sexta-feira, 5 de junho de 2020

Apoio da Igreja Católica a Hitler foi vergonhoso, admitem bispos da Alemanha – por A.N.A.

Apoio da Igreja Católica a Hitler foi vergonhoso, admitem bispos da Alemanha
Em preparação para o 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, os bispos alemães realizaram um estudo aprofundado do comportamento de seus antecessores durante o regime nazista.

Em 29 de abril, a Conferência Episcopal Alemã apresentou as conclusões a que chegaram a uma declaração intitulada “Os bispos alemães durante a Segunda Guerra Mundial”.

Os bispos foram levados a conduzir o presente estudo após repetidas queixas de que os seus antecessores na Alemanha de Hitler haviam deixado os soldados católicos do país a lidarem por si sós com o dilema moral em que se encontravam na época.

Os prelados concluíram que, apesar da oposição individual a Hitler por parte de um ou dois bispos, a Igreja Católica continuou sendo parte da sociedade durante a guerra. A disposição patriótica da Igreja em mobilizar os seus recursos materiais, pessoais e mentais para a guerra permaneceu ininterrupta até o final do conflito, lê-se no texto divulgado.

Os bispos alemães nunca protestaram abertamente contra as ações da guerra nazista — nem em setembro de 1939, quando a guerra contra a Alemanha foi declarada — e nem depois.

“E dificilmente uma voz se levantava contra os crimes monstruosos cometidos contra os que eram perseguidos por pertencerem a uma ‘raça estrangeira’, especialmente os judeus”.

Alguns bispos protestaram individualmente, por exemplo contra a eutanásia, mas os soldados católicos que se viam confrontados com a violência rampante do regime nas várias frentes e buscavam por ajuda espiritual não puderam se voltar aos bispos.

Os bispos de hoje chegaram à conclusão de que os antecessores não se opuseram claramente ao regime nazista, carregam parte da culpa. Na declaração contendo os resultados do estudo, os bispos consideraram este fato “particularmente vergonhoso”.

Na apresentação do texto em 29 de abril, o presidente da conferência dos bispos dom Georg Bätzing explicou que, embora muitos aspectos do comportamento da Igreja alemã durante a guerra foram reavaliados, há duas lacunas notáveis: uma de memória, e uma de confissão.

Os bispos alemães atuais querem preencher estas duas lacunas. Bätzing e seus colegas de episcopado não consideram isso fácil, já que geração alguma está livre dos preconceitos específicos de seu tempo.

“No entanto, as gerações futuras devem sempre encarar a história a fim de aprender com ela”, afirmou  presidente dos bispos.


agência de notícias anarquistas-ana

Passa um cão
com neve nas costas –
onde a leva?

Stefan Theodoru

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/04/apoio-da-igreja-catolica-a-hitler-foi-vergonhoso-admitem-bispos-da-alemanha/

quarta-feira, 3 de junho de 2020

O horror! O horror!

“De todos os sentimentos que fervilham no coração do homem, o anseio de liberdade é, certamente, um dos mais imperiosos e a sua satisfação é uma das condições essenciais da existência. Por isso, quando o homem se vê privado dela, não tem sossego enquanto não a reconquista, de modo que a história poderia limitar-se ao estudo dos atentados contra a liberdade e dos esforços dos oprimidos para sacudir o jugo que lhes foi imposto” 

Benjamin Péret:

terça-feira, 2 de junho de 2020

Ler ASAD HAIDER. O Althusserianismo e o debate das opressões, notas para uma pesquisa - por João Pedro Luques

Ler ASAD HAIDER. O Althusserianismo e o debate das opressões, notas para uma pesquisa.
A preocupação sobre a relação entre filosofia e outras práticas é um elemento central no pensamento de Louis Althusser. Para ele, tanto a prática científica como a prática política fornecem elementos fundamentais para o pensamento filosófico. Seja para seu desenvolvimento, seja para seu atrofiamento.

Ou seja, a filosofia tem um tipo de relação com essas práticas que, ao mesmo tempo em que ela pode se nutrir delas e desenvolvê-las, ela pode também bloqueá-las.  É nesse sentido que Althusser acusa Sartre não apenas de fazer uma filosofia pré-marxista e pré-freudiana, mas de fazer uma filosofia que tem o efeito de travar o desenvolvimento destas ciências, de desviá-las de seu caminho (Louis Althusser, Réponse a John Lewis, 1973, François Maspero).

