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Aviso: as pessoas que alimentam esse Blog são apolíticas. Não acreditam em políticos brasileiros e muito menos nos partidos políticos. Logo não defendemos nenhum deles exceto sua destruição. provosbrasil@gmail.com “Não posso compreender que na estrada da revolta haja uma direita e uma esquerda (...) Digo que a chama revolucionária arde onde quer, e não compete a um pequeno número de homens, no período de expectativa que vivemos, decretar que é só aqui ou ali que ela pode arder” André Breton
Após se sentir parte da geração com a qual se extinguiria o marxismo da vida política e intelectual do ocidente, as crises financeiras, a espiral conflitiva do capitalismo e as mudanças na América Latina deram a Eric Hobsbawm, aos 94 anos, a alegria de voltar a Marx. Em seu novo livro, que tem o sugestivo título "Como mudar o mundo", o historiador refuta com sua habitual lucidez as más interpretações, arquiva os preceitos que envelheceram e utiliza as ferramentas oferecidas pelo autor de "O Capital" para entender o mundo no século XXI e fazê-lo um lugar melhor.
GAZA (Reuters) - Aeronaves israelenses atacaram postos militantes em Gaza e os palestinos dispararam mais de uma dezena de foguetes contra o sul de Israel na sexta-feira, enquanto a violência escalava após ataques a bala com vítimas ao longo da fronteira de Israel e Egito.
Quando Toni Negri, agora aos 78 anos, escreve e fala, há sempre algum latim na sua fala profunda, mas o discurso é claro, disciplinado, lúcido e prazeroso. É como um abraço viril, muscular e poderoso, como tudo que sua formidável inteligência produz. Precisamos muito desse tipo de pensamento, porque os modelos esquerdistas do passado já não funcionam e algo novo tinha, sim, de ser inventado.
Zineiros, faneditores e editores alternativos: é com grande prazer que a Ugra Press lança a convocatória para o II Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas. A meta, a exemplo da primeira edição, é mapear, catalogar, divulgar e estabelecer um espaço crítico para a imprensa alternativa. A novidade é que dessa vez estamos convocando editores de toda a América do Sul, o que certamente fará do próximo Anuário uma grande referência para todos aqueles que pretendem divulgar seus trabalhos, fazer contatos e conhecer a fundo a fanedição sul-americana.
Claro que os tumultos de rua em Londres não foram protesto político. Mas o pessoal dos saques noturnos com certeza absoluta sabe que suas elites passaram o dia dedicadas aos saques diários. Saques são contagiosos. Alimentados por um sentido patológico de ‘direitos adquiridos’ pelos ricos, o grande saque global está em andamento à luz do dia, como se nada houvesse a esconder. Mas há, sim, temores ocultados. No início de julho, o Wall Street Journal, citando pesquisa recente, noticiava que 94% dos milionários temiam “a violência nas ruas”.
Os Estados Unidos da América, país da liberdade (das finanças...), que adora dar lições ao mundo, não são mais que um monte de irresponsáveis, de fascistas, de fanáticos religiosos e de racistas...
Essas máquinas de fazer neve serão alimentadas por águas já utilizadas, cheias de produtos ainda tóxicos e resíduos de medicamentos - uma catástrofe ecológica.
A polícia intervêm com uma violência inaudita contra os manifestantes ameríndios, considerados por eles como sub-homens.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman considera que “tais explosões são uma combinação de desigualdade social e consumismo”.
Sempre nos disseram que as coisas não podem mudar, que o mundo é assim mesmo e não há como voltar atrás, e que se esforçar e lutar para mudá-lo é uma perda de tempo. Esse pensamento é apenas uma amostra de uma mentalidade colonizada. Dá conta do submetido que está nossa sociedade onde o pensamento crítico é proibido e agir é um crime. Esta é a lógica que move o mundo atual e nossa cidade não está imune a ele; onde todo o tempo nos dizem: “não pode”, “se você não trabalha não come”, “sem futuro”, “acabará sem onde cair morto”. Mas a chama da resistência, que acenderam os lutadores da liberdade, resiste como o sol e hoje segue ardendo em nossos corações.
