Notas sobre um país em dissolução
1. Quatro moradores de rua mortos por ENVENENAMENTO em
Barueri (SP).
2. Uma moradora de rua EXECUTADA a tiros em Niterói
(RJ) por ter pedido R$ 1.
3. Um morador de rua ESPANCADO por moradores do Belém,
Zona Leste de São Paulo (SP), apenas por estar deitado na rua.
4. Um morador de rua EXECUTADO por um PM (Polícia
Militar) em uma suposta tentativa de assalto em São José dos Campos (SP).
5. Prefeitura de São Paulo cria 100 novas equipes do
RAPA, que não passa do ROUBO diário e sistemático dos pertences (roupas, cobertores,
alimentos, documentos, medicamentos e instrumentos de trabalho) dos mais pobres
entre os pobres.
TODOS os casos ocorreram nos últimos TRÊS dias.
Observatório do Povo da Rua
agência de notícias anarquistas-ana
As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.
Issa
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/22/notas-sobre-um-pais-em-dissolucao/
domingo, 24 de novembro de 2019
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
A X Feira Anarquista de São Paulo está chegando! – by A.N.A.
A X Feira Anarquista de São Paulo está chegando!
Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a X Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.
Todas e todos estão convidados!
> Data: Domingo – 17 de novembro de 2019
> Horário: das 10h às 20h
> Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP.
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca
feiranarquistasp.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas
Betty Drevniok
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/page/2/
Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a X Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.
Todas e todos estão convidados!
> Data: Domingo – 17 de novembro de 2019
> Horário: das 10h às 20h
> Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP.
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca
feiranarquistasp.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas
Betty Drevniok
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/page/2/
terça-feira, 11 de junho de 2019
Um chamado anarquista à Greve Geral de 14 de Julho de 2019 – por A.N.A.
Um chamado anarquista à Greve Geral de 14 de Julho de 2019
Às Barricadas!
“(…)Os trabalhadores são explorados e oprimidos porque,
estando desorganizados em tudo que concerne à proteção de seus interesses, são
coagidos, pela fome ou pela violência brutal, a fazer o que os dominadores, em
proveito dos quais a sociedade atual está organizada, querem. Os trabalhadores
se oferecem, eles próprios (enquanto soldado e capital), à força que os
subjuga. Nunca poderão se emancipar enquanto não tiverem encontrado na união a
força moral, a força econômica e a força física que são necessárias para abater
a força organizada dos opressores.”
A ORGANIZAÇÃO DAS MASSAS OPERÁRIAS CONTRA O GOVERNO E OS
PATRÕES
Agitazione d’Ancone, 1897
Errico Malatesta
O mundo assiste a crescente ascensão da extrema-direita ao
poder com olhares perdidos em meio à tanta desinformação. Não poderia ser
diferente no Brasil, onde ainda vivemos um período pós-colonial com forças
dominantes afins aos discursos de ódio que atacam as liberdades e o pensamento
libertário como um todo. Este país sofre com o apagar de suas muitas
identidades culturas há séculos, portanto não trata-se aqui de apontar alguma
novidade. Porém, é necessário compreendermos que a imposição das classes
dominantes nunca foi silenciosa ou permissiva, como muitos parecem acreditar em
meio à tanta incredulidade e paralisia.
A pólvora acesa em 2013 deve seu rastilho às muitas revoltas
sangrentas que nós, exploradas e explorados, enfrentamos desde a chegada dos
colonizadores, e diferentemente do que argumenta a esquerda reformista
institucional, a semente protofascista vem sendo cultivada por décadas e
décadas com políticas vindas de governos da social democracia e ditos de
esquerda e não pela insurreição nas ruas em 2013, como assim acusam os
partidários da esquerda que insistem em dizer que a culpa da queda dos seus
líderes foi a massiva organização popular nesse período assim como o surgimento
do fascismo no país. E se a memória recente nos trás este ano emblemático,
talvez seja porque nas ruas, nas avenidas e noites de barricada, conseguimos
entrever uma possibilidade, uma alternativa de luta contra o que está posto
enquanto status quo. Nunca começou naquele ano, mas também nunca terminou após
o mesmo. Vemos companheiras e companheiros entregues ao conformismo dos tempos
de Bolsonaro na presidência da república e os novos (e velhos) fascistas
desfilando abertamente suas práticas de terror em toda a sociedade. De fato,
mesmo nos espaços mais periféricos das capitais e cidades mais
industrializadas, nunca vimos uma explosão de violência, ódio e disputas tão
expressivas como vemos agora. Essa barbárie, tão bem profetizada por Rosa
Luxemburgo em seus escritos, não acontece sem motivo ou por simples erros de
gestão pública. A barbárie é fruto do sistema de classes que, ano após ano,
cria raízes cada vez mais profundas na mentalidade do povo brasileiro. É
necessário o ódio a si mesmo, ao produto que nos tornamos graças ao processo de
exploração e destituição permanente de uma sociedade refém do capital global.
Tal ódio estimula o afastamento, a individualização acentuada, a falsa ideia da
ineficácia de tudo que se diz social. Inclusive, neste sentido, o governo de
Jair Bolsonaro expõe publicamente, todos os dias, sua completa negação às
ideologias de cunho social.
Na esteira do projeto de destruir o Brasil enquanto país
independente dos jogos econômicos de agendas dominantes, encontramos mais um
ataque ao povo: a reforma da previdência. Não é mero acaso que assistimos o
desmonte da educação pública alcançar níveis alarmantes enquanto nos
aproximamos da derradeira votação acerca da reforma da previdência. O governo
que defende um projeto de país que seja apenas colônia de países desenvolvidos
precisa atacar a educação pública, sobretudo as universidades públicas, pois é
neste espaço que o pensamento livre encontra meios de fortalecimento e criação
de alternativas aos discursos totalizantes que hoje espalham-se como pólen por
todo o território brasileiro. A perversão está em transformar um debate tão
sério em cortina de fumaça para manter as amarras acerca da reforma da
previdência sobre total controle nos bastidores do poder. E não devemos nos
enganar em acreditar que a imprensa empresarial está ao lado dos explorados,
muito pelo contrário. Se hoje, empresas como a Rede Globo mantém um ataque
sistemático ao governo e demonstram dúvida da capacidade de articulação para
forçar a aprovação da reforma da previdência, é justamente porque a audiência
desse conflito é de interesse destas empresas de comunicação. É óbvio que as
mesmas defendem uma reforma que beneficiará grandes corporações em detrimento
da sociedade. Porém, estas mesmas corporações entendem que podem lucrar tanto
na via da aprovação quanto na via do falso destaque às oposições. À Rede Globo
não importa se a extrema-direita ou a esquerda institucional estão brigando, o
importante é a briga. E nisso, a população explorada segue perdida em nuvens de
informação e falsas afirmativas, aumentando seu ódio pelas coletividades e seu
afastamento das lutas sociais.