Tendo em vista esta relação complexa, gostaríamos de pensar a articulação entre a filosofia de Althusser e a pesquisas sobre a questão das opressões realizada por Asad Haider.

Haider é um pesquisador e militante político Estadunidense que ganhou notoriedade após a publicação de seu brilhante livro de 2018 Mistaken Identity: Race and Class in the Age of Trump (No Brasil, o título saiu em 2019 como Armadilha da Identidade: Raça e Classe nos Dias de Hoje, pela editora Veneta). Nesta obra, dentre outras coisas, ele se destaca por discutir a questão das opressões com um rigor ímpar. Longe de defender a crítica igualmente fácil e incorreta de “a pauta das identidades teria substituído a pauta mais universal e importante da luta de classes”, o autor resgata a tradição da teoria anti-racista revolucionária para fazer uma crítica precisa à política identitária: sua lógica de acomodação para com o Estado capitalista, seu individualismo, sua gênese como resultado de derrotas políticas e crises organizativas da esquerda, etc.

Entretanto, possivelmente pelo seu claro objetivo de intervir na conjuntura política, Haider não explicita quais princípios filosóficos guiaram pesquisa. Contudo, felizmente, a publicação de seu livro no Brasil o forçou a esclarecer este ponto. Ou seja, preocupado em evitar que o público brasileiro incorresse de uma adaptação mecânica de suas teses para a realidade brasileira, de uma generalização indevida de suas considerações sobre uma formação social particular (Estados Unidos), o autor se vê forçado a falar com um pouco mais de detalhes sobre sua fundamentação filosófica. Eis o que ele diz na sua apresentação do livro realizada no espaço Tapera Taperá (SP):

“Depois de lerem meu livro, muitas pessoas me perguntam sobre qual a relação entre raça e classe. Estudando Economia Política Clássica, Marx dizia que não apenas suas respostas, mas também suas perguntas continham mistificações. Eu acredito que a questão da relação entre raça e classe é uma mistificação. Isso porque raça e classe não são objetos que existem na realidade material. Elas são conceitos abstratos que usamos para compreender aspectos de uma realidade material complexa. A realidade concreta é uma estrutura complexa, ela não é a expressão de uma essência. Ela não é como um bombom que comemos o chocolate ao redor para chegarmos a uma noz que seria a classe, a raça, ou outra coisa. Existe uma estrutura complexa na realidade material e nós usamos de abstrações para entender aspectos particulares dela […]. [N]ós não podemos compreender a relação entre raça e classe no nível das abstrações.” [1]

A fonte dessa reflexão é uma só: Althusser. Sua distinção entre a totalidade hegeliana:

“Faço aqui alusão à estrutura do todo hegeliano da qual já falei: o todo hegeliano possui um tipo de unidade na qual cada elemento do todo, seja esse a determinação material ou econômica, determinada instituição política, determinada forma religiosa, artística ou filosófica, não é nada mais do que o conceito em um momento histórico determinado” (Louis Althusser, Lire le Capital, François Maspero,1973, p. 117, tradução nossa).

E o todo marxista:

“[…] é um todo cuja unidade […] é constituída por um certo tipo de complexidade, é a unidade de um todo estruturado, compreendendo o que podemos chamar de níveis ou distâncias distintas e ‘relativamente autônomas’, que coexistem em uma certa unidade estrutural complexa, articulando-se umas sobre as outras de acordo com modos de determinação específicos, fixados em última instância pelo nível ou instância econômica (Louis Althusser, Lire le Capital, François Maspero, 1973, p. 120-121, tradução nossa).

E é aqui que a dialética entre ciência e filosofia mostra toda sua beleza. Sejamos mais claros: longe de bloquear a pesquisa com uma resposta essencialista (“Classe é mais importante que raça”; “Raça é só uma expressão da exploração de classe”, etc.), a filosofia Althusseriana coloca questões que fundamentam uma verdadeira investigação científica. Não se trata de pensar qual ente abstrato (raça ou classe) é mais importante, mas sim de realizar uma pesquisa específica para compreender como o racismo se estrutura de maneira particular em cada formação social. Como não existe uma essência, cada formação social se comporta como um todo complexo diferente, de tal maneira que dificilmente duas formações sociais apresentarão um mesmo tipo de racialização. Nas palavras de Haider:

“Há muitas situações em que aparece o fenômeno da raça, e elas são bastante diferentes entre si. De modo a entender como ele opera, temos que falar sobre essas situações em suas especificidades. Considere os seguintes exemplos: colonialismo espanhol e colonialismo holandês; colonialismo inglês na Índia e colonialismo japonês na Coreia; conflito étnico na África pós-colonial e conflito étnico nos Balcãs pós-socialista. Todos esses exemplos são acompanhados de várias ideologias de raça. Não ganhamos nada reduzindo essas situações concretas a uma única abstração, que tentamos depois explicar separadamente das circunstâncias específicas” (Asad Haider, Armadilha da Identidade, Veneta, 2019, p. 73).

