terça-feira, 7 de abril de 2020
Não pague por uma crise que não é sua! – por Artur Decone
Não pague por uma crise que não é sua!
Era uma vez uma ordem estabelecida que tinha como lógica principal te fazer trabalhar para você ter dinheiro para pagar para viver. Para! Agora um vírus de fácil contágio ameaçou essa ordem. Não é seguro conviver com outras pessoas e, portanto, não é seguro trabalhar. Logo, se não existe mais trabalho não existe mais dinheiro. Viva! Veja bem, quando você não tem trabalho, mas as outras pessoas têm, você está na merda sozinho. Quando ninguém tem trabalho, todos estamos na merda juntos. A matemática nos ensina que menos com mais é menos, mas menos com menos é mais! Então, na verdade, ninguém está na merda.
Os senhores que comandam essa ordem que não está mais tão estabelecida assim estão desesperados. Querem continuar te fazendo acreditar que o dinheiro deles vale alguma coisa. Querem que você corra riscos, não pela sua família como tentam te fazer acreditar, mas por eles! Sem a lógica do trabalho, os senhores não são mais necessários. E assim como a criança inocente que teve coragem de gritar que o rei estava nu¹, devemos ter coragem de não arcar com um problema que não é nosso.
Uma das provas de que essa antiga ordem não foi feita para o nosso bem estar é que a necessidade mais essencial que nós temos, a de ter um teto, é também a mais cara. E cada vez mais cara, por sinal. É a que representa a maior fatia do seu orçamento e, portanto, é a primeira que você deve abandonar nesse cenário onde não existe mais dinheiro. Fique tranquilo, em mais uma de muitas tentativas de mostrar que se importam com você, os senhores te darão uma esmola que é não poder ser despejado por um bom período de tempo caso você não pague. Mas lá na frente, assim que eles tiverem uma oportunidade de vestir novamente uma roupa e ir para o salão tentar restabelecer a ordem, eles jogarão nas suas costas uma dívida, que nada mais é do que outro dinheiro que não existe.
Quando esse momento chegar, e se ele chegar, quanto mais pessoas formos, mais força teremos. Na hora de definir as regras do jogo eles esqueceram de limitar o número de jogadores e acontece que temos muito mais jogadores do que mestres. Logo, está nas nossas mãos levantar da mesa e dizer que não queremos mais jogar! Lembre-se de duas coisas muito importantes: a culpa de nada disso que está acontecendo é sua e toda crise traz com ela uma oportunidade de construir algo novo.
Em abril, não pague o aluguel. Em maio também não. Enquanto essa crise durar, não pague. Converse com outras pessoas sobre a importância delas também não pagarem o aluguel. Esteja preparado e disponível para ajudar e ser ajudado quando os senhores vierem cobrar por algo que já sabemos que não existe mais.
Resistiremos juntos.
Há braços.
[1] Conto: A Roupa Nova do Rei: https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Roupa_Nova_do_Rei
agência de notícias anarquistas-ana
No outono as folhas
Caem e o caminho
Tapete se transforma
Dalva Sanae Baba
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/06/nao-pague-por-uma-crise-que-nao-e-sua/
Era uma vez uma ordem estabelecida que tinha como lógica principal te fazer trabalhar para você ter dinheiro para pagar para viver. Para! Agora um vírus de fácil contágio ameaçou essa ordem. Não é seguro conviver com outras pessoas e, portanto, não é seguro trabalhar. Logo, se não existe mais trabalho não existe mais dinheiro. Viva! Veja bem, quando você não tem trabalho, mas as outras pessoas têm, você está na merda sozinho. Quando ninguém tem trabalho, todos estamos na merda juntos. A matemática nos ensina que menos com mais é menos, mas menos com menos é mais! Então, na verdade, ninguém está na merda.
Os senhores que comandam essa ordem que não está mais tão estabelecida assim estão desesperados. Querem continuar te fazendo acreditar que o dinheiro deles vale alguma coisa. Querem que você corra riscos, não pela sua família como tentam te fazer acreditar, mas por eles! Sem a lógica do trabalho, os senhores não são mais necessários. E assim como a criança inocente que teve coragem de gritar que o rei estava nu¹, devemos ter coragem de não arcar com um problema que não é nosso.
Uma das provas de que essa antiga ordem não foi feita para o nosso bem estar é que a necessidade mais essencial que nós temos, a de ter um teto, é também a mais cara. E cada vez mais cara, por sinal. É a que representa a maior fatia do seu orçamento e, portanto, é a primeira que você deve abandonar nesse cenário onde não existe mais dinheiro. Fique tranquilo, em mais uma de muitas tentativas de mostrar que se importam com você, os senhores te darão uma esmola que é não poder ser despejado por um bom período de tempo caso você não pague. Mas lá na frente, assim que eles tiverem uma oportunidade de vestir novamente uma roupa e ir para o salão tentar restabelecer a ordem, eles jogarão nas suas costas uma dívida, que nada mais é do que outro dinheiro que não existe.
Quando esse momento chegar, e se ele chegar, quanto mais pessoas formos, mais força teremos. Na hora de definir as regras do jogo eles esqueceram de limitar o número de jogadores e acontece que temos muito mais jogadores do que mestres. Logo, está nas nossas mãos levantar da mesa e dizer que não queremos mais jogar! Lembre-se de duas coisas muito importantes: a culpa de nada disso que está acontecendo é sua e toda crise traz com ela uma oportunidade de construir algo novo.
Em abril, não pague o aluguel. Em maio também não. Enquanto essa crise durar, não pague. Converse com outras pessoas sobre a importância delas também não pagarem o aluguel. Esteja preparado e disponível para ajudar e ser ajudado quando os senhores vierem cobrar por algo que já sabemos que não existe mais.
Resistiremos juntos.
Há braços.
[1] Conto: A Roupa Nova do Rei: https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Roupa_Nova_do_Rei
agência de notícias anarquistas-ana
No outono as folhas
Caem e o caminho
Tapete se transforma
Dalva Sanae Baba
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/06/nao-pague-por-uma-crise-que-nao-e-sua/
quinta-feira, 2 de abril de 2020
A pandemia usada para esmagar trabalhadores - por José Álvaro de Lima Cardoso
A pandemia usada para esmagar trabalhadores
Enquanto medidas para proteger emprego e renda são implantadas no mundo todo, Paulo Guedes autoriza cortes de 50% nos salários. Desemprego abaterá milhões, mas ministro está disposto a sacrificar população em prol do mercado
A crise econômica mundial que se avizinha – bafejada agora pelo coronavírus — pegará o Brasil, como até as pedras já previam, no contrapé. Antes da pandemia, a fragilidade externa do país já tinha aumentado muito, a partir das medidas do golpe de 2016. Por exemplo, o governo Bolsonaro está queimando as reservas internacionais deixadas pelo governo Dilma Rousseff, na tentativa de deter o aumento do câmbio. Somente em março o Banco Central já injetou US$ 15,245 bilhões em recursos novos no mercado de câmbio, tentando conter a escalada do dólar. Mesmo assim o real foi a terceira moeda que mais se desvalorizou no mundo, perante o dólar norte-americano, em 2020.
Um dos vários efeitos demolidores do Corona se deu sobre a economia chinesa, principal motor da economia mundial há muitos anos. A produção industrial caiu 13,5% no primeiro bimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, uma queda superior à verificada na crise de 2008. Dos 41 maiores setores industriais, 39 tiveram redução na produção. As exceções foram petróleo e gás, e tabaco. Há previsões de que a queda no PIB chinês, no primeiro bimestre do ano, possa chegar a 13%. Como seria de esperar a economia como um todo mergulhou: vendas no varejo encolheram 20,5% ao ano no bimestre, a taxa de investimentos caiu 24,5%, a construção de imóveis caiu 44,9% nos dois primeiros meses do ano. Como os dados do primeiro bimestre incluem duas semanas de janeiro, nas quais a economia funcionou normalmente, tudo indica que os dados de março serão ainda mais devastadores.
A nós, meros mortais comuns, é sonegada muita informação, pois os donos do dinheiro não têm interesse em divulgar certas coisas. É, portanto, muito difícil estimar o risco de a crise contaminar a economia mundial como um todo, o chamado “risco sistêmico”. Segundo alguns analistas1 o risco dessa crise afetar o sistema mundial é muito mais grave em 2020, do que foi em 1979, 1987 ou 2008. Segundo o jornalista, informações de bastidores indicam que, nesta crise, o risco é mais alto de contaminação do mercado de derivativos, o que envolve trilhões de dólares. É uma verdadeira fábula de dinheiro aplicada em papéis sem lastro, investimentos financeiros completamente descolados da esfera real da economia.
Dois sintomas de que o risco sistêmico é elevado, apesar de a informação estar dissimulada pela maioria dos analistas internacionais: a) O Fed (banco central norte-americano) eliminou exigências de reservas bancárias nos bancos comerciais, o que significa uma expansão, como lembrou Pepe Escobar no artigo citado, “potencialmente ilimitada de crédito, para evitar uma implosão dos derivativos, decorrente de um colapso total de bolsas de mercadorias e ações em todo o mundo”; b) O governo alemão anunciou no dia 13/03 empréstimos “ilimitados”, que podem chegar a 550 bilhões de euros, para amparar as empresas em função da pandemia. Este plano de ajuda às empresas na Alemanha é mais significativo do que o utilizado na crise financeira de 2008. A crise na Alemanha, como no mundo, também é anterior ao coronavírus: considerado o motor da economia europeia, a Alemanha cresceu meros 0,6% em 2019, uma notável e clara desaceleração em relação a 2017 (2,5%) e 2018 (1,5%). A crise sanitária apenas piorou muito uma situação que já era ruim.
