato, máquinas para roubar aqueles segredos.

Enquanto isso, os EUA aceleram a próxima grande corrida armamentista. A descoberta do vírus Stuxnet vírus – e depois dos vírus Duqu e Flame – marca o início de uma nova era de programas complexos usados como arma, que estados poderosos fabricam para atacar estados mais fracos. A primeira ação agressiva contra o Irã visou a minar os esforços daquele país com vistas a defender sua soberania – ideia que é anátema para os interesses de EUA e de Israel na região.
Longe vai o tempo em que usar vírus de computador como arma de ataque era peripécia de romance de ficção científica. Agora, é realidade global, que se espalha graças ao comportamento leviano do governo de Barack Obama, em violação da lei internacional. Outros estados agora por-se-ão na mesma trilha, aumentando a própria capacidade de ataque.

Os EUA não são os únicos culpados. Em anos recentes, a infraestrutura de Internet de países como Uganda tem recebido grandes investimentos chineses. Gordos empréstimos chegam, em troca de contratos africanos para que empresas chinesas construam a espinha dorsal da infraestrutura de Internet ligando escolas, ministérios do governo e comunidades ao sistema global de fibra ótica.
A África vai-se conectando online, mas com máquinas vendidas por potência estrangeira aspirante ao status de superpotência. A Internet africana será o meio pelo qual o continente continuará subjugado no século 21?

Esses são algumas das importantes vias pelas quais a mensagem dos cypherpunks vai além da luta pela liberdade individual. A criptografia pode proteger não só as liberdades civis e os direitos individuais, mas a soberania e a independência de países inteiros, a solidariedade entre grupos que lutem por causa comum, e o projeto da emancipação global. Pode ser usada para enfrentar não só a tirania do estado contra o indivíduo, mas a tirania do império contra estados menores.
O grande trabalho dos cypherpunks ainda está por fazer. Junte-se a nós.

[1] Sobre cypherpunks, ver também 14/11/2011, “30 anos de hacking político”, em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2011/11/30-anos-de-hacking-politico.html e 6/6/2012, e 6/6/2012, “Assange entrevista n. 8: os Cypherpunks” (parte 1 em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/06/assange-entrevista-no-8-cypherpunks-1.html e parte 2 emhttp://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/06/assange-entrevista-no-9-cypherpunks.html [NTs].

[2] Orig. “libertarian”. Nos EUA, são liberais conservadores, que combatem, sobretudo o Estado, sem qualquer associação ou conotação com comunistas anarquistas. O movimento Tea Party, por exemplo, é dito libertarian. Dadas as conotações comunistas anarquistas do adjetivo (port.) “libertário”, que aqui absolutamente NÃO CABEM, optamos pela neologia “libertarista”. É solução tentativa, há outras possibilidades, e todos os comentários e correções são bem-vindos [NTs].
Tradução: Vila Vudu | Imagem: Diego Rivera,  Niños Héroes

O fator Snowden: A América do Sul diante do impulso imperial - Por Juan Gabriel Tokatlian

O fator Snowden: A América do Sul diante do impulso imperial


A América do Sul diante do impulso imperial O caso do ex-toupeira da CIA deixará mais incertas e complexas as relações entre a América Latina e os EUA. Entretanto, mesmo sem justificar a espionagem norte-americana nem o maltrato a Evo Morales na Europa, os presidentes da região deveriam evitar que o episódio contribua para colocar o continente outra vez na mira de Washington. Por Juan Gabriel Tokatlian, para o La Nacion

Nada indica que, apesar dos diversos fiascos internacionais, os Estados Unidos tenham abandonado, com o presidente Barack Obama, o impulso imperial que ganhou força durante a gestão de seu antecessor, George W. Bush. Uma prova disso é que, como revelam os documentos vazados pelo ex-espião Edward Snowden, o atual governo democrata realizou tarefas de inteligência sobre a Argentina , o Brasil, a Colômbia, o Equador, o México e a Venezuela.

