segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O lento aprendizado da nossa sociedade - por Paulo Metri

O lento aprendizado da nossa sociedade Sempre tive a dúvida sobre como ocorre o planejamento da direita. Será que os mais expressivos representantes do capital reúnem-se em uma sala para pensarem a estratégia de enfrentamento de determinada questão? Mas, quem define quais são os mais expressivos? Permitam-me um parêntese. Algumas pessoas dizem que não há mais o corte de direita e esquerda na sociedade. Desejo não entrar nesta discussão, entretanto, peço que onde se lê “direita” entenda-se “aqueles que privilegiam o capital ao trabalho” e, de forma análoga, a “esquerda” é formada por “aqueles que privilegiam mais o trabalho”.

Retornando ao tema, uma reunião deste tipo os deixaria muito mal, porque passaria que estariam tramando contra a sociedade. Seus integrantes devem telefonar bastante de aparelhos seguros, impossíveis de serem grampeados. Devem se encontrar muito, em pequenos grupos. Falo sobre isto porque, pelo comportamento deles com relação ao caso crucial das denúncias do jornalista Amaury Ribeiro Jr, tenho certeza de que combinaram tudo. Este é um exemplo didático de como a direita age de forma pensada e, somos obrigados a reconhecer, de forma magistral, malignamente magistral.

Primeiramente, combinaram que todos os canais da TV aberta, exceto a Record, e todos os grandes canais da TV paga ficariam mudos com relação ao lançamento do livro deste jornalista, “A Privataria Tucana”. Que eu saiba, todos os grandes jornais, exceto notícia escondida dentro de uma entrevista em um deles, todas as revistas semanais, exceto a Carta Capital, não noticiaram nada. Com as rádios deve ter acontecido algo parecido.

Assim, como diria o falecido jornalista e antigo deputado federal Marcio Moreira Alves, “se o fato não apareceu na mídia, nunca existiu”. Sou capaz de apostar que, no mínimo, 95% dos brasileiros ainda não souberam do fato. Resumindo, se não fossem a Record, a Carta Capital e os sites comprometidos com a sociedade, ou alguma outra mídia que tenha passado despercebida por mim, os brasileiros não saberiam que, no mínimo, centenas de milhões de dólares de dinheiro público foram roubados. Corresponderam às propinas de privatizações fraudulentas de empresas gigantescas, que valiam de 40 bilhões de dólares, o mínimo das empresas de telefonia, aos 100 bilhões da Vale

Mas não há mais como segurar esta notícia. Já foram vendidos 15.000 exemplares do livro em um dia, recorde absoluto de vendas em tão pequeno tempo, e fala-se que irão chegar às livrarias mais 50.000, brevemente. O passo decidido em paralelo ao de silenciar a mídia foi o de buscar desqualificar o autor, acusando-o de crime, arquitetado e imputado a ele por ela, a direita. Com isto, ela pode dizer: “ele está sendo investigado pela Justiça”. Buscam também desqualificar as próprias denúncias do autor, dizendo que são “material requentado”. Este discurso é repetido por todos os comparsas, treinados para dar alguma resposta às dúvidas da sociedade, que são irrespondíveis eticamente.

Os próximos passos, que a direita dará de forma simultânea, serão, de um lado, no Congresso, onde já se fala em CPI das privatizações, que será necessária para não ficar totalmente enxovalhada. Seus líderes irão criar ou lembrar de erros da esquerda, buscando banalizar os delitos denunciados no livro. De outro lado, na mídia, continuará a batalha campal de informações e desinformações. O primeiro round, apesar do isolamento do povo, está sendo perdido pela direita, pois um grupo pensante da sociedade está entendendo o que realmente aconteceu e lhe foi escondido.

Se a CPI vingar, ela força alguma transmissão pelos veículos de comunicação. Os jornais, revistas, televisões e rádios mudos, para não perderem totalmente a credibilidade com a classe mais esclarecida, irão começar a divulgar o ocorrido, mas à maneira deles. Algo assim, possivelmente: “O acusado de quebrar os sigilos bancários de Eduardo Jorge e da filha do candidato Serra, nas últimas eleições, passou ao ataque desfechando acusações a diversas pessoas, inclusive ao candidato Serra. Contudo, receberá uma enxurrada de processos na Justiça contra ele por calúnia e difamação, segundo seus acusados”. Uma nova lei de comunicação de massas precisa ser aprovada urgentemente, se quisermos crescer como uma sociedade justa. Da forma que está, até Goebbels teria inveja de um sistema de comunicação que permite tamanha manipulação.

Contudo, se a resposta da sociedade for a indignação, na hipótese de a divulgação das notícias ser ampliada, a direita terá que assumir parcela dos erros para poder salvar o todo. Dependendo do insucesso da operação “abafa”, um bode expiatório poderá ser escolhido para os pecados do conjunto serem absolvidos. Certamente, a popularidade de José Serra cairá e seu índice de rejeição aumentará.

Na CPI, tudo poderá acontecer, uma vez que, em geral, os congressistas fazem bons negócios em períodos de crise. O relatório final da CPI não será necessariamente bom. Se o eleitorado fizer uma associação direta do “tucanato” como sendo o “beneficiário das privatizações criminosas”, o PSDB deverá encolher muito, o que não é necessariamente um avanço, pois os políticos que endossaram estas privatizações poderão se reeleger em outros partidos.

Também, como desdobramento da primeira fase, ações chegarão à Justiça, mas os julgamentos serão demorados e não necessariamente justos. O impacto inicial das notícias certamente irá esmorecer. Mas, este episódio fará parte das lições que nosso povo está trilhando no seu aprendizado político. Hoje, tenho consciência que expressiva parcela da nossa sociedade deve ainda pensar que os de direita e os de esquerda são os destros e os canhotos.

Há horas em que me pergunto: “Quantos indícios e provas serão necessários para a sociedade compreender que foi drasticamente roubada no período neoliberal?”. Comecemos com um passado relativamente recente. Em 1997, o réu confesso e deputado Ronivon Santiago disse ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da reeleição do presidente de então e não houve divulgação ampla e, consequentemente, uma mínima indignação. Na época, dava-se pouquíssimo valor para a opinião pública, pois nem existiu o princípio ético de o benefício não valer para a eleição próxima e, sim, só para a posterior a esta. Naquele momento, não se podia correr o risco de a entrega do patrimônio nacional ser paralisada com a entrada de outro presidente, segundo a visão dos neoliberais de plantão.

Muitas CPI e investigações da Polícia Federal, apurando escândalos diversos, como o do Banestado, não bastaram para alertar o botim em curso. Talvez, os primeiros documentos a balançar a credibilidade dos entregadores das riquezas do país com baixa compensação para nosso povo e que não puderam ser manipulados, pois se tratava de uma denúncia de nível mundial, foram os do WikiLeaks. Se o prêmio Nobel da Paz não estivesse tão desmoralizado, a ponto de Obama o ter recebido, eu sugeriria entregá-lo ao criador desta entidade, Julian Assange, verdadeiro construtor da paz mundial. Não pode haver paz sem democracia nas comunicações.

É conhecida a frase do Serra, vazada graças ao WikiLeaks, para a executiva da Chevron, na época da elaboração do marco regulatório do pré-sal, que coincidia com a última campanha presidencial. Ela tinha o seguinte sentido: “Deixem eles (os petistas que estavam no poder) fazerem o que quiserem, pois, depois que eu for eleito, tudo retornará ao que era antes. As regras sempre podem mudar”. Aliás, esta última parte da afirmação é verdadeira e, portanto, o monopólio estatal do petróleo, que foi extinto por Fernando Henrique no período neoliberal, mas possibilitou a descoberta atual do pré-sal, pode e deve ser estabelecido novamente, para tranqüilidade dos brasileiros.

Podem ter certeza de que, apesar do empenho do autor do livro, só a ponta do iceberg veio à tona e, por esta razão, uma CPI séria das privatizações seria recomendável e muito educativa. Triste povo, o brasileiro, que precisa de vazamentos de informações da potência imperial e de um astuto e corajoso repórter investigativo para a veracidade das informações internas ser minimamente restabelecida.

Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira da Associação de Engenheiros e do Clube de Engenharia.
Fonte: www.correiocidadania.com.br/

[EUA] Mumia Abu-Jamal sai do corredor da morte e é transferido de prisão - por ANA

[EUA] Mumia Abu-Jamal sai do corredor da morte e é transferido de prisãoRamona África faz chamado para proteger Mumia enviando cartas e chamadas telefônicas
Após o anúncio do promotor Seth Williams em 7 de dezembro, que a Procuradoria da Filadélfia não irá mais procurar a reimposição da pena de morte a Mumia Abu-Jamal, e da realização de eventos em apoio à Mumia na Filadélfia, Oakland, Cidade do México, Londres, Viena, e em outros lugares do mundo em 9 de dezembro, Ramona África, do MOVE, difundiu um comunicado dizendo que Mumia Abu-Jamal foi transferido para a prisão estadual Mahanoy, em Frackville, na Pensilvânia, em 14 de dezembro, entretanto até agora ele não se encontra na População Geral, mas na Segregação.

No comunicado Ramona enfatiza que, embora seja um alívio que Mumia não permaneça mais no corredor da morte sob a constante ameaça de execução, seus inimigos, todavia, ainda o odeiam com uma sanha visceral e não deixarão de buscar a sua morte, e que a ameaça de um ataque a sua vida na prisão é muito real.

Ramona solicita que enviemos cartas para Mumia e chamadas telefônicas para o diretor da prisão, John Kerestes, ou a Assistente de Direção, Bernadette Masan (telefone da prisão: 570 773-2158), para que eles saibam que estamos de olho pela segurança de Mumia e seu bem-estar.

Seu novo endereço é:

Mumia Abu-Jamal
AM-8335
SCI-Mahanoy
301 Morea Rd.
Frackville, PA. 17932
EUA

agência de notícias anarquistas-ana
amor de verão
pipa rompeu a linha
fugiu com o vento
Alonso Alvarez

Messi vs Neymar - Barcelona 4 X Santos 0 - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Terrorismo de Estado!

Terrorismo de Estado!
Alguns dizem que a história deve se resumir o máximo possível para que se torne mais fácil de ser compreendida e conseqüentemente mais acessível à todos, sua difusão deve ser eminente. Ao rememorar Jubille de Derek Jarman, a história deveria se resumir a uma linha para ser ideal. Deus está morto! E mesmo sem precisar faltar papel para passar o recado pelo muro, a dificuldade de ação revolucionária está cada vez maior. Então de que serviu a loucura de Nietzsche?. Deve ser porque "eles gostam cada vez mais da escuridão, pois a luz é cruel com eles". O poder do estado ainda é soberbo, e unido à religião, é também fascista. Como em uma imagem de Banksy em que jesus pousa crucificado com uma camisa N.S. (Nacional Socialista - uma alusão ao partido nazista) para ser consumido. Ele (o estado) não fica para trás, e usa de seu poder institucional para coibir as pessoas, para que elas o temam, como temem à um falso-deu$ que deseja ser o todo "soberano", ainda mais que a Mãe Terra, unida à água, ao fogo e ao ar. Quem hoje coloca um feto em um cinzeiro e tira uma foto e publica para todos verem sem ser preso por isto? Como se vê nas carteiras de cigarro que circulam livremente no país com imagens horrendas criadas pelo "Ministério da Saúde" para atormentar o campo visual dos fumantes. Isso sim, é que é terrorismo! Muito cuidado com os governos totalitários!!! A população está cada dia mais acuada devido ao fato de os governantes não deixarem mais espaço para elas. Eles (os governantes) já fazem toda a revolução, a roubalheira, a bandidagem, a conspiração, a pornografia, que é mais divertida porque vem de cima, e não resta nada para mais ninguém. Para o povo só resta morrer na fila do SUS, ou comprar roupa barata porque é feita de lixo hospitalar norte-americano, ou mesmo se infectar como os vírus de laboratórios ou com outras toxinas propagadas pelo governo através de vacinas e remédios. E quantas pessoas morrem nas mãos de quem tem licença para matar? E não vamos falar da educação alienatória meus caros? Que está cada dia mais inescrupulosamente tecnicista e alienada, e não se fala em aptidões diversas e só querem que alguém seja o depósito daquele inútil conteúdo fomentado, que se perdeu dentre a pluralidade e diversidade do mundo. Para o estado as pessoas devem ser mais religiosas e menos estudiosas, na verdade o estado quer que todos sejam cada vez mais idiotas e burros... Sabemos que é uma palavra um tanto preconceituosa, mas não tão ofensiva quanto os maus hábitos do poder instituído. Os governantes jovens só falam das mulheres gostosas que pegaram e das imensas propriedades que compraram aqui e no exterior, e isso é o que importa para eles, o desejo do consumo esquizofrênico que vale mais do que qualquer ação social. Quanta atitude ridícula! Nos dias de hoje somente a miséria se propaga, seja ela social, educacional, medicinal, judicial... Ninguém vê quanta força há no corporativismo? "Horror, Horror!" Os ditadores são julgados assim porque não concordam com uma política global? Qual/quem seria o maior de todos os ditadores? Qual seria a tábua de leis que vigora em nossos dias, cada vez mais uma política de controle global? E as "teletelas" se propagam nas casas das pessoas, que não sabem porquê, mas perdem as inibições e se expõem indiscriminadamente... Outras tantas roubam, matam e se prostituem... Será que é isso o valor que nos resta? E a vida, e a arte, e o vigor criativo das pessoas? Olhe para o lado e verás a beleza da arte dos homens, pois ainda nos resta uma história, desejando o local e o total, não importa, é escrita, pintada, falada e materializada. Para fazer menção à clássica leitura de Joseph Conrad do Coração das Trevas: "Admito que nunca tenha havido um doido capaz de vender a alma ao diabo: ou o doido não é bastante doido, ou o diabo bastante diabo - qual das coisas não sei". Pois, mais rentável do que vender é alugar, ou encontrar uma possibilidade de se utilizar do generalizado clientelismo...

Fonte: http://neptuneon.blogspot.com/

Estados Unidos contra todos - por Por Immanuel Wallerstein

Estados Unidos contra todosWallerstein compila recentes fracassos da diplomacia estadunidense—da América Latina à Oceania—para ilustrar o cada vez maior isolamento internacional do país

Houve um tempo em que Estados Unidos tinham muitos amigos, ou pelo menos seguidores relativamente obedientes. Hoje em dia, parece que não têm nada além de adversários, de todas as cores políticas. E parece que o país não vai muito bem na disputa com seus antagonistas.

Olhe o que aconteceu em novembro de 2011 e tem acontecido na primeira metade de dezembro. O país sustentou divergências com a China, Paquistão, Arábia Saudita, Israel, Irã, Alemanha e América Latina. E não se pode dizer que levou a melhor parte em nenhuma das controvérsias.

O mundo interpretou a presença e os anúncios do presidente Barack Obama na Austrália como um desafio aberto à China. Ele disse ao Parlamento Australiano que os Estados Unidos está determinado a “alocar os recursos necessários para manter nossa forte presença militar na região”. Para finalizar, Washington está implantando 250 marines na base aérea australiana em Darwin — no futuro, possivelmente poderá aumentar o número para 2.500.

Essa é apenas uma de muitas jogadas similares que se executam no tabuleiro da exibição militar. Enquanto os Estados Unidos sai (ou é forçado a sair) do Oriente Médio, por razões tanto políticas como financeiras, estende seus músculos em direção à região da Ásia-Pacífico. E isso apesar da urgente demanda por reduzir os gastos, mesmo com o exército, e da crescente relutância dos americanos em relação ao envolvimento do país em questões externas. Dá pra acreditar? Até agora, a “resposta” da China tem sido virtualmente a não-resposta, como se dissesse que o tempo está do lado da China, mesmo em suas relações com os Estados Unidos, ou talvez essencialmente nas suas relações com os Estados Unidos.

Aí tem o Paquistão. Os Estados Unidos lançou o desafio: o Paquistão deve acabar com os movimentos islâmicos. Deve parar de tentar sabotar o governo de Hamid Karzai no Afeganistão. Deve parar de ameaçar a Índia com ações militares na Caxemira. Se não… o quê? Eis o problema. Ao que parece, pelos documentos que vazaram, os Estados Unidos estavam pensando que o último amigo que lhe sobrou no Paquistão — o atual presidente Asif Ali Zardari —poderia despedir o líder do exército, o General Ashfaq Parvez Kayani. Como resposta, o General Kayani articulou para que Zardari fosse realizar tratamento médico em Dubai, nos Emirados Árabes. O potencial golpe arranjado pelos Estados Unidos falhou. E, se Washington tentar retaliar a manobra paquistanesa cortando ajuda financeira, sempre tem a China para tomar seu lugar.

No Oriente Médio, o que Obama mais quer é que nada dramático aconteça entre Israel e os palestinos até, pelo menos, sua reeleição. Isso não satisfaz realmente as necessidade da Arábia Saudita ou do primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu. Então, do ponto de vista americano, ambos estão procedendo de maneira agitar o pote. E os Estados Unidos estão muito mais numa posição de implorar a judeus e sauditas do que comandá-los ou controlá-los.

Então, há o Irã, supostamente a principal preocupação imediata dos Estados Unidos — e também da Arábia Saudita e Israel. Washington está usando seus aviões supersecretos não-tripulados (os chamados drones) para espionar os iranianos. Nada surpreendente, exceto pelo fato de que, ao que parece, e de algum modo, um desses drones pousou no Irã — eu digo “pousou” porque a questão crucial é como e por que pousou.

A CIA, dona do avião, diz de maneira pouco convincente que o incidente deveu-se a alguma falha mecânica. Os iranianos, por sua vez, insinuam que derrubaram o drone com um ataque cibernético. Os Estados Unidos garantem que não, que seria “impossível” — mas Debka, a voz da internet israelense, diz que é verdade. Eu acredito que seja provável. Além disso, agora que os iranianos têm o avião, estão trabalhando em desvendar todos seus segredos técnicos. Quem sabe? Eles podem publicar esses segredos para que o mundo todo saiba. E então, quão secretos serão os drones supersecretos?

Ah, sim, a Alemanha. Como todos sabem, existe uma “crise” na zona do euro. E a chanceler alemã Angela Merkel tem trabalhado duro para que os países da zona do euro comprem uma “solução” que irá funcionar para ela — tanto politicamente, dentro da Alemanha, quanto economicamente, na Europa. Merkel tem pressionado um novo Tratado Europeu que iria impor automaticamente sanções aos países signatários que violem suas disposições.

Os Estados Unidos pensaram que essa seria uma abordagem equivocada. Para Washington, trata-se de uma ação de médio prazo que não resolveria imediatamente o problema financeiro da Europa. Obama enviou ao Velho Continente seu secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a fim de insistir em suas sugestões alternativas. Os detalhes não importam, nem qual é a melhor opção. O importante é notar que Geithner foi totalmente ignorado e os alemães conseguiram o que queriam.

E, finalmente, os países da América Latina e do Caribe se encontraram na Venezuela para estabelecer uma nova organização: a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). Todos os países americanos assinaram o tratado, exceto os dois que não foram convidados — Estados Unidos e Canadá. A CELAC foi desenhada para suplantar a Organização dos Estados Americanos (OEA), que inclui os Estados Unidos e o Canadá, e que suspendeu Cuba. Pode levar algum tempo até que a OEA desapareça e que somente a CELAC permaneça. Ainda assim, não é exatamente algo que Washington deve celebrar.

(*) Immanuel Wallerstein é professor-sênior do Departamento de Sociologia da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Seu saite é www.iwallerstein.com
Tradução: Daniela Frabasile
Fonte: www.outraspalavras.net

Made Brasil – nosso gás lacrimogêneo sendo usado pelos fascistas do Bahrain – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

O legado dos EUA no Iraque, oito anos depois da invasão - por Eduardo Febbro

O legado dos EUA no Iraque, oito anos depois da invasãoPassaram-se oito anos e os Estados Unidos fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4 .500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. Para os iraquianos, o legado da invasão é morte, dezenas de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas.

Passaram-se oito anos. Como pedras impiedosas que semearam a morte. Como aquelas horrendas imagens que surgiam à beira das estradas no caminho em direção a Bagdá. Fumaça, destruição, cadáveres e silêncio. Parece ontem. O cruzamento de estradas assinalava duas direções : Basra ou Bagdá. Através da estrada até Bagdá, as sucessivas batalhas da ofensiva emergiam como cogumelos despedaçados : ônibus bombardeados, veículos calcinados, tanques arrebentados e crateras imensas cavadas pelos mísseis. Os tanques iraquianos dispostos em fila à beira da estrada pareciam latas de sardinha queimadas. Frente a eles, os tanques Abrams norteamericanos tinham o aspecto de mastodontes invencíveis. « Quando começamos a avançar por esse trajeto, os soldados iraquianos saíam dos tanques para nos pedir água e comida », contava com lástima um oficial norteamericano.

Os primeiros grandes subúrbios de casas baixas pareciam emergir de um pesadelo. As casas e as lojas tinham virado trincheiras e havia centenas de pessoas caminhando pelas ruas, levando colchões, cadeiras, roupas, televisões, máquinas de lavar roupa, velhas máquinas de costura. Bagdá, ao longe, estava envolta em uma espessa nuvem de fumaça escura. Os poços e as trincheiras de petróleo seguiam ardendo. Saddam Hussein havia mandado incendiá-los para impedir que os satélites norteamericanos obtivessem imagens precisas do estado de Bagdá. Depois, a cidade aparecia finalmente. Ferida e assustada.

Em cima do capô de um automóvel que havia avançado sobre a calçada, um livro de capa azul exibia suas páginas milagrosamente intactas. Dentro do veículo, o corpo de um homem com o corpo tombado para a frente tinha a cabeça partida e parte do cérebro esparramado em cima do porta-luvas. Ninguém prestava atenção. A cem metros do automóvel, um grupo de homens tentava, em vão, derrubar uma imensa estátua de Saddam Hussein erguida no centro de uma rótula. Do outro lado, três mortos jaziam à margem da rua. Um grupo de cachorros sarnentos disputava a propriedade do corpo de um dos mortos : um menino de seis anos estava ali também, sem um sapato e sem a metade do rosto.

Saddam Hussein havia desaparecido. O exército ocupante se instalava em tendas nos territórios de sua nova conquista, ocupava os palácios de quem tinha sido seu aliado, se apoderava das ruas da cidade transformada e restaurada pelo ditador com a ajuda dos arquitetos enviados pelo Ocidente nos anos em que Saddam era um sócio confiável e ninguém se importava que ele afogasse seu povo em uma lagoa de sangue. O choque de civilizações acabava de se plasmar em sua versão mais violenta : a de um país milenar e reprimido, a de uma potência ocidental que havia enviado do céu uma chuva de democracia comprimida em cachos de bombas.

Há lugares cujo nome e os símbolos que evoca sobrevivem aos estragos do tempo e das guerras. Bagdá tinha esse dom. Horrível e mágica. Histórica e contemporânea. Ameaçadora e hospitaleira. As Mil e uma Noites, uma grande livro onde, a cada virada de página, havia muitos mortos. O soldado Higins tinha visto inúmeras fotos de Bagdá antes da invasão, mas nunca havia imaginado a cidade real que encontrou quando sua unidade entrou na capital depois do que qualificava como « um combate épico » contra um inimigo « inferior, mas disposto a tudo ». Higins dizia que, até sua chegada a Bagdá, não havia conhecido a morte e tampouco imaginado como seria. Agora já tinha se acostumado ela, mas o primeiro morto seguia fazendo companhia a ele em sua memória. « A primeira vez que matei um homem foi à noite. Fiquei com uma sensação estranha, irreal. Não posso esquecer.

Minha unidade encontrava-se na periferia de Bagdá. Fazíamos parte de uma patrulha avançada que estava por penetrar na capital desde o sul. Tínhamos recebido a ordem de consolidar a zona e seguir adiante. Seguimos as instruções e no início da madrugada começaram a nos atacar. Choviam tiros de metralhadoras e bazucas. Como não se via nada usamos os fuzis com visão noturna. O primeiro homem que apareceu na mira avançava por uma rua lateral, ocultando-se entre as portas. Era um alvo fácil. Deixei que avançasse. Apontei e disparei. Ele cai no chão e voltou a se levantar, cambaleante. Disparei mais duas vezes. Não posso dizer que nesse momento senti que o tinha matado. Com as miras de visão noturna tudo é visto de um modo distinto, como se fosse um jogo informático. A realidade é mais lenta e as coisas têm a forma de silueta ».

« Sei que está por aí, Saddam é eterno. Um império não pode com ele. Saddam vive até no silêncio », dizia o empregado de um hotel que havia desaparecido em um incêndio. A única coisa que estava ali, pulsando no meio da fumaça, era o futuro. O futuro já estava escrito nas múltiplas sequências da queda de bagdá na indolência e ignorância dos ocupantes. Essa ignorância brutal era a matéria prima da ação de Paul Bremer, o ineficiente e teimoso responsável pela CPA, a Autoridade Provisória da coalizão encarrehada de administrar o Iraque com estatuto de autoridade governamental.

A guerra começou em 19 de março de 2003. Cerca de três semanas mais tarde, Bagdá caiu nas mãos da coalizão. No dia 1° de maio de 2003, o presidente George W. Bush deu por encerrada essa fase com a expressão triunfalista « missão cumprida ». No dia 6 de maio, Bush nomeou Paul Bremer. O « vice-rei » Bremer chegou a Bagdá e abriu a caixa de Pandora com um projeto político, econômico e administrativo delirante : converter o Iraque em uma representação dos Estados Unidos no Oriente Médio : liberal, democrática, permissiva, um centro de negócios ao melhor estilo dos falcões da Casa Branca.

Ele não tinha a menor ideia do chão em que estava pisando. Sua primeira decisão consistiu em decretar a « desbaasificação » da sociedade iraquiana. Bremer pretendia sanear o sistema político com uma ordem inaplicável : fazer desaparecer o partido Baas e seus representantes em uma sociedade onde, para conseguir trabalho ou ser membro da administração pública, era obrigatório aderir ao Baas. Paul Bremer decretou a demissão de milhares de empregados e executivos da administração pública, dos organismos encarregados do petróleo, dos bancos, das universidades. Onze dias depois de ter assumido suas funções, Bremer assinou outro decreto enlouquecido : dissolveu o exército, a aviação, a marinha, o Ministério da Defesa, os serviços de inteligência. Seu frenesi ignorante chegou ao ponto de, em um país que saía de um prolongado embargo internacional, que estava em guerra, onde os hospitais estavam destruídos e faltava até algodão, lançar uma campanha contra o tabagismo e elaborar um projeto para distribuir rações alimentares com cartões de crédito.

Passaram-se oito anos e os Estados Unidos fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4 .500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. « Depois de todo o sangue derramado, o objetivo de que o Iraque governe a si mesmo e seja capaz de garantir a segurança se cumpriu », disse o secretário de Defesa estadunidense, Leon Panetta. O legado da invasão é outro : morte, dezenas de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas. A queda do déspota permitiu que os xiitas, majoritários no país e reprimidos até a barárie por Saddam Hussein, tomasem as rédeas do poder sem que isso implicasse unidade ou estabilidade. O Iraque segue sendo um país em carne viva onde as feridas da ocupação não se fecharam.

Passaram-se oito anos e o espelho de ontem está intacto, a voz de Fatima ainda ressoa naquela cidade em chamas. As lágrimas brotavam de seus olhos e, ainda assim, era capaz de sorrir e chorar ao mesmo tempo. Um sorriso de anjo, de criança, o sorriso da desnudez de um despossuído. Fatima observava os militares norteamericanos com um incessante sinal de pergunta. Eles a tomavam por louca. Quando passava diante dos soldados, a mulher os saudava e perguntava : « por quê ? » Às vezes, davam-lhe comida, água e um pouco de dinheiro. Fátima aceitava, mais para se aproximar daqueles que tinham destroçado sua realidade do que por fome.

Ninguém entendia sua pergunta. Por trás de seu sorriso tenro e luminoso, a tristeza marcava seus traços. Fátima estava vencida. Enquanto contemplava as ruínas do que uma vez foi sua casa, a mulher voltava a perguntar « por quê ? ». Quando falava, uma careta infantil e piedosa se desenhava como um relâmpago.

Fátima tinha perdido tudo. Dias após dia, com um empenho obstinado, a mulher escavava os escombros do edifício familiar destruído por uma bomba, buscando os restos de seus pertences passados. Seu filhor menor a acompanhava sempre. Ia de um lado a outro de Bagdá apegado a ela como um animal indefeso. Fátima revolvia as entranhas de pedras destroçadas e retirava uma frigideira, um retrato intacto, um cachecol, um par de sapatos, alguma cadeira desconjuntada pela explosão, pedaços de recordações e bens devastados. O living, a sala de estar, a cozinha, o quarto, os espaços de sua intimidade estavam soterrados por toneladas de pedra e poeria.

Fátima mostrava o que havia sobrado de sua casa : um monte de ferro e cimento sobre o qual se superpunha seu eterno sorriso. Ela também tinha no olhar essa marca feita de solidão, de luz, de incompreensão, de pura intempérie : a marca da injustiça. A mulher dizia que, talvez, o futuro de seu filho não seria parecido com o seu, que talvez ele conheceria a liberdade, um trabalho decente e a democracia. Fátima se projetava no filho que restou porque seu presente era um lugar inabitável. Era escombros e a gaveta de uma cômoda miraculosamente intacta de onde tirava, assombrada e agradecida, duas fotos de seu marido e de sua filha morta, esmagada com seu pai nas ruínas, um par de meias e uma caixa de costura.

Tradução: Katarina Peixoto
Correspondente da Carta Maior em Paris
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Aécio amou odiar ‘A Privataria Tucana’


Fonte: Estadão

Direito à voz: Ativistas dos direitos animais processam governo dos EUA contra lei que os classifica como terroristas - por Camila Arvoredo

Direito à voz: Ativistas dos direitos animais processam governo dos EUA contra lei que os classifica como terroristasAtivista é agredido por autoridades durante manifestação (Créditos foto: Terra)
Um grupo de ativistas dos direitos animais processou o governo estado-unidense nesta quinta-feira (15) devido a uma lei constitucional que classifica ativistas dos direitos animais como terroristas, afirmou a “Associated Press”. No caso, ativistas são julgados como terroristas quando empresas que utilizam animais sofrem prejuízos em seus lucros, quando ações diretas de ativistas estão envolvidas.

Cinco ativistas representados pelo “Centro de Direitos Constitucionais” entraram com processo junto a Corte Federal de Boston, pedindo que o “Ato de terrorismo praticado em favor dos animais” (“Animal Enterprise Terrorism Act”) seja classificado como inconstitucional porque possui um efeito assustador quando envolve processos seguidos de ações diretas em prol dos animais.

A procuradora Rachel Meerpol diz que a lei de 2006 deixou muitos ativistas temerosos de participar de protestos públicos, devido ao risco de poderem ser processados. “Existem muitos termos na lei que não estão claramente definidos e muitos manifestantes não sabem com clareza quais condutas estão sujeitas a violação frente à primeira emenda”, disse Meerpol.

“Alguns de meus clientes querem se manifestar em protestos públicos – por exemplo, em frente a uma loja de casacos de pele – e com isso mudar a opinião pública sobre peles” ela disse. “Entretanto, eles se sentem constrangidos ao se manifestar porque lendo a lei ao pé da letra, se o protesto for bem-sucedido ao convencer os consumidores a pararem de comprar peles, eles podem ser acusados de terroristas.”

A lei também pode ser usada para processar alguém que prejudicou ou interferiu nas operações de empresas que lidam com animais, isso quando uma pessoa intencionalmente prejudica ou danifica a propriedade privada usada pela empresa ou negócio ligado a animais. Ainda, Meerpol disse que as cortes interpretam como perda ou dano de propriedade a queda dos lucros de uma empresa.

A lei também pode ser usada para processar qualquer um que “intencionalmente causa medo de morte ou de sérios riscos corporais” através de ameaças, vandalismo, perseguição ou intimidação.

O procurador-geral Eric Holder é o único advogado de defesa nomeado no processo. O Representante do Departamento de Justiça não respondeu imediatamente aos comentários.

O processo lista sete pessoas que foram processadas sob indicação da lei. Meerpol reconhece que ela não veio sendo usada frequentemente, mas ela disse que apenas um processo de grande escalão poderia incitar medo entre os ativistas dos direitos dos animais.

Ryan Shapiro, um antigo ativista dos direitos animais de Cambridge e que é um dos querelantes, disse que ele não mais realiza filmagens que investigam o tratamento dado aos animais em fazendas pecuaristas, porque ele se preocupa com a possibilidade de ser processado.

“Uma das maneiras que este ato silencia a livre expressão é que se alguém segue uma pegada e mostra ao público que animais estão sofrendo em fazendas pecuaristas, isso já vai por si só afetar os lucros desta empresa”, disse Shapiro. “Como resultado, o único fato de trazer à tona esta informação e tentar educar a população sobre o sofrimento animal é motivo de se processar e de ser acusado como terrorista.”

Fonte: www.anda.jor.br

[Reino Unido] Relato sobre o “Protesto Mumia Abu-Jamal Livre Já” em Londres - por ANA

[Reino Unido] Relato sobre o “Protesto Mumia Abu-Jamal Livre Já” em Londres Na última sexta-feira, 9 de dezembro, em Londres, dezenas de pessoas protestaram em frente a Embaixada dos Estados Unidos das 5 da tarde às 7 da noite, reivindicando a libertação imediata e incondicional de Mumia Abu-Jamal. A ação foi chamada pela “Campanha de Defesa Mumia Abu-Jamal Livre” do Reino Unido.

Um número considerável de ativistas marcharam da esquina Speakers, ao longo da Rua Oxford, pedindo pela liberdade de Mumia e de todos os presos políticos, e depois se juntaram aos outros manifestantes na Embaixada estadunidense, na praça Grosvenor.

Inicialmente, o espaço externo da Embaixada foi dividido com outros ativistas que clamavam por ações de combate às mudanças climáticas.

Oradores da Irish Political Prisoners, FRFI, Pan African, Uhuru, e outros trouxeram o apoio de suas organizações para o protesto. Linn Washington, da campanha pró-Mumia da Filadélfia, também participou do evento.

O ato foi alegrado com a notícia de que o Estado não irá buscar reimpor a pena de morte para Mumia. Mas uma mensagem do MOVE nos relembra que isto não significa que eles não querem Mumia morto. A Polícia Federal e outras forças reacionárias ainda estão ameaçando seus direitos e sua segurança na prisão.

A TV Russia Today esteve lá para filmar o protesto e entrevistar alguns participantes sobre por que o caso de Mumia é importante e por que ele deve ser libertado imediatamente.

Membros da “Campanha de Defesa Mumia Abu-Jamal Livre” também participaram de um encontro público em apoio a Mumia realizado na Metrolpolitan University, onde o companheiro Togogara esteve falando sobre o caso.

Fotos:
http://www.demotix.com/news/961345/mumia-abu-jamal-30th-anniversary-protest-us-embassy-london

Tradução > Marina Knup

agência de notícias anarquistas-ana
após a festa da aldeia
ficou ainda um crepe
a lua-cheia
Rogério Martins

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Obama declara o fim da guerra no Iraque – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Amilton Alexandre (o Mosquito) Blogueiro que denunciou estuprador (Sirotsky) é encontrado morto!

Amilton Alexandre (o Mosquito) Blogueiro que denunciou estuprador (Sirotsky) é encontrado morto!O blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, de 52 anos, foi encontrado morto dentro seu apartamento, em Palhoça (SC), na tarde desta terça-feira,13. Amilton era o titular do blog Tijoladas do Mosquito, que se tonou conhecido nacionalmente, em junho de 2010, por ser o primeiro a denunciar o caso de estupro envolvendo um menor herdeiro da Famiglia Sirotsky, controladora do complexo mafiomidiático RBS. O enterro aconteceu nesta tarde, no Cemitério São Francisco de Assis, em Florianópolis.

Amilton havia encerrado as atividades de seu blog no último dia 9, para cuidar de “problemas de saúde e outras dificuldades”. A polícia catarinense ainda investiga as circunstâncias da morte do blogueiro.
Cloaca News
Fonte: http://profdiafonso.blogspot.com/

São Paulo está preparada para chuvas de verão, diz Kassab

São Paulo está preparada para chuvas de verão, diz KassabO prefeito Gilberto Kassab afirma que a cidade de São Paulo está bem preparada para as chuvas de verão.

De acordo com ele, a partir do próximo dia 16, começa a funcionar um novo modelo de limpeza urbana no município.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Kassab afirmou que as enchentes serão reduzidas com um único consórcio responsável por vários serviços, como varrição e limpeza de córregos, bueiros e galeria pluviais.

Além das enchentes, outro assunto polêmico abordado por Gilberto Kassab foi o aumento do salário dos 31 subprefeitos que vai passar de R$ 6.573 reais para R$ 19.294.

O prefeito justificou que o reajuste de quase 200% será importante para conseguir manter os bons profissionais:

O reajuste salarial foi proposto pelo prefeito Gilberto Kassab e vai gerar um gasto extra de 20 milhões de reais por ano.

A medida também beneficia secretários e chefes de gabinete que vão receberão cerca de 18 mil reais mensais.
Fonte: http://bandnewsfm.band.com.br/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana: O livro invisível - Por Luciano Martins Costa

A Privataria Tucana: O livro invisívelO espetacular lançamento do livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., certamente um dos mais velozes fenômenos de venda da indústria brasileira de livros, produz outras circunstâncias estranhas, além do escancarado constrangimento da chamada grande imprensa: o autor e a editora foram vítimas de uma pirataria militante, com a distribuição ilegal de cópias digitais da obra.

Nas primeiras horas da manhã de terça-feira (13/12), cópias digitais em formato PDFjá estavam à venda ou eram distribuídas gratuitamente em vários sites. No blog livrosdehumanas.org, podia-se baixar uma cópia gratuita ou com desconto de 30% sobre o preço oficial de R$ 34,90.

O publisher e sócio da Geração Editorial, Luiz Fernando Emediato, foi informado pelas redes sociais da derrama de exemplares pirateados quando o sistema paralelo de distribuição e venda já se configurava como uma ação viral – quando determinado tema entra simultaneamente entre os tópicos mais vistos da internet, através de sites, blogs, redes de relacionamento e sistemas de mensagens curtas, tornando-se quase impossível contê-lo.

Ao longo da terça-feira, o esforço da Geração Editorial ainda não havia conseguido bloquear o sistema paralelo de vendas, o que teoricamente deveria aumentar o interesse jornalístico por esse fenômeno do mercado editorial.

Não aconteceu
O sucesso estrondoso do livro criou uma situação inusitada: ele se instalou rapidamente no topo do ranking de vendas da Livraria da Folha na semana, enquando a Folha de S.Paulo seguia ignorando sua existência.

O leitor há de ficar atento à listagem dos livros mais vendidos na revista Veja, para verificar se o mistério se repete: um livro campeão de vendas que a imprensa considera inexistente.

Em entrevista à Agência Carta Maior, Luiz Fernando Emediato disse acreditar que a grande imprensa vai entrar em breve no debate que se seguiu à publicação, por causa do grande interesse demonstrado pelo público através das redes sociais e da mídia online.

Mas a chamada grande imprensa seguiu desprezando o acontecimento jornalístico mais interessante da temporada, assim como se calaram os principais personagens da história. Para os jornais, A privataria tucana é um livro invisível. É como se os editores acreditassem que aquilo que não sai na imprensa tradicional nunca aconteceu.

Apostando no silêncio
Emediato dizia esperar que o ex-governador José Serra viesse a público a qualquer momento para se justificar, uma vez que não é acusado diretamente dos crimes citados na reportagem. “Mas falar que não sabia das movimentações milionárias da filha, é algo difícil de acreditar”, afirmou.

Saboreando o sucesso comercial de seu empreendimento, o editor participou ativamente dos debates nas redes sociais desde o sábado, ao mesmo tempo em que administrava uma estratégia cautelosa em relação ao PSDB.

Pelo menos dois colunistas da Folha de S.Paulo e uma colunista do Estadão estavam digerindo o livro na terça-feira.

O ex-governador José Serra, principal personagem da reportagem, resolveu sair do mutismo e declarou ao site do Estadão, no fim da tarde de terça-feira (13), que não se manifestaria sobre o assunto. “Vou comentar o que sobre lixo? Lixo é lixo”, teria dito Serra, segundo a site do jornal paulista.

Presente ao mesmo evento, a inauguração da sala da liderança do PSDB na Câmara dos Deputados, batizada com o nome do falecido ex-deputado e jornalista Artur da Távola, o senador Aécio Neves, apontado como mentor da investigação que colocou Ribeiro Jr. na pista de José Serra, também evitou comentários, chamando a obra de “literatura menor”.

Todo o teor da reportagem trata de desqualificar o autor do livro (ver aqui). O mesmo viés aparece na repercussão imediata de outros sites da grande imprensa, na madrugada de quarta-feira (14).

A primeira manifestação de Serra depois da publicação do livro foi seguida de uma postagem no Twitter, na noite de terça-feira. “Não se faz política para ser-se digno. Faz-se política por ser digno”, escreveu, citando Artur da Távola. No mesmo horário a frase foi postada em sua página no Facebook (/timeserra45). No seu site (www.joseserra.com.br), atualizado pela última vez na véspera do lançamento do livro, seu artigo publicado originalmente no Estado de S.Paulo sob o título “O mal essencial” trata de corrupção. Nenhuma referência às acusações contidas no livro. Serra parece confiante de que, se a grande imprensa não noticiar, a onda vai passar.
Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br/

[México] Ativistas e artistas agem para levar Mumia Abu-Jamal para casa - por ANA

[México] Ativistas e artistas agem para levar Mumia Abu-Jamal para casaEm 9 de dezembro, aos 30 anos do seqüestro de Mumia Abu-Jamal pelas mãos da quadrilha policial da Filadélfia e sua incriminação pelo homicídio do policial Daniel Faulkner, algumas centenas de ativistas e artistas realizaram um ato de 8 horas em seu apoio, fora da Embaixada dos Estados Unidos na Cidade do México. Com muito amor para um homem livre que sempre teve a coragem de falar a verdade, enquanto ainda nas garras do inimigo, comemoramos o revés sofrido pela promotoria dessa cidade em seu esforço para assassiná-lo por meios legais e deixamos claro o nosso total repúdio à sua morte lenta na prisão ou qualquer atentado contra sua vida, uma vez que seja transferido para a população geral.

Alguns dos participantes no ato têm apoiado Mumia desde os anos 90 e foram presos e espancados por marchar por sua liberdade em dezembro de 1999. Muitos o conhecemos através de seus escritos que circularam na mídia livre, enquanto dezenas de participantes acabam de descobrir sua luta e do altíssimo preço que ele paga para ser coerente com seu compromisso com a libertação africana-americana e a transformação revolucionária do mundo. Em todo o caso, esperamos que tenha chegado a Mumia as vibrações energéticas e rebeldes que enviamos da Cidade do México. E também queremos que as autoridades nos Estados Unidos saibam que existem pessoas em todo o mundo que dizem NÃO! a seus crimes de Estado contra Mumia e também contra os presos políticos do MOVE, Leonard Peltier, Sundiata Acoli, Jalil Muntaqim, Herman Bell, Dr. Mutulu Shakur, Sekou Odinga, Marshall Eddie Conway, Albert Woodfox, Herman Wallace, Veronza Bowers, David Gilbert, Oscar López Rivera, os 5 cubanos, Daniel McGowan, Bradley Manning e dezenas de outros.

Nossa alegria por um possível passo a frente no caso de Mumia foi tingida pela raiva e dor que sentimos sobre o assassinato de Trinidad de la Cruz Crisóstomo, e o de Pedro Leyva dois meses antes - dois bravos companheiros com um compromisso total com a recuperação e defesa das terras nahuas em Xayakalan, Ostula, Michoacán. Responsabilizamos o governo dos Estados Unidos por suas mortes através do financiamento e treinamento de grupos policiais, militares e paramilitares que operam com impunidade no país.

Estamos honrados com a presença no ato de dois companheiros da família do preso político Alberto Patishtán, que esteve preso por 11 anos por lutar por uma vida digna para os povos indígenas de Chiapas e por ser a força motriz da organização do La Voz Del Amate e outros grupos dentro das prisões. A companheira Beatriz detalhou as muitas transferências do professor de uma prisão para outra, para impedir seu trabalho educativo, social e organizacional, incluindo a transferência mais recente à Guasave, em Sinaloa, a mais de 2.000 quilômetros de sua família. Juntamo-nos no esforço para conseguir que este companheiro, com um compromisso social inabalável, novamente volte a andar livre em suas próprias terras!

Também nos deu força a presença dos companheiros da Frente dos Povos em Defesa da Terra de San Salvador Atenco que chegaram com uma mensagem de solidariedade para Mumia Abu-Jamal: “A liberdade não tem cor, nem fronteiras e nem limites. Dá-nos coragem que mais um companheiro está na prisão porque quer que o futuro mude. Estamos com ele. Agradecemos sua solidariedade e hoje correspondemos a essa solidariedade...” Recordamos que o governo do México tentou submeter Ignacio Del Valle e Felipe Álvarez a uma morte lenta na prisão por 67 anos e meio e 112 anos e meio respectivamente, mas não puderam fazê-lo e tão pouco podiam romper seu espírito de luta. Felipe Alvarez disse que “como Frente dos Povos estamos comprometidos de continuar lutando depois de obter a nossa liberdade graças a todas as organizações nacionais e internacionais, a todas as pessoas, todos aqueles companheiros ativistas... e principalmente ao companheiro Mumia, que se encontra em cativeiro. Desde aqui levantamos uma saudação muito fraterna a ele como um lutador social para dizer apenas que vamos continuar a buscar sua liberdade. Zapata vive. A luta continua!”

Nacho del Valle disse: “Mumia é um exemplo de dignidade. É um exemplo de integridade. Hoje cumpre 30 anos. Que tempo precisei para dizer 30 anos? Três segundos. Dois segundos. Trinta anos dessa consciência indomável. Quando estávamos na prisão, recebemos seus cumprimentos. Nós não o conhecíamos... Alguém me disse. Este homem desde lá está lutando. Isso significa que ele não conhece a prisão, apesar de estar trancado nessas masmorras imundas. A liberdade está na consciência. Está no amor que têm para os outros... Companheiros, nós sabemos o que é a repressão... É verdade que temos medo, porque o medo faz parte da nossa existência. Mas esse medo que nos marca a consciência é diferente do medo que nos torna servil, que se torna escravo desse grande poder... Aqui no nosso México estamos vivendo as atrocidades mais horríveis do ser humano e isso não podemos contar em números. Mais de 50.000 mortos em nosso país. Mais que em uma guerra de confronto militar. Como é possível? Bem, embora possa parecer que somos poucos, aqui está o melhor deste país, o melhor da consciência que tem que fabricar essa esperança. Temos que construir desde aqui essa esperança de liberdade que queremos para os nossos irmãos que lutam... Sabemos que esta repressão é dirigida principalmente e seletivamente aos ativistas sociais, aos que dizem “Já basta!”, mas que não tem que nos assustar... Somos milhares, somos milhões de corações, consciências que clamam a liberdade desse homem que nos marca essa completude de consciência e de liberdade, e dignidade acima de tudo. Sabemos que não o dobraram, apesar de passados 30 anos e temos que lutar... Mumia vive! A luta continua! Presos políticos, liberdade!”

A Otra Cultura apresentou uma performance que destacou a história de Mumia com os Panteras Negras e criou várias instalações, incluindo uma em memória ao bebê Life África, que morreu pisoteado pela polícia da Filadélfia em 1976; seus pais são Janine e Phil África dos “9 do MOVE”, que permanecem atrás das grades por 33 anos por defender a vida em todas suas formas.

Os rappers, grupos de reggae e cantores e canções de protesto tocaram com entusiasmo e alta qualidade musical. Graças à Mexikan Sound System, ARH Al Intifadah, Jorge Salinas, MC Xozulu, La Outra Acústica, Youalli, Van-T, Nehualyome Dub, Lírika Podrida, o Indio Sin Dios Sangre Maíz, Luna Negra, Ollin Roots, e os Dub Riders de Reggae AmbulanT Sonidero Cultural Sin Fronteras, o evento teve um ritmo rápido e canções com letra de luta, desde “Corrido de Gabino Barrera” até “No voto y no me callo” (Não voto e não me calo”), “Alta Resistência”, “Sata Massagana”, “Libertad a Mumia Abu-Jamal” (Liberdade a Mumia Abu-Jamal) e “Wirikuta”, entre muitas mais.

Desde que deixou a prisão, a companheira Edith Rosales, ex-presa política de Atenco e demandante contra a impunidade pela tortura sexual que ocorreu ali em 4 de maio de 2006, sempre esteve presente nos atos em apoio à Mumia. Em sua mensagem, nos lembra que “Os prisioneiros políticos não permanecerão calados... Mumia, um jornalista, segue denunciando mesmo ainda estando nas masmorras. É parte de sua luta. E é muito respeitável, companheiros, porque não se imagina que trabalho custa escrever lá dentro, que trabalho custa coordenar as idéias. Devemos seguir lutando por ele. Todos os presos políticos devem sair dessas masmorras”.

O companheiro da Cruz Negra Anarquista disse: “Mais uma vez estamos aqui, em frente à esta embaixada que representa o império que massacra e assassina as pessoas em todo o mundo. Mais uma vez estamos aqui para exigir a libertação do ativista revolucionário Mumia Abu-Jamal. Agora foi posta abaixo a pena de morte graças à solidariedade internacional. E é bonito ver a boa energia aqui hoje e saber que esta solidariedade segue para removê-lo da prisão. Temos que tirar os presos políticos no México também, como Alberto Patishtán e os presos do La Voz de Amate, que fizeram uma greve de fome há mais de um mês. De sua cela, Mumia continuou a denunciar o sistema prisional dos Estados Unidos, as prisões de um mecanismo de controle de uma classe sobre outra... cheio de ódio e racismo, um mecanismo usado para punir aqueles que se rebelam... Lutamos por Mumia e todos os presos deste país e do mundo. Presos na rua!

A companheira Hilda falou da necessidade de lutar contra a militarização do país e pelo aparecimento com vida dos desaparecidos do país. Também falou da ameaça que as autonomias indígenas representam para o capitalismo e convidou a todos para participar de uma marcha-caminhada em solidariedade às companheiras e companheiros triquis, deslocados do Município Autônomo de San Juan Copala, desde Huajuapan de León até o Zocalo da cidade de Oaxaca, no próximo dia 19 de dezembro.

Foi lida uma análise da privatização dos presídios no México feito por Tania e Miguel, que diz que a grande maioria das pessoas em prisões no México é de “jovens pobres, que na maioria dos casos, estão lá por roubo menores de cinco mil pesos, ou que permanecem reféns por não poder pagar o resgate que, nestas circunstâncias, é chamado de “fiança”... A privatização das prisões deve alertar-nos, já que sua essência é que as grandes empresas lucrem com a população privada de liberdade e façam da justiça um negócio... Como a própria prisão é um negócio, é necessário mantê-las em sua capacidade máxima, o que necessariamente implica em ter um fluxo constante de pessoas cativas...”

Também foi lida uma mensagem de Nodo Solidale, que disse, em parte: “Entre as muitas tarefas que temos que dar-nos como um movimento social, está a de nunca esquecer os nossos prisioneiros, nenhum. Menos ainda os que, dia a dia, se pronunciam com sua palavra e seu exemplo, como Mumia Abu-Jamal, no corredor da morte nos Estados Unidos, ou Alberto Patishtán Gómez no México... Sigamos tecendo organização, construindo alianças, buscando caminhos em nome de Mumia, de Alberto, dos Mapuches detidos no Chile, dos 5000 palestinos detidos em prisões de Israel, dos anarquistas perseguidos em todo Estado, dos árabes rebeldes no Egito, Tunísia e Líbia e das mulheres como Rosa Díaz López, em Chiapas, que desde as prisões se atrevem a denunciar as injustiças que sofrem e que vêem. Devemos nos fortalecer e crescer também em nome de um mundo que já não terá prisões, porque já não haverá ricos se enriquecendo e pobres castigados”.

Cabe destacar que em 9 de dezembro também houve marchas, manifestações e eventos em outras partes do mundo, incluindo um grande evento no Constitution Center na Filadélfia, com música, dança e debate, enquanto a gangue para-policial de motociclistas Centurions gritavam lemas de ódio. No evento, palestrantes lembraram ao promotor Seth Williams de sua obrigação de promover a imediata libertação de Mumia Abu-Jamal. Perguntou-se: Se a Suprema Corte declarou inconstitucional a sentença de morte, por que se considera que o mesmo juiz, o mesmo promotor e os mesmos jurados não violaram seus direitos constitucionais ao colocá-lo culpado de homicídio? E se alegou: Durante 30 anos Mumia Abu-Jamal foi submetido a uma punição cruel e incomum de isolamento, agora reconhecido por um grande número de psicólogos e defensores dos direitos humanos como uma forma de tortura e, portanto, merece a libertação imediata com compensação por tempo cumprido em prisão.

Por toda parte, a luta segue, agora renovada, para levar Mumia Abu-Jamal para casa.

Amig@s de Mumia do México

Áudios e fotos:
http://www.multimedioscronopios.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1433:evento-pot-la-libertad-de-mumia-abu-jamal&catid=36:mumia-abu-jamal&Itemid=11

agência de notícias anarquistas-ana
Virada do morro:
Ipê e seu grito amarelo
perpendicular.
Eolo Yberê Libera

[Israel] Um bravo palestino morreu, coberto em pedras - por ANA

[Israel] Um bravo palestino morreu, coberto em pedras[A seguir a tradução de um artigo fantástico sobre a morte do manifestante palestino Mustafa Tamimi, de 28 anos, publicado no jornal Hareetz (um dos principais de Israel).]

"O porta-voz do exército estava certo – Mustafa morreu atirando pedras; morreu porque ousou expressar uma verdade, com as suas mãos, em um lugar onde a verdade é proibida”.

Mustafa Tamimi atirava pedras. Sem desculpas e, às vezes, sem medo. Não só naquele dia, mas quase toda sexta-feira. Ele também escondia o rosto. Não por medo da prisão, que já tinha vindo a conhecer intimamente, mas para preservar a sua liberdade, para que ele pudesse jogar pedras e resistir ao roubo de suas terras. Ele continuou fazendo isso até a hora da sua morte.

Segundo o jornal britânico The Daily Telegraph, em resposta aos relatórios dos disparos recebidos por Tamimi, o porta-voz do Comando Sul GOC perguntava em sua conta no Twitter:

“O que Mustafa estava fazendo correndo atrás de um jipe em movimento enquanto jogava pedras? #fail”.

Assim, tão simples e ironicamente, o porta-voz explicava porque Tamimi foi responsável pela sua própria morte.

Mustafa Tamimi, do povoado de Nabi Saleh - filho de Ikhlas e Abd al-Razak, irmão de Saddam, Ziad e Ola e dos gêmeos Oudai e Louai - foi baleado na cabeça à queima-roupa.

Poucas horas depois, às 9h21 do sábado [10 de dezembro] pela manhã, morria não resistindo aos ferimentos. Uma granada de gás lacrimogêneo foi disparada contra ele a partir de um jipe militar blindado a uma distância de poucos metros. Não foi por medo que a pessoa que disparou o tiro puxou o gatilho. Ele colocou o cano do rifle ao lado da porta do veículo blindado com uma intenção clara. O atirador é um soldado. Sua identidade ainda é desconhecida e pode permanecer desconhecida para sempre. Talvez esta seja a melhor opção. Identificá-lo e puni-lo só serviria para branquear os crimes de todo o sistema. Como se é indiferente se o civil israelense, o Sargento, o Comandante da companhia, o Comandante do batalhão, o Ministro da Defesa e o Primeiro-Ministro não houvessem tomado parte em sua morte.

O porta-voz do Exército estava certo. Mustafa morreu porque atirava pedras; morreu porque ousou expressar uma verdade, com as suas mãos, em um lugar onde a verdade é proibida. Em qualquer discussão de como ocorreu o disparo, sua legalidade e as ordens para abrir fogo, segue-se que o proprietário da terra é proibido de expulsar o invasor. Na verdade, o invasor tem permissão para disparar sobre o proprietário.

O corpo de Mustafa está sem vida, porque ele teve a coragem de atirar pedras durante o 24º aniversário da Primeira Intifada, que gerou as crianças palestinas das pedras. Seu irmão Oudai está preso na Prisão de Ofer e não obteve a permissão para assistir ao funeral, porque ele também se atreveu a atirar pedras. E a sua irmã não teve a permissão para estar ao lado dele durante seus últimos momentos de vida, já que embora não seja suspeita de atirar pedras, é palestina.

Mustafa era um homem corajoso, assassinado porque atirou pedras e se recusou a ficar com medo na frente dos soldados armados, sentados com segurança em um jipe militar coberto de armadura. No dia que Mustafa morreu, o silêncio gelado que percorria o vale só foi um pouco menos terrível do que o som dos gritos e lamentos de sua mãe que caiam ocasionalmente sobre ele.

Milhares de atiradores de pedras o seguiram em seu funeral. Ele desceu para seu túmulo e as pedras cobriram o seu corpo. Soldados israelenses esperavam na entrada do seu povoado. Mesmo a agonia e a solidão da separação eram intoleráveis para o exército, que liberou seus soldados e armas para pulverizar os sofridos palestinos com gás lacrimogêneo enquanto se dirigiam para as terras do povoado após o funeral. Enquanto que o soldado que atirou em Mustafa segue em liberdade, seis dos manifestantes foram colocados atrás das grades.

Mustafa, caminhamos atrás de seu corpo cabisbaixos e de olhos cheios de lágrimas. Apreciamos-te porque morreste por atirar pedras e nós não.

"O porta-voz do exército estava certo – Mustafá morreu atirando pedras; morreu porque ousou expressar uma verdade, com as suas mãos, em um lugar onde a verdade é proibida”.

por Jonathan Pollak

Vídeo do assassinato de Mustafa, imagens fortes:

http://www.youtube.com/watch?v=tucd5qmgChA&feature=related&skipcontrinter=1

agência de notícias anarquistas-ana
o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga
Carlos Seabra

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mundo Big Brother - Por Pratap Chatterjee

Mundo Big BrotherÚltimo vazamento do WikiLeaks revela uma indústria bilionária que vende equipamentos de espionagem a regimes repressores. As empresas no lucrativo ramo são europeias e americanas, mas há também uma brasileira

Uma indústria multibilionária secreta está oferecendo sistemas de ponta que permitem que governos identifiquem, rastreiem e monitorem qualquer um através de seus telefones e computadores.

É o que uma coletânea de centenas de emails promocionais e outros materiais de marketing obtidos pelo WikiLeaks revelam.

Uma empresa alemã oferece a habilidade de rastrear “opositores políticos”; uma companhia italiana alega poder controlar smartfones remotamente e usá-los para escutar conversações e fotografar os donos; uma empresa americana permite usuários “ver o que eles [os espionados] vêem”; uma empresa sul-africana oferece ferramentas para gravação de bilhões de chamadas telefônicas e armazenamento eterno para o material.

Este material está sendo publicado pelo WikiLeaks e pela ONG Privacy International, um grupo de Direitos Humanos sediado em Londres.

Os arquivos jogam luz sobre uma indústria sombria que vale 5 bilhões de dólares e está crescendo rapidamente. Este tipo de propaganda não é aberta ao público. Pelo contrário: elas são enviadas a contatos-chave – geralmente agências governamentais e forças policiais – em feiras de negócios que são fechadas ao público e à imprensa.

Um roteiro de Hollywood?
Os documentos foram coletados de mais de 130 empresas sediadas em 25 países, desde o Brasil até a Suiça, e revelam uma gama de tecnologias sofisticadíssimas que parecem ter saído diretamente de um filme de Hollywood.

Mas essas empresas são reais. E dão consistência aos ativistas que garantem que esse setor que está se proliferando constitui uma nova e não regulada indústria de armas.

“Estes documentos revelam uma indústria vendendo ferramentas não apenas para alvos de intercepções legais… mas para vigilância em massa. Estas ferramentas permitem a governos vasculhar emails, conversas e mensagens de textos de populações inteiras, armazenar, procurar e analisar. Assim como o Google guia sua busca na web, elas permitem a um policial à paisana rastrear qualquer um que diz algo rude sobre um ditador. Não é de se espantar que empresas dessas venderam para países como Egito, Síria e Irã”, diz Ross Anderson, professor de Engenharia de Segurança na Universidade de Cambridge.

A indústria alega que vende apenas equipamentos de “interceptação legal” para autoridades oficiais: a polícia, o exército e agências de inteligência.

Mas as malas-diretas de venda ostentam equipamentos de espionagem discretos, e a disponibilidade destes equipamentos preocupa ativistas porque permite abusos por forças de segurança repressivas e oficiais corruptos.

“Tecnologia deste tipo pode ser tão letal quanto balas diretamente vendidas por empresas de munições”, diz o deputado Lord Alton, que já levantou muitas questões referentes a esta indústria.

O que é oferecido?
“Para quê amostragem, quando você pode monitorar tráfego de rede sem maiores despesas?”, alardeia uma mala-direta da Endace, empresa sediada na Nova Zelândia.

“Monitoramento total de todas as operadoras para evitar qualquer vazamento de inteligência é fundamental para agências governamentais”, diz a empresa indiana Clear Trail.

A China Top Communications, sediada em Pequim, alega ter como hackear as senhas de mais de 30 provedores de correio eletrônico, incluindo Gmail, “em tempo real e através de um meio passivo (SIC)”.

Na linguagem deliberadamente obscura da indústria de vigilância, “interceptação passiva” é o que acontece sem que o “alvo” – ou a pessoa sendo espionada – perceba que está sendo observado.

No Brasil, a empresa Suntech, de Florianópolis, oferece serviços para operadoras de telecomunicações como interceptação legal, retenção de dados e gerenciamento de rede.

No mercado global, esse tipo de tecnologia é usada abusivamente por governos repressores para ajudar a desmantelar dissidentes.

Em outubro, o Bureau revelou que equipamentos de filtragem de rede da Blue Coat Systems, sediada na Califórnia, estavam sendo usados para censurar o tráfego de internet na Síria, apesar das sanções dos EUA àquele país.

A empresa depois afirmou que o equipamento teria sido desviado por um importador dos Emirados Árabes Unidos.

Agora, o Bureau comprovou que equipamentos de uma empresa do Reino Unido está sendo usada na Síria; e que a Líbia usava tecnologia produzida na França para monitorar pessoas em Londres – algumas delas apenas com ligações remotas com dissidentes.

Uma investigação da Bloomberg recentemente descobriu um sistema de vigilância sendo instalado pelo governo sírio por uma empresa italiana, Area.

As notícias apareceram enquanto o país estremecia por protestos massivos que deixaram 3.500 mortos. Os advogados da Area anunciaram na última segunda-feira que a empresa teria cancelado as vendas.

Mas o maior motivo de preocupação é a velocidade com que esta tecnologia está avançando.

“As ferramentas propagandeadas nestas malas-diretas demonstram uma capacidade de vigilância em massa que antes era inimaginável. Isso faz grampos telefônicos parecerem coisa de criança”, diz Eric King, da ONG Privacy International. “Alguns dos regimes mais tiranos do mundo estão comprando esses equipamentos para monitorar o comportamento e as comunicações de cada um de seus cidadãos – e a tecnologia é tão eficiente que eles podem executar isso com o mínimo de recursos humanos”.

