terça-feira, 15 de março de 2011

[Argentina] Lançamento do vídeo-panfleto “Por que anarquistas?” - por ANA

[Argentina] Lançamento do vídeo-panfleto “Por que anarquistas?”
Este panfleto audiovisual realizado pelo Grupo Anarquista Rosário, em 2010, oferece uma abordagem breve, mas eficaz, acerca dos fundamentos centrais sobre o que se têm formado de críticas e propostas do movimento anarquista. Remarcar uma visão de mundo oposta à burguesia dominante significa desafiar os pilares que o sustentam: o governo, capitalismo e religião, enfatizando a necessidade de compreender suas inter-relações como peças em um todo indivisível. Hoje, como ontem, é essencial a existência de ferramentas como esta produção, que reafirma a denúncia incansável da farsa de que um bom capitalismo é possível, a farsa por trás das diferenças ideológicas dos vários governos e setores políticos, por trás da salvação religiosa, dos meios de comunicação... Por conseguinte, este vídeo revê as posições críticas básicas sustentadas pelos anarquistas, e demonstra o efeito que eles têm na atualidade e continuará mantendo, enquanto esta situação não for revertida, uma vez e para sempre.

Duração: 17 min.

Contato:

› grupoanarquistasrosario.blogspot.com

› anarquistasrosario@yahoo.com.ar

Baixar vídeo-panfleto: “Por que anarquistas?”

› http://www.megaupload.com/?d=4BU9I5MB

Baixar capa e contracapa + panfleto em versão texto:

› http://www.mediafire.com/?p78d4fc4czv88hl

Ver vídeo on-line:

› http://www.dailymotion.com/video/xgg51w_news

agência de notícias anarquistas-ana
Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

De mal a pior - Por Aprille Muscara

De mal a piorPor Aprille Muscara, da IPS

Washington, Estados Unidos, 14/3/2011 – A situação na Costa do Marfim se deteriora pela negativa de Laurent Gbagbo de abandonar a Presidência, apesar dos protestos da oposição e da comunidade internacional, e pela ineficácia de órgãos regionais na mediação. O país está cada vez mais perto de uma guerra civil, aumenta a violência contra manifestantes pacíficos e civis inocentes, e se agrava a crise humanitária para as centenas de milhares de pessoas refugiadas que vivem em acampamentos.

O regime de Gbagbo foi acusado de cometer crimes de guerra e recebeu sanções da comunidade internacional, cuja intervenção foi solicitada pela oposição para acabar com o banho de sangue e tirar o homem forte. Os problemas deste país o dividiram nos últimos três meses e, entretanto, não atraiu a atenção internacional como a Líbia.

“Um aparece na mídia minuto a minuto, no Twitter e em blogs”, disse a ativista Sokari Ekine. “Outro apenas começa a emergir da periferia da consciência internacional”, acrescentou. “Ao contrário da Líbia, a Costa do Marfim carece de importância estratégica e a possível perda de seu principal recurso, o cacau, não causa pânico em mercados ou governos”, explicou.

Há alguns meses o cacau alcançou seu preço máximo em 30 anos devido ao conflito no principal país exportador, deixando “as prateleiras sem barras de chocolate”, mas “o petróleo é mais importante na vida moderna”, coincidiu o jornal The Financial Times. “Contudo, para os agricultores que o colhem, e para a economia do país, o cacau é fundamental para a subsistência e vale a pena lutar por ele”, ressaltou Sokari.

Antes de começaram as revoltas populares no mundo árabe e a atenção do Ocidente se concentrar no Norte da África, numerosos analistas internacionais vincularam o futuro do continente africano à forma como for resolvido o conflito nesse país. “Se a situação não for solucionada de maneira adequada, os democratas africanos poderão ir para casa”, disse Christopher Fomunyoh, do Instituto Nacional Democrático, em um painel sobre o assunto realizado há dois meses. “Os votos devem ser contados depois da votação ou não haverá democracia no continente”, disse o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.

Este ano, haverá 20 eleições na África e os observadores consideram que a Costa do Marfim é um teste sobre as possibilidades de democratização do continente. O segundo turno das eleições presidenciais na Costa do Marfim foi em novembro e o conflito começou quando a comissão eleitoral declarou vencedor Alessane Ouattara, com 54,1% dos votos, contra 45,9% para Gbagbo.

Após dois meses de silêncio, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou um comunicado, no dia 9, pedindo a Gbagbo que deixe o poder com urgência. “Estou particularmente consternado pelo assassinato indiscriminado de civis desarmados em manifestações pacíficas, inclusive muitas mulheres. Todas as partes devem se esforçar para protegê-los”, acrescentou.

Estimativas da Organização das Nações Unidas indicam que na semana retrasada morreram 27 pessoas, elevando para 400 o número de mortos desde meados de dezembro. A oposição afirma que o número é muito maior. A declaração coincidiu com a cúpula da União Africana (UA) da semana passada, na qual um painel de resolução de disputas, integrado por sete chefes de Estado, voltou a se reunir para tentar negociar o fim do confronto entre Gbagbo e Ouattara.

Se as eleições marfinenses foram um teste sobre as possibilidades de democratização da África, a capacidade da UA, e de outros órgãos regionais, para acabar com o conflito serve para medir o compromisso do continente e a solidez de suas instituições de integração. Agora, parece que não vencem o desafio. Representantes de Gbagbo rejeitaram a primeira proposta do painel para sair do impasse. O grupo decidiu reclamar que deixasse o poder e insistiu na legitimidade de Ouattara.

Alguns propuseram um acordo para combater o poder, semelhante ao que acabou sendo aceito por Robert Mugabe, que também se negava a deixar a presidência do Zimbábue. O painel da UA é formado pelos presidentes de Burkina Faso, Chade, Mauritânia, África do Sul e Tanzânia. Além de Jonathan, presidente da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Ecowas), também participou o presidente da UA, Teodor Obiang, que junto com o líder líbio, Muammar Gadafi, é o mandatário africano há mais tempo no cargo.

Os observadores alertam para uma escalada de violência na medida em que Gbagbo se garantir no poder e não prosperar a mediação da UA e da Ecowas. “Existe o perigo de ressurgir uma guerra civil no país”, alertou no dia 11 Navi Pillay, chefe da organização Human Rights Watch na sede da ONU, que pediu o fim do conflito. “A situação se deteriora de forma alarmante, com aumento dos choques interétnicos e intercomunitários. Partidários dos dois lados atentam contra os direitos humanos e cometem violações, sequestros e assassinatos”, acrescentou. Envolverde/IPS

Fonte: http://www.envolverde.com.br(IPS/Envolverde)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Liberdade ao Gegê!

Liberdade ao Gegê!
Por Comitê Lutar não é CrimeNos dias 4 e 5 de abril, o líder do Movimento de Moradia do Centro (MMC), Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, deve ir a júri popular. O julgamento estava marcado para 16 e 17 de setembro de 2010, mas não se concretizou. Representante do Ministério Público de São Paulo, responsável pela acusação, no próprio dia se recusou a realizar o julgamento, justificando que desconhecia o conteúdo de todas as provas apresentadas pela defesa. Tal posição foi aceita pela juíza e a data foi remarcada para abril.

A não realização do Tribunal do Júri naquele momento pôde se reverter em uma conquista importante. Como contrapartida ao adiamento do julgamento, a juíza deferiu o pedido da defesa e colocou fim a ordem de prisão expedida contra o líder, em vigor até aquele momento.

A experiência vivida por Gegê, que se inicia nas primeiras investigações de um crime do qual é injustamente acusado, reforça algumas lições. Uma delas é o uso do aparato policial e judicial por parte de forças conservadoras para desarticular movimentos populares reivindicatórios de direitos.

Neste sentido, o uso político do direito é evidente. Diante deste cenário, a mobilização para o próximo julgamento é de vital importância, não para a resolução de um caso pessoal isolado, mas pelo contrário, para o fortalecimento das lutas populares. Para tanto é preciso evitar o avanço do conservadorismo, que hoje criminaliza as lutadoras e lutadores do povo, criminalizando a própria luta.

Os fatos
No dia 18 de agosto de 2002 ocorreu um homicídio em um dos acampamentos do Movimento de Moradia no Centro de São Paulo (MMC), entidade filiada à Central de Movimentos Populares (CMP).

De tudo o que foi apurado, tem-se notícia de que a discórdia surgida entre o autor dos fatos (ainda não procurado e investigado) e a vítima surgiu pouco antes do fatídico acontecimento, no qual a vítima (que residia no acampamento) teria ofendido o autor do crime (visitante e não residente no acampamento), que para vingar-se das ofensas sofridas, acabou por tirar-lhe a vida. Vale esclarecer que ambos não participavam da organização do acampamento e eram estranhos à luta do movimento de moradia do centro.

Este conflito nada teve a ver com as reivindicações do MMC e a dinâmica interna do acampamento, mas foi aproveitado para incriminar e afastar do local a organização deste movimento e o apoio às famílias acampadas.

O acampamento era localizado na Vila Carioca, na Avenida Presidente Wilson. As famílias integrantes da ocupação, em sua grande maioria, eram oriundas do despejo de um prédio, pertencente ao então falido Banco Nacional, na Rua Líbero Badaró, n. 89, no centro da capital paulista. Essa remoção para a nova área fora autorizada pelo Governo do Estado, em negociações que envolveram o então governador Mário Covas.