Por fim, pedimos desculpa por nossa exposição um tanto curta esquemática e enfatizamos que apenas uma pequena parte da questão foi tratada aqui, que outros elementos da filosofia de Althusser abrem portas igualmente interessantes para pesquisas no campo das opressões. Pretendemos abordar essas relações em outras oportunidades…

Notas:

[1]: HAIDER, Asad. Lançamento: Armadilha da Identidade. 2019. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fIOB6emwZQE>. (a partir de 7 min, 21s, tradução nossa).

Fonte: https://lavrapalavra.com/2020/05/22/ler-asad-haider-o-althusserianismo-e-o-debate-das-opressoes-notas-para-uma-pesquisa/

Enfim, conseguiu o que queria. - por Latuff

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Bolsonaro usa Trump para chamar Antifas de organização terrorista – por A.N.A.

Bolsonaro usa Trump para chamar Antifas de organização terrorista.
O presidente fascista Jair Bolsonaro postou hoje (31/05) uma publicação do presidente fascista dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que o país designará a “Antifa”, abreviação de antifascismo-antifascistas, como uma organização terrorista.

A postagem de Bolsonaro foi feita após ele publicar imagens de emissoras de televisão que mostraram sua participação em ato a seu favor nesta manhã em Brasília.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/01/eua-trump-violencia-e-vandalismo-sao-o-trabalho-de-anarquistas-antifascistas-e-outros-grupos-de-extrema-esquerda/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/31/procurador-dos-estados-unidos-culpa-anarquistas-por-violencia-em-protestos/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvens brancas
passam
em brancas nuvens


Paulo Leminski

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/02/bolsonaro-usa-trump-para-chamar-antifas-de-organizacao-terrorista/

sexta-feira, 29 de maio de 2020

#GeorgeFloydprotest - por Latuff

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O dilema da burguesia - por Jota Camelo

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Protestos por assassinato de George Floyd terminam em confrontos – por A.N.A.

Protestos por assassinato de George Floyd terminam em confrontos
“Eu não consigo respirar”. A frase repetida por George Floyd pouco antes de ser assassinado, enquanto um policial branco pressionava seu pescoço contra o chão com o joelho, se repetiu em inúmeros cartazes durante protestos contra a morte do homem negro de 46 anos, ocorrida na última segunda-feira, 25, em Minneapolis. Desde então, cidades americanas têm sido palco de manifestações potentes contra a violência, a covardia e o abuso da força policial.

Nesta quinta-feira 28, houve ataques a carros da polícia e lojas, saques, prédios em chamas, barricadas e confrontos entre a polícia e manifestantes. Segundo relatos da imprensa local, os protestos em Minneapolis foram os mais tensos e a policia chegou a utilizar balas de borracha e gás lacrimogêneo contra a multidão. Outros protestos foram registrados em outras cidades, como Los Angeles onde manifestantes chegaram a incendiar um carro da Patrulha Rodoviária da Califórnia.

O caso chocante foi imediatamente comparado ao de Eric Garner, um negro que morreu ao ser preso em 2014, em Nova York. Assim como Floyd, Garner estava desarmado e repetiu diversas vezes “Não consigo respirar”, enquanto era sufocado por um policial. “Executaram meu irmão em plena luz do dia. Estou cansado de ver pessoas negras morrendo”, afirmou Philonise Floyd, irmão da vítima, à imprensa local.

“Quero que esses policiais sejam acusados de assassinato, porque foi exatamente isso que eles cometeram contra meu irmão”, disse à imprensa local Bridgett Floyd, irmã de George Floyd. “Eu tenho fé e acredito que a justiça será feita”.

Floyd morreu na noite de segunda-feira, depois de ficar deitado de bruços por pelo menos 10 minutos, enquanto um policial branco pressionava seu pescoço com o joelho.

