quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Estado Assassino: As cobaias humanas de Israel - por Baby Siqueira Abrão

As cobaias humanas de Israel
Médicos denunciam que Israel testa suas novas armas na população da Faixa de Gaza, provocando mutilações, queimaduras e ferimentos - por Baby Siqueira Abrão de Ramallah (Palestina)

O garoto de 13 anos joga futebol com os amigos na tarde ensolarada. De repente, aviões israelenses surgem no céu. Os meninos não têm tempo nem de correr: um míssil cai sobre eles.

A ambulância chega rapidamente e os leva ao hospital Al-Shifa, o maior da Cidade de Gaza, a capital da Faixa de Gaza. Alguns dos garotos estão inconscientes. Outros estão mortos.As vítimas, em sua maioria, são mulheres e crianças - Foto: GHN
Dias depois, o médico Ayman Al Sahbani, diretor do departamento de emergências do hospital, mostra o menino de 13 anos na cama de um cubículo cheio de aparelhos médicos. Vários pontos do corpo, todo coberto por faixas brancas, estão plugados nos aparelhos. Uma perna apoia-se numa espécie de mesinha de ferro. Os braços estendem-se ao lado do corpo. Só os braços. As mãos foram perdidas no ataque israelense.

“Quando o pessoal do socorro o trouxe, pensei que ele estivesse morto. Então o ouvi gritar: ‘Ai, mamãe!’. Levei-o de imediato para a sala de cirurgia e o operei. Várias vezes. Já faz cinco dias, e ele continua vivo. Tem queimaduras terríveis e estilhaços de metal por todo o corpo. Será que vai poder jogar futebol de novo? Não tenho ideia.”

Ninguém sabe quem é o garoto. E essa é uma situação comum nos hospitais. Os feridos chegam, queimados, mutilados, os corpos perfurados por pedaços de metal, e são atendidos por médicos e enfermeiros exaustos, angustiados, tentando fazer com que o pouco material de que dispõem seja suficiente para todos.

Novas armas
Ali, no setor de emergência cheirando a antisséptico, o ruído dos ventiladores mistura-se ao bipe dos monitores e aos passos apressados dos profissionais cuja tarefa é salvar as vidas daqueles que chegam. A identidade dos feridos é o que menos importa nessa hora.

“As vítimas, em sua maior parte, são mulheres e crianças”, explica o médico Al Sahbani. “Vítimas civis”, ressalta. “Chegam aos pedaços, alguns queimados de tal modo que se tornam irreconhecíveis. Há 20 crianças aqui, com ferimentos que nunca vi, nem na Operação Chumbo Fundido, quando observei pela primeira vez as queimaduras provocadas pelo fósforo branco. As armas de agora são piores, causam lesões terríveis, despedaçam pés, pernas, mãos, enchem os corpos com centenas de pequenas peças de metal.”

Operação Chumbo Fundido foi o nome dado aos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que causaram cerca de 1.500 mortes, em sua grande maioria, de civis.

Al Sahbani continua, depois de uma pausa: “Meu filho de 11 anos me pergunta por que isso acontece, por que Israel nos ataca assim. O que posso responder a ele?”.

Uma das respostas possíveis seria cruel demais para uma criança: Israel está testando, mais uma vez, suas novas armas em alvos vivos. Em seres humanos que há mais de 60 anos vivem sob ocupação israelense, e que antes disso sofreram massacres e expulsões, e viram suas casas e cidades serem destruídas ou tomadas por grupos paramilitares sionistas.

Como lembrou o diretor do departamento de emergências do hospital Al-Shifa, não é a primeira vez que essas substâncias são experimentadas na população de Gaza. Israel admitiu o uso do fósforo branco em 2006 e em 2008- 2009, na Operação Chumbo Fundido. O que os sionistas não contaram, porém, foi a adição de metais tóxicos ao fósforo branco.

Metais cancerígenos
Mas o New Weapons Committee (NWRG), grupo de pesquisadores, acadêmicos e profissionais de mídia que estuda os efeitos das novas tecnologias de guerra, descobriu e divulgou. Embora a mídia corporativa não tenha dito uma única palavra sobre isso, o relatório do NWRG foi publicado em maio de 2010 e está à disposição de quem quiser consultá-lo: www.newweapons.org/files/20100511pressrelease_eng.pdf.

De acordo com o informe, análises em tecidos humanos enviados ao comitê por médicos de Gaza, retirados de “ferimentos provocados por armas que não deixam fragmentos nos corpos das vítimas”, encontraram “metais tóxicos e cancerígenos, capazes de produzir mutações genéticas. [...] Isso mostra que foram utilizadas armas experimentais, cujos efeitos ainda são desconhecidos”.Movimentação de ambulâncias diante do hospital Al-Shifa, o maior da Cidade de Gaza - Foto: GHN
A pesquisa seguiu dois estudos anteriores do NWRG. O primeiro, publicado em 17 de dezembro de 2009, estabeleceu a presença de metais tóxicos em áreas ao redor das crateras provocadas pelo bombardeio israelense na Faixa de Gaza. O último, publicado em 17 de março de 2010, apontou a presença de metais tóxicos em amostras de cabelo de crianças da região.

Ambos indicam contaminação ambiental, agravada pelas condições de vida naquele território, que propiciam o contato direto com o solo. Os abrigos expostos ao vento e à poeira, devido à impossibilidade de reconstrução das moradias – Israel não permite a entrada de materiais de construção e ferramentas necessárias – também facilitam o contato com as substâncias tóxicas espalhadas no ambiente.

Danos à saúde
O trabalho, realizado pelos laboratórios das universidades Sapienza de Roma (Itália), Chalmers (Suécia) e Beirute (Líbano), foi coordenado pelo NWRG e comparou 32 elementos encontrados nos tecidos das vítimas. “A presença de substâncias tóxicas e cancerígenas nos metais detectados nos ferimentos é relevante e indica riscos diretos para os sobreviventes, além da possibilidade de contaminação ambiental”, diz o relatório.

“Alguns dos elementos encontrados são cancerígenos (mercúrio, arsênio, cádmio, cromo, níquel e urânio); outros são potencialmente carcinogênicos (cobalto e vanádio); e há também substâncias que contaminam fetos (alumínio, cobre, bário, chumbo e manganês). Os primeiros podem produzir mutações genéticas, os segundos podem ter o mesmo efeito em animais (ainda não há comprovação em seres humanos), os terceiros têm efeitos tóxicos sobre pessoas e podem afetar também o embrião ou o feto em mulheres grávidas”, alerta o documento.

Há mais, segundo o relatório de 2010: “Todos os metais, encontrados em quantidades elevadas, têm efeitos patogênicos em humanos, danificando os órgãos respiratórios, o rim, a pele, o desenvolvimento e as funções sexuais e neurológicas”.

Paola Manduca, professora e pesquisadora de genética da Universidade de Gênova e porta-voz do NWRG, comentou, referindo-se às análises do material recolhido em 2006 e 2008-2009: “Concentramos nossos estudos nos ferimentos provocados por armas que, segundo os médicos de Gaza, não deixavam fragmentos. Queríamos verificar a presença de metais na pele e na derme. Suspeitava- se que esses metais estivessem presentes nesse tipo de armas [que não deixam fragmentos], mas isso nunca tinha sido demonstrado. Para nossa surpresa, mesmo as queimaduras provocadas por fósforo branco contêm alta quantidade de metais. Além disso, a presença desses metais nas armas implica que eles se dispersaram no ambiente, em quantidades e com alcance desconhecidos, e foram inalados pelas vítimas e por aqueles que testemunharam os ataques. Portanto, constituem um risco para os sobreviventes e para as pessoas que não foram diretamente atingidas pelo bombardeio”.

Testes bélicos
Um risco de longo alcance: um dos metais utilizados, o urânio, radioativo, é utilizado em usinas nucleares e na produção de bombas atômicas. Ele tem vida útil de aproximadamente 4,5 bilhões de anos (urânio 238) e 700 milhões de anos (urânio 235).

Em relação aos ataques atuais, de agosto de 2011, pesquisadores do NWRG comentaram, ao ver imagens de feridos, transmitidas por uma estação de TV de Gaza, que o exército israelense parecia utilizar as mesmas armas da Operação Chumbo Fundido. Engano. As de agora são mais devastadoras, segundo o médico Ayman Al Sahbani, do hospital Al-Shifa.

E permitem concluir que a nova investida contra Gaza não está ligada apenas à tentativa de tirar os indignados israelenses dos noticiários ou de deter os foguetes que brigadas como a Jihad Islâmica atiram no sul de Israel. Os ataques também servem ao propósito de observar os efeitos da mistura de novas substâncias, às quais se acrescentou a tecnologia das bombas de fragmentação.

O médico Al-Sahbani deplora a situação, pedindo que o mundo todo conheça o drama de Gaza e faça algo para detê-lo. “Somos humanos e só queremos viver com liberdade, trabalhar corretamente, ver nossos filhos crescerem livres, como em outros países”, declara. “Em outros países, as crianças jogam futebol, nadam em piscinas sem o risco de ser bombardeadas, amputadas e mortas, como acontece em Gaza. Que tipo de vida é esse para uma criança?” (com informações de Julie Webb- Pullman, do portal Scoop Independent News, diretamente de Gaza)
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/

Para os professores de MG: Minas avança...CONTRA a Educação! - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Exposição em Berlim causa sensação ao revelar Banksy “perdido”

Exposição em Berlim causa sensação ao revelar Banksy “perdido”
"Every picture tells a lie!", mural de Banksy recuperado e exposto em Berlim

Obra do americano Brad Downey restaura e recontextualiza antigo mural do enigmático e superpopular artista de rua Banksy na exibição "Do Not Think", que une arte contemporânea e skate em Berlim.

Banksy é um artista bem-sucedido. Sua arte consegue ser política e comercial. Ela é acessível a qualquer pessoa nas ruas das grandes cidades do mundo e ao mesmo tempo leva multidões a museus e galerias. Uma superestrela sem rosto, livre no seu anonimato. Se Banksy é esperto ou talentoso, já não importa. Seu nome e sua marca atraem a atenção e geram retorno. No mundo da internet e do DIY (do it yourself, faça você mesmo, em inglês), Banksy é o rei.Detalhe da obra de Downey
Isso explica a histeria despertada na mídia alemã pelo seu mural "perdido", conhecido como Every picture tells a lie!. Uma histeria que não explica nem contextualiza por que o mural está exposto na cidade: ele foi recuperado e restaurado pelo artista Brad Downey e faz parte da instalação What lies beneath (o que se encontra por baixo, na tradução livre do inglês), uma crítica ao mercado da arte.

Radicado em Berlim, Downey chamou a atenção da mídia local em 2008, quando pichou toda a fachada da maior loja de departamentos da capital alemã, a Kadewe. O que a loja chamou de vandalismo acabou virando um vídeo, que depois fez parte da vitrine que o artista criou para a marca de roupa Lacoste na própria KaDeWe.

