Coronavírus, por Raoul Vaneigem
Questionar o perigo do coronavírus é certamente absurdo. Por
outro lado, não seria igualmente absurdo o fato de que a interrupção da
disseminação das infecções e doenças leve a uma exploração emocional das
pessoas e desperte ainda mais a incompetência e a arrogância que já aconteceu
nos tempos de guerra nuclear na Europa que se dizia que a nuvem vinda de Chernobyl
tinha sido “barrada” na fronteira da França? Certamente, sabemos com que
facilidade o fantasma do apocalipse sai de seu esconderijo para capturar o
primeiro cataclismo que ocorre e para brincar com as imagens do dilúvio
universal e para levar à culpa ao solo estéril de Sodoma e Gomorra.
A maldição divina foi um complemento útil ao poder. Pelo
menos até o terremoto de Lisboa de 1755, quando o marquês de Pombal, amigo de
Voltaire, aproveitou o terremoto para massacrar os jesuítas, reconstruir a
cidade de acordo com suas ideias e liquidar com alegria seus rivais políticos
através de testes “proto-estalinistas”. Não vamos a insultar Pombal, por mais
odioso que seja, ao comparar seu golpe de estado ditatorial com as miseráveis
medidas que o totalitarismo democrático atual aplica em todo o mundo à epidemia
de coronavírus.
É muito cinismo culpar a disseminação da pandemia pela
deplorável insuficiência dos recursos médicos utilizados! Durante décadas, o
bem público foi esquecido e o setor hospitalar foi vítima de uma política que
favorece interesses financeiros em detrimento à saúde dos cidadãos. Sempre há
mais dinheiro para bancos e muito menos leitos e profissionais da saúde nos
hospitais. Quais palhaçadas esconderão ainda mais sob o fato de que a gestão
catastrófica, do que já é catastrofismo, é inerente ao capitalismo financeiro
que é globalmente dominante; e que hoje luta globalmente em nome da vida, do
planeta e das espécies a serem salvas.
Sem cair no ressurgimento do castigo divino, que é a ideia
de que a Natureza se livra do Homem como um verme indesejável e prejudicial,
não é inútil se lembrar que, por milênios, a exploração da natureza humana e da
natureza terrestre impôs o dogma do anti-físico, da anti-natureza. O
livro de Éric Postaire ‘Les Épidémies Du XXIe siècle’, publicado em 1997,
confirma os efeitos desastrosos da desnaturalizão persistente, que venho
denunciando há décadas. Referindo-se ao drama das “vacas loucas” (previsto por
Rudolf Steiner já em 1920), o autor nos lembra que, além de estarmos indefesos
contra certas doenças, percebemos que o próprio progresso científico pode
causá-las. Em seu apelo por uma abordagem responsável das epidemias e seu
tratamento, ele incrimina o que o prefeito Claude Gudin chama de “filosofia da
caixa registrado”. Faz a seguinte pergunta: “Se subordinarmos a saúde da
população às leis de benefício, a ponto de transformar animais herbívoros em
carnívoros, não correremos o risco de causar catástrofes que seriam fatais para
a Natureza e a Humanidade? Os governos, como sabemos, já responderam com um SIM
unânime. Qual a importância disso já que o NÃO dos interesses financeiros
continua a triunfar cinicamente?
O coronavírus foi necessário para demonstrar de maneira mais
estreita que a desnaturalizão por razões de lucratividade tem consequências
desastrosas para a saúde de todas as pessoas, saúde gerenciada sem desarmar a
uma Organização Mundial cujas preciosas estatísticas explicam o desaparecimento
de hospitais públicos? Existe uma clara correlação entre o coronavírus e o
colapso do capitalismo global. Ao mesmo tempo, não é menos óbvio que o que está
encobrindo e esmagando a epidemia de coronavírus é uma praga emocional, um medo
histérico, um pânico que esconde a falta de tratamento e perpetua o mal ao
assustar o paciente. Durante as grandes epidemias de pestes do passado, as
pessoas faziam penitencia e se autoflagelavam para retirarem suas culpas.
Não interessam aos gestores da desumanização global convencer as pessoas de que
não há como escapar do destino miserável que lhes é imposto? Que tudo o que
resta é o flagelo da servidão voluntária? A formidável máquina da mídia repete
apenas repete a velha mentira do impenetrável e inescapável decreto celestial,
no qual o dinheiro louco substituiu os Deuses do passado, os quais eram
sedentos de sangue, instáveis e teimosos.
O desencadeamento da barbárie policial contra manifestantes
pacíficos demonstrou amplamente que a lei militar é a única coisa que funciona
efetivamente. Agora ela confina mulheres, homens e crianças à quarentena. Lá
fora, o caixão; dentro da televisão, a janela aberta em um mundo fechado! É um
condicionamento capaz de agravar o desconforto existencial, apoiando-se nas
emoções desgastadas pela angústia, exacerbando a cegueira de uma raiva
impotente.
Porém, mesmo a mentira dá lugar ao colapso geral. A
cretinice estatal e populista atingiu seus limites. Não se pode negar que um
experimento está sendo realizado. A desobediência civil está se espalhando e
sonhando com sociedades radicalmente novas porque são radicalmente humanas. A
solidariedade liberta a pele de ovelha individualista que cobria aos
indivíduos, os quais não têm mais medo de pensar por conta própria.
O coronavírus se tornou o sinal revelador da falência do
Estado. Pelo menos é algo que as vítimas de confinamento forçado devem pensar.
Quando publiquei minhas “Modestes propositions aux grévistes”, alguns amigos me
disseram como era difícil recorrer à recusa coletiva, que sugeri, para pagar
impostos e taxas. Agora, no entanto, a comprovada falência do Estado corrupto é
prova de um declínio econômico e social que está fazendo com que as pequenas e
médias empresas, o comércio local, os pequenos proprietários, os agricultores
familiares e até as chamadas profissões liberais absolutamente inadimplentes. O
colapso do Leviatã conseguiu nos convencer mais rápido do que nossas resoluções
para derrubá-lo.
O coronavírus fez ainda melhor. A cessação das atividades
produtivas reduziu a poluição do mundo, salva milhões de pessoas da morte
programada, a natureza respira, os golfinhos se divertem novamente na Sardenha,
os canais de Veneza purificados do turismo de massa encontram água limpa, a
bolsa de valores cai. A Espanha decide nacionalizar hospitais privados, como se
redescobrisse a seguridade social, como se o Estado se lembrasse do Estado de
bem-estar que ele mesmo destruiu.
Nada é dado como certo, tudo recomeça. A utopia continua
caminhando por quatro patas. Vamos abandonar à sua inanidade celestial os
bilhões de bilhetes e idéias vazias que circulam em nossas cabeças. O
importante é “fazer nosso próprio negócio”, deixando que a bolha dos negócios
se desfaça e imploda. Vamos tomar cuidado com a falta de ousadia e
autoconfiança em nós mesmos!
Nosso presente não é o confinamento que a sobrevivência nos
impõe, é a abertura a todas as possibilidades. É sob o efeito do pânico que o
Estado oligárquico é forçado a adotar medidas que ontem declarou serem
impossíveis. É o chamado da vida e da terra a serem restaurados que queremos
responder. Quarentena incentiva a reflexão. O confinamento não suprime a
presença da rua, ela a reinventa. Deixe-me pensar, com alguma ressalva, que a
insurreição da vida cotidiana tem insuspeitas virtudes terapêuticas.
Terça-feira, 17 de março de 2020
Raoul Vaneigem
Tradução > Uma Mulher Anarquista
Fonte: https://lundi.am/Coronavirus-Raoul-Vaneigem
agência de notícias anarquistas-ana
Borboleta grande
Balançando comigo
Na rede do quintal.
Letícia Carlim de Oliveira – 9 anos
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/31/franca-coronavirus-por-raoul-vaneigem/
terça-feira, 31 de março de 2020
quarta-feira, 18 de março de 2020
domingo, 15 de março de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
ALERTA! Um novo golpe contra Mumia Abu-Jamal – por A.N.A.
ALERTA! Um novo golpe contra Mumia Abu-Jamal
A Suprema Corte da Pensilvânia assume o controle do caso de Mumia Abu-Jamal.
Esta é sua resposta à petição para “alívio extraordinário” apresentada por Maureen Faulkner e a Ordem Fraternal da Polícia (FOP) o ano passado para bloquear as apelações de Mumia.