A pandemia, segundo a OIT na previsão mais moderada, poderá aumentar em 5,3 milhões o número de desempregados no mundo. No pior cenário, é possível que o número de desempregados cresça em 24,7 milhões, num universo, segundo a Organização, de 188 milhões de desempregados em 2019. Conforme previsão da OIT aumentará também o subemprego, com as inevitáveis reduções das jornadas de trabalho e dos salários. A Organização divulgou um cálculo da perda de renda pelos trabalhadores, com a crise, que deve ficar entre US$ 860 bilhões e US$ 3,4 trilhões até o fim deste ano.
A perspectiva de uma grande crise internacional, acelerada por uma brutal pandemia, está levando governos a optarem por ações drásticas, em todo o mundo. Não apenas no campo fiscal, tributário e creditício, mas em áreas diretamente ligadas ao controle da doença. Por exemplo, na Espanha o governo determinou que as autoridades de saúde estatais do país assumam o controle de hospitais privados, para atender e hospitalizar pacientes com coronavírus. Segundo o ministro da saúde da Espanha, a medida visa garantir por todos os meios a saúde e o interesse público e permitir que os cidadãos possam ser atendidos em condições de igualdade. O Ministério da Saúde espanhol determinou também que as empresas e laboratórios particulares que façam diagnósticos ou produzam máscaras e outros utensílios que possam ser usados no combate ao coronavírus, devem informar ao governo da sua existência e da sua capacidade produtiva em até 48 horas.
Em vários países se adotam medidas que protegem as pessoas da doença, e ao mesmo tempo procuram amortecer o impacto econômico e social para a população, preservando o emprego e a renda. Mas o governo e o parlamento brasileiros fazem exatamente o contrário, utilizando a crise como pretexto para a liquidação de direitos. Por exemplo, no dia 17/03, a portas fechadas, uma comissão mista do Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) 905, conhecida como Carteira de Trabalho Verde e Amarela. A medida reduz garantias relacionadas aos acidentes de trabalho e modifica, de 8% para 2%, a alíquota de contribuição ao FGTS paga pelo empregador. Também diminui de 40% para 20% a multa paga em caso de demissão, por exemplo.
Ao mesmo tempo o ministro da economia vem tentando acelerar no Congresso o processo de privatização da Eletrobras, aproveitando enquanto a sociedade tenta manter a saúde e sobreviver, ainda que à duríssimas penas. O mesmo Paulo Guedes recentemente listou 19 projetos ao Congresso, que são prioritários para o governo, absolutamente todos na direção de retirar direitos, enfraquecer o Estado e vender patrimônio público (dentre eles, autonomia do Banco Central, o Marco Legal do Saneamento e a MP do Emprego Verde Amarelo).
Nessa mesma lógica antipovo e de vergonhosa subserviência ao capital, o governo anunciou no dia 18 uma Medida Provisória que, dentre outras coisas, permitirá que as empresas reduzam em até 50% a jornada de trabalho e o salário dos seus empregados. Além da redução da jornada e salários as empresas poderão antecipar férias individuais, decretar férias coletivas e usar o banco de horas para dispensar os trabalhadores do serviço. Também poderão antecipar feriados não religiosos. A MP ainda permitirá ações visando simplificar o teletrabalho e a suspensão da obrigatoriedade dos exames médicos e treinamento obrigatórios.
Não fosse este o governo mais inimigo do povo de toda a história do Brasil, seria o momento para medidas fortes de proteção do emprego e da renda dos trabalhadores (que são 95% da população). Seria o momento de proibir demissões sem justa causa, instituindo garantia de emprego e de uma renda mínima de sobrevivência para os desempregados e informais, pelo menos enquanto durasse a pandemia. Seria o momento de revogar a Emenda Constitucional 95, imposta pelos banqueiros que ajudaram a financiar o golpe de 2016. Mas fazem o contrário e com tática bastante conhecida: aproveitar a confusão e a excepcionalidade do momento para rapidamente impor medidas que vão contra a esmagadora maioria da população, em favor dos grandes capitalistas e do sistema financeiro internacional.
1 Ver por exemplo o artigo Como o exército dos EUA pode ter levado o vírus à China, do bem informado Pepe Escobar, publicado em 17.03.20.
Fonte: https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/a-pandemia-usada-para-esmagar-trabalhadores/
Enquanto medidas para proteger emprego e renda são implantadas no mundo todo, Paulo Guedes autoriza cortes de 50% nos salários. Desemprego abaterá milhões, mas ministro está disposto a sacrificar população em prol do mercado
Imagem: John Langley Howard,
California Industrial Scenes (1933)
A crise econômica mundial que se avizinha – bafejada agora pelo coronavírus — pegará o Brasil, como até as pedras já previam, no contrapé. Antes da pandemia, a fragilidade externa do país já tinha aumentado muito, a partir das medidas do golpe de 2016. Por exemplo, o governo Bolsonaro está queimando as reservas internacionais deixadas pelo governo Dilma Rousseff, na tentativa de deter o aumento do câmbio. Somente em março o Banco Central já injetou US$ 15,245 bilhões em recursos novos no mercado de câmbio, tentando conter a escalada do dólar. Mesmo assim o real foi a terceira moeda que mais se desvalorizou no mundo, perante o dólar norte-americano, em 2020.
Um dos vários efeitos demolidores do Corona se deu sobre a economia chinesa, principal motor da economia mundial há muitos anos. A produção industrial caiu 13,5% no primeiro bimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, uma queda superior à verificada na crise de 2008. Dos 41 maiores setores industriais, 39 tiveram redução na produção. As exceções foram petróleo e gás, e tabaco. Há previsões de que a queda no PIB chinês, no primeiro bimestre do ano, possa chegar a 13%. Como seria de esperar a economia como um todo mergulhou: vendas no varejo encolheram 20,5% ao ano no bimestre, a taxa de investimentos caiu 24,5%, a construção de imóveis caiu 44,9% nos dois primeiros meses do ano. Como os dados do primeiro bimestre incluem duas semanas de janeiro, nas quais a economia funcionou normalmente, tudo indica que os dados de março serão ainda mais devastadores.
A nós, meros mortais comuns, é sonegada muita informação, pois os donos do dinheiro não têm interesse em divulgar certas coisas. É, portanto, muito difícil estimar o risco de a crise contaminar a economia mundial como um todo, o chamado “risco sistêmico”. Segundo alguns analistas1 o risco dessa crise afetar o sistema mundial é muito mais grave em 2020, do que foi em 1979, 1987 ou 2008. Segundo o jornalista, informações de bastidores indicam que, nesta crise, o risco é mais alto de contaminação do mercado de derivativos, o que envolve trilhões de dólares. É uma verdadeira fábula de dinheiro aplicada em papéis sem lastro, investimentos financeiros completamente descolados da esfera real da economia.
Dois sintomas de que o risco sistêmico é elevado, apesar de a informação estar dissimulada pela maioria dos analistas internacionais: a) O Fed (banco central norte-americano) eliminou exigências de reservas bancárias nos bancos comerciais, o que significa uma expansão, como lembrou Pepe Escobar no artigo citado, “potencialmente ilimitada de crédito, para evitar uma implosão dos derivativos, decorrente de um colapso total de bolsas de mercadorias e ações em todo o mundo”; b) O governo alemão anunciou no dia 13/03 empréstimos “ilimitados”, que podem chegar a 550 bilhões de euros, para amparar as empresas em função da pandemia. Este plano de ajuda às empresas na Alemanha é mais significativo do que o utilizado na crise financeira de 2008. A crise na Alemanha, como no mundo, também é anterior ao coronavírus: considerado o motor da economia europeia, a Alemanha cresceu meros 0,6% em 2019, uma notável e clara desaceleração em relação a 2017 (2,5%) e 2018 (1,5%). A crise sanitária apenas piorou muito uma situação que já era ruim.
A pandemia, segundo a OIT na previsão mais moderada, poderá aumentar em 5,3 milhões o número de desempregados no mundo. No pior cenário, é possível que o número de desempregados cresça em 24,7 milhões, num universo, segundo a Organização, de 188 milhões de desempregados em 2019. Conforme previsão da OIT aumentará também o subemprego, com as inevitáveis reduções das jornadas de trabalho e dos salários. A Organização divulgou um cálculo da perda de renda pelos trabalhadores, com a crise, que deve ficar entre US$ 860 bilhões e US$ 3,4 trilhões até o fim deste ano.
A perspectiva de uma grande crise internacional, acelerada por uma brutal pandemia, está levando governos a optarem por ações drásticas, em todo o mundo. Não apenas no campo fiscal, tributário e creditício, mas em áreas diretamente ligadas ao controle da doença. Por exemplo, na Espanha o governo determinou que as autoridades de saúde estatais do país assumam o controle de hospitais privados, para atender e hospitalizar pacientes com coronavírus. Segundo o ministro da saúde da Espanha, a medida visa garantir por todos os meios a saúde e o interesse público e permitir que os cidadãos possam ser atendidos em condições de igualdade. O Ministério da Saúde espanhol determinou também que as empresas e laboratórios particulares que façam diagnósticos ou produzam máscaras e outros utensílios que possam ser usados no combate ao coronavírus, devem informar ao governo da sua existência e da sua capacidade produtiva em até 48 horas.