Pense, não pense
What lies beneath faz parte da exposição Do not think, resultado de uma residência de três meses que artistas do mundo todo fizeram em Berlim, relacionando arte contemporânea com o universo do skate. Segundo a curadora Chiara Parducci, alguns dos artistas vieram do mundo dos esportes e outros não. "Queríamos diferentes pontos de vistas para fugirmos do óbvio", diz.

O resultado desses três meses de residência foram diversas obras que transitam entre o desenho, a pintura, a escultura, o design, a música e a street art. Para Downey, esse foi o período para restaurar o mural que Banksy criara em 2003, para uma exposição coletiva da qual Downey também fizera parte. Restaurar uma obra relativamente nova de um artista vivo e colocá-la num outro contexto foi o desafio do americano.Apesar da identidade desconhecida, Banksy é um dos icones da street art
"Não há nenhum Banksy na exposição: o que vemos é o trabalho de Downey", afirma Parducci. "A restauração foi uma maneira de mostrar como a cena atual de street art é muito mais comercial." Para a curadora, isso também ocorreu com o skate, já que o esporte está diretamente relacionado com esse universo. "A obra não é uma crítica ao Banksy, mas ao mercado. O artista se tornou o logotipo que há oito anos ele utilizava para expressar seu ponto de vista", conclui.

Famoso e anônimo
Hoje a pergunta "Quem é pessoa por trás do pseudônimo?" é irrelevante. Banksy é o pseudônimo de um desconhecido artista, ativista político e diretor de cinema inglês. Nascido em Bristol em 1974, ele entrou em contato com o grafite nos anos 80. Misturando sátira e subversão, sua arte começou a tomar conta de muros, ruas e monumentos em diversas cidades no mundo.Obra de Banksy em Londres
Com a popularização da street art na década passada, a arte de guerrilha de Banksy se tornou cada vez mais ousada e popular. Atos como invadir o zoológico de Londres e escrever "Estamos cansados de peixe" na jaula dos pinguins, inserir obras suas nos museus MoMA e Metropolitan em Nova York ou substituir 500 cópias do CD de Paris Hilton por sua própria versão em lojas inglesas fizeram suas obras sairem das ruas para museus, galerias e casas de leilão.

Banksy também dirigiu o documentário Exit through the gift shop. O filme mostra a popularização da street art e brinca com a própria fama e sucesso do artista através da história de Thierry Guetta, um francês radicado em Los Angeles que passou anos filmando street artists em ação e, mesmo quase sem nenhum talento, acabou se tornando um artista popular. Indicado ao Oscar, o filme é um olhar interessante sobre o universo próprio e anônimo de Banksy.

A exposição Do not think fica em cartaz na Künstlerhaus Bethanien, em Berlim, até 23 de outubro. Depois, segue para outras cidades europeias, deixando sua mais comentada obra para trás. "Banksy fez esse mural oito anos atrás, era para durar uma exposição e desaparecer. Usamos a obra novamente para dizer algo sobre arte e o mundo que vivemos hoje. Quando sairmos de Berlim, vamos deixá-la onde a encontramos", conclui a curadora.

Texto: Marco Sanchez / Revisão: Alexandre Schossler
Fonte: http://www.dw-world.de

A nossa música está cheia de liberdade, amor e vida. Nós somos os piratas de Edelweiss - por ANA

A nossa música está cheia de liberdade, amor e vida. Nós somos os piratas de Edelweiss
Nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, os membros do regime nazi, fomentaram na juventude alemã o sentido de lealdade e de primogenitura (direito inato). Os nazis pensavam que se esperassem até eles serem adultos já seria tarde demais, a mentalidade nazi deveria ser registrada em crianças se se quisesse que aquela se apoderasse das suas mentes e crescesse neles o sentimento de apoio à causa. A Juventude Hitlerista foi fundada com essa intenção. Mesmo quando foi aberta a meninas também (as meninas podiam se inscrever na banda Deutsche Madel), o principal interesse da Juventude Hitlerista era o de conseguir o controle dos jovens homens da Alemanha. Os meninos que tivessem entre 10 e 14 anos, juntavam-se aos Deutsches Jungvolk (Gente Jovem Alemã) e aqueles com idade entre 14 e 18 anos inscreviam-se na Hitler Jugend (Juventude Hitleriana). Durante seu auge, os membros do grupo constituíam 90% da juventude elegível do país e foram a maior organização da juventude do mundo, à época.A explicação para a existência de uma percentagem tão grande de envolvidos é clara, se se pensar que o Reich não só considerava ilegal todas as outras organizações juvenis como também decretaram obrigatória a inscrição na Juventude Hitleriana; foi ainda mais longe, ao ameaçar os pais, dizendo-lhes que seus filhos iriam ser colocados em orfanatos, se recusassem que se alistassem. Quando os nazis terminaram as imposições, qualquer grupo juvenill fora da Juventude Hitleriana era considerado fora da lei.No início, a Juventude Hitleriana funcionava de forma muito semelhante à de qualquer outra organização de jovens homens. Praticavam esportes e jogos, faziam caminhadas e iam acampar, enquanto desfrutavam da sua pequena parcela de independência longe de suas famílias. No entanto, ao longo do tempo, a Juventude Hitleriana tornou-se uma organização que utilizava um treinamento militar nas suas atividades (método militarista); muitos membros estavam entediados pela falta de liberdade (eram supervisionados por membros mais velhos, que foram divididos em esquadrões tipo polícia) e insatisfeitos com suas atividades que no passado consistiam em jogos de atletismo, mas agora incluíam marchas, exercícios sobre a correta utilização das baionetas, granadas e pistolas, e manobras em abrigos, trincheiras e arame farpado. As atividades também incluíam roubo, vandalismo, luta e intimidação - devido a uma regra que proibia a polícia de prender os membros do Serviço de Patrulha da Juventude Hitleriana pelas suas atividades criminosas, tudo ocorria- sem receio das conseqüências. Estas mudanças na organização permitiram às pessoas tomar consciência das verdadeiras razões que estavam por trás da formação da Juventude Hitleriana.

Insatisfeitos com as intenções, cada vez mais transparentes, da Juventude Hitleriana e na ausência da liberdade ou diversão anunciadas pelos membros, no início, um incontável número de meninos e meninas começaram a procurar uma maneira de se separarem completamente do grupo. Alguns o fizeram deixando a escola, o que era permitido (era o normal entre os jovens de famílias da classe trabalhadora) com a idade de 14 anos, ou abandonando a Juventude Hitleriana que, devemos lembrar, era obrigatória. Se os encontrassem seriam confrontados com graves conseqüências. No entanto, durante o período anterior à Segunda Guerra Mundial, pequenos grupos (entre 10 a 15 membros), compreendendo principalmente homens entre 14 e 18 anos, começaram a procurar mútua companhia, fora da Juventude Hitleriana.

Esses grupos começaram a se formar nas maiores cidades da Alemanha nazi, como sejam Hamburgo, Leipzig, Frankfurt e Colônia, em particular, utilizando nomes como "swings" (evasores do serviço militar), "packs" (gangues), "cliques "(gangues) ou" piratas "(piratas). Os Farhtebstebze o Traveling Dudes (Cidadãos Viajantes), por exemplo, surgiram em Essen, os piratas Kittelbach Pirates (os Piratas de Kittelbach) procediam de Pberhaussen e Dusseldorf e os Navajos de Colônia. Pensa-se que os membros destes grupos, juntos, totalizariam mais de 5.000, cerca de 3.000 apenas em Colônia, e apesar de cada grupo manter uma identidade particular, com base nos lugares onde residiam, todos se consideravam Piratas de Edelweiss.

Identificados pelas placas distintivas, em metal, que usavam na lapela ou bonés, esses jovenzitos da classe trabalhadora se transformaram em "um dos maiores grupos de jovens que se recusaram a participar das atividades da juventude nazi", segundo Sally Rogow, professor do Centro de Educação do Holocausto, em Vancouver.

Para além de suas insígnias, cabelos longos, o tipo de roupa (geralmente muito colorida, camisas e shorts em xadrez, calças escuras ou Lederhosen, meias brancas e lenços ao pescoço) e as canções que tocavam e cantavam (muitas contrastantes com a música Volkish aprovada pelos nazis, foram escritas por compositores judeus ou tinham letras antinazis) estavam todas proibidas na Juventude Hitleriana e serviam para aumentar as distâncias com o grupo. Grupos individuais dos Piratas de Edelweiss reuniam-se em cafés, em parques ou nas esquinas das ruas, durante a noite, caminhavam a pé, a andar de bicicleta no campo ou a viajar fazendo camping (acampando) ou iam às cidades vizinhas para visitar seus companheiros Piratas. Não devemos esquecer que estes passatempos, tirados do contexto, parecem muito inofensivos. No entanto, de acordo com as restrições nazis, todo o grupo de jovens formado fora da associação da Juventude Hitleriana era considerado fora da lei.

Os Piratas geralmente trabalhavam em usinas ou fábricas, mas diz-se que pouco a pouco se tornaram pouco produtivos, com sua própria ética de trabalho, e por fim apenas párias sociais (?). Devido às suas origens semelhantes e ambientes comuns, e seu número pequeno, existia uma grande coesão entre eles. Muitas vezes, não tinham amigos fora do circuito dos companheiros Piratas. A pequena percentagem de adolescentes que não aderiram à Juventude Hitleriana foi excluída pelos seus membros, por isso não foi de um lado só, como parecia, o comportamento anti-social dos Piratas. E não devem ser confundidos com "jovens de rua delinqüentes", observa atentamente Rogow. "Eles eram apenas os filhos e filhas de pais da classe trabalhadora" jovem demais para servir como soldados. No entanto, eles tinham antecedentes difíceis e alguns não tinham pais, pois estes por serem comunistas ou anarcosindicalistas, haviam sido presos ou mortos. Outros tinham ficado sem pais, porque estes estavam lutando na guerra.

À medida que a guerra progredia também assim acontecia com a seriedade das atividades em que participavam os Piratas de Edelweiss. Os Piratas de Colônia "ofereciam apoio aos desertores do exército alemão, aos prisioneiros dos campos de concentração e aos evadidos dos campos de trabalho forçado", diz Rogrow, enquanto que outros "faziam incursões armadas a depósitos militares e faziam sabotagem de propósito à produção de guerra".

Havia outros que pregavam partidas aos nazis. Julich se lembra de como ele e seus amigos estavam jogando tijolos para dentro das fábricas de munições e de como derramavam água com açúcar nos tanques de gasolina dos carros dos nazis. Outros Piratas enchiam os muros da cidade com frases pintadas a spray como "Abaixo Hitler" ou "Abaixo a brutalidade nazi".Algumas roubavam, saqueando alimentos e mercadoria dos negócios ou dos trens de carga, ou descarrilavam vagões de trem cheio de munições e abasteciam de explosivos grupos de adultos da resistência. Piratas dos diferentes povos "se encontravam no campo, para troca de informações, escutadas ilegalmente ao ouvir a BBC World Service, ou planejar a distribuição de folhetos nas aldeias de cada um, de modo a que a polícia local não os reconhecesse", afirma Hannah Cleaver do Daily Telegraph de Londres. Os folhetos continham propaganda ou incentivavam os soldados alemães para pararem de lutar e voltarem para junto das suas famílias.