Nesta segunda-feira (27/02), a Suprema Corte do estado da Pensilvânia, um bastião direitista de racismo e corrupção, anunciou que designaria um ‘mestre especial’ para investigar se o Promotor progressista Larry Krasner tem um conflito de interesses no exercício do caso. Um porta-voz disse que a decisão final sobre o fundo da petição seria deferida até receber as recomendações do mestre.
Esclarecemos que Maureen é a viúva do policial branco Daniel Faulkner, assassinado em 9 de dezembro de 1981. Mumia foi injustamente condenado à morte por isto apesar de sua inocência. Passou quase três décadas no isolamento do corredor da morte.
Desde outubro de 2011, viveu em população geral com a sentença de prisão perpétua, lutando desde sua cela com suas palavras de resistência e solidariedade.
Cabe assinalar que Krasner originalmente havia rechaçado as apelações de Mumia, mas em setembro do ano passado deixou sua oposição e sua Promotoria aprovou uma audiência de provas para apresentar evidência favorável a Mumia que havia sido suprimida. Com isto, Faulkner e a FOP começaram a atacá-lo.
Em apoio a sua solicitação, os inimigos principais de Mumia fizeram o ridículo argumento que Krasner era um advogado que representava os movimentos sociais e que defendeu os manifestantes detidos por agressão à polícia e vandalismo durante a Convenção Nacional Republicana de 2000 na Filadélfia. Os manifestantes no momento também mostraram seu apoio para Mumia, pedindo sua liberdade da prisão.
Por isso, disseram Maureen e a FOP, Krasner mostrava um conflito de interesses no caso de Mumia.
Um porta-voz da Promotoria respondeu que estes argumentos não tem sentido e contêm falácias na lógica.
Os inimigos de Mumia sempre fizeram todo o possível para assassiná-lo de uma maneira ou de outra. Perderam todas as suas apelações recentes e esta nova manobra é um esforço a mais para assegurar que morra na prisão.
Para nós, Mumia é uma inspiração – mestre, jornalista, historiador, analista, companheiro e irmão amado. Agora redobraremos nossos esforços para ganhar sua liberdade!
FREE MUMIA NOW!
MUMIA LIVRE JÁ!
Tradução > Sol de Abril
Conteúdo relacionado:
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/11/eua-mumia-abu-jamal/
agência de notícias anarquistas-ana
tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis
Rosa Clement
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/27/eua-alerta-um-novo-golpe-contra-mumia-abu-jamal/
A Suprema Corte da Pensilvânia assume o controle do caso de Mumia Abu-Jamal.
Esta é sua resposta à petição para “alívio extraordinário” apresentada por Maureen Faulkner e a Ordem Fraternal da Polícia (FOP) o ano passado para bloquear as apelações de Mumia.
Nesta segunda-feira (27/02), a Suprema Corte do estado da Pensilvânia, um bastião direitista de racismo e corrupção, anunciou que designaria um ‘mestre especial’ para investigar se o Promotor progressista Larry Krasner tem um conflito de interesses no exercício do caso. Um porta-voz disse que a decisão final sobre o fundo da petição seria deferida até receber as recomendações do mestre.
Esclarecemos que Maureen é a viúva do policial branco Daniel Faulkner, assassinado em 9 de dezembro de 1981. Mumia foi injustamente condenado à morte por isto apesar de sua inocência. Passou quase três décadas no isolamento do corredor da morte.
Desde outubro de 2011, viveu em população geral com a sentença de prisão perpétua, lutando desde sua cela com suas palavras de resistência e solidariedade.
Cabe assinalar que Krasner originalmente havia rechaçado as apelações de Mumia, mas em setembro do ano passado deixou sua oposição e sua Promotoria aprovou uma audiência de provas para apresentar evidência favorável a Mumia que havia sido suprimida. Com isto, Faulkner e a FOP começaram a atacá-lo.
Em apoio a sua solicitação, os inimigos principais de Mumia fizeram o ridículo argumento que Krasner era um advogado que representava os movimentos sociais e que defendeu os manifestantes detidos por agressão à polícia e vandalismo durante a Convenção Nacional Republicana de 2000 na Filadélfia. Os manifestantes no momento também mostraram seu apoio para Mumia, pedindo sua liberdade da prisão.
Por isso, disseram Maureen e a FOP, Krasner mostrava um conflito de interesses no caso de Mumia.
Um porta-voz da Promotoria respondeu que estes argumentos não tem sentido e contêm falácias na lógica.
Os inimigos de Mumia sempre fizeram todo o possível para assassiná-lo de uma maneira ou de outra. Perderam todas as suas apelações recentes e esta nova manobra é um esforço a mais para assegurar que morra na prisão.
Para nós, Mumia é uma inspiração – mestre, jornalista, historiador, analista, companheiro e irmão amado. Agora redobraremos nossos esforços para ganhar sua liberdade!
FREE MUMIA NOW!
MUMIA LIVRE JÁ!
Tradução > Sol de Abril
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Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/27/eua-alerta-um-novo-golpe-contra-mumia-abu-jamal/
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
Delbert Africa Livre! – por Mumia Abu-Jamal
Delbert Africa Livre!
O membro do MOVE Delbert Africa, encarcerado desde o
confronto do 8 de agosto de 1978, saiu de uma prisão no estado da Pensilvânia
após 42 anos.
Assim que saiu, Delbert, aos 69 anos, encontrou-se com
outros membros da Organização MOVE: Ramona, Pam, Janet, Janine, Mo, Mary,
Carlos e Consuelo Africa, que o receberam com um coro forte de ‘Viva John
Africa” e saudações do MOVE. Del estava animado e de bom humor, contando piadas
e comendo bolos.
O 8 de agosto de 1978 foi um dia infame pelo ataque à casa
coletiva do MOVE na comunidade Powelton Village, no oeste da Filadélfia.
Centenas de policiais dispararam milhares de balas contra a casa onde homens,
mulheres, meninas e meninos estavam no porão. Então eles jogaram canhões de
jatos de água, e o pessoal do MOVE teve que lutar para permanecer vivo naquele
lugar e não morrer afogado.
Ao sair da casa, Delbert foi espancado com fuzis por vários
policiais, pisoteado e brutalmente chutado.
Quando alguns dos policiais foram acusados de agredir Del,
eles não tinham com o que se preocupar. O juiz Stanley Kubacki ignorou os
vídeos do ataque e os livrou, mencionando, entre outras coisas, os músculos de
Delbert para justificar o espancamento.
Ironicamente, um dos policiais poderia ter tido mais sorte
se ele fosse mandado para a prisão, porque várias semanas após o julgamento,
sua própria esposa, também policial, atirou nele, deixando-o paralítico.
Delbert Africa, membro do MOVE, agora caminha livre após
passar 42 anos na prisão.
Desde a nação encarcerada, sou Mumia Abu-Jamal.
Segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
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Luz do luar –
As águas brilhando
no véu da cachoeira!
As águas brilhando
no véu da cachoeira!
Bruno Mateus da Silva Castanheira – 10 anos
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/05/eua-delbert-africa-livre/
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
domingo, 22 de dezembro de 2019
Os 10 anarquistas mais marcantes da história e seus pensamentos – por André Nogueira
Os 10 anarquistas mais marcantes da história e seus pensamentos
De Bakunin a Nechayev, o movimento anarquista possui correntes diferentes e até opostas, mas o objetivo ainda é uma sociedade sem Estado e desigualdades.
Uma das mais radicais ideologias de esquerda, o anarquismo visa, principalmente, o fim de todo e qualquer tipo de dominação. Críticos ferrenhos do capitalismo e do próprio Estado, os anarquistas tem como horizonte uma sociedade baseada na auto-gestão e na cooperação entre seus integrantes. Para alcançá-la, porém, teóricos do movimento discordam e concordam entre si, criando diferentes vertentes dentro da ideologia revolucionária.
Conheça alguns dos principais nomes do anarquismo no mundo.
1. Piotr Kropotkin – Anarco-comunismo
Nascido numa abastada família nobre da Rússia, Kropotkin (1842-1921) é considerado por muitos o fundador do anarco-comunismo pacifista. Geógrafo, tinha uma visão racionalista e organizada do anarquismo, em que a violência e os símbolos do anarquismo, como a bandeira negra e a caveira, deveriam ser deixados de lado.
De tendências mutualistas, o anarquista russo abominava a violência e acreditava num mundo sem desigualdades baseado na dissolução do Estado e na cooperação voluntária e mútua entre homens livres, onde o salário não seria relevante e as ações sociais se pautassem na necessidade popular.