Gegê participou diretamente da negociação para que as famílias despejadas pudessem ter moradia digna. Enquanto ela não viesse, as famílias se manteriam acampadas e organizadas, como em qualquer outra ocupação. Conhecido por sua combatividade e luta não só no centro de São Paulo, mas em todo o Brasil, ele sofreu diversas ameaças pessoais. A própria vida de Gegê era constantemente alvo de ameaças.

Dois anos depois do crime, Gegê foi preso por mais de 50 dias. Após ser solto, em decisão de Habeas Corpus, sofreu uma prolongada situação de instabilidade e insegurança, na qual diversos pedidos de liberdade eram concedidos para, momentos depois, serem repentinamente revogados.

Tanto nos autos do inquérito policial instaurado no 17º Distrito Policial, no Ipiranga, quanto nos autos do processo penal em andamento, o autor do homicídio (já conhecido e identificado) nunca foi investigado, preso ou procurado. O inquérito policial acabou sendo maculado por manipulações e falsos testemunhos por parte dos que intencionavam incriminar Gegê.

Sobre Gegê
Gegê tem um longo histórico de militância social e sindical. Ele foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do PT e de movimentos de moradia. A Unificação das Lutas de Cortiço (ULC), do Movimento de Moradia do Centro (MMC), da União dos Movimentos de Moradia do Fórum Nacional de Reforma Urbana e a Central de Movimentos Populares (CMP) estão entre as organizações que contaram com a participação do líder.

Comitê Lutar Não é Crime
Sobre o Comitê
O comitê Lutar Não É Crime propõe uma Campanha Nacional pelo fim da criminalização dos lutadores e lutadoras do povo. Conclamamos todos os movimentos sociais e populares, da cidade e do campo, a desencadearem uma ofensiva pela criação de comitês nos estados que somem forças à essa luta.

Contatos:
8419-3302
6857-3488
3101-6601
http://lutarnaoecrime.blogspot.com/
Fonte: http://www.midiaindependente.org/

E se os EUA puserem as mãos em Assange? Por John Pilger

E se os EUA puserem as mãos em Assange?

Quando EUA e Grã-Bretanha procuram pretexto para invadir mais um país árabe rico em petróleo, a hipocrisia é sempre a mesma. Gaddafi é “louco” e têm as mãos “sujas de sangue”. E EUA e Grã-Bretanha, autores de uma invasão que matou um milhão de iraquianos; que sequestraram e mataram em nosso nome, esses, são sãos, não sou loucos, nunca viram sangue e querem ser, mais uma vez, árbitros da “estabilidade”.

Mas alguma coisa mudou. A realidade não é mais exatamente como o poder diz que é. De todas as espetaculares revoltas que agitam o mundo, a mais espetacular é a insurreição do conhecimento, disparada por WikiLeaks. A idéia não é nova.

Em 1792, o revolucionário Tom Paine advertiu seus leitores na Inglaterra de que o governo acreditava que “o povo pode ser engambelado e mantido em estado de supersticiosa ignorância, por qualquer bicho-papão”. Os direitos do homem, de Paine, foi considerado tão perigosa ameaça ao controle pela elite, que Paine foi preso, acusado de “conspiração perigosa e traiçoeira”. Esperto, Paine fugiu para a França.

A coragem e o calvário de Tom Paine foram citados pela Fundação Sydney Peace, no prêmio australiano de Direitos Humanos, Medalha de Ouro, que a Fundação deu a Julian Assange. Como Paine, Assange é homem que não serve a nenhum sistema e está ameaçado de ter de enfrentar um júri secreto, instrumento perverso há muitos anos abandonado na Inglaterra, mas ainda em uso nos EUA. Se for extraditado para os EUA, provavelmente desaparecerá no mundo kafkiano que gerou o pesadelo que ainda existe na baía de Guantanamo e que, agora, já praticamente condenou Bradley Manning, sem julgamento, sem qualquer prova de que teria vazado documentos para WikiLeaks, acusado de crime capital.

Se fracassar o apelo que Assange apresentou à corte britânica contra sua extradição para a Suécia, o mais provável é que lhe seja negada a liberdade sob fiança e que seja mantido incomunicável até o julgamento secreto. A acusação construída contra Assange já foi descartada por um procurador em Estocolmo, e foi ressuscitada – quando um político de direita, Claes Borgstrom, manifestou-se publicamente a favor da “culpa” de Assange. Borgstrom, que é advogado, representa hoje as duas mulheres envolvidas. Seu sócio é Thomas Bodstrom, também advogado, que foi ministro da Justiça na Suécia em 2001, implicado na entrega de dois refugiados egípcios inocentes a um esquadrão de seqüestros da CIA, no aeroporto de Estocolmo. A Suécia, depois, foi condenada a pagar indenização aos egípcios e pagou, por terem sido torturados.

Esses fatos estão documentados em relatório do Parlamento da Austrália em Canberra, publicado dia 2 de março. Denunciando o erro judiciário gigantesco que ameaça Assange, o relatório denuncia, na palavra de especialistas e seguindo padrões da justiça internacional, o comportamento de vários funcionários do governo sueco, que teriam sido considerados “altamente impróprios e repreensíveis e desqualificariam qualquer alegação de julgamento justo”.

Ex-diplomata australiano, Tony Kevin, expôs os laços muito próximos que ligam o primeiro-ministro da Suécia, Frederic Reinheldt, e Republicanos da direita dos EUA: “Reinfeldt e [George W] Bush são amigos” – disse ele. Reinhaldt atacou Assange publicamente e contratou Karl Rove, ex-assessor de Bush, como conselheiro. Se for extraditado para a Suécia, Assange corre risco gravíssimo de ser, em seguida, extraditado da Suécia para os EUA.

O inquérito e as conclusões da investigação conduzida pelo governo da Austrália foram ignorados na Grã-Bretanha, onde, hoje, se prefere sempre a farsa mais negra.

Dia 3 de março, o jornal Guardian anunciou que a produtora Dream Works, de Stephen Spielberg, prepara-se para produzir um thriller político, nos moldes de Todos os homens do presidente, a partir do livro WikiLeaks: Inside Julian Assange’s War on Secrecy [WikiLeaks: A guerra pessoal de Julian Assange contra o sigilo].

Perguntei a David Leigh, co-autor do livro, com Luke Harding, quanto Spielberg havia pago ao jornal Guardian pelos direitos de filmagem e o que ele, pessoalmente, pensava fazer. “Não tenho ideia” – foi a estranha resposta do “editor de reportagens investigativas” do Guardian.

O jornal Guardian nada pagou a WikiLeaks pelo inestimável pacote de telegramas. Assange e WikiLeaks – não Leigh ou Harding – são os autores do que o editor de Guardian, Alan Rusbridger, apresenta como “um dos maiores furos jornalísticos dos últimos 30 anos”.

O Guardian já disse que não precisa mais de Assange, para nada. É item descartado que não tem lugar no planeta Guardian. O editor de Guardian é negociador duro. E atrevido. No livro autolaudatório do Guardian, a extraordinária coragem de Assange foi apagada. É apresentado como um ninguém, ridículo, um australiano “meio diferente”, com uma mãe de “cabelo crespo”, gratuitamente ofendido como “grosseirão” e de “personalidade doentia”, classificável no “espectro do autismo”. Como Spielberg lidará com essa infantilóide tentativa de assassinato de reputação?

No programa Panorama da BBC, Leigh repetiu maledicências sobre Assange ser indiferente à vida das pessoas cujos nomes aparecem nos vazamentos. Quanto à acusação de que Assange teria denunciado uma “conspiração de judeus”, depois da qual sobreveio uma catarata de imbecilidades de internet, de que seria agente do Mossad, o próprio Assange respondeu. Disse que “era acusação falsa, em espírito e nas palavras”.

Difícil descrever, difícil, mais ainda, imaginar, o sentimento de isolamento, de sítio, em que Julian Assange vive. De um modo ou de outro, já está pagando o preço de ter exposto a fachada da rapacidade do poder. O carrasco, aqui, não é a extrema direita, mas o liberalismo, a casca fina de pseudo liberalismo dos que se fazem de defensores do direito de informar.

O New York Times merece lugar à parte, por ter assumido que censurou e continuará a censurar os telegramas. “Levamos todo o material para a direção do jornal” – disse Bill Keller, o editor. – “A direção do jornal nos convenceu de que seria prudente editar algumas das informações”. Em artigo de Keller, Assange é pessoalmente ofendido. Na Columbia School of Journalism, dia 3 de fevereiro, Keller disse, com todas as letras, que o público não espere a publicação de novos telegramas”. Poderia causar uma “cacofonia”. Falou o cão de guarda do sistema.

O valente Bradley Manning é mantido nu, em quarto iluminado vigiado por câmeras 24 horas por dia. Para Greg Barns, diretor da Aliança dos Advogados da Austrália, não são infundados os temores de que Julian Assange “acabe torturado numa prisão de segurança máxima nos EUA”. Quem será julgado por esse crime?

Por John Pilger, do Countercurrents | Tradução: Coletivo VilaVudu
Fonte: http://www.outraspalavras.net/

[Reino Unido] Anarquistas ocupam mansão londrina do filho de Gaddafi - por ANA

[Reino Unido] Anarquistas ocupam mansão londrina do filho de Gaddafi
A casa em Londres de um dos filhos do líder e tirano líbio Muammar Gaddafi, Saif al Islam, foi ocupada por um grupo de aproximadamente 20 anarquistas nesta quarta-feira (9).