Os estudiosos do tema do império vem tentando descrevê-lo e explicá-lo de diferentes ângulos e perspectivas: as razões materiais e militares de ordem interna e/ou externa que motivam a tentação imperial; as forças e coalisões domésticas que a induzem; as causas e componentes que a preservam ou dificultam; as características de uma política imperialista; o contraste entre impérios formais e informais; o imperialismo como condição estrutural e sistêmica; os riscos da ultra extensão imperial; o apogeu e queda dos impérios, etc. Em geral, o núcleo de atenção das investigações e debates sobre o império tem sido o sujeito imperialista; isto é: o ou os países que justificam e configuram o império. Não é tão abundante, entretanto, a literatura e a polêmica em torno do que se poderia denominar a dinâmica imperial: a relação entre o promotor e o receptor do comportamento imperialista.

Um dos trabalhos mais interessantes nessa linha de análise foi o que publicou em 1960 o historiador escocês John S. Galbraith, sob o título de The Turbulent Frontier as a Factor in British Expansion (A periferia turbulenta como fator da expansão britânica). Em essência, seu argumento é que no fenômeno do império se entrelaçam variáveis que o impulsam e variáveis que o atraem. Uma combinação de elementos se desdobra na dinâmica imperial. Nesse sentido, um dado chave que opera como uma atração para o desdobramento imperial é a existência de uma fronteira turbulenta. Esta fronteira volátil pode ou não ser vital para o império. Entretanto, uma mistura de proximidade, situações de emergência e desordem facilita que alguns atores influentes no centro do império procurem uma maior expansão e intervenção nessa fronteira.

Nesse sentido, a América do Sul deveria evitar ser para Washington um entorno tumultuoso. Nos últimos tempos se havia conseguido que os Estados Unidos se recolhessem relativamente da América do Sul em termos políticos e militares. Vários exemplos atestam isso.

Primeiro, o desdobramento militar dos Estados Unidos na sub-região encontrou certos limites. Em 2009, o país do Norte teve que retirar seus efetivos da base de Manta, no Equador. Em 2010, a Corte Constitucional da Colômbia declarou inválido o acordo entre Bogotá e Washington de 2009 pelo qual os Estados Unidos poderiam usar sete bases militares colombianas. Também não prosperou um eventual acordo entre Washington e Asunción para a ampliação e uso da base Mariscal Estigarribia, no Paraguai. Em segundo lugar, a criação, em 2008, do Conselho de Defesa Sul-americano constituiu um marco em matéria de consulta, cooperação e coordenação; marco que não foi patrocinado por Washington, mas por Brasília. Terceiro, o papel da União de Nações Sul-americanas foi crucial na crise política da Bolívia, em 2008, e entre a Colômbia e a Venezuela, em 2010, assim como sua defesa da democracia em Honduras, em 2009; no Equador, em 2010, e no Paraguai, em 2012. Nos casos que envolviam a América do Sul, o papel dos Estados Unidos foi muito menos relevante que no passado. E quarto, a maior presença da China na América do Sul, o retorno da Rússia à sub-região e o incremento de contatos da África do Sul, Irã e Índia com a América do Sul se produziram sem provocar, até o momento, nenhuma geopolítica apocalíptica entre a América do Sul e os Estados Unidos: ninguém na sub-região deseja recriar uma nova Guerra Fria cujos maiores custos foram pagos pelos países da área.

Hoje, entretanto, há sinais de que a América do Sul pode voltar a ser uma fronteira turbulenta para os Estados Unidos. Diferentes fatos apontam nesta direção. Em primeiro lugar, o resultado do processo de negociação entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) será um termômetro fundamental: o conflito armado interno, que em 2014 completará meio século de existência, necessita uma resolução pacífica, pois, do contrário, a presença e consolidação do poder militar norte-americano neste vértice da América do Sul se tornará inexorável. Em lugar de contribuir com a paz na Colômbia, os países da vizinhança insistem em superestimar e estigmatizar a Colômbia por seu papel na Aliança do Pacífico. Em segundo lugar, a estabilidade na Venezuela é o fator crítico de curto prazo: as nações do Mercosul, ocupadas em suas próprias necessidades internas, tem optado por um perfil tão baixo e discreto que poderia levá-las - em especial a Argentina e o Brasil - a perder influência nos assuntos venezuelanos. A equação é relativamente simples: menos gravitação dos pares da área, mais projeção e incidência de Washington. Em terceiro lugar, é fundamental antecipar-se às potenciais tensões entre os países da sub-região. Em breve a Corte Internacional de Justiça se pronunciará sobre a pendência marítima entre o Chile e o Peru. Por sua parte, a Bolívia tem levado à Corte da Haya sua reivindicação por uma saída ao mar. São recorrentes as escaramuças bilaterais por questões vinculadas à energia e o meio ambiente, entre outros. Sem um dispositivo ágil de diplomacia preventiva, algumas eventuais fricções podem descontrolar-se; algo que afetará direta ou indiretamente a estabilidade na área. Esta falta de estabilidade poderia alimentar a inquietude dos Estados Unidos e, com isso, sua proclividade em intervir. Em quarto lugar, apesar de que, em 2009, tenha sido criado o Conselho Sul-americano sobre o Problema de Drogas, presidido hoje pelo Peru, a sub-região tem cooperado e coordenado muito pouco frente a persistente expansão do negócio das substâncias psicoativas ilícitas e do empório do crime organizado. Na medida em que a colaboração seja apenas retórica, os Estados Unidos continuarão procurando e conseguindo sócios vicinais para militarizar a "guerra contra as drogas".