2. Pierre-Joseph Proudhon – Mutualismo
Também ligado ao pacifismo, Proudhon (1809-1865) foi economista e teórico político que carregava uma descrença na revolução violenta, creditando a desobediência civil como método correto. Como um dos fundamentadores de termos básicos do anarquismo, (mutualismo, cooperativas de crédito e federalismo) ele foi um dos primeiros a se autodeclarar anarquista, sendo chamado de socialista utópico por Marx, de quem foi próximo.
Proudhon escreveu diversos textos sobre a propriedade privada, chegando à famosa frase “A propriedade é um roubo!”. De tendências pragmáticas, sua ideologia seguiu o objetivo de encontrar alternativas cabíveis à realidade capitalista, defendendo a criação de cooperativas e um banco operário. Entretanto, suas obras não sobreviveram as oposições do próprio movimento.
3. Mikhail Bakunin – Coletivismo
Um dos maiores nomes do anarquismo, o revolucionário russo tinha como principio norteador a noção de liberdade, onde os militantes de esquerda deveriam lutar sem cair na armadilha de se tornarem os próximos tiranos. Assim, teve uma forte desavença com Marx, seu amigo pessoal, criticando o autoritarismo da proposta socialista.
Sua principal contribuição foi a conceitualização de coletividade, que é vista por ele como elemento essencial da liberdade. Na visão coletivista, que é bastante crítica a Proudhon, indivíduo e a sociedade são categorias defensáveis e com relações, e Bakunin (1814-1876) propõe uma análise dialética que permita o entendimento da sociedade capitalista com o objetivo de destruir o Estado e a propriedade privada.
4. Lev Tolstoi – Anarquismo cristão
Entrando para a História como um dos maiores escritores da Rússia e do mundo, Tolstói (1828-1910) foi também um teórico do anarquismo. Partindo de uma teologia política, ele acreditava que a corrente, como realidade social sem desigualdades e baseada na humanização das relações, era um elemento básico para a leitura dos Evangelhos.
A singularidade do russo está na superação da esquerda cristã do século 19, que defendia o fim das estruturas sem citar alternativas, enquanto Tolstói era a favor do fim da sociedade ortodoxa com o objetivo de atingir um Governo Soberano de Deus, com princípios anarquistas. Pacifista vegano, ele entendia que um dos principais problemas da Rússia era a dominação da população civil por um Estado fundido à Igreja.
5. Errico Malatesta – Voluntarismo
Com mais de 60 anos de militância anarquista, é difícil estabelecer o pensamento conciso do autor. Um dos principais elementos necessários é: Malatesta, que era essencialmente pragmático. Não tinha o objetivo de ser um teórico da política, ele foi um importante agente político em favor de greves e insurgências na Itália.
Defensor da noção pura de anarquismo, ele defendia não só o fim do Estado, mas o fim dos governos e, portanto, da ordem padronizada. A sociedade anarquista seria baseada na ação voluntária.
Negando as correntes hiper-racionalistas e futuristas no anarquismo, Malatesta defendia que é impossível se fundamentar uma sociedade sem moral, e que ela não deveria ser um alvo em si dos anarquistas. Ou seja, mais do que querer um mundo sem moral, era necessário extinguir a moral burguesa e fundamentar uma comunidade em que todos seriam legitimados pela cooperação interna dela.
6. José Oiticica – Anarquismo no Brasil
Mais conhecido como um profissional das letras do que teórico do anarquismo, Oiticica (1882-1957) entrou para a História do Brasil por suas atuações em São Paulo em nome da melhoria da vida dos trabalhadores e a criação de uma comunidade autônoma e igualitária.
Deixou sua marca durante a Greve Geral de 1918, inspirada na Revolução Russa. Além disso, foi jornalista, dramaturgo e poeta, criando e mantendo veículos que difundiam arte e discussões políticas do anarquismo.
Oiticica também tem relevância na História da Educação, pois foi um dos principais nomes da organização das Escolas Anarquistas do ABC, em que uniu as necessidades populares dos operários a quem ensinava com os princípios da sociabilidade anticapitalista, desenvolvendo um projeto de ensino e alfabetização verdadeiramente revolucionário.
7. Sergey Nechayev – Anarquismo Niilista
Um dos nomes mais renegados do anarquismo, Nechayev (1847-1882) integrou a uma espécie de escola conhecida como Anarquismo Niilista, que ao mesmo tempo em que não via sentido inexorável em nenhuma instância da vida, também negava uma forma única e funcional de realizar uma revolução. Para ele, a ordem era: fomentar a mudança utilizando qualquer meio necessário. Ou seja, violência política e terrorismo eram opções.
8. Emma Goldman – Anarcafeminismo
Nascida na Lituânia, Goldman (1869-1940) foi uma importante fomentadora de movimentos trabalhistas na América do Norte e creditada pela relevante união entre anarquismo e feminismo. Escreveu sobre temas diversos, como o capitalismo, as prisões, liberdade de expressão, aborto e contracepção, militarismo, casamento, amor livre, educação e homossexualidade. Sempre carregava um livro consigo, sabendo da possibilidade de ser injustamente presa.
Uma das pioneiras da luta pela emancipação das mulheres nos EUA e Canadá, ela é responsável por diversos ensaios e conferências que reuniam milhares de pessoas. Nunca separou a questão de gênero da questão de classe, associando sua luta de emancipação às questões sindicais, laborais e legais.
9. Buenaventura Durruti – Anarco-sindicalismo
Esse importante sindicalista espanhol foi um dos principais líderes da esquerda durante a resistência contra Franco na Guerra Civil Espanhola, comandando milhares de pessoas numa coluna que foi o maior agrupamento militar do período.
Um exímio crítico às estruturas engessadas da esquerda e ao pistoleirismo patronal das centrais sindicais espanholas, Durruti (1896-1936) destacando-se na Confederación Nacional del Trabajo, de caráter anarquista.
Seu papel operacional ganhou destaque na formação das milícias anarquistas que colaboraram com os republicanos no combate ao fascismo. Nunca escreveu nenhum tratado sobre o anarquismo e não se dedicou a uma teoria, mas sua atuação e seu legado são reconhecidos pelos grandes anarquistas, principalmente por ser de origem humilde, trabalhar como operário e organizar a insurgência armada.
10. Nestor Makhno – Plataformismo
O importante organizador militar da Ucrânia marcou a historia do anarquismo por seu confronto direto não apenas com os czaristas e conservadores, mas também com os antigos aliados comunistas durante a Guerra Civil Russa. Contra o autoritarismo de Lenin, comandou a Revolução Ucraniana, onde, a partir dos ideais anarco-comunistas, desenvolveu uma comunidade com pretensões igualitárias.
Quando foi exilado da Rússia, durante os expurgos bolcheviques, se deu conta do nível de desorganização de sua unidade, fazendo-o refletir e estabelecer a doutrina plataformista.
Segundo Makhno (1888-1934), faz-se necessário um nível organizativo e disciplinar sério para o sucesso do projeto anarquista, ou seja, a estruturação prática militar faz parte do projeto de emancipação, em que a unidade de libertação possui coesões ideológicas e de projeto, mas alguém dita as ordens táticas. “Fazer do anarquismo na luta de classes não uma questão episódica, mas um fator relevante”.
Saiba mais sobre anarquismo pelas obras abaixo:
1. Notas sobre o anarquismo, de Noam Chomsky – https://amzn.to/37LeH1V
2. Os Grandes escritos anarquistas, de George Woodcock – https://amzn.to/37KDB1C
3. História do Anarquismo, de Jean Préposiet – https://amzn.to/37IsshV
4. Anarquismo: O que significa?, de Emma Goldman – https://amzn.to/2qTyQ5g
Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos.phtml
agência de notícias anarquistas-ana
Som do vento, apenas…
E, na árvore, uma coruja —
Início de noite.
Marco Aurélio Goulart
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/19/os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos/
De Bakunin a Nechayev, o movimento anarquista possui correntes diferentes e até opostas, mas o objetivo ainda é uma sociedade sem Estado e desigualdades.
Uma das mais radicais ideologias de esquerda, o anarquismo visa, principalmente, o fim de todo e qualquer tipo de dominação. Críticos ferrenhos do capitalismo e do próprio Estado, os anarquistas tem como horizonte uma sociedade baseada na auto-gestão e na cooperação entre seus integrantes. Para alcançá-la, porém, teóricos do movimento discordam e concordam entre si, criando diferentes vertentes dentro da ideologia revolucionária.
Conheça alguns dos principais nomes do anarquismo no mundo.