Em vários países se adotam medidas que protegem as pessoas da doença, e ao mesmo tempo procuram amortecer o impacto econômico e social para a população, preservando o emprego e a renda. Mas o governo e o parlamento brasileiros fazem exatamente o contrário, utilizando a crise como pretexto para a liquidação de direitos. Por exemplo, no dia 17/03, a portas fechadas, uma comissão mista do Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) 905, conhecida como Carteira de Trabalho Verde e Amarela. A medida reduz garantias relacionadas aos acidentes de trabalho e modifica, de 8% para 2%, a alíquota de contribuição ao FGTS paga pelo empregador. Também diminui de 40% para 20% a multa paga em caso de demissão, por exemplo.
Ao mesmo tempo o ministro da economia vem tentando acelerar no Congresso o processo de privatização da Eletrobras, aproveitando enquanto a sociedade tenta manter a saúde e sobreviver, ainda que à duríssimas penas. O mesmo Paulo Guedes recentemente listou 19 projetos ao Congresso, que são prioritários para o governo, absolutamente todos na direção de retirar direitos, enfraquecer o Estado e vender patrimônio público (dentre eles, autonomia do Banco Central, o Marco Legal do Saneamento e a MP do Emprego Verde Amarelo).
Nessa mesma lógica antipovo e de vergonhosa subserviência ao capital, o governo anunciou no dia 18 uma Medida Provisória que, dentre outras coisas, permitirá que as empresas reduzam em até 50% a jornada de trabalho e o salário dos seus empregados. Além da redução da jornada e salários as empresas poderão antecipar férias individuais, decretar férias coletivas e usar o banco de horas para dispensar os trabalhadores do serviço. Também poderão antecipar feriados não religiosos. A MP ainda permitirá ações visando simplificar o teletrabalho e a suspensão da obrigatoriedade dos exames médicos e treinamento obrigatórios.
Não fosse este o governo mais inimigo do povo de toda a história do Brasil, seria o momento para medidas fortes de proteção do emprego e da renda dos trabalhadores (que são 95% da população). Seria o momento de proibir demissões sem justa causa, instituindo garantia de emprego e de uma renda mínima de sobrevivência para os desempregados e informais, pelo menos enquanto durasse a pandemia. Seria o momento de revogar a Emenda Constitucional 95, imposta pelos banqueiros que ajudaram a financiar o golpe de 2016. Mas fazem o contrário e com tática bastante conhecida: aproveitar a confusão e a excepcionalidade do momento para rapidamente impor medidas que vão contra a esmagadora maioria da população, em favor dos grandes capitalistas e do sistema financeiro internacional.
1 Ver por exemplo o artigo Como o exército dos EUA pode ter levado o vírus à China, do bem informado Pepe Escobar, publicado em 17.03.20.
Fonte: https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/a-pandemia-usada-para-esmagar-trabalhadores/
Aos 98 anos, morre em Atenas MANOLIS GLEZOS – por A.N.A.
Aos 98 anos, morre em Atenas MANOLIS GLEZOS
Manolis Glezos presente!
Manolis Glezos (09/09/1922-30/03/2020) um grande homem, antifascista e partisano. Junto com Lakis Santas, removeu a bandeira com a suástica alemã durante a ocupação nazi de Atenas, em maio de 1941.
Nascido na aldeia de Apiranthos, na ilha de Naxus, Manolis Glezos mudou-se para Atenas em 1935 e anos depois participou na criação de grupos de juventude antifascistas.
Em décadas de grande resistência, Glezos tinha sido encarcerado várias vezes pelos alemães, pelos italianos e depois pelos governos militares de direita gregos, sendo até torturado e posto em regime de isolamento.
Ele continuou a lutar contra o fascismo até o fim.
Imortal! Descansa no poder.
“Algumas pessoas dizem que num acordo também é necessário fazer algumas concessões. Mas por questão de princípio, entre o opressor e o oprimido não pode haver compromisso, da mesma forma que não pode haver compromisso entre o escravo e o tirano. A liberdade é a única solução.” – Manolis Glezos
Sem Fronteiras
Tradução: Ananás
agência de notícias anarquistas-ana
durmo sob uma oliveira
com o musgo
por travesseiro
Rogério Martins
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/01/grecia-aos-98-anos-morre-em-atenas-manolis-glezos/
Manolis Glezos presente!
Manolis Glezos (09/09/1922-30/03/2020) um grande homem, antifascista e partisano. Junto com Lakis Santas, removeu a bandeira com a suástica alemã durante a ocupação nazi de Atenas, em maio de 1941.
Nascido na aldeia de Apiranthos, na ilha de Naxus, Manolis Glezos mudou-se para Atenas em 1935 e anos depois participou na criação de grupos de juventude antifascistas.
Em décadas de grande resistência, Glezos tinha sido encarcerado várias vezes pelos alemães, pelos italianos e depois pelos governos militares de direita gregos, sendo até torturado e posto em regime de isolamento.
Ele continuou a lutar contra o fascismo até o fim.
Imortal! Descansa no poder.
“Algumas pessoas dizem que num acordo também é necessário fazer algumas concessões. Mas por questão de princípio, entre o opressor e o oprimido não pode haver compromisso, da mesma forma que não pode haver compromisso entre o escravo e o tirano. A liberdade é a única solução.” – Manolis Glezos
Sem Fronteiras
Tradução: Ananás
agência de notícias anarquistas-ana
durmo sob uma oliveira
com o musgo
por travesseiro
Rogério Martins
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/01/grecia-aos-98-anos-morre-em-atenas-manolis-glezos/
terça-feira, 31 de março de 2020
Coronavírus, por Raoul Vaneigem
Coronavírus, por Raoul Vaneigem
Questionar o perigo do coronavírus é certamente absurdo. Por outro lado, não seria igualmente absurdo o fato de que a interrupção da disseminação das infecções e doenças leve a uma exploração emocional das pessoas e desperte ainda mais a incompetência e a arrogância que já aconteceu nos tempos de guerra nuclear na Europa que se dizia que a nuvem vinda de Chernobyl tinha sido “barrada” na fronteira da França? Certamente, sabemos com que facilidade o fantasma do apocalipse sai de seu esconderijo para capturar o primeiro cataclismo que ocorre e para brincar com as imagens do dilúvio universal e para levar à culpa ao solo estéril de Sodoma e Gomorra.
A maldição divina foi um complemento útil ao poder. Pelo menos até o terremoto de Lisboa de 1755, quando o marquês de Pombal, amigo de Voltaire, aproveitou o terremoto para massacrar os jesuítas, reconstruir a cidade de acordo com suas ideias e liquidar com alegria seus rivais políticos através de testes “proto-estalinistas”. Não vamos a insultar Pombal, por mais odioso que seja, ao comparar seu golpe de estado ditatorial com as miseráveis medidas que o totalitarismo democrático atual aplica em todo o mundo à epidemia de coronavírus.
É muito cinismo culpar a disseminação da pandemia pela deplorável insuficiência dos recursos médicos utilizados! Durante décadas, o bem público foi esquecido e o setor hospitalar foi vítima de uma política que favorece interesses financeiros em detrimento à saúde dos cidadãos. Sempre há mais dinheiro para bancos e muito menos leitos e profissionais da saúde nos hospitais. Quais palhaçadas esconderão ainda mais sob o fato de que a gestão catastrófica, do que já é catastrofismo, é inerente ao capitalismo financeiro que é globalmente dominante; e que hoje luta globalmente em nome da vida, do planeta e das espécies a serem salvas.
Sem cair no ressurgimento do castigo divino, que é a ideia de que a Natureza se livra do Homem como um verme indesejável e prejudicial, não é inútil se lembrar que, por milênios, a exploração da natureza humana e da natureza terrestre impôs o dogma do anti-físico, da anti-natureza. O livro de Éric Postaire ‘Les Épidémies Du XXIe siècle’, publicado em 1997, confirma os efeitos desastrosos da desnaturalizão persistente, que venho denunciando há décadas. Referindo-se ao drama das “vacas loucas” (previsto por Rudolf Steiner já em 1920), o autor nos lembra que, além de estarmos indefesos contra certas doenças, percebemos que o próprio progresso científico pode causá-las. Em seu apelo por uma abordagem responsável das epidemias e seu tratamento, ele incrimina o que o prefeito Claude Gudin chama de “filosofia da caixa registrado”. Faz a seguinte pergunta: “Se subordinarmos a saúde da população às leis de benefício, a ponto de transformar animais herbívoros em carnívoros, não correremos o risco de causar catástrofes que seriam fatais para a Natureza e a Humanidade? Os governos, como sabemos, já responderam com um SIM unânime. Qual a importância disso já que o NÃO dos interesses financeiros continua a triunfar cinicamente?
O coronavírus foi necessário para demonstrar de maneira mais estreita que a desnaturalizão por razões de lucratividade tem consequências desastrosas para a saúde de todas as pessoas, saúde gerenciada sem desarmar a uma Organização Mundial cujas preciosas estatísticas explicam o desaparecimento de hospitais públicos? Existe uma clara correlação entre o coronavírus e o colapso do capitalismo global. Ao mesmo tempo, não é menos óbvio que o que está encobrindo e esmagando a epidemia de coronavírus é uma praga emocional, um medo histérico, um pânico que esconde a falta de tratamento e perpetua o mal ao assustar o paciente. Durante as grandes epidemias de pestes do passado, as pessoas faziam penitencia e se autoflagelavam para retirarem suas culpas. Não interessam aos gestores da desumanização global convencer as pessoas de que não há como escapar do destino miserável que lhes é imposto? Que tudo o que resta é o flagelo da servidão voluntária? A formidável máquina da mídia repete apenas repete a velha mentira do impenetrável e inescapável decreto celestial, no qual o dinheiro louco substituiu os Deuses do passado, os quais eram sedentos de sangue, instáveis e teimosos.