Em uma entrevista, Walter Mayer, um antigo membro dos Piratas de Edelweiss, lembra-se que aos 16 anos se juntava, com seus companheiros dos Piratas, num café de Dusseldorf, jogando bilhar. Um dos seus companheiros perguntou: "que vamos fazer a seguir?" E então um deles disse: "Vocês conhecem a Juventude Hitleriana? Todos eles guardam seus equipamentos no lugar tal e tal. Vamos fazê-los desaparecer"."Bem, quando vamos nos encontrar?" "Na data de tal e tal”... e isso foi o que fizemos... creio que começamos esvaziando os pneus. A seguir fizemos desaparecer a bicicleta inteira e chegamos a um ponto onde havia já queixas demais.

Os Piratas de Edelweiss faziam todo o possível para evitar a Patrulha da Juventude Hitleriana que estava sempre em busca de membros dos Piratas, mas alguns provocavam brigas (um dos seus slogans era, afinal de contas, "Guerra Eterna contra a Juventude Hitleriana", atacando os seus inimigos (armas foram usadas em diversas ocasiões), sentindo-se orgulhosos de seus triunfos, que não eram invulgares...

Os piratas que fossem apanhados sabiam que teriam de lidar com várias conseqüências. No mínimo, os piratas capturados seriam ameaçados, espancados ou submetidos a uma cabeça rapada, uma das mais populares formas de humilhação. Eles também eram feitos prisioneiros e enviados para reformatórios, hospitais psiquiátricos, ou campos de trabalho forçado, de reabilitação ou de concentração. Outros foram simplesmente mortos.Aos 15 anos, o pirata Julich foi apanhado, junto com vários outros, torturado e levado preso por quatro meses. Um amigo de Julich, o companheiro de prisão e pirata Bartolomaeus (Barthel) Schink, um membro do grupo Navajo Ehrenfeld, foi enforcado na prisão. "A causa da morte de Bartel Schink era ser um membro dos Piratas de Edelweiss", disse Julich. "E é verdade que planejava explodir um prédio na Gestapo em Colônia, juntamente com Hans Steinbrück". “Mas, acrescenta ele, Schink nunca tinha matado ninguém”.

Shink morreu enforcado, sem julgamento, como criminoso, juntamente com sete outros adultos e cinco adolescentes e Piratas, sendo ele o mais novo.

Em 1988, os Piratas de Edelweiss foram reconhecidos como "Justos entre as Nações" pelo Yad Vashem em Jerusalém, mas somente depois de 2005, graças à contínua instigação do pirata Julich e da pirata Gertrud Koch, o grupo foi "politicamente reabilitado", a denominação de criminosos posta pela Gestapo foi revogada e foram reconhecidos como "lutadores da resistência" e homenageados. "Nós pertencíamos à classe trabalhadora e foi principalmente por essa razão que fomos reconhecidos apenas recentemente”, afirma Koch, de 81 anos.

O jornalista Cleaver afirma: "Depois da guerra não havia juízes na Alemanha, então os velhos juízes nazis foram usados e mantinham a criminalização (sic) do que eles fizeram e de quem éramos". Koch, que até agora usa o seu apelido ou código de Edelweiss Mucki", diz, falando acerca dos Piratas: "Restam apenas cinco de nós em Colônia. Quatro dos meninos e eu”.

A história dos piratas está obtendo, embora lentamente, o devido reconhecimento. Julich publicou suas memórias e contribuiu de várias maneiras para dar o merecido reconhecimento aos Piratas. Ele apoiou a liberação do filme alemão de 2005, “Edelweiss Pirates”, dedicado a Schink e dois outros adolescentes, proclamando-os "corajosos lutadores" e a sua bela voz pode ser ouvida em uma gravação recente de "Há guerra em Xangai", uma canção popular pirata. "É a guerra em Xangai" era uma canção romântica dos Piratas, que era cantada ao redor do fogo nos acampamentos", explica Julixh. "Foi uma canção política, era dirigida aos estrangeiros, com o desejo de companheirismo e independência”.

Os nazis não cantavam essa canção porque ela não era coerente com a sua ideologia.

O fato de os Piratas terem feito florescer a sua própria maneira de estar no mundo foi motivo suficiente para impulsioná-los para a ação e suficiente forte para apoiá-los, para fazê-los suportar as crueldades que os esperavam, é infinitamente impressionante. Pode ter sido devido a esses jovens que resultaram tão claras as atrocidades do regime nazi e por isso a sua decisão de oposição foi tão total.

Sua decisão foi de resistência e, como conseqüência, portanto, foi plena de dificuldades, assim como também pleno foi o seu desejo de liberdade, pois, como diz uma de suas canções: "Nossa música está cheia de liberdade, amor e vida. Nós somos os Piratas de Edelweiss”.

Vídeo:
› http://www.youtube.com/watch?v=IrUsjRLF4pA
Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana
este arco-íris,
quando ainda chovia,
estava dormindo?
Osiris Seiler Roriz Sobrinho

Que substituirá a social-democracia? - por Immanuel Wallerstein

Que substituirá a social-democracia?Immanuel Wallerstein afirma: ilusão num capitalismo “humanizado” persiste; converteu-se em crença nos BRICs; perdurará até surgimento de novo projeto transformador

A social-democracia teve seu apogeu no período entre 1945 e o final dos anos 1960. Naquele momento, representou uma ideologia e um movimento que lutaram pelo uso dos recursos do Estado para assegurar alguma distribuição em favor das maiorias, de distintas formas concretas. Expansão dos sistemas de Saúde e Educação. Garantia de níveis de renda ao longo da vida, por meio de programas que atenderam às necessidades dos sem-emprego, particularmente as crianças e idosos. Programas para reduzir o desemprego. A social-democracia prometeu um futuro sempre melhor para as gerações seguintes, algo como a elevação permanente da renda nacional e das famílias. Chamou-se isso de “estado do bem-estar social”. Era uma ideologia que refletia o ponto de vista segundo o qual o capitalismo poderia ser “reformado” e assumir uma face mais humana.

Os social-democratas foram particularmente poderosos na Europa Ocidental, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos (onde eram chamados Democratas do New Deal). Em outras palavras, nos países ricos do sistema-mundo, aqueles que poderiam ser chamados de integrantes do mundo pan-europeu. Seu sucesso foi tão vasto que seus oponentes à direita também adotaram o conceito de estado do bem-estar social, limitando-se a reduzir sua abrangência e seus custos. No resto do mundo, os estados tentaram pular no bonde por meio de projetos de “desenvolvimento nacional”.

A social-democracia foi um projeto muito bem-sucedido durante este período. Tornou-se viável graças a duas realidades daquele tempo: a incrível expansão da economia-mundo criou os recursos que fizeram a redistribuição possível; e a hegemonia dos Estados Unidos no sistema-mundo assegurou relativa estabilidade e, em especial, a ausência de violência grave no interior desta zona rica.

O quadro cor-de-rosa não durou. Ambas as realidades se esgotaram. A economia-mundo deixou de se expandir e entrou em longa estagnação, na qual ainda vivemos; e os Estados Unidos iniciaram seu longo, ainda que lento, declínio enquanto potência hegemônica. Ambas realidades aceleraram-se consideravelmente no século 21.

A nova era iniciada nos anos 1970 viu o fim do consenso centrista em torndo das virtudes do estado de bem-estar social e do “desenvolvimento” estimulado pelo Estado. Tal consenso foi substituído por um nova ideologia mais à direita — chamada de neoliberalismo, ou Consenso de Washington — que sustentava os méritos da gestão da sociedade pelos mercados, mais que pelos governos. Afirmou-se que este programa baseava-se na realidade, supostamente nova, da “globalização”, diante da qual “não havia alternativa”.

A implementação dos programas neoliberais parecia favorecer altos níveis de “crescimento” nos mercados de ações, mas ao mesmo tempo levou, em todo o mundo, a níveis crescentes de endividamento e desemprego – e a níveis mais baixos de renda para a vasta maioria das populações do planeta. Ainda assim, os partidos que haviam sido os pilares os programas social-democratas, à esquerda, moveram-se para a direita, retirando ou reduzindo o apoio ao estado do bem-estar social e aceitando que o papel dos governos reformistas deveria ser reduzido consideravelmente.

Embora os efeitos negativos sobre a maioria das populações fossem sentidos mesmo no interior do mundo pan-europeu rico, eles afetaram de modo mais agudo o resto do mundo. Que seus governos fizeram? Começaram a tirar partido do declínio relativo econômico e geopolítico dos Estados Unidos (e, mais amplamente, do mundo pan-europeu). Focaram em seu próprio “desenvolvimento nacional”. Usaram o poder de seus aparatos de estado e seus custos de produção mais baixos para se converter em nações “emergentes”. Quanto mais à esquerda estivessem sua retórica, e mesmo seu compromisso político, mais eles mostraram-se determinados a “desenvolver”.

Esta atitude poderá ajudá-los, como fez em realação aos países do mundo pan-europeu no período pós-1945? Não é nem um pouco certo que sim, apesar das impressionantes taxas de “crescimento” de algumas destas nações – particularmente os tão-falados BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China) – nos últimos cinco ou dez anos. Porque há sérias diferenças entre o atual estado do sistema-mundo e o vivido no imediato pós-1945.

Primeiro, os custos de produção são hoje, apesar dos esforços dos neoliberais, consideravelmente maiores que os do período pós-1945, o que ameça as possibilidades reais de acumulação de capital. Isso torna o capitalismo um sistema menos atraente para os capitalistas. Os mais sagazes, dentre estes, estão procurando meios alternativos de assegurar seus privilégios.

Segundo, a capacidade das nações emergentes para ampliar, a curto prazo, sua riqueza exerce grande pressão sobre os recursos necessários para atender suas necessidades. Surgiu, em consequência, uma corrida sempre crescente por terras, água, alimentos e recursos energéticos. Ela está levando a lutas ferozes e, ao mesmo tempo, reduzindo a capacidade global dos capitalistas em acumular capital.

Terceiro, a enorme expansão da produção capitalista criou sérias pressões sobre a natureza em todo o mundo, a ponto de provocar uma crise climática, cujas consequências ameaçam a qualidade de vida em todo o mundo. Este processo desencadeou um movimento que busca questionar as virtudes do “crescimento” e do “desenvolvimento”, enquanto objetivos econômico. A exigência crescente de uma perspectiva “civilizacional” diferente é o que está sendo chamado, em países da América Latina, de movimento pelo “bien vivir”.

Quarto, as demandas de grupos subalternos por participação real nos processos de tomada de decisões dirigem-se não apenas aos “capitalistas”, mas também aos governos de “esquerda” que estão promovendo o “desenvolvimento” nacional.

Quinto, a combinação de todos estes fatores, mais o declínio visível do antigo poder hegemônico gerou um clima de flutuações constantes e radicais, tanto na economia-mundo quando na situação geopolítica. O resultado foi a paralisia tanto dos empreendedores quanto dos governos do mundo. O grau de incerteza – no longo e no curto prazo – elevou-se acentuadamente, e com ele o nivel real de violência.

A solução social-democrata tornou-se uma ilusão. A questão é: que irá tomar o seu lugar, para a vasta maioria das populações do planeta?

Tradução: Antonio Martins
Fonte: http://www.outraspalavras.net

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

EUA prometem barrar Estado palestino. Europa está dividida - por Eduardo Febbro

EUA prometem barrar Estado palestino. Europa está dividida.O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, acendeu um pavio que fez voar em pedaços a máscara das potências ocidentais. Abbas anunciou que no próximo dia 23 de setembro pedirá ante o Conselho de Segurança da ONU o reconhecimento da Palestina como Estado de pleno direito.

Aliados incondicionais de Israel, os Estados Unidos, que nada fizeram desde que Obama chegou ao poder para desbloquear o processo de paz, manifestaram-se rapidamente para julgar "contraproducente" a iniciativa de Abbas enquanto que a União Europeia, por meio da chefe da diplomacia europeia, a escandalosa e inoperante Catherine Ashton, defendeu uma "solução construtiva" que conduza à retomada das negociações entre Israel e Palestina.

A fórmula da comissária europeia é de um cinismo calamitoso: ao cabo de 18 anos de negociações o processo não conduziu a nenhum acordo tangível. Os europeus, lúcidos na hora de falar, mas imobilistas na hora de agir, não conseguiram influir em nenhuma das administrações israelenses enquanto Washington foi incapaz de obter de Israel a mais mínima concessão capaz de fazer o processo avançar.

A proclamação de um Estado palestino pretende por fim ao infrutífero regime de negociação instaurados pelos acordos de Oslo. Por outro lado, o movimento de Mahmud Abbas não tem saída já que os EUA adiantaram que exercerão seu poder de veto no Conselho de Segurança. A Palestina não se converterá então no Estado número 194 das Nações Unidas. O máximo que pode conseguir é um estatuto semelhante ao do Vaticano.

Contudo, a decisão do presidente da Autoridade Palestina é tanto mais emblemática na medida em que ela ocorre no momento em que os países árabes passam por um intenso processo revolucionário. Resulta incongruente para Estados Unidos e União Europeia opor-se a um Estado palestino, ou seja, seguir apoiando Israel incondicionalmente, ao mesmo tempo em que, ainda que tardiamente, apoiaram a primavera árabe. O cinismo sempre se faz evidente quando chega o momento de tomar uma posição.

Mahmud Abbas ignorou as insistentes recomendações dos emissários norteamericanos, da União Europeia e do inócuo Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, Russia, União Europeia e ONU). Ainda que os diálogos tenham fracassado, o Velho Continente insiste em dizer que a União Europeia vai "redobrar" seus esforços para "retomar as negociações entre as partes o mais rápido possível". Segundo disse a senhora Ashton, "esse é o único meio de por fim ao conflito".

Assim como ocorre com outros grandes temas cruciais da política internacional, os países da União Europeia estão profundamente divididos sobre a questão. Itália, República Tcheca, Holanda e Polônia se mostram hostis à criação de um Estado palestino reconhecido pela ONU. Ainda que em menor medida, a Alemanha não simpatiza com a ideia. O resto dos países da UE tem uma tendência favorável, mas sabem que a iniciativa palestina pode causar divisões na unidade do grupo. Paris afirmou que "assumirá suas responsabilidades" e precisou que a posição francesa está "guiada pela tripla preocupação de preservar a perspectiva de uma reativação do processo de negociação, evitar a confrontação diplomática e manter a unidade europeia". As três aspirações simultâneas parecem hoje inalcançáveis.

O portavoz do Departamento de Estado norteamericano, Mark Toner, considerou que a proclamação de um Estado palestino não conduzirá à meta desejada, ou seja, a existência de "dois Estados convivendo em paz e segurança". Washington e os europeus clamam por um acordo de paz "completo", mas esta perspectiva foi se evaporando com a ampliação da colonização israelense na Cisjordânia.

A posição de Mahmud Abbas tampouco é confortável. Desde maio passado não consegue formar um governo de unidade nacional, seu mandato já expirou, e o território palestino de Gaza permanece mais dividido do que nunca através de suas respectivas administrações, os fundamentalistas do Hamas e a OLP. Quando anunciou que falaria na ONU no próximo dia 23, Abbas manteve intactas as reivindicações históricas da OLP : um Estado palestino dentro das fronteiras do armistício de 1948, um Estado com Jerusalém Oriental como capital, o retorno dos refugiados e a plena soberania.

A atuação da administração Obama na crise palestina tem sido um fracasso total. Obama suscitou enormes esperanças quando foi eleito e, há pouco mais de dois anos, em um discurso pronunciado no Cairo (junho de 2009), realimentou-as quando disse : "A situação dos palestinos é intolerável". Mas, até agora, não foi capaz sequer de impedir que Israel siga construindo colônias na Cisjordânia.

Eduardo Febbro é Correspondente da Carta Maior em Paris
Artigo publicado originalmente no site da Carta Maior
Fonte: Opera Mundi

Guerra sem fim: Afeganistão: os talibã comandam a narrativa - Por Gareth Porter

Afeganistão: os talibã comandam a narrativaO general David Petraeus escreveu em 2006, no manual de sua autoria para a contraguerrilha, que os quartéis-generais do comando norte-americano deviam fixar “uma narrativa” para a guerra de contraguerrilha – o roteiro de uma história, necessariamente simples, que garantisse um contexto a partir do qual interpretar e entender os eventos, tanto para a população dos EUA quanto para públicos internacionais.

Essa semana, contudo, ataques dos Talibã contra vários alvos em Kabul, entre os quais a embaixada dos EUA e o quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), são os mais recentes e mais espetaculares de uma série de eventos que deram à guerrilha o controle da narrativa da guerra – como a vê a população afegã.

Esses ataques e outras operações que já estiveram nas manchetes em 2010 visaram a convencer os afegãos de que os Talibã podem atacar o alvo que escolham no país, porque já infiltraram seus agentes em órgãos da polícia, do governo e também no aparelho militar afegão.

No dia seguinte aos recentes ataques, a narrativa da guerra dos Talibã alcançou novo patamar de influência, quando um nome da oposição política ao presidente Hamid Karzai, aliado próximo de destacado senhor-da-guerra pashtun, declarou publicamente que os Talibã jamais conseguiriam deflagrar conjunto de operações tão sofisticadamente coordenadas no centro da capital do país, se não tivessem recebido ajuda de dentro do aparelho de segurança do Afeganistão.

Os Talibã deflagraram três ataques de alta sofisticação em Kabul ao longo dos três últimos meses, envolvendo homens-bomba e comandos armados com lança-granadas.

No final de junho, seis suicidas-bombas atacaram o Hotel Intercontinental, ponto preferido dos ocidentais na capital, para realizarem encontros e simpósios, que deixou o prédio sem energia elétrica por várias horas.

Em agosto, os guerrilheiros deflagraram ataque muito mais complexo contra o Conselho Britânico [ing. British Council], agência semigovernamental que organiza eventos culturais. O ataque envolveu um suicida-bomba numa intersecção na área oeste da capital Kabul, seguido de ataque ao ponto de controle policial que guarda o Conselho Britânico, e um carro-bomba que destruiu o muro que cerca o prédio e permitiu que os suicidas-bomba entrassem no complexo.

Ataques na capital eram pressupostos impossíveis depois que se instalou um “anel de ferro” em torno da cidade. Depois que os Talibã atacaram no centro de Kabul em janeiro de 2010, a polícia afegã, com consultoria e financiamento dos militares norte-americanos, instalaram um sistema de 25 postos de segurança em torno da capital, guardados por 800 policiais do batalhão do comando policial da cidade de Kabul.

Mesmo assim, os guerrilheiros conseguiram contrabandear armas, inclusive lançadores de granadas, através do cordão de segurança e mantiveram sob ataque, durante um dia inteiro, o quartel-general da Força Internacional de Assistência à Segurança [ing. International Security Assistance Force (ISAF)].

Pela primeira vez, um importante líder político em Kabul concedeu que os atacantes haviam contado com apoio de gente de dentro do aparelho de segurança do governo afegão.

Mohammed Naim Hamidzai Lalai, presidente da Comissão de Segurança Interna do parlamento e aliado político do poderoso Gul Agha Sherzai, senhor-da-guerra pashtun, declarou que “a natureza e a escala do ataque de hoje” mostrou que os Talibã receberam “auxílio e orientação de alguns oficiais da segurança dentro do governo, seus simpatizantes” – segundo o New York Times[1].

“Teria sido impossível que planejadores e estrategistas do ataque montassem operação tão sofisticada e complexa, nesse local extremamente bem guardado, se não contassem com a cumplicidade de gente de dentro” – disse Lalai.

No centro da estratégia dos Talibã está uma série de assassinatos de altas figuras do governo afegão, que provam a capacidade dos guerrilheiros para infiltrar agentes até nos pontos mais protegidos do país.

Em meados de abril, um suicida-bomba Talibã, usando uniforme de policial, conseguiu invadir a segurança à frente do quartel-general de polícia em Kandahar, e matou o chefe da polícia provincial.

Dia 28 de maio, outro suicida-bomba que conseguiu entrar no complexo de prédios onde está instalado o governo provincial da província de Takhar e detonou seu colete de explosivos no hall de uma sala de reuniões, matando o chefe de polícia do norte do Afeganistão, general Mohammad Daud Daud.

Em julho, o meio-irmão do presidente Karzai, Ahmed Wali Karzai, e capo político, de estilo mafioso, da província de Kandahar, foi morto por seu, há muito tempo, chefe de segurança, Sardar Mohammad. Mohammad, conhecido das Forças Especiais de Segurança e da CIA, que há anos mantinham contato estreito com Wali Karzai.

Mas Mahmoud Karzai, outro irmão do presidente, disse ao jornalista Julius Cavendish do jornal The Independent de Londres, poucos dias depois do assassinato, que Mohammad viajara a Quetta, no Paquistão, onde se encontrara com os Talibã; e que recebera vários telefonemas no meio da noite. A família Karzai concluiu que Mohammad fora recrutado pelos Talibã para assassinar Wali Karzai, segundo Mahmoud Karzai.