1. Piotr Kropotkin – Anarco-comunismo
Nascido numa abastada família nobre da Rússia, Kropotkin (1842-1921) é considerado por muitos o fundador do anarco-comunismo pacifista. Geógrafo, tinha uma visão racionalista e organizada do anarquismo, em que a violência e os símbolos do anarquismo, como a bandeira negra e a caveira, deveriam ser deixados de lado.
De tendências mutualistas, o anarquista russo abominava a violência e acreditava num mundo sem desigualdades baseado na dissolução do Estado e na cooperação voluntária e mútua entre homens livres, onde o salário não seria relevante e as ações sociais se pautassem na necessidade popular.
2. Pierre-Joseph Proudhon – Mutualismo
Também ligado ao pacifismo, Proudhon (1809-1865) foi economista e teórico político que carregava uma descrença na revolução violenta, creditando a desobediência civil como método correto. Como um dos fundamentadores de termos básicos do anarquismo, (mutualismo, cooperativas de crédito e federalismo) ele foi um dos primeiros a se autodeclarar anarquista, sendo chamado de socialista utópico por Marx, de quem foi próximo.
Proudhon escreveu diversos textos sobre a propriedade privada, chegando à famosa frase “A propriedade é um roubo!”. De tendências pragmáticas, sua ideologia seguiu o objetivo de encontrar alternativas cabíveis à realidade capitalista, defendendo a criação de cooperativas e um banco operário. Entretanto, suas obras não sobreviveram as oposições do próprio movimento.
3. Mikhail Bakunin – Coletivismo
Um dos maiores nomes do anarquismo, o revolucionário russo tinha como principio norteador a noção de liberdade, onde os militantes de esquerda deveriam lutar sem cair na armadilha de se tornarem os próximos tiranos. Assim, teve uma forte desavença com Marx, seu amigo pessoal, criticando o autoritarismo da proposta socialista.
Sua principal contribuição foi a conceitualização de coletividade, que é vista por ele como elemento essencial da liberdade. Na visão coletivista, que é bastante crítica a Proudhon, indivíduo e a sociedade são categorias defensáveis e com relações, e Bakunin (1814-1876) propõe uma análise dialética que permita o entendimento da sociedade capitalista com o objetivo de destruir o Estado e a propriedade privada.
4. Lev Tolstoi – Anarquismo cristão
Entrando para a História como um dos maiores escritores da Rússia e do mundo, Tolstói (1828-1910) foi também um teórico do anarquismo. Partindo de uma teologia política, ele acreditava que a corrente, como realidade social sem desigualdades e baseada na humanização das relações, era um elemento básico para a leitura dos Evangelhos.
A singularidade do russo está na superação da esquerda cristã do século 19, que defendia o fim das estruturas sem citar alternativas, enquanto Tolstói era a favor do fim da sociedade ortodoxa com o objetivo de atingir um Governo Soberano de Deus, com princípios anarquistas. Pacifista vegano, ele entendia que um dos principais problemas da Rússia era a dominação da população civil por um Estado fundido à Igreja.
5. Errico Malatesta – Voluntarismo
Com mais de 60 anos de militância anarquista, é difícil estabelecer o pensamento conciso do autor. Um dos principais elementos necessários é: Malatesta, que era essencialmente pragmático. Não tinha o objetivo de ser um teórico da política, ele foi um importante agente político em favor de greves e insurgências na Itália.
Defensor da noção pura de anarquismo, ele defendia não só o fim do Estado, mas o fim dos governos e, portanto, da ordem padronizada. A sociedade anarquista seria baseada na ação voluntária.
Negando as correntes hiper-racionalistas e futuristas no anarquismo, Malatesta defendia que é impossível se fundamentar uma sociedade sem moral, e que ela não deveria ser um alvo em si dos anarquistas. Ou seja, mais do que querer um mundo sem moral, era necessário extinguir a moral burguesa e fundamentar uma comunidade em que todos seriam legitimados pela cooperação interna dela.
6. José Oiticica – Anarquismo no Brasil
Mais conhecido como um profissional das letras do que teórico do anarquismo, Oiticica (1882-1957) entrou para a História do Brasil por suas atuações em São Paulo em nome da melhoria da vida dos trabalhadores e a criação de uma comunidade autônoma e igualitária.
Deixou sua marca durante a Greve Geral de 1918, inspirada na Revolução Russa. Além disso, foi jornalista, dramaturgo e poeta, criando e mantendo veículos que difundiam arte e discussões políticas do anarquismo.
Oiticica também tem relevância na História da Educação, pois foi um dos principais nomes da organização das Escolas Anarquistas do ABC, em que uniu as necessidades populares dos operários a quem ensinava com os princípios da sociabilidade anticapitalista, desenvolvendo um projeto de ensino e alfabetização verdadeiramente revolucionário.
7. Sergey Nechayev – Anarquismo Niilista
Um dos nomes mais renegados do anarquismo, Nechayev (1847-1882) integrou a uma espécie de escola conhecida como Anarquismo Niilista, que ao mesmo tempo em que não via sentido inexorável em nenhuma instância da vida, também negava uma forma única e funcional de realizar uma revolução. Para ele, a ordem era: fomentar a mudança utilizando qualquer meio necessário. Ou seja, violência política e terrorismo eram opções.
8. Emma Goldman – Anarcafeminismo
Nascida na Lituânia, Goldman (1869-1940) foi uma importante fomentadora de movimentos trabalhistas na América do Norte e creditada pela relevante união entre anarquismo e feminismo. Escreveu sobre temas diversos, como o capitalismo, as prisões, liberdade de expressão, aborto e contracepção, militarismo, casamento, amor livre, educação e homossexualidade. Sempre carregava um livro consigo, sabendo da possibilidade de ser injustamente presa.
Uma das pioneiras da luta pela emancipação das mulheres nos EUA e Canadá, ela é responsável por diversos ensaios e conferências que reuniam milhares de pessoas. Nunca separou a questão de gênero da questão de classe, associando sua luta de emancipação às questões sindicais, laborais e legais.
9. Buenaventura Durruti – Anarco-sindicalismo
Esse importante sindicalista espanhol foi um dos principais líderes da esquerda durante a resistência contra Franco na Guerra Civil Espanhola, comandando milhares de pessoas numa coluna que foi o maior agrupamento militar do período.
Um exímio crítico às estruturas engessadas da esquerda e ao pistoleirismo patronal das centrais sindicais espanholas, Durruti (1896-1936) destacando-se na Confederación Nacional del Trabajo, de caráter anarquista.
Seu papel operacional ganhou destaque na formação das milícias anarquistas que colaboraram com os republicanos no combate ao fascismo. Nunca escreveu nenhum tratado sobre o anarquismo e não se dedicou a uma teoria, mas sua atuação e seu legado são reconhecidos pelos grandes anarquistas, principalmente por ser de origem humilde, trabalhar como operário e organizar a insurgência armada.
10. Nestor Makhno – Plataformismo
O importante organizador militar da Ucrânia marcou a historia do anarquismo por seu confronto direto não apenas com os czaristas e conservadores, mas também com os antigos aliados comunistas durante a Guerra Civil Russa. Contra o autoritarismo de Lenin, comandou a Revolução Ucraniana, onde, a partir dos ideais anarco-comunistas, desenvolveu uma comunidade com pretensões igualitárias.
Quando foi exilado da Rússia, durante os expurgos bolcheviques, se deu conta do nível de desorganização de sua unidade, fazendo-o refletir e estabelecer a doutrina plataformista.
Segundo Makhno (1888-1934), faz-se necessário um nível organizativo e disciplinar sério para o sucesso do projeto anarquista, ou seja, a estruturação prática militar faz parte do projeto de emancipação, em que a unidade de libertação possui coesões ideológicas e de projeto, mas alguém dita as ordens táticas. “Fazer do anarquismo na luta de classes não uma questão episódica, mas um fator relevante”.
Saiba mais sobre anarquismo pelas obras abaixo:
1. Notas sobre o anarquismo, de Noam Chomsky – https://amzn.to/37LeH1V
2. Os Grandes escritos anarquistas, de George Woodcock – https://amzn.to/37KDB1C
3. História do Anarquismo, de Jean Préposiet – https://amzn.to/37IsshV
4. Anarquismo: O que significa?, de Emma Goldman – https://amzn.to/2qTyQ5g
Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos.phtml
agência de notícias anarquistas-ana
Som do vento, apenas…
E, na árvore, uma coruja —
Início de noite.
Marco Aurélio Goulart
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/19/os-10-anarquistas-mais-marcantes-da-historia-e-seus-pensamentos/
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
domingo, 24 de novembro de 2019
Notas sobre um país em dissolução – por A.N.A.