O desencadeamento da barbárie policial contra manifestantes pacíficos demonstrou amplamente que a lei militar é a única coisa que funciona efetivamente. Agora ela confina mulheres, homens e crianças à quarentena. Lá fora, o caixão; dentro da televisão, a janela aberta em um mundo fechado! É um condicionamento capaz de agravar o desconforto existencial, apoiando-se nas emoções desgastadas pela angústia, exacerbando a cegueira de uma raiva impotente.
Porém, mesmo a mentira dá lugar ao colapso geral. A cretinice estatal e populista atingiu seus limites. Não se pode negar que um experimento está sendo realizado. A desobediência civil está se espalhando e sonhando com sociedades radicalmente novas porque são radicalmente humanas. A solidariedade liberta a pele de ovelha individualista que cobria aos indivíduos, os quais não têm mais medo de pensar por conta própria.
O coronavírus se tornou o sinal revelador da falência do Estado. Pelo menos é algo que as vítimas de confinamento forçado devem pensar. Quando publiquei minhas “Modestes propositions aux grévistes”, alguns amigos me disseram como era difícil recorrer à recusa coletiva, que sugeri, para pagar impostos e taxas. Agora, no entanto, a comprovada falência do Estado corrupto é prova de um declínio econômico e social que está fazendo com que as pequenas e médias empresas, o comércio local, os pequenos proprietários, os agricultores familiares e até as chamadas profissões liberais absolutamente inadimplentes. O colapso do Leviatã conseguiu nos convencer mais rápido do que nossas resoluções para derrubá-lo.
O coronavírus fez ainda melhor. A cessação das atividades produtivas reduziu a poluição do mundo, salva milhões de pessoas da morte programada, a natureza respira, os golfinhos se divertem novamente na Sardenha, os canais de Veneza purificados do turismo de massa encontram água limpa, a bolsa de valores cai. A Espanha decide nacionalizar hospitais privados, como se redescobrisse a seguridade social, como se o Estado se lembrasse do Estado de bem-estar que ele mesmo destruiu.
Nada é dado como certo, tudo recomeça. A utopia continua caminhando por quatro patas. Vamos abandonar à sua inanidade celestial os bilhões de bilhetes e idéias vazias que circulam em nossas cabeças. O importante é “fazer nosso próprio negócio”, deixando que a bolha dos negócios se desfaça e imploda. Vamos tomar cuidado com a falta de ousadia e autoconfiança em nós mesmos!
Nosso presente não é o confinamento que a sobrevivência nos impõe, é a abertura a todas as possibilidades. É sob o efeito do pânico que o Estado oligárquico é forçado a adotar medidas que ontem declarou serem impossíveis. É o chamado da vida e da terra a serem restaurados que queremos responder. Quarentena incentiva a reflexão. O confinamento não suprime a presença da rua, ela a reinventa. Deixe-me pensar, com alguma ressalva, que a insurreição da vida cotidiana tem insuspeitas virtudes terapêuticas.
Terça-feira, 17 de março de 2020
Raoul Vaneigem
Tradução > Uma Mulher Anarquista
Fonte: https://lundi.am/Coronavirus-Raoul-Vaneigem
agência de notícias anarquistas-ana
Borboleta grande
Balançando comigo
Na rede do quintal.
Letícia Carlim de Oliveira – 9 anos
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/31/franca-coronavirus-por-raoul-vaneigem/
Questionar o perigo do coronavírus é certamente absurdo. Por outro lado, não seria igualmente absurdo o fato de que a interrupção da disseminação das infecções e doenças leve a uma exploração emocional das pessoas e desperte ainda mais a incompetência e a arrogância que já aconteceu nos tempos de guerra nuclear na Europa que se dizia que a nuvem vinda de Chernobyl tinha sido “barrada” na fronteira da França? Certamente, sabemos com que facilidade o fantasma do apocalipse sai de seu esconderijo para capturar o primeiro cataclismo que ocorre e para brincar com as imagens do dilúvio universal e para levar à culpa ao solo estéril de Sodoma e Gomorra.
A maldição divina foi um complemento útil ao poder. Pelo menos até o terremoto de Lisboa de 1755, quando o marquês de Pombal, amigo de Voltaire, aproveitou o terremoto para massacrar os jesuítas, reconstruir a cidade de acordo com suas ideias e liquidar com alegria seus rivais políticos através de testes “proto-estalinistas”. Não vamos a insultar Pombal, por mais odioso que seja, ao comparar seu golpe de estado ditatorial com as miseráveis medidas que o totalitarismo democrático atual aplica em todo o mundo à epidemia de coronavírus.
É muito cinismo culpar a disseminação da pandemia pela deplorável insuficiência dos recursos médicos utilizados! Durante décadas, o bem público foi esquecido e o setor hospitalar foi vítima de uma política que favorece interesses financeiros em detrimento à saúde dos cidadãos. Sempre há mais dinheiro para bancos e muito menos leitos e profissionais da saúde nos hospitais. Quais palhaçadas esconderão ainda mais sob o fato de que a gestão catastrófica, do que já é catastrofismo, é inerente ao capitalismo financeiro que é globalmente dominante; e que hoje luta globalmente em nome da vida, do planeta e das espécies a serem salvas.
Sem cair no ressurgimento do castigo divino, que é a ideia de que a Natureza se livra do Homem como um verme indesejável e prejudicial, não é inútil se lembrar que, por milênios, a exploração da natureza humana e da natureza terrestre impôs o dogma do anti-físico, da anti-natureza. O livro de Éric Postaire ‘Les Épidémies Du XXIe siècle’, publicado em 1997, confirma os efeitos desastrosos da desnaturalizão persistente, que venho denunciando há décadas. Referindo-se ao drama das “vacas loucas” (previsto por Rudolf Steiner já em 1920), o autor nos lembra que, além de estarmos indefesos contra certas doenças, percebemos que o próprio progresso científico pode causá-las. Em seu apelo por uma abordagem responsável das epidemias e seu tratamento, ele incrimina o que o prefeito Claude Gudin chama de “filosofia da caixa registrado”. Faz a seguinte pergunta: “Se subordinarmos a saúde da população às leis de benefício, a ponto de transformar animais herbívoros em carnívoros, não correremos o risco de causar catástrofes que seriam fatais para a Natureza e a Humanidade? Os governos, como sabemos, já responderam com um SIM unânime. Qual a importância disso já que o NÃO dos interesses financeiros continua a triunfar cinicamente?
O coronavírus foi necessário para demonstrar de maneira mais estreita que a desnaturalizão por razões de lucratividade tem consequências desastrosas para a saúde de todas as pessoas, saúde gerenciada sem desarmar a uma Organização Mundial cujas preciosas estatísticas explicam o desaparecimento de hospitais públicos? Existe uma clara correlação entre o coronavírus e o colapso do capitalismo global. Ao mesmo tempo, não é menos óbvio que o que está encobrindo e esmagando a epidemia de coronavírus é uma praga emocional, um medo histérico, um pânico que esconde a falta de tratamento e perpetua o mal ao assustar o paciente. Durante as grandes epidemias de pestes do passado, as pessoas faziam penitencia e se autoflagelavam para retirarem suas culpas. Não interessam aos gestores da desumanização global convencer as pessoas de que não há como escapar do destino miserável que lhes é imposto? Que tudo o que resta é o flagelo da servidão voluntária? A formidável máquina da mídia repete apenas repete a velha mentira do impenetrável e inescapável decreto celestial, no qual o dinheiro louco substituiu os Deuses do passado, os quais eram sedentos de sangue, instáveis e teimosos.
O desencadeamento da barbárie policial contra manifestantes pacíficos demonstrou amplamente que a lei militar é a única coisa que funciona efetivamente. Agora ela confina mulheres, homens e crianças à quarentena. Lá fora, o caixão; dentro da televisão, a janela aberta em um mundo fechado! É um condicionamento capaz de agravar o desconforto existencial, apoiando-se nas emoções desgastadas pela angústia, exacerbando a cegueira de uma raiva impotente.
Porém, mesmo a mentira dá lugar ao colapso geral. A cretinice estatal e populista atingiu seus limites. Não se pode negar que um experimento está sendo realizado. A desobediência civil está se espalhando e sonhando com sociedades radicalmente novas porque são radicalmente humanas. A solidariedade liberta a pele de ovelha individualista que cobria aos indivíduos, os quais não têm mais medo de pensar por conta própria.
O coronavírus se tornou o sinal revelador da falência do Estado. Pelo menos é algo que as vítimas de confinamento forçado devem pensar. Quando publiquei minhas “Modestes propositions aux grévistes”, alguns amigos me disseram como era difícil recorrer à recusa coletiva, que sugeri, para pagar impostos e taxas. Agora, no entanto, a comprovada falência do Estado corrupto é prova de um declínio econômico e social que está fazendo com que as pequenas e médias empresas, o comércio local, os pequenos proprietários, os agricultores familiares e até as chamadas profissões liberais absolutamente inadimplentes. O colapso do Leviatã conseguiu nos convencer mais rápido do que nossas resoluções para derrubá-lo.
O coronavírus fez ainda melhor. A cessação das atividades produtivas reduziu a poluição do mundo, salva milhões de pessoas da morte programada, a natureza respira, os golfinhos se divertem novamente na Sardenha, os canais de Veneza purificados do turismo de massa encontram água limpa, a bolsa de valores cai. A Espanha decide nacionalizar hospitais privados, como se redescobrisse a seguridade social, como se o Estado se lembrasse do Estado de bem-estar que ele mesmo destruiu.