Exatamente pelas questões resumidamente apresentadas é que
acreditamos na necessidade dos anarquistas apostarem na constante inserção nos
meios sociais de luta contra a exploração dos governos e o fascismo latente da
extrema-direita brasileira. Não é no isolamento ou em algum exílio autoimposto
que conseguiremos romper a bolha criada pela mídia capitalista e pelo
bombardeio de fake news dos grupos pró-Bolsonaro. A compreensão sobre os fatos
e o apoio popular não se refletem em likes ou demonstração de interesse em
eventos de facebook. É preciso reinventar a militância anarquista no Brasil e
retomarmos a compreensão de que o anarquismo se constrói no cotidiano da vida
dos trabalhadores. É preciso refazer o caminho rumo aos trabalhos de base, mas
não com as falsas fantasias das organizações fantasmas. Ter uma base significa
pertencimento. É preciso entender que o anarquista só exercita suas práticas se
está em constante diálogo com a população, ainda que isso signifique estar só
no meio de tantas opiniões e discursos diferentes. E que fique bem claro: isso
não é o mesmo que abrir canal de diálogo com fascistas, pois subentende-se aqui
que o diálogo defendido é com o povo explorado, exausto de tanta opressão e que
almeja a luta contra o sistema dominante.
Eis aqui um chamado anarquista para a construção da greve
geral. Compreendemos que esse processo não é feito de forma imediatista,
tampouco acreditamos que algumas semanas sejam o suficiente para uma greve
expressiva. Entretanto, o silêncio não é uma opção para os que acreditam em
tudo o que dissemos até aqui. E se o dia 14 de Julho já está posto como mais
uma chance, então devemos abraçar tal chamado e nos organizarmos para além
dele. Fazemos aqui um chamado para as barricadas, para a sabotagem, para a
construção da guerra social contra as classes que dominam e corroem as
estruturas da sociedade brasileira. Convocamos aqui os anarquistas à luta, ao
trabalho permanente pela libertação dos explorados!
Esmaguemos o fascismo!
Que os governos voltem a temer a anarquia!
“Hoje se exige imperiosamente uma decisão de nossa parte: ir
para as massas e criar a revolução com elas, ou então abster-se e renunciar à
revolução social”
Nestor Makhno
Liberdade para Rafael Braga!
“Que as chamas da insurreição iluminem o caminho para a liberdade”
R.I.A
Fonte: https://redinfoa.org/um-chamado-anarquista-a-greve-geral-de-14-de-julho-de-2019-as-barricadas/
Conteúdo relacionado:
agência de notícias anarquistas-ana
Limpo e lavo o túmulo,
mas no fundo de minha alma,
meus íntimos vivem…
mas no fundo de minha alma,
meus íntimos vivem…
H. Masuda Goga
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Esse é o Brasil que os acéfalos querem ... ódio... preconceito ... intolerância ... discriminação ... e mortes!!! Acorda Brasil!!!
Aos gritos de “Bolsonaro”, travesti é morta a facadas no
centro de SP
Testemunhas relatam que quatro homens, aos gritos de "Bolsonaro" e "Ele sim", entraram em discussão com uma travesti em um bar no centro de São Paulo e a esfaquearam antes de fugir; vítima não resistiu e morreu a caminho do hospital
Testemunhas relatam que quatro homens, aos gritos de "Bolsonaro" e "Ele sim", entraram em discussão com uma travesti em um bar no centro de São Paulo e a esfaquearam antes de fugir; vítima não resistiu e morreu a caminho do hospital
Olavo de Carvalho, o “ideólogo de Bolsonaro”, contra o professor Haddad - Por Christian Ingo Lenz Dunker.
Olavo de Carvalho, o “ideólogo de Bolsonaro”, contra o
professor Haddad
1 Christian Ingrao, Crer e destruir: os intelectuais na máquina de guerra nazista da SS (Rio de Janeiro, Zahar: 2017).
Olavo critica o pós-modernismo, o multiculturalismo e o
politicamente correto porque ele é seu maior praticante, no sentido corrompido
do termo. É assim que opera um fake thinker, um falso pensador caçador de
patos: não é só falta de rigor ou pirotecnia retórica, é a corrupção como
irresponsabilidade intelectual.
Todos os regimes, piores ou melhores, têm o seu ideólogo. Em
geral ele não é alguém muito respeitado em sua área ou situa-se perifericamente
em relação aos seus pares. Sua função é dupla: justificar as arbitrariedades de
quem ele se aproveita para criar projeção e traduzir as mensagens do líder de
modo a criar vantagens estratégicas para seus adeptos no exercício do pequeno
poder cotidiano. Em geral, o ideólogo não se forma nas fileiras no partido ou
nas ideias diretas de seu mestre, mas se aproveita da flutuação de seus pontos
de vista para encaixar uma afinidade de circunstâncias. Isso é possível porque
a função do ideólogo é sobretudo suspender ou desestabilizar os sistemas que
garantem a legitimidade e a autoridade que atribuímos a certas formas de saber.
Por exemplo: o saber jurídico da República de Weimar foi
neutralizado por um ideólogo como Roland Freisler, durante a ascensão do
nazismo1; o saber universitário americano foi
controlado por um ideólogo como Joseph McCarthy, no início da guerra fria; o
saber artístico e intelectual soviético foi destroçado por Andrei Jdanov,
durante a ascensão do stalinismo. Todos eles eram pensadores medíocres, mas que
sabiam usar uma oscilação de tom que os permitia fazer alusões impressivas ao
lado de palavras chulas gerando um efeito de autenticidade. Podiam ser também
eruditos e especialistas em apenas uma área, mas que transferiam sua autoridade
para problemas nos quais não eram realmente estudiosos.
Bolsonaro possui alguém que se comporta dessa maneira e que
age conforme os requisitos para o cargo – tanto que foi devidamente reconhecido
pelo filho do deputado pelos serviços prestados à candidatura do pai. Olavo de
Carvalho possui uma longa ficha de desmascaramentos e refutações marcada pelo
exercício continuado da improbidade filosófica. O fato de que ele não tem
nenhuma formação regular, como uma graduação em ciências humanas, nem mestrado
nem doutorado, não deveria ser um empecilho, afinal existiram muitos bons
pensadores que vieram de fora do sistema universitário ou permaneceram em sua
periferia. É por isso que o fato de que seus primeiros trabalhos foram sobre
astrologia2, que ele tenha sido militante comunista e
adepto da seita islâmica Tariqa, que hoje viva refugiado nos Estados Unidos,
não o desabonam, mas criam os traços ideais para representar o papel de alguém
antissistema, independente e fora da academia. Ele tem o que parece ser
suficiente para que acreditemos nele: passagens pelas grandes redações de
jornais e revistas, a partir da qual criou-se um grupo de pessoas que gostam de
suas ideias. Isso confere uma vantagem grande ao personagem, pois ele poderá
desfazer de saberes eruditos, complexos e sempre em controvérsia relativa, como
a ciência e a filosofia profissional, representando a sabedoria do homem comum,
confirmando seus preconceitos e transferindo convicção e autoridade para aquilo
que as pessoas já pensam.
Um ideólogo alimenta-se de oposições, controvérsias e
ofensas porque isso cria inimigos necessários para manter uma crença viva, instala
uma solidariedade composta pelo ódio e aproveita-se do sentimento de
inferioridade intelectual que habita muitas pessoas. Qualquer ataque à sua obra
apenas confirma sua situação de pária e injustiçado intelectual e apenas
aumenta a aura de perseguido, com a qual se afiniza com as massas. O truque do
piques funciona assim: para influenciar meus adeptos uso palavras difíceis,
citações e títulos extravagantes ou valho-me da participação em eventos
semi-científicos como o Congresso Brasil
Paralelo, que contou com mais de sessenta influentes participantes, entre
eles nomes como Ronaldo
Caiado, Onyx
Lorenzoni e Gilmar
Mendes que explanaram sobre a realidade do Brasil pelo ponto de vista
liberal-conservador3. Repare que a palavra chave é influência,
ainda que esta venha pela associação com a notabilidade suspeita do rol
elencado. A ideia aqui é que você pode tornar-se sábio por contágio, como se a
cultura e o pensamento funcionassem ao modo da revista Caras. Toda vez que
alguém acusar a inconsistência de suas ideias, recorra à sua pessoa, ou à do
seu crítico. Toda a vez que se aponta a inconsistência de sua pessoa, recorra
às suas obscuras ideias incompreendidas. Se nenhuma das duas anteriores der
certo, apele para palavrões. “Cu”, “buceta” e “cagada” são expressões
recorrentes de nosso autor para exprimir seus conceitos e qualificar seus
adversários4.
Mas então como mostrar que Olavo de Carvalho é um fake
thinker? Qualquer crítica desse tipo será neutralizada pelo argumento de que eu
mesmo sou um professor titular da USP, esse antro de esquerdistas incultos e
comprados pelo sistema petista. Se digo o que digo só pode ser por interesse
pessoal em preservar meus privilégios, de perpetuar a hegemonia cultural, “tal
como Marx e Gramsci propunham”. Ou seja, vale tudo. De um lado, critico o
relativismo e a pós-modernidade, de outro me autorizo a falar qualquer coisa
porque a verdade virou uma questão de maioria de opinião e de número de
adeptos. As ciências humanas comportam uma variedade de tradições e
entendimentos, o que dá margem para as posições mais heterodoxas.
Examinemos o problema de um ponto de vista muito tosco e
elementar, mas não obstante objetivo. Há um sistema imparcial que agrega e
compara essa variedade de posições própria ao campo da ciência, validando o
valor e a legitimidade do conhecimento que se produz, a partir da própria
comunidade de cientistas. Este sistema vale para qualquer um que publique
qualquer coisa em ciência, em qualquer lugar do mundo. Trata-se do Google
Scholar (“Google Acadêmico”, no Brasil), ou seja, uma forma de quantificar
quantas vezes e por que qualidade de revista científica seus livros ou artigos
são citados por outros autores. Todo pesquisador tem um i-10 que é o índice de
citações que seus textos têm na comunidade internacional e que vale como medida
de reconhecimento da relevância de seu trabalho. Portanto, não vale dizer que o
sistema universitário ou que a filosofia brasileira não reconheceu ou persegue
as ideias inovadoras e incompreendidas de nosso autor.
O sistema tem várias críticas, mas ele serve como uma espécie de peneira genérica para falar sobre quem é quem quando se trata de ciência. A vantagem é que qualquer um pode entrar neste sistema e verificar a quantidade e qualidade de citações que um autor tem5. Por exemplo, um pesquisador de esquerda como Vladimir Safatle, com 45 anos, tem um i-10 de 40, que corresponde a 282 citações de sua principal obra6. Um reconhecido autor de direita, como José Guilherme Merquior, tem 331 citações em sua obra mais conhecida. Olavo de Carvalho tem 30 em sua obra magna O que você precisa saber para não ser um idiota, sendo que, destas, 28 são referências de pesquisas sobre a emergência do pensamento conservador no Brasil, discursos contra a corrupção e pesquisas sobre jornalismo político. Ou seja, citam o texto como índice de fenômeno social, a emergência de uma nova direita, e não por suas ideias em si. Sua obra mais “técnica”, Teoria dos discursos em Aristóteles, tem apenas três citações na área da filosofia, todas desabonando seu trabalho.
Isso significa que não é que suas ideias são rejeitadas, mas que seu pensamento é irrelevante para a área na qual ele se situa. Mostrar seus erros técnicos, suas ilações inconsequentes e outras fragilidades de alguém que não sabe pensar com rigor é como colocar um time amador em comparação com um profissional. Uma seleta das afirmações erráticas de Olavo de Carvalho incluem: a ONU apoia o terrorismo, Pepsi é feita com fetos abortados, há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela, a Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro, há livros ensinando crianças fazer sexo oral com elefantes, o Brasil hoje é uma ditadura comunista, a mídia apoia os gays para promover o controle populacional, o marxismo nasceu do satanismo, Darwin é o pai do nazismo, a web foi criada para combater o ateísmo, o ser humano não precisa de cérebro pra viver, o nazismo e FMI são de esquerda, Bill Clinton era um agente de Pequim, os EUA entraram no Vietnã para perder, há 40 milhões de comunistas no Brasil, cigarro não dá câncer (ele é um fumante inveterado), não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação, o empresariado nunca se organizou politicamente, a ditadura foi branda e tinha eleições democráticas, o General Geisel era comunista.