Os membros do grupo informaram que invadiram a casa em estilo neogeorgiano de nove quartos, cinco salas, piscina, jacuzzi e cinema, localizada em Hampstead Garden, norte de Londres, para exigir que a propriedade seja transferida para o povo da Líbia. O imóvel está avaliado em 19 milhões de dólares.

"Estamos ocupando esta casa em solidariedade ao povo que combate na Líbia, e pretendemos mantê-la até que possa ser devolvida ao povo líbio e não desapareça nos bolsos dos governos ou corporações".

“Quando descobrimos que um dos mais brutais ditadores do mundo possuía uma casa em Londres, nos pareceu lógico ocupá-la em nome do povo da Líbia”, disse o grupo, emendando: “Não acreditamos que o governo britânico vá devolver essa casa para o povo líbio porque ele tem uma longa história de ajuda ao regime de Gaddafi”.

Os ativistas penduraram faixas sobre o telhado da mansão de tijolos aparentes, pedindo a Gaddafi que fique "fora da Líbia", "fora de Londres" e “Solidariedade”.

O grupo, que se intitula “Derrubem os Tiranos”, passou a dividir a ocupação com manifestantes do coletivo Campanha Líbia-Britânica de Solidariedade (BLSC). Mas “agora a coisa mais apropriada é deixar o espaço nas mãos dos grupos da Líbia para que eles decidam o que fazer no futuro com o local”, comentou um ativista.

Mensagens de apoio:

› topplethetyrants@hotmail.com

Vídeo da ocupação:

› http://www.youtube.com/watch?v=4j-MYGFDrys

agência de notícias anarquistas-ana
Engoli migalhas
jogadas ao vento,
deixadas pelas gaivotas.

Rogério Viana

Japão: uma catástrofe nuclear a caminho – por Latuff


http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

sábado, 12 de março de 2011

Zinismo # 1


Fonte: www.zinismo.blogspot.com

A tragédia no Japão – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Força e muita força ao povo japonês são nestas horas que percebemos claramente como o homem esta destruindo o planeta.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O primeiro kickflip registrado na história do surfe - por Caio Salles

Em Santa Cruz, Califórnia, Zoltan Torkos completou o primeiro kickflip registrado na história do surfe.

Torkos, que também é skatista, tem direito a receber os USD. 10mil prometidos pela marca californiana Volcom a quem completasse, e registrasse, pela primeira vez a manobra.


Fonte: http://espn.estadao.com.br/surfblog

Chamada urgente de apoio ao coletivo palestino-israelense “Anarquistas Contra o Muro” - por ANA

Chamada urgente de apoio ao coletivo palestino-israelense “Anarquistas Contra o Muro”
Quem somos
Anarquistas Contra o Muro (AATW, sua sigla em inglês) é um grupo de ação direta que nasceu em 2003 como resposta a construção do muro que Israel está levantando em terra Palestina, na Cisjordânia ocupada. O grupo trabalha em cooperação com os Palestinos em uma luta conjunta não-violenta contra a ocupação.

Desde sua formação o grupo participou em centenas de manifestações e ações diretas, contra o muro especificamente e contra a ocupação em geral, por toda Cisjordânia. Todo o trabalho do grupo AATW na Palestina é em coordenação com os comitês populares locais das aldeias e é essencialmente impulsionado por Palestinos.

Por que resistimos
É o dever de todo cidadão israelense se colocar em resistência a políticas e ações imorais realizadas em seu nome. Acreditamos que é possível fazer mais do que se manifestar dentro de Israel ou participar em programas de ajuda humanitária. O apartheid e a ocupação israelense não vão terminar por si só - terminará quando se torne ingovernável e incontrolável. É tempo de opor-se fisicamente aos bulldozers [tratores], ao exército e a ocupação.

História abreviada
Em abril de 2003, aos três anos do início da Segunda Intifada, um pequeno grupo majoritariamente anarquista de ativistas israelenses que já realizavam vários trabalhos políticos nos territórios ocupados criou Anarquistas Contra o Muro. O grupo se formou em torno da criação de um acampamento de protesto na aldeia de Mas´ha, aonde o muro se aproximava e deixaria 96% das terras no lado "israelense".

O acampamento, formado por ativistas palestinos, israelenses e internacionalistas se compunha de duas tendas nas terras da aldeia que haviam sido programadas para serem confiscadas. Uma presença contínua de palestinos, israelenses e internacionalistas que se estendeu 4 meses. Durante este tempo o acampamento se converteu em um centro para difundir informação e uma base para a tomada de decisões por meio da democracia direta. Um bom número de ações relacionadas com o muro foram planejadas e preparadas no acampamento - como a ação direta na aldeia de Anin de 28 de julho de 2003. Nesta ação palestinos, israelenses e ativistas internacionalistas conseguiram abrir uma entrada no muro apesar de estarem sendo atacados pelo exército.

Aos finais do mês de agosto de 2003, com o muro ao redor de Mas´ha quase completo, o acampamento se mudou ao pátio de uma casa cuja demolição estava prevista. Depois de dois dias de bloqueio aos bulldozers e prisões massivas, o pátio foi demolido e o acampamento terminou, mas o espírito de resistência que simbolizava não foi demolido.

Em 2004, a aldeia de Budrus começou suas lutas contra o muro e AATW se uniu a suas manifestações diárias. Através de sua persistência na mobilização comunitária, luta e resistência popular, a aldeia de Budrud conseguiu vitórias significativas.

Sem apelar aos tribunais israelenses, utilizando somente a resistência popular, a aldeia conseguiu empurrar o traçado do muro quase completamente para fora de sua terra.

O êxito de Budrus inspirou muitas outras aldeias a construir também uma resistência popular. Durante uma boa parte do ano, quase todas as aldeias que a construção do muro alcançava se levantavam contra ele. AATW se uniu a todas as aldeias que lhe chamaram a participar.

Mas recentemente nossas ações tem se centrado em e ao redor de Bil´in, ao noroeste de Ramallah, onde a maior parte da terra cultivável da aldeia vai ser efetivamente confiscada pelo muro e um assentamento em expansão.

Nosso papel na luta
A mera presença de israelenses em ações civis palestinas oferece um certo grau de proteção frente a violência do exército.

O código de conduta do exército israelense é significativamente distinto quando há israelenses presentes e a violência, ainda que continue severa, é significativamente menor. Apesar de que muitos ativistas israelenses têm sido feridos nas mobilizações, alguns gravemente, são os palestinos que tem pagado um maior preço. Até a data de hoje 10 manifestantes palestinos foram mortos em manifestações contra o muro e milhares foram feridos.

O exército e o governo israelenses querem por um fim na resistência popular palestina usando todas as formas de repressão e para dissuadir aos ativistas israelenses de unir-se a esta luta. Sob a lei de ocupação é possível prender pessoas simplesmente por participar em uma manifestação. E no decorrer dos últimos anos, ativistas do grupo AATW tem sido presos centenas de vezes e dezenas de acusação têm sido feitas contra eles.

A repressão legal por parte das autoridades israelenses é somente outra frente na quais estas tratam de romper nossa resistência.

Para manter aos ativistas fora da prisão e continuar a luta o grupo AATW tem enfrentado crescentes gastos para sua defesa diante dos tribunais israelenses. O custo da defesa judicial já superou os 60.000 dólares estadunidenses e sobe de forma constante.

Financiamento
AATW não recebe financiamento de nenhum Estado, governo ou associação. Dependemos de doações de pessoas de todo o mundo que querem ver a continuidade de nossa luta apoiando o povo palestino pela liberdade. Pelas razões acima expostas e para cobrir gastos operacionais como transporte, contas telefônicas, primeiros socorros, panfletos e cartazes AATW está buscando apoio econômico.

Apoio econômico
Estimado/a amigo/a,
Os custos legais acumulados da luta conjunta Palestino-Israelense, e a crescente perseguição legal de ativistas palestinos, nos forçam a enviar esta urgente campanha de arrecadação de fundos. Solicitamos vosso apoio para continuar o trabalho do grupo israelense Anarchists Against the Wall (Anarquistas Contra o Muro), e talvez ainda mais importante, para nos permitir expandir nosso fundo legal em uma tentativa de cobrir os custos legais de nossos companheiros palestinos presos nas manifestações.

Desde 2003, o grupo tem apoiado a luta palestina contra a ocupação israelense e especialmente contra o muro de segregação construído por Israel. Semana após semana AATW se une a resistência popular palestina contra o muro, em diversas áreas de West Bank (zona oeste), incluindo as populações de al-Ma´asara, ao sul de Belém, Beit Ummar, ao norte de Hebrón, Bil´in e recentemente quase diariamente a Ni´ilim, ao oeste de Ramallah. Ali o exército está dando passos extremos para suprimir as manifestações, disparando ocasionalmente munição real, sitiando e impondo o toque de recolher.