Nada é dado como certo, tudo recomeça. A utopia continua caminhando por quatro patas. Vamos abandonar à sua inanidade celestial os bilhões de bilhetes e idéias vazias que circulam em nossas cabeças. O importante é “fazer nosso próprio negócio”, deixando que a bolha dos negócios se desfaça e imploda. Vamos tomar cuidado com a falta de ousadia e autoconfiança em nós mesmos!
Nosso presente não é o confinamento que a sobrevivência nos impõe, é a abertura a todas as possibilidades. É sob o efeito do pânico que o Estado oligárquico é forçado a adotar medidas que ontem declarou serem impossíveis. É o chamado da vida e da terra a serem restaurados que queremos responder. Quarentena incentiva a reflexão. O confinamento não suprime a presença da rua, ela a reinventa. Deixe-me pensar, com alguma ressalva, que a insurreição da vida cotidiana tem insuspeitas virtudes terapêuticas.
Terça-feira, 17 de março de 2020
Raoul Vaneigem
Tradução > Uma Mulher Anarquista
Fonte: https://lundi.am/Coronavirus-Raoul-Vaneigem
agência de notícias anarquistas-ana
Borboleta grande
Balançando comigo
Na rede do quintal.
Letícia Carlim de Oliveira – 9 anos
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/31/franca-coronavirus-por-raoul-vaneigem/
quarta-feira, 18 de março de 2020
domingo, 15 de março de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
ALERTA! Um novo golpe contra Mumia Abu-Jamal – por A.N.A.
ALERTA! Um novo golpe contra Mumia Abu-Jamal
A Suprema Corte da Pensilvânia assume o controle do caso de Mumia Abu-Jamal.
Esta é sua resposta à petição para “alívio extraordinário” apresentada por Maureen Faulkner e a Ordem Fraternal da Polícia (FOP) o ano passado para bloquear as apelações de Mumia.
Nesta segunda-feira (27/02), a Suprema Corte do estado da Pensilvânia, um bastião direitista de racismo e corrupção, anunciou que designaria um ‘mestre especial’ para investigar se o Promotor progressista Larry Krasner tem um conflito de interesses no exercício do caso. Um porta-voz disse que a decisão final sobre o fundo da petição seria deferida até receber as recomendações do mestre.
Esclarecemos que Maureen é a viúva do policial branco Daniel Faulkner, assassinado em 9 de dezembro de 1981. Mumia foi injustamente condenado à morte por isto apesar de sua inocência. Passou quase três décadas no isolamento do corredor da morte.
Desde outubro de 2011, viveu em população geral com a sentença de prisão perpétua, lutando desde sua cela com suas palavras de resistência e solidariedade.
Cabe assinalar que Krasner originalmente havia rechaçado as apelações de Mumia, mas em setembro do ano passado deixou sua oposição e sua Promotoria aprovou uma audiência de provas para apresentar evidência favorável a Mumia que havia sido suprimida. Com isto, Faulkner e a FOP começaram a atacá-lo.
Em apoio a sua solicitação, os inimigos principais de Mumia fizeram o ridículo argumento que Krasner era um advogado que representava os movimentos sociais e que defendeu os manifestantes detidos por agressão à polícia e vandalismo durante a Convenção Nacional Republicana de 2000 na Filadélfia. Os manifestantes no momento também mostraram seu apoio para Mumia, pedindo sua liberdade da prisão.
Por isso, disseram Maureen e a FOP, Krasner mostrava um conflito de interesses no caso de Mumia.
Um porta-voz da Promotoria respondeu que estes argumentos não tem sentido e contêm falácias na lógica.
Os inimigos de Mumia sempre fizeram todo o possível para assassiná-lo de uma maneira ou de outra. Perderam todas as suas apelações recentes e esta nova manobra é um esforço a mais para assegurar que morra na prisão.
Para nós, Mumia é uma inspiração – mestre, jornalista, historiador, analista, companheiro e irmão amado. Agora redobraremos nossos esforços para ganhar sua liberdade!
FREE MUMIA NOW!
MUMIA LIVRE JÁ!
Tradução > Sol de Abril
Conteúdo relacionado:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/11/eua-mumia-abu-jamal/
agência de notícias anarquistas-ana
tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis
Rosa Clement
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/27/eua-alerta-um-novo-golpe-contra-mumia-abu-jamal/
A Suprema Corte da Pensilvânia assume o controle do caso de Mumia Abu-Jamal.
Esta é sua resposta à petição para “alívio extraordinário” apresentada por Maureen Faulkner e a Ordem Fraternal da Polícia (FOP) o ano passado para bloquear as apelações de Mumia.
Nesta segunda-feira (27/02), a Suprema Corte do estado da Pensilvânia, um bastião direitista de racismo e corrupção, anunciou que designaria um ‘mestre especial’ para investigar se o Promotor progressista Larry Krasner tem um conflito de interesses no exercício do caso. Um porta-voz disse que a decisão final sobre o fundo da petição seria deferida até receber as recomendações do mestre.
Esclarecemos que Maureen é a viúva do policial branco Daniel Faulkner, assassinado em 9 de dezembro de 1981. Mumia foi injustamente condenado à morte por isto apesar de sua inocência. Passou quase três décadas no isolamento do corredor da morte.
Desde outubro de 2011, viveu em população geral com a sentença de prisão perpétua, lutando desde sua cela com suas palavras de resistência e solidariedade.
Cabe assinalar que Krasner originalmente havia rechaçado as apelações de Mumia, mas em setembro do ano passado deixou sua oposição e sua Promotoria aprovou uma audiência de provas para apresentar evidência favorável a Mumia que havia sido suprimida. Com isto, Faulkner e a FOP começaram a atacá-lo.
Em apoio a sua solicitação, os inimigos principais de Mumia fizeram o ridículo argumento que Krasner era um advogado que representava os movimentos sociais e que defendeu os manifestantes detidos por agressão à polícia e vandalismo durante a Convenção Nacional Republicana de 2000 na Filadélfia. Os manifestantes no momento também mostraram seu apoio para Mumia, pedindo sua liberdade da prisão.
Por isso, disseram Maureen e a FOP, Krasner mostrava um conflito de interesses no caso de Mumia.
Um porta-voz da Promotoria respondeu que estes argumentos não tem sentido e contêm falácias na lógica.
Os inimigos de Mumia sempre fizeram todo o possível para assassiná-lo de uma maneira ou de outra. Perderam todas as suas apelações recentes e esta nova manobra é um esforço a mais para assegurar que morra na prisão.
Para nós, Mumia é uma inspiração – mestre, jornalista, historiador, analista, companheiro e irmão amado. Agora redobraremos nossos esforços para ganhar sua liberdade!
FREE MUMIA NOW!
MUMIA LIVRE JÁ!
Tradução > Sol de Abril
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/11/eua-mumia-abu-jamal/
agência de notícias anarquistas-ana
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no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis
Rosa Clement
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/27/eua-alerta-um-novo-golpe-contra-mumia-abu-jamal/
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
Delbert Africa Livre! – por Mumia Abu-Jamal
Delbert Africa Livre!
O membro do MOVE Delbert Africa, encarcerado desde o
confronto do 8 de agosto de 1978, saiu de uma prisão no estado da Pensilvânia
após 42 anos.
Assim que saiu, Delbert, aos 69 anos, encontrou-se com
outros membros da Organização MOVE: Ramona, Pam, Janet, Janine, Mo, Mary,
Carlos e Consuelo Africa, que o receberam com um coro forte de ‘Viva John
Africa” e saudações do MOVE. Del estava animado e de bom humor, contando piadas
e comendo bolos.
O 8 de agosto de 1978 foi um dia infame pelo ataque à casa
coletiva do MOVE na comunidade Powelton Village, no oeste da Filadélfia.
Centenas de policiais dispararam milhares de balas contra a casa onde homens,
mulheres, meninas e meninos estavam no porão. Então eles jogaram canhões de
jatos de água, e o pessoal do MOVE teve que lutar para permanecer vivo naquele
lugar e não morrer afogado.
Ao sair da casa, Delbert foi espancado com fuzis por vários
policiais, pisoteado e brutalmente chutado.
Quando alguns dos policiais foram acusados de agredir Del,
eles não tinham com o que se preocupar. O juiz Stanley Kubacki ignorou os
vídeos do ataque e os livrou, mencionando, entre outras coisas, os músculos de
Delbert para justificar o espancamento.
Ironicamente, um dos policiais poderia ter tido mais sorte
se ele fosse mandado para a prisão, porque várias semanas após o julgamento,
sua própria esposa, também policial, atirou nele, deixando-o paralítico.
Delbert Africa, membro do MOVE, agora caminha livre após
passar 42 anos na prisão.
Desde a nação encarcerada, sou Mumia Abu-Jamal.
Segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
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agência de notícias anarquistas-ana
Luz do luar –
As águas brilhando
no véu da cachoeira!
As águas brilhando
no véu da cachoeira!
Bruno Mateus da Silva Castanheira – 10 anos
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/05/eua-delbert-africa-livre/
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
domingo, 22 de dezembro de 2019
Os 10 anarquistas mais marcantes da história e seus pensamentos – por André Nogueira
Os 10 anarquistas mais marcantes da história e seus pensamentos
De Bakunin a Nechayev, o movimento anarquista possui correntes diferentes e até opostas, mas o objetivo ainda é uma sociedade sem Estado e desigualdades.