O elemento mais importante na construção da narrativa dos Talibã, parece ser as repetidas denúncias de ataques de soldados e policiais afegãos contra soldados de EUA e OTAN. Segundo números oficiais da OTAN, entre março de 2009 e junho de 2011, foram mortos, no mínimo, 57 soldados estrangeiros, entre os quais 32 norte-americanos, em pelo menos 19 daqueles ataques.

Relutantemente, funcionários da inteligência e militares dos EUA, tiveram de reconhecer que a maior parte, se não todos aqueles ataques, haviam sido resultado de os agentes de inteligência dos Talibã já terem recrutado quadros do aparelho de segurança afegão para atacarem soldados dos EUA e OTAN, entregues, os recrutados, evidentemente, a altos riscos.

Em junho, os EUA decidiram enviar número não sabido de agentes de contrainteligência com a missão de implantar processos mais rigorosos para identificar soldados com maior probabilidade de serem recrutados pelos Talibã.

Para aumentar ainda mais a penetração e a eficácia da narrativa dos Talibã, houve uma muito cuidadosamente planejada ação para libertar cerca de 500 prisioneiros, que estavam na ala de segurança da prisão de Sarposa em Kandahar; para essa ação, uns poucos prisioneiros cavaram, durante meses, um túnel de 300 metros de extensão. A libertação de tantos prisioneiros só foi possível porque um agente dos Talibã ou simpatizante infiltrado forneceu aos prisioneiros cópias das chaves das celas, com as quais os prisioneiros envolvidos no plano de fuga puderam abrir as celas de todos os demais que escaparam pelo túnel.

Duas semanas adiante, os Talibã praticaram outro ataque complexo a alvos chaves do governo em Kandahar, inclusive ao gabinete do governador, à agência afegã de inteligência e a central de polícia. A ofensiva em Kandahar envolveu sete explosões na cidade, seis das quais por ação de suicidas-bombas.

Os Talibã conseguiram atacar livremente em Kandahar, apesar do que o brigadeiro-general canadense Daniel Menard chamou de “anel de estabilidade” – um cordão de segurança que, supostamente, impediria que guerrilheiros Talibã entrassem na cidade.

Em fevereiro de 2010, Menard, que comandava a Força Tarefa de Kandahar em nome da ISAF, vangloriara-se de que, com um total de cerca de 6.000 soldados dos EUA e Canadá empenhados em combater as forças dos Talibã na província de Kandahar, “posso literalmente quebrar a espinha deles”.

Apesar disso, os Talibã continuaram a operar livremente na cidade. Como disse Peter Dmitrov, ex-oficial militar canadense, que trabalha hoje como consultor de segurança para organizações não governamentais no Afeganistão, falando ao jornal The Canadian Press, “O anel, de fato, nunca chegou a ser fechado, nem modelado, nem formado”.

A estratégia de guerra dos EUA baseava-se, pelo menos em parte, em convencer os afegãos de que os EUA permaneceriam indefinidamente nos EUA, e que os Talibã seriam minados e enfraquecidos. Mas, hoje, a narrativa de guerra dos Talibã, segundo a qual os Talibã conseguem penetrar até nas defesas mais bem construídas dos EUA, e não são derrotáveis, já parece muito mais crível, a afegãos de todas as orientações políticas, que a narrativa criada pelos estrategistas norte-americanos.

[1] NYT, 14/9/2011, em http://www.nytimes.com/2011/09/14/world/asia/14afghanistan.html
Por Gareth Porter, Asia Times | Tradução Vila Vudu
Fonte: www.outraspalavras.net

sábado, 17 de setembro de 2011

Rede de contatos na internet pretende acabar com a eutanásia de animais - Por Natalia Cesana

Rede de contatos na internet pretende acabar com a eutanásia de animaisSite FosterSpot ajuda animais a encontrarem um destino feliz (Imagem: Reprodução)
De acordo com a Sociedade Americana de Proteção à Crueldade Animal (ASPCA), 60% dos animais que vão para abrigos dos Estados Unidos são eutanasiados. Desses, mais de 4 milhões, são mortos devido à superlotação. Entretanto, um novo site, http://www.fosterspot.com/, clama pelo fim da eutanásia de animais saudáveis e propondo a criação de uma rede de contatos nacionais entre abrigos e lares temporários, segundo informou o jornal The Sacramento Bee. Com isso, o projeto pretende salvar milhões de vidas animais e aliviar a lotação dos abrigos.

Parece que toda cidade sempre tem uma nova história de uma casa com 30 gatos que foram removidos pela SPCA local, pela Sociedade Humanitária ou pelo Controle Animal. Tal aumento repentino abala a situação dos abrigos. Esse peso, porém, pode ser reduzido através do Foster Spot. Abrigos e grupos de resgate podem encontrar potenciais lares temporários pelo site.

Abrigos podem cadastrar sua organização e a lista específica de animais que precisam temporariamente de um lar. Informações detalhadas incluindo ressalvas (por exemplo, “não lida bem com gatos”) e cuidados especiais podem ser listadas para cada animal. Os interessados em atuar como lar temporário podem navegar pelas listas e se cadastrar para receber avisos de um abrigo específico, de uma espécie e ou de uma raça específica. Os interessados entram em contato com o abrigo pelo próprio site e acertam como será a parceria.

O fim da eutanásia está a um passo!
Fonte: www.anda.jor.br

O Lehman Brothers e a amnésia neoliberal - por Saul Leblon

O Lehman Brothers e a amnésia neoliberalOs mercados financeiros são autorreguláveis. Os mercados financeiros sabem alocar recursos ao menor custo, com maior eficiência. Os mercados financeiros dispensam o planejamento público; tornam irrelevante a intervenção do Estado na economia. Até 15 de setembro de 2008, apesar dos indícios robustos em sentido contrário, o mantra das finanças desreguladas continuava a martelar sua supremacia urbi et orbi.

Os sinais de que as coisas não iam bem piscavam no painel de controles para quem quisesse enxergar. O Bear Stearns havia quebrado sendo adquirido pelo JP Morgan, numa operação de resgate com aportes de pai para filho fornecido pelo Fed (Federal Reserve). As gigantes do crédito imobiliário norte-americano, Fannie e Freddie, respiravam por aparelhos com oxigênio do banco central norte-americano. O medo flertava com o pânico à noite. Pela manhã, no entanto, os executivos do governo, os operadores das finanças e seus ventríloquos na mídia reafirmavam a autossuficiência dos mercados nos ajustes necessários.

Mas, na segunda-feira, dia 15, logo cedo, num cochilo do governo Bush, ou quem sabe num delírio de fé neoliberal na proficiência purgativa dos mercados, estourou a notícia do pedido de falência do quarto maior banco dos EUA, o Lehman Brothers.

O desabar ruidoso da centenária instituição tornou-se o símbolo e a espoleta de um colapso econômico que já dura três anos. Nesse meio tempo, o desemprego arrebanhou mais de 40 milhões no mundo; o total de famintos ultrapassou a marca de um bilhão de pessoas; o PIB mundial esfarelou e caminha de lado; milhares de empresas quebraram, dezenas de milhares de famílias sofreram o desmonte típico dos períodos de desmanche econômico, psíquico e social.

Ainda não foi suficiente para que a lógica geradora da crise deixasse de ser prescrita como terapia para o doente.

Não é preciso ir à Europa onde a social-democracia, de mãos dadas com o FMI, este mais moderado que aquela, comete a eutanásia do que resta do Estado do Bem-Estar Social adotando o arrocho fiscal para acalmar credores inquietos com tesouros falidos.

Tampouco é necessário atravessar o Atlântico para documentar as turquesas de tibiez democrata e extremismo neoliberal republicano que espremem e imobilizam a maior economia capitalista da terra. Fiquemos por aqui onde a oferta não decepciona.

No dia 25 de agosto, por exemplo, a fina flor da sapiência tucana reuniu-se no Instituto Fernando Henrique Cardoso para refletir sobre a oportuna pauta: “Transição incompleta e dilemas da (macro) economia brasileira”. Estavam ali expoentes da cepa que hoje, em plena crise mundial, seriam a voz e o comando do Estado brasileiro se a coalizão demotucana e não o PT tivesse vencido o pleito de 2010. Participaram os economistas André Lara Resende, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Pérsio Arida, “pais” do Plano Real, ademais de ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central.

O fruto do ventre tucano não se deu por vencido. E dobrou a aposta na agenda do neoliberalismo ao propugnar um novo degrau de desregulação radical da economia brasileira, com perorações desabridas por maior redução do papel do Estado na sociedade, privatizações, livre conversão da moeda e, portanto, absoluta liberdade de circulação de capitais.

Três anos depois, tudo se passa como se a maior crise do capitalismo desde 1929 não tivesse origem, nem causas. Ou melhor, como se a sua causa fossem Estados fiscalmente destroçados no socorro aos mercados que agora, de própria voz, ou através de seu dispositivo midiático, cobram austeridade, cortes de gastos e juros escorchantes para financiar o déficit público. Ou então, como ocorre no Brasil, negam à sociedade o direito a um Estado capaz de prover um atendimento de saúde digno, para não tributar as finanças.

Discutida no Congresso desde junho de 2008, a CSS (Contribuição Social para a Saúde), propiciaria à saúde pública recursos vinculados e intransferíveis, constituindo-se assim num imposto mais eficiente e justo que a CPMF extinta pelo conservadorismo nativo em 2007. Mas um destaque apresentado pelo DEM veta a taxação de 0,1% sobre movimentações financeiras. Sem ela, o novo tributo se torna inviável. As finanças são poupadas. A fila do SUS estrebucha.

A amnésia da opinião pública inoculada pela mídia do dinheiro ameaça o mundo com um upgrade neoliberal de conseqüências devastadoras para uma economia, e uma sociedade exauridas por três anos de penalizações. Por isso é importante lembrar. E refletir sobre as causas e consequências daquela falência de 15 de setembro de 2008, que funcionou para a crise como uma espécie de terceira torre do World Trade Center. Com a diferença que o seu efeito dominó ainda não cessou.

Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

[França] Resposta antifascista em Forbach - por ANA

[França] Resposta antifascista em Forbach [Mais de uma centena de antifascistas tomaram as ruas de Forbach contra a manifestação e instalação de um grupo de direita na cidade.]

No domingo passado (11 de setembro), um grupo fascista pretendia se manifestar nas ruas de Forbach (no nordeste da França) contra a islamização na Europa. A manifestação foi proibida, mas ainda assim mais de uma centena de antifascistas responderam ao apelo da CNT de Moselle e desfilaram pelas ruas da cidade por cerca de duas horas.Esta manifestação antifascista é especialmente importante numa área onde os fascistas de Marine Le Pen colhem há anos resultados eleitorais espetaculares (35-40% dos votos). Trata-se de uma região duramente atingida pelo desemprego, acima dos 20%, e fica perto da fronteira alemã, assim os partidos nazistas tentam recuperar o eleitorado e espalhar a sua mensagem racista. Além disso, os grupos nazistas alemães organizam concertos de música racista por estar perto da França, Luxemburgo e Bélgica.