“Não consigo respirar”, implorou o homem, segundo o áudio de um vídeo de vários minutos filmado por um transeunte que viralizou.

O policial diz para ele ficar calmo. Um segundo policial mantém os transeuntes à distância enquanto Floyd não se mexe e parece inconsciente.

Um novo vídeo descarta as alegações da polícia de que o homem, “suspeito de tentar passar uma nota falsa de 20 dólares”, resistiu à prisão.

Em imagens feitas pelas câmeras de um restaurante localizado em frente ao local da prisão, ele aparece com algemas nas costas sem oferecer qualquer resistência.

“Não podemos ter dois sistemas legais, um para negros e outro para brancos”, disse o advogado da família Benjamin Crump à imprensa local.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também questionou nesta quarta-feira “por que o homem que matou George Floyd não está na prisão”, dizendo “se você ou eu tivéssemos feito isso, estaríamos atrás das grades”.

Mais de mil mortos a tiros pela polícia em 2019

A morte de Floyd chama atenção para estatísticas sinistras sobre assassinatos cometidos por policiais nos Estados Unidos.

De acordo com um levantamento do jornal Washington Post, 1014 pessoas foram mortas a tiros por policiais no país em 2019, e estudos mostram que as principais vítimas foram americanos negros.

Um estudo da ONG Mapping Police Violence aponta que, nos Estados Unidos, negros têm quase três vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.


Matsuo Bashô

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/29/eua-protestos-por-assassinato-de-george-floyd-terminam-em-confrontos/

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Brasil humilhado. por ⁦ @LatuffCartoons

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

Jota Camelo Lula da Silva

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terça-feira, 19 de maio de 2020

Quem precisa de coronavírus pra matar a população né? - por Latuff

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Constrito "Um Fio de Vida no Círculo da Morte" mais atual Impossível !!!


Quanto vale sua vida? Já pensou nisso? - por Latuff

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Bolsonaro e o ''fascismo eterno'' - Por Liszt Vieira

Bolsonaro e o ''fascismo eterno''
A liberdade e a libertação são tarefas sem fim
(Umberto Eco)

Na data de 19/11/2009, Carta Maior publicou o admirável ensaio de Umberto Eco sobre o fascismo intitulado O Fascismo Eterno, que se tornou posteriormente um livro publicado em 2018 pela Editora Record. O ensaio foi publicado originalmente em inglês sob o título de “Ur-Fascism” na edição de 22/6/1995 da revista “The New York Review of Books” a partir de uma conferência na Universidade de Columbia em 24/4/1995.

O ex-deputado Jair Bolsonaro, que atualmente ocupa o Palácio do Planalto como presidente, foi inúmeras vezes acusado de fascista. Entre os historiadores e cientistas políticos, não faltou quem protestasse contra esse uso abusivo da palavra fascismo, que só encontraria sentido na Europa, no período histórico de 1930 a 1945, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Como as características e atitudes do atual presidente são próximas ao fascismo, ressalvadas as diferenças históricas, julgamos útil recorrer ao texto clássico de Umberto Eco sobre o fascismo. O escritor italiano aponta 14 características como típicas do que chamou de “Fascismo Eterno” ou “Ur-Fascismo”. Passamos a resumi-las com o objetivo de comparar com o fascismo tropical do atual presidente, recomendando, entretanto, a leitura integral do magnífico texto de Umberto Eco.

1. A primeira característica de um Fascismo Eterno é o culto da tradição. O tradicionalismo é mais velho que o fascismo. Não somente foi típico do pensamento contra reformista católico depois da Revolução Francesa, mas nasceu no final da idade helenística como uma reação ao racionalismo grego clássico. Em consequência, não pode existir avanço do saber. A verdade já foi anunciada de uma vez por todas, e só podemos continuar a interpretar sua obscura mensagem. Fascismo e fundamentalismo sempre vêm juntos. É suficiente observar o ideário de qualquer movimento fascista para encontrar os principais pensadores tradicionalistas.

2. O tradicionalismo implica a recusa da modernidade. O iluminismo, a idade da Razão, era considerado o início da depravação moderna. Nesse sentido, o Fascismo pode ser definido como “irracionalismo”. Daí a rejeição a direitos iguais, mudanças climáticas, luta pelo reconhecimento de identidades oprimidas etc, vistas como “coisa de comunistas”.