Notas sobre um país em dissolução
1. Quatro moradores de rua mortos por ENVENENAMENTO em Barueri (SP).
2. Uma moradora de rua EXECUTADA a tiros em Niterói (RJ) por ter pedido R$ 1.
3. Um morador de rua ESPANCADO por moradores do Belém, Zona Leste de São Paulo (SP), apenas por estar deitado na rua.
4. Um morador de rua EXECUTADO por um PM (Polícia Militar) em uma suposta tentativa de assalto em São José dos Campos (SP).
5. Prefeitura de São Paulo cria 100 novas equipes do RAPA, que não passa do ROUBO diário e sistemático dos pertences (roupas, cobertores, alimentos, documentos, medicamentos e instrumentos de trabalho) dos mais pobres entre os pobres.
TODOS os casos ocorreram nos últimos TRÊS dias.
Observatório do Povo da Rua
agência de notícias anarquistas-ana
As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.
Issa
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/22/notas-sobre-um-pais-em-dissolucao/
1. Quatro moradores de rua mortos por ENVENENAMENTO em Barueri (SP).
2. Uma moradora de rua EXECUTADA a tiros em Niterói (RJ) por ter pedido R$ 1.
3. Um morador de rua ESPANCADO por moradores do Belém, Zona Leste de São Paulo (SP), apenas por estar deitado na rua.
4. Um morador de rua EXECUTADO por um PM (Polícia Militar) em uma suposta tentativa de assalto em São José dos Campos (SP).
5. Prefeitura de São Paulo cria 100 novas equipes do RAPA, que não passa do ROUBO diário e sistemático dos pertences (roupas, cobertores, alimentos, documentos, medicamentos e instrumentos de trabalho) dos mais pobres entre os pobres.
TODOS os casos ocorreram nos últimos TRÊS dias.
Observatório do Povo da Rua
agência de notícias anarquistas-ana
As tartarugas do lago
Ora comem, ora não comem,
Nestes longos dias de primavera.
Issa
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/11/22/notas-sobre-um-pais-em-dissolucao/
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
A X Feira Anarquista de São Paulo está chegando! – by A.N.A.
A X Feira Anarquista de São Paulo está chegando!
Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a X Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.
Todas e todos estão convidados!
> Data: Domingo – 17 de novembro de 2019
> Horário: das 10h às 20h
> Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP.
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca
feiranarquistasp.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas
Betty Drevniok
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/page/2/
Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a X Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.
Todas e todos estão convidados!
> Data: Domingo – 17 de novembro de 2019
> Horário: das 10h às 20h
> Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP.
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Nelca
feiranarquistasp.wordpress.com
agência de notícias anarquistas-ana
Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas
Betty Drevniok
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/page/2/
terça-feira, 11 de junho de 2019
Um chamado anarquista à Greve Geral de 14 de Julho de 2019 – por A.N.A.
Um chamado anarquista à Greve Geral de 14 de Julho de 2019
Às Barricadas!
“(…)Os trabalhadores são explorados e oprimidos porque,
estando desorganizados em tudo que concerne à proteção de seus interesses, são
coagidos, pela fome ou pela violência brutal, a fazer o que os dominadores, em
proveito dos quais a sociedade atual está organizada, querem. Os trabalhadores
se oferecem, eles próprios (enquanto soldado e capital), à força que os
subjuga. Nunca poderão se emancipar enquanto não tiverem encontrado na união a
força moral, a força econômica e a força física que são necessárias para abater
a força organizada dos opressores.”
A ORGANIZAÇÃO DAS MASSAS OPERÁRIAS CONTRA O GOVERNO E OS
PATRÕES
Agitazione d’Ancone, 1897
Errico Malatesta
O mundo assiste a crescente ascensão da extrema-direita ao
poder com olhares perdidos em meio à tanta desinformação. Não poderia ser
diferente no Brasil, onde ainda vivemos um período pós-colonial com forças
dominantes afins aos discursos de ódio que atacam as liberdades e o pensamento
libertário como um todo. Este país sofre com o apagar de suas muitas
identidades culturas há séculos, portanto não trata-se aqui de apontar alguma
novidade. Porém, é necessário compreendermos que a imposição das classes
dominantes nunca foi silenciosa ou permissiva, como muitos parecem acreditar em
meio à tanta incredulidade e paralisia.
A pólvora acesa em 2013 deve seu rastilho às muitas revoltas
sangrentas que nós, exploradas e explorados, enfrentamos desde a chegada dos
colonizadores, e diferentemente do que argumenta a esquerda reformista
institucional, a semente protofascista vem sendo cultivada por décadas e
décadas com políticas vindas de governos da social democracia e ditos de
esquerda e não pela insurreição nas ruas em 2013, como assim acusam os
partidários da esquerda que insistem em dizer que a culpa da queda dos seus
líderes foi a massiva organização popular nesse período assim como o surgimento
do fascismo no país. E se a memória recente nos trás este ano emblemático,
talvez seja porque nas ruas, nas avenidas e noites de barricada, conseguimos
entrever uma possibilidade, uma alternativa de luta contra o que está posto
enquanto status quo. Nunca começou naquele ano, mas também nunca terminou após
o mesmo. Vemos companheiras e companheiros entregues ao conformismo dos tempos
de Bolsonaro na presidência da república e os novos (e velhos) fascistas
desfilando abertamente suas práticas de terror em toda a sociedade. De fato,
mesmo nos espaços mais periféricos das capitais e cidades mais
industrializadas, nunca vimos uma explosão de violência, ódio e disputas tão
expressivas como vemos agora. Essa barbárie, tão bem profetizada por Rosa
Luxemburgo em seus escritos, não acontece sem motivo ou por simples erros de
gestão pública. A barbárie é fruto do sistema de classes que, ano após ano,
cria raízes cada vez mais profundas na mentalidade do povo brasileiro. É
necessário o ódio a si mesmo, ao produto que nos tornamos graças ao processo de
exploração e destituição permanente de uma sociedade refém do capital global.
Tal ódio estimula o afastamento, a individualização acentuada, a falsa ideia da
ineficácia de tudo que se diz social. Inclusive, neste sentido, o governo de
Jair Bolsonaro expõe publicamente, todos os dias, sua completa negação às
ideologias de cunho social.
Na esteira do projeto de destruir o Brasil enquanto país
independente dos jogos econômicos de agendas dominantes, encontramos mais um
ataque ao povo: a reforma da previdência. Não é mero acaso que assistimos o
desmonte da educação pública alcançar níveis alarmantes enquanto nos
aproximamos da derradeira votação acerca da reforma da previdência. O governo
que defende um projeto de país que seja apenas colônia de países desenvolvidos
precisa atacar a educação pública, sobretudo as universidades públicas, pois é
neste espaço que o pensamento livre encontra meios de fortalecimento e criação
de alternativas aos discursos totalizantes que hoje espalham-se como pólen por
todo o território brasileiro. A perversão está em transformar um debate tão
sério em cortina de fumaça para manter as amarras acerca da reforma da
previdência sobre total controle nos bastidores do poder. E não devemos nos
enganar em acreditar que a imprensa empresarial está ao lado dos explorados,
muito pelo contrário. Se hoje, empresas como a Rede Globo mantém um ataque
sistemático ao governo e demonstram dúvida da capacidade de articulação para
forçar a aprovação da reforma da previdência, é justamente porque a audiência
desse conflito é de interesse destas empresas de comunicação. É óbvio que as
mesmas defendem uma reforma que beneficiará grandes corporações em detrimento
da sociedade. Porém, estas mesmas corporações entendem que podem lucrar tanto
na via da aprovação quanto na via do falso destaque às oposições. À Rede Globo
não importa se a extrema-direita ou a esquerda institucional estão brigando, o
importante é a briga. E nisso, a população explorada segue perdida em nuvens de
informação e falsas afirmativas, aumentando seu ódio pelas coletividades e seu
afastamento das lutas sociais.
Exatamente pelas questões resumidamente apresentadas é que
acreditamos na necessidade dos anarquistas apostarem na constante inserção nos
meios sociais de luta contra a exploração dos governos e o fascismo latente da
extrema-direita brasileira. Não é no isolamento ou em algum exílio autoimposto
que conseguiremos romper a bolha criada pela mídia capitalista e pelo
bombardeio de fake news dos grupos pró-Bolsonaro. A compreensão sobre os fatos
e o apoio popular não se refletem em likes ou demonstração de interesse em
eventos de facebook. É preciso reinventar a militância anarquista no Brasil e
retomarmos a compreensão de que o anarquismo se constrói no cotidiano da vida
dos trabalhadores. É preciso refazer o caminho rumo aos trabalhos de base, mas
não com as falsas fantasias das organizações fantasmas. Ter uma base significa
pertencimento. É preciso entender que o anarquista só exercita suas práticas se
está em constante diálogo com a população, ainda que isso signifique estar só
no meio de tantas opiniões e discursos diferentes. E que fique bem claro: isso
não é o mesmo que abrir canal de diálogo com fascistas, pois subentende-se aqui
que o diálogo defendido é com o povo explorado, exausto de tanta opressão e que
almeja a luta contra o sistema dominante.