Uma das mais radicais ideologias de esquerda, o anarquismo visa, principalmente, o fim de todo e qualquer tipo de dominação. Críticos ferrenhos do capitalismo e do próprio Estado, os anarquistas tem como horizonte uma sociedade baseada na auto-gestão e na cooperação entre seus integrantes. Para alcançá-la, porém, teóricos do movimento discordam e concordam entre si, criando diferentes vertentes dentro da ideologia revolucionária.
Conheça alguns dos principais nomes do anarquismo no mundo.
1. Piotr Kropotkin – Anarco-comunismo
Nascido numa abastada família nobre da Rússia, Kropotkin (1842-1921) é considerado por muitos o fundador do anarco-comunismo pacifista. Geógrafo, tinha uma visão racionalista e organizada do anarquismo, em que a violência e os símbolos do anarquismo, como a bandeira negra e a caveira, deveriam ser deixados de lado.
De tendências mutualistas, o anarquista russo abominava a violência e acreditava num mundo sem desigualdades baseado na dissolução do Estado e na cooperação voluntária e mútua entre homens livres, onde o salário não seria relevante e as ações sociais se pautassem na necessidade popular.
2. Pierre-Joseph Proudhon – Mutualismo
Também ligado ao pacifismo, Proudhon (1809-1865) foi economista e teórico político que carregava uma descrença na revolução violenta, creditando a desobediência civil como método correto. Como um dos fundamentadores de termos básicos do anarquismo, (mutualismo, cooperativas de crédito e federalismo) ele foi um dos primeiros a se autodeclarar anarquista, sendo chamado de socialista utópico por Marx, de quem foi próximo.
Proudhon escreveu diversos textos sobre a propriedade privada, chegando à famosa frase “A propriedade é um roubo!”. De tendências pragmáticas, sua ideologia seguiu o objetivo de encontrar alternativas cabíveis à realidade capitalista, defendendo a criação de cooperativas e um banco operário. Entretanto, suas obras não sobreviveram as oposições do próprio movimento.
3. Mikhail Bakunin – Coletivismo
Um dos maiores nomes do anarquismo, o revolucionário russo tinha como principio norteador a noção de liberdade, onde os militantes de esquerda deveriam lutar sem cair na armadilha de se tornarem os próximos tiranos. Assim, teve uma forte desavença com Marx, seu amigo pessoal, criticando o autoritarismo da proposta socialista.
Sua principal contribuição foi a conceitualização de coletividade, que é vista por ele como elemento essencial da liberdade. Na visão coletivista, que é bastante crítica a Proudhon, indivíduo e a sociedade são categorias defensáveis e com relações, e Bakunin (1814-1876) propõe uma análise dialética que permita o entendimento da sociedade capitalista com o objetivo de destruir o Estado e a propriedade privada.
4. Lev Tolstoi – Anarquismo cristão
Entrando para a História como um dos maiores escritores da Rússia e do mundo, Tolstói (1828-1910) foi também um teórico do anarquismo. Partindo de uma teologia política, ele acreditava que a corrente, como realidade social sem desigualdades e baseada na humanização das relações, era um elemento básico para a leitura dos Evangelhos.
A singularidade do russo está na superação da esquerda cristã do século 19, que defendia o fim das estruturas sem citar alternativas, enquanto Tolstói era a favor do fim da sociedade ortodoxa com o objetivo de atingir um Governo Soberano de Deus, com princípios anarquistas. Pacifista vegano, ele entendia que um dos principais problemas da Rússia era a dominação da população civil por um Estado fundido à Igreja.
5. Errico Malatesta – Voluntarismo
Com mais de 60 anos de militância anarquista, é difícil estabelecer o pensamento conciso do autor. Um dos principais elementos necessários é: Malatesta, que era essencialmente pragmático. Não tinha o objetivo de ser um teórico da política, ele foi um importante agente político em favor de greves e insurgências na Itália.
Defensor da noção pura de anarquismo, ele defendia não só o fim do Estado, mas o fim dos governos e, portanto, da ordem padronizada. A sociedade anarquista seria baseada na ação voluntária.
Negando as correntes hiper-racionalistas e futuristas no anarquismo, Malatesta defendia que é impossível se fundamentar uma sociedade sem moral, e que ela não deveria ser um alvo em si dos anarquistas. Ou seja, mais do que querer um mundo sem moral, era necessário extinguir a moral burguesa e fundamentar uma comunidade em que todos seriam legitimados pela cooperação interna dela.
6. José Oiticica – Anarquismo no Brasil
Mais conhecido como um profissional das letras do que teórico do anarquismo, Oiticica (1882-1957) entrou para a História do Brasil por suas atuações em São Paulo em nome da melhoria da vida dos trabalhadores e a criação de uma comunidade autônoma e igualitária.
Deixou sua marca durante a Greve Geral de 1918, inspirada na Revolução Russa. Além disso, foi jornalista, dramaturgo e poeta, criando e mantendo veículos que difundiam arte e discussões políticas do anarquismo.
Oiticica também tem relevância na História da Educação, pois foi um dos principais nomes da organização das Escolas Anarquistas do ABC, em que uniu as necessidades populares dos operários a quem ensinava com os princípios da sociabilidade anticapitalista, desenvolvendo um projeto de ensino e alfabetização verdadeiramente revolucionário.
7. Sergey Nechayev – Anarquismo Niilista
Um dos nomes mais renegados do anarquismo, Nechayev (1847-1882) integrou a uma espécie de escola conhecida como Anarquismo Niilista, que ao mesmo tempo em que não via sentido inexorável em nenhuma instância da vida, também negava uma forma única e funcional de realizar uma revolução. Para ele, a ordem era: fomentar a mudança utilizando qualquer meio necessário. Ou seja, violência política e terrorismo eram opções.
8. Emma Goldman – Anarcafeminismo
Nascida na Lituânia, Goldman (1869-1940) foi uma importante fomentadora de movimentos trabalhistas na América do Norte e creditada pela relevante união entre anarquismo e feminismo. Escreveu sobre temas diversos, como o capitalismo, as prisões, liberdade de expressão, aborto e contracepção, militarismo, casamento, amor livre, educação e homossexualidade. Sempre carregava um livro consigo, sabendo da possibilidade de ser injustamente presa.
Uma das pioneiras da luta pela emancipação das mulheres nos EUA e Canadá, ela é responsável por diversos ensaios e conferências que reuniam milhares de pessoas. Nunca separou a questão de gênero da questão de classe, associando sua luta de emancipação às questões sindicais, laborais e legais.
9. Buenaventura Durruti – Anarco-sindicalismo
Esse importante sindicalista espanhol foi um dos principais líderes da esquerda durante a resistência contra Franco na Guerra Civil Espanhola, comandando milhares de pessoas numa coluna que foi o maior agrupamento militar do período.
Um exímio crítico às estruturas engessadas da esquerda e ao pistoleirismo patronal das centrais sindicais espanholas, Durruti (1896-1936) destacando-se na Confederación Nacional del Trabajo, de caráter anarquista.
Seu papel operacional ganhou destaque na formação das milícias anarquistas que colaboraram com os republicanos no combate ao fascismo. Nunca escreveu nenhum tratado sobre o anarquismo e não se dedicou a uma teoria, mas sua atuação e seu legado são reconhecidos pelos grandes anarquistas, principalmente por ser de origem humilde, trabalhar como operário e organizar a insurgência armada.
10. Nestor Makhno – Plataformismo
O importante organizador militar da Ucrânia marcou a historia do anarquismo por seu confronto direto não apenas com os czaristas e conservadores, mas também com os antigos aliados comunistas durante a Guerra Civil Russa. Contra o autoritarismo de Lenin, comandou a Revolução Ucraniana, onde, a partir dos ideais anarco-comunistas, desenvolveu uma comunidade com pretensões igualitárias.
Quando foi exilado da Rússia, durante os expurgos bolcheviques, se deu conta do nível de desorganização de sua unidade, fazendo-o refletir e estabelecer a doutrina plataformista.
Segundo Makhno (1888-1934), faz-se necessário um nível organizativo e disciplinar sério para o sucesso do projeto anarquista, ou seja, a estruturação prática militar faz parte do projeto de emancipação, em que a unidade de libertação possui coesões ideológicas e de projeto, mas alguém dita as ordens táticas. “Fazer do anarquismo na luta de classes não uma questão episódica, mas um fator relevante”.
Saiba mais sobre anarquismo pelas obras abaixo:
1. Notas sobre o anarquismo, de Noam Chomsky – https://amzn.to/37LeH1V
2. Os Grandes escritos anarquistas, de George Woodcock – https://amzn.to/37KDB1C
3. História do Anarquismo, de Jean Préposiet – https://amzn.to/37IsshV
4. Anarquismo: O que significa?, de Emma Goldman – https://amzn.to/2qTyQ5g
Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos.phtml
agência de notícias anarquistas-ana
Som do vento, apenas…
E, na árvore, uma coruja —
Início de noite.
Marco Aurélio Goulart
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/19/os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos/
De Bakunin a Nechayev, o movimento anarquista possui correntes diferentes e até opostas, mas o objetivo ainda é uma sociedade sem Estado e desigualdades.
Uma das mais radicais ideologias de esquerda, o anarquismo visa, principalmente, o fim de todo e qualquer tipo de dominação. Críticos ferrenhos do capitalismo e do próprio Estado, os anarquistas tem como horizonte uma sociedade baseada na auto-gestão e na cooperação entre seus integrantes. Para alcançá-la, porém, teóricos do movimento discordam e concordam entre si, criando diferentes vertentes dentro da ideologia revolucionária.