Os títulos de seus livros incluem coisas como O dever de insultar e O imbecil coletivo II. Sua Teoria das doze camadas da personalidade é um resumo ridículo e pretensioso das concepções psicológicas mais correntes em psicologia. Algo assim como se eu pedisse a um aluno de terceiro ano que me contasse em 19 páginas tudo o que se disse até aqui sobre o conceito de personalidade. Tipo: conheça 13 capitais da Europa em quatro dias e descubra a verdade da milenar cultura ocidental, rápido e barato. São textos que fazem vergonha alheia e denunciam o provincianismo indefeso do brasileiro médio em matérias não escolares.
Como vimos, ideólogos servem principalmente para serem usados na desqualificação de saberes e autoridades simbólicas ou estrategicamente importantes. Por isso, não adianta dizer que eles não são sérios, pois isso só confirma, na língua da alienação, que eles são outsiders e “antissistema”. Fernando Haddad, pode ser criticado como um mal prefeito, como membro de um partido corrupto ou como alguém que toca violão muito mal, mas o seu i-10 é de 15, contra “nem entra em campo” de Olavo de Carvalho. Sua obra Plano de desenvolvimento da educação7 foi citada 127 vezes, sempre em contexto técnico ou científico. Haddad conclui o curso de direito na USP, depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia na mesma universidade.
Mas o que são títulos? Tantas pessoas têm títulos e não sabem nada, não é mesmo? Haddad estudou em McGill, a melhor universidade canadense, o Carvalhão não terminou seu mestrado, mas para quê estudar fora? Durante mais de dez anos Haddad fez o que faltou decisivamente na formação de Olavo de Carvalho: deu aulas para alunos reais de um curso de graduação. Mas qual é o valor disso? Afinal a USP nunca teve um filósofo que se preze (afirmação textual do próprio). Haddad deu aulas com notas, frequência, alunos inquietos ou indolentes, aulas de verdade. Aulas públicas, abertas e gratuitas e não cursos pagos pela internet. É neste contexto de desigualdade maiúscula, que testemunha a ignorância de muitos em reconhecer a diferença entre um verdadeiro professor e pesquisador e um “bundão” que fica atrás da mesa falando e caçando patos nos EUA (no sentido literal e metafórico), que podemos examinar as afirmações de Olavo de Carvalho sobre o livro de Haddad8:
O sistema tem várias críticas, mas ele serve como uma espécie de peneira genérica para falar sobre quem é quem quando se trata de ciência. A vantagem é que qualquer um pode entrar neste sistema e verificar a quantidade e qualidade de citações que um autor tem5. Por exemplo, um pesquisador de esquerda como Vladimir Safatle, com 45 anos, tem um i-10 de 40, que corresponde a 282 citações de sua principal obra6. Um reconhecido autor de direita, como José Guilherme Merquior, tem 331 citações em sua obra mais conhecida. Olavo de Carvalho tem 30 em sua obra magna O que você precisa saber para não ser um idiota, sendo que, destas, 28 são referências de pesquisas sobre a emergência do pensamento conservador no Brasil, discursos contra a corrupção e pesquisas sobre jornalismo político. Ou seja, citam o texto como índice de fenômeno social, a emergência de uma nova direita, e não por suas ideias em si. Sua obra mais “técnica”, Teoria dos discursos em Aristóteles, tem apenas três citações na área da filosofia, todas desabonando seu trabalho.
Isso significa que não é que suas ideias são rejeitadas, mas que seu pensamento é irrelevante para a área na qual ele se situa. Mostrar seus erros técnicos, suas ilações inconsequentes e outras fragilidades de alguém que não sabe pensar com rigor é como colocar um time amador em comparação com um profissional. Uma seleta das afirmações erráticas de Olavo de Carvalho incluem: a ONU apoia o terrorismo, Pepsi é feita com fetos abortados, há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela, a Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro, há livros ensinando crianças fazer sexo oral com elefantes, o Brasil hoje é uma ditadura comunista, a mídia apoia os gays para promover o controle populacional, o marxismo nasceu do satanismo, Darwin é o pai do nazismo, a web foi criada para combater o ateísmo, o ser humano não precisa de cérebro pra viver, o nazismo e FMI são de esquerda, Bill Clinton era um agente de Pequim, os EUA entraram no Vietnã para perder, há 40 milhões de comunistas no Brasil, cigarro não dá câncer (ele é um fumante inveterado), não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação, o empresariado nunca se organizou politicamente, a ditadura foi branda e tinha eleições democráticas, o General Geisel era comunista.
Os títulos de seus livros incluem coisas como O dever de insultar e O imbecil coletivo II. Sua Teoria das doze camadas da personalidade é um resumo ridículo e pretensioso das concepções psicológicas mais correntes em psicologia. Algo assim como se eu pedisse a um aluno de terceiro ano que me contasse em 19 páginas tudo o que se disse até aqui sobre o conceito de personalidade. Tipo: conheça 13 capitais da Europa em quatro dias e descubra a verdade da milenar cultura ocidental, rápido e barato. São textos que fazem vergonha alheia e denunciam o provincianismo indefeso do brasileiro médio em matérias não escolares.
Como vimos, ideólogos servem principalmente para serem usados na desqualificação de saberes e autoridades simbólicas ou estrategicamente importantes. Por isso, não adianta dizer que eles não são sérios, pois isso só confirma, na língua da alienação, que eles são outsiders e “antissistema”. Fernando Haddad, pode ser criticado como um mal prefeito, como membro de um partido corrupto ou como alguém que toca violão muito mal, mas o seu i-10 é de 15, contra “nem entra em campo” de Olavo de Carvalho. Sua obra Plano de desenvolvimento da educação7 foi citada 127 vezes, sempre em contexto técnico ou científico. Haddad conclui o curso de direito na USP, depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia na mesma universidade.