Esta aprendizagem organizativa permitiu dar conta de certas dificuldades inerentes à organização, incluindo a falta de espaço físico. Foi aí, a partir de abril em 2011, que se abriu uma casa e fundou-se o Centro Social e Cultural Libertário. Um espaço autônomo, autogerido e sem financiamento estatal ou institucional, uma proposta sem fins lucrativos. Apenas com fins sociais e políticos, para continuar a articulação, organização, disseminação e fortalecimento do movimento anarquista na cidade. Este é um dos frutos mais suculentos da nossa unidade e luta libertária - um sonho coletivo tornando-se realidade.
Recentemente, durante quatro dias e quatro noites, as cidades britânicas, de Londres até Manchester, Birmingham e outras cidades menores, foram atravessadas pelas chamas da raiva. Os motins urbanos lançaram fogo a bairros e lojas, transformaram ruas em zonas de guerra, levaram a centenas de prisões e deixaram este ex-império em declínio profundamente abalado e em busca de respostas, de reparações, de culpados. Os políticos proferiram as banalidades previsíveis de líderes desligados da realidade, chamando aos motins, nas palavras do primeiro-ministro David Cameron, de “criminalidade pura e simples”. Especialistas pretenciosos afadigam-se em dar explicações e lançar insultos contra os manifestantes e os revoltosos, enquanto o público aturdido busca desesperadamente a restauração da ordem.
Como é comum em momentos de perturbação nacional, posições ideológicas e discursos de longa data são frequentemente ressuscitados e reforçados. Previsivelmente, especialistas de direita fazem-se eco das posições do governo, condenando os manifestantes. The Telegraph recusa-se mesmo a chamá-los de “manifestantes”, preferindo taxá-los de “saqueadores, vândalos e ladrões”. Indo além dos “marginais” e dos “gangues”, lançam as culpas sobre os pais por abdicarem dos valores da família, da disciplina e da responsabilidade. Gostam de chamar a atenção para a juventude dos revoltosos. Nas palavras de um comentarista do jornal, “os pais ausentes têm grandes responsabilidades”. Outro acha que a polícia perdeu o controle porque “ficou tão sensível à questão racial que isso a impede de fazer o seu trabalho”; preocupam-se “mais em ter boas relações com a comunidade do que em impor a lei.” Lançam-se as culpas sobre o multiculturalismo por criar um clima permissivo para a cultura de gangues que se desenvolve na comunidade negra, uma cultura “que rejeita todos os princípios da sociedade liberal. É violenta, sexista, homofóbica e racista.” Um que tem o telhado de vidro e que lança pedras no do vizinho!
Quanto aos liberais, eles se equivocam quando, por um lado, condenam a violência e, por outro, sentem pena dos manifestantes e apontam as condições que os levaram à explosão de fúria. Esta ambiguidade pode encontrar-se em The Guardian. Em um editorial o jornal foi inequívoco: “Os motins britânicos de 2011 tornaram-se um confronto definidor entre a desordem e a ordem. Neste confronto, e apesar de importantes ressalvas, só se deve estar de um dos lados. Tem de se pôr cobro aos ataques, à destruição, à criminalidade e ao reino do medo […] Pode discutir-se depois questões mais vastas. Hoje, neste momento de perigo, é necessário apoiar a polícia.” Enquanto isso, os colunistas do jornal atribuem os motins, diversamente, ao aumento da desigualdade e à implementação de drásticas medidas de austeridade; à brutalidade da pobreza e à psicologia explosiva de aspirações consumistas não realizadas entre os pobres; à cultura de exercício de direito e irresponsabilidade que perdeu as estribeiras entre os jovens; e ao resultado perverso de comunidades estimuladas a preencher vazios deixados pelo Estado.