Conheça alguns dos principais nomes do anarquismo no mundo.
1. Piotr Kropotkin – Anarco-comunismo
Nascido numa abastada família nobre da Rússia, Kropotkin (1842-1921) é considerado por muitos o fundador do anarco-comunismo pacifista. Geógrafo, tinha uma visão racionalista e organizada do anarquismo, em que a violência e os símbolos do anarquismo, como a bandeira negra e a caveira, deveriam ser deixados de lado.
De tendências mutualistas, o anarquista russo abominava a violência e acreditava num mundo sem desigualdades baseado na dissolução do Estado e na cooperação voluntária e mútua entre homens livres, onde o salário não seria relevante e as ações sociais se pautassem na necessidade popular.
2. Pierre-Joseph Proudhon – Mutualismo
Também ligado ao pacifismo, Proudhon (1809-1865) foi economista e teórico político que carregava uma descrença na revolução violenta, creditando a desobediência civil como método correto. Como um dos fundamentadores de termos básicos do anarquismo, (mutualismo, cooperativas de crédito e federalismo) ele foi um dos primeiros a se autodeclarar anarquista, sendo chamado de socialista utópico por Marx, de quem foi próximo.
Proudhon escreveu diversos textos sobre a propriedade privada, chegando à famosa frase “A propriedade é um roubo!”. De tendências pragmáticas, sua ideologia seguiu o objetivo de encontrar alternativas cabíveis à realidade capitalista, defendendo a criação de cooperativas e um banco operário. Entretanto, suas obras não sobreviveram as oposições do próprio movimento.
3. Mikhail Bakunin – Coletivismo
Um dos maiores nomes do anarquismo, o revolucionário russo tinha como principio norteador a noção de liberdade, onde os militantes de esquerda deveriam lutar sem cair na armadilha de se tornarem os próximos tiranos. Assim, teve uma forte desavença com Marx, seu amigo pessoal, criticando o autoritarismo da proposta socialista.
Sua principal contribuição foi a conceitualização de coletividade, que é vista por ele como elemento essencial da liberdade. Na visão coletivista, que é bastante crítica a Proudhon, indivíduo e a sociedade são categorias defensáveis e com relações, e Bakunin (1814-1876) propõe uma análise dialética que permita o entendimento da sociedade capitalista com o objetivo de destruir o Estado e a propriedade privada.
4. Lev Tolstoi – Anarquismo cristão
Entrando para a História como um dos maiores escritores da Rússia e do mundo, Tolstói (1828-1910) foi também um teórico do anarquismo. Partindo de uma teologia política, ele acreditava que a corrente, como realidade social sem desigualdades e baseada na humanização das relações, era um elemento básico para a leitura dos Evangelhos.
A singularidade do russo está na superação da esquerda cristã do século 19, que defendia o fim das estruturas sem citar alternativas, enquanto Tolstói era a favor do fim da sociedade ortodoxa com o objetivo de atingir um Governo Soberano de Deus, com princípios anarquistas. Pacifista vegano, ele entendia que um dos principais problemas da Rússia era a dominação da população civil por um Estado fundido à Igreja.
5. Errico Malatesta – Voluntarismo
Com mais de 60 anos de militância anarquista, é difícil estabelecer o pensamento conciso do autor. Um dos principais elementos necessários é: Malatesta, que era essencialmente pragmático. Não tinha o objetivo de ser um teórico da política, ele foi um importante agente político em favor de greves e insurgências na Itália.
Defensor da noção pura de anarquismo, ele defendia não só o fim do Estado, mas o fim dos governos e, portanto, da ordem padronizada. A sociedade anarquista seria baseada na ação voluntária.
Negando as correntes hiper-racionalistas e futuristas no anarquismo, Malatesta defendia que é impossível se fundamentar uma sociedade sem moral, e que ela não deveria ser um alvo em si dos anarquistas. Ou seja, mais do que querer um mundo sem moral, era necessário extinguir a moral burguesa e fundamentar uma comunidade em que todos seriam legitimados pela cooperação interna dela.
6. José Oiticica – Anarquismo no Brasil
Mais conhecido como um profissional das letras do que teórico do anarquismo, Oiticica (1882-1957) entrou para a História do Brasil por suas atuações em São Paulo em nome da melhoria da vida dos trabalhadores e a criação de uma comunidade autônoma e igualitária.
Deixou sua marca durante a Greve Geral de 1918, inspirada na Revolução Russa. Além disso, foi jornalista, dramaturgo e poeta, criando e mantendo veículos que difundiam arte e discussões políticas do anarquismo.
Oiticica também tem relevância na História da Educação, pois foi um dos principais nomes da organização das Escolas Anarquistas do ABC, em que uniu as necessidades populares dos operários a quem ensinava com os princípios da sociabilidade anticapitalista, desenvolvendo um projeto de ensino e alfabetização verdadeiramente revolucionário.
7. Sergey Nechayev – Anarquismo Niilista
Um dos nomes mais renegados do anarquismo, Nechayev (1847-1882) integrou a uma espécie de escola conhecida como Anarquismo Niilista, que ao mesmo tempo em que não via sentido inexorável em nenhuma instância da vida, também negava uma forma única e funcional de realizar uma revolução. Para ele, a ordem era: fomentar a mudança utilizando qualquer meio necessário. Ou seja, violência política e terrorismo eram opções.
8. Emma Goldman – Anarcafeminismo
Nascida na Lituânia, Goldman (1869-1940) foi uma importante fomentadora de movimentos trabalhistas na América do Norte e creditada pela relevante união entre anarquismo e feminismo. Escreveu sobre temas diversos, como o capitalismo, as prisões, liberdade de expressão, aborto e contracepção, militarismo, casamento, amor livre, educação e homossexualidade. Sempre carregava um livro consigo, sabendo da possibilidade de ser injustamente presa.
Uma das pioneiras da luta pela emancipação das mulheres nos EUA e Canadá, ela é responsável por diversos ensaios e conferências que reuniam milhares de pessoas. Nunca separou a questão de gênero da questão de classe, associando sua luta de emancipação às questões sindicais, laborais e legais.
9. Buenaventura Durruti – Anarco-sindicalismo
Esse importante sindicalista espanhol foi um dos principais líderes da esquerda durante a resistência contra Franco na Guerra Civil Espanhola, comandando milhares de pessoas numa coluna que foi o maior agrupamento militar do período.
Um exímio crítico às estruturas engessadas da esquerda e ao pistoleirismo patronal das centrais sindicais espanholas, Durruti (1896-1936) destacando-se na Confederación Nacional del Trabajo, de caráter anarquista.
Seu papel operacional ganhou destaque na formação das milícias anarquistas que colaboraram com os republicanos no combate ao fascismo. Nunca escreveu nenhum tratado sobre o anarquismo e não se dedicou a uma teoria, mas sua atuação e seu legado são reconhecidos pelos grandes anarquistas, principalmente por ser de origem humilde, trabalhar como operário e organizar a insurgência armada.
10. Nestor Makhno – Plataformismo
O importante organizador militar da Ucrânia marcou a historia do anarquismo por seu confronto direto não apenas com os czaristas e conservadores, mas também com os antigos aliados comunistas durante a Guerra Civil Russa. Contra o autoritarismo de Lenin, comandou a Revolução Ucraniana, onde, a partir dos ideais anarco-comunistas, desenvolveu uma comunidade com pretensões igualitárias.
Quando foi exilado da Rússia, durante os expurgos bolcheviques, se deu conta do nível de desorganização de sua unidade, fazendo-o refletir e estabelecer a doutrina plataformista.
Segundo Makhno (1888-1934), faz-se necessário um nível organizativo e disciplinar sério para o sucesso do projeto anarquista, ou seja, a estruturação prática militar faz parte do projeto de emancipação, em que a unidade de libertação possui coesões ideológicas e de projeto, mas alguém dita as ordens táticas. “Fazer do anarquismo na luta de classes não uma questão episódica, mas um fator relevante”.
Saiba mais sobre anarquismo pelas obras abaixo:
1. Notas sobre o anarquismo, de Noam Chomsky – https://amzn.to/37LeH1V
2. Os Grandes escritos anarquistas, de George Woodcock – https://amzn.to/37KDB1C
3. História do Anarquismo, de Jean Préposiet – https://amzn.to/37IsshV
4. Anarquismo: O que significa?, de Emma Goldman – https://amzn.to/2qTyQ5g
Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos.phtml
agência de notícias anarquistas-ana
Som do vento, apenas…
E, na árvore, uma coruja —
Início de noite.
Marco Aurélio Goulart
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/19/os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos/
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
domingo, 24 de novembro de 2019
Notas sobre um país em dissolução – por A.N.A.
Notas sobre um país em dissolução
1. Quatro moradores de rua mortos por ENVENENAMENTO em Barueri (SP).
2. Uma moradora de rua EXECUTADA a tiros em Niterói (RJ) por ter pedido R$ 1.
3. Um morador de rua ESPANCADO por moradores do Belém, Zona Leste de São Paulo (SP), apenas por estar deitado na rua.
4. Um morador de rua EXECUTADO por um PM (Polícia Militar) em uma suposta tentativa de assalto em São José dos Campos (SP).
5. Prefeitura de São Paulo cria 100 novas equipes do RAPA, que não passa do ROUBO diário e sistemático dos pertences (roupas, cobertores, alimentos, documentos, medicamentos e instrumentos de trabalho) dos mais pobres entre os pobres.