3. O irracionalismo depende também do culto da ação pela ação. A ação é bela em si, portanto, deve ser realizada sem nenhuma reflexão. “Pensar é uma forma de castração”. Por isso, a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas. As universidades são um ninho de “comunistas”, a suspeita em relação ao mundo intelectual sempre foi um sintoma de Fascismo. Os intelectuais fascistas oficiais estavam empenhados principalmente em acusar a cultura moderna e a inteligência liberal de abandono dos valores tradicionais.

4. Nenhuma fé sincrética pode suportar críticas analíticas. O espírito crítico opera distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço dos conhecimentos. Para o Fascismo, o desacordo é traição.

5. O desacordo é, além disso, um sinal de diversidade. O Fascismo cresce e busca o consenso desfrutando e exacerbando o medo da diferença. O primeiro apelo de um movimento fascista é contra os intrusos. O Fascismo é, portanto, racista e xenofóbico por definição.

6. O Fascismo provém da frustração individual ou social. O que explica por que uma das características dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos.

7. Para os que se veem privados de qualquer identidade social, o Fascismo exalta o país onde nasceram. Esta é a origem do nacionalismo vulgar. Os únicos que podem fornecer uma identidade às nações são os inimigos. Assim, na raiz da psicologia fascista está a obsessão do complô, possivelmente internacional. Na falta deste, inventa-se um inimigo interno. Os seguidores têm que se sentir sitiados. O modo mais fácil de fazer emergir um complô é o apelo à xenofobia. Mas o complô tem que vir também do interior: os judeus e os comunistas são, em geral, o melhor objetivo porque oferecem a vantagem de estar, ao mesmo tempo, dentro e fora.

8. Os adeptos devem sentir-se humilhados pela riqueza ostensiva e pela força do inimigo. Os inimigos são ora fortes demais, ora fracos demais, conforme a necessidade da retórica. O fascista é incapaz de analisar a correlação de forças e avaliar a real força do “inimigo”.

9. Para o Fascismo não há luta pela vida, mas antes “vida para a luta”. Logo, o pacifismo é conluio com o inimigo; o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente. Os inimigos podem e devem ser derrotados, tem que haver uma batalha final e, em seguida, o movimento assumirá o controle do mundo. Então, haveria paz, o que gera uma contradição, porque isso contraria o princípio da guerra permanente do fascismo eterno.

10. O elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária, enquanto fundamentalmente aristocrática. Todos os elitismos aristocráticos e militaristas mostraram desprezo pelos fracos. O líder, cujo poder em geral não foi obtido por delegação, mas conquistado pela força, sabe também que sua força se baseia na debilidade das massas, tão fracas que têm necessidade e merecem um “dominador”.

11. Nesta perspectiva, cada um é educado para tornar-se um herói. Em qualquer mitologia, o “herói” é um ser excepcional, mas na ideologia do Fascismo Eterno o heroísmo é a norma. Este culto do heroísmo é estreitamente ligado ao culto da morte: não é por acaso que o mote dos falangistas era “Viva la muerte!” O herói do Fascismo Eterno espera impacientemente pela morte. E sua impaciência consegue em geral levar os outros à morte.

12. Como a guerra permanente e o heroísmo são jogos difíceis de jogar, o “Ur-Fascista” transfere sua vontade de poder para questões sexuais. Esta é a origem do machismo (que implica desdém pelas mulheres e uma condenação intolerante de hábitos sexuais não-conformistas, da castidade à homossexualidade). Como o sexo também é um jogo difícil de jogar, o herói fascista joga com as armas, que são seu Ersatz fálico.

13. O Fascismo baseia-se em um “populismo seletivo” ou “qualitativo”. Em uma democracia, os cidadãos gozam de direitos individuais, mas o conjunto de cidadãos só é dotado de impacto político do ponto de vista quantitativo (as decisões da maioria são acatadas). Para o Fascismo, os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos e “o povo” é concebido como uma qualidade abstrata, uma entidade monolítica que exprime “a vontade comum”. O povo é, assim, apenas uma ficção teatral.

Encontramos um populismo qualitativo na TV ou Internet, influenciando a resposta emocional de um grupo selecionado de cidadãos que pode ser apresentado e aceito como a “voz do povo”. Por causa de seu populismo qualitativo, o Fascismo Eterno deve ser contra os governos parlamentares, considerados “podres”. Cada vez que um político põe em dúvida a legitimidade do parlamento por não representar mais a “voz do povo”, pode-se sentir o cheiro de Fascismo.