Todas estas comparações ajudam a esclarecer a insurreição britânica de 2011. Ainda mais pertinente é situar os recentes motins generalizados no contexto da história britânica. Nos séculos XVIII e XIX abundaram na Grã-Bretanha os motins desencadeados pela insatisfação política, econômica ou social. No século XX, a questão racial cada vez mais juntou a sua dinâmica incendiária aos surtos periódicos de perturbações e de insatisfação pública. No pós-guerra, o grande número de imigrantes oriundos do Caribe, da África e da Ásia, todos eles chamados “negros”, quebrou os elos de caráter inglês e branco, de caráter britânico e europeu, e reorganizou as relações e as tensões entre raça e classe.
É claro que variam os contextos específicos de cada uma destas revoltas, mas a situação subjacente, as condições estruturais, permanecem profundamente enraizadas nas hierarquias e marginalizações raciais e de classe da sociedade britânica, sustentada por uma classe política cada vez mais incompetente. Quanto aos motins de 2011, importa especialmente considerar dois contextos: primeiro, a redução das oportunidades econômicas e, segundo, a decadência da democracia. Tal como boa parte da Euro-América, a Grã-Bretanha foi devastada pela Grande Recessão e a economia está mancando desde que foi declarado oficialmente o termo da recessão. Na última estimativa, o Banco da Inglaterra “reduziu para 1,5% sua estimativa de crescimento em 2011 no Reino Unido, quando a previsão anterior fora de aproximadamente 1,8%, e baixou a sua estimativa para 2012 de 2,5% para cerca de 2%.”
A adoção de um programa drástico de austeridade pelo governo de coligação, envolvendo cortes massivos nos setores sociais e de serviços, incluindo a educação, ameaça converter a prolongada recessão, sentida pela classe trabalhadora e pela classe média inferior, numa depressão permanente. Em consequência, aumentou o nível de desemprego para essas classes, em que as minorias raciais jovens têm uma participação muito superior à média. Assim, em grande medida os motins representam uma irrupção dos marginalizados, numa altura em que os seus dirigentes políticos gozavam férias no estrangeiro, das quais ignominiosamente regressaram a um país em chamas. Não há dúvida de que estes motins britânicos são mais multi-raciais do que os motins de 1981 ou 1985, e muito mais ainda do que os motins franceses de 2005. Isto os torna potencialmente mais ameaçadores e é mais difícil para o Estado contê-los com ataques baratos contra os “hooligans negros” ou contra as promessas vazias do multiculturalismo.
O crescimento da vigilância eletrônica foi estimulado pelos atentados terroristas do dia 7 de julho de 2005. Por ocasião de uma visita a Oxford e Londres, há três semanas atrás, eu estava atônito ao ver quão extensa a vigilância eletrônica se tornou neste país. Em 2009, um jornal conservador, The Daily Mail, mostrou-se chocado: “A Big Brother Grã-Bretanha tem mais câmeras de vídeo de circuito fechado do que a China.” Segundo este jornal, “Existem aqui 4,2 milhões de câmeras de vídeo de circuito fechado, uma para cada 14 pessoas. Mas no Estado policial da China, com uma população de 1,3 bilhões [milhares de milhões], há apenas 2,75 milhões de câmeras, o equivalente a uma para cada 472.000 cidadãos.”
Tal como sucedeu nos Estados Unidos, as medidas antiterroristas adotadas pelo governo britânico ameaçaram corroer a liberdade interna. Os suspeitos de sempre nos Estados de vigilância policial são as minorias pobres e raciais. As relações entre a polícia e essas comunidades, particularmente a juventude, se tornaram mais intromissoras e repressivas. Tão flagrante é o fichamento racial que “As pessoas negras têm 26 vezes mais probabilidades do que as brancas de ser abordadas pela polícia e sujeitas a buscas na Inglaterra e no País de Gales” (em comparação, há apenas 50 professores universitários negros num total de 14.000 professores nas universidades britânicas). E, assim, as lições dos motins das décadas de 1980 e 1990 ficaram perdidas na demência da vigilância antiterrorista e da centralização do poder de Estado.