Eis aqui um chamado anarquista para a construção da greve
geral. Compreendemos que esse processo não é feito de forma imediatista,
tampouco acreditamos que algumas semanas sejam o suficiente para uma greve
expressiva. Entretanto, o silêncio não é uma opção para os que acreditam em
tudo o que dissemos até aqui. E se o dia 14 de Julho já está posto como mais
uma chance, então devemos abraçar tal chamado e nos organizarmos para além
dele. Fazemos aqui um chamado para as barricadas, para a sabotagem, para a
construção da guerra social contra as classes que dominam e corroem as
estruturas da sociedade brasileira. Convocamos aqui os anarquistas à luta, ao
trabalho permanente pela libertação dos explorados!
Esmaguemos o fascismo!
Que os governos voltem a temer a anarquia!
“Hoje se exige imperiosamente uma decisão de nossa parte: ir
para as massas e criar a revolução com elas, ou então abster-se e renunciar à
revolução social”
Nestor Makhno
Liberdade para Rafael Braga!
“Que as chamas da insurreição iluminem o caminho para a liberdade”
R.I.A
Fonte: https://redinfoa.org/um-chamado-anarquista-a-greve-geral-de-14-de-julho-de-2019-as-barricadas/
Conteúdo relacionado:
agência de notícias anarquistas-ana
Limpo e lavo o túmulo,
mas no fundo de minha alma,
meus íntimos vivem…
mas no fundo de minha alma,
meus íntimos vivem…
H. Masuda Goga
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Esse é o Brasil que os acéfalos querem ... ódio... preconceito ... intolerância ... discriminação ... e mortes!!! Acorda Brasil!!!
Aos gritos de “Bolsonaro”, travesti é morta a facadas no
centro de SP
Testemunhas relatam que quatro homens, aos gritos de "Bolsonaro" e "Ele sim", entraram em discussão com uma travesti em um bar no centro de São Paulo e a esfaquearam antes de fugir; vítima não resistiu e morreu a caminho do hospital
Testemunhas relatam que quatro homens, aos gritos de "Bolsonaro" e "Ele sim", entraram em discussão com uma travesti em um bar no centro de São Paulo e a esfaquearam antes de fugir; vítima não resistiu e morreu a caminho do hospital
Olavo de Carvalho, o “ideólogo de Bolsonaro”, contra o professor Haddad - Por Christian Ingo Lenz Dunker.
Olavo de Carvalho, o “ideólogo de Bolsonaro”, contra o
professor Haddad
1 Christian Ingrao, Crer e destruir: os intelectuais na máquina de guerra nazista da SS (Rio de Janeiro, Zahar: 2017).
Olavo critica o pós-modernismo, o multiculturalismo e o
politicamente correto porque ele é seu maior praticante, no sentido corrompido
do termo. É assim que opera um fake thinker, um falso pensador caçador de
patos: não é só falta de rigor ou pirotecnia retórica, é a corrupção como
irresponsabilidade intelectual.
Todos os regimes, piores ou melhores, têm o seu ideólogo. Em
geral ele não é alguém muito respeitado em sua área ou situa-se perifericamente
em relação aos seus pares. Sua função é dupla: justificar as arbitrariedades de
quem ele se aproveita para criar projeção e traduzir as mensagens do líder de
modo a criar vantagens estratégicas para seus adeptos no exercício do pequeno
poder cotidiano. Em geral, o ideólogo não se forma nas fileiras no partido ou
nas ideias diretas de seu mestre, mas se aproveita da flutuação de seus pontos
de vista para encaixar uma afinidade de circunstâncias. Isso é possível porque
a função do ideólogo é sobretudo suspender ou desestabilizar os sistemas que
garantem a legitimidade e a autoridade que atribuímos a certas formas de saber.
Por exemplo: o saber jurídico da República de Weimar foi
neutralizado por um ideólogo como Roland Freisler, durante a ascensão do
nazismo1; o saber universitário americano foi
controlado por um ideólogo como Joseph McCarthy, no início da guerra fria; o
saber artístico e intelectual soviético foi destroçado por Andrei Jdanov,
durante a ascensão do stalinismo. Todos eles eram pensadores medíocres, mas que
sabiam usar uma oscilação de tom que os permitia fazer alusões impressivas ao
lado de palavras chulas gerando um efeito de autenticidade. Podiam ser também
eruditos e especialistas em apenas uma área, mas que transferiam sua autoridade
para problemas nos quais não eram realmente estudiosos.
Bolsonaro possui alguém que se comporta dessa maneira e que
age conforme os requisitos para o cargo – tanto que foi devidamente reconhecido
pelo filho do deputado pelos serviços prestados à candidatura do pai. Olavo de
Carvalho possui uma longa ficha de desmascaramentos e refutações marcada pelo
exercício continuado da improbidade filosófica. O fato de que ele não tem
nenhuma formação regular, como uma graduação em ciências humanas, nem mestrado
nem doutorado, não deveria ser um empecilho, afinal existiram muitos bons
pensadores que vieram de fora do sistema universitário ou permaneceram em sua
periferia. É por isso que o fato de que seus primeiros trabalhos foram sobre
astrologia2, que ele tenha sido militante comunista e
adepto da seita islâmica Tariqa, que hoje viva refugiado nos Estados Unidos,
não o desabonam, mas criam os traços ideais para representar o papel de alguém
antissistema, independente e fora da academia. Ele tem o que parece ser
suficiente para que acreditemos nele: passagens pelas grandes redações de
jornais e revistas, a partir da qual criou-se um grupo de pessoas que gostam de
suas ideias. Isso confere uma vantagem grande ao personagem, pois ele poderá
desfazer de saberes eruditos, complexos e sempre em controvérsia relativa, como
a ciência e a filosofia profissional, representando a sabedoria do homem comum,
confirmando seus preconceitos e transferindo convicção e autoridade para aquilo
que as pessoas já pensam.
Um ideólogo alimenta-se de oposições, controvérsias e
ofensas porque isso cria inimigos necessários para manter uma crença viva, instala
uma solidariedade composta pelo ódio e aproveita-se do sentimento de
inferioridade intelectual que habita muitas pessoas. Qualquer ataque à sua obra
apenas confirma sua situação de pária e injustiçado intelectual e apenas
aumenta a aura de perseguido, com a qual se afiniza com as massas. O truque do
piques funciona assim: para influenciar meus adeptos uso palavras difíceis,
citações e títulos extravagantes ou valho-me da participação em eventos
semi-científicos como o Congresso Brasil
Paralelo, que contou com mais de sessenta influentes participantes, entre
eles nomes como Ronaldo
Caiado, Onyx
Lorenzoni e Gilmar
Mendes que explanaram sobre a realidade do Brasil pelo ponto de vista
liberal-conservador3. Repare que a palavra chave é influência,
ainda que esta venha pela associação com a notabilidade suspeita do rol
elencado. A ideia aqui é que você pode tornar-se sábio por contágio, como se a
cultura e o pensamento funcionassem ao modo da revista Caras. Toda vez que
alguém acusar a inconsistência de suas ideias, recorra à sua pessoa, ou à do
seu crítico. Toda a vez que se aponta a inconsistência de sua pessoa, recorra
às suas obscuras ideias incompreendidas. Se nenhuma das duas anteriores der
certo, apele para palavrões. “Cu”, “buceta” e “cagada” são expressões
recorrentes de nosso autor para exprimir seus conceitos e qualificar seus
adversários4.
Mas então como mostrar que Olavo de Carvalho é um fake
thinker? Qualquer crítica desse tipo será neutralizada pelo argumento de que eu
mesmo sou um professor titular da USP, esse antro de esquerdistas incultos e
comprados pelo sistema petista. Se digo o que digo só pode ser por interesse
pessoal em preservar meus privilégios, de perpetuar a hegemonia cultural, “tal
como Marx e Gramsci propunham”. Ou seja, vale tudo. De um lado, critico o
relativismo e a pós-modernidade, de outro me autorizo a falar qualquer coisa
porque a verdade virou uma questão de maioria de opinião e de número de
adeptos. As ciências humanas comportam uma variedade de tradições e
entendimentos, o que dá margem para as posições mais heterodoxas.
Examinemos o problema de um ponto de vista muito tosco e
elementar, mas não obstante objetivo. Há um sistema imparcial que agrega e
compara essa variedade de posições própria ao campo da ciência, validando o
valor e a legitimidade do conhecimento que se produz, a partir da própria
comunidade de cientistas. Este sistema vale para qualquer um que publique
qualquer coisa em ciência, em qualquer lugar do mundo. Trata-se do Google
Scholar (“Google Acadêmico”, no Brasil), ou seja, uma forma de quantificar
quantas vezes e por que qualidade de revista científica seus livros ou artigos
são citados por outros autores. Todo pesquisador tem um i-10 que é o índice de
citações que seus textos têm na comunidade internacional e que vale como medida
de reconhecimento da relevância de seu trabalho. Portanto, não vale dizer que o
sistema universitário ou que a filosofia brasileira não reconheceu ou persegue
as ideias inovadoras e incompreendidas de nosso autor.
O sistema tem várias críticas, mas ele serve como uma espécie de peneira genérica para falar sobre quem é quem quando se trata de ciência. A vantagem é que qualquer um pode entrar neste sistema e verificar a quantidade e qualidade de citações que um autor tem5. Por exemplo, um pesquisador de esquerda como Vladimir Safatle, com 45 anos, tem um i-10 de 40, que corresponde a 282 citações de sua principal obra6. Um reconhecido autor de direita, como José Guilherme Merquior, tem 331 citações em sua obra mais conhecida. Olavo de Carvalho tem 30 em sua obra magna O que você precisa saber para não ser um idiota, sendo que, destas, 28 são referências de pesquisas sobre a emergência do pensamento conservador no Brasil, discursos contra a corrupção e pesquisas sobre jornalismo político. Ou seja, citam o texto como índice de fenômeno social, a emergência de uma nova direita, e não por suas ideias em si. Sua obra mais “técnica”, Teoria dos discursos em Aristóteles, tem apenas três citações na área da filosofia, todas desabonando seu trabalho.
Isso significa que não é que suas ideias são rejeitadas, mas que seu pensamento é irrelevante para a área na qual ele se situa. Mostrar seus erros técnicos, suas ilações inconsequentes e outras fragilidades de alguém que não sabe pensar com rigor é como colocar um time amador em comparação com um profissional. Uma seleta das afirmações erráticas de Olavo de Carvalho incluem: a ONU apoia o terrorismo, Pepsi é feita com fetos abortados, há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela, a Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro, há livros ensinando crianças fazer sexo oral com elefantes, o Brasil hoje é uma ditadura comunista, a mídia apoia os gays para promover o controle populacional, o marxismo nasceu do satanismo, Darwin é o pai do nazismo, a web foi criada para combater o ateísmo, o ser humano não precisa de cérebro pra viver, o nazismo e FMI são de esquerda, Bill Clinton era um agente de Pequim, os EUA entraram no Vietnã para perder, há 40 milhões de comunistas no Brasil, cigarro não dá câncer (ele é um fumante inveterado), não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação, o empresariado nunca se organizou politicamente, a ditadura foi branda e tinha eleições democráticas, o General Geisel era comunista.
Os títulos de seus livros incluem coisas como O dever de insultar e O imbecil coletivo II. Sua Teoria das doze camadas da personalidade é um resumo ridículo e pretensioso das concepções psicológicas mais correntes em psicologia. Algo assim como se eu pedisse a um aluno de terceiro ano que me contasse em 19 páginas tudo o que se disse até aqui sobre o conceito de personalidade. Tipo: conheça 13 capitais da Europa em quatro dias e descubra a verdade da milenar cultura ocidental, rápido e barato. São textos que fazem vergonha alheia e denunciam o provincianismo indefeso do brasileiro médio em matérias não escolares.
Como vimos, ideólogos servem principalmente para serem usados na desqualificação de saberes e autoridades simbólicas ou estrategicamente importantes. Por isso, não adianta dizer que eles não são sérios, pois isso só confirma, na língua da alienação, que eles são outsiders e “antissistema”. Fernando Haddad, pode ser criticado como um mal prefeito, como membro de um partido corrupto ou como alguém que toca violão muito mal, mas o seu i-10 é de 15, contra “nem entra em campo” de Olavo de Carvalho. Sua obra Plano de desenvolvimento da educação7 foi citada 127 vezes, sempre em contexto técnico ou científico. Haddad conclui o curso de direito na USP, depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia na mesma universidade.
Mas o que são títulos? Tantas pessoas têm títulos e não sabem nada, não é mesmo? Haddad estudou em McGill, a melhor universidade canadense, o Carvalhão não terminou seu mestrado, mas para quê estudar fora? Durante mais de dez anos Haddad fez o que faltou decisivamente na formação de Olavo de Carvalho: deu aulas para alunos reais de um curso de graduação. Mas qual é o valor disso? Afinal a USP nunca teve um filósofo que se preze (afirmação textual do próprio). Haddad deu aulas com notas, frequência, alunos inquietos ou indolentes, aulas de verdade. Aulas públicas, abertas e gratuitas e não cursos pagos pela internet. É neste contexto de desigualdade maiúscula, que testemunha a ignorância de muitos em reconhecer a diferença entre um verdadeiro professor e pesquisador e um “bundão” que fica atrás da mesa falando e caçando patos nos EUA (no sentido literal e metafórico), que podemos examinar as afirmações de Olavo de Carvalho sobre o livro de Haddad8:
O sistema tem várias críticas, mas ele serve como uma espécie de peneira genérica para falar sobre quem é quem quando se trata de ciência. A vantagem é que qualquer um pode entrar neste sistema e verificar a quantidade e qualidade de citações que um autor tem5. Por exemplo, um pesquisador de esquerda como Vladimir Safatle, com 45 anos, tem um i-10 de 40, que corresponde a 282 citações de sua principal obra6. Um reconhecido autor de direita, como José Guilherme Merquior, tem 331 citações em sua obra mais conhecida. Olavo de Carvalho tem 30 em sua obra magna O que você precisa saber para não ser um idiota, sendo que, destas, 28 são referências de pesquisas sobre a emergência do pensamento conservador no Brasil, discursos contra a corrupção e pesquisas sobre jornalismo político. Ou seja, citam o texto como índice de fenômeno social, a emergência de uma nova direita, e não por suas ideias em si. Sua obra mais “técnica”, Teoria dos discursos em Aristóteles, tem apenas três citações na área da filosofia, todas desabonando seu trabalho.
Isso significa que não é que suas ideias são rejeitadas, mas que seu pensamento é irrelevante para a área na qual ele se situa. Mostrar seus erros técnicos, suas ilações inconsequentes e outras fragilidades de alguém que não sabe pensar com rigor é como colocar um time amador em comparação com um profissional. Uma seleta das afirmações erráticas de Olavo de Carvalho incluem: a ONU apoia o terrorismo, Pepsi é feita com fetos abortados, há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela, a Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro, há livros ensinando crianças fazer sexo oral com elefantes, o Brasil hoje é uma ditadura comunista, a mídia apoia os gays para promover o controle populacional, o marxismo nasceu do satanismo, Darwin é o pai do nazismo, a web foi criada para combater o ateísmo, o ser humano não precisa de cérebro pra viver, o nazismo e FMI são de esquerda, Bill Clinton era um agente de Pequim, os EUA entraram no Vietnã para perder, há 40 milhões de comunistas no Brasil, cigarro não dá câncer (ele é um fumante inveterado), não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação, o empresariado nunca se organizou politicamente, a ditadura foi branda e tinha eleições democráticas, o General Geisel era comunista.
Os títulos de seus livros incluem coisas como O dever de insultar e O imbecil coletivo II. Sua Teoria das doze camadas da personalidade é um resumo ridículo e pretensioso das concepções psicológicas mais correntes em psicologia. Algo assim como se eu pedisse a um aluno de terceiro ano que me contasse em 19 páginas tudo o que se disse até aqui sobre o conceito de personalidade. Tipo: conheça 13 capitais da Europa em quatro dias e descubra a verdade da milenar cultura ocidental, rápido e barato. São textos que fazem vergonha alheia e denunciam o provincianismo indefeso do brasileiro médio em matérias não escolares.
Como vimos, ideólogos servem principalmente para serem usados na desqualificação de saberes e autoridades simbólicas ou estrategicamente importantes. Por isso, não adianta dizer que eles não são sérios, pois isso só confirma, na língua da alienação, que eles são outsiders e “antissistema”. Fernando Haddad, pode ser criticado como um mal prefeito, como membro de um partido corrupto ou como alguém que toca violão muito mal, mas o seu i-10 é de 15, contra “nem entra em campo” de Olavo de Carvalho. Sua obra Plano de desenvolvimento da educação7 foi citada 127 vezes, sempre em contexto técnico ou científico. Haddad conclui o curso de direito na USP, depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia na mesma universidade.
Mas o que são títulos? Tantas pessoas têm títulos e não sabem nada, não é mesmo? Haddad estudou em McGill, a melhor universidade canadense, o Carvalhão não terminou seu mestrado, mas para quê estudar fora? Durante mais de dez anos Haddad fez o que faltou decisivamente na formação de Olavo de Carvalho: deu aulas para alunos reais de um curso de graduação. Mas qual é o valor disso? Afinal a USP nunca teve um filósofo que se preze (afirmação textual do próprio). Haddad deu aulas com notas, frequência, alunos inquietos ou indolentes, aulas de verdade. Aulas públicas, abertas e gratuitas e não cursos pagos pela internet. É neste contexto de desigualdade maiúscula, que testemunha a ignorância de muitos em reconhecer a diferença entre um verdadeiro professor e pesquisador e um “bundão” que fica atrás da mesa falando e caçando patos nos EUA (no sentido literal e metafórico), que podemos examinar as afirmações de Olavo de Carvalho sobre o livro de Haddad8:
1. “O PT quebra imagens,
esfrega o crucifixo nos órgãos genitais, urinam [sic] na Bíblia e agora quer
apoio católico”. A afirmação é grotescamente falsa. A pergunta de fundo é: para
quem esta mensagem pode ser persuasiva, a ponto de ser retuitada pelo filho do
deputado Jair Bolsonaro? Para alguém que jamais lerá este texto, que não
compreende o que é pesquisa, que só entende que devemos dar crédito a pessoas
famosas. Quanto mais espetacular a chamada mais ela tem efeito. Realmente, qual
é a diferença disto e de mentir para ser eleito?
2. Como disse Caetano
Veloso: “Considero o texto de Olavo incitação à violência. Convoco meus
concidadãos a repudiá-lo. Ou vamos fingir que o candidato dele já venceu a
eleição e, por isso, pode mandar matar quem não votou nele?”9 Ou seja, a conspiração comunista, a
hegemonia cultural da esquerda universitária e tudo o mais que o caçador de
patos denuncia é exatamente o que ele está imediatamente disposto a praticar.
Um intelectual que defende a violência como método perde imediatamente o
direito ao uso desta qualificação, tornando-se imediatamente um “idiota”,
cumprindo assim o lema de que as pessoas transformam-se naquilo que elas mais
odeiam.
3. Todavia, o campeão da inconsequência e o prêmio maior de
Tolice do Ano, e que me leva a escrever este texto, vai para sua afirmação de
que Haddad queria vencer o “tabu do incesto” para implantar o socialismo no
Brasil. Haddad faria “apologia do incesto”, provavelmente como extensão do “kit
gay” (que nunca existiu) e da “ideologia de gênero” (que é outra invenção
brasileira para traduzir, em idioma de má fé, os “estudos de gênero”,
disciplina universitária presente em Harvard, Cambridge e Yale). Depois da repercussão
imediata de tamanho erro, facilmente verificado pela imprensa, Olavo de
Carvalho retirou o post e o substituiu por outro dizendo que Haddad “subscrevia
integralmente a sociedade erótica, advogado pela Escola de Frankfurt que advoga
a erotização da relação entre mães e filhos”10.
Ora, o tabu do incesto é uma expressão usada por Freud em
seu texto de 1913, Totem e tabu, para designar o fato de que em todas as
culturas humanas conhecidas há uma restrição para o casamento dentro da própria
família. Desta regularidade Freud inferiu a existência de um potencial desejo
da criança pela mãe, que deu origem à hipótese do complexo de Édipo. Este desejo
é reprimido dando origem ao processo de socialização como reconhecimento de uma
lei maior que nos impede de realizar tudo o que queremos. Muitas culturas e
alguns padrões de família exageram essa repressão, criando crianças
demasiadamente proibidas em seus desejos e em suas vidas eróticas. Por isso uma
transformação social deveria atentar para padrões menos rígidos de repressão e
de implantação da lei. Ora, essa tese simples e difundida amplamente, tanto
entre pensadores de direita quanto de esquerda, foi deformada para justificar a
“erotização da infância” e a “apologia do incesto”. É assim que opera um fake
thinker, um falso pensador caçador de patos. Ele toma uma ideia, a deforma sem
rigor, e depois a usa para causar medo nas pessoas. Isso não é uma questão de
“interpretação” ou “ponto de vista”, as ciências humanas podem admitir
variações e variedades, mas elas têm um critério, que é o do rigor. Neste caso
é claro e cristalino que nem a psicanálise, nem a Escola de Frankfurt, nem
Haddad defendem a “apologia do incesto” ou a “erotização da infância”.
Essa inconsequência com os conceitos está longe de ser
apenas um vale tudo acadêmico, ela é uma prática específica de relação com a
palavra. Olavo critica o pós-modernismo, o multiculturalismo e o politicamente
correto porque ele é seu maior praticante, no sentido corrompido do termo.
Chegamos assim ao termo correto para o tipo de pensamento cultivado por Olavo
de Carvalho: não é só falta de rigor ou pirotecnia retórica, é a corrupção como
irresponsabilidade intelectual. Neste dia do professor é preciso agradecer e
saudar os docentes, mas também perceber que há os traidores da classe. Não são
aqueles que informal mal, ou que transmitem no limite de suas possibilidades e
de sua formação, mas os que propositalmente dizem mentiras. Desinformar as
pessoas em um país tão carente de professores e de ensino, fazê-lo de forma
proposital e com fins políticos (lembremos das adesões diretas de Bolsonaro e
seus filhos à Olavo de Carvalho), usar palavrões e praticar falta de decoro
acadêmico só merece um juízo, como diria o Capitão Nascimento: pede para sair!
Notas1 Christian Ingrao, Crer e destruir: os intelectuais na máquina de guerra nazista da SS (Rio de Janeiro, Zahar: 2017).
2 Olavo de Carvalho, A imagem do homem na
astrologia (1980).
3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_de_Carvalho 4 Exemplo de um tuite de 17 de setembro de 2018: “Quer o chamem de ‘Bolsominion’ por ser eleito do Bolsonaro, ou de ‘falso direitista’ por preferir outro candidato, a resposta oficial, nós dois casos, deve ser: — É o cu da mãe.”
5 https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=fernando+haddad+&btnG= 6 https://scholar.google.com.br/citations?user=fw3hwBYAAAAJ&hl=pt-BR
7 Fernando Haddad, O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, Brasília, Inep/MEC: 2008.
8 Fernando Haddad, Em Defesa do Socialismo. Petrópolis, Vozes: 1998.
9 Caetano Veloso, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo“, Folha de S.Paulo, 14 de outubro de 2018.
10 Gilmar Lopes, “FALSO: Fernando Haddad defende incesto entre pais e filhos em seu livro?“, E-farsas, 14 de outubro de 2018.
3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_de_Carvalho 4 Exemplo de um tuite de 17 de setembro de 2018: “Quer o chamem de ‘Bolsominion’ por ser eleito do Bolsonaro, ou de ‘falso direitista’ por preferir outro candidato, a resposta oficial, nós dois casos, deve ser: — É o cu da mãe.”
5 https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=fernando+haddad+&btnG= 6 https://scholar.google.com.br/citations?user=fw3hwBYAAAAJ&hl=pt-BR
7 Fernando Haddad, O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, Brasília, Inep/MEC: 2008.
8 Fernando Haddad, Em Defesa do Socialismo. Petrópolis, Vozes: 1998.
9 Caetano Veloso, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo“, Folha de S.Paulo, 14 de outubro de 2018.
10 Gilmar Lopes, “FALSO: Fernando Haddad defende incesto entre pais e filhos em seu livro?“, E-farsas, 14 de outubro de 2018.
Christian Ingo Lenz Dunker é psicanalista, professor
Livre-Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP),
Analista Membro de Escola (A.M.E.) do Fórum do Campo Lacaniano e fundador do
Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP.
Fonte: https://blogdaboitempo.com.br/2018/10/15/olavo-de-carvalho-o-ideologo-de-bolsonaro-contra-o-professor-haddad/
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