Centenas de ativistas têm sido presos e dezenas acusados por sua participação na luta. Afortunadamente o grupo está sendo representado por um dedicado advogado, Gaby Lasky. Lasky tem trabalhado incansavelmente na defesa de ativistas presos em manifestações ou ações diretas no West Bank e em Israel. Sem dúvida e ainda depois da exitosa campanha de apoio econômico do ano passado, AATW ainda deve a Lasky aproximadamente 15.000 dólares. Recentemente estamos constatando um aumento da perseguição legal aos nossos companheiros palestinos. Em solidariedade estamos recolhendo fundos para expandir os fundos legais do grupo AATW para cobrir também aos presos palestinos. Isto se vem a somar a necessidade de saldar a dívida mencionada, e aos gastos operativos como comunicação e transporte. Os sugerimos a ler este artigo de The Nation (http://www.thenation.com/issue/august-4-2008) sobre a luta em Ni´ilin e a fazer donativos que nos permita continuar com ela.

Em agradecimento e solidariedade, AATW.

Para mais informação sobre as atividades do grupo AATW e como fazer depósitos ver:

› www.awalls.org

Contato donativos:

› donate@awalls.org

Tradução > Juvei

agência de notícias anarquistas-ana
minhas mãos te olham
estranha fotografia
onde meus olhos te tocam

Lisa Carducci

Ao fazer omelete na Ana Maria Braga, Dilma já sinaliza que ovos ira quebrar - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Os carros fecham as ruas, nós as enchemos de alegria!

MANIFESTO BICICLETADA BRASÍLIAMuito já foi dito sobre a tragédia de Porto Alegre, mas gostaríamos de chamar atenção nesse texto para algumas das reações a esse evento que marcou a todos nós, entusiastas das bicicletas. A maioria delas nos causou espanto, tristeza e mesmo indignação. São falas que misturam conformismo, conservadorismo, preconceito e paranóia. E que acabam por reproduzir uma visão equivocada da Bicicletada e até mesmo das pessoas que utilizam bicicletas como meio de locomoção.

Muitos comentários fazem referência ao direito de ir e vir dos motoristas, que supostamente seria afetado pelas manifestações da Bicicletada. Antes de mais nada: achamos uma pena essas pessoas não se levantarem com a mesma veemência pelo direito de ir e vir de ciclistas e pedestres, que é ameaçado TODOS OS DIAS. Fariam muito mais diferença.

Sim, porque a circulação de automóveis já tem ao seu lado montadoras, empreiteiras, governo, publicidade. A garantia dos direitos dos não-motorizados conta em sua defesa apenas com o legítimo poder de reivindicação dos cidadãos.

O raciocínio se estende para as críticas ao ?método? da Bicicletada. Lemos várias falas condenando o fato de a Bicicletada ?fechar? vias (coisa que só fazemos de forma localizada e durante um certo tempo, diga-se de passagem). Outra vez: adorariamos vermos essas pessoas se manifestando com a mesma veemência contra o fechamento completo e DIÁRIO, pelo menos DUAS VEZES POR DIA, das principais vias da cidade por automóveis.
Fonte: http://prod.midiaindependente.org

Revolta árabe: o colapso da velha ordem do petróleo - por Michael T. Klare

Revolta árabe: o colapso da velha ordem do petróleoConsidere o recente aumento nos preços do petróleo apenas um tímido anúncio do petro-terremoto que está por vir. A velha ordem que sustenta o petróleo está morrendo, e com o seu fim veremos também o fim do petróleo barato e de fácil acesso – para sempre. Mesmo que a revolta não alcance a Arábia Saudita, a velha ordem do Oriente Médio não pode ser reconstruída. O resultado será um declínio de longo prazo na disponibilidade futura de petróleo para exportação. Um exemplo: três quartos dos 1,7 milhões de barris produzidos diariamente pela Líbia foram rapidamente tirados do mercado conforme a agitação tomou conta do país.
Michael T. Klare - Tomdispatch.com

Qualquer que seja o resultado dos protestos, levantes e rebeliões que agora varrem o Oriente Médio, uma coisa é certa: o mundo do petróleo será permanentemente transformado. Considere tudo que está acontecendo agora como apenas a primeira vibração de um petro-terremoto que irá sacudir nosso mundo em suas bases.

Por um século, voltando até a descoberta de petróleo no sudoeste da Pérsia, antes da Primeira Guerra, forças ocidentais têm repetidamente promovido intervenções no Oriente Médio para garantir a sobrevivência de governos autoritários dedicados à produção de petróleo. Sem tais intervenções, a expansão das economias ocidentais após a Segunda Guerra e a atual abundância das sociedades industriais seria inconcebível.
Aqui, porém, está a notícia que deveria estar na capa dos jornais em todos os lugares: a velha ordem que sustenta esse petróleo está morrendo, e com o seu fim veremos também o fim do petróleo barato e de fácil acesso – para sempre.

O fim da era do petróleo
Vamos tentar medir o que exatamente está em risco nos tumultos atuais. Para começar, não há praticamente chance alguma de fazer justiça completa ao papel fundamental que o petróleo do Oriente Médio representa na equação de energia do planeta. Embora o carvão barato tenha originalmente movido a Revolução Industrial, sendo o combustível das estradas de ferro, navios a vapor e fábricas, o óleo barato fez possível o automóvel, a indústria da aviação, os subúrbios, a agricultura mecanizada, e uma explosão de economia globalizada. E enquanto umas poucas principais região de produção deram início à era do petróleo– EUA, México, Venezuela, Romênia, a área próxima a Baku (então parte do Império Russo) e as índias Orientais Holandesas – é o Oriente Médio que tem satisfeito a sede de petróleo do planeta desde a Segunda Guerra.

Em 2009, o ano mais recente para o qual existe dados, a BP relatou que os fornecedores no Oriente Médio e norte da África conjuntamente produziram 29 milhões de barris por dia, ou 36% do produzido no planeta – e nem mesmo isso começa a sugerir a importância da região para a economia baseada em petróleo. Mais que qualquer outra local, o Oriente Médio tem canalizado sua produção para a exportação, de modo a satisfazer as necessidades de energia de poderosos importadores de petróleo como os EUA, China, Japão e União Europeia. Estamos falando de 20 milhões de barris destinados aos mercados internacionais a cada dia. Compare isso com a Rússia, o maior produtor individual, com sete milhões de barris destinados a exportação, com o continente africano e seus seis milhões, ou a América do Sul com apenas um milhão.

Os produtores do Oriente Médio serão ainda mais importantes nos anos vindouros pois estima-se que possuam dois terços das reservas não exploradas de petróleo. Segundo projeções recentes do Departamento de Energia dos EUA, o Oriente Médio e o Norte da África irão responder juntos por aproximadamente 43% do suprimento de petróleo do mundo em 2035 (em 2007 era 37%) e irão produzir uma parte maior ainda do que é destinado a exportação.

Falando diretamente: a economia mundial requer um suprimento cada vez maior de petróleo a um preço razoável. O Oriente Médio pode prover isso. É por isso que governos Ocidentais tem apoiado por tanto tempo regimes autoritários “estáveis” pela região, providenciando com regularidade suprimentos e treinamentos para as forças de segurança. Agora essa ordem, ferida e petrificada, cujo maior sucesso foi prover petróleo para a economia mundial, está se desintegrando. Não conte com qualquer nova ordem (ou desordem) para fornecer suficiente petróleo barato para preservar a Era do Petróleo.

Para compreender as razões disso, uma breve aula de História é necessária.

O golpe iraniano
Depois que a Companhia de Petróleo Anglo-Persa (APOC, pela sigla em inglês) descobriu petróleo no Irã (então Pérsia), em 1908, o governo britânico procurou exercer controle imperial sobre o estado persa. O arquiteto-chefe dessa manobra foi Winston Churchill, então primeiro Lorde Comissário do Almirantado da Marinha Real britânica. Tendo ordenado a conversão dos navios de guerra do carvão para o óleo antes da Primeira Guerra e determinado a colocar uma significativa fonte de petróleo sob controle de Londres, Churchill orquestrou a nacionalização da APOC em 1914. Na véspera da Segunda Guerra, o então primeiro-ministro Churchill supervisionou a remoção do pró-germânico mandatário persa Shah Reza Pahlavi e a ascendência de seu filho de 21 anos, Mohammed Reza Pahlavi.

Embora inclinado a explorar (míticos) laços com o passado império Persa, Mohammed Reza Pahavi foi uma ferramenta dos britânicos. Seus comandados, porém, estavam cada vez menos dispostos a tolerar a subserviência a Londres. Em 1951, o democraticamente eleito primeiro-ministro Mohammed Mossadeq ganhou apoio parlamentar para a nacionalização da APOC, renomeando-a Anglo-Iraniana Companhia de Petróleo (AIOC). O movimento foi amplamente popular no Irã, mas causou pânico em Londres. Em 1953, a fim de salvar o seu grande troféu, os líderes britânicos engendraram - conjuntamente com o a administração do presidente Eisenhower em Washington e com a CIA – um golpe de estado que depôs Mossadeq e trouxe Shah Pahlavi de volta do exílio em Roma, uma história recentemente contada por Stephen Kinzer no livro “Todos os Homens do Xá” (editora Bertrand Brasil).

Até sua deposição em 1979, o xá exerceu um controle cruel e ditatorial sobre a sociedade iraniana, graças em parte ao generoso apoio militar e policial dos EUA. Primeiro ele esmagou a esquerda secular, os aliados de Mossadeq, e então a oposição religiosa, liderada do exílio pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Devido à brutal exposição à polícia e ao material de cárcere fornecido pelos EUA, os oponentes do xá vieram a odiar a monarquia e Washington na mesma medida. Em 1979, o povo iraniano tomou as ruas, o xá foi deposto e Khomeini chegou ao poder.

Muito se pode aprender desses eventos que levaram ao atual impasse nas relações entre EUA e Irã. O ponto chave para se ater aqui porém é que a produção de petróleo iraniana nunca se recuperou da revolução de 1979-1980.

Entre 1973 e 1979 o Irã havia alcançado um fluxo de quase seis milhões de barris de petróleo por dia, um dos maiores do mundo. Depois da revolução, AICO (rebatizada British Petroleum ou simplesmente BP) foi nacionalizada pela segunda vez e gestores iranianos assumiram as operações da companhia. Para punir os novos líderes iranianos, Washington impôs duras sanções de comércio, dificultando os esforços da companhia estatal de petróleo para obter tecnologia e ajuda estrangeira. O fluxo iraniano caiu para dois milhões de barris por dia, e mesmo passadas três décadas, retornou para apenas algo perto de quatro milhões de barris por dia, ainda que o país possua a segunda maior reserva do mundo, depois da Arábia Saudita.

Sonhos do invasor
O Iraque seguiu uma trajetória assustadoramente similar. Sob Saddam Hussein, a Iraque Companhia de Petróleo (IPC) produziu até 2,8 milhões de barris por dia até 1991, quando a primeira Guerra do Golfo com os EUA e as sanções derrubaram a produção para meio milhão de barris por dia. Embora em 2001 a produção tenha subido para quase 2,5 milhões de barris por dia, nunca mais encontrou os níveis máximos. Conforme o Pentágono se preparava para a invasão do Iraque em final de 2002, porém, as pessoas de dentro da administração Bush e expatriados iraquianos bem relacionados sonhavam com o surgimento de uma era de ouro na qual empresas estrangeiras de petróleo seriam convidadas a retornar ao país, a companhia nacional de petróleo seria privatizada e a produção chegaria a níveis nunca antes vistos.

Quem esquece os esforços da administração Bush e de seus oficiais em Bagdá para que o sonho virasse realidade? Afinal de contas, os primeiros soldados norte-americanos a chegar a capital iraquiana protegeram o prédio do Ministério do Petróleo, mesmo que isso deixasse os saqueadores livres para agir no resto da cidade. Paul Bremer III, o cônsul mais tarde escolhido pelo presidente Bush para supervisionar a formação do novo Iraque, trouxe uma equipe de executivos do petróleo dos EUA para supervisionar a privatização da indústria de petróleo do país, enquanto que o departamento de Energia previa, confiante, em maio de 2003 que a produção iraquiana poderia subir para 3,4 milhões de barris por dia em 2005 e para 5,6 milhões em 2020.

Obviamente que nada disso virou verdade. Para muitos iraquianos a decisão dos EUA de se dirigir imediatamente para o prédio do Ministério do Petróleo foi um ato decisivo para que um possível apoio na derrubada de um tirano se transformasse em raiva e hostilidade. A condução de Bremer da privatização da estatal de petróleo produziu forte retaliação nacionalista de engenheiros, que essencialmente sabotaram o plano. Não demorou para a explosão de uma insurgência sunita em larga escala. A produção de petróleo rapidamente caiu, registrando em média 2 milhões de barris por dia entre 2003 e 2009. Em 2010, finalmente voltou à marca dos 2,5 milhões -- ainda um deserto de distância daqueles sonhados 4,1 milhões. Não é difícil chegar a uma conclusão: esforços de forasteiros para controlar a ordem política do Oriente Médio visando um maior fluxo de petróleo irão inevitavelmente gerar pressões opostas que resultarão em menor produção.

Os EUA e outros poderes que observam os levantes, as rebeliões e os protestos que varrem o Oriente Médio devem estar precavidos certamente: seja quais forem seus desejos políticos e religiosos, as populações locais sempre acabam por abraçar uma feroz e apaixonada hostilidade à dominação estrangeira e irão escolher independência e a possibilidade de liberdade ao aumento de produção. As experiências do Irã e do Iraque não podem ser comparadas com as da Argélia, Bahrein, Egito, Jordânia, Líbia, Omã, Marrocos, Arábia Saudita, Sudão, Tunísia e Iêmen.

Todas eles, porém (e outros países próximos de serem arrastados para a crise), exibem alguns elementos de molde politico-autoritário e estão conectados com a velha ordem do petróleo. Argélia, Egito, Iraque, Omã e Sudão são produtores de petróleo; Egito e Jordânia mantêm oleodutos vitais e, no caso do Egito, uma passagem crucial (Canal de Suez) para o transporte do óleo; Bahrein, Iêmen e Omã ocupam pontos estratégicos ao longo de importantes rotas marítimas.

Todos recebiam substancial ajuda militar dos EUA e/ou abrigam importantes bases militares dos norte-americanos. E em todos esses países o coro é o mesmo: "O povo quer que o regime seja derrubado". Dois deles já foram, três estão balançando e há outros em risco. O impacto nos preços internacionais do petróleo têm sido rápido e impiedoso: em 24 de fevereiro, os preços do Brent do Mar do Norte, uma referência da indústria, quase alcançou 115 dólares por barril, o mais alto desde o colapso financeiro de outubro de 2008. O West Texas Intermediate, igualmente padrão, rápida e ameaçadoramente passou a barreira dos 100 dólares.

Por que os Sauditas são fundamentais
Até agora, o mais importante produtor do Oriente Médio, a Arábia Saudita, ainda não exibiu sinais claros de vulnerabilidade, do contrário os preços teriam disparado ainda mais. Porém, o vizinho Bahrein enfrenta profundos problemas; dezenas de milhares de manifestantes -- mais de 20% da sua população de meio milhão de habitantes - tem repetidamente ido às ruas apesar das ameaças de repressão a bala, em um movimento pela abolição do governo autocrático do rei Hamad ibn Isa al-Khalifa, e sua substituição por um comando genuinamente democrático. Esses acontecimentos são especialmente preocupantes para a liderança saudita, já que a pressão por mudanças em Bahrein está sendo conduzida pela maioria xiita, há muito tempo alvo de abusos da minoria sunita encastelada no poder.

A Arábia Saudita também tem grande população xiita (embora não em maioria como em Bahrein) que da mesma forma sofre com a discriminação dos mandatários sunitas. Há nervosismo em Riyadh, medo que a explosão em Bahrein possa se espalhar para a adjacente e rica em petróleo província do oeste – a área do reino onde os xiitas formam a maioria – criando um desafio para o regime.

Parcialmente para obstruir qualquer rebelião juvenil, o rei Abdullah, aos 87 anos, acabou de prometer crédito de 10 bilhões de dólares, parte de um pacote de 36 bilhões em mudanças econômicas, para ajudar jovens sauditas que pretendem se casar e comprar casas e apartamentos.

Mesmo que a revolta não alcance a Arábia Saudita, a velha ordem do Oriente Médio não pode ser reconstruída. O resultado, sem dúvidas, será um declínio de longo prazo na disponibilidade futura de petróleo para exportação. Três quartos dos 1,7 milhões de barris produzidos diariamente pela Líbia foram rapidamente tirados do mercado conforme a agitação tomou conta do país. Muito disso segue desconectado e fora do mercado por um período indefinido. Pode-se esperar que Egito e Tunísia retomem a produção – modesta em ambos os casos – a níveis pré-revolução, mas é improvável que abracem os tipos de parcerias com empresas estrangeiras que possam alavancar a produção às expensas do controle local. Iraque, cuja principal refinaria de petróleo foi severamente danificada por insurgentes na semana passada, e Irã não mostram sinais de serem capazes de aumentar a produção substancialmente nos próximos anos.

O papel fundamental caberá à Arábia Saudita, que acaba de aumentar a produção para compensar as perdas do mercado com a Líbia. Mas não espere que esse padrão se mantenha para sempre. Assumindo que a família real sobreviva ao atual momento de rebeliões, com toda certeza terá que direcionar mais de seu fluxo diário para satisfazer os níveis de consumo doméstico e incentivar a indústria petroquímica local, que poderá oferecer trabalhos mais bem remunerados à sua crescente e inquieta população.

Entre 2005 e 2009, os sauditas usaram cerca de 2,3 milhões de barris diários, deixando aproximadamente 8,3 milhões para a exportação. Apenas se a Arábia continuar a fornecer pelo menos essa quantia para os mercados internacionais o mundo poderá manter seu padrão de consumo de petróleo. Isso não deve acontecer. A família real saudita tem se mostrado relutante em aumentar a extração de petróleo para além de 10 milhões de barris por dia, temendo comprometer os seus campos remanescentes e causar um declínio dos lucros futuros. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda doméstica deverá consumir uma parte cada vez maior da produção da Arábia Saudita. Em abril de 2010, o executivo-chefe da saudita Aramco, Khalid al-Falih, previa que o consumo doméstico poderia alcançar surpreendentes 8,3 milhões de barris por dia por volta de 2028, deixando apenas uns poucos milhões de barris para a exportação e garantindo que, se o planeta não conseguir mudar para outras fontes de energia, enfrentará problemas de fornecimento de petróleo.

Em outras palavras, para quem quiser traçar uma trajetória razoável para os atuais acontecimentos no Oriente Médio já há um esboço na parede. Como nenhuma outra região é capaz de substituir o Oriente Médio como principal exportador de energia do planeta, a economia do petróleo irá encolher - e com ela a economia do planeta como um todo..

Considere o recente aumento nos preços do petróleo apenas um tímido anúncio do petro-terremoto que está por vir. O petróleo não desaparecerá dos mercados internacionais, mas nas próximas décadas não irá mais alcançar os volumes necessários para satisfazer a estimada demanda global, o que significa que escassez será a condição dominante do mercado – mais cedo do que tarde. Apenas o veloz desenvolvimento de fontes alternativas de energia e a dramática redução do consumo de derivados de petróleo pode salvar o mundo das mais severas repercussões econômicas.

Tradução: Wilson Sobrinho
Fonte: Carta Maior

Os Palestinos do mundo, uni-vos - por Latuff


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Para onde vai a luta contra o aumento? - por Passa Palavra

Para onde vai a luta contra o aumento?

Há dois meses a população de São Paulo luta contra o aumento de tarifa. Quais são os caminhos abertos para a luta? Por Passa Palavra

No próximo domingo, dia 12/03, completarão dois meses que alguns milhares de pessoas têm saído às ruas de São Paulo para reverter o aumento da tarifa de ônibus. Na semana passada não conseguimos escrever aqui um artigo que tanto relatasse o que ocorreu quanto avançasse na análise de perspectivas para a luta. O que nos colocaria o desafio de relatar ao menos quatro manifestações ocorridas nestas duas semanas contra o aumento, além de tentar avançar na perspectiva estratégica da luta. Não sabemos se conseguiremos fazer isto, mas apontaremos para algumas possibilidades.
Estudantes param o terminal lapa
Os atos regionais têm sido organizados por uma organização autônoma de grêmios secundaristas, que congrega escolas públicas e particulares, chamada Poligremia. Apesar das dificuldades enfrentadas, como a chuva e a distância entre as escolas, os atos têm acontecido e são marcados pela forte ousadia de seus participantes, que, apesar de seu número relativamente baixo, não hesitam em fechar todas as faixas das avenidas que ocupam e na quarta-feira, dia 23/02, driblaram a polícia e tomaram duas vezes o terminal da Lapa, promovendo os já conhecidos catracassos, deixando clara a disposição para radicalização destes setores. É interessante observar que, ao mesmo tempo que a organização dos estudantes fortalece a luta contra o aumento, a existência de uma luta concreta potencializou esta a organização, aumentando o número de grêmios participantes e o número de envolvidos dentro do grêmio de cada escola.

Os atos centrais foram marcados por ações que antes eram consideradas “perigosas” ou até “impossíveis” e que agora já estão inseridas no imaginário e na prática dos manifestantes. No ato do dia 24 de fevereiro, milhares de manifestantes tomaram novamente o Terminal Parque Dom Pedro II e realizaram diversos catracassos, sentaram dentro do terminal e fizeram um jogral para dialogar com a população que os aplaudia.
Tomando a Paulista
Já no ato do dia 03 de março os manifestantes sentaram e pararam o trânsito de todas as oito pistas da Avenida Paulista por dez minutos. Esta manifestação teve a presença de um carro de som; ao contrário do que alguns afirmavam “a capacidade de diálogo no ato não cresceu” e não se “cantou uma palavra de ordem na manifestação inteira”; pelo contrário, os manifestantes impediram a passagem do carro de som e vaiaram um dos que mais falavam ao microfone, até que finalmente o carro quebrou e os manifestantes comemoraram. Apesar da enorme vontade das organizações políticas tradicionais de controlar a manifestação, as pessoas mobilizadas contra o aumento não parecem aceitar que outros tomem o controle dos atos que são delas.

Neste momento da luta é cabível perguntar: quais são as possibilidades de se barrar o aumento em São Paulo?

Primeiramente, poderíamos falar que o Mandado de Segurança questionando as planilhas que justificariam o aumento ainda não foi julgado e, quando for, pode suspender o aumento em caráter liminar. Ainda sobre esta ação na justiça, podemos informar que ela deve ser julgada na quinta-feira, dia 10/03. Não nos arriscamos a dizer o que poderia acontecer a partir de uma suspensão temporária do aumento na maior cidade do Brasil.

Ainda podemos lembrar que na sexta-feira, dia 04/03, duas mil pessoas cansaram da lentidão dos ônibus na estrada do M’Boi Mirim e resolveram impedir o tráfego das sete horas da manhã ao meio-dia, reivindicando melhorias nas condições de transporte na região e protestando contra o aumento de tarifa. Isto amplia a luta, dá novo ânimo e abre expectativas de que proliferem atos locais nas periferias da cidade.
Por um mundo sem catracas
A ação ocorrida no dia 07 de março durante a visita do prefeito, Gilberto Kassab, a Paris indica que se iniciará uma perseguição ao prefeito, que é o responsável direto pelo aumento. Aqui em São Paulo, o Movimento Passe Livre (MPL) está convocando para quinta-feira, dia 10/03, uma visita à casa do prefeito. Será às 17h, em frente ao Shopping Iguatemi. A aposta parece ser desgastar a imagem do prefeito que, com medo da perda de votos, revogaria o aumento.

A volta às ruas será no dia 17 de março, às 17h, em frente ao teatro municipal, com a presença confirmada da Unidos da Lona Preta, a escola de Samba do MST. Neste dia os manifestantes exigem uma reunião com Kassab e para isto caminharão até à Prefeitura.

A força das manifestações de rua impulsionou o MPL em uma campanha pela Tarifa Zero. Agora o movimento tem respaldo social para avançar em suas exigências, que têm sido pautadas na sociedade nos últimos dois meses, tanto pelas manifestações, panfletagens e atividades em escola quanto pelas reportagens, artigos e documentários produzidos. Encarar o transporte como direito é uma premissa para que as pessoas tenham acesso a outros direitos como saúde, educação e cultura, pois para ter acesso às escolas, hospitais e centros culturais é necessário utilizar o transporte coletivo e, se este for pago, o acesso aos direitos está sendo negado.
Terminal Dom Pedro tomado
Para nós, que visamos a transformação radical da sociedade, a idéia de circular livremente pela cidade abre possibilidades ainda maiores. Se não temos nossa mobilidade restringida pela tarifa, fica mais fácil fazer articulações, manifestações, mobilizações; se podemos circular, podemos comunicar, pensar em ações conjuntas, fazer piquetes, greves, mostras de vídeo, podemos atuar com mais força.

Fotos de Luiza Mandetta e Dario Negreiros.
Fonte: http://passapalavra.info/

quinta-feira, 10 de março de 2011

A intervenção que Obama quer na Líbia – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Palestina vence primeira partida oficial em seu território, mas é eliminada - por LANCEPRESS!

Palestina vence primeira partida oficial em seu território, mas é eliminada.
Seleção local só mandava jogos em países vizinhosSeleção palestina, de branco, finmalmente recebeu uma partida oficial (Foto: Reuters)
Um dia histórico no Oriente Médio. Pela primeira vez desde a criação do Estado de Israel, em 1948, a Palestina recebeu um evento esportivo oficial. Em campo, a seleção olímpica local derrtou a Tailândia por 1 a 0, mas caiu nos pênaltis e está fora dos Jogos de Londres.

Após perder a primeira partida na Tailândia por 1 a 0, a Palestina entrou em campo precisando da vitória. Abu Habib acertou um belo chute de fora da área para abrir o placar aos 45 do primeiro tempo e levantar o os 17 mil presentes no estádio Faisal Al-Husseini.

O resultado levou a partida para a prorrogação. Sem nenhum gol no tempo extra, as equipes tiveram que decidir quem seguiria no Pré-Olímpico da Ásia nos pênaltis. Após 14 cobranças, os visitantes levaram a melhor: 6 a 5.

Nada que diminua a alegria dos palestinos por receber seu primeiro jogo oficial. O Estado, reconhecido por 109 países, é membro da Fifa desde 1998, mas só mandava jogos em campos vizinhos.

- Este é um dia histórico e um divisor de águas para a causa palestina. É uma mensagem para o mundo e para a comunidade internacional de que o povo palestino merece independência e liberdade.
Fonte: http://www.lancenet.com.br/

Para EUA, Mercosul é “antinorteamericano” - por Martín Granovsky

Para EUA, Mercosul é “antinorteamericano”
Um documento secreto do Departamento de Estado ao qual o jornal Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o temor estadunidense diante da consolidação de um bloco regional que inclua também a Venezuela. O texto revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana”, afirma.

Martín Granovsky - Página/12
Pela primeira vez vem a público um documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos que qualifica o Mercosul como um organismo “antinorteamericano”. Não consta nos arquivos públicos nenhuma menção neste sentido por parte de uma autoridade do Departamento de Estado. O documento ao qual o Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “A entrada da Venezuela no Mercosul altera claramente o balanço e a dinâmica da organização”, diz o texto. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana”.

A reunião ocorreu nos dias 8 e 9 de maio de 2007 no Rio de Janeiro. O telegrama com um resumo foi classificado como secreto no dia 17 de maio pelo número dois da embaixada no Paraguai, Michael J. Fitzpatrick. Seu título original é “Conferência: uma perspectiva do Cone Sul sobre a influência de Chávez”. Participaram os embaixadores norteamericanos no Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile, e o relatório agradece ainda as contribuições da embaixada na Bolívia.