Sob este pano de fundo, o devir do caso Snowden agregará mais incertezas e complexidade. Teve razão a Unasul ao convocar uma reunião para respaldar decididamente o presidente Evo Morales diante do injustificado atropelo que teve que padecer na Europa. Talvez tivesse sido melhor uma cúpula de chanceleres e não de mandatários, e um pronunciamento menos retórico e mais consequente com respeito aos compromissos coletivos em defesa da Bolívia. A sequência do encontro de Cochabamba, entretanto, adquiriu outros contornos: Venezuela e Bolívia, na América do Sul, e Nicarágua, na América Central, se mostraram dispostas a dar asilo a Edward Snowden. De imediato, os Estados Unidos enviaram a Caracas um pedido formal de extradição no qual advertia acerca do "flight risk" que implicava asilar o informante.

Se esse caso não é bem manejado, algum país da América do Sul se converterá em uma dor de cabeça para os Estados Unidos e, com isso, a sub-região será, novamente, uma fronteira turbulenta para muitos "falcões" em Washington. Não se trata de justificar a aberração da massiva espionagem nacional e global empreendida pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Como afirma Jakob Augstein, colunista da revista alemã Der Spiegel, este é um caso de "soft totalitarianism". Isso não implica, entretanto, que a América do Sul deva colocar-se, por isso, no centro do furacão.

Quando se soube do WikiLeaks, os países sul-americanos se manifestaram com discrição e inocência. Agora terá que ser firme e sofisticado. Há muitos foros onde levar a denúncia, mas a sobre atuação e a altissonância são más conselheiras. Converter Snowden em um herói que a sub-região deve enaltecer também é. Snowden não é Assange. Aqui há muito mais em jogo; um jogo no qual a América do Sul tem escasso controle. Converter-nos hoje na fronteira turbulenta de Washington reduzirá a autonomia relativa ganha em uma década de crescimento econômico, melhoramento social e diversificação diplomática.

Tradução: Liborio Júnior

A farsa da agressão ao presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

100 anos de anarquismo na Nova Zelândia celebrados hoje - por ANA

100 anos de anarquismo na Nova Zelândia celebrados hoje

Um judeu alfaiate e seu fox terrier; um carpinteiro de Wellington, firme homem de família – não são o seu estereótipo de anarquistas-lança-bombas. Entretanto, hoje, passados 100 anos, Philip Josephs e Carl Mumme foram os dois fundadores do Grupo Liberdade (Freedom Group) – um dos primeiros coletivos anarquistas da Nova Zelândia.

"Apesar de que a imagem de uma figura clandestina vestida de preto salte a mente” percebe Jared Davidson, autor de Sewing Freedom: Philip Josephs, Transnationalism & Early New Zealand Anarchism(Costurando Liberdade: Philip Josephs, Transnacionalismo e o Novo Anarquismo na Nova Zelândia), "anarquistas como Josephs e Mumme são pessoas comuns. Foram ativos em seus sindicatos, nas esquinas, e em suas comunidades”. O que os separou, diz Davidson, foi “sua crítica à relações coercivas, escravidão do salário, e uma visão mais equitativa e humana do mundo”.