14. O Fascismo Eterno fala a “novilíngua”, termo inventado por George Orwell em seu livro 1984, como língua oficial do Ingsoc, o Socialismo Inglês, mas certos elementos são comuns a diversas formas de ditadura. Todos os textos escolares nazistas ou fascistas baseavam-se em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico.

Se aplicarmos a Bolsonaro os 14 critérios de Umberto Eco para avaliação do “fascismo eterno”, veremos que a maioria é adequada e ele pode tranquilamente ser chamado de fascista. Com efeito, os dois primeiros critérios – o tradicionalismo e o irracionalismo – se aplicam perfeitamente. Bolsonaro assumiu os valores tradicionais do neopentecostalismo e adotou uma postura pré moderna e anticientífica. Sua atitude na crise da pandemia é uma triste e criminosa demonstração de sua negação da ciência, com base no “pensador” que influenciou o bolsonarismo, aquele astrólogo que mora nos EUA.

O terceiro e o quarto critérios caem como uma luva. O irracionalismo e a negação do espírito crítico são marcas do bolsonarismo. Quem critica é traidor. O intelectual, o artista, por terem espírito crítico, são vistos como inimigos. A cultura é repudiada. Deve-se aceitar a verdade da ordem estabelecida. Daí, “escola sem partido”, sem iniciação ao pensamento crítico e a liberdade de expressão e ação.

O quinto critério é a negação da diversidade e da diferença que leva a preconceitos contra a mulher, gay, negro e índio, tantas vezes demonstrados pelo atual presidente.

O sexto critério é o apelo às classes médias, frustradas pelas crises econômicas e assustadas com a possível ascensão dos mais pobres, como ocorreu no governo Lula. O sétimo e o oitavo critérios se baseiam no sentimento de patriotismo fundado somente no fato de ser brasileiro e se apegar aos símbolos da nacionalidade como a bandeira e o hino nacionais. Estamos fartos de ver isso nas manifestações bolsonaristas contra a democracia e contra o inimigo imaginário que foi inventado para assustar: o comunismo. Os que não se identificam com isso são inimigos da nação. Portanto, devem ser excluídos. Daí, o grito de “Vai pra Cuba” ou “Vai pra Venezuela”.

O nono critério é a exaltação da guerra, palavra frequente no vocabulário de Bolsonaro como, por exemplo, a “guerra contra o marxismo cultural” e a “guerra contra os governadores e prefeitos”. O décimo é o desprezo das massas que devem aceitar sem discussão a decisão de seu líder despótico. O décimo primeiro é sobre o heroísmo e a exaltação da morte. Não creio que o bolsonarista padrão esteja disposto a morrer, estará provavelmente mais disposto a matar. Mas a necropolítica está presente no discurso e nas diversas propostas de Bolsonaro, desde suprimir as medidas de controle do tráfego, armas para todos, a guerra civil “onde morrerão 30 mil”, até o incentivo à morte pela rejeição do isolamento social na pandemia.

O décimo segundo critério diz respeito à transferência do poder para questões sexuais. A arma se torna a projeção do pênis. Daí vem a violência, o machismo, o desprezo das mulheres (“no quarto filho eu fraquejei e nasceu mulher”) e o ataque a comportamentos sexuais visto como “anormais” como o LGBT. Não há lugar para a liberdade de opção sexual e de gênero.

No décimo terceiro, o povo é visto como entidade abstrata, uma ficção teatral, e os direitos individuais são negados. O líder fala em nome da “maioria” para negar direitos civis, políticos e sociais e ataca as instituições democráticas e o poder legislativo, considerado corrupto e podre. Quem representa o povo é o líder e não o Parlamento. As manifestações estimuladas por Bolsonaro e seu grupo sempre atacam e pedem o fechamento do Congresso e do STF.

Finalmente, o décimo quarto critério aponta para a linguagem pobre e elementar que limita a possibilidade de um raciocínio complexo e crítico. Além da pobreza da linguagem de Bolsonaro, são exemplos grotescos o uso frequente de palavrões e o famoso “tá Ok”, pronunciado “talquei”.

Com efeito, com um ou outro ponto que talvez não se aplique tendo em vista a diferença no espaço e no tempo histórico, creio que os critérios de Umberto Eco para definir o fascismo eterno se aplicam quase integralmente aos bolsonaristas.