Quase quatro anos depois do encontro adquire ainda mais importância que tenha sido um diplomata sediado no Paraguai o encarregado de qualificar o grau de confidencialidade da reunião. O protocolo de adesão da Venezuela foi firmado em março de 2006. Mas até hoje não entrou em pleno vigor porque um país só passa a ser membro pleno do Mercosul quando os parlamentos dos países que já são membros ratificam a decisão dos poderes executivos. A única coisa que falta para a entrada da Venezuela no bloco é, hoje, a ratificação do Senado paraguaio.

Na última reunião do Mercosul (Foz do Iguaçu, em 2010), a presidenta Cristina Fernández de Kirchner disse que “a incorporação da Venezuela ao Mercosul, além de aportar sua generosidade, vai ajudar estrategicamente a consolidar-nos em uma das frentes mais importantes deste século, a energética”. Cristina disse confiar “nos irmãos do Paraguai”, destacou o Mercosul como um bloco que permitiu deixar para trás uma hipótese absurda como o enfrentamento entre a Argentina e o Brasil e acrescentou que o peso dos mercados internos dos dois países permitiu “superar a crise global mais importante desde 1930”.

O atrativo de Chávez
A conclusão final dos embaixadores é que “a campanha de Chávez para expandir sua influência no Cone Sul é multifacetada e repousa em boa medida, mas não totalmente, em uma generosa assistência energética e em acordos de investimento”. Concede que a figura de Chávez pode ser “atrativa para muitos dos despossuídos da região, que todavia esperam que a globalização lhes traga os benefícios do livre comércio e o governo verdadeiramente democrático”.

Segundo o telegrama, “ao integrar a Venezuela às instituições existentes e ao criar novos organismos regionais, Chávez quer que o Cone Sul siga essa ideia”. Que resultados teria produzido a suposta campanha do presidente venezuelano? “Poucos países provaram ser capazes de resistir ao atrativo da ajuda venezuelana e de seus pacotes de investimento”.

Para a sorte dos críticos da integração venezuelana, “ao mesmo tempo que a influência de Chávez na região se expandiu significativamente, os líderes regionais suspeitam de seus motivos e objetivos”. Muitos desses líderes “coincidem na ideia de que o Cone Sul, e sobretudo a América do Sul, deve estabelecer uma identidade separada em relação à hegemonia norte-americana, mas não se sentem cômodos se são usados”.

Uma frase dos embaixadores indica o estado do diagnóstico estadunidense: “os Estados Unidos não podem esperar que os líderes da região corram em nossa defesa”.

E depois do diagnóstico vem a recomendação: “Precisamos nos convencer da necessidade de implementar uma estratégia transparente para a região”. O texto segue assim: “Nossa ideia de uma comunidade de nações democrática e inclusiva que assegura a perspectiva de um futuro mais próspero para seus cidadãos é a resposta correta a Chávez”. Os participantes também pediram “mais ferramentas e recurso” para se contrapor ao que definem como “esforços políticos de rachar a democracia, desenhar estratégias econômicas para estrangular o comércio livre, a politização do Mercosul, a expansão das relações na área da Defesa e a campanha nos meios de comunicação de massa”.

País por país
Os diplomatas reunidos no Rio de Janeiro se manifestaram convencidos de que existe uma campanha pública de Chávez e outra clandestina, de distribuição de recursos, e analisaram a posição dos governos da América do Sul detalhadamente.

No caso argentino, um dado chave é o fato de que, segundo os participantes, “uma pesquisa realizada em dezembro de 2006 apontava que Chávez era popular para 52% dos argentinos” e que a imagem dos EUA não era popular. Ao mencionar o nome de Néstor Kirchner, então presidente da Argentina, o relatório diz que “Kirchner tentou distanciar-se publicamente da posição antinorte-americana de Chávez e tratou de manter a percepção de uma linha mais independente para resultar potável ao eleitor médio, mas sua estratégia econômica claramente busca laços mais estreitos com Chávez no comércio e nas finanças, procurando posicionar-se, além disso, entre Lulz e Chávez no espectro regional”. Na visão estadunidense, Kirchner tentava balancear a relação com Chávez. “Isso é evidente no apoio de Kirchner e sua esposa à comunidade judia da Venezuela e, simultaneamente, no fato de que tenham se abstido de qualquer comunicado em favor da liberdade de imprensa no caso da RCTV, por exemplo”.

“Ainda que Kirchner compartilhe algumas das posturas esquerdistas de Chávez, ele é muito mais um pragmático”, diz o texto. E nomeia os empréstimos de 4,2 bilhões de dólares concedidos a Argentina.

O documento assinala ainda que “o que levou o Brasil a apoiar a admissão da Venezuela no Mercosul foi a crença de que Chávez poderia ser controlado mais facilmente dentro do organismo do que se deixado a sua própria inspiração fora dele”. O texto põe em questão essa ideia com dois exemplos. Um, que Chávez estimulou Evo Morales a nacionalizar a Petrobras na Bolívia. Outro, que Chávez disputava protagonismo com Lula nas reuniões do Mercosul.

“Esse atrito oferece uma oportunidade”, analisa o texto (e parece encher-se de esperança) classificado por Fitzpatrick em 2007. Obviamente se refere a uma oportunidade para os EUA causar alguma erosão nas relações do bloco sulamericano.

No entanto, quando Morales nacionalizou o petróleo, nacionalizou também a Petrobras e não só a Petrobras. Brasil se irritou com a ocupação militar das suas unidades, mas um diálogo entre os dois países solucionou a diferença.

Tampouco houve, finalmente, uma disputa de protagonismo entre Lula e Chávez, a tal ponto que o então presidente brasileiro seguiu impulsionando a entrada da Venezuela no Mercosul. O Senado brasileiro ratificou a posição em 2009, com Lula presidente. E sua sucessora, Dilma Rousseff, disse em janeiro último em uma entrevista com meios de comunicação argentinos, entre eles Página/12, que “a Venezuela é um grande produtor de petróleo e gás”. Opinou que o país “tem muito a ganhar entrando no Mercosul, e nós com sua presença”. Também tocou na questão da liderança, mas despersonalizou-a, preferindo colocá-la em um plano binacional argentino-brasileiro por tamanho e desenvolvimento econômico. “Até para os outros países é absolutamente importante que Brasil e Argentina estejam juntos porque não é uma relação de hegemonia a que os dois países se propõem a estabelecer com o resto da América Latina”, declarou.

Na visão norte-americana daquele momento, outro tema a seguir de perto eram os contatos militares venezuelanos e, no caso da Bolívia, os supostos contatos na área da inteligência. Até o Uruguai aparece sob suspeita, porque segundo o telegrama os temas relacionados à segurança, do então presidente Tabaré Vázquez, eram implementados no dia a dia por seu irmão, Jorge, “um ex-membro da guerrilha POR-33”. Vázquez, subsecretário do Interior, teria trabalhado segundo os Estados Unidos com “agentes do serviço secreto recrutados sob o guarda-chuva da central sindical PIT-CNT, dominada pelo Partido Comunista, e treinados em Caracas e Havana”.

Na verdade, a OPR-33 foi mais libertária do que comunista e na PIT-CNT há também peso de socialistas e do Movimento de Participação Popular do ex-tupamaro Pepe Mujica. Jorge Vázquez é o mesmo que denunciou no Uruguai uma campanha por meio do qual teria sido falsamente acusado de armazenar para o Irã em combinação com a Venezuela.

Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior

Isso não merece um Tribunal Penal Internacional? - por ANA

Isso não merece um Tribunal Penal Internacional?Bombas sionistas propagam o câncer e más formações em Gaza: Alguns dias atrás, a Assembléia Geral da ONU expulsou a Líbia do Conselho de Direitos Humanos, enquanto os antecedentes da Líbia foram enviados ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. A decisão da ONU se baseia em "suposições" e “presunções", porque não havia nenhuma evidência de mortos como foi falado, até então.

Veja aqui os dois pesos da chamada comunidade internacional, quando se trata de analisar o que torna uma das engrenagens mais simbólicas do Imperialismo - o sionismo:

O número de pacientes com câncer e má formação tem aumentado em Gaza, devido ao uso de urânio empobrecido pelo exército israelita, durante o violento ataque ao pobre enclave durante dois anos, segundo fontes médicas.

Após a guerra, os casos de câncer aumentaram mais de 30% em Gaza, informou o correspondente da PressTV esta semana.

"Temos visto um aumento acentuado em pacientes com câncer de sangue e outras doenças. Muitos pacientes vêm de áreas que foram atacadas por aviões israelenses que usaram armas químicas proibidas", disse o oncologista Mohammed Atteya.

O Hospital Shifa, o maior provedor de cuidados de saúde na Faixa de Gaza, tem presenciado recentemente um forte aumento no número de pacientes com câncer.

Os médicos afirmam que a maioria dos pacientes de câncer reside em áreas que foram fortemente bombardeadas durante a ofensiva de Israel sobre Gaza, no inverno de 2008-2009.

O ataque israelense matou 1.400 palestinos e deixou milhares de feridos; a maioria das vítimas era civil.

Naquele momento, os médicos noruegueses, voluntários em hospitais de Gaza, afirmaram que algumas vítimas tinham traços de urânio empobrecido em seus corpos.

Os danos ambientais e a poluição é outro subproduto infeliz da guerra.

As medições do pós-guerra indicam que áreas no enclave são mil vezes mais radioativas do que os níveis normais, e os casos de câncer e má formação começaram a surgir diariamente.