O Grupo Liberdade foi formado no dia 9 de Julho de 1913 na loja de costuras de Philip Joseph, no primeiro andar da Rua Willis, nº 4, em Wellington. “Uma questão que deveria, de alguma forma, surtir efeito esclarecedor sobre a atmosfera um tanto mística nesta cidade é o movimento ter formado um Grupo Anarquista em Wellington”, escreveu o jornal do proletariado radical, o Maoriland Worker (Trabalhador da Terra Maori), “pois este fato irá providenciar àqueles que aceitem a filosofia Anarquista com o local ao qual pertencem... compreendemos que isso será o primeiro grupo Anarquista formado na história da Nova Zelândia”.

Existe pouco material sobre o Grupo Liberdade e seus membros, mas como argumenta Davidson, “a emergência do Grupo Liberdade em 1913 significou um grande avanço na práxis anarquista na Nova Zelândia”. Assim como a importação de panfletos populares ao redor do mundo, o Grupo Liberdade manteve discussões noturnas regulares sobre uma série de tópicos radicais.

"Tão populares eram estas conversas" escreve Davidson, "que foram logo movidas da Rua Willis para o grande Salão Socialista na Rua Manners”.

Em uma noite de Setembro em 1913, 120 pessoas participaram de um evento social anarquista de um modo que nunca havia sido realizado na Nova Zelândia. Divulgado como “a formação de uma sociedade Anarco-Comunista, onde todos são iguais, onde não existem criminosos, policiais, e autoridades”, os participantes podiam desfrutar de pequenos discursos, leituras de autores proeminentes, recitais e entretenimento musical, “aproveitando por ao menos uma tarde os benefícios de uma sociedade perfeitamente livre”.

Joseph, co-fundador do Grupo Liberdade, esteve também envolvido na Grande Greve de 1913 – outro centenário marcado este ano – expressando “suas ideias publicamente de uma plataforma na vizinhança do cais da Rainha”. Os rumores dizem que o Grupo Liberdade também esteve engajado na panfletagem com conteúdo especial durante a greve.

Joseph esteve em contato constante com figuras internacionais notáveis, como Emma Goldman, desde 1904. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, cartas para Goldman e a distribuição de literatura anti-guerra no lar e escritório de Joseph Later ocasionaram a invasão destes locais pela polícia.

Carl Mumme, um alemão naturalizado em 1896, também sentiu ódio da Coalizão Nacional do Governo. Em maio de 1916 ele foi levado de seu local de trabalho e internado na Ilha Somes em função de sua perspectiva anti-militarista. O ex-porta-voz do Grupo Liberdade foi finalmente solto de volta para sua companheira e para seus cinco filhos em Outubro de 1919 – 11 meses após o final da guerra.

De acordo com Davidson, esta e outras atividades anarquistas mostram que “o ativismo de Joseph e outros como ele, tanto via discurso quanto via correio, cumpriram um papel chave no estabelecimento de uma identidade e cultura anarquista distintas na Nova Zelândia e no exterior – uma cultura que emergiu e envelopou simultaneamente ao redor do mundo”. Os anarquistas não só existiam na Nova Zelândia; fizeram parte de uma das mais tumultuadas disputas industriais, e transmitiram uma mensagem unicamente radical para os trabalhadores ao redor do país.

"No mínimo, o Grupo Liberdade foi obviamente uma característica visível e vibrante da contracultura da classe trabalhadora de Wellington, e facilitador de conversas em que emergiam pensamentos provocativos (e talvez politicamente transformadores)”.

A luta do Grupo Liberdade por transformação social – por uma sociedade baseada nas pessoas e não no lucro – conectou a Nova Zelândia ao movimento anarquista global da atualidade. Também sinalizou o primeiro de muitos coletivos anarquistas a desempenhar um papel vibrante na história da esquerda na Nova Zelândia.


Tradução > Malobeo

agência de notícias anarquistas-ana
o crisântemo branco
ainda que pisado
é crisântemo branco
Sérvio Lima

Declaração do Bloco Autônomo de Lutas Nem Pátria Nem Patrão de Araraquara, interior de SP - por ANA

Declaração do Bloco Autônomo de Lutas Nem Pátria Nem Patrão de Araraquara, interior de SP

[Com atraso, divulgamos um comunicado do Bloco Autônomo de Lutas Nem Pátria Nem Patrão, de Araraquara, interior de São Paulo, acerca da participação no ato unificado do dia 26 de junho, pelo Passe Livre e contra a privatização da Companhia Tróleibus de Araraquara (CTA).]

Comunicado:

O Bloco Autônomo de Lutas surge em Araraquara associado a um contexto de efervescência política no Brasil e no mundo, a partir da auto-organização de militantes de diferentes tendências políticas revolucionárias, anticapitalistas, com o objetivo de estabelecer um contraponto às demandas reformistas, buscando ruptura com o sistema, destruição para construção. O coletivo também se opõem as bandeiras nacionais e o apelo nacionalista que toma conta das manifestações ao redor do país, pois compreendemos o nacionalismo como fascismo, e portanto, essencialmente desvinculado do povo, enquanto lutamos por um mundo sem fronteiras, sem pátria, sem Estado, por um mundo de igualdade, solidariedade, e apoio mútuo. Assim, no dia 26 de junho, unimos forças e fomos às ruas para o Ato Unificado em Araraquara, dando continuidade a luta pelo Passe Livre e contra a privatização da CTA.

O processo de lutas pelo Passe Livre, cuja construção se confecciona desde 2006, culminou nas vitórias atuais (redução do aumento da passagem em diversas cidades), demonstrando a força das ruas e da insurgência. A reivindicação e as conquistas refletem diretamente na consciência de classe dxs que lutam, fortalecendo o debate sobre o direito à cidade e demonstrando o esgotamento do modelo vigente, que restringe a utilização do espaço urbano à castas privilegiadas, favorecendo as elites, a especulação imobiliária, a destruição dos espaços de sociabilidade e dos elementos históricos que atravessam os diferentes locais por onde transitamos.

Relembramos também as etnias indígenas, de norte a sul, que enfrentam o Estado e os projetos desenvolvimentistas tais como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento do Brasil] e as obras para a Copa [do Mundo da FIFA Brasil 2014], que atropelam com seus tratores, maquinaria pesada e amontoados de dinheiro concentrado nas mãos de poucos, os últimos espaços selvagens e os seres que ali transitam e resistem. A Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Pará e os conflitos fundiários no Mato Grosso do Sul, evidenciam o caráter repressivo das políticas do governo e das classes dominantes frente às diversas etnias que habitam tais territórios, cuja terra é usurpada e esgotada para suprir as demandas do mercado internacional, e se realiza a continuidade do genocídio colonizador, por meio de assassinatos, como o mais recente ataque que matou Oziel Gabriel, índio Terena cuja responsabilidade da morte está nas mãos do Estado brasileiro e dos donos de terra. Diante deste cenário, não há porque hastear nenhuma bandeira nacional, pois estão manchadas de sangue.

Nas periferias, a Polícia Militar promove chacinas intermináveis, criminalizando xs negrxs e pobres e submetendo o cotidiano ao terror proveniente das injustiças sociais, do racismo e do machismo. O abismo da desigualdade, criado para beneficiar os de cima, é garantido pela instituição policial que representa o braço armado do Estado, cuja única função é proteger os interesses e a posição de classe dos poderosos. Assim, todxs aquelxs que são considerados um perigo para a ordem, que é a ordem dos opressores, são exterminados brutalmente sob a égide da bandeira nacional. A nação não é nada mais do que uma criação mentirosa utilizada para separar os povos e facilitar a exploração, cuja expansão resultou na colonização das Américas, da África e da Oceania, dividindo os nativos em falsas divisões territoriais, fronteiras artificiais, e destruindo as peculiaridades locais para tornar homogênea toda a diversidade. A história das guerras se confunde com a história dos Estados-nação, símbolos da segregação e violência, administrados pelos inimigos do povo: reis e nobres, latifundiários e burgueses, políticos e autoridades. Diante destes dados, o patriotismo e o nacionalismo, defendidos pelas garras elitistas da direita, revelam-se como verdadeiras ameaças à qualquer ideia e prática de luta que pretenda construir, de fato, um novo mundo onde caibam todos os mundos, do povo e para o povo.

Se faz necessária a organização da periferia para combater as forças do capital e barrar o fascismo. A derrubada da pirâmide da desigualdade depende da revolta dos de baixo. Em pé, povo obreiro! Para a batalha!

Nem um passo atrás.

Bloco Autônomo de Lutas – Araraquara

agência de notícias anarquistas-ana

Só uma metade…
Quem foi que escondeu
O resto da Lua?

Maria Helena Lourenço Tavares

terça-feira, 9 de julho de 2013

Israel mantém 2.000 refugiados africanos em cadeia no deserto - por Guila Flint

Israel mantém 2.000 refugiados africanos em cadeia no deserto

Imigrantes sem papeis não têm direitos reconhecidos por governo isralenese; temperatura em Saharonim chega a 40 graus

Hotline For Migrant Workers

Presos ficam em barracas e mulheres não recebem visitas médicas em Saharonim

Na prisão de Saharonim, que fica no deserto do Negev, no sul de Israel, se encontram homens, mulheres e crianças do Sudão e da Eritreia, que tentaram entrar no país a pé, através da península egípcia do Sinai.

Desde que Israel concluiu a construção da cerca que separa o Sinai do sul do país, em 2012, houve uma queda de mais de 99% no número de refugiados africanos que conseguem entrar no território israelense.

Os poucos que conseguem ultrapassar a cerca (desde o inicio de 2013 foram apenas 34) são imediatamente levados para a prisão de Saharonim.

No entanto, de 2007 a 2012, cerca de 60.000 cidadãos da Eritreia e do Sudão, que fugiram de seus países para salvar suas vidas, conseguiram entrar em Israel.

Essas pessoas vivem no país sem qualquer reconhecimento de sua condição de refugiados e sem que o Estado avalie as circunstâncias nas quais deixaram seus países e entraram em Israel. "Se entrevistassem essas pessoas, se as ouvissem, descobririam que a grande maioria delas é de refugiados políticos e que merecem receber o status e os direitos de refugiados", afirmou Sigal Rozen, da ONG israelense Hotline for Migrant Workers (centro de assistencia a trabalhadores estrangeiros, em tradução livre).

"Se verificassem a situação delas, as autoridades seriam obrigadas, pela lei internacional, a conceder o status de refugiado a dezenas de milhares de pessoas, então preferem nem avaliar", acrescentou a Opera Mundi.

A lei internacional proíbe que um país repatrie pessoas cujas vidas podem estar ameaçadas em seu país de origem. Esse é o caso do Sudão, assolado por uma sangrenta guerra civil e da Eritreia, controlada por uma das ditaduras militares mais cruéis do planeta.

Ódio racial

Sem documentos e sem direito de trabalhar legalmente, a população de refugiados africanos vive em condições precárias e se concentra principalmente na região sul da cidade de Tel Aviv.

Essa área da cidade, que é a mais pobre da grande metrópole israelense, virou cenário de ódio racial por parte dos habitantes originais contra os refugiados africanos.

Esse ódio, parte em consequência do incitamento conduzido por políticos de direita contra os refugiados africanos, e parte em decorrência das condições de vida nos bairros pobres e densos da cidade, vem se alastrando e, nos últimos dois anos, já causou algumas erupções violentas.

Em 2012, houve uma série de ataques por parte de israelenses racistas contra casas e pequenos negócios de africanos, deixando vários lugares depredados e pessoas feridas.

Entre os políticos de direita que incitam contra os africanos está a deputada Miri Regev, do partido governista Likud e chefe da Comissão de Interior do Parlamento. Regev chegou a qualificar os refugiados africanos como "câncer no corpo da nação".

"Politica de avestruz"

ONGs de direitos humanos acusam o governo israelense de conduzir uma "politica de avestruz" na questão dos refugiados africanos. "Em vez de enfrentar o problema e tentar resolvê-lo, simplesmente deixam os refugiados jogados nas áreas mais pobres de Tel Aviv, sem assistência médica ou social", disse Rozen.


O governo israelense qualifica os refugiados africanos como "infiltradores", ou seja, pessoas que "se infiltram" pela fronteira, supostamente para procurar trabalho no país, e não os reconhece como refugiados.

O ministro do Interior, Gideon Saar, afirmou que "precisamos continuar agindo energicamente para barrar esse fenômeno, continuaremos com a política do governo de repatriar infiltradores para seus países de origem ou para terceiros países".

Nos últimos meses, porta-vozes oficiais vêm afirmando que o governo está conduzindo negociações com países africanos para que recebam os cidadãos eritreus e sudaneses que se encontram em Israel. Porém ainda não se sabe se algum país se dispôs a recebê-los.

De acordo com o ministro, Israel "é o único país ocidental que tem fronteira com a África e, se não agirmos de maneira clara e sem concessões, o país será inundado por infiltradores ilegais".

Endurecimento das leis

Segundo a Lei de Prevenção de Infiltração, aprovada pelo Parlamento de Israel em junho de 2012, qualquer refugiado africano que tente entrar sem documentos no país pode ser preso por um período de pelo menos três anos.

Nos últimos meses, o Parlamento também aprovou uma nova cláusula à mesma lei, que permite que qualquer imigrante sem papeis que for suspeito de contravenções seja imediatamente enviado à prisão de Saharonim.

ONG Médicos pelos Direitos Humanos/Israel
Maior parte dos presos é de origem do Sudão e da Eritreia

"De acordo com a nova cláusula, se um imigrante eritreu é suspeito de roubar uma bicicleta, pode ser enviado a Saharonim por tempo indeterminado, nem é necessário um julgamento, basta a suspeita", afirmou Sigal Rozen.

Rozen conseguiu entrar na prisão de Saharonim juntamente com alguns advogados da ONG e pôde ver de perto as condições no local.

Segundo o relato da organização, trata-se de um complexo que inclui construções e barracas. "As mulheres e crianças ficam nas construções, a maioria dos homens fica nas barracas", disse Rozen, que acrescentou que a temperatura no deserto do Negev pode chegar a mais de 40 graus.

O governo israelense continua endurecendo as condições dos refugiados para "desestimular" esse tipo de migração. Em junho deste ano, o Parlamento aprovou mais uma lei proposta pelo governo, proibindo que os "infiltradores" enviem dinheiro para o exterior até deixarem o país.

Segundo um comunicado do governo, o objetivo da nova lei é "reduzir o número de infiltradores".

Sequestro e estupro no caminho

A reportagem de Opera Mundi também conversou com Shahar Shoham, responsável pelo departamento de refugiados na ONG Médicos pelos Direitos Humanos/ Israel.

A ONG entrou com um recurso junto à Suprema Corte de Justiça exigindo que haja atendimento ginecológico para as mulheres africanas presas em Saharonim.

"Muitas dessas mulheres passaram por experiências terríveis no caminho para cá", disse Shoham, "houve muitos casos de sequestro e estupro, por gangues de beduínos no Sinai, e na prisão não há médicos ginecologistas".

O recurso foi apresentado à Corte há dois anos, porém até agora ainda não há ginecologistas em Saharonim. "Nossa ONG e todas as outras organizações que trabalham pelos direitos dos refugiados africanos, exigimos que seja feita uma avaliação transparente e justa da situação dessas pessoas, e que aqueles que merecem recebam o status e todos os direitos de refugiados", afirmou.

Para a ativista, Israel deve conceder aos refugiados do Sudão e da Eritreia o direito de "residência social". "Enquanto essas pessoas se encontram aqui, elas devem receber assistência médica e social, além do direito de trabalhar legalmente para que possam se sustentar", disse.

"Não há razão alguma para que os refugiados sejam mantidos na prisão, eles não cometeram crime algum, apenas fugiram de seus países para se salvar".


terça-feira, 2 de julho de 2013

[México] Resoluções do Encontro Autônomo e Libertário, Oaxaca 2013 - por ANA

[México] Resoluções do Encontro Autônomo e Libertário, Oaxaca 2013
A necessidade de analisar o processo da luta social de Oaxaca, desde 2006 e também, a intenção de fortalecer e coordenar a luta libertária, foram os motivos centrais da realização desse espaço de análise e discussão.
Com a presença de 96 membros de coletivos, federações, individualidades, etc. Nos dias 8 e 9 de junho aconteceu o Segundo Encontro Autônomo Libertário em Oaxaca, isto no bojo do processo de refundação da APPO [Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca]. A necessidade de analisar o processo de luta social de Oaxaca desde 2006 e também, a intenção de fortalecer e coordenar a luta libertária, foram os motivos centrais da realização deste espaço de análise e discussão.
Foram instaladas formalmente mesas de trabalho sobre os seguintes eixos de discussão: 1) Princípios da APPO; 2) A experiência de 2006; 3) Práticas e formas para fazer frente a eleição; 4) Segurança diante da campanha repressiva do Estado e 5) experiências organizativas em outras latitudes. Análise: A assembleia constituída em 11 de novembro de 2006 não refletiu as necessidades nem a realidade social que se vivia no momento, por sua postura mediadora e conciliadora com o Estado, nunca funcionou como uma assembleia real, pois a pluralidade da vozes não foram ouvidas; desde o início a efervescência do movimento identificou as pessoas, foi graças ao costume o apoio mútuo natural, o que sustentou a luta e não a estrutural formal da APPO, este processo unitário deu origem à inútil plataforma eleitoral, que desfigurou sua essência, desiludiu e desmobilizou o processo. Na prática a tomada de decisões em sua grande maioria não respeitou os acordos emanados a partir da direção.
Considerações: Vemos a necessidade de reviver as autênticas assembleias populares, nos bairros, barricadas e comunidades. A partir do conflito as pessoas continuam com ações de pressão por suas demandas imediatas, fenotipicamente como uma aproximação reformista, porém isso nos deve levar ao cerne da situação em si, ao genótipo de auto-organização e autogestão, resumindo que não é o Estado, que solucionará nossas necessidades, senão que é o único problema, que devemos destruir.
Posicionamento ante a refundacão da APPO. A atual conjuntura eleitoral força aos setores reformistas a posicionarem-se politicamente e demonstrar uma mobilização contundente de massas, nós entendemos o contexto de como aglutinar a luta com alguns setores em legítima autodefesa de nossas tradições, formas de organização ancestral e nossos recursos naturais, definitivamente não entendemos que a solução seja a via eleitoral. Vemos a força dos processos de luta e a horizontalidade e a autonomia. Este encontro se pronuncia em apoio, solidariedade e acompanhamento das comunidades, organizações e coletivos, que tenham decidido o boicote às eleições como primeiro passo a autêntica reestruturação da APPO, considerando que só esta ação é um autêntico passo no processo de emancipação dos povos.
Exaltações-Chamados. Criação de círculos de estudo. Formação de grupos de bairros, independentes e autônomos entre si. Tolerância e respeito entre as diferentes lutas e formas de resistência das diferentes comunidades, povos, bairros e colônias assim como de organizações não anarquistas, mas que lutam pelo mesmo objetivo comum. Aprender a diferenciar entre as necessidades das comunidades e das zonas urbanas, já que em cada plano geográfico a situação é diferente. Aproximar-se de pessoas da terceira idade para poder enriquecer as experiências. Identificação de focos de possível subversão e participar neles de maneira humilde e respeitosa. Criar círculos de estudos móveis, ou seja, que se movam a diferentes partes do país, separados dos círculos de estudos locais. Criação de fundos de resistência para companheiros presos e feridos. Criar espaços e sobretudo fortalecer os que já existem em todo o país. Formação de oficinas sobre segurança e autodefesa legal. Criar espaços em redes e formar periódicos, fanzines, etc. para a maior divulgação das ideias. A múltipla realização de encontros libertários em todos os lugares, dentro e fora de nossas fronteiras, para preparar o eventual congresso internacional de autonomias e processos anarquistas.
Mandamos uma saudação à iniciativa do encontro anarquista nacional durante o mês de setembro em Monterrey, Nuevo León. Solidariedade com os presos em guerra: Braulio Arturo Durán (León Gto.), Pablo López Alavés (Oaxaca), Jorge Mario Gonzales García. (CCH Naucalpan D.F.).
O próximo encontro foi programado para os dias 30 de novembro e 1 de dezembro do presente ano, aniversário histórico para nosso movimento, quando nossa geração de anarquistas deu um salto qualitativo na práxis antagonista. O encontro se realizará em Oaxaca em um lugar a se definir.
Assinam: Colectivo Barro Negro (Oaxaca); Miserables Libertarios (Morelos); Colectivo Libertario Magonista (Oaxaca); CIPO-RFM (Oaxaca); Dignidade Rebelde (Oaxaca); Colectivo Resistencia Anarquistq. (Oaxaca); Asamblea Estudiantil Xalapeña (Veracruz); Coordinadora Estudiantil Anarquista (DF); Biblioteca María Luisa Marín (Veracruz); Llama de la Libertad (DF); Tlacolulokos (Oaxaca); Los Solidarios (DF); Cafetería Emma Goldman (DF); Federación Anarquista México (DF); AREITO (Veracruz); Brenalokos (Oaxaca); Brigada Negra (DF); Cruz Negra Anarquista (DF).
Tradução > Sol de Abril
agência de notícias anarquistas-ana
Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho
Danita Cotrim