Mas o que são títulos? Tantas pessoas têm títulos e não sabem nada, não é mesmo? Haddad estudou em McGill, a melhor universidade canadense, o Carvalhão não terminou seu mestrado, mas para quê estudar fora? Durante mais de dez anos Haddad fez o que faltou decisivamente na formação de Olavo de Carvalho: deu aulas para alunos reais de um curso de graduação. Mas qual é o valor disso? Afinal a USP nunca teve um filósofo que se preze (afirmação textual do próprio). Haddad deu aulas com notas, frequência, alunos inquietos ou indolentes, aulas de verdade. Aulas públicas, abertas e gratuitas e não cursos pagos pela internet. É neste contexto de desigualdade maiúscula, que testemunha a ignorância de muitos em reconhecer a diferença entre um verdadeiro professor e pesquisador e um “bundão” que fica atrás da mesa falando e caçando patos nos EUA (no sentido literal e metafórico), que podemos examinar as afirmações de Olavo de Carvalho sobre o livro de Haddad8:
1. “O PT quebra imagens,
esfrega o crucifixo nos órgãos genitais, urinam [sic] na Bíblia e agora quer
apoio católico”. A afirmação é grotescamente falsa. A pergunta de fundo é: para
quem esta mensagem pode ser persuasiva, a ponto de ser retuitada pelo filho do
deputado Jair Bolsonaro? Para alguém que jamais lerá este texto, que não
compreende o que é pesquisa, que só entende que devemos dar crédito a pessoas
famosas. Quanto mais espetacular a chamada mais ela tem efeito. Realmente, qual
é a diferença disto e de mentir para ser eleito?
2. Como disse Caetano
Veloso: “Considero o texto de Olavo incitação à violência. Convoco meus
concidadãos a repudiá-lo. Ou vamos fingir que o candidato dele já venceu a
eleição e, por isso, pode mandar matar quem não votou nele?”9 Ou seja, a conspiração comunista, a
hegemonia cultural da esquerda universitária e tudo o mais que o caçador de
patos denuncia é exatamente o que ele está imediatamente disposto a praticar.
Um intelectual que defende a violência como método perde imediatamente o
direito ao uso desta qualificação, tornando-se imediatamente um “idiota”,
cumprindo assim o lema de que as pessoas transformam-se naquilo que elas mais
odeiam.
3. Todavia, o campeão da inconsequência e o prêmio maior de
Tolice do Ano, e que me leva a escrever este texto, vai para sua afirmação de
que Haddad queria vencer o “tabu do incesto” para implantar o socialismo no
Brasil. Haddad faria “apologia do incesto”, provavelmente como extensão do “kit
gay” (que nunca existiu) e da “ideologia de gênero” (que é outra invenção
brasileira para traduzir, em idioma de má fé, os “estudos de gênero”,
disciplina universitária presente em Harvard, Cambridge e Yale). Depois da repercussão
imediata de tamanho erro, facilmente verificado pela imprensa, Olavo de
Carvalho retirou o post e o substituiu por outro dizendo que Haddad “subscrevia
integralmente a sociedade erótica, advogado pela Escola de Frankfurt que advoga
a erotização da relação entre mães e filhos”10.
Ora, o tabu do incesto é uma expressão usada por Freud em
seu texto de 1913, Totem e tabu, para designar o fato de que em todas as
culturas humanas conhecidas há uma restrição para o casamento dentro da própria
família. Desta regularidade Freud inferiu a existência de um potencial desejo
da criança pela mãe, que deu origem à hipótese do complexo de Édipo. Este desejo
é reprimido dando origem ao processo de socialização como reconhecimento de uma
lei maior que nos impede de realizar tudo o que queremos. Muitas culturas e
alguns padrões de família exageram essa repressão, criando crianças
demasiadamente proibidas em seus desejos e em suas vidas eróticas. Por isso uma
transformação social deveria atentar para padrões menos rígidos de repressão e
de implantação da lei. Ora, essa tese simples e difundida amplamente, tanto
entre pensadores de direita quanto de esquerda, foi deformada para justificar a
“erotização da infância” e a “apologia do incesto”. É assim que opera um fake
thinker, um falso pensador caçador de patos. Ele toma uma ideia, a deforma sem
rigor, e depois a usa para causar medo nas pessoas. Isso não é uma questão de
“interpretação” ou “ponto de vista”, as ciências humanas podem admitir
variações e variedades, mas elas têm um critério, que é o do rigor. Neste caso
é claro e cristalino que nem a psicanálise, nem a Escola de Frankfurt, nem
Haddad defendem a “apologia do incesto” ou a “erotização da infância”.
Essa inconsequência com os conceitos está longe de ser
apenas um vale tudo acadêmico, ela é uma prática específica de relação com a
palavra. Olavo critica o pós-modernismo, o multiculturalismo e o politicamente
correto porque ele é seu maior praticante, no sentido corrompido do termo.
Chegamos assim ao termo correto para o tipo de pensamento cultivado por Olavo
de Carvalho: não é só falta de rigor ou pirotecnia retórica, é a corrupção como
irresponsabilidade intelectual. Neste dia do professor é preciso agradecer e
saudar os docentes, mas também perceber que há os traidores da classe. Não são
aqueles que informal mal, ou que transmitem no limite de suas possibilidades e
de sua formação, mas os que propositalmente dizem mentiras. Desinformar as
pessoas em um país tão carente de professores e de ensino, fazê-lo de forma
proposital e com fins políticos (lembremos das adesões diretas de Bolsonaro e
seus filhos à Olavo de Carvalho), usar palavrões e praticar falta de decoro
acadêmico só merece um juízo, como diria o Capitão Nascimento: pede para sair!
Notas1 Christian Ingrao, Crer e destruir: os intelectuais na máquina de guerra nazista da SS (Rio de Janeiro, Zahar: 2017).
2 Olavo de Carvalho, A imagem do homem na
astrologia (1980).
3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_de_Carvalho 4 Exemplo de um tuite de 17 de setembro de 2018: “Quer o chamem de ‘Bolsominion’ por ser eleito do Bolsonaro, ou de ‘falso direitista’ por preferir outro candidato, a resposta oficial, nós dois casos, deve ser: — É o cu da mãe.”
5 https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=fernando+haddad+&btnG= 6 https://scholar.google.com.br/citations?user=fw3hwBYAAAAJ&hl=pt-BR
7 Fernando Haddad, O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, Brasília, Inep/MEC: 2008.
8 Fernando Haddad, Em Defesa do Socialismo. Petrópolis, Vozes: 1998.
9 Caetano Veloso, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo“, Folha de S.Paulo, 14 de outubro de 2018.
10 Gilmar Lopes, “FALSO: Fernando Haddad defende incesto entre pais e filhos em seu livro?“, E-farsas, 14 de outubro de 2018.
3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_de_Carvalho 4 Exemplo de um tuite de 17 de setembro de 2018: “Quer o chamem de ‘Bolsominion’ por ser eleito do Bolsonaro, ou de ‘falso direitista’ por preferir outro candidato, a resposta oficial, nós dois casos, deve ser: — É o cu da mãe.”
5 https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=fernando+haddad+&btnG= 6 https://scholar.google.com.br/citations?user=fw3hwBYAAAAJ&hl=pt-BR
7 Fernando Haddad, O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, Brasília, Inep/MEC: 2008.
8 Fernando Haddad, Em Defesa do Socialismo. Petrópolis, Vozes: 1998.
9 Caetano Veloso, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo“, Folha de S.Paulo, 14 de outubro de 2018.
10 Gilmar Lopes, “FALSO: Fernando Haddad defende incesto entre pais e filhos em seu livro?“, E-farsas, 14 de outubro de 2018.
Christian Ingo Lenz Dunker é psicanalista, professor
Livre-Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP),
Analista Membro de Escola (A.M.E.) do Fórum do Campo Lacaniano e fundador do
Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP.
Fonte: https://blogdaboitempo.com.br/2018/10/15/olavo-de-carvalho-o-ideologo-de-bolsonaro-contra-o-professor-haddad/
domingo, 7 de outubro de 2018
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Atentados de direita fomentaram AI-5 – por A.N.A.
Atentados de
direita fomentaram AI-5
Cinquenta anos
depois do ato que sepultou as liberdades democráticas no país, a Pública obtém
documentos que provam que foi a direita paramilitar, e não a esquerda, que deu
início a explosões de bombas e roubos de armas
Documentos
inéditos, guardados há meio século nos arquivos do Superior Tribunal Militar
(STM), jogam luzes no cenário que levou ao recrudescimento da ditadura militar,
com a edição do AI-5 (Ato Institucional número 5) em dezembro de 1968.
Depoimentos de personagens, relatórios oficiais e uma infinidade de papéis
anexados a processos que somam cerca de 10 mil páginas, ao qual a Pública teve
acesso, demonstram que o AI-5 fez parte de um plano para alongar a ditadura com
atentados a bomba em série, preparados no final de 1967 e executados até agosto
do ano seguinte por uma seita esotérica, paramilitar e de extrema direita.
Até esse
momento, episódios de ação armada da esquerda, que também ocorreram, eram
apontados como causa para a decisão dos militares de endurecer o regime.
Comandadas por
um líder messiânico a serviço da linha dura do governo militar, as ações
terroristas da direita, que chegaram a ser atribuídas, equivocadamente, às
organizações de esquerda, segundo apontam as investigações, tiveram como
estratégia aquecer o ambiente como preparação do “golpe dentro do golpe”, o que
daria ao regime uma longevidade de mais 17 anos.
Na cadeia de
comando do grupo se destacam um general da reserva Paulo Trajano da Silva, que
se dizia amigo pessoal do então presidente-ditador Artur da Costa e Silva, e,
na linha de frente do plano, um complexo personagem, Aladino Félix, conhecido
como Sábado Dinotos, líder da seita, mentor e também autor dos atentados.
Formado por 14
policiais da antiga Força Pública (como era chamada à época a Polícia Militar
de São Paulo), todos seguidores fanáticos de Aladino Félix, o grupo executou 14
atentados a bomba, furtou dinamites de pedreiras e armas da própria corporação,
além de praticar pelo menos um assalto a banco, plenamente esclarecido. Foram
os pioneiros do terrorismo, e os responsáveis pela maioria das ações
terroristas registradas no período – um total de 17 das 32 contabilizadas pelos
órgãos policiais.
- Para ler o
artigo na íntegra, clique aqui:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/02/politica/1538488463_222527.html
agência de notícias
anarquistas-ana
Entre haicais e
chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.
Súbita inspiração:
Um trovão.
Sílvia Rocha
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/04/atentados-de-direita-fomentaram-ai-5/
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
[Cuiabá-MT] Conjuntura Política Brasileira, Farsa Eleitoral e Anarquismo – por A.N.A.
[Cuiabá-MT]
Conjuntura Política Brasileira, Farsa Eleitoral e Anarquismo
Onde: Associação dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso (em frente ao Hospital Veterinário.)
FB: https://www.facebook.com/events/283299425600375/
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/09/05/cuiaba-mt-conjuntura-politica-brasileira-farsa-eleitoral-e-anarquismo/

A Coordenação Anarquista Brasileira – CAB convida a todas e
todos para o Ato Público e Debate sobre o tema “Conjuntura Política
Brasileira, Farsa Eleitoral e Anarquismo“, onde serão apresentadas as análises,
perspectivas e propostas do anarquismo especifista em relação ao nosso atual
momento político.
Quando: 8 de setembro, às 18h30.Onde: Associação dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso (em frente ao Hospital Veterinário.)
Rusga Libertária – MT
Blog/Site: www.rusgalibertaria.noblogs.orgFB: https://www.facebook.com/events/283299425600375/
agência de notícias anarquistas-ana
Sozinho na casa.
Lá fora o canto das cigarras.
Ah se não fossem elas…
Anibal BeçaAh se não fossem elas…
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/09/05/cuiaba-mt-conjuntura-politica-brasileira-farsa-eleitoral-e-anarquismo/
Tragédia no Museu Nacional - por Jota Camelo
Fonte: https://www.facebook.com/jotacamelocharges/?hc_ref=ARRdeIcDh2zID1P6BTw2yA9eckkOLfJ3qJMjWZxuh1Hl1T3Mv01JGYURxkouFH7YE78&fref=nf&__xts__[0]=68.ARD1OD2AogTvKZg_y_ngnXMeeEsJej9gncTdGqIszPcUtal4QQpjRXYolCUDmAH13tc2bC2w1qOvkW7BcFJdM8nYcMLGb7x0sADkp7WwXpsDaRRxN3tquDjPPq9MgocXbsvqkhSRb-Rm8CMGwWVEAslX_H9kX7c-_ye_waMu8OvQ1et-XbvMCw&__tn__=kC-R
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
São Paulo – VII Festival do Filme Anarquista e Punk de SP acontece em dezembro – por A.N.A.
São Paulo – VII Festival do Filme Anarquista e Punk de SP
acontece em dezembro
Español
Llegamos ahora en el setimo año de nuestro Festival de Cine Anarquistra y Punk de São Paulo – Brazil, y una vez más invitamos al envio de peliculas para proyección el 1 y 2 de deciembre, 2018 en Ponto de Cultura Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta). Tienes un proyecto hazlx-tu-mismx de audiovisual? Has hecho una pelicula sobre punk y/o anarkismo? Piensas el audiovisual como una importante herramienta para nuestras luchas? Para inscribirse y compartir tu producción, basta rellenar el formulario disponible en anarcopunk.org/festival:
Conteúdos relacionados:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/02/04/ja-esta-disponivel-para-download-o-primeiro-numero-do-zine-anarquismo-e-audiovisual/
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/16/confira-a-programacao-da-sexta-edicao-do-festival-do-filme-anarquista-e-punk-de-sp/
Em sua sétima edição, o Festival do Filme Anarquista e Punk
de São Paulo abre inscrições para o envio de filmes. O evento ocorre no início
de dezembro, dias 1 e 2. Confira a seguir a chamada em português, english e
español.
Português
Chegamos ao sétimo ano do Festival do Filme Anarquista e
Punk de São Paulo, e mais uma vez convidamos para envio de filmes para compor a
mostra, que será nos dias 1 e 2 de dezembro de 2018 em São Paulo, no Ponto de
Cultura Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta)! Você tem um
projeto faça-você-mesmx de audiovisual? Fez um filme relacionado a punk e/ou
anarquismo em suas mais diversas expressões? Pensa no audiovisual como uma
ferramenta importante para nossas lutas? Para participar e compartilhar sua
produção é só se inscrever no formulário disponível em anarcopunk.org/festival:
English
We are now in the seventh year of our Anarchist and Punk
Film Festival, in São Paulo – Brazil, and one more time we´re inviting you to
send movies to screening during 1nd and 2rd december, 2018 in Ponto de Cultura
Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta). Do you have an DIY
audiovisual project? Do you made a film related to punk and/or anarchism in its
several expressions? Are you thinking in audiovisual as an important tool to
our struggles? To take part of our Festival and share your production, is just
submit your film in the form available in anarcopunk.org/festival:Español
Llegamos ahora en el setimo año de nuestro Festival de Cine Anarquistra y Punk de São Paulo – Brazil, y una vez más invitamos al envio de peliculas para proyección el 1 y 2 de deciembre, 2018 en Ponto de Cultura Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta). Tienes un proyecto hazlx-tu-mismx de audiovisual? Has hecho una pelicula sobre punk y/o anarkismo? Piensas el audiovisual como una importante herramienta para nuestras luchas? Para inscribirse y compartir tu producción, basta rellenar el formulario disponible en anarcopunk.org/festival:
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/02/04/ja-esta-disponivel-para-download-o-primeiro-numero-do-zine-anarquismo-e-audiovisual/
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/16/confira-a-programacao-da-sexta-edicao-do-festival-do-filme-anarquista-e-punk-de-sp/
agência de notícias anarquistas-ana
Galhos desfolhados.
Árvore seca anuncia:
O inverno chegou.
O inverno chegou.
Josete Maria Vichineski
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/27/sao-paulo-sp-vii-festival-do-filme-anarquista-e-punk-de-sp-acontece-em-dezembro/
terça-feira, 28 de agosto de 2018
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
PM Press: Dez anos de Molotovs Literários - por Craig O’Hara – A.N.A.
PM Press: Dez anos de Molotovs Literários
The Fifth Estate | Verão de 2018
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/17/eua-pm-press-dez-anos-de-molotovs-literarios/
PM Press, com sede na Bay Area, celebrou seu aniversário de
10 anos de publicações no mês de maio com uma festa badalada em Oakland,
Califórnia, onde a equipe, autores e fãs gargalharam com um esquete cômico de
política, quebraram um drone de entregas da Amazon e dançaram a noite toda ao
som de punk rock.
A PM foi fundada no fim de 2007 por um pequeno grupo de pessoas com décadas de experiências em publicação, mídia e organização. No início nos esforçamos para criar e distribuir áudios, vídeos e textos radicais lançados através de todas as vias disponíveis e formatos possíveis. Fiel a uma variação do nosso nome, “Print Matters” (Matérias Impressas), somos tendenciosos a favor de livros impressos como o melhor formato para transmitir ideias sobre mudança social.
PM Press nunca teve um bestseller no [jornal] New York Times, e você nunca vai achar uma resenha sobre algum de nossos livros em suas páginas. Não faz parte da equação financeira para pequenas publicações alcançar o mainstream vendendo milhões de cópias por cada títulos, mesmo que tenhamos vendido milhões de livros no total, um de cada vez, cara a cara.
Eventos como feira de livros anarquistas e a existência de livrarias radicais são extremamente necessários para expor o trabalho da PM pelo mundo. Nós organizamos, promovemos ou participamos de 370 eventos de autores e 200 exposições de mesas em 2017, por conta própria. A PM é, atualmente, gerenciada por uma equipe de 10 pessoas; a maioria espalhada pela Costa Oeste, outros trabalhando em Rockies, Appalachia, New England, Montreal e no Reino Unido. Após anos de trabalho voluntário, somos capazes de pagar salários produzindo 30 títulos a cada ano, por meio de grandes vendas, ultrapassando um milhão de dólares. E assim como a [revista-jornal] Fifth Estate, PM acaba de celebrar seu 400º lançamento.
Existe uma redução no número de pessoas interessadas nos textos anarquistas históricos em 2018, que há tempos vem sendo líderes do movimento. Enquanto o anarquismo é um tópico de estudo intelectual e debate nas universidades, um discurso desfalcado também ocupa lugar por além das comunidades pobres e da classe trabalhadora que estimularam o movimento nos séculos 19 e 20.
Um dos nossos trabalhos como editores anarquistas, é introduzir a política histórica do anarquismo – auto-organização ativa, promoção da igualdade, oposição a hierarquia, o Estado, e organizações religiosas – nos movimentos, meios e mídias. O anarquismo está sempre do lado do oprimido. Nunca deseja o respeito do mainstream.
Temos um leque grande o suficiente para fazermos parte de discussões com diferentes culturas e experiências, de presos políticos a roqueiros punks, cientistas sociais a cartunistas.
Entre nossos bestsellers, estão livros como Sisters of the Revolution: A Feminist Speculative Fiction Anthology, o colorido Understanding Jim Crow: Using Racist Memorabilia to Teach Tolerance and Promote Social Justice, e o livro de história da Virginia Ocidental Gun Thugs, Rednecks, and Radicals, tapa as lacunas entre os apoiadores das publicações anarquistas, aqueles envolvidos com ativismo de justiça social de base, escritores profissionais e educadores fazendo seus melhores trabalhos em suas áreas.
Com o ritmo em que os editores independentes trabalham, vender 3 mil cópias por ano faz dele um bestseller. No entanto, um conjunto único de literaturas anarquistas, incluindo obras sobre a CNT na Revolução Espanhola, coleções do trabalho do filósofo alemão, Gustav Landauer, e livros dos ativistas britânicos Stuart Christie ou Colin Ward, talvez, não vendam 100 edições ao todo.
Muitos dos problemas atuais em ser um editor independente são os mesmos de décadas atrás. Os custos da produção de um livro – papel, frete, armazenamento, propaganda, distribuição – são preocupações do cotidiano. E poucos querem fazer o trabalho sem glamour e fisicamente exigente de armazenagem, ou gastar anos aprendendo habilidades altamente detalhadas de revisão, indexação e design de livros para projetos que raramente vão gerar lucros.
Entretanto, incontáveis escritores, artistas e ativistas enviam mais manuscritos e propostas do que a PM poderia publicar. Se uma dezena de editores independentes se juntassem para publicar esses textos, em todos os formatos e gêneros, eles teriam muito trabalho pela frente.
Livros antiautoritarismo atrai atenção no movimento anarquista moderno, mas construir alternativas eficientes para o capitalismo é o que devemos fazer, e não apenas lançar livros. As ideias e os exemplos nesses livros devem inspirar os criadores de bibliotecas comunitárias, grupos de cultivo e compartilhamento de comida, lares de cuidados para crianças e idosos não capitalistas, associações de apoio a presidiários – e claro, eventualmente, revoluções.
Veja livros e camisetas da PM em pmpress.org
Craig O’Hara, cofundador da PM Press, passou 25 anos editando e vendendo livros radicais para lojas, em feira de livros, conferências, shows de rock, mercados de pulgas e encontros anarquistas.
A PM foi fundada no fim de 2007 por um pequeno grupo de pessoas com décadas de experiências em publicação, mídia e organização. No início nos esforçamos para criar e distribuir áudios, vídeos e textos radicais lançados através de todas as vias disponíveis e formatos possíveis. Fiel a uma variação do nosso nome, “Print Matters” (Matérias Impressas), somos tendenciosos a favor de livros impressos como o melhor formato para transmitir ideias sobre mudança social.
PM Press nunca teve um bestseller no [jornal] New York Times, e você nunca vai achar uma resenha sobre algum de nossos livros em suas páginas. Não faz parte da equação financeira para pequenas publicações alcançar o mainstream vendendo milhões de cópias por cada títulos, mesmo que tenhamos vendido milhões de livros no total, um de cada vez, cara a cara.
Eventos como feira de livros anarquistas e a existência de livrarias radicais são extremamente necessários para expor o trabalho da PM pelo mundo. Nós organizamos, promovemos ou participamos de 370 eventos de autores e 200 exposições de mesas em 2017, por conta própria. A PM é, atualmente, gerenciada por uma equipe de 10 pessoas; a maioria espalhada pela Costa Oeste, outros trabalhando em Rockies, Appalachia, New England, Montreal e no Reino Unido. Após anos de trabalho voluntário, somos capazes de pagar salários produzindo 30 títulos a cada ano, por meio de grandes vendas, ultrapassando um milhão de dólares. E assim como a [revista-jornal] Fifth Estate, PM acaba de celebrar seu 400º lançamento.
Existe uma redução no número de pessoas interessadas nos textos anarquistas históricos em 2018, que há tempos vem sendo líderes do movimento. Enquanto o anarquismo é um tópico de estudo intelectual e debate nas universidades, um discurso desfalcado também ocupa lugar por além das comunidades pobres e da classe trabalhadora que estimularam o movimento nos séculos 19 e 20.
Um dos nossos trabalhos como editores anarquistas, é introduzir a política histórica do anarquismo – auto-organização ativa, promoção da igualdade, oposição a hierarquia, o Estado, e organizações religiosas – nos movimentos, meios e mídias. O anarquismo está sempre do lado do oprimido. Nunca deseja o respeito do mainstream.
Temos um leque grande o suficiente para fazermos parte de discussões com diferentes culturas e experiências, de presos políticos a roqueiros punks, cientistas sociais a cartunistas.
Entre nossos bestsellers, estão livros como Sisters of the Revolution: A Feminist Speculative Fiction Anthology, o colorido Understanding Jim Crow: Using Racist Memorabilia to Teach Tolerance and Promote Social Justice, e o livro de história da Virginia Ocidental Gun Thugs, Rednecks, and Radicals, tapa as lacunas entre os apoiadores das publicações anarquistas, aqueles envolvidos com ativismo de justiça social de base, escritores profissionais e educadores fazendo seus melhores trabalhos em suas áreas.
Com o ritmo em que os editores independentes trabalham, vender 3 mil cópias por ano faz dele um bestseller. No entanto, um conjunto único de literaturas anarquistas, incluindo obras sobre a CNT na Revolução Espanhola, coleções do trabalho do filósofo alemão, Gustav Landauer, e livros dos ativistas britânicos Stuart Christie ou Colin Ward, talvez, não vendam 100 edições ao todo.
Muitos dos problemas atuais em ser um editor independente são os mesmos de décadas atrás. Os custos da produção de um livro – papel, frete, armazenamento, propaganda, distribuição – são preocupações do cotidiano. E poucos querem fazer o trabalho sem glamour e fisicamente exigente de armazenagem, ou gastar anos aprendendo habilidades altamente detalhadas de revisão, indexação e design de livros para projetos que raramente vão gerar lucros.
Entretanto, incontáveis escritores, artistas e ativistas enviam mais manuscritos e propostas do que a PM poderia publicar. Se uma dezena de editores independentes se juntassem para publicar esses textos, em todos os formatos e gêneros, eles teriam muito trabalho pela frente.
Livros antiautoritarismo atrai atenção no movimento anarquista moderno, mas construir alternativas eficientes para o capitalismo é o que devemos fazer, e não apenas lançar livros. As ideias e os exemplos nesses livros devem inspirar os criadores de bibliotecas comunitárias, grupos de cultivo e compartilhamento de comida, lares de cuidados para crianças e idosos não capitalistas, associações de apoio a presidiários – e claro, eventualmente, revoluções.
Veja livros e camisetas da PM em pmpress.org
Craig O’Hara, cofundador da PM Press, passou 25 anos editando e vendendo livros radicais para lojas, em feira de livros, conferências, shows de rock, mercados de pulgas e encontros anarquistas.
Tradução: Lucas Insuela
agência de notícias anarquistas-ana
A cada diaagência de notícias anarquistas-ana
um renascer mais profundo
agarra-se à vida
António Barroso Cruzagarra-se à vida
The Fifth Estate | Verão de 2018
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
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