Assim, caro leitor, se você, como eu, já chamou Bolsonaro de fascista e já leu críticas ao uso não rigoroso do termo fascista, pode ficar tranquilo. Temos um bom fundamento teórico e prático. E, com Umberto Eco, estamos em boa companhia.

Fonte: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Bolsonaro-e-o-fascismo-eterno-/4/47526

quinta-feira, 7 de maio de 2020

segunda-feira, 4 de maio de 2020

FHC, o penetra - por Jota Camelo

Fonte: https://twitter.com/ojotacamelo

Quem chegou ao limite é o #Brasil - por Latuff

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domingo, 3 de maio de 2020

A pandemia do Coronavírus e a capacidade de reação dxs de baixo – A.N.A.

A pandemia do Coronavírus e a capacidade de reação dxs de baixo
por Vantiê Clínio Carvalho de Oliveira

Segundo o Dr. Cícero Coimbra¹, livre docente da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – e criador do Protocolo Coimbra, mesmo ainda não existindo uma vacina para o Coronavirus – Covid-19, existe uma forma confiável de se prevenir da infecção, que é recuperar o bom funcionamento do sistema imunológico inespecífico, que é aquele que todo ser humano já traz ao nascer (sem precisar de vacinas), e que as indústrias químicas/farmacêuticas vêm deliberadamente fragilizando nas populações mundiais, através de uma série de estratégias de engenharia bioquímica e social, para assim lucrarem mais com o aumento da demanda global por medicamentos, devido ao consequente aumento progressivo dos índices de adoecimento dos povos, que vêm se verificando cada vez mais.

Para recuperar este bom funcionamento da imunidade inespecífica, pode-se tomar 10.000 UI de vitamina D por dia, e 100mg de magnésio quatro vezes ao dia (que podem ser adquiridos em farmácias de manipulação); além de tomar quinze minutos de banho de sol diariamente (com o mínimo de roupas possível, de preferência deitadx, e exatamente no horário em que o sol está mais quente); de reduzir o máximo possível a ingestão de massas em geral (pois estas contêm ácido fólico, substância adicionada obrigatoriamente – por leis internacionais – na produção industrial de farinhas, e que prejudica a ação da vitamina D no organismo), além de reduzir leite e derivados; de comer muitas folhas verdes orgânicas (pois estas também são uma fonte natural de vitamina D); de beber dois litros de água ao dia e de fazer cerca de três horas de exercícios físicos ao longo da semana.

Repassemos estas orientações para o máximo de pessoas que pudermos e, além disso, nos organizemos em grupos de amigxs para adquirirmos coletivamente estas substâncias (vitamina D e magnésio) para fornecermos para àquelxs que por algum motivo não as podem adquirir, para de esse modo contribuirmos significativamente com a possível potencialização da capacidade dxs de baixo de administrarem coletivamente essa crise de saúde globalizada.

No momento em que os governos do mundo – sejam de direita, esquerda, centro ou fundos – adotam, para axs de baixo, medidas que na prática não têm uma efetividade maior para impedir a disseminação do vírus (apenas retardam a sua velocidade), e que funcionam muito mais como mecanismos de controle e subjugação das populações via terrorismo de Estado, enquanto, por outro lado, aproveitam a situação para justificarem ações de estelionato contra as classes trabalhadoras, na forma da concessão de vultosas “ajudas” financeiras em recursos “públicos” para os grandes bancos e empresas aéreas supostamente “ameaçadas” pela pretensa “crise econômica” gerada pela pandemia (quando estes recursos financeiros, frutos de impostos, deveriam, teoricamente, ser aplicados em planos emergenciais de expansão rápida dos serviços de urgência de saúde pública) mais do que nunca, é preciso resgatar os valores da solidariedade e da ajuda mútua entre a/os de baixo, e lembrar que – parafraseando o enunciado de um grande autor francês do Séc. XIX, Proudhon: “a salvação dxs de baixo depende das suas próprias capacidades de se organizarem!“

Só a ajuda mútua – e não o “salve-se quem puder” – poderá nos levar à vitória!

[1] Agradeço ao Professor José Ramos Coelho pelas informações sobre o Dr. Cícero Coimbra.

agência de notícias anarquistas-ana


sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã…


Rosa Clement

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/01/a-pandemia-do-coronavirus-e-a-capacidade-de-reacao-dxs-de-baixo/

Obrigado Sabrina - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons