quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Santos (SP): 1ª. Feira Anarquista da Baixada Santista acontece em 23 de Agostos, das 10h às 18h – por ANA


Santos (SP): 1ª. Feira Anarquista da Baixada Santista acontece em 23 de Agostos, das 10h às 18h.
C o m u n i c a d o:

Informamos que no dia 23 de agosto de 2014 (na mesma data onde se recorda os 87 anos do assassinato legalizado dos anarquistas Nicola Sacco & Bartolomeo Vanzetti), será realizada a 1ª Feira Anarquista da Baixada Santista, na Vila do Teatro, na Praça dos Andradas, 95 (ao lado da rodoviária), Centro, Santos (SP), das 10h às 18h.

O evento pretende reunir várias editoras e coletivos para exporem suas publicações (livros, jornais, revistas, zines e outros materiais libertários), promovendo uma experiência associativa entre os grupos e as pessoas envolvidas, difundindo as ideias libertárias através de sua prática. Haverá venda, troca e distribuição gratuita de diversos materiais libertários.

Até o momento, temos as seguintes presenças confirmadas: Im/prensa Marginal (São Paulo), Ativismo Abc (Santo André-SP), Coletiva Marana (São Paulo), Biblioteca Terra Livre (São Paulo), Centro de Cultura Social (São Paulo), Editora Faísca (São Paulo), Editora Imaginário (São Paulo), Movimento Anarco-Punk (São Paulo), Laboratório de Educação Anarquista (São Paulo), De Bike No Velô Distro (São Paulo), Estrella Negra (Santiago/Chile), No Gods, No Masters (Itanhaém-SP), Hângü Cozinha Livre (Ilhabela-SP), 100% Vegetal (Guarujá-SP), Mães de Maio (Santos-SP), Santa Rosa Breakers (Guarujá-SP), Marcha da Maconha Santos (Santos-SP), Rádio da Juventude (São Vicente-SP), Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (Guarujá-SP).

Editoras de localidades distantes, que não poderão participar presencialmente da Feira, vão enviar suas publicações para a exposição.

Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições (murais), oficinas, apresentações teatrais, espaço recreativo para crianças, musicais, poesias e outras atividades.

O cronograma de atividades para a 1ª Feira Anarquista da Baixada Santista até o momento está assim:

10h – Exibição do documentário “Libertários”;
11h – Debate: “Editoras Anarquistas”;
12h – Oficina de Produção de Livros (Marina Knup – Imprensa Marginal);
13h – Contador de História para Crianças (Laboratório de Educação Anarquista);
13h – Roda de Conversa Sobre Gênero;
14h – Teatro: “Uma Palhaçada Federal” com Os Panthanas;
15h – Debate: “As Eleições Numa Perspectiva Anarquista”;
16h30 – Debate: “Presos Políticos no Chile” (Coletivo Estrella Negra) & “Terrorismo de Estado”, por Débora (Mães de Maio);
18h – Encerramento com os grupos musicais: Mano Shabba, Ktarse, Revolta Popular, Pânico Brutal, entre outros à confirmar.

A 1º Feira Anarquista da Baixada Santista está sendo organizada num esforço conjunto entre grupos e indivíduos envolvidos com o Movimento Libertário da Baixada Santista.

Todxs estão convidadxs!

A entrada é gratuita!

agência de notícias anarquistas-ana

Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual
Winston

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Será possível consumir sem alienar-se? – por Gabriela Leite


Será possível consumir sem alienar-se?

Novo aplicativo permite desvendar, pelo código de barras, práticas antiéticas que empresas tentam esconder. Ferramenta já é usada para boicotes — por exemplo, contra produtos israelenses

Imagine-se entrando em um supermercado para comprar uma garrafa de cerveja. Chegando lá, além de escolher pelo preço ou pelo sabor, você também pode analisar. Rejeita a marca que desrespeita os direitos dos trabalhadores. Evita aquela que faz publicidade machista. Por fim, escolhe a que utiliza ingredientes orgânicos. Na prateleira de cosméticos, pula os que ainda fazem testes em animais. Assusta-se ao perceber que uma das marcas faz parte de multinacional de alimentos. Finalmente, escolhe o creme hidratante da empresa que usa energia renovável.

Essa é a ideia do aplicativo Buycott (um trocadilho de “buy” — comprar, em inglês — com “boycott” — boicote). Criado por Darcy Burner, uma ex-desenvolvedora norte-americana da Microsoft, o programa para celulares ligados à internet baseia-se numa ferramenta do próprio capitalismo: o código de barras… Estimula os usuários escaneá-los, com o próprio telefone. E, ao identificar cada produto, associa seu fabricante a um banco de dados que pode tornar-se cada vez mais completo. Oferece todas as informações disponíveis: desde se o produto utiliza químicos cancerígenos até se a empresa apoia o direito dos transexuais.

O software é participativo. As classificações dos produtos são chamadas de campanhas, e podem ser criadas por qualquer usuário, dentro de algumas categorias. Algumas delas: direitos dos animais, justiça econômica, meio ambiente, comida, direitos humanos, direitos das mulheres. O usuário escolhe participar das campanhas que quiser e, em seguida, pode passar a escolher um produto de acordo com seus princípios pessoais.

No Brasil, ainda é bastante difícil achar produtos que estejam em listas. Isso pode ser rapidamente alterado. Depende apenas de que usuários da internet comecem a registrar produtos e criar campanhas. Isso permitiria diversos tipos de boicote: contra empresas que financiam certos políticos; contra uma indústria que esteja na lista do trabalho escravo; ou alguma marca cujo presidente mostrou-se contra os direitos das mulheres, por exemplo. Para testar, escaneamos o código de barras de dois produtos. O primeiro foi uma câmera Canon. Sobre ela, o aplicativo avisou: “você apoia esta marca por responsabilidade ecológica”, e mostrou que a marca está na lista positiva de “Energia limpa e renovável”. Acessamos seu site e vimos que realmente há uma campanha de reciclagem de toners de suas impressoras, por exemplo.

Já no momento em que fotografamos o código de barras de um cosmético da L’Oreal, o Boycott advertiu: “evite este produto”. Em seguida, explica: a marca faz parte do conglomerado da Nestlé. Por isso, está na lista suja de uma campanha de boicote à multinacional. O movimento adverte que o presidente da empresa, Peter Brabeck-Latmathe, já afirmou que “o acesso à água não é um direito humano”, e sua a indústria rouba a água potável de uma pequena comunidade no Paquistão, deixando seus habitantes passarem sede.
A L’Oreal ainda pertence a outra campanha: a “Long live Palestine, boycott Israel” (“longa vida à Palestina, boicote Israel”). Esta é uma das de mais sucesso nas últimas semanas, como afirma a página de trends do aplicativo — já tem 230 mil seguidores. “A L’Oreal estabeleceu Israel como seu centro comercial no Oriente Médio e aumentou o investimento e atividades manufatureiras”, alerta. Se acreditar que deve haver um boicote econômico a Israel, após o massacre na faixa de Gaza das últimas semanas, o consumidor pode escolher não comprar a marca. Se fizesse isso sozinho, sua ação não seria nem levemente sentida pela marca de cosméticos. Mas, em rede, essa atitude tende a crescrer consideravelmente — e, talvez, pode chegar até a incomodar a gigante Nestlé.

Por séculos, o consumo tem sido uma das bases do processo de alienação capitalista. Ao comprar algo, legitimamos e fortalecemos relações sociais que ignoramos. É como se nossos valores éticos fossem irrelevantes ou impotentes, e devêssemos consumir levando em conta apenas fatores superficiais: preço, aparência, publicidade, suposta “qualidade” do produto. Agora, parece que a tecnologia pode ser utilizada para atitudes distintas. Haverá consciência social suficiente para que elas se disseminem?

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Para não esquecermos que esse Estado não existe, sua existência é sinônimo de genocídio, intolerância, destruição e morte!

Abraão era iraquiano

Moisés era egípcio

Jesus era palestino

Theodor Herzl era austríaco

Golda Meier era russa

Shimon Perez é polaco

Issac Rabin era lituano

Nunca existiu um país chamado Israel

E a Bíblia não existiria não fosse a Palestina.

Fonte: http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br/

Judaísmo não é sionismo – por Breno Altman


Judaísmo não é sionismo

Governos sionistas fizeram Israel ocupar territórios que não lhe pertencem, impedindo a soberania de outro povo, o palestino.

O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, publicou na Folha um artigo instigante. O título embute uma premissa fundamental: "Antissionismo é antissemitismo". Trata-se de conveniente cláusula para interdição do debate: não seria possível confrontar as ideias de Theodore Herzl sem se confundir com os que levaram seis milhões de judeus ao extermínio.

Tal escudo moral, amparado na vitimização, resvala para o cinismo. Sucessivos governos sionistas, afinal, transformaram Israel em país ocupante de territórios alheios, impedindo a soberania de outro povo, o palestino. Os requintes de brutalidade para manter essa dominação colonial, nos últimos anos, ofendem a comunidade internacional. O álibi do Holocausto, nessas circunstâncias, constitui insulto à humanidade e à memória judaica.
Netanyahu afirmou que a incursão militar de Israel em Gaza é “justificada” e “proporcional”/ Agência Efe

Lottenberg nem sequer se refere ao massacre de Gaza, mesmo diante dos corpos de mulheres e crianças. Prefere apresentar versão edulcorada do sionismo, que seria "a expressão moderna da autodeterminação nacional judaica". Não faz qualquer questão de se diferenciar dos bandos mais reacionários, como o Likud de Benjamin Netanyahu.

O autor vai ainda mais longe. Para ele, os judeus "definem-se por uma religião (o judaísmo), uma língua (o hebraico) e uma terra (Israel)". De uma penada, expurgou, por exemplo, os judeus que são ateus, aqueles cuja língua é a do país no qual vivem e os que não consideram primordial a existência de Israel.

Atualmente hegemônico entre os judeus, o sionismo é apenas uma corrente de opinião, que se caracteriza por abordagem nacionalista. Não equivale a eventual código histórico-cultural dos povos judeus. Trata-se tão somente de uma orientação político-ideológica fundida à religião e ao Estado.

O epicentro de seu discurso sempre foi a criação de uma "pátria judaica". Vários dos fundadores do sionismo eram agnósticos, mas selaram aliança com chefes religiosos para reforçar seu poderio, ainda que às custas de construir o Estado de Israel como entidade confessional.

Ao contrário da autodeterminação dos negros na África do Sul pós-Mandela, forjando uma república laica e não racial, o nacionalismo sionista pressupõe supremacia judaica e religião estatal. Essa concepção levou a uma nação com tripla personalidade: democracia para judeus, cidadania de segunda classe para árabes-israelenses e regime de apartheid para palestinos dos territórios ocupados.

Nem todos os sionistas, é verdade, são defensores do colonialismo. Muitos, como o próprio Lottenberg, são partidários da solução dos dois Estados e da retirada para as fronteiras anteriores a 1967. Constitui manobra repulsiva, porém, afirmar que seja antissemitismo a contraposição ao sionismo. Essa é a lógica que dirigentes sionistas sempre quiseram impor aos críticos da política belicista e expansionista de Israel.

Não é ser antissemita negar aos grupos dominantes do sionismo o direito de cometer crimes de limpeza étnica, discriminação e agressão armada contra o povo palestino.

Não são definitivamente antissemitas os judeus que, honrando longa história de participação nas lutas pela emancipação dos povos e pela paz, se apresentam para combater a doutrina supremacista que rege o Estado de Israel.

* Breno Altman é jornalista e diretor do site Opera Mundi
** Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (08/08).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Estado Genocida: Israel pede ajuda de parlamentares dos EUA para se defender de acusações de crimes de guerra – Redação

Israel pede ajuda de parlamentares dos EUA para se defender de acusações de crimes de guerra. 

Congressista norte-americano afirmou que Netanyahu quer combinar estratégia de defesa com Estados Unidos e evitar que caso vá à Corte Penal Internacional
 
O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu a políticos dos Estados Unidos que ajudem Israel a se defender das acusações de que o país teria cometido crimes de guerra durante a operação Margem Protetora na Faixa de Gaza. A informação foi revelada pelo congressista norte-americano Steve Israel em entrevista ao jornal New York Post.

“O primeiro ministro nos pediu que trabalhássemos juntos para garantir que essa estratégia de ir à Corte Penal Internacional não tenha sucesso”, disse o político do partido Democrata ao jornal norte-americano. O congressista fez parte de um grupo de deputados dos EUA que se encontrou com Netanyahu em Israel nesta quarta-feira (06/08).
Primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante coletiva de imprensa na última quarta-feira/ Agência Efe

Líderes palestinos tiveram uma reunião com representantes da Corte Penal Internacional nesta semana em Haia, sede do organismo internacional na Holanda, para fazer um pedido formal para participar do tribunal internacional. “Tudo o que aconteceu nos últimos 28 dias são evidências claras de crimes de guerra cometidos por Israel”, afirmou o Ministro de Assuntos Exteriores da Palestina, Riyad al-Malki, depois do encontro.

“Nós não temos dificuldade para demonstrar ou construir um caso. As evidências estão lá para as pessoas verem e coletarem. Israel claramente violou o direito internacional”, acusou.
O congressista norte-americano disse ao New York Post que Netanyahu “quer que os Estados Unidos usem todas as ferramentas que dispõem para, em primeiro lugar, assegurar que o mundo saiba que crimes de guerra não foram cometidos por Israel, mas sim pelo Hamas. E que Israel não pode ser julgado com um peso diferente”.

Netanyahu defendeu a conduta israelense na operação Margem Protetora durante uma coletiva de imprensa na última quarta-feira, chamando a incursão militar de “justificada” e “proporcional”.

Indícios crescentes
A Anistia Internacional (AI) informou nesta quinta-feira (07/08) que detectou "indícios crescentes" de ataques aparentemente deliberados do Exército de Israel contra hospitais e pessoal médico da Faixa de Gaza e pediu que seja feita uma investigação imediata.

Segundo esta organização pró-direitos humanos, esses supostos ataques causaram a morte de seis responsáveis do corpo médico. Desde o dia 17 de julho, os ataques contra hospitais, pessoal médico e pessoal de ambulância, incluindo quem tentava retirar pessoas feridas nos ataques israelenses, se intensificaram, de acordo com a AI.

Em sua nota, a AI divulga vários testemunhos de médicos, enfermeiros e ambulâncias que trabalham na região. "As espantosas descrições que os motoristas de ambulância e outros membros do pessoal médico fazem da atroz situação na qual têm que trabalhar, com bombas e balas matando ou ferindo seus colegas enquanto tentam salvar vidas, ilustram a sombria realidade da vida em Gaza", assinalou Philip Luther, diretor do Programa para o Oriente Médio e o Norte da África da Anistia Internacional.

Luther considerou que "ainda mais alarmantes são os crescentes indícios de que o Exército israelense atacou centros ou profissionais de saúde". Ele ainda lembra que "esses ataques estão terminantemente proibidos pelo direito internacional e constituiriam crimes de guerra" e acrescenta que "só servem para reforçar o argumento de que a situação deve ser enviada ao Tribunal Penal Internacional".
Mulher lamenta destruição no bairro de Khoza, na cidade de Janyunis, na Faixa de Gaza/ Agência Efe

A organização denuncia que houve equipamentos médicos que foram impedidos de ser levados a áreas críticas, privando assim centenas de civis feridos de uma assistência que poderia salvar-lhes a vida e deixando famílias inteiras sem ajuda para retirar os corpos de seus parentes.

Comissão israelense
No dia 3 de agosto, o Exército israelense organizou uma equipe que tem como missão recompilar informações e provas sobre a ofensiva contra o Hamas, em Gaza, para se defender de eventuais acusações de crimes de guerra.

De acordo com o jornal Haaretz, a equipe é liderada pelo chefe do Escritório de Planejamento do Exército israelense, Nimrod Sheffer, e inclui membros da Procuradoria Militar, do Comando Sul, da Divisão de Gaza e da Força Aérea. Representantes do Ministério das Relações Exteriores também farão parte do grupo.

O trabalho da equipe será buscar provas que testemunhem o uso da população civil como escudo humano por parte das facções armadas palestinas, em particular vídeos e documentação em poder da Força Aérea.

Fonte:  http://operamundi.uol.com.br/

Poder e ignomínia: ofuscados por Israel, cegos em Gaza – por Tariq Ali


Poder e ignomínia: ofuscados por Israel, cegos em Gaza

No dia 16 de julho, recebi quatro ligações da BBC. Na primeira, perguntaram se poderiam contar comigo para uma entrevista sobre Gaza? 

O Senado norte-americano vota de modo unânime para defender Israel, incluindo o senador Bernie Sanders, de Vermont. Não acredito que ele tenha feito por dinheiro. É um membro assíduo do PETEI (“Progressistas em Tudo, Exceto Israel”), o segmento liberal da sociedade norte-americana que não é progressista em muitas coisas, incluindo Israel.

Tomemos, como exemplo, o caso do “coronel” Sanders. Eu pensava que meu finado amigo Alexander Cockburn às vezes era muito duro com Sanders, mas eu me enganei. Sanders leva muito tempo sendo um puxa-saco, tal como nos informou Thomas Naylos, desfazendo os mitos que rodeiam o senador no artigo do CounterPunch em setembro de 2011:

“Ainda que possa ter sido socialista no passado, nos anos 1980, quando era prefeito de Burlington [Vermont], hoje socialista é o que ele não é. Ele mais se comporta como um tecnofascista disfarçado de liberal, que respalda todas as repugnantes guerrinhas do presidente Obama no Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão, Somália e Iêmen. Dado que sempre “apoia as tropas”, Sanders nunca se opõe a qualquer projeto de lei de gastos com Defesa. Respalda todos os contratistas militares que levam a Vermont postos de trabalho muito necessários.

O senador Sanders raramente perde a oportunidade de fazer foto com as tropas da Guarda Nacional de Vermont quando elas são enviadas ao Afeganistão ou ao Iraque. Está sempre no Aeroporto Internacional de Burlington quando elas voltam. Se Sanders apoiasse de verdade as tropas de Vermont, votaria rapidamente para acabar com todas as guerras”.

Um voto unânime no Senado é raro. Portanto, o que explica o fato de ele ser mais leal a Israel do que o são vários judeus críticos desse mesmo país? Um fator importante é, sem dúvida, o dinheiro. No ano de 2006, quando a London Review of Books publicou um artigo (encarregado e rechaçado pelo Atlantic Monthly) dos professores Walt e Mearsheimer sobre o grupo de pressão israelense, produziu-se a habitual agitação dos suspeitos habituais. Não do defundo Tony Judt, que defendeu publicamente a publicação do texto e que se viu submetido a violentas ameaças e a odiosas correspondências por parte de já sabemos quem.

A New York Review of Books, por acaso envergonhada de sua falta de determinação nessa questão, entre outras coisas, encomendou um texto a Michael Massing que apontava alguns erros do ensaio de Mearsheimer/Walt, mas, ao mesmo tempo, proporcionava algumas cifras interessantes. Seu artigo merece ser lido como um todo, mas o seguinte trecho ajuda a explicar o voto unânime de apoio à atuação israelense:

“Os defensores do AIPAC [Comitê de Ação Política Norte-americano-Israelense] gostam de defender que seu exército se explica por sua capacidade de explorar as oportunidades que dispõe na América do Norte democrática. Até certo ponto, é verdade. O AIPAC dispõe de uma formidável rede de apoio dos EUA. Seus 100 mil membros – aumentaram em 60% nos últimos 5 anos – têm controle das nove oficineas regionais do AIPAC, suas dez oficinas satélite, e uma equipe em Washington de mais de cem pessoas pessoas em Washington – entre elas, gestores, pesquisadores, analistas, organizadores, publicitários, respaldados por um orçamento de 47 milhões de dólares... Essa descrição, no entanto, não abarca um elemento-chave do êxito do AIPAC: o dinheiro. O mesmo AIPAC não é um Comitê de Ação Política [entidades que recolhem dinheiro para campanha política nos EUA]. Após avaliar o histórico de voto e as declarações públicas, elas proporcionam informações a esses comitês, que dão dinheiro aos candidatos. O AIPAC as ajuda a decidir quem são os amigos de Israel de acordo com os critérios do AIPAC. O Center for Responsive Politics, um grupo apartidário que analisa as contribuições políticas, recolhe uma lista de um total de 36 pró-israelenses, que no conjunto doaram 3,14 milhões de dólares aos candidatos nas eleições de 2014. os doadores pró-israelenses dão muito mais milhões. Nos últimos cinco anos, por exemplo, Robert Asher, junto de vários de seus parentes (um mecanismo habitual para maximizar os aportes), doou 148 mil dólares, sobretudo me somas de mil ou 2 mil dólares, a um ou outro candidato.

Um antigo membro do AIPAC me descreveu como esse sistema funciona. Um candidato entra em contato com o AIPAC e expressa suas fortes simpatias por Israel. O AIPAC informa que não patrocina candidatos, mas se oferece a apresentar pessoas que podem apoiá-los. O candidato será apresentado a um associado ao AIPAC para que este atue como uma pessoa de contato. Reunirão cheques de 500 ou mil dólares provenientes de doadores pró-israelenses e enviarão ao candidato com uma clara identificação com as opções políticas dos doadores (tudo isso é perfeitamente legal). A isso se acrescentam reuniões para arrecadar fundos em diversas cidades. Frequentemente, os candidatos vêm de Estados com uma população judia insignificante.

Um membro do pessoal do Congresso me contou o caso de um candidato democrata de um estado montanhoso que, desejoso de ter acesso ao dinheiro pró-israelense, contatou o AIPAC, que lhe designou um executivo de Manhattan ansioso por ascender na organização do AIPAC. O executivo organizou uma reunião para arrecadar fundos em seu apartamento do Upper West Side, e o candidato saiu dali com 15 mil dólares. No reduzido mercado de anúncios televisivos e de imprensa em seu estado, essa soma demonstrou ser um fator importante. Assim o congressista se transformou em um dos vários membros nos quais se pode confiar para votar seguindo os desígnios do AIPAC (a pessoa em questão me deu o nome do congressista, mas me pediu que não o dissesse para evitar a vergonha).

Tudo isso é possível graças à política oficial norte-americana desde 1967. Se os EUA chegasse algum dia a modificar sua posição sobre esse assunto, os votos unânimes seriam impossíveis. Mas nem sequer nos EUA chegaram a proibir as manifestações públicas que se opõem à brutalidade israelense e o consequente desdobramento do terror estatal.

Em um fim de semana (18-19 de julho de 2014) no qual houve manifestações em diversas partes do mundo, o governo francês proibiu uma marcha em Paris organizada por inúmeros grupos – entre eles, várias organizações judias não sionistas da França. Desafiaram a proibição. Vários milhares de pessoas se vieram em meio a gases lacrimogêneo lançados pelas odiadas CRS (as Companhias Republicanas de Segurança). O primeiro-ministro Manuel Valls – desesperado oportunista e neocon, açoite dos romanos na França, que compete com Le Pen pelo volto da direita, e é um enfeite, nada surpreendentemente, de um Partido Socialista Francês que continua o modelo de um desavergonhado embusteiro e criminoso de guera (Tony Blair) – explicava a proibição em razão de “não fomentar o antissemitismo” etc. O controle do grupo de pressão de Israel na França é total. Domina a cultura dos meios de informação franceses e as vozes críticas a Israel (tanto judias como não judias) ficam efetivamente caladas.

O poeta e crítico israelense Yitzhak Laor (cujas obras, que retratam a brutalidade dos soldados israelenses, foram às vezes proibidas em seu próprio país) descreve a nova ascensão do eurossionismo em termos mordazes. A “ofensiva filossemita” é ahistórica:

Seria simplista considerar essa cultura memorial como uma crise tardia da consciência internacional, ou um sentido da justiça histórica que tardou tanto tempo em se materializar...

A maioria dos membros da Assembleia Geral das Nações Unidas surgiram de um passado colonial: são descendentes dos que sofreram genocídios na África, Ásia ou América Latina. Não deveria haver razão alguma para que a comemoração do genocídio implementado pelos judeus levasse a bloquear a memória desses milhões de africanos ou indígenas americanos assassinados pelos civilizados invasores ocidentais de seus respectivos continentes.

A explicação de Laor é que, com o desaparecimento da velha dicotomia amigo-inimigo da Guerra Fria, era preciso encontrar na Europa um novo inimigo global:

No novo universo moral do “fim da história”, havia uma abominação – o genocídio judeu – em torno da qual que todos podiam se unir para condenar; e o que é igualmente importante, ficava firmemente no passado. Sua comemoração serviria tanto para consagrar a tolerância liberal-humanista da nova Europa frente ao “outro (que é como nós)” e redefinir “o outro” (que é diferente de nós)” em termos de fundamentalismo muçulmano.

Laor desmonta habilmente os Glucksmann, os Henri-Levy e os Finkelkrauts, que dominam a imprensa escrita e televisiva na França de hoje. Depois de abandonar suas crenças marxistas de juventude no final dos anos 1970, fizeram as pazes com o sistema. O surgimento de uma corrente ultrassionista na França é anterior, no entanto, aos “Novos (sic) Filósofos”. Tal como explicou o professor Gaby Piterburg em sua resenha dos ensaios de Laor na New Left Review:

Igual a dos EUA foi a guerra de 1967, que instou a uma mudança decisiva na consciência judia francesa. Um jovem comunista, Pierre Goldman, descreveu a “gostosa fúria” de uma manifestação pró-israelense no bulevar Saint-Michel, onde se encontrou com outros camaradas, “marxistas-leninistas e supostos antissionistas regozijados pela capacidade de guerra das tropas de Dayan”. Mas a reação política do Eliseu foi oposta à da Casa Branca. Alarmado pelo fato de Israel bagunçar o equilíbrio de poder no Oriente Médio, de Gaulle ordenou a agressão, e descreveu os judeus como “um povo de elite, seguro de si mesmo e dominante”.

As organizações judias francesas que haviam dado como certa uma política exterior pró-israelense começaram a se organizar sobre uma base política, ao passo que Pimpidou e Giscard continuavam o embargo de armas de de Gaulle nos anos 1970.

Em 1976, o Comitê Judeu Ação (CJA) organizou um “dia de Israel”, que mobilizou 100 mil pessoas. Em 1977, o CRIF, conselho representativo de cerca de 60 organismos judeus, anteriormente agradável, elaborou uma nova carta na qual denunciava o “abandono de Israel” por parte da França, publicada pelo Le Monde como documento de fato. Nas eleições presidenciais de 1981, o fundador do CJA, Henri Hajdenberg, fez uma campanha a favor de um voto judeu contrário a Giscard; Mitterrand venceu por uma margem de 3%. Acabara o boicote e Mitterrand se tornou o primeiro presidente a visitar Israel. Ficou assim selada uma cálida relação entre o CRIF e a elite do Partido Socialista, e se cobriu com um discreto voto de silêncio o papel de Mitterrand durante a guerra como funcionário de Vichy.

[Uma breve nota: quando o professor Piterburg (antigo oficial das FDI, o exército israelense) é atacado pelos sionistas em suas intervenções públicas, acusando-o de ser um “judeu que odeia a si mesmo”, ele responde dessa forma: “Não odeio a mim mesmo, mas sim a vocês”.]

O mesmo vale para a França oficial. O país é diferente. As pesquisas de opinião revelam que, no mínimo, 60% dos franceses se opõem ao que Israel está fazendo em Gaza. São todos antissemitas? Não podem influir nos meios de comunicação, certo? Porque estes estão absolutamente a favor de Israel. Será que a população francesa não ignora Hollande, Valls e os ideólogos mercenários que os apoiam?

E o que acontece com a Grã-Bretanha? Aqui tanto o Extremo Centro que governa o país como a “oposição” oficial devidamente apoiaram seus senhores de Washington. A cobertura dos recentes sucessos de Gaza na televisão estatal (BBC) foi tão espantosamente unilateral que houve manifestações em frente aos escritórios da BBC em Londres e Salford. A mínima experiência que eu mesmo tive com a BBC revela quão temerosos e pusilânimes que eles se sentem em seu interior. Conforme contei em meu blog da London Review of Books, aconteceu isto:

Na quarta-feira, 16 de julho, recebi quatro ligações do programa Good Morning Wales, da BBC.

Primeira ligação da manhã: poderiam contar comigo para uma entrevista sore Gaza amanhã de manhã? Respondi que sim.

Primeira ligação da tarde: eu podia contar o que falaria? Disse que (a) Israel é um estado assassino, mimado e malcriado pelos EUA e seus vassalos. (a) Apontar e matar crianças palestinas é um velho costume israelense. (c) A cobertura da Palestina feita pela BBC é abominável e, se não me cortasse, eu explicaria como e por quê.

Segunda ligação da tarde: estaria disposto a debater com alguém favorável a Israel? Respondi que sim.

Mensagem para meu telefone à tarde: sentimos muitíssimo. Houve um acidente em uma rodovia de Gales, de modo que decidimos derrubar sua intervenção.

Poucos cidadãos britânicos são conscientes do papel que seu país desempenhou na hora de criar esse imbróglio. Foi há muito tempo, quando a Grã-Bretanha era um império e não um vassalo, mas os ecos da história nunca se desvanecem. Não foi por acidente, mas intencionalmente, que os britânicos decidiram criar um novo Estado, e não foi apenas Balfour. O Centro de Informação Alternativa de Beit Sahour, uma organização conjunta de Israel e Palestina que promove a justiça, a igualdade e a paz de palestinos e israelenses, publicou recentemente um texto. Era uma menção do Informe Bannerman, escrito em 1907 pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Sir Henry Campbell-Bannerman, cuja importância estratégica fez com que fosse ocultado e não se tornasse público até muitos anos mais tarde.

“Existe um povo que controla espaços-territórios [os árabes] que agiram recursos ocultos e à vista. Dominam as interseções das rotas mundiais. Suas terras foram berço de civilizações e religiões humanas. Essa gente tem uma fé, uma língua, uma história e as mesmas aspirações. Nenhuma barreira natural aparta essas pessoas uma das outras... se, por azar, essa nação se unificasse em um Estado, tomaria o destino do mundo em suas mãos e separaria a Europa do resto do mundo. Levando tudo isso em comparação, deveria se implantar um corpo estranho no coração dessa nação para impedir a convergência de suas alas, de forma que possam esgotar seus poderes em intermináveis guerras. Também poderia servir ao Ocidente para conseguir seus cobiçados objetivos”.[1]

NOTA: [1] Dan Bar-On & Sami Adwan, THE PRIME SHARED HISTORY PROJECT, em Educating Toward a Culture of Peace, páginas 309–323, Information Age Publishing, 2006.
Tradução: Daniella Cambaúva

A Polícia Quer Extinguir as Subculturas Jovens da Inglaterra – por Hannah Ewens


A Polícia Quer Extinguir as Subculturas Jovens da Inglaterra
(Foto por Henry Langston.)

Ninguém – bom, talvez o Charles Bronson – curte ser perseguido pela polícia. Como descobrimos recentemente, isso é ainda mais chato quando o único crime da pessoa é ouvir um tipo relativamente pouco popular de hip hop e, às vezes usar maquiagem de palhaço.

O que mais preocupa nessa ofensiva do FBI aos juggalos é que isso não é novidade. Autoridades visam subculturas há décadas, provavelmente sob a premissa de que alguém vestido intencionalmente como um idiota e assistindo por vontade própria a, digamos, um show inteiro do Phish só pode ser completamente descolado de todas as normas e valores sociais. E isso, claro, se traduz num aumento da propensão a roubar restaurantes de fast food e jogar gatos em rios, levando ao declínio moral de toda uma geração.

O ex-parlamentar conservador Jocelyn Cadbury, por exemplo, culpou o punk e o rock pelo aumento da criminalidade no começo dos anos 1980, argumentando que isso criava um “ethos de violência”. E o governo Tory do começo da década de 1990 introduziu novas leis para impedir a garotada de se reunir em campos, ouvir house e ficar se abraçando.

Para ter uma ideia melhor de como a polícia reprimiu as subculturas jovens da Inglaterra, conversei com o doutor Chris A. Williams, professor de História Urbana e especialista em policiamento e crime, e com seu colega Andrew Wilson, da área da Sociologia, cujos estudos incluem tópicos como drogas e subculturas.

SCUTTLERS
Emergindo das favelas de Manchester no final do século 19, os scuttlers foram talvez a primeira subcultura jovem inglesa – se socar uns aos outros com cintos amarrados nos punhos pode constituir uma “cultura”. Andando pela cidade com tamancos com bico de latão, calças boca de sino e lenços amarrados no pescoço, eles pertenciam a várias gangues de jovens locais e viviam se desafiando para brigas (ou “scuttling”, como isso era chamado por volta de 1873), tentando provar que seu bairro era o mais durão da cidade.

Sabe-se lá o porquê, a polícia não gostava de ver a molecada se socando na rua, então perseguiu implacavelmente qualquer um que tivesse o mais vago envolvimento com esses grupos. “A resposta foi baseada no medo e nos altos níveis de violência”, explicou Williams. “A polícia não precisava saber muito sobre eles, ou ter a certeza de que eram scuttlers – eles podiam se parecer com qualquer jovem da classe trabalhadora.”

Graças à agressão da polícia, a sentenças pesadas e ao aumento dos clubes para juventude e associações de futebol – o que permitiu que os garotos dessem outro foco para sua energia –, os scuttlers já tinham desaparecido antes da virada do século.
 (Fotos por Derek Ridgers.)

SKINHEADS
Antes que os skinheads começassem a parecer alguém cooptado por racistas e estilistas holandeses, as autoridades já tinham designado a subcultura relativamente pacífica e apolítica como um perigo para a segurança pública. Afinal, raspar a cabeça e segurar a calça com suspensórios são claramente um sinal de que você curte atacar estranhos com um gargalo quebrado de garrafa. No entanto, como apontou Williams, muita dessa violência inicial foi fabricada pela própria polícia: “Tínhamos uma força policial muito mais classe trabalhadora na época”, ele explicou, “e criar problemas era uma coisa que eles apreciavam muito.”

Wilson acrescentou que os skinheads foram marcados desde o início e eram obrigados a tirar o cadarço dos sapatos em jogos de futebol para que não pudessem correr ou chutar pessoas. “Um elemento da moda skinhead era um pedaço de tecido no seu bolso da camisa”, informa. “Em clubes e bares, quem estivesse usando um desses não conseguia entrar. Em certo momento, muitos deles começaram a usar gravatas vermelhas, e isso era um sinal de alerta. O policiamento baseado no modo de vestir era implacável.”

SOULIES
A cena soul primordial do norte da Inglaterra era formada por adolescentes de regata e calças baggy roubando speed de químicos profissionais. Wilson – ele mesmo um solie na juventude – lembra que “os roubos aconteciam no meio da semana”, em preparação para o final de semana, antes de as pílulas clandestinas se mostrarem uma alternativa um pouco menos problemática do meio dos anos 1970 em diante.

A força policial gradualmente foi percebendo que todos aqueles porões tocando discos importados da Motown também estavam cheios de gente suada usando speed, e o clube Twisted Wheel, de Manchester – o epicentro da cena –, foi fechado em 1971 por pressão da polícia e da prefeitura local. “Era um jogo constante de gato e rato”, completa Wilson. “A polícia te puxava de lado e acendia um isqueiro perto dos seus olhos para ver a dilatação da pupila. Quem não passava no teste era separado dos outros e quem passava era mandado embora. Era um verdadeiro ritual.”
      Hippies em 1974, um deles usando uma placa de carro onde se lê “ARRIVE STONED” (foto via).

HIPPIES
O movimento hippie foi a primeira subcultura não pertencente à classe trabalhadora em que as forças de segurança realmente prestaram atenção. Claro, tentar estabelecer a paz mundial e compartilhar herpes não era crime, mas a produção em massa, distribuição e ingestão de LSD era. Isso os levou a ser a primeira subcultura sistematicamente policiada; em vez de bater arbitrariamente em qualquer adolescente, a polícia teve de se esforçar realmente. “Muitos esquadrões de combate às drogas decidiram se disfarçar”, explica Williams. “Os policiais deixavam o cabelo crescer e se disfarçavam como hippies por meses para poder fazer as prisões.”

Essa tática veio à tona durante a Operação Julie, no meio dos anos 1970. Visando derrubar dois grandes cartéis de LSD, a polícia treinou dezenas de agentes nos modos hippies – abrindo caminho para os futuros Mark Kennedys da polícia inglesa – e os despachou a uma fazenda no País de Gales que ficava em frente a uma cabana pertencente a um dos suspeitos. Depois de 13 meses de vigilância, 87 casas na Inglaterra e no País de Gales foram revistadas, o que levou à prisão de 120 suspeitos e à apreensão de 1,1 milhão de tabletes de ácido.

PUNKS
Os punks não foram tão diretamente visados pela polícia como outras subculturas, mesmo que seu comportamento captado pela mídia tenha criado um pânico moral generalizado – isso apesar de a cultura ter sido formulada por estudantes de arte tentando vender mais roupas fetichistas e camisetas com suásticas. Mesmo assim, a polícia estava de olho neles, tudo porque – como Williams colocou – “as comunidades punks e pós-punks eram fortemente alinhadas a políticas de esquerda. Eles eram simpatizantes dos mineiros, por exemplo.”

Previsivelmente, shows de punk eram mais difíceis de organizar. Em dezembro de 1976, Sex Pistols, The Clash e Johnny and the Heartbreakers se juntaram para a Anarchy Tour, uma série de apresentações por todo o Reino Unido. Muitos desses eventos foram cancelados pelos proprietários das casas de shows depois que a polícia local aumentou a apreensão de punks menores de idade e que a mídia nacional mordeu a isca, o que deixou implícito que as bandas e seus fãs não eram o tipo de gente que você queria se embebedando na sua propriedade.
(Fotos por Gavin Watson.)

RAVERS
Nem a polícia nem o governo do final dos anos 1980 sabiam realmente como lidar com os ravers no começo, porque, segundo Williams, esses garotos eram mais indefinidos quando comparados com subculturas mais facilmente reconhecíveis. “As pessoas que frequentavam raves não pareciam necessariamente estar indo a uma rave”, ele frisa. “Você não precisava se vestir de um jeito ridículo para fazer parte da subcultura.”

Claro, o Criminal Justice and Public Order Act foi aprovado em 1994, intensificando a legislação contra festas ilegais. As raves foram então transferidas para locais fechados, assim o governo podia taxar tudo e a polícia faria batidas nos clubes à procura de traficantes e de usuários.

O PEACE CONVOY
É difícil pensar em algo mais ameaçador que um bando de hippies educados andando pelo país, fumando maconha, cozinhando lentilha e tomando banho de rio. Talvez por isso os parlamentares do Tory da época comparavam esses viajantes da Nova Era a “bandidos medievais”, gangues que emboscavam e roubavam as pessoas nas florestas. Assim, a polícia invadiu o Stonehenge Free Festival em 1985, um incidente que depois ficaria conhecido como “a Batalha de Beanfield”.

A emboscada foi caótica, e os jornalistas da época relataram cenas terríveis de brutalidade policial. O repórter da ITN Kim Sabido disse: “testemunhei o tratamento policial mais brutal de toda minha carreira”. Veículos foram parados; janelas, estilhaçadas; e as pessoas, espancadas com cassetetes. Os agentes naturalmente disseram que isso foi uma resposta aos ataques dos hippies com paus, pedras e até coquetéis molotov. Acusações que, estranhamente, nunca mais foram mencionadas nos julgamentos que se seguiram.

De acordo com Williams, “essa foi a primeira vez na história britânica na qual uma subcultura não estava necessariamente sendo abertamente política, mas todos os seus elementos eram tratados como criminosos.”
                 Tempa T com um taco de beisebol (foto por James Pearson-Howes).

GRIME E GARAGE
De acordo com o professor, o grime e o garage são as primeiras duas subculturas que a polícia considera perturbadoras em muito tempo. Mesmo que ela não possa forçar uma casa de shows a cancelar uma apresentação de grime, “eles ameaçam revogar a licença do local”, explica Williams. “Eles também dificultam a realização de eventos de artistas que consideram problemáticos.” Um exemplo recente foi o show Just Jam no Barbican de Londres, que deveria contar com artistas como JME e Big Narstie. O evento foi cancelado um dia antes por motivos de “segurança pública”, ou seja, os donos do local cederam à pressão policial.

Todo esse controle gira em torno do Form 696, um formulário de avaliação que julga o risco de um suposto crime violento num evento (o Noisey lançou um documentário sobre o assunto no começo do ano). No formulário havia uma pergunta sobre a participação de alguma minoria étnica no evento, uma bandeira vermelha de racismo descarado removida depois, mas a questão continua implícita. Um modo preocupantemente efetivo de policiar uma subcultura musical inteira.

O FUTURO
“A polícia ganhou muito mais poder sobre questões de ordem pública nos últimos 20 anos”, disse Williams. “Hoje as autoridades ficam em cima de qualquer ajuntamento de pessoas.” E ele tem razão – é muito difícil manter as coisas mais calmas do que na época das raves, quando os jovens ingleses tinham de dirigir até um campo e torcer para que tivesse alguma coisa lá. Hoje a polícia geralmente sabe quando uma festa num armazém ou um encontro não programado num patrimônio da humanidade pode acontecer.

Mas para que serve toda essa vigilância? O Occupy – se é que você pode chamar isso de subcultura – esfriou tão rápido quanto começou. A última subcultura musical real do Reino Unido foi o emo – ou talvez a new rave, para quem morava perto do metrô –, e seu único impacto foram algumas manchetes equivocadas no Daily Mail e a proliferação de jovens adultos com os lóbulos da orelha arrombados. “A indústria da música está bloqueando modas genuínas”, sugeriu Williams. “Não vejo nenhuma grande gravadora lançando um single sobre todos os crimes tenebrosos que acontecem hoje em dia.”

Tradução: Marina Schnoor

(Reino Unido) Ativistas bloqueiam fábrica israelense de armas – por ANA


(Reino Unido) Ativistas bloqueiam fábrica israelense de armas
Durante quase um mês, Israel bombardeou Gaza por terra, mar e ar. Mais de 1.800 palestinos perderam a vida e crimes de guerra foram cometidos. Para nossa vergonha coletiva, o governo do Reino Unido não só tomou medidas para pressionar Israel a deter seu massacre, mas se negou a tomar medidas para pôr fim ao apoio material que proporciona ao brutal regime de apartheid e o colonialismo israelense. Quando os governos apoiam crimes de lesa humanidade, os movimentos de base devem realizar ações diretas.

Um grupo de ativistas da rede “London Palestine Action” hoje (5 de agosto) se acorrentaram nas portas de uma fábrica de armas israelenses com sede em Birmingham, no Reino Unido, e quando se escreve este texto ocuparam o teto. Como parte do movimento de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) e em resposta a chamamentos à ação dos movimentos palestinos, estamos exigindo o fechamento definitivo da fábrica e o fim de todas as formas de comércio e cooperação militar com Israel.

A companhia que estamos ocupando, fabrica motores para aviões e é propriedade de Elbit Systems, a maior empresa militar de Israel e o maior produtor de aviões não tripulados no mundo. Motores de aviões não tripulados produzidos nesta fábrica foram exportados a Israel em 2010, 2011 e 2012. Assim mesmo, drones Elbit Systems estão sendo utilizados no massacre em curso de Israel. Qualquer argumento que os componentes fabricados nesta fábrica não estão sendo utilizados no atual ataque israelense contra Gaza não são críveis.

Drones são uma parte chave do arsenal militar de Israel. Ao permitir que esta fábrica exporte componentes de aviões não tripulados e outras armas a Israel, o governo do Reino Unido está proporcionando apoio e a aprovação direta dos massacres de Israel.

A fábrica também é uma parte chave do programa “Watchkeeper” em que Elbit Systems é líder na fabricação de uma nova geração de aviões não tripulados para o exército britânico. O zumbido “Watchkeeper” se baseia no Hermes 450, documentado como sendo utilizado para matar civis palestinos durante o ataque a Gaza em 2008-09. Elbit Systems comercializa seus drones como “provas de campo” – pelo que significa que seus aviões não tripulados demostraram ser eficazes para matar palestinos. O governo do Reino Unido importou tecnologia que se desenvolveu durante o curso dos massacres israelenses.

O primeiro ministro britânico, David Cameron, e o governo do Reino Unido tem sangue palestino em suas mãos. Com o objetivo de pôr fim a sua profunda cumplicidade com o sistema de ocupação, o colonialismo e o apartheid contra os palestinos por parte de Israel, se devem tomar medidas para impor um embargo militar sobre Israel completo e fechar a fábrica Elbit Systems imediatamente.

É mais importante que nunca que a solidariedade que construímos com a luta palestina seja eficaz e impactante. Israel não atua só, mas com o apoio dos governos e corporações de todo o mundo que tem nomes e endereços. É hora de que o movimento de solidariedade internacional intensifique suas ações diretas contra os que apoiam e se beneficiam do apartheid de Israel, a tomar medidas que possam conduzir a um verdadeiro isolamento de Israel.

Una-se ao movimento de boicote, desinvestimento e sanções (BDS)! Deixe de armar Israel!

London Palestine Action

Fonte: El Libertario
Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A meia lua esconde
por detrás dos pinheiros
sua embriaguez
Júlio Parreira

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Pesadelo em Gaza se intensifica com disputa de interesses – por Noam Chomsky


Pesadelo em Gaza se intensifica com disputa de interesses
4.ago.2014 - Palestino caminha em meio aos escombros no bairro de Shejaia, que, segundo testemunhas, foi fortemente atingido por ataques e bombardeios aéreos israelenses durante uma ofensiva no leste da Cidade de Gaza. A reconstrução das áreas danificadas em Gaza custará pelo menos US$ 6 bilhões
 
Em meio a todos os horrores que se desdobram na mais recente ofensiva israelense em Gaza, a meta de Israel é simples: calma por calma, um retorno à norma.

Para a Cisjordânia, a norma é Israel prosseguir com sua construção ilegal de assentamentos e infraestrutura, para que possa integrar a Israel tudo o que possa ser de valor, enquanto entrega aos palestinos os cantões inviáveis e os submete a repressão e violência.

Para Gaza, a norma é uma existência miserável sob um cerco cruel e destrutivo que Israel administra para permitir a mera sobrevivência e nada mais.
A mais recente violência israelense foi provocada pelo assassinato brutal de três meninos israelenses de um assentamento ocupado na Cisjordânia. Um mês antes, dois meninos palestinos foram mortos a tiros na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Isso provocou pouca atenção, o que é compreensível, já que é a rotina.

"O desprezo institucionalizado pela vida palestina no Ocidente ajuda a explicar não apenas por que os palestinos recorrem à violência", diz Mouin Rabbani, um analista de Oriente Médio, "mas também o mais recente ataque de Israel na Faixa de Gaza".

Em uma entrevista, o advogado de direitos humanos, Raji Sourani, que permaneceu em Gaza ao longo de anos de brutalidade e terror israelense, disse: "Isto é o que ouço com mais frequência quando as pessoas começam a falar sobre cessar-fogo: todo mundo diz que é preferível todos nós morrermos do que voltar à situação que tínhamos antes da guerra. Nós não queremos aquilo de novo. Nós não temos dignidade, não temos orgulho; nós somos apenas alvos fáceis e muito baratos. Ou esta situação realmente melhora ou é preferível simplesmente morrer. Eu estou falando de intelectuais, acadêmicos, pessoas comuns: todo mundo está dizendo isso".

Em janeiro de 2006, os palestinos cometeram um grande crime: eles votaram de forma errada em uma eleição livre cuidadosamente monitorada, entregando o controle do Parlamento ao Hamas.

A mídia repete constantemente que o Hamas se dedica à destruição de Israel. Na verdade, os líderes do Hamas já deixaram claro repetidas vezes que o grupo aceitaria uma solução de dois Estados de acordo com o consenso internacional, que é bloqueado pelos Estados Unidos e Israel há 40 anos.

Em contraste, Israel se dedica à destruição da Palestina, fora algumas palavras ocasionais sem significado, e está implantando essa meta.

O crime dos palestinos em janeiro de 2006 foi punido imediatamente. Os Estados Unidos e Israel, seguidos vergonhosamente pela Europa, impuseram duras sanções à população errante, e Israel aumentou sua violência.

Os Estados Unidos e Israel rapidamente iniciaram planos para um golpe militar para derrubada do governo eleito. Quando o Hamas cometeu a afronta de desbaratar esses planos, os ataques israelenses e o cerco se tornaram mais severos.
Não deveria haver necessidade de revisar novamente o histórico desolador desde então. O cerco implacável e os ataques selvagens são pontuados por episódios de "corte da grama", usando a alegre expressão israelense para os exercícios periódicos de atirar nos peixes no laguinho, como parte do que chama de "guerra de defesa".

Assim que a grama é cortada e a população desesperada busca reconstruir algo após a destruição e os assassinatos, há um acordo de cessar-fogo. O cessar-fogo mais recente foi estabelecido após o ataque de Israel de outubro de 2012, chamada Operação Pilar de Defesa.

Apesar de Israel ter mantido seu cerco, o Hamas cumpriu o cessar-fogo, como reconhece Israel. As coisas mudaram em abril deste ano, quando o Fatah e o Hamas chegaram a um acordo de unidade estabelecendo um novo governo de tecnocratas, não afiliados a nenhum partido.

Israel ficou naturalmente furiosa, ainda mais quando até mesmo o governo Obama se juntou ao restante do Ocidente sinalizando aprovação. O acordo de unidade não apenas mina a alegação de Israel de que não pode negociar com uma Palestina dividida, como também ameaça a meta de longo prazo de dividir Gaza da Cisjordânia e a implantação de suas políticas destrutivas em ambas as regiões.
Algo precisava ser feito e uma oportunidade surgiu em 12 de junho, quando três meninos israelenses foram assassinados na Cisjordânia. Desde o início, o governo Netanyahu sabia que eles estavam mortos, mas fingiu o contrário, fornecendo assim a oportunidade para lançar uma campanha contra o Hamas na Cisjordânia.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu alegou ter conhecimento confirmando que o Hamas tinha sido o responsável. Isso também foi uma mentira.

Uma das principais autoridades de Israel a respeito do Hamas, Shlomi Eldar, informou quase imediatamente que os assassinos provavelmente vieram de um clã dissidente em Hebron, que há muito é um espinho no pé do Hamas. Eldar acrescentou que "estou certo que eles não receberam nenhum sinal verde da liderança do Hamas, eles simplesmente acharam que era o momento certo de agir".

A campanha de 18 dias após o sequestro, entretanto, teve sucesso em minar o temido governo de unidade e em aumentar acentuadamente a repressão israelense. Israel também realizou dezenas de ataques em Gaza, matando cinco membros do Hamas em 7 de julho.

O Hamas finalmente reagiu com seus primeiros foguetes em 19 meses, fornecendo a Israel o pretexto para a Operação Margem Protetora, em 8 de julho.

Em 31 de julho, cerca de 1.400 palestinos já tinham sido mortos, a maioria civis, incluindo centenas de mulheres e crianças. E três civis israelenses. Grandes áreas de Gaza foram transformadas em escombros. Quatro hospitais foram atacados, cada um deles representando um crime de guerra.

As autoridades israelenses enaltecem a humanidade do que chamam de "o exército mais moral do mundo", que informa aos moradores que suas casas serão bombardeadas. A prática é "sadismo, disfarçada hipocritamente como misericórdia", nas palavras da jornalista israelense Amira Haas: "Uma mensagem gravada exige que centenas de milhares de pessoas deixem suas casas já transformadas em alvo para seguirem para outro lugar, igualmente perigoso, a 10 quilômetros de distância".

De fato, não há lugar na prisão de Gaza que seja seguro do sadismo israelense, que pode até mesmo ter excedido os crimes terríveis da Operação Chumbo Fundido de 2008-2009.

As revelações hediondas provocaram a reação habitual do presidente mais moral do mundo, Barack Obama: grande solidariedade para com os israelenses, condenação amarga do Hamas e pedidos por moderação em ambos os lados.

Quando os atuais ataques terminarem, Israel espera estar livre para prosseguir com suas políticas criminosas nos territórios ocupados sem interferência, e com o apoio americano que desfrutava no passado.

Os moradores de Gaza estarão livres para voltar à norma em sua prisão israelense, enquanto na Cisjordânia, os palestinos podem assistir em paz enquanto Israel desmonta o que resta de suas posses.

Esse é o resultado provável caso os Estados Unidos mantenham seu apoio decisivo e virtualmente unilateral aos crimes israelenses e sua rejeição do antigo consenso internacional para um acordo diplomático. Mas o futuro será muito diferente se os Estados Unidos retirarem seu apoio.

Nesse caso, seria possível buscar a "solução duradoura" em Gaza que pedia o secretário de Estado americano, John Kerry, provocando condenação histérica em Israel, porque a frase poderia ser interpretada como pedido pelo fim do cerco e dos ataques regulares por Israel. E --horror dos horrores-- a frase poderia até mesmo ser interpretada como um pedido para implantação da lei internacional no restante dos territórios ocupados.

Há quarenta anos, Israel tomou a decisão fatídica de optar pela expansão em vez da segurança, rejeitando um tratado de paz plena oferecido pelo Egito, em troca da evacuação do Sinai egípcio ocupado, quando Israel estava iniciando extensos projetos de assentamento e desenvolvimento. Israel tem mantido essa política desde então.

Se os Estados Unidos decidissem se juntar ao mundo, o impacto seria grande. Repetidas vezes, Israel abandonou seus planos acalentados quando Washington assim exigia. Essa é a relação de poder entre eles.

Além disso, Israel conta com poucos recursos, após ter adotado políticas que a transformaram de um país altamente admirado em um que é temido e desprezado, políticas que hoje busca com determinação cega, em sua marcha para a deterioração moral e possível destruição final.

Será que a política americana poderia mudar? Não é impossível. A opinião pública mudou consideravelmente nos últimos anos, particularmente entre os jovens, e não pode ser completamente ignorada.

Por alguns anos, há boa base para exigências públicas para que Washington observe suas próprias leis e corte a ajuda militar a Israel. A lei americana exige que "nenhuma assistência de segurança deve ser fornecida a qualquer país cujo governo demonstre um padrão consistente de grave violação dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente".

Israel certamente é culpada desse padrão consistente, e o é há muitos anos.

O senador Patrick Leahy de Vermont, autor desse artigo da lei, levantou sua aplicabilidade potencial contra Israel em casos específicos, e com um esforço educativo, organizacional e de ativismo bem conduzido, essas iniciativas poderiam ser tentadas sucessivamente.

Isso poderia ter um impacto muito importante por si só, além de também fornecer um trampolim para ações adicionais para pressionar Washington a se tornar parte da "comunidade internacional" e cumprir as leis e normas internacionais.

Nada poderia ser mais significativo para as trágicas vítimas palestinas de tantos anos de violência e repressão.

* Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, Massachusetts.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/noam-chomsky/2014/08/05/pesadelo-em-gaza.htm