Empresa inglesa vende para o Irã – com as bênçãos da inteligência britânica
Enquanto a exportação de bombas e armas convencionais é estritamente controlada, as tecnologias de vigilância – que podem ser tão mortais quanto armas se caírem em mãos erradas – passam por pouco controle ou escrutínio público.

A reportagem descobriu que o centro de espionagem do governo britânico, GCHQ, avaliou a venda de tecnologia de rastreamento de telefonia móvel ao Irã pela empresa Creativity Software, de Surrey, e aprovou o negócio.

Marietje Schaake, membro holandês do Parlamento Europeu, apela para que a legislação da União Europeia previna que tais tecnologias sejam vendidas para regimes repressores.

Por enquanto, não há nenhum movimento claro para introduzir-se algo concreto.

Talvez parte do problema esteja no fato de que a tecnologia oferecida é complexa e rapidamente substituída por novas versões.

Na próxima semana, por exemplo, a Conferência de Sistemas de Apoio a Inteligência da Ásia e Pacífico, em Kuala Lumpur, irá revelar novos avanços e técnicas ainda melhores de espionagem.

Até quando será que os governos vão poder ignorar esta indústria que está florescendo?

do Bureau of Investigative Journalism

Fonte: http://apublica.org/

Chupa Estado Assassino: Bandeira palestina é hasteada na Unesco pela primeira vez


Foto: Reuters

As lágrimas de crocodilo do Tio Sam – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Os banqueiros são os ditadores do Ocidente - Por Robert Fisk

Os banqueiros são os ditadores do OcidenteRobert Fisk: jornalismo compactua com elite financeira—por quê? Primavera árabe, Occupy e indignados se assemelham pela luta contra as ditaduras

Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.

Mas… que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.

Comecemos pela Primavera Árabe – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do Ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.

A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o Ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.

O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi uma demanda por dignidade: a recusa em aceitar os ditadores e famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo.

E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”.

O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.

Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países.

As eleições no Ocidente – que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro.

Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.

Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos… e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.

Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje que Rommel [1] em 1940?

Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a Al Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos?

Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israelo-Palestino, porque os ‘mocinhos’ são os ‘moderados’ e todos os demais são os ‘bandidos terroristas’.

Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente, com nossos governos eleitos, criamos nossos ditadores. Mas, diferente dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores – intocáveis.

O chefe da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?

Notas
[1] Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de Novembro de 1891 – Herrlingen, 14 de Outubro de 1944), conhecido popularmente como A Raposa do Deserto, foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um dos maioresresponsáveis pela conquista da França pelo exército nazista em 1940.

The Independent | Tradução: Vila Vudu
Fonte: www.outraspalavras.net

Direitos Animais: Somos todos terráqueos - por ANDA

Direitos Animais: Somos todos terráqueosDivulgação
Bandeira do veganismo, o documentário Earthlings sinaliza um passo, ainda titubeante, em direção à mudança da relação entre homens e animais.

“As imagens que você está prestes a ver não são casos isolados. Estes são os padrões da indústria de animais de estimação, alimentação, vestuário, entretenimento e pesquisa. A discrição do espectador é aconselhada”. Com esse aviso, seguido da definição de terráqueos: “substantivo: habitantes da Terra” e a imagem de nosso planeta visto do espaço, começa o documentário Earthlings. Make the connection(2005), que ficou conhecido no Brasil apenas como Terráqueos.

Apesar de ter sido lançado há 6 anos e de ter circulado bastante nas redes sociais pela internet e, em meio a vegetarianos, veganos, ambientalistas e simpatizantes, o documentário merece ser retomado neste momento em que seu diretor Shaun Monson anuncia, para 2012, o lançamento de Unity. The ultimate goal of your life, o segundo volume da trilogia iniciada com Earthlings.

Shaun Monson é ativista de direitos humanos, animais e ambientais e fundador daNation Earth uma organização que busca desenvolver e repercutir o que eles chamam “mídias educacionais”, de fato, filmes e documentários voltados às causas pelas quais Monson milita. Earthlings tem, portanto, uma forte carga militante e, desde o seu lançamento, tornou-se bandeira da causa vegana, ganhou prêmios em três festivais de documentários (em Boston e em San Diego – EUA – e noArtvist), disseminou-se pelas redes sociais e caiu no gosto de celebridades – talvez pela narração do documentário ser feita pelo ator Joaquin Phoenix, vegano e membro do People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), organização que conta com a presença de vários vegetarianos e veganos famosos.

Dividido em cinco partes (animais de estimação, alimento, vestuário, entretenimento e ciência) o documentário busca conscientizar ou convencer sobre a importância de não consumir qualquer produto que tenha origem animal ou que tenha causado sofrimento aos animais. Embora muitos associem o vegetarianismo com o veganismo, este último inclui não apenas a negação do consumo de proteínas animais, mas também de vestuário proveniente de animais (como couro e peles); cosméticos, produtos de limpeza, alimentos e outros que tenham sido testados em animais; qualquer tipo de esporte ou entretenimento que os utilize, ou seja, desde corridas de cachorros e touradas até circos, e, por fim, pesquisas e estudos que utilizem animais ou a realização de vivissecção.

As imagens do filme são oriundas de uma ampla pesquisa feita, algumas vezes, com câmeras escondidas, em laboratórios de pesquisa ou de testes, matadouros, criadouros de animais e outros espaços focalizados pelos veganos. O tom das sequências é de denúncia a partir de cenas chocantes sobre o tratamento sofrido pelos animais e, se por um lado pode servir como alerta para a necessidade de estabelecer uma nova relação entre homens e animais, por outro choca a ponto de provocar uma certa paralisia. Tal qual alguns filmes ambientalistas, como por exemplo Uma verdade inconveniente(2006), Earthlings apresenta um cenário chocante e catastrófico sem apresentar proposições ou alternativas.

No Brasil, alguns documentários seguem um modelo similar de abordagem, mas arriscam um pouco mais no alcance de seu debate. Esse é o caso de um dos vídeos produzidos pela ONG Instituto Nina Rosa, Não matarás (2006), que tematiza a utilização de animais em laboratórios e centros de pesquisa. Apesar de incorrer no artifício das cenas chocantes, apresenta depoimentos de vários pesquisadores em universidades brasileiras que sinalizam alternativas ao quadro atual de testes ou da vivissecção. Já em A carne é fraca (2004), vídeo também produzido por essa ONG, as soluções desaparecem, o show de horrores predomina, mas há uma série de depoimentos interessantes que fundamentam melhor o veganismo, inclusive como uma opção política. Neste vídeo, vale ressaltar especialmente os depoimentos do jornalista Washington Novaes e do professor de direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Christian Guy Caubet.

Mesmo sinalizando, em seu início, que tratará de padrões industriais (portanto, de um modo de produção), Earthlings peca por essa ausência de alternativas práticas e de fundamentação daquilo que poderia lhe conferir um teor político mais sólido, tornando o choque e a crueza das cenas um tanto vazias desses sentidos.

Por outro lado, o documentário tem o mérito de promover um deslocamento da centralidade do homem, colocando-o como igual a todos os animais, seja por sermos todos terráqueos, ou pelo reconhecimento das possibilidades de expressão e sensação dos animais, isto é, todos igualmente reagimos à dor, ao frio, à fome e expressamos isso.

No centro dessa tentativa de mudar a relação de dominação que o homem exerce sobre os animais, está o conceito de especismo, que por analogia aos termos racismo e sexismo, sinaliza uma forma de preconceito ou atitude tendenciosa em favor dos interesses de uma espécie, contra membros de outras espécies. Nesse sentido, os homens utilizam outros animais (que não os de sua própria espécie) para o suprimento de suas necessidades, desconsiderando ou ignorando o sofrimento que causam.

As relações de dominação e poder estão, portanto, tematizadas, assim como uma certa herança do veganismo em relação a outros movimentos sociais. Mas ao não privilegiar os fundamentos que tornam o veganismo uma opção política, Earthlings acaba se afastando do que pode ser a principal força desse movimento.

Essa força está justamente naquilo que agrega uma série de movimentos que parecem, à primeira vista, opções muito individuais, mas que demonstram questionar de forma capilar algo mais amplo, como o modo de produção no capitalismo. Por exemplo, a produção e o consumo de alimentos orgânicos pode ser vista como uma opção individual por saúde, de forma mais ampla como solução ambiental e, no limite, como um questionamento do modo de produção em larga escala, que privilegia a monocultura e envolve grandes corporações.

Earthlings parece não alcançar justamente esse potencial da causa vegana privilegiando uma espécie de “choque conscientizador”. O trailer do próximo documentário (Unity) exibe imagens que sinalizam a possibilidade de suprir essa ausência. A expectativa, enfim, é que em algum momento a trilogia de Shaun Monson possa mostrar, de verdade, a que veio e que isso esteja associado a uma reflexão do próprio movimento sobre seu alcance e potencialidade.

Earthlings. Make the connection
Direção: Shaun Monson
Ano: 2005
Fonte: Com Ciência
Retirado: www.anda.jor.br/