"O número de pacientes com câncer tem aumentado significativamente. Israel usou urânio empobrecido, fósforo branco contra a cidade, que se tornou um campo de testes para essas armas proibidas", disse o especialista ambiental Zekra Ajour.

Um denominador comum entre pacientes com câncer é que eles vivem em áreas que foram fortemente bombardeadas.

Atualmente, a maioria das armas da mais alta tecnologia contém urânio empobrecido e outros metais pesados.

O resíduo de uma arma com urânio empobrecido pode ser espalhado pelo vento, infectando os residentes nas proximidades e contaminando a cadeia alimentar.

De acordo com médicos especialistas e ambientalistas, a população e o meio ambiente da Faixa de Gaza sofreram graves conseqüências do uso de armas proibidas internacionalmente por Israel durante a guerra.

agência de notícias anarquistas-ana
A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Ronaldo Bomfim

O segundo desembarque. Multinacionais espanholas na América Latina - por ANA

O segundo desembarque. Multinacionais espanholas na América Latina

Quinhentos anos depois da conquista da América, as multinacionais espanholas, com o apoio da diplomacia, das organizações financeiras internacionais e dos meios de comunicação, são os setores-chave das economias da América Latina.

É o segundo desembarque. Modernização, geração de emprego, redução da pobreza... foram apenas mitos. O saldo na forma de qualquer tipo de impacto não poderia ser mais negativo: dano ambiental, deslocamento populacional, escassez de alimentos e as deficiências dos serviços públicos privatizados, a deterioração dos direitos trabalhistas, violações dos direitos humanos e, em geral, pilhagem econômica e dos recursos naturais.

Frente a isso, hoje, uma vasta rede de organizações sociais nas regiões Sul e Norte coordenam suas lutas e resistência.

Um vídeo do: Observatório das Multinacionais na América Latina (OMAL) e Paz com Dignidade.

Roteiro, direção e produção: José Manzaneda.

Duração: 41 minutos.

Ano: 2010.

Baixe aqui: http://www.blip.tv/file/3723791#

agência de notícias anarquistas-ana
pétala amarela
a borboleta saltou
sem pára-quedas

João Acuio

Show de horror e crueldade: Ursos e cães são obrigados a duelar no Paquistão - por ANDA

Show de horror e crueldade: Ursos e cães são obrigados a duelar no Paquistão
Por Camila Arvoredo (da Redação)
Cão ataca urso indefeso durante duelo (Foto: France24/WSPA)

Os grandes proprietários das províncias paquistanesas do Punjab e do Sindh se divertem de uma maneira bastante particular e sanguinolenta: o combate de ursos. As regras são tão simples quanto cruéis: dois cães de combate bem-treinados são liberados numa arena, onde está localizado um urso cativo, cujas garras e dentes foram neutralizados. Os cães são declarados vencedores se eles conseguem colocar o urso no chão.

O combate de ursos foi introduzido na Ásia do Sul pelos colonos ingleses no século XVIII. Ele foi progressivamente abandonado em todos os países da região, salvo o Paquistão, onde os combates são sempre organizados pelos grandes proprietários de terra, durante os períodos de festa, para divertir a população. Os ursos são capturados por traficantes e depois domados por seus proprietários nômades.

Cada combate dura ao redor de três minutos. Os ursos sempre saem feridos, mas os combates raramente causam a morte do animal. Certos ursos são enviados para a arena até dez vezes por dia.

Apesar do combate dos ursos ser proibido no Paquistão desde a votação de uma lei de prevenção contra a crueldade aos animais, em 1980, as regiões tribais mais afastadas continuam a organizar os combates.

As associações de proteção aos animais, como a “Sociedade Mundial para a Proteção dos Animais” (WSPA), em inglês, trabalharam com as autoridades paquistanesas para tentar pôr fim a esta prática. Segundo a WSPA, as campanhas de sensibilização e de repressão dos combates de ursos permitiram que 80% dos torneios previstos desde 2001 fossem impedidos e que 40 ursos fossem salvos. Segundo a WSPA, haveria, entretanto, ao redor de 70 ursos prisioneiros que combateriam no Paquistão.

Em 2000, um santuário foi criado no vilarejo de Kund, próximo da cidade de Peshawar, para acolher os ursos de combate, liberados de seus carrascos. Todavia, no verão de 2010, as inundações afogaram 20 dos 23 ursos que ali estavam abrigados. Os três sobreviventes foram realocados em um novo abrigo, no norte de Punjab.

“Eles utilizam os textos islâmicos, que condenam a crueldade contra os animais, para convencer os proprietários”.

O Dr. Fakhar-I-Abbas é diretor do “Centro de Pesquisas em Recursos Biológicos (BRC)”, uma ONG, membro da WSPA. Ele milita pela abolição do combate de ursos em seu país.

Os grandes proprietários de terra são extremamente influentes em certas zonas rurais do Paquistão. Seus objetivos são primeiramente, atrair pessoas para as feiras do vilarejo, organizadas em suas terras. Isso gera um comércio forte na região. Os proprietários também gostam de mostrar que estão acima da lei, desafiando o governo e atuando contra as proibições. É uma maneira de ganhar no braço de ferro, politicamente falando.

Nós lançamos três tipos de ações para erradicar os combates. Primeiramente, nós tentamos convencer os proprietários diretamente. Nós descrevemos as condições dramáticas em que vivem os ursos e os riscos que estes combates trazem para os animais, que saem mutilados e traumatizadas. Muitos são receptivos. Nos últimos dez anos, mais de 80% dos proprietários que conversamos aceitaram parar com a organização destes combates.

Em seguida, nós visitamos as mesquitas da região, onde os combates se praticam, e discutimos com os “Imams”. Nós utilizamos os textos islâmicos, que condenam a crueldade contra os animais e nós pedimos que eles denunciem estas práticas nas preces de sexta-feira. O objetivo é que o público perceba que estas práticas são contra a sua própria religião.

Por fim, nós temos representantes nos vilarejos, que nos alertam quando um combate de ursos é organizado, a fim que possamos prevenir as autoridades. Esta organização permitiu que organizássemos diversas blitz eficazes nos últimos anos. Entretanto, em certas zonas, os proprietários de terra são tão poderosos que eles controlam toda a cadeia que põem em prática a lei. E, nestes casos, uma intervenção policial é impossível.
Fonte: http://www.anda.jor.br

O cheiro da intervenção na Líbia – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

The Economist prega guerra contra funcionários públicos - por Bernard Cassen

The Economist prega guerra contra funcionários públicosEm um informe publicado dia 8 de janeiro, a revista anunciou a "próxima batalha" liberal: o confronto com os sindicatos do setor público. A tese da revista pode ser resumida em três pontos: os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; para reduzir o gasto, é preciso reduzir efetivos, salários e sistemas de pensões dos funcionários; os governos ganharão a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público. Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual.

A revista The Economist é onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as teses ultraneoliberais. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que The Economist preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público”.

A tese da revista é de uma simplicidade evangélica e pode ser resumida em três pontos: a) todos os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; b) para reduzir o gasto público, é preciso reduzir os efetivos, os salários e os sistemas de pensões dos funcionários; c) os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes.

Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. Tampouco que estes déficits aumentaram devido aos presentes sob a forma de isenções fiscais outorgadas aos ricos. Nem sequer se deixa claro que, em troca de seu salário, os funcionários prestam serviços indispensáveis para o bom funcionamento da sociedade.
Em particular os professores, atacados muito especialmente neste informe.

O jornalista que escreveu um dos artigos deve estar muito desinformado sobre as reais condições de trabalho dos professores para ter coragem de escrever que “65 anos deveria ser a idade mínima para que essa gente que passa a vida em uma sala de aula se aposente”.

The Economist festeja que vários governos europeus – dois deles dirigidos por “socialistas”, Grécia e Espanha – tenham rebaixado os salários de seus funcionários e que, em toda a União Europeia haja “reformas” – seria mais justo falar de contrarreformas dos sistemas de pensões já realizadas ou em vias de realização.

Por ideologia, os liberais são hostis aos funcionários e demais assalariados do setor público. Em primeiro lugar porque privam o setor privado de novos espaços de lucro. Em segundo porque, protegidos por seu estatuto, podem ser socialmente mais combativos que seus companheiros do setor privado, até o ponto de que, às vezes, fazem greves “por delegação” e representam os trabalhadores do setor privado que não podem fazê-las.

Esta solidariedade é a que os governos querem destruir a todo custo para reduzir a capacidade de resistência das populações contra os planos de ajuste e de austeridade implementados em toda a Europa. Os déficits públicos constituem assim um pretexto inesperado para modificar as relações sociais conflitivas em detrimento do mundo do trabalho.
Defender os serviços públicos é defender o único patrimônio do qual dispõem as categorias mais pobres da população. A aposta na caça aos funcionários públicos e a seus sindicatos proposta por The Economist não é apenas financeira. É política ou ideológica.

Versão em espanhol - Le Monde Diplomatique
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Fonte: Carta Maior

sexta-feira, 4 de março de 2011

As fantasias neste Carnaval 2011!!!



Uma das cabeças deste Provos Brasil aproveitará o feriado em buscas das ondas perfeitas!

Paz no transito temos muito que viver ainda!

Salut Compas

A logomarca da Unicamp, revisitada pelo reitor Fernando Costa - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff