segunda-feira, 17 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
4º grande ato: Haddad não revoga, MP não suspende, Alckmin solta a polícia nos manifestantes - por Passa Palavra
4º grande ato: Haddad não revoga, MP não suspende, Alckmin solta a polícia nos manifestantes
Forte repressão policial marcou o ato desta quinta-feira; ainda na saída do metrô manifestantes eram detidos por “porte de vinagre”. Por Passa Palavra
Ainda no início da tarde desta quinta-feira (13 de junho) chegaram os primeiro boatos, depois confirmados, de que a Polícia Militar em São Paulo havia evacuado o Teatro Municipal para usá-lo como base. Pouco depois das cinco horas da tarde, estações de metrô comumente lotadas nos horários de pico, como a Anhangabaú, ao lado do Teatro, foram sumariamente fechadas. “Devido ao excesso de pessoas nessa plataforma, a estação será fechada”, uma voz avisava. Nas saídas, policiais revistavam as pessoas, e manifestantes passaram a ser detidos por “porte de vinagre”, produto essencial para aliviar o efeito do gás lacrimogêneo. A concentração do ato começava e já havia cerca de 30 detidos. Havia ainda uma expectativa no ar, do Ministério Público suspender o aumento por 45 dias, o que não ocorreu.
Apesar de todo clima e da operação de terror instaurados pela polícia, cerca de 20.000 manifestantes se concentraram em frente ao Teatro Municipal para dar início ao quarto grande ato contra o aumento da tarifa. A manifestação começou com um clima bastante contagiante e animado. A enorme concentração de pessoas dava mostras de que, mesmo com todo aparato bélico e midiático montado para sufocar a mobilização, a repressão pura tem resultado na multiplicação do número de protestantes.
Como nos outros atos, a pontualidade foi mantida e a concentração, que estava marcada para as cinco da tarde, começou a seguir em direção à rua da Consolação pouco antes das seis horas. Na manifestação, ficou ainda mais evidente que está sendo tática da polícia provocar o confronto com os manifestantes, gerando dispersão e correria desordenada, o que facilita inclusive os atos de depredação. Desta vez, a marcha de milhares de pessoas saiu tranquilamente do entorno da Praça da República e começou a subir a rua da Consolação. Havia entre os organizadores do ato a completa disposição em negociar o trajeto do protesto, desviar-se da avenida Paulista e evitar um confronto a qualquer custo. No entanto, na esquina da rua Maria Antônia com a rua Consolação, um destaque da tropa decidiu atirar à queima-roupa e lançar bombas sobre os manifestantes. Grande parte se encurralou num posto de gasolina e, mesmo com todo o risco que isso representava, a polícia continuou a atirar. Alguns manifestantes gritavam “sem violência” e outros tentaram levantar os braços, mas não conseguiram impedir a ofensiva policial.
Daí para a frente, o que se seguiu foi um teatro em que a Secretaria de Segurança Pública desfilou seu aparato repressivo: cavalaria, ônibus do choque, motoqueiros e centenas de policiais da tropa de choque. Os manifestantes receberam chuva de balas de borracha e bombas na Praça Roosevelt, encurralando-se para entrar nas ruas que a ligam à Avenida Paulista, na região de Cerqueira Cesar. A manifestação então se dividiu pelas ruas Augusta, Frei Caneca e paralelas, ainda que na Consolação havia focos de repressão. Em todas elas a polícia, agora com a cavalaria, bloqueava o acesso à Paulista, mas deixava os manifestantes sem a possibilidade de evacuar, mesmo se quisessem. Nem mesmo os carros eram poupados pela ação policial; quem estava parado no transito recebia as bombas do mesmo jeito. Ainda há relatos de bombas de gás lacrimogêneo sendo atiradas pela Polícia nas universidades PUC, Mackenzie e Cásper Libero.
Algum tempo depois, os conflitos provocados pela polícia se espalharam por toda a região. Houve focos de confronto na própria rua da Consolação, na Avenida Paulista, na Augusta, na Nove de Julho, na Brigadeiro Luis Antônio, na avenida Angélica e em ruas próximas ao estádio do Pacaembú. Hoje, sem ironia, é possível dizer que foi a polícia quem parou a cidade para desfilar sem critério e responsabilidade todo o seu potencial repressivo. Mesmo muitos repórteres e fotógrafos da grande imprensa sofreram com o desfile policial; sobraram bombas, gás e prisões por porte de vinagre para muitos deles. Dois jornalistas da Folha de São Paulo, inclusive, foram atingidos com tiro de bala de borracha, um no rosto e outra no olho, sendo levados às pressas ao hospital.
Até à madrugada, calculava-se que 192 pessoas tivessem sido detidas. Durante o protesto era facilmente visível a grande quantidade de policiais infiltrados na manifestação, portando câmeras e filmadoras. E após a dispersão, a polícia militar invadiu restaurantes, bares e a estação Paulista do metrô para revistar manifestantes.
Há muitas notícias de manifestantes feridos ou que sofreram agressões gratuitas e em grande medida foram socorridos pelo posto médico montado por apoiadores no centro e, posteriormente, na Paulista. Dessa vez, muitos moradores da região não puderam deixar de ver bombas sendo explodidas em ruas vazias a troco de nada. Além disso, há depoimentos de moradores que viram policiais incendiando lixo em ruas paralelas e também o vídeo de um policial quebrando o vidro de uma viatura.
Prefeitura não quer diálogo
O tempo passa, a mobilização cresce, São Paulo para e o prefeito Fernando Haddad, que se arvorou como um homem de diálogo, nega-se a estabelecer qualquer tipo de negociação. O prefeito recusou-se a discutir mesmo após sinalização de diálogo realizada pelo Movimento, quando ignorou a proposta conciliatória do Ministério Público de suspender o aumento da tarifa por 45 dias. E lança mão do discurso fajuto de que o aumento foi feito abaixo do índice de inflação, escondendo que, se fosse este um critério a ser adotado seriamente, o preço da passagem não deveria ultrapassar os R$2,16, conforme os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor).
Seguir lutando
O próximo grande ato está marcado para dia 17, segunda-feira, no Largo da Batata, em Pinheiros. As manifestações não dão sinais de que vão cessar ou esvaziar, pelo contrário, a mobilização tem aumentado a cada ato,. Os custos políticos da não revogação do aumento podem condenar não só o futuro de uma disputa eleitoral para o governo em 2014, mas, principalmente, o rompimento definitivo de um período histórico da ligação do PT com os movimentos sociais. Esses poderão ser os 20 centavos mais caros da vida de Haddad e do próprio PT.
Fonte: http://passapalavra.info/
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Guarani Kaiowá é assassinado no Mato Grosso do Sul - Por Igor Carvalho, de Campo Grande
Guarani Kaiowá é assassinado no Mato Grosso do Sul
Índios querem enterrar a vítima em fazenda localizada dentro de um território reivindicado por eles; PF e Força Nacional tentam evitar
Na manhã da última quarta-feira (12), Celso Rodrigues, indígena da aldeia Paraguassú, no município de Paranhos, no Mato Grosso do Sul, foi assassinado. O índio caminhava para o trabalho quando foi morto a tiros por pistoleiros, segundo testemunhas. O corpo de Rodrigues foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Porã. A Polícia Civil este no local do crime e abriu inquérito para investigar a morte.
O cacique Nicolau Guarani Kaiowá conversou com representantes do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e deu sua versão sobre o assassinato. “Dois pistoleiros o tocaiaram enquanto ele passava perto de um córrego. O pai dele está muito triste e revoltado. Eu também, é muito doloroso ver parentes morrerem.”
Aldeia Laranjeiras, dos Guarani-Kaiowá, em Rio Brilhante (Foto Assessoria de Comunicação MPF/MS)
Para Marcelo Christovão , assessor de comunicação do Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul, ainda é cedo para determinar o que ocorreu de fato. “A situação de conflito entre índios e fazendeiros existe e é escancarada aqui. Ainda não podemos dizer a motivação, mas tem características de pistolagem.”
As cerimônias do funeral acontecerão nesta quinta-feira (13) e os índios prometem enterrá-lo em uma fazenda que está dentro do território reivindicado por eles. Em agosto de 2012, os Guarani Kaiowá retomaram parte do tekoha (terra sagrada) Arroio Korá, em Paranhos. A Polícia Federal e a Força Nacional estão no local tentando evitar que o corpo seja sepultado em uma área considerada particular.
Cinco Guarani-Kaiowá foram presos
Ainda na última quarta-feira (12), cinco Guarani-Kaiowá foram presos no acampamento Ita’y Ka’agurussu, no município de Douradina. Entre os detidos, está a cacique Isigeninha Hirto, que está grávida. Os cinco foram acusados de matar um produtor rural da região, que também era ex-policial. A vítima teria invadido a aldeia atirando e sido imobilizada pelos indígenas, que teriam a matado em seguida.
Segundo testemunhas, Isigeninha recebeu voz de prisão na frente de representantes do CIMI e da Funai. Os presos foram conduzidos para a Cadeia Pública de Dourados.
Christovão resume a situação dos índios no região sul do estado. “As comunidades indígenas são ilhas de pobreza e violência no meio de mar de riqueza.”
* A cobertura, no Mato Grosso do Sul, dos conflitos por terra entre indígenas e fazendeiros é uma parceria entre a revista Fórum e a Mídia Ninja. Acompanhe em tempo real: www.fb.com/midianinja
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Anatomia do Movimento Passe Livre - Por Lincoln Secco
Anatomia do Movimento Passe Livre
As recentes manifestações de junho do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo surpreenderam os donos do poder. Como a justiça da causa não podia ser questionada, as armas da crítica voltaram-se contra a crítica das armas. E sendo assim, perderam.
Ainda que as armas não fossem armas. Pneus incendiados, lixeiras como barricadas e milhares de pessoas concentradas ainda não podem ameaçar nenhum grupo estabelecido no andar de cima. Mas podem desmoralizá-lo. Diante disso a “crítica” dirigiu-se à turba, à baderna, ao “trânsito”, aos arruaceiros e aos jovens filhos de papai.
Sem resultados, os críticos descobriram os partidos. Assim, pelos jornais “sabemos” que certos partidos de “extrema esquerda” dirigiam sorrateiramente o MPL. Nada mais falso. O MPL se organiza horizontalmente, ao lado, acima (por vezes, abaixo) dos partidos políticos. Não é, portanto, uma frente de partidos. Decerto há nele militantes de partidos. Nada mais esperado e justificado. Os partidos de esquerda, revolucionários ou não, vivem sempre a expectativa de montar o cavalo já em disparada.
Eis que a grande imprensa lembrou o vandalismo. “Vândalos!”, berravam apresentadores transtornados nos telejornais sensacionalistas. Em movimentos assim, é natural que haja ações erradas, revoltas incontidas e gritos de ódio. A população que se movimenta não o faz segundo a etiqueta de parlamentares de terno, gravata, seguranças e jantares caros.
Uma ou outra vidraça se quebra porque, ao contrário dos militares que batem, atiram balas de borracha e lançam bombas de gás lacrimogêneo, os militantes das ruas ainda não se acostumaram a mirar com precisão. Eles não dispõem de dinheiro, da polícia e das leis ao seu lado. Mas segundo a contabilidade prática do movimento as lixeiras incendiadas e os prejuízos ao tráfego poderão ser descontados tranquilamente dos bilhões desviados dos cofres públicos nas licitações duvidosas de obras que visam melhorar exatamente o tráfego.
Mas alto lá, proclama um prefeito. O custo do passe livre o inviabiliza! É certo que poderíamos fazer outra conta. A tarifa zero, proposta hoje por vários partidos piratas europeus, foi pela primeira vez lançada pela própria prefeitura da cidade de São Paulo e pelo atual partido do Governo. O Partido dos Trabalhadores propôs durante a gestão de Luiza Erundina que a tarifa fosse paga por um imposto urbano progressivo. Sem apoio na época de um movimento social organizado, foi fácil para a Câmara Municipal recusar.
Hoje, desconheço os cálculos políticos que os governos fazem para se opor ao passe livre. Sei que os contábeis estão errados. E, provavelmente, os eleitorais também. Uma medida de tal impacto talvez pudesse se tornar o maior “programa social” de um partido. A economia com os gastos de cobrança e com a diminuição de automóveis nas ruas compensaria mesmo a chamada classe média.
Além disso, a população poderia se deslocar por vários serviços de saúde e educação desafogando os equipamentos públicos mais procurados. E nem precisaríamos citar os ganhos para os que frequentariam as escolas, bibliotecas, parques, praças, museus etc.
Confusos, finalmente os “críticos” dizem que se trata de um movimento comunista, anarquista, trotskista, punk, sindical, baderneiro… Mas sabemos que a finalidade do MPL não se define previamente. Apesar da evidência do motivo imediato (a livre locomoção urbana de todas as pessoas) e de ideais necessariamente vagos sobre outra sociedade, ele se define apenas como um grupo que luta. Luta por nós.
Lincoln Secco é professor de História Contemporânea na USP.
EUA estão prendendo crianças em situação irregular junto com adultos - por Ian Gordon
EUA estão prendendo crianças em situação irregular junto com adultos
De 2008 a 2012, mais de 1300 crianças foram detidas em estabelecimentos para adultos – algumas vezes por mais de um ano
No decorrer dos últimos anos, um número recorde de crianças, normalmente originárias do México ou da América Central, e muitas vezes viajando sozinhas, atravessaram ilegalmente a fronteira para os Estados Unidos. De outubro de 2011 a outubro de 2012, cerca de 31 mil jovens foram presos pela Border Patrol (Patrulha da Fronteira, em inglês). E de acordo com um novo relatório, mais e mais deles foram parar em centros de detenção de imigrantes – junto com adultos.
Bill Gentile/Zuma
Criança e a mãe esperam no centro de detenção da fronteira dos EUA com o México antes de serem devolvidos ao país natal
Dados obtidos pela organização sem fins lucrativos Centro Nacional de Justiça para o Imigrante (NIJC, na sigla em inglês), mostram que o governo federal prendeu pelo menos 1366 crianças imigrantes por três ou quatro dias em 30 estabelecimentos para adultos entre 2008 e 2012.
Dados obtidos pela organização sem fins lucrativos Centro Nacional de Justiça para o Imigrante (NIJC, na sigla em inglês), mostram que o governo federal prendeu pelo menos 1366 crianças imigrantes por três ou quatro dias em 30 estabelecimentos para adultos entre 2008 e 2012.
Os dados, obtidos em um processo da Lei de Liberdade de Informação (Freedom of Information Act) contra o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e publicados terça-feira (04/06), também mostram que quase mil crianças foram mantidas por mais de uma semana. Cinco crianças ficaram detidas por mais de um ano e uma foi mantida presa por mais de uma década, desde mais ou menos seus 15 anos de idade.
E esses números podem ser a ponta do iceberg: o Departamento de Segurança Interna deu ao NIJC dados de apenas 30 dos cerca de 200 centros de detenção para imigrantes atualmente operantes.
E esses números podem ser a ponta do iceberg: o Departamento de Segurança Interna deu ao NIJC dados de apenas 30 dos cerca de 200 centros de detenção para imigrantes atualmente operantes.
“A aplicação do sistema de detenção de imigrantes está quebrada”, diz Mary Meg McCarthy, diretora executiva do NIJC. “Se há 1300 crianças que tenham passado mais de quatro anos em detenções para adultos, temos um problema real. Porque isso não é o que lei diz. Isso não poderia estar acontecendo. Como um país, nós não poderíamos estar prendendo essas crianças, ponto final, mas especialmente não dentro de estabelecimentos para adultos.”
A vasta maioria das crianças imigrantes abrigadas em centros de detenção para adultos tinha 17 anos de idade quando foram detidas – mas 37 tinham menos de 15 anos de idade.
Um acordo federal de 1997 não apenas diz que as crianças apreendidas em situação irregular deveriam ser mantidas em locais menos restritivos e apropriados para a idade e necessidade delas, mas também explicitamente rege que “os jovens não serão mantidos com um adulto desconhecido deles por mais de 24 horas”. De acordo com os números do Departamento de Segurança Interna, 19 crianças imigrantes foram mantidas em estabelecimentos para adultos por mais de 180 dias.
McCarthy diz que o NIJC pediu dados dos estabelecimentos onde tinha clientes, além dos centros de detenção grandes, geograficamente espalhados. Os dez estabelecimentos com mais crianças detidas estavam todos localizados em estados de fronteira, oito deles no Arizona e no Texas.
Mc Carthy, que diz estar estimulada pelo recente avanço na reforma da imigração no Senado, nota que quando os imigrantes são detidos em situação irregular pelo Departamento de Segurança Interna, eles muitas vezes não têm acesso à assistência jurídica. “Eles desaparecem no sistema”, ela diz. “Mas quando você está prendendo mais de 400 mil pessoas em 200 prisões, e você todos esses diferentes tipos de pessoas envolvidos nesse sistema gigantesco sem quaisquer devidas proteções processuais, [o sistema] só se presta a esse tipo de problema. Ele grita por reforma.”
* Ian Gordon escreve sobre imigração, esportes e América Latina para a Mother Jones. Leia a reportagem original, em inglês, aqui. E-mail: lgordon@moterjones.com
A vasta maioria das crianças imigrantes abrigadas em centros de detenção para adultos tinha 17 anos de idade quando foram detidas – mas 37 tinham menos de 15 anos de idade.
Um acordo federal de 1997 não apenas diz que as crianças apreendidas em situação irregular deveriam ser mantidas em locais menos restritivos e apropriados para a idade e necessidade delas, mas também explicitamente rege que “os jovens não serão mantidos com um adulto desconhecido deles por mais de 24 horas”. De acordo com os números do Departamento de Segurança Interna, 19 crianças imigrantes foram mantidas em estabelecimentos para adultos por mais de 180 dias.
McCarthy diz que o NIJC pediu dados dos estabelecimentos onde tinha clientes, além dos centros de detenção grandes, geograficamente espalhados. Os dez estabelecimentos com mais crianças detidas estavam todos localizados em estados de fronteira, oito deles no Arizona e no Texas.
Mc Carthy, que diz estar estimulada pelo recente avanço na reforma da imigração no Senado, nota que quando os imigrantes são detidos em situação irregular pelo Departamento de Segurança Interna, eles muitas vezes não têm acesso à assistência jurídica. “Eles desaparecem no sistema”, ela diz. “Mas quando você está prendendo mais de 400 mil pessoas em 200 prisões, e você todos esses diferentes tipos de pessoas envolvidos nesse sistema gigantesco sem quaisquer devidas proteções processuais, [o sistema] só se presta a esse tipo de problema. Ele grita por reforma.”
* Ian Gordon escreve sobre imigração, esportes e América Latina para a Mother Jones. Leia a reportagem original, em inglês, aqui. E-mail: lgordon@moterjones.com
3º ato: São Paulo para, Haddad viaja – por Passa Palavra
3º ato: São Paulo para, Haddad viaja
O movimento desta terça-feira não deixa dúvidas quanto à sua tenacidade e capacidade de fazer valer a vontade popular através da luta. Haddad e Alckimin negligenciam e fingem ignorar a situação. Por Passa Palavra
O terceiro ato contra o aumento das passagens do transporte público em São Paulo, novamente, surpreendeu a todos pela enorme quantidade de pessoas que aderiu à mobilização. Mesmo a Polícia Militar, num primeiro momento, hesitou em passar os seus números para não ter de admitir que o movimento cresceu bastante desde o início da jornada, mas entre os manifestantes estima-se que pelo menos 12 mil pessoas tenham comparecido à marcha que partiu um pouco antes das 18h da Praça do Ciclista, na Av. Paulista e se estendeu, com vários focos de ação, por toda a noite.
A manifestação tomava a Rua da Consolação quando um verdadeiro “pé d’água” desabou sobre São Paulo. Já aqui, impressionou o fato de, apesar de toda a chuva, o protesto ter seguido sem prejuízo. Ao contrário, subvertendo um pouco a palavra de ordem conhecida, milhares de pessoas gritavam “vem, vem, vem, vem pra chuva, vem, contra o aumento”.
Rapidamente o protesto desceu o túnel que passa por debaixo da Praça Roosevelt e seguiu um grande trecho inicial da ligação leste-oeste, a mais importante artéria que liga o centro à Zona Leste da cidade. Na altura da 23 de Maio, a marcha subiu uma rampa de acesso e ocupou a Avenida da Liberdade, contornou a Praça da Sé e por volta das 19h15 alcançava o Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro. Houve então um grande momento de tensão, a polícia impedia a continuidade da marcha, bloqueando os acessos com bombas de gás.
Paralelamente, um grupo menor de manifestantes, com aproximadamente 300 pessoas, conseguiu chegar antes à região, ocupando a parte interna do terminal. Após bloquearem temporariamente a passagem, o grupo foi reprimido pela polícia com bombas e balas de borracha também na parte interna do terminal. Este grupo menor decidiu seguir o protesto até à região da Sé, visando a unificação com o outro grupo de manifestantes. Após seguir o caminho, a polícia os dispersou nas ruas de acesso, antes mesmo da chegada à catedral da Sé.
De volta à Praça da Sé, o conflito se intensificou. A polícia atirou inúmeras bombas de gás e balas de borracha, numa ação completamente arbitrária, visto que a permanência do protesto no local não afetava em nada o fluxo da cidade e, ao contrário, tendia para a dispersão voluntária dos próprios manifestantes. Na Catedral, um pequeno grupo de manifestante foi cercado por bombas de gás. Aos poucos aquele bloco da manifestação se dispersou, mas ao menos 10 pessoas foram detidas.
Diante da forte ação policial na região do centro antigo, cerca de duas mil pessoas seguiram pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio para chegar à Avenida Paulista. Aos poucos, outros grupos dispersos também se dirigiram lá e, quando tudo parecia ter terminado na Praça da Sé, cerca de três mil pessoas ocupavam a Av. Paulista no final da noite e bloqueavam-na completamente. Quando os manifestantes já se dispersavam, próximo das 22h, na altura do MASP (Museu de Arte de São Paulo) a polícia voltou a reprimir a manifestação com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.
Até o momento, tem-se notícia de que 20 pessoas foram presas: 10 indiciados sem fiança, outros com soltura condicionada à fiança de 20 mil reais (numa estipulação totalmente arbitrária por parte do delegado responsável). Ao que tudo indica, a Polícia tomou como posição prender indiscriminadamente o maior número de pessoas para tentar enfraquecer o movimento financeiramente.
Até às 23h, pelo menos, era possível receber notícias de focos de manifestação sendo brutalmente reprimidos pela polícia. Entre os manifestantes, pairava a certeza de que este teria sido o ato mais forte da cidade dos últimos tempo, mas também o mais violentamente reprimido.
Enquanto isso…
No mesmo momento em que a cidade vive uma verdadeira guerra contra o aumento da tarifa, o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin viajam a Paris num esforço de trazer para São Paulo o mega evento Expo 2020, dando mostras de que o que planejam nada tem em comum com o anseio da juventude que está nas ruas. Não fosse trágico, seria irônico, mas enquanto São Paulo arde em revolta contra a situação em que se encontra toda a sua estrutura de mobilidade urbana, do outro lado do oceano, Haddad e Alckimin aliam-se com a missão de apresentá-la como financeiramente atraente ao empresariado internacional e com boas estruturas para receber eventos de grande porte.
Em declaração aos jornais da grande imprensa, após serem perguntados sobre a onda de protestos, os dois maiores representantes do colapso em que se encontram os sistemas de transporte público da região metropolitana limitaram-se a se referir aos supostos atos de violência por parte dos manifestantes e, para além das promessas sobre investimentos futuros e autorização para a polícia reprimir, pouco ou quase nada disseram sobre como pretendem responder a uma questão imediata, à “única, clara e simples” reivindicação que está sendo gritada, escrita e panfletada nas ruas (e que nesta mesma terça-feira foi protocolada pelo Movimento Passe Livre-SP): “redução da tarifa de ônibus de R$3,20 para R$3,00″.
O movimento desta terça-feira, que mesmo com a chuva e talvez o maior episódio de repressão aberta já vivido na cidade manteve mais de 10 mil pessoas nas ruas, não deixa dúvidas quanto à sua tenacidade e capacidade de fazer valer a vontade popular através da luta – como o fizeram já neste período recente 6 capitais brasileiras. O cotidiano do cidadão paulistano está definitivamente alterado, São Paulo está parada. Assistindo a tudo de longe, bem de longe, Haddad e Alckimin negligenciam e fingem ignorar a situação.
Novo ato já está marcado para se concentrar na quinta-feira, dia 13 de junho, às 17h em frente ao Teatro Municipal.
Fonte: http://passapalavra.info/
Para Jacob Gorender, democracia e ecologia permitiram atualizar marxismo - Carta Maior
Para Jacob Gorender, democracia e ecologia permitiram atualizar marxismo
Baiano da periferia de Salvador, o historiador marxista Jacob Gorender morreu nesta terça-feira (11), em São Paulo, aos 90 anos. Filho de um imigrante judeu ucraniano e socialista, militou no PCB, se integrou à FEB na Segunda Guerra Mundial, foi preso e torturado na ditadura militar, quando conheceu a presidente Dilma Rousseff no cárcere. Intelectual brilhante, escreveu o clássico 'O Escravismo Colonial' e deu aulas na USP.
São Paulo – Morreu nesta terça-feira (11), em São Paulo, aos 90 anos, Jacob Gorender, um dos mais importantes historiadores marxistas brasileiros. Baiano da periferia de Salvador, era filho de um imigrante judeu ucraniano e socialista.
Como militante comunista, teve uma vida intensa. Na juventude, estudou direito e integrou o PCB, então recém-fundado em 1922. Na Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Força Expedicionária Brasileira (FEB) e participou da tomada do Monte Castelo, a mais importante batalha enfrentada pelos pracinhas.
No retorno ao Brasil, intensificou sua militância no PCB. Integrou o comitê central do partido até o racha de 1967, quando saiu para fundar o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCRB). Ao longo da ditadura militar, foi preso e torturado.
Sua atividade intelectual foi incessante. Escreveu e comandou as principais publicações comunistas do país, como ‘Classe Operária’, ‘Imprensa Popular’ e ‘Voz Operária’. Publicou “O Escravismo Colonial” (1978), "A burguesia brasileira" (1981), "Combates nas trevas" (1987) e “Marxismo sem utopia” (2005), entre outros livros. Foi professor visitante no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos anos, ainda escrevia e atendia convite para debates e conferências.
Seus últimos trabalhos provocaram polêmica entre a ortodoxia marxista ao atualizar a teoria com conceitos que vão da democracia à ecologia. “Para novos tempos são necessárias novas ideias. E não fico com receio de apresentar essas novas ideias”, costumava dizer.
Em “Marxismo sem utopia”, defendeu que o proletariado, ontologicamente, seria reformista, e não revolucionário. E que esse impulso acabou sendo importante para ampliar a esfera de direitos das sociedades. O historiador ainda apontava os direitos humanos como valores fundamentais e universais, e não invenções burguesas a serem combatidas, como afirmam parcela dos marxistas.
Em uma entrevista ao programa Roda Vida, da TV Cultura, em janeiro de 2006, afirmou: “A história mostrou que a produção tem limites que Marx não conheceu. Marx não conheceu a ecologia. Têm limites ecológicos, os recursos naturais são limitados e o abuso deles provoca o efeito-estufa, a poluição e outros problemas graves para a própria sociedade humana”.
Com aguçada sensibilidade, notava a complexidade das sociedades e dos conflitos contemporâneos, não mais protagonizados apenas por classes sociais, mas também por idosos, os homens, as mulheres, profissionais de várias áreas, culturas diferentes. Diante disso, não havia como vislumbrar o desaparecimento do Estado: “É necessário um órgão superior, que é o Estado. E que seja um Estado democrático, obviamente. Por isso eu falo em democracia”.
Em nota, a presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte de Gorender. Disse que o conheceu no Departamento de Ordem Polícia e Social (Dops), de São Paulo, onde estiveram presos, nos anos 1970. "Ele estava convalescente de torturas e foi conselheiro importante em um momento crucial na minha vida", declarou Dilma.
Também em nota, o ex-presidente Lula disse que Gorender foi um dos maiores historiadores e pensadores da esquerda brasileira e que “militou pelos direitos dos trabalhadores e pela transformação social do Brasil”. “Neste momento de dor e perda, queremos estender nossa solidariedade a todos os seus familiares, amigos, alunos e admiradores”, concluiu o ex-presidente.
Como militante comunista, teve uma vida intensa. Na juventude, estudou direito e integrou o PCB, então recém-fundado em 1922. Na Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Força Expedicionária Brasileira (FEB) e participou da tomada do Monte Castelo, a mais importante batalha enfrentada pelos pracinhas.
No retorno ao Brasil, intensificou sua militância no PCB. Integrou o comitê central do partido até o racha de 1967, quando saiu para fundar o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCRB). Ao longo da ditadura militar, foi preso e torturado.
Sua atividade intelectual foi incessante. Escreveu e comandou as principais publicações comunistas do país, como ‘Classe Operária’, ‘Imprensa Popular’ e ‘Voz Operária’. Publicou “O Escravismo Colonial” (1978), "A burguesia brasileira" (1981), "Combates nas trevas" (1987) e “Marxismo sem utopia” (2005), entre outros livros. Foi professor visitante no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos anos, ainda escrevia e atendia convite para debates e conferências.
Seus últimos trabalhos provocaram polêmica entre a ortodoxia marxista ao atualizar a teoria com conceitos que vão da democracia à ecologia. “Para novos tempos são necessárias novas ideias. E não fico com receio de apresentar essas novas ideias”, costumava dizer.
Em “Marxismo sem utopia”, defendeu que o proletariado, ontologicamente, seria reformista, e não revolucionário. E que esse impulso acabou sendo importante para ampliar a esfera de direitos das sociedades. O historiador ainda apontava os direitos humanos como valores fundamentais e universais, e não invenções burguesas a serem combatidas, como afirmam parcela dos marxistas.
Em uma entrevista ao programa Roda Vida, da TV Cultura, em janeiro de 2006, afirmou: “A história mostrou que a produção tem limites que Marx não conheceu. Marx não conheceu a ecologia. Têm limites ecológicos, os recursos naturais são limitados e o abuso deles provoca o efeito-estufa, a poluição e outros problemas graves para a própria sociedade humana”.
Com aguçada sensibilidade, notava a complexidade das sociedades e dos conflitos contemporâneos, não mais protagonizados apenas por classes sociais, mas também por idosos, os homens, as mulheres, profissionais de várias áreas, culturas diferentes. Diante disso, não havia como vislumbrar o desaparecimento do Estado: “É necessário um órgão superior, que é o Estado. E que seja um Estado democrático, obviamente. Por isso eu falo em democracia”.
Em nota, a presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte de Gorender. Disse que o conheceu no Departamento de Ordem Polícia e Social (Dops), de São Paulo, onde estiveram presos, nos anos 1970. "Ele estava convalescente de torturas e foi conselheiro importante em um momento crucial na minha vida", declarou Dilma.
Também em nota, o ex-presidente Lula disse que Gorender foi um dos maiores historiadores e pensadores da esquerda brasileira e que “militou pelos direitos dos trabalhadores e pela transformação social do Brasil”. “Neste momento de dor e perda, queremos estender nossa solidariedade a todos os seus familiares, amigos, alunos e admiradores”, concluiu o ex-presidente.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Anatomia do Movimento Passe Livre - Por Lincoln Secco
Anatomia do Movimento Passe Livre
As recentes manifestações em São Paulo surpreenderam os donos do poder. Como a justiça da causa não podia ser questionada, as armas da crítica voltaram-se contra a crítica das armas
As recentes manifestações de junho do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo surpreenderam os donos do poder. Como a justiça da causa não podia ser questionada, as armas da crítica voltaram-se contra a crítica das armas. E sendo assim, perderam.
Ainda que as armas não fossem armas. Pneus incendiados, lixeiras como barricadas e milhares de pessoas concentradas ainda não podem ameaçar nenhum grupo estabelecido no andar de cima. Mas podem desmoralizá-lo. Diante disso a “crítica” dirigiu-se à turba, à baderna, ao “trânsito”, aos arruaceiros e aos jovens filhos de papai.
Sem resultados, os críticos descobriram os partidos. Assim, pelos jornais “sabemos” que certos partidos de “extrema esquerda” dirigiam sorrateiramente o MPL. Nada mais falso. O MPL se organiza horizontalmente, ao lado, acima (por vezes abaixo) dos partidos políticos. Não é, portanto, uma frente de partidos. Decerto há nele militantes de partidos. Nada mais esperado e justificado. Os partidos de esquerda, revolucionários ou não, vivem sempre a expectativa de montar o cavalo já em disparada.
Eis que a grande imprensa lembrou o vandalismo. “Vândalos!”, berravam apresentadores transtornados nos telejornais sensacionalistas. Em movimentos assim, é natural que haja ações erradas, revoltas incontidas e gritos de ódio. A população que se movimenta não o faz segundo a etiqueta de parlamentares de terno, gravata, seguranças e jantares caros.
Uma ou outra vidraça se quebra porque, ao contrário dos militares que batem, atiram balas de borracha e lançam bombas de gás lacrimogêneo, os militantes das ruas ainda não se acostumaram a mirar com precisão. Eles não dispõem de dinheiro, da polícia e das leis ao seu lado. Mas segundo a contabilidade prática do movimento as lixeiras incendiadas e os prejuízos ao tráfego poderão ser descontados tranquilamente dos bilhões desviados dos cofres públicos nas licitações duvidosas de obras que visam melhorar exatamente o tráfego.
Mas alto lá, proclama um prefeito. O custo do passe livre o inviabiliza! É certo que poderíamos fazer outra conta. A tarifa zero, proposta hoje por vários partidos piratas europeus, foi pela primeira vez lançada pela própria prefeitura da cidade de São Paulo e pelo atual partido do Governo. O Partido dos Trabalhadores propôs durante a gestão de Luiza Erundina que a tarifa fosse paga por um imposto urbano progressivo. Sem apoio na época de um movimento social organizado foi fácil para a Câmara Municipal recusar.
Hoje desconheço os cálculos políticos que os governos fazem para se opor ao passe livre. Sei que os contábeis estão errados. E, provavelmente, os eleitorais também. Uma medida de tal impacto talvez pudesse se tornar o maior “programa social” de um partido. A economia com os gastos de cobrança e com a diminuição de automóveis nas ruas compensaria mesmo a chamada classe média.
Além disso, a população poderia se deslocar por vários serviços de saúde e educação desafogando os equipamentos públicos mais procurados. E nem precisaríamos citar os ganhos para os que frequentariam as escolas, bibliotecas, parques, praças, museus etc.
Confusos, finalmente os “críticos” dizem que se trata de um movimento comunista, anarquista, trotskista, punk, sindical, baderneiro… Mas sabemos que a finalidade do MPL não se define previamente. Apesar da evidência do motivo imediato (a livre locomoção urbana de todas as pessoas) e de ideais necessariamente vagos sobre outra sociedade, ele se define apenas como um grupo que luta. Luta por nós.
Lincoln Secco é professor de História Contemporânea da USP.
O charlatanismo econômico por trás das agências de risco – por J. Carlos de Assis*
O charlatanismo econômico por trás das agências de risco
Hoje, a maior influência das agências de risco é exercida através da grande mídia, sobretudo no plano ideológico, para forçar mudanças na política econômica. No caso atual, elas exigem juros altos, câmbio valorizado e superávit primário elevado, em nome de uma suposta austeridade na gestão econômica.
Uma agência de risco diz que pode rebaixar a nota brasileira. A grande mídia faz disso o maior estardalhaço. É como se fôssemos alunos de escola primária ameaçados de reprovação. Algumas autoridades do próprio governo, por sua vez, intimidadas, passam a dar justificativas no sentido de atenuar a previsão - o que resulta, em última análise, num procedimento de legitimação de espúria intervenção de uma entidade privada internacional na condução da política econômica do país.
As agências de classificação de risco não conseguiram prever a maior crise da história do capitalismo iniciada em 2008. Classificaram como bons créditos, hipotecas e bancos podres. Interrogados por representantes de uma comissão especial do Congresso norte-americano, seus gestores alegaram que apenas emitiam opiniões. Foi a maior confissão de subjetivismo jamais feita por parte de instituições que influem em grande parte do movimento de crédito do mundo. Puro charlatanismo econômico.
Para compreensão da atividade atual dessas agências, é preciso recuar não propriamente a sua criação, mas ao papel que passaram a ter, sobretudo em relação a países em desenvolvimento, depois da crise da dívida externa dos anos 80. Até então, o papel de xerife das políticas econômicas dos países em desenvolvimento era exercido pelo FMI. Com a crise da dívida, esse papel tomou dimensões exorbitantes na forma de condicionalidades para financiar nações em dificuldade.
Entretanto, na medida em que os países, por conta própria, ou auxiliados pelo boom de exportações de commodities para a China a partir do início do anos 2000, começaram a constituir grandes reservas internacionais em relação ao tamanho de suas economias, sua dependência do FMI caiu até desaparecer completamente. O Brasil, por exemplo, pagou ao Fundo a dívida de US$ 30 bilhões feita no fim do governo FHC dele herdada e acabou no Governo Lula tornando-se credor ele por um empréstimo de US$ 10 bilhões.
Diante desse contexto, quem assumiu o papel de xerife da política econômica dos países em desenvolvimento? O FMI, naturalmente, não poderia mais exercê-lo através de condicionalidades, pois os países já não precisavam de seus empréstimos. Foi então que entrou em cena, com todo o seu peso bancado pela ideologia neoliberal, as agências de risco. Embora sendo privadas, elas se arrogam a prerrogativa de fiscalizar e avaliar a atuação de governos a pretexto de estabelecer escalas de risco dos países. Com isso, influem nas decisões de investimento dos fundos e dos bancos.
Nos países em crise da zona do euro a situação permanece sob o controle tríplice da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI (a troika). Este último acaba de emitir relatório reconhecendo que a política de austeridade imposta a países como Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha trouxe conseqüências em termos de queda de crescimento e alta do desemprego bem mais altas que as previstos. Isso apenas acentua o caráter regressivo das políticas neoliberais que, agora, entre nós, fora do âmbito do FMI, querem nos exigir via agências de risco privadas.
Agências de risco existem há décadas. Em tese, seriam úteis a investidores que não têm, eles próprios, departamentos de acompanhamento de performance para avaliação de risco de países, créditos e títulos. Os grandes atores do sistema financeiro internacional, contudo, dispõem internamente de seus analistas. Pelo que as agências de risco assumiram crescentemente um papel ideológico, infelizmente corroborado, no caso de países, por governos que pagam, eles próprios, pela avaliação. Com isso, o pais abre mão de soberania economia em favor do mercado.
Que, nos tempos heroicos do desenvolvimento brasileiro, o papel das agências de risco era irrisório ou ineficaz pode ser aquilatado pelo governo, que rompeu com o FMI confiante nos créditos do setor bancário privado, os quais, por sinal, não pediram permissão às agências para concedê-los. Hoje, a maior influência das agências de risco é exercida através da grande mídia, sobretudo no plano ideológico, para forçar mudanças na política econômica. No caso atual, elas exigem juros altos, câmbio valorizado e superávit primário elevado, em nome de uma suposta austeridade na gestão econômica. Resta saber se o governo agirá de acordo com os interesses do desenvolvimento nacional ou segundo os ditames de agências corrompidas pelo interesse privado imediato e pelo interesse eleitoral que se seguirá.
*Economista e professor de Economia Internacional da UEPB, autor, entre outros livros de economia política, de “O Universo Neoliberal em Desencanto” (co-autoria com o matemático Francisco Antonio Doria) e “A Razão de Deus”, pela ed. Civilização Brasileira.
As agências de classificação de risco não conseguiram prever a maior crise da história do capitalismo iniciada em 2008. Classificaram como bons créditos, hipotecas e bancos podres. Interrogados por representantes de uma comissão especial do Congresso norte-americano, seus gestores alegaram que apenas emitiam opiniões. Foi a maior confissão de subjetivismo jamais feita por parte de instituições que influem em grande parte do movimento de crédito do mundo. Puro charlatanismo econômico.
Para compreensão da atividade atual dessas agências, é preciso recuar não propriamente a sua criação, mas ao papel que passaram a ter, sobretudo em relação a países em desenvolvimento, depois da crise da dívida externa dos anos 80. Até então, o papel de xerife das políticas econômicas dos países em desenvolvimento era exercido pelo FMI. Com a crise da dívida, esse papel tomou dimensões exorbitantes na forma de condicionalidades para financiar nações em dificuldade.
Entretanto, na medida em que os países, por conta própria, ou auxiliados pelo boom de exportações de commodities para a China a partir do início do anos 2000, começaram a constituir grandes reservas internacionais em relação ao tamanho de suas economias, sua dependência do FMI caiu até desaparecer completamente. O Brasil, por exemplo, pagou ao Fundo a dívida de US$ 30 bilhões feita no fim do governo FHC dele herdada e acabou no Governo Lula tornando-se credor ele por um empréstimo de US$ 10 bilhões.
Diante desse contexto, quem assumiu o papel de xerife da política econômica dos países em desenvolvimento? O FMI, naturalmente, não poderia mais exercê-lo através de condicionalidades, pois os países já não precisavam de seus empréstimos. Foi então que entrou em cena, com todo o seu peso bancado pela ideologia neoliberal, as agências de risco. Embora sendo privadas, elas se arrogam a prerrogativa de fiscalizar e avaliar a atuação de governos a pretexto de estabelecer escalas de risco dos países. Com isso, influem nas decisões de investimento dos fundos e dos bancos.
Nos países em crise da zona do euro a situação permanece sob o controle tríplice da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI (a troika). Este último acaba de emitir relatório reconhecendo que a política de austeridade imposta a países como Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha trouxe conseqüências em termos de queda de crescimento e alta do desemprego bem mais altas que as previstos. Isso apenas acentua o caráter regressivo das políticas neoliberais que, agora, entre nós, fora do âmbito do FMI, querem nos exigir via agências de risco privadas.
Agências de risco existem há décadas. Em tese, seriam úteis a investidores que não têm, eles próprios, departamentos de acompanhamento de performance para avaliação de risco de países, créditos e títulos. Os grandes atores do sistema financeiro internacional, contudo, dispõem internamente de seus analistas. Pelo que as agências de risco assumiram crescentemente um papel ideológico, infelizmente corroborado, no caso de países, por governos que pagam, eles próprios, pela avaliação. Com isso, o pais abre mão de soberania economia em favor do mercado.
Que, nos tempos heroicos do desenvolvimento brasileiro, o papel das agências de risco era irrisório ou ineficaz pode ser aquilatado pelo governo, que rompeu com o FMI confiante nos créditos do setor bancário privado, os quais, por sinal, não pediram permissão às agências para concedê-los. Hoje, a maior influência das agências de risco é exercida através da grande mídia, sobretudo no plano ideológico, para forçar mudanças na política econômica. No caso atual, elas exigem juros altos, câmbio valorizado e superávit primário elevado, em nome de uma suposta austeridade na gestão econômica. Resta saber se o governo agirá de acordo com os interesses do desenvolvimento nacional ou segundo os ditames de agências corrompidas pelo interesse privado imediato e pelo interesse eleitoral que se seguirá.
*Economista e professor de Economia Internacional da UEPB, autor, entre outros livros de economia política, de “O Universo Neoliberal em Desencanto” (co-autoria com o matemático Francisco Antonio Doria) e “A Razão de Deus”, pela ed. Civilização Brasileira.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
O atentado de Boston e a “fábrica de terror” do FBI - Por Trevor Aaronson
O atentado de Boston e a “fábrica de terror” do FBI
Como o FBI de Boston incentivou um terrorista lunático a seguir em frente com seu plano mirabolante, para depois prendê-lo
Será que os ataques de Boston poderiam ter sido impedidos? Logo depois dos ataques, essa pergunta ganhou destaque com as notícias de que o FBI estava seguindo o rastro do suposto terrorista Tamerlan Tsarnaev mais de dois anos atrás. Mas a pergunta é ainda mais enfatizada por outra operação que o FBI realizou na área de Boston durante o mesmo período – focada em um assunto diferente, e de importância duvidosa.
Em janeiro de 2011, quando o FBI examinou a ficha do suposto terrorista da Maratona de Boston e o descartou como ameaça, agentes do escritório de Boston foram atrás de outro suspeito de terrorismo. Ao mesmo tempo que decidiu parar de rastrear Tsarnaev – cuja viagem de seis meses para a Rússia, feita na época, é agora de primordial interesse dos investigadores – o FBI conduziu uma intrincada operação policial contra um jovem muçulmano que tinha um plano fantasioso de atacar o Capitólio dos Estados Unidos com um avião de controle remoto.
O contraste entre os dois casos ocorridos em Boston no início de 2011 levanta questões sobre a efetividade da estratégia antiterrorista do FBI.
Desde os ataques de 11 de setembro, em 2001, a prioridade do FBI tem sido prevenir um próximo ato terrorista. O órgão gasta US$ 3,3 bilhões com antiterrorismo todos os anos, a maior porção de seu orçamento anual de US$ 8,2 bilhões. (Isso representa US$ 650 milhões a mais do que o FBI gasta investigando o crime organizado, sua segunda maior prioridade de financiamento). Um elemento chave da estratégia do FBI tem sido fazer operações contra supostos terroristas – em muitos casos percorrendo longos caminhos para capacitar perpetradores improváveis, como dem onstrado em reportagem de 2011 na revista MotherJones, e no livro A Fábrica do Terror.
O FBI tem atuado sobre esses suspeitos usando informantes e vigilância online, como análise da presença e do histórico do suspeito na internet, como atividades em fóruns extremistas, interesse em vídeos militantes jihadistas e outras coisas que indiquem simpatia por organizações terroristas.
Foi desta maneira que o FBI perseguiu vigorosamente Rezwan Ferdaus, formado pela Universidade de Northeastern, nascido em Massachusetts, que morava com os pais no subúrbio de Boston.
Ferdaus chamou a atenção do FBI por meio de um informante que fingiu ser agente da Al Qaeda – um homem que recebeu US$ 50 mil do FBI por seus esforços, enquanto escondia seu vício em heroína dos agentes.
De acordo com registros da justiça, Ferdaus segredou ao informante que queria destruir a cúpula de ouro do Capitólio dos EUA utilizando um avião de controle remoto recheado com granadas. Se esse plano já era improvável, a possibilidade de que Ferdaus pudesse tentar colocá-lo em prática também era: ele não tinha armas, e mesmo que soubesse onde comprar explosivos, Ferdaus estava falido.
Mas, através do seu informante pago, o FBI encorajou Ferdaus a seguir com sua ideia de atacar o Capitólio dos Estados Unidos.
A agência destinou recursos significativos para a operação, dando a Ferdaus US$ 4 mil para comprar um avião de controle remoto F-86 Sabre e fornecendo “explosivos” para ele – 25 quilos de C-4 falso e três granadas inertes.
Em maio de 2011, Ferdaus viajou para Washington, para analisar locais a partir de onde poderia lançar sua arma – tudo isso enquanto estava sendo secretamente filmado por agentes do FBI. Finalmente, em 28 de setembro de 2011, após uma operação policial de nove meses, agentes do FBI prenderam Ferdaus, acusando-o de, entre outras coisas, de tentar destruir um prédio federal e fornecer material de apoio para terroristas.
Ferdaus se declarou culpado e foi sentenciado a 17 anos de prisão, ainda que nenhuma prova indicasse que ele poderia ter construído e lançado uma arma sem o dinheiro e o material dado pelo FBI.
Desde os ataques de 11 de setembro, o FBI prendeu mais de 175 supostos terroristas usando operações como a de Boston, em que Ferdaus foi preso. Nessas operações caras e elaboradas, os alvos são geralmente homens às margens das comunidades muçulmanas. Muitos estão economicamente desesperados e alguns são doentes mentais, e são facilmente manipulados por informantes pagos e agentes secretos.
Trevor Aaronson é co-diretor do Centro de Reportagem Investigativa da Flórida e autor de A Fábrica do Terror: dentro da guerra fabricada do FBI contra o terrorismo ((The Terror Factory: Inside the FBI’s Manufactured War on Terrorism).
Fonte: http://www.apublica.org/
Batalha no centro: primeiro grande ato contra a tarifa em São Paulo - Por Passa Palavra
Batalha no centro: primeiro grande ato contra a tarifa em São Paulo
Esta foi uma das maiores manifestações realizadas pelo movimento e uma das mais contundentes. Por Passa Palavra
É difícil calcular quantas pessoas estiveram presente no primeiro grande ato contra o aumento das tarifas do transporte público de São Paulo. Mas estima-se que mais de cinco mil manifestantes atenderam ao chamado do Movimento Passe Livre (MPL), ocuparam as ruas do centro da cidade e bloquearam durante várias horas as principais vias da região. Sem dúvida, é possível dizer que esta foi uma das maiores manifestações realizadas pelo Movimento e uma dos mais contundentes.
Como estava combinado, por volta das 17h, centenas de manifestantes já lotavam as escadarias do Teatro Municipal, aquecendo-se com a Fanfarra do M.A.L. (Movimento Autônomo Libertário) e palavras de ordem. Após a concentração, o protesto seguiu para a frente da Prefeitura, onde foram entoadas gritos ao prefeito Fernando Haddad.
— Ei, Haddad, que papelão! Abraça o Maluf e aumenta o busão.
Em seguida, as principais avenidas da cidade foram tomadas. A manifestação passou pela Praça do Patriarca, desceu a Rua São Bento e contornou pelo Vale do Anhangabaú. Do Vale era possível ver uma enorme faixa preparada pelo movimento do Viaduto do Chá: “Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar”.
Foi então que se iniciaram os momentos mais tensos da manifestação. Eram quase sete da noite quando ato tomou de assalto a Avenida 23 de Maio, uma das principais vias radiais, que liga o centro da cidade à zona Sul. A ação foi inesperada e por essa razão demorou para que a Polícia Militar adotasse uma estratégia eficiente para dispersar os manifestantes. Neste momento, as catracas alegóricas, feitas de madeira e pneus, foram queimadas e barricadas começaram a ser formadas. Por diversas vezes, pequenos batalhões da polícia tentavam liberar a avenida, mas eram obrigados a recuar frente à resistência do protesto. Alguns minutos depois, o Batalhão de Choque foi acionado e deu início a uma verdadeira batalha campal, que se espalhou por toda a região central.
Depois disso, é difícil descrever o que se passou. Para o bem ou para mal, a ação policial na Avenida 23 de Maio, ao dispersar os manifestantes a esmo, multiplicou as frentes de ação em inúmeros focos. Uma parte dos manifestantes seguiu para o Terminal Bandeira, bem próximo ao local. Outra seguiu para a Prefeitura e para o Terminal Parque Dom Pedro e uma terceira ainda continuou pela Avenida 9 de Julho e subiu para a Avenida Paulista, que foi bloqueada pela primeira vez. Por onde se passava, pelas ruas do centro, era possível ver rastros da manifestação: pichações de protesto, panfletos e pequenas barricadas com lixos e lixeiras. Nos terminais de ônibus, eram realizados catracaços, permitindo que a população tomasse ônibus gratuitamente.
Nas camisetas, faixas e como grito de ordem, os manifestantes lembravam acontecimentos recentes em Porto Alegre, quando um aumento foi revertido por manifestações populares, e as ações na Turquia.
— Acabou o amor em SP. Isso aqui vai virar Porto Alegre.
A polícia articulou então uma enorme operação para impedir que os focos se reunissem e lançou mão de um violento aparato repressivo, atirando bombas de efeito moral e balas de borracha. Pelo menos 30 pessoas foram feridas. Os blocos de manifestantes apareciam por todos os lados; toda a população que andava nas ruas comentava; os programas televisivos nas telas dos bares e da padaria atestavam que o que estava acontecendo era realmente inédito na cidade.
Um dos focos da manifestação, ao fugir da repressão policial, adentrou o Shopping Paulista, causando uma enorme agitação no local. Os manifestantes chegaram a ser acuados na praça de alimentação, onde alguns deles foram presos. Por volta das 21h, o epicentro da luta havia se deslocado para a altura da Avenida Paulista: quase todas as entradas de Metro foram fechadas, viaturas de Batalhão de Choque e dos Bombeiros cortavam a via nos dois sentidos. Às 21h30 ainda havia um foco sendo reprimido em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo).
Até o momento 15 pessoas estão detidas, mas acompanhadas do advogado do Movimento.
Um novo ato foi convocado para esta sexta-feira (dia 7 de junho), às 17h, com concentração no Largo da Batata, próximo ao metrô Faria Lima.
Fonte: http://passapalavra.info
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Estado Assassino: Juiz israelense afirma que “algumas meninas gostam de ser estupradas” - Revista Fórum
Juiz israelense afirma que “algumas meninas gostam de ser estupradas”
Nissim Yeshaya fez a declaração durante uma audiência de um caso de estupro no qual a vítima tinha apenas 13 anos na época do crime
Yeshaya afirma que suas palavras foram mal interpretadas (Foto: Divulgação)
Um juiz israelense causou polêmica ao afirmar, durante uma audiência de um caso de estupro de uma menor de idade que hoje está com 19 anos, que “algumas meninas gostam de ser estupradas. A fala de Nissim Yeshaya teve grande repercussão na imprensa de Israel nesta última quarta-feira, 5, e gerou protestos.
Segundo a advogada Alani Sadovnik, que representa a vítima, o comentário do juiz causou constrangimento entre os presentes na audiência, incluindo outros dois membros do tribunal de apelações, que tentaram minimizar a declaração e acalmar os ânimos. À época do crime, a vítima tinha apenas 13 anos.
“No meio de um debate acalorado, o juiz diz, de repente e alto e para todos os presentes ouvirem, ‘há algumas meninas que gostam de ser estupradas”, declarou Sadovnik. “A sala ficou em silêncio (…) inclusive os (outros dois) membros do tribunal (de apelações) ficaram calados por vários minutos. Ele nem sequer percebeu o que acabava de dizer. Não entendia por que todo mundo estava em silêncio ao mesmo tempo”, relatou a advogada.
De acordo com o site Ynet, a presidenta da Comissão para o Status da Mulher, Aliza Laví, solicitou que a ministra da Justiça, Tzip Livni, interdite imediatamente Yeshaya, que já está aposentado há quatro anos, mas que atua como presidente de tribunais administrativos e de orientação. Já a ministra de Cultura e Esporte de Israel, Limor Livnat, considerou as declarações do juiz “assustadoras e escandalosas” e também solicitou que o juiz seja aposentado em definitivo. ”As vítimas de estupro sofrem severos traumas psicológicos. É difícil imaginar o dano causado por esse comentário, que poderia dissuadir outras vítimas de abusos sexuais (de denunciar os crimes)”, criticou.
Yeshaya era o candidato de Benjamin Netanyahu para presidir o tribunal interno do partido Likud, mas o primeiro-ministro israelense retirou o apoio porque “uma pessoa que se expressa assim não merece o cargo”.
Segundo o juiz, que pediu desculpas pela declaração, o escândalo “não é sério” e seus críticos estariam querendo publicidade com o caso. “Estão tentando conseguir publicidade às minha custas. Eu não acho que a vítima de um estupro não sofre danos ou que o estupro não é um crime grave. (Meus comentários) foram mal interpretados”, afirmou Yeshaya.
Com informações do Opera Mundi.
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