segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A reaparição do Subcomandante Marcos nos 20 anos do levante zapatista – por Eduardo Febbro


A reaparição do Subcomandante Marcos nos 20 anos do levante zapatista.
Às vésperas de se completarem duas décadas do levante zapatista, o subcomandante Marcos reapareceu com um novo e extenso comunicado

San Cristobal de las Casas – A prosa está intacta. Sutil e envolvente como o sol da tarde que envolve a praça central de San Cristobal de las Casas. Às vésperas de se completarem duas décadas do levante zapatista, o subcomandante Marcos reapareceu com um novo e extenso comunicado semeado com a ideia da “memória e da rebeldia”.

Na abertura, Marcos cita a novela do escritor norte-americano Herman Melville, Moby Dick. Encontro de uma prosa com outra: “Me parece que temos confundido muito esta questão da Vida e da Morte. Me parece que o que chamam de minha sombra aqui na terra é minha substância autêntica”, diz a prosa de Melville. A de Marcos completa o resto do comunicado. O subcomandante, que há uns cinco anos não aparecia em público, escreve: “É território zapatista, é Chiapas, é México, é América Latina, é a Terra. E é dezembro de 2013, faz frio como há 20 anos, e, como então, hoje há uma bandeira que nos cobre: a da rebeldia”.

Em outro momento de seu comunicado, Marcos acrescenta: “Porque a rebeldia, amigos e inimigos, não é patrimônio exclusivo dos neozapatistas. Ela é patrimônio da humanidade. E isso é algo que é preciso celebrar. Em todas as partes, todos os dias e em todas as horas. Porque a rebeldia é também uma celebração. Não são poucas nem débeis as pontes que, desde todos os rincões do planeta Terra, se estenderam até estes solos e céus. Às vezes com olhares, às vezes com palavras, sempre com nossa luta, temos nos cruzado para abraçar esse outro que resiste e luta”.

Ao longo do texto em que se alternam parágrafos poéticos, guerreiros ou irônicos, o Subcomandante zapatista presta homenagem a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, acompanharam o levante de 20 anos atrás: “Aos que, durante a noite, colocaram nas costas a mochila e a história, aos que tomaram com as mãos o relâmpago e o trovão, aos que calçaram as botas sem futuro, aos que cobriram o rosto e o nome, aos que, sem esperar nada em troca, morreram na longa noite para que outros, todos, todas, em uma manhã ainda por vir, possam ver o dia como é preciso fazê-lo, ou seja, de frente, de pé, com o olhar e o coração erguidos. Para eles, nem biografias nem museus. Para eles, nossa memória e rebeldia. Para eles nosso grito: Liberdade! Liberdade! Liberdade! Saúde e que nossos passos sejam tão grandes como nossos mortos”.

Marcos se pronunciou igualmente com um tom crítico contra todos os mandatários que ocuparam a presidência do México desde que surgiu o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN): Carlos Salinas de Gortari, Ernesto Zedillo, Vicente Fox, Felipe Calderón e Enrique Peña Nieto. “Vicente Fox é a prova de que o posto de presidente de uma república e de uma filial de uma fábrica de refrigerantes é intercambiável...e que ambos os postos podem ser ocupados por inúteis; Felipe Calderón Hinojosa foi um “presidente valente” (para que outros morressem) e não um psicopata que roubou a arma (a presidência) para seus jogos de guerra (...) e que terminou sendo o que sempre foi: um empregado de segunda em uma multinacional. A propósito do atual presidente, Enrique Peña Nieto, cuja candidatura marcou o regresso do PRI ao poder após 14 anos na oposição, o Subcomandante questionou as reformas que vem adotando desde que foi eleito em fevereiro de 2012, particularmente aquelas no setor da energia:

“Enrique Peña Nieto será um presidente culto e inteligente (bom, é ignorante e tonto, mas hábil), é o novo perfil que se constrói nos grupinhos de analistas políticos, e não um analfabeto funcional”.

O tom deste comunicado é muito menos duro do que o que emitiu no final de 2012. Neste momento e já com o PRI no poder, o EZLN saiu a público, primeiro no dia 21 de dezembro com uma mobilização silenciosa da qual participaram cerca de 40 mil pessoas com o rosto coberto com o famoso gorro dos zapatistas. Nesta ocasião, o líder insurgente emitiu um comunicado onde perguntava: Escutaram? O som de seu mundo ruindo é o do nosso ressurgindo. A marcha do dia 21 foi a maior mobilização protagonizada pelos zapatistas desde que pegaram em armas no dia 1º de janeiro de 1994. Agora chega, pontual e esperado, esse aniversário.

Duas décadas de lutas, de mortos, de injustiças e repressão ao cabo das quais as palavras e o combate seguem vivos.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br

A delirante lista dos anti-semitas - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Matança: Governo australiano cria plano de massacre a tubarões – por ANDA


Matança: Governo australiano cria plano de massacre a tubarões!!!
Foto: Care2

Após alguns ataques fatais de tubarões a humanos nos últimos três anos, o governo da Austrália Ocidental propôs uma política controversa para lidar com esses animais, que consiste em nada mais que um massacre que irá atingir populações de tubarões e de outros animais, sem realmente incluir nada que conceda segurança às pessoas. As informações são da Care2.

Praias vinham sendo patrulhadas em terra e mar para detectar tubarões, mas um conjunto de ataques levou a pedidos de uma nova abordagem e ao anúncio de um esquema de captura e morte de tubarões nas praias mais populares.

Começando em 10 de Janeiro, funcionários do departamento de pesca estarão alvejando grandes tubarões brancos e outras espécies que tenham um tamanho maior que três metros e estabelecerão 72 pontos de isca para captura em zonas designadas, além de contratar pescadores para monitorar os locais e “humanamente destruir os tubarões que forem encontrados vivos, atirando neles e descartando seus corpos no mar”. Quaisquer outros animais que forem apanhados serão lançados de volta à água vivos, “se possível”.

O projeto do governo inclui o uso de linhas de tambor, que consistem em um grandes anzóis ligados a uma boia e uma âncora para mantê-los no lugar, e que são algo cercado de polêmicas. Um estudo da Universidade de Bond, que foi encomendado pelo governo no ano passado para descobrir as melhores táticas de mitigação de risco de tubarões para a Austrália, concluiu que o uso desse artifício não é recomendável devido ao seu impacto negativo global sobre o meio ambiente e à ameaça que representam para os tubarões que não são alvo da captura e a outras espécies, incluindo golfinhos.

O plano do governo também está encontrando oposição de organizações conservacionistas, políticos, comunidades locais, surfistas e ambientalistas. Mais de 100 cientistas assinaram uma carta aberta opondo-se às táticas letais do governo aos tubarões, e apontaram várias alternativas que incluem um processo de captura, marcação, transporte e soltura desses animais em outros locais. Segundo a reportagem, esse tipo de alternativa foi adotada e teve sucesso no Brasil, bem como esforços de melhoria na educação e comunicação a respeito de tubarões para evitar ataques.
Eles argumentam que este não é um meio eficaz para proteger as pessoas e que este plano é especialmente ofensivo, considerando os contínuos esforços globais para proteger tubarões.
Realmente o plano não tem sentido e é uma tentativa cruel de tentar parar algo que acontece aleatoriamente. Famílias e comunidades eventualmente sofreram ataques fatais de tubarões, mas essas ocorrências são raras se for considerado o número de pessoas que têm contato com os oceanos ao redor do mundo todos os anos. Esses ataques, inclusive, apresentam-se em estatística insignificante se comparados com outras causas de morte nos mares, como o afogamento, por exemplo.

Matar mais tubarões pode reduzir a chance de ataques, mas não elimina o risco que de fato haverá sempre que alguém entrar na água, ou seja, a não ser que todos os tubarões sejam mortos, banhistas, surfistas e mergulhadores nunca estarão de fato seguros uma vez que entram na água. Esse tipo de plano apenas traz uma falsa sensação de segurança, enquanto tubarões que são vitais para um ecossistema marinho saudável são mortos.

Há ferramentas para as pessoas se protegerem de ataques de tubarões, como a comunicação de avistamento desses animais via redes sociais. Já existe, inclusive, uma conta de Twitter da organização Surf Life Saving (@SLSWA), que informa sobre localizações de risco sempre atualizadas.
Enquanto isso, o governo australiano parece determinado a colocar em prática seu plano, mas os defensores e ambientalistas continuam se opondo e disseram que estão considerando uma ação direta para desarticular e impedir qualquer massacre de tubarões.

“Sabemos muito pouco sobre os grandes tubarões: nós certamente podemos desenvolver soluções mais inteligentes que matá-los”, disse Lynn MacLaren da Greens MLC, que tem buscado alternativas para o dito problema.

Fonte: http://www.anda.jor.br

Surfar em Costa Oeste dos EUA depois de Fukushima - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

David Harvey: ser zapatista não é endeusar Marcos – por Pedro Locatelli


David Harvey: ser zapatista não é endeusar Marcos

Vinte anos depois do levante no México, geógrafo avalia: movimento pode transformar esquerda, desde que não o mistifiquemos…

Pesquisador de revoltas recentes ao redor do mundo, o geógrafo britânico David Harvey reconhece a influência dos zapatistas nos novos levantes que têm surgido. Mas ele pondera que algumas das suas características são ignoradas pela esquerda em diversos países.

O geógrafo concedeu uma entrevista à reportagem de CartaCapital, na qual fala sobre o legado do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que há vinte anos tomou o controle de parte da pobre província mexicana de Chiapas.

Harvey destaca as novidades trazidas pelo levante, como a ênfase no direito das mulheres. Ele, porém, se diz “cansado” das pessoas acharem que a revolução “sairá de Chiapas”. Para o geógrafo, a esquerda deve achar uma forma própria de se organizar na cidade. Leia abaixo as falas do geógrafo sobre o levante:

Movimento indígena com características ocidentais
O zapatismo é retratado às vezes como somente um movimento indígena. Mas ele não é isso. É um movimento indígena com caraterísticas ocidentais. Um movimento horizontal, mas com formas militares hierarquizadas. Ou seja, é uma forma híbrida.

Obviamente o zapatismo teve um impacto muito grande na esquerda. A esquerda mundial ficou muito impressionada com suas formas horizontais de governança, mas falhou em reconhecer que a parte militar dessa organização a modificou muito.

Direitos das mulheres
Os zapatistas abordaram muitas questões importantes para essas sociedades (indígenas), como os direitos das mulheres, de uma maneira muito importante. Foi muito excitante ver a questão de gênero, em toda sua dimensão, ser propriamente abordada e articulada pelos zapatistas. [Diversas das figuras mais proeminentes do movimento eram mulheres e, logo após o levante, os zapatistas fizeram uma serie de reivindicações específicas em relação a elas].

Os direitos das mulheres estavam arraigados muito neste movimento, o que não é necessariamente verdade em outras populações indígenas e na esquerda. Mais uma vez, nessa questão, eles tinham características especiais.

Teologia da libertação
O movimento era uma combinação brilhante de pensamento indígena com perspectivas do iluminismo ocidental. Particularmente, havia uma influência de doutrinas do catolicismo, como dos franciscanos [conjunto de ordens católicas com forte presença na América Latina]. Eu acho que foi a expressão de ideias como respeito e dignidade, vindas de Chiapas, que agarraram a imaginação do mundo.

Foi uma combinação peculiar, onde a posição do subcomandante Marcos foi extremamente crucial. Não só em termos de organizar a parte militar, mas também de apresentar suas ideias ao mundo, que muito dificilmente poderiam ser entendidas. Então, quando ele falava de respeito e dignidade, ele estava em uma longa história da teologia da libertação, por exemplo. E as pessoas responderam a isso.

Ação fora do Estado
Havia também a característica de que aquele não era um partido político, não queria tomar o poder do Estado. Os zapatistas só queriam autonomia, e isso foi atraente para muitas pessoas ao redor do mundo. Eles estavam, desta forma, se protegendo da exploração. Quando se faz isso, você mantém-se fora dos limites, mas isso também gera muitos problemas. Eles precisam de recursos, eles precisam de armas, é uma história muito complicada.

A revolução não sairá de Chiapas
As vezes eu fico um pouco cansado porque em partes da Europa e da América do Norte as pessoas acham que a revolução vai sair de Chiapas e salvar a nós todos. Meu argumento é que a gente não pode simplesmente tirar aquilo do México e trazer para cá, nós temos de inventar nossas próprias maneiras de fazer política, de acordo com as nossas próprias circunstâncias.

Nós não estamos vivendo em Chiapas, nós estamos vivendo em Pittsburgh, em Detroit, em São Paulo. E a gente precisa pensar nas nossas próprias formas de se organizar em grandes cidades como essas.

Fonte: http://outraspalavras.net/

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Estado Assassino: Israel gaiolas crianças palestinas em parque de alojamento ao ar livre durante o congelamento tempestade - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Para melhor entender os amuos de FHC com Joaquim Barbosa – por Luis Nassif


Para melhor entender os amuos de FHC com Joaquim Barbosa
Para entender esse sentimento de FHC em relação a Joaquim Barbosa, é necessário retroagir um pouco. Como se recorda, FHC apressou-se a vir a público não recomendando qualquer aposta política em Barbosa.

Na sua origem, o PSDB era visto como o partido dos intelectuais, dos técnicos, o candidato à social democracia brasileira, imune ao conservadorismo obtuso do PFL-DEM e ao radicalismo da primeira infância do seu irmão univitelino, o PT.

A legitimação do partido dava-se através do republicanismo de um Franco Montoro, do sentido público de Mário Covas,  de um punhado de intelectuais de centro-esquerda.

FHC nunca foi liderança orgânica do partido. Era um troféu enfeitado por um belo currículo acadêmico. Sua ascensão ao posto de guru máximo do partido foi fruto de uma sucessão de acidentes: a indicação para Ministro da Fazenda de Itamar, a articulação dos financistas do partido em torno do plano Real, e a morte das lideranças referenciais, que o transformou na única referência intelectual do partido. 

O líder da oposição
Com a democracia assegurada, a estabilidade monetária, as políticas de inclusão, o grande desafio do PSDB seria a estruturação de uma oposição viável, que permitisse uma competição sadia e uma alternância no campo das ideias, das propostas e do poder.

O golpismo nasce fundamentalmente da incapacidade de uma oposição em apresentar-se como uma alternativa politicamente viável.

A inação, a falta de propostas, o vazio intelectual de FHC, sua posição de mais impopular ex presidente da história, tornavam quase inexplicável sua ascendência sobre o partido.

Foi entronizado no posto porque sua falta de ideias e de propostas, sua inércia,  encaixavam-se à perfeição aos objetivos de um partido de caciques que se recusavam a abrir espaço para a renovação.

Anos atrás, em um Congresso de deputados estaduais em Foz do Iguaçu, assisti a uma palestra do governador mineiro Antônio Anastasia na qual, com ideias claras e palavras acessíveis, delineava um programa político objetivo, com posições didáticas sobre cada tema relevante, saúde, educação, segurança. Onde está Anastasia? Debatendo-se entre ser candidato a senador, a contragosto, ou abandonar a vida política. E foi o melhor nome de segunda geração do PSDB mineiro.

Em São Paulo, Gabriel Chalita tornou-se o primeiro Secretário de Educação tucano popular junto à categoria mais crítica ao tucanato: a dos professores. Era o único nome com potencial da segunda geração de políticos do partido. Foi limado por José Serra. 

No Rio, Eduardo Paes só alçou voo depois de deixar o PSDB carioca. No Paraná, Gustavo Fruet cresceu depois de sair das amarras partidárias.

A culpa pessoal e intransferível de FHC foi ter endossado e estimulado o mais anacrônico recurso do jogo político brasileiro do século: a exploração do anticomunismo, um fantasma ainda presente no imaginário nacional. 

Sob sua liderança, o PSDB endossou essa loucura midiática e tornou-se mais retrógrado que o DEM, mais radical que o PT infante, sendo conduzido pelas manchetes e escândalos, ao invés de conduzir a mídia pelas ideias.

A indústria do anticomunismo e a experiência dos cinco macaquinhos
Eram cinco macaquinhos, uma escada e, no alto, um cacho de bananas. Cada vez que um macaquinho tentava subir a escada, todos eles recebiam um banho de água fria. Com o tempo, sempre que um macaquinho ameaçava subir a escada, era contido pelos demais.

Aí tiraram as bananas do alto da escada. Um a um foram trocados os macaquinhos originais. O novo na turma tentava subir a escada e imediatamente era contido pelos demais. Passava um tempo, entrava na nova rotina.

Quando o quinto macaquinho original foi substituído, na memória coletiva não existiam mais bananas. Mas permaneciam os controles internos para impedir qualquer macaquinho de subir a escada.

Esse caso, contado nos manuais de psicologia, é similar ao que ocorreu com a indústria do anticomunismo brasileiro.

Nos anos 20 e 30 houve um conjunto de episódios consolidando o anticomunismo no imaginário de muitos setores. 

Devido às perseguições religiosas em países comunistas, para a Igreja o comunismo passou a significar o ateísmo anticlerical. 

Para o Exército, havia as lembranças do que foi chamado de Intentona Comunista, dos oficiais mortos de madrugada, e da doutrina internacionalista que abominava o conceito de nação, além dos ecos da guerra fria. 

Para os empresários, tratava-se do regime que acabou com a propriedade privada e instituiu o planejamento estatal férreo.

De lá para cá, tudo mudou. 

A Guerra Fria terminou no encontro de Kennedy com Kruschev  em 1963. 

O comunismo acabou no início dos anos 90. Por aqui, o comunismo já havia perdido a liderança dos movimentos populares para o recém-criado Partido dos Trabalhadores, conduzido por um líder, Lula, que era filho direto da industrialização das multinacionais no ABC. E se havia alguma dúvida sobre suas intenções social-democratas, a Carta aos Brasileiros eliminou-as.

Uma a uma foram retiradas as bananas do alto da escada. Mas permaneceu a exploração do anticomunismo no imaginário nacional. Tornou-se a maneira mais simples de conduzir qualquer discussão política pública.

Na sua versão século 21, esse anticomunismo tosco assumiu a face do chavismo, bolivarismo, farquismo, castrismo e outros ismos que passam a léguas de distância da realidade política e econômica do país.

Será possível que Arnaldo Jabor acredite que nós acreditemos que ele acredita que o chavismo seja uma ameaça ao país? Pouco importa: basta o Hommer Simpson acreditar.

O anticomunismo - seja lá o que for hoje em dia - unifica tudo, como creme de leite jogado em cima de doces de má feitura. Soma a indignação moral da religiosidade obtusa, com o desejo de legitimação dos militares, com a indignação do empresariado com a burocracia e o aparelhamento do Estado, com a indignação da opinião pública com a corrupção política. Vira tudo um discurso único. 

Não são mais vícios históricos que precisam ser combatidos. Com o anticomunismo ganham forma, corpo, identidade, seja lá o que o Hommer Simpson entenda por chavismo, bolivarismo e castrismo. E cria a figura do inimigo comum a ser eliminado.

Dia desses comentaram aqui no Blog sobre um programa da Globonews no qual quatro direitistas jactaram-se da inteligência superior da direita.

Deveriam envergonhar-se de ter reduzido a direita a essa montanha de chavões de segunda linha.
Para quê a sutileza cortante de Roberto Campos, a navalha afiada de Nelson Rodrigues, a consistência sóbria de Gustavo Corção, a profundidade dos verdadeiramente conservadores, como José Murilo de Carvalho, Paulo Mercadante? 

Tudo virou um MMA do pior nível, um caldeirão de impropérios tão fácil de ser reproduzido que gerou uma multidão de seguidores.

Em todo o espectro do mercado de mídia abriram-se vagas para anticomunistas radicais, de colunistas de opinião a humoristas, de roqueiros a acadêmicos de pouco brilho. Basta se dispor a brandir uma retórica primária, tão velha quanto os discursos do Almirante Penna Botto, para ganhar visibilidade. 

Virou um autêntico coral dos Bigodudos: o discurso brandido pelo comentarista de rádio pretensamente intelectual é o mesmo do humorista de "stand up" é o mesmo dos historiadores de terceira linha.

Foi para esses primatas que FHC entregou a bandeira da oposição  embrulhada no sensacionalismo e dramaturgias baratas dos grupos de mídia. Logo ele, filho de uma família historicamente vítima desse anticomunismo primário e generalizador.

A manipulação do anticomunismo poderia ser uma jogada de esperteza se o resultado final fosse a viabilização da oposição. A unica esperteza foi ter aberto mercado de mídia para essa multidão vociferante que passou a compor a cadeia improdutiva do anticomunismo.

A dura mudança de imagem
Dia desses, uma das mais agressivas militantes tucanas na blogosfera fez uma sincera autocrítica. Mostrou a ineficácia desses métodos de agressão, de substituir a disputa de ideias pelos ataques descabelados.

Coincidiu com a avaliação dos partidos de oposição - do novo PSDB, com Aécio Neves, ao PSB de Eduardo Campos - de que o estilo esgoto adotado por José Serra mais afastava do que atraia eleitores.

Agora, tenta-se a todo custo mudar a imagem.

Aécio Neves esforça-se por parecer um bom moço. Ele e Eduardo Campos evitam as baixarias consagradas por Serra. Mas o partido não logrou desenvolver propostas; Aécio não conseguiu desenvolver um discurso.

Pior, tornaram-se prisioneiros de uma opinião pública restrita e doente que só sabe exercitar a retórica do anti, permanentemente atrás da catarse, da vindita, da vingança. 

Quando o partido tenta se desvencilhar da imagem radical, essa opinião pública sente-se órfã e sai atrás de outros salvadores.

E aí entramos no ponto central: porque a preocupação de FHC com o fenômeno Joaquim Barbosa?
Serra nunca foi esse profeta louco que passou a encarnar. A melhor definição para ele é que se trata de um estelionatário de ideias, criando personagens fictícios para iludir os seguidores. Enganou a mídia (incluindo-me aí) posando de desenvolvimentista, de anti-privatização selvagem. Depois, tentou enganar a direita com seu discurso à Malafaia. Não convence mais ninguém. 

Já Joaquim Barbosa é autêntico, autenticamente desequilibrado, autenticamente provinciano, autenticamente jacobino, autenticamente cruel, disposto a qualquer gesto para conquistar o espaço junto às celebridades que o estimulam para a grande vindita.

É esse o receio de FHC. Como promover o ajustamento do partido, procurar uma nova legitimação, sem se esvaziar em favor de um alucinado?

Não reclamaria se o alucinado estivesse sob seu controle.

Fonte: http://jornalggn.com.br
* charge retirada da rede!

Após “provocação”, Latuff é alvo de ameaça de morte: “Posso ser assassinado” – por Igor Carvalho

Após “provocação”, Latuff é alvo de ameaça de morte: “Posso ser assassinado”!!!

Cartunista é alvo de mensagens ofensivas de admiradores da Rota e de policiais e reclama do “Estado policial”

Imagem divulgada pela página “Fardados e Armados” no Facebook

O cartunista Carlos Latuff está sendo alvo de provocações e ameaças de morte desde que publicou, em seu perfil no Facebook, uma declaração sobre a morte do casal de policiais militares, que podem ter sido assassinado pelo filho. “Garoto mata seu pai, que era policial da Rota…esse menino precisa de duas coisas: atendimento psicológico e uma medalha”, disse o cartunista na rede social.

Latuff, em entrevista à Fórum, afirma que a frase foi uma “provocação”. “Esse tema é tabu. Não podemos tratar da violência policial no Brasil. Vivemos em um Estado policial, e nesse Estado você não pode ser crítico, senão é ameaçado”, afirma o cartunista.

Uma mulher, identificada como Cardia Ma, que trabalharia na OAB de São Paulo e que, em seu perfil no Facebook diz ter trabalhado na Polícia Militar, mandou uma mensagem a Latuff: “Vc é um lixo humano…cai na minha frente que vou te mostrar como tratar uma pessoa como vc…vou meter a .40 [arma] na tua cara.”

O brigadista Giovani da Silva Pereira afirmou, no seu perfil do Facebook, que se encontrar Latuff, “baixa ele”. A página “Fardados e Armados”, também na rede social, alertou seus seguidores sobre o cartunista. “Guerreiros do Sul – RS, SC e PR se esbarrarem com esse sujeito já sabem de quem se trata. Declaradamente contra as forças policiais esse LIXO maconheiro está festejando a morte da família do Sargento Pesseghini da ROTA/SP.”

Na página “Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar Rota” outro alerta aos seguidores, em tom ofensivo. “O vagabundo cheira pó pelo lado errado e depois reclama que toma prensa da Polícia, Carlos Latuff sempre sendo infeliz, calado é um poeta”. Na sequência, nos comentários da publicação, muitas ameaças e ironias ao cartunista. Em um dos comentários, um dos admiradores da página sobre a Rota, afirma: “Se vc apoia esse lixo é terrorista igual e se é terrorista, tem mais é que morrer, lixo.”

Latuff afirma que não se arrepende da declaração e nem voltará atrás no que disse. “Quem quer fazer não ameaça, vai e faz. Mas estamos falando de uma polícia que mata mesmo. Não foi a primeira vez que recebo ameaças, se tratando da polícia, tudo pode acontecer, mas saibam que posso ser assassinado.”


Fonte: http://revistaforum.com.br/

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014