TODOS os casos ocorreram nos últimos TRÊS dias.
Observatório do Povo da Rua
agência de notícias anarquistas-ana
As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.
Issa
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/22/notas-sobre-um-pais-em-dissolucao/
1. Quatro moradores de rua mortos por ENVENENAMENTO em Barueri (SP).
2. Uma moradora de rua EXECUTADA a tiros em Niterói (RJ) por ter pedido R$ 1.
3. Um morador de rua ESPANCADO por moradores do Belém, Zona Leste de São Paulo (SP), apenas por estar deitado na rua.
4. Um morador de rua EXECUTADO por um PM (Polícia Militar) em uma suposta tentativa de assalto em São José dos Campos (SP).
5. Prefeitura de São Paulo cria 100 novas equipes do RAPA, que não passa do ROUBO diário e sistemático dos pertences (roupas, cobertores, alimentos, documentos, medicamentos e instrumentos de trabalho) dos mais pobres entre os pobres.
TODOS os casos ocorreram nos últimos TRÊS dias.
Observatório do Povo da Rua
agência de notícias anarquistas-ana
As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.
Issa
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/22/notas-sobre-um-pais-em-dissolucao/
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
A X Feira Anarquista de São Paulo está chegando! – by A.N.A.
A X Feira Anarquista de São Paulo está chegando!
Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a X Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.
Todas e todos estão convidados!
> Data: Domingo – 17 de novembro de 2019
> Horário: das 10h às 20h
> Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP.
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca
feiranarquistasp.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas
Betty Drevniok
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/page/2/
Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a X Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.
Todas e todos estão convidados!
> Data: Domingo – 17 de novembro de 2019
> Horário: das 10h às 20h
> Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP.
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca
feiranarquistasp.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas
Betty Drevniok
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/page/2/
terça-feira, 11 de junho de 2019
Um chamado anarquista à Greve Geral de 14 de Julho de 2019 – por A.N.A.
Um chamado anarquista à Greve Geral de 14 de Julho de 2019
Às Barricadas!
“(…)Os trabalhadores são explorados e oprimidos porque,
estando desorganizados em tudo que concerne à proteção de seus interesses, são
coagidos, pela fome ou pela violência brutal, a fazer o que os dominadores, em
proveito dos quais a sociedade atual está organizada, querem. Os trabalhadores
se oferecem, eles próprios (enquanto soldado e capital), à força que os
subjuga. Nunca poderão se emancipar enquanto não tiverem encontrado na união a
força moral, a força econômica e a força física que são necessárias para abater
a força organizada dos opressores.”
A ORGANIZAÇÃO DAS MASSAS OPERÁRIAS CONTRA O GOVERNO E OS
PATRÕES
Agitazione d’Ancone, 1897
Errico Malatesta
O mundo assiste a crescente ascensão da extrema-direita ao
poder com olhares perdidos em meio à tanta desinformação. Não poderia ser
diferente no Brasil, onde ainda vivemos um período pós-colonial com forças
dominantes afins aos discursos de ódio que atacam as liberdades e o pensamento
libertário como um todo. Este país sofre com o apagar de suas muitas
identidades culturas há séculos, portanto não trata-se aqui de apontar alguma
novidade. Porém, é necessário compreendermos que a imposição das classes
dominantes nunca foi silenciosa ou permissiva, como muitos parecem acreditar em
meio à tanta incredulidade e paralisia.
A pólvora acesa em 2013 deve seu rastilho às muitas revoltas
sangrentas que nós, exploradas e explorados, enfrentamos desde a chegada dos
colonizadores, e diferentemente do que argumenta a esquerda reformista
institucional, a semente protofascista vem sendo cultivada por décadas e
décadas com políticas vindas de governos da social democracia e ditos de
esquerda e não pela insurreição nas ruas em 2013, como assim acusam os
partidários da esquerda que insistem em dizer que a culpa da queda dos seus
líderes foi a massiva organização popular nesse período assim como o surgimento
do fascismo no país. E se a memória recente nos trás este ano emblemático,
talvez seja porque nas ruas, nas avenidas e noites de barricada, conseguimos
entrever uma possibilidade, uma alternativa de luta contra o que está posto
enquanto status quo. Nunca começou naquele ano, mas também nunca terminou após
o mesmo. Vemos companheiras e companheiros entregues ao conformismo dos tempos
de Bolsonaro na presidência da república e os novos (e velhos) fascistas
desfilando abertamente suas práticas de terror em toda a sociedade. De fato,
mesmo nos espaços mais periféricos das capitais e cidades mais
industrializadas, nunca vimos uma explosão de violência, ódio e disputas tão
expressivas como vemos agora. Essa barbárie, tão bem profetizada por Rosa
Luxemburgo em seus escritos, não acontece sem motivo ou por simples erros de
gestão pública. A barbárie é fruto do sistema de classes que, ano após ano,
cria raízes cada vez mais profundas na mentalidade do povo brasileiro. É
necessário o ódio a si mesmo, ao produto que nos tornamos graças ao processo de
exploração e destituição permanente de uma sociedade refém do capital global.
Tal ódio estimula o afastamento, a individualização acentuada, a falsa ideia da
ineficácia de tudo que se diz social. Inclusive, neste sentido, o governo de
Jair Bolsonaro expõe publicamente, todos os dias, sua completa negação às
ideologias de cunho social.
Na esteira do projeto de destruir o Brasil enquanto país
independente dos jogos econômicos de agendas dominantes, encontramos mais um
ataque ao povo: a reforma da previdência. Não é mero acaso que assistimos o
desmonte da educação pública alcançar níveis alarmantes enquanto nos
aproximamos da derradeira votação acerca da reforma da previdência. O governo
que defende um projeto de país que seja apenas colônia de países desenvolvidos
precisa atacar a educação pública, sobretudo as universidades públicas, pois é
neste espaço que o pensamento livre encontra meios de fortalecimento e criação
de alternativas aos discursos totalizantes que hoje espalham-se como pólen por
todo o território brasileiro. A perversão está em transformar um debate tão
sério em cortina de fumaça para manter as amarras acerca da reforma da
previdência sobre total controle nos bastidores do poder. E não devemos nos
enganar em acreditar que a imprensa empresarial está ao lado dos explorados,
muito pelo contrário. Se hoje, empresas como a Rede Globo mantém um ataque
sistemático ao governo e demonstram dúvida da capacidade de articulação para
forçar a aprovação da reforma da previdência, é justamente porque a audiência
desse conflito é de interesse destas empresas de comunicação. É óbvio que as
mesmas defendem uma reforma que beneficiará grandes corporações em detrimento
da sociedade. Porém, estas mesmas corporações entendem que podem lucrar tanto
na via da aprovação quanto na via do falso destaque às oposições. À Rede Globo
não importa se a extrema-direita ou a esquerda institucional estão brigando, o
importante é a briga. E nisso, a população explorada segue perdida em nuvens de
informação e falsas afirmativas, aumentando seu ódio pelas coletividades e seu
afastamento das lutas sociais.
Exatamente pelas questões resumidamente apresentadas é que
acreditamos na necessidade dos anarquistas apostarem na constante inserção nos
meios sociais de luta contra a exploração dos governos e o fascismo latente da
extrema-direita brasileira. Não é no isolamento ou em algum exílio autoimposto
que conseguiremos romper a bolha criada pela mídia capitalista e pelo
bombardeio de fake news dos grupos pró-Bolsonaro. A compreensão sobre os fatos
e o apoio popular não se refletem em likes ou demonstração de interesse em
eventos de facebook. É preciso reinventar a militância anarquista no Brasil e
retomarmos a compreensão de que o anarquismo se constrói no cotidiano da vida
dos trabalhadores. É preciso refazer o caminho rumo aos trabalhos de base, mas
não com as falsas fantasias das organizações fantasmas. Ter uma base significa
pertencimento. É preciso entender que o anarquista só exercita suas práticas se
está em constante diálogo com a população, ainda que isso signifique estar só
no meio de tantas opiniões e discursos diferentes. E que fique bem claro: isso
não é o mesmo que abrir canal de diálogo com fascistas, pois subentende-se aqui
que o diálogo defendido é com o povo explorado, exausto de tanta opressão e que
almeja a luta contra o sistema dominante.
Eis aqui um chamado anarquista para a construção da greve
geral. Compreendemos que esse processo não é feito de forma imediatista,
tampouco acreditamos que algumas semanas sejam o suficiente para uma greve
expressiva. Entretanto, o silêncio não é uma opção para os que acreditam em
tudo o que dissemos até aqui. E se o dia 14 de Julho já está posto como mais
uma chance, então devemos abraçar tal chamado e nos organizarmos para além
dele. Fazemos aqui um chamado para as barricadas, para a sabotagem, para a
construção da guerra social contra as classes que dominam e corroem as
estruturas da sociedade brasileira. Convocamos aqui os anarquistas à luta, ao
trabalho permanente pela libertação dos explorados!
Esmaguemos o fascismo!
Que os governos voltem a temer a anarquia!
“Hoje se exige imperiosamente uma decisão de nossa parte: ir
para as massas e criar a revolução com elas, ou então abster-se e renunciar à
revolução social”
Nestor Makhno
Liberdade para Rafael Braga!
“Que as chamas da insurreição iluminem o caminho para a liberdade”
R.I.A
Fonte: https://redinfoa.org/um-chamado-anarquista-a-greve-geral-de-14-de-julho-de-2019-as-barricadas/
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Limpo e lavo o túmulo,
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H. Masuda Goga
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/
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