A CNT de Moselle avalia muito positivamente a mobilização, já que possibilitou informar os moradores de Forbach de que os neonazistas pretendiam se estabelecer permanentemente na cidade (além da manifestação estava prevista a inauguração de um espaço nazista).

A CNT também critica em seu comunicado a estratégia de recuperação realizada por vários senadores do PSOE, que na última hora escreveram ao Ministro do Interior para pedir a proibição da marcha nazista. A CNT de Moselle quer deixa claro que continuará combatendo os fascistas nas ruas, e estará presente em qualquer lugar aonde eles busquem propagar suas idéias.

agência de notícias anarquistas-ana
Primavera vem.
Multicolorindo os campos
Borboletas mil.
Francisco Ferreira

Belo Monte: fonte fajuta mente sobre medidas cautelares da CIDH e expõe O Globo - Por Xingu Vivo

Belo Monte: fonte fajuta mente sobre medidas cautelares da CIDH e expõe O Globo A matéria de O Globo ignorava, ou escondia, até mesmo que nenhum funcionário da OEA está autorizado a falar em nome da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, autônoma ante a Organização.

Nesta quinta, 15, o jornal O Globo publicou uma matéria na qual noticiou que “a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), que há cinco meses havia baixado uma medida cautelar pedindo ao governo brasileiro que suspendesse o empreendimento [de Belo Monte], enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff se retratando e pondo um ponto final no impasse”. Segundo a reportagem, as informações teriam sido prestadas por um certo senhor Adam Blackwell, “especialista em segurança da OEA”, que teria afirmado também que o assunto – paralisação de Belo Monte em função de violações de direitos humanos – estaria encerrado e que a medida cautelar da CIDH seria fruto de “falta de informação dos integrantes desta comissão”.

Em primeiro lugar, este senhor, ou qualquer outro empregado da Organização dos Estados Americanos, não tem autoridade, muito menos autorização, para falar em nome da CIDH, autônoma perante a OEA. Mais: beira à aberração a acusação de que a CIDH não está informada sobre os temas que analisa e delibera.

Mais constrangedor, porém, é o fato de que a informação passada ao Globo é mentirosa: as medidas da CIDH estão mantidas. A Comissão apenas considerou que “a controvérsia que atualmente se apresenta entre as partes [representantes das populações indígenas e governo], sobre a consulta prévia e o consentimento informado em relação ao projeto de Belo Monte, tornou-se uma discussão sobre questões de mérito que transcendem o âmbito de mecanismo de medidas cautelares”; ou seja, a denúncia sobre a falta de consulta aos indígenas será considerada no pronunciamento sobre o mérito da petição.

Em nenhum momento a CIDH afirma que revogou qualquer decisão anteriormente apresentada ao governo. Reiterou, outrossim, que notou com muita preocupação que o governo não está garantindo a saúde, a segurança e a demarcação das terras das comunidades indígenas, em particular as indígenas em isolamento voluntário. Ou seja, apesar da afirmação do governo de que estaria tomando medidas neste sentido, a CIDH afirma que “estimou necessário manter as medidas cautelares adotadas para proteger a vida, saúde e integridade pessoal” dos membros das comunidades indígenas da bacia do rio Xingu, especificando ações neste sentido.

Possivelmente os jornalistas do Globo não tenham se dado conta de que o funcionário de uma instituição não é fonte para falar em nome de outra. Mas sempre é sábio que, em casos controversos, se busque informações com mais de um único informante. Por exemplo, as entidades peticionárias. Evita-se assim gafes constrangedoras.

Publicado no site do Movimento Xingu Vivo.
Fonte: www.revistaforum.com.br

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Entrevista com o zineiro Job "Katz" Fernando ! - por Alternar Zine

Entrevista com o zineiro Job "Katz" Fernando!
Quem é Job Fernando, conhecido principalmente como “Katz”?
Katz é a forma como o Job Fernando gosta de ser chamado. Aos 28 anos, esta criatura segue expressando suas impressões em relação ao que o toca. Mais que nunca, isto o agrada.

Sempre inquieto, o Katz encontrou nas artes uma forma de seguir adiante. Neste mundo formado absolutamente por realidades relativas, este logo trata de criar seus mundos e habitar-los como refúgio e salvação para a angustiante sensação de que sua própria existência pode devorar-lo. De forma incansável, o pobre então trava sua árdua “guerra de mundos”.

Pois é, são expressões simples acerca de impressões complexas que movem o velho Katz. Buscando algo mais, este então passa boa parte de seu tempo escrevendo e desenhando e cortando-colando e ouvindo música. Ah, me lembrei: o Katz sou eu! (risos)

Quando os fanzines entraram em sua vida pela primeira vez?
Os zines entraram em minha vida quando eu tinha quatorze anos como fruto dum amor à primeira leitura. E isso eu devo a cultura punk. Ah, foi através do punk que eu conheci estas folhas xerocadas apaixonantes que circulam no underground e percebi que este consiste no caminho marginal que eu busco para seguir adiante.

E a idéia, de editar o seu fanzine, surgiu quando exatamente?
Eu passei a sentir vontade de editar meu próprio zine quando passei a manter um contato mais íntimo com essa forma de publicação. Por vários motivos, porém, eu levei algum tempo para conseguir produzir meu próprio material. É; felizmente, minha hora chegou!

Sei que já lançou diversos zines por aí, nesses anos todos. Poderia citar os nomes, e se possível, á duração/tiragem de cada um deles?
Eu lancei meu primeiro zine em março de 2004. Pois é, eu tentei e tentei até que num belo dia (e que dia!) eu finalmente consegui xerocar as matrizes da Força Mecânica. E viva!

A Força Mecânica trouxe consigo algumas informações acerca de música de rua (Streetpunk/Oi!, Ska, etc.) e futebol (torcidas organizadas!). E seu único número rendeu mais de 120 cópias. Sim, sim, este foi o zine que editei que obteve mais aceitação!Após um triste intervalo de três anos, já em abril de 2007, eu lancei o primeiro e único número do Turbo Zino. Por sua vez, esta publicação reúne uma entrevista e alguns textos relacionados ao universo punk que estavam arquivados há algum tempo. Ah, sua tiragem não ultrapassou 30 cópias.

Pois é, livrei-me da fama de editor de zines de número único através de minha querida amiga Karta Bomba. Sua edição de estréia viu à luz em setembro de 2008. E, até seu aniversário de um ano, esta ganhou 5 números com cerca de 50 cópias cada.

Ah, após 365 dias em atividade, a Karta Bomba deu início à Greve da Bomba. É; então produzimos a Koletiva Umbela Bomba Zino e está veio à tona em dezembro de 2009 como um veículo de manifestação de críticas ao underground. Sim, assim como a K.B.Z. está conta com cerca de 50 cópias.

E foi durante este período de insurgência que eu produzi também o Kaderno Bomba Zino. E esta publicação lançada em abril de 2010 com tiragem de 71 cópias trouxe em suas páginas algumas matérias acerca de Street Art e Punk Art. De alguma forma, a chama segue acesa e eu ainda pretendo dar continuidade a este projeto.

E a Karta Bomba Zino foi reinventada! Sim, quando da comemoração de seus dois anos, retomamos àquela atividade de forma um tanto diferente e alteramos seu nome para Koletiva Karta Bomba Zino. E até o momento esta conta com duas edições com tiragens de 71 cópias cada.

Já entre a última semana de 2010 e os dois primeiros meses de 2011, nós da Inventiva Trupe de Marginais Inventados/as demos início a um novo projeto: a Agenda Bomba Zino. Sim, esta publicação tem como objetivo expressar nossas impressões acerca de nossos cotidianos de forma um tanto despretensiosa. E, até o momento, esta conta com dois números com 72 cópias cada.

Normalmente, os zines “seguem” um estilo ou tem uma proposta muito definida. Ele pode ser musical, politizado, hq’s, etc. O seu tem um pouco de cada coisa, fluindo de forma bem natural e honesta...
Sim, sim; de alguma forma, eu sempre escrevi sobre temas que me inquietam e estes são vários: música, política, impressões pessoais acerca do cotidiano, etc. Através de prática, felizmente consegui desenvolver minhas próprias formas de expressão. E hoje eu procuro escrever e desenhar de modo mais pessoal.

E os colaboradores, tão ilustres? Zé da Bota, Velho Urso, Maria Botina, Arauto do Vazio e tantos outros? Todos reais, ou apenas frutos da imaginação criativa do seu editor? ( risos )
Risos... Eu gosto quando me questionam sobre estes/as amigos/as queridos/as. Sim, sim...

Estes/as existem! Tendo em vista que nas relações humanas as pessoas são umas para as outras àquilo que cada indivíduo possui de impressões e idealizações em relação ao próximo e que ao criarmos algo em nossa inventiva imaginação isto passa a existir ao menos para nós mesmos/as, digo que tudo e todos/as (sim; inclusive você que está lendo isso!) somos frutos de imaginação. Desta forma, estes/as meus/minhas parceiros/as são reais e viva e viva!

No fim das contas, contudo, eu não sei se recebo estes/as ou se cada um/a destes/as é que incorpora o Katz.

Depois do “Karta Bomba Zino”, que parece se encontrar em férias, seu mais recente trabalho é o “Agenda Bomba Zino”. Ele vai seguir em frente, ou novos projetos devem surgir? O K.B.Z tem previsão de uma nova edição?
Pois é, muita coisa mudou depois da Greve da Bomba. Quando chegamos a algumas conclusões acerca de movimento, reinventamos a K.B.Z. e já estamos planejando a sua próxima reinvenção. Sim, sim, o fato é que esta deve se tornar uma nova publicação já em seu aniversário de 3 anos...

Enquanto isso, nós daremos seqüência também à Agenda Bomba. Sim, a produção desta publicação que surgiu de forma despretensiosa e desprendida muito tem nos agradado. Ah, esta tem sido uma ótima forma de nos expressarmos.

Há ainda outros projetos. E, se tudo ocorrer como esperado, até o fim deste ano nós teremos muitas novidades. Ah, que maravilha!

E dos fanzines em circulação, e também dos que não existem mais, quais são seus preferidos?
Ah, eu gosto muito de muitos zines novos e antigos... Inúmeros me influenciam. E, para não tomar muito espaço, vou citar meus preferidos de todos os tempos.

Vamos lá: Academia de Punk Rock, Needle, Hazlo tu Mismo (Argentina), Facção Underground, Surfcore, Paulistanos Suburbanos, Zips & Chains (Itália), Alternar, Alone, Diesel, Aviso Final, Depto B, Kaskadura, Golpe Justo (Argentina), Action for Life, Contravenção, O Monstro, Aaah!!!, Choque!! Reação no ABC!, Alogia J, Cryptas (México), Antimidia, Clube Skin (Portugal), Anjos de Cara Suja, 333, Manufatura, Anti-Bélica, Dalhe!!! (Estado Espanhol), Catalepsia, Nuvem Negra, Seja - Você Mesmo, Conversas Paralelas, Revolta Skinhead, Amor y Ódio (Argentina), True Lies, Histérica, Sub, Revolta Vermelha, 72 D.i.e.s.e.l, La Nariz Roja (Estado Espanhol), FanzinEx, No Somos Nada (Argentina), Fuzz Zine, Propuesta Modesta (Argentina), Pauta Lixo, O Robô – Nunca faz greve, Radio Kriminal (Chile), Destroi, Mente Engatilhada, XOlho por OlhoX, Profane Existence (EUA), Spell Work, Vandal Kings, Tiempo de Cambio (Argentina), Dr. Sexta-feira, Tribal Screams, United Zine...Por diversos motivos, porém, sinto que, de alguma forma, dois zines antigos muito contribuíram para a forma como eu escrevo e faço minhas coisas hoje: La Kudrilo Zino e Água.

Apesar dos tempos modernos, o zine impresso segue ainda firme e vivo, lutando sempre contra a maré. Fale um pouco dos encontros/reuniões de zineiro/as, documentários, etc, que estão acontecendo ultimamente?
Ai, sim! Percebo que hoje as publicações impressas marginais estão passando por seu melhor momento nos últimos dez anos. Embora não sejamos muito numerosos/as, somos apaixonados/as ao ponto de fazer as coisas acontecerem. E, talvez por isso, de um ano pra cá, nós estamos tão unidos/as e articulados/as.

Os Encontros de Zineiros/as são algo maravilhoso. Muita troca de materiais e informações, muita produção, muita amizade; e através disso estamos colhendo grandes frutos: zines produzidos de forma coletiva, oficinas, produção de documentários, etc. Acho que, agora, nada pode nos parar...

Sua trilha sonora enquanto edita/monta/pensa/trabalha seu zine, é qual?
Eu sou apaixonado por música de rua! Ouço música constantemente e, de alguma forma, a música também me serve de combustível; inclusive quando estou produzindo minhas coisas.

Sigo ouvindo Punk Rock, Streetpunk/Oi!, Hardcore, Rap, Ska, Reggae, Mangue, Samba... E viva! É o som das ruas...

Para citar algumas bandas/grupos, vou lembrar do que mais ouvi quando da produção da Agenda Bomba (meu último zine até o momento): Restos de Nada, Invasores de Cérebros, DZK, Excomungados, Olho Seco, Ulster, Anarcoólatras, Psychic Possessor, Grinders, Hino Mortal, Armagedom, Personal Choice, Síndrome de Down?, Ação Direta, Araukana, Hemp & Caos, Mongolords, Ovos Presley, Flicts, TPM, Perdedores, NYAB, Minor Threat, Bad Brains, This Side Up, Oppressed, Blitz, Nabat, Stab, Klasse Kriminale, Los Fastidios, Non Servium, Skacha, Keltoi!, RPW, RZO, Função RHK, Racionais, Consciência Humana, Facção Central, Bezerra da Silva, Jimmy Cliff, Simaryp, Specials, Bodysnatchers, Madness, Selecter, Skalariak, Chico Science & Nação Zumbi... :-)

É isso, Katz ! As últimas palavras são suas, pode acrescentar o que quiser! E obrigado pela entrevista, parabéns pelo seu ótimo trabalho! Vida longa!!!
Amigo Márcio, muito, muito, muito obrigado por sua amizade e apoio e gentileza! Com cerveja, nos veremos em breve para colocarmos a conversa em dia. Para encerrar: Para quem faz e/ou gosta zine de papel, aquele abraço! :-)

Contatos:Job "Katz" Fernando Silicani
Caixa Postal: 028
CEP: 06653-970
Itapevi - SP (Brasil)
e-mail: kartabombazino@yahoo.com.br
Fonte: http://www.alternarzine.blogspot.com/

Cheney, Rumsfeld e a obscura arte da propaganda - Por Amy Goodman

Cheney, Rumsfeld e a obscura arte da propagandaAs memórias de Cheney seguem as do seu colega e amigo Donald Rumsfeld. Enquanto ambos promovem a sua própria versão da história, há quem os desafie e os enfrente.

“Quando se mente, deve-se mentir grande e ser fiel a essa mentira”, escreveu Joseph Goebbels, o ministro da propaganda do Reich alemão em 1941. O ex-vice-presidente Dick Cheney parece ter tomado o famoso conselho nazi no seu novo livro: “No meu tempo”. Cheney continua fiel às suas convicções em temas que vão desde a invasão do Iraque até ao uso da tortura. Durante uma entrevista no programa Dateline da NBC News, o republicano falou sobre as revelações do livro: “Muitas cabeças vão rolar em Washington”. As memórias de Cheney seguem as do seu colega e amigo Donald Rumsfeld. Enquanto ambos promovem a sua própria versão da história, há quem os desafie e os enfrente.

O título do livro de Rumsfeld, “Conhecido e desconhecido”, advém de uma resposta infame que deu durante uma conferência de imprensa no Pentágono quando ainda era secretário da Defesa. Em 12 de fevereiro de 2002, Rumsfeld tentava explicar a falta de evidências que vincularam o Iraque a armas de destruição em massa: “Há conhecidos que conhecemos, há coisas que sabemos que sabemos. Também sabemos que há conhecidos que desconhecemos, o que quer dizer que sabemos que há algumas coisas que não sabemos. Mas também há coisas desconhecidas que desconhecemos, aquilo que não sabemos que não sabemos”.

A enigmática declaração de Rumsfeld tornou-se famosa e emblemática pelo seu desdém aos jornalistas. É considerada um símbolo das mentiras e manipulações que levaram aos Estados Unidos à desastrosa invasão e ocupação do Iraque.

Uma pessoa que foi convencida graças à retórica de Rumsfeld foi Jared August Hagemann.

Hagemann alistou-se no exército para servir o seu país, a fim de fazer frente às ameaças que repetidamente o secretário da Defesa mencionava. Quando o soldado norte-americano recebeu a chamada para mais uma missão (a sua esposa não se lembra se era a sétima ou a oitava), a pressão foi demasiada. No dia 28 de junho de 2011, Jared Hagemann, de 25 anos, atirou em si mesmo na Base Conjunta Lewsi-McChord, próximo de Seattle. O Pentágono deu a entender que Hagemann morreu por causa de uma ferida de bala “auto-infligida”, mas ainda assim não chamou o fato de suicídio.

Jared ameaçou suicidar-se várias vezes. Não foi o único. Segundo informações, cinco soldados cometeram suicídio no Fort Lewis em julho. Estima-se que mais de trezentos mil soldados que voltaram da guerra padecem de transtornos por estresse pós-traumático ou depressão.

A viúva de Hagemann, Ashley Joppa-Hagemann, soube que Rumsfeld disponibilizaria exemplares do seu livro na base. Na sexta-feira, 26 de agosto, Ashley entregou a Rumsfeld uma cópia do programa dos serviços fúnebres em memória do seu falecido esposo. Ela me descreveu o encontro: “Disse-lhe que queria que visse o meu esposo, e assim o conheceria, assim poderia lembrar-se do rosto de ao menos um dos soldados que perderam as suas vidas em virtude das mentiras em relação ao 11 de stembro”.

Perguntei-lhe sobre a resposta de Rumsfeld: “Tudo o que lembro é ele dizer ‘Ah,sim! Ouvi algo disso’. Em seguida, fui acossada por um dos seus seguranças pessoais, expulsa do local e advertida para não mais voltar”. Infelizmente, é o sargento do Estado Maior Hagemann quem nunca mais vai voltar à sua esposa e aos seus dois pequenos filhos.

Numa entrevista para a NBC, Cheney afirmou ter desempenhado um papel na renúncia do então secretário de Estado Colin Powell. Consultei sobre isso o ex-chefe de despacho de Powell, o coronel Lawrence Wilkerson, que respondeu: “Pelos trechos que li, vale dizer que não li o livro inteiro, o que o vice-presidente disse com mais impacto é que teve algo a ver com o afastamento de Colin Powell do seu cargo em janeiro de 2005. Isso é um disparate total”.

Mais importante, no entanto, é a exigência de Wilkerson para que os responsáveis por levar o país à guerra no Iraque sejam responsabilizados por seus atos, o que implicaria num castigo a si mesmo. Um pilar central da invasão do Iraque foi o discurso de Powell em 2003 diante das Nações Unidas, em que expôs o caso das armas de destruição em massa. Wilkerson assume plena responsabilidade pela coordenação do discurso de Powell: “Infelizmente, e já reconheci diversas vezes publicamente e em particular, fui a pessoa que preparou a apresentação de Powell ante Conselho de Segurança das Nações Unidas. Provavelmente foi o maior erro da minha vida.

Lamento-o até ao dia de hoje. Lamento não ter renunciado naquele momento”. Perguntei ao coronel Wilkerson o que pensa de grupos como o Centro pelos Direitos Constitucionais e o advogado e blogueiro Glenn Greenwald que pediu o julgamento criminal de Cheney, Rumsfeld e outros funcionários do governo Bush. Respondeu-me: “Estaria disposto a testemunhar, e estaria disposto a enfrentar qualquer castigo que mereça”.

O coronel Wilkerson ainda comentou sobre o livro de Cheney: “É um livro escrito sem medo. Sem medo de que um dia alguém faça de Cheney um ‘Pinochet’”. O coronel Wilkerson refere-se ao caso do ditador chileno Augusto Pinochet, que foi preso na Inglaterra e detido durante um ano antes de ser libertado. Um juiz espanhol queria que fosse extraditado para julgá-lo por crimes contra a humanidade.

Poucos dias depois do décimo aniversário do 11 de Setembro e enquanto aumenta o número de vítimas de todos os lados envolvidos no conflito, os livros de Rumsfeld e Cheney lembram-nos mais uma vez qual é a primeira baixa da guerra: a verdade.

Artigo publicado em Democracy Now e Esquerda.net. Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna. Texto em inglês traduzido por Fernanda Garpe para espanhol. Texto em espanhol traduzido para português por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisto por Bruno Lima Rocha para Estratégia & Análise. Foto por http://www.flickr.com/photos/gageskidmore/.
Fonte: www.revistaforum.com.br/

[EUA] Beltaine's Fire lança seu terceiro álbum: “Anarquitetura”

[EUA] Beltaine's Fire lança seu terceiro álbum: “Anarquitetura”[O Coletivo de folk-rap Beltaine's Fire, do litoral de San Francisco, está lançando seu terceiro álbum, "Anarquitetura".]

O álbum oferece uma abordagem explicitamente anarquista em tudo, desde a tragédia do trabalho assalariado destruidor de almas, até movimentos que lutam por mudanças sociais e o iminente colapso ecológico que ameaça toda vida na Terra.

O conjunto da banda é formado por vocais, violinos, bandolins, banjo elétrico, baixo, e bateria, e o instrumental tem influências de folk, rock, música do mundo, céltica, latina, funk, jazz, e honesto e estrondoso hip hop.

Como o próprio Anarquismo, a música se inspira em todos os cantos do mundo e traz sua união para criar algo que misture o mais antigo com o mais novo.

A banda é independente e criou o álbum sem assistência de nenhuma grande gravadora. Está disponível com letras completas em http://beltainesfire.bandcamp.com/album/anarchitecture.Uma porção da renda adquirida da venda do álbum (após o pagamento dos custos de produção) será doada para grupos anarquistas que necessitam de apoio mútuo.

Tradução > Malobeo

agência de notícias anarquistas-ana
Farol da vida
ilumina a solidão
rosa do deserto
António Barroso Cruz

O plano de Obama para Palestina – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

EUA e seus aliados europeus estão presos em um pântano, diz Tariq Ali

EUA e seus aliados europeus estão presos em um pântano, diz Tariq Ali
Um década depois dos atentados do 11 de Setembro, os EUA e os seus aliados europeus estão presos num pântano. Tirando a retórica de Obama, pouco divide esta administração da sua predecessora. Enquanto isso, os bons cidadãos da Euro-América que se opõem às guerras feitas pelos seus governos evitam olhar para os mortos, feridos e órfãos do Iraque e do Afeganistão, da Líbia e do Paquistão... a lista continua a crescer.

'Um soberano é aquele que decide em caso de exceção,' escreveu Carl Schmitt em tempos diferentes, quase há um século, quando os impérios e exércitos europeus dominavam a maioria dos continentes e os EUA desfrutavam de um sol isolacionista. O que o teórico conservador queria dizer com 'exceção' era um estado de emergência, necessário devido a cataclismos econômicos ou políticos, que requeriam a suspensão da Constituição, repressão interna e guerra no estrangeiro.

Um década depois dos atentados do 11 de setembro, os EUA e os seus aliados europeus estão presos num pântano. Os eventos daquele ano foram usados como um pretexto para refazer o mundo e punir os que não obedecessem. Hoje, enquanto a maioria dos cidadão euro-americanos vagueia por um deserto moral, infelizes com as guerras, propagandeadas como algo diferente do que realmente são: uma estratégia imperial abrangente, o General Petraeus (atualmente a comandar a CIA) diz-nos: “Temos de reconhecer também que não que vamos ganhar esta guerra. Penso que continuaremos a lutar. É um pouco como o Iraque, na verdade... Sim, tem havido enormes progressos no Iraque. Mas ainda existem ataques horríveis, e temos de continuar vigilantes. Temos de ficar depois de acontecerem. Este é o tipo de luta em que estamos para o resto das nossas vidas e provavelmente das vidas dos nossos filhos.” Assim fala a voz do poder soberano, determinando que, neste caso, a exceção é a regra.

Embora não concorde com a sua resposta, o filósofo alemão Jürgen Habermas colocou uma questão importante: 'Será que o universalismo que nós atribuímos aos direitos humanos apenas esconde um instrumento sutil e enganador da dominação ocidental?' 'Sutil' poderia ser apagado. As experiências nos territórios ocupados falam por si próprias. Dez anos de guerra contínua no Afeganistão, um impasse sangrento e brutal com um regime marionete e corrupto cujo presidente e sua família enchem os bolsos com ganhos duvidosos e um exército EUA/OTAN incapaz de derrotar os insurgentes.

Agora, estes atacam à vontade, assassinando o irmão corrupto de Karzai, acabando com os seus principais colaboradores e atingindo pessoal-chave da inteligência da OTAN via terrorismo suicida ou derrubando helicópteros. Entretanto, nos bastidores, sessões prolongadas de negociações entre os EUA e os neo-taliban têm ocorrido desde há vários anos. O objetivo revela desespero. A OTAN e Karzai estão desesperados por recrutar os taliban para um novo governo nacional.

Políticos conservadores e liberais euro-americanos que formam a estrutura das elites governantes e declaram acreditar em moderação, tolerância e fazer guerras para impor os mesmos valores nos Estados re-colonizados ainda estão cegos pela sua situação e não conseguem ver o que está escrito na parede. Não obstante a sua piedosa renúncia à violência terrorista, não têm problemas em defender a tortura, as prisões ilegais, o assassínio de indivíduos, estados de exceção ilegítimos para que possam prender qualquer um indefinidamente e sem julgamento. Entretanto, os bons cidadãos da Euro-América que se opõem às guerras feitas pelos seus governos evitam olhar para os mortos, feridos e órfãos do Iraque e do Afeganistão, da Líbia e do Paquistão... a lista continua a crescer.

A guerra – jus beli – é agora um instrumento legítimo conquanto seja usado com a aprovação dos EUA e de preferência usado pelas suas tropas. Hoje em dia, é apresentada como uma necessidade “humanitária”: um lado está ocupado a cometer crimes, o lado moralmente superior está simplesmente a administrar a punição necessária; e nega-se a soberania ao Estado a derrotar. A sua substituição é cautelosamente policiada tanto através de bases militares como através de uma combinação de ONGs e dinheiro. Esta colonização ou dominação do século XXI é auxiliada pelas redes midiáticas globais, um pilar essencial para conduzir operações políticas e militares.

Comecemos pela segurança interna nos EUA. Contrariamente ao que muitos liberais imaginavam em novembro de 2008, a degradação da cultura política americana continua rapidamente. Em vez de inverter a tendência, o advogado-presidente e a sua equipa aceleraram o processo. Houve mais deportações de imigrantes do que no mandato de Bush; poucos prisioneiros detidos sem julgamento foram libertados de Guantánamo, uma instituição que o advogado-presidente prometeu encerrar; o Patriot Act e o seu conteúdo sobre o que constitui um amigo ou inimigo foi renovado, começou uma nova guerra na Líbia sem a aprovação do Congresso, utilizando como desculpa o fato de os bombardeios sobre um Estado soberano não constituírem um ato hostil; os denunciadores estão a ser vigorosamente perseguidos e por aí adiante – a lista cresce a cada dia que passa.

A política e o poder apagam tudo o resto. Os liberais que ainda acreditam que a administração Bush transcendeu a lei enquanto que os Democratas são exemplo de conduta estão cegos pelo tribalismo político. Tirando a retórica de Obama, pouco divide esta administração da sua predecessora. Ignorem, por um momento, o poder dos políticos e dos propangadistas para impor os seus tabus e preconceitos sobre a sociedade americana em geral, um poder muitas vezes usado agressiva e vindicativamente para calar a oposição em qualquer lado – Bradley Manning, Thomas Drake (libertado após uma grande indignação dos média liberais), Julian Assange, Stephen Kim, que estão a ser tratados como criminosos, inimigos públicos, sabem melhor do que ninguém.

Nada mostra melhor esta degradação do que o assassinato de Osama Bin Laden em Abbotabad. Poderia ter sido capturado e levado a tribunal, mas essa nunca foi a intenção. O humor liberal foi espelhado pelos cântico ouvidos em Nova Iorque: U-S-A. U-S-A. Obama apanhou Osama. Obama apanhou Osama. Não podes derrotar-nos (aplausos). Não podes derrotar-nos. Linchem o Bin-Laden. Linchem o Bin Laden.

Isto foi repetido numa linguagem mais diplomática pelos líderes da Europa, parceiros júniores na família imperial das nações, incapaz de auto-determinação. Vênias e hipocrisia tornaram-se o cunho da cultura política.

Vejamos o exemplo da Líbia, o último caso da 'intervenção humanitária'. A intervenção EUA-OTAN na Líbia, com a cobertura do Conselho de Segurança das Nações Unidas, é parte de um resposta orquestrada para demonstrar apoio a um movimento contra um ditador em particular e assim terminar as rebeliões árabes, colocando-as sob controle ocidental, confiscando a sua impetuosidade e espontaneidade e tentando restaurar o status quo ante. Como é agora evidente, os britânicos e os franceses gabam-se do seu sucesso e que controlarão as reservas de petróleo líbias como pagamento de seis meses de campanha de bombardeamentos.

Entretanto, os aliados de Obama no mundo árabe prometeram trabalhar arduamente para implementar a democracia.

Os sauditas entraram no Bahrein, onde a população está a ser tiranizada e onde estão a acontecer prisões em larga escala. Isto não está a ser muito divulgado pela Al-Jazeera. Pergunto-me porquê? A estação parece ter sido posta na ordem e em sintonia com a política dos seus fundadores. Tudo isto com o apoio dos EUA. O déspota no Iêmen, odiado pela maioria do seu povo, continua a matá-los todos os dias através de controle remoto a partir da sua base saudita. Nem mesmo um embargo de armas, quando mais uma “zona de exclusão aérea” lhe é imposta.

A Líbia é mais um caso da vigilância seletiva pelos norte-americanos e pelos seus cães de ataque no Ocidente. O fato de os Verdes alemães, que estão entre os mais ardentes defensores europeus do neoliberalismo e da guerra, quererem fazer parte desta companhia revela mais sobre a sua própria evolução do que os méritos ou deméritos da intervenção.

As fronteiras do esquálido protetorado que o Oeste vai criar estão a ser decididas em Washington. Mesmo aqueles líbios que, em desespero, apoiaram o jatos da OTAN, poderão – como o seu equivalente iraquiano – arrepender-se.

Tudo isto desencadeará uma terceira fase a qualquer altura: uma crescente raiva nacionalista que chegará à Arábia Saudita e aí, sem dúvida, Washington fará tudo o que for necessário para manter a família real saudita no poder. Perder a Arábia Saudita significa perder todos os Estados do Golfo. O assalto à Líbia, fortemente ajudado pela imbecilidade de Khadafi em todas as frentes, foi desenhado para retirar a iniciativa das ruas, parecendo ser uma defesa dos direitos civis. Os bahreinianos, os egípcios, os tunisinos, os sauditas e os iemenitas não serão convencidos, e mesmo na Euro-America mais estão a opor-se a esta última aventura do que a apoiá-la. As lutas não estão terminadas.

O poeta alemão de século XIX Theodor Däubler, escreveu:

“O inimigo é a nossa questão encarnada
Ele perseguir-nos-á, e nós persegui-lo-emos com o mesmo propósito.”

O problema desta visão, hoje em dia, é que esta categoria de inimigo, determinada pelas necessidades políticas dos EUA, muda demasiadas vezes. Ontem Saddam e Khadafi eram amigos, regularmente ajudados pelas agências ocidentais de informações para lidar com os seus próprios inimigos. O último tornou-se amigo quando o primeiro se tornou inimigo. E assim continua a desordem mundial. O assassinato de Osama Bin Laden foi aplaudido pelos líderes Europeus como algo que faria do mundo um lugar mais seguro. Digam isso às fadas.

Publicado no Counterpunch
(*) Tradução de Sofia Gomes para o Esquerda.net
Fonte: Carta Maior