segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Brasil: quem são os novos desaparecidos - Por Vladimir Platonow


Brasil: quem são os novos desaparecidos
Trinta anos após redemocratização, série de “desaparecimentos” nas periferias, com claro envolvimento policial, convida a perguntar: ditadura de fato terminou?

Cinco mães e um pai de jovens desaparecidos ou mortos na Bahia nos últimos anos relataram, nessa quinta-feira (4), à Anistia Internacional (AI), no Rio de Janeiro, os dramas vividos. Eles pediram ajuda para solucionar os casos que, alegam, não têm recebido a devida atenção por parte do governo baiano.

Em todos os casos, os jovens são negros e de famílias humildes. Na maior parte, há relatos de testemunhas de participação policial ou de milícias. Em quase todas as situações, os inquéritos foram inconclusivos, sem apontar a autoria nem localizar os jovens, para o desespero dos pais, que não sabem, até hoje, se os filhos estão vivos ou mortos.

O drama mais recente é de Rute Silva, mãe de Davi Fiuza, de 16 anos de idade. Ela relatou que o filho foi pego quando estava observando uma operação da polícia, no dia 24 de outubro deste ano, no bairro de Vila Verde, em Salvador. “De repente, ele foi encapuzado, teve amarrado os pés e as mãos e jogado em um carro descaracterizado. Havia muitas viaturas da polícia por perto, segundo as testemunhas. Desde então, procurei todos os meios legais e jurídicos, fui ao Instituto Médico-Legal, nos campos de desova [de cadáveres], mas nada”, contou.
Ruth Fiúza, mãe de Davi Fiúza, que desapareceu há cerca de um mês (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O caso de Davi Fiuza motivou a AI a denunciar a situação à Organização das Nações Unidas (ONU), assim como a de outros jovens, até hoje desaparecidos, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Outro Davi, com sobrenome Alves, teve destino semelhante. Filho da vendedora Iracema Barreiros Alves, ele foi apreendido pela polícia, aos 17 anos, no dia 6 de dezembro de 2013, em Salvador. Alves estava, segundo a mãe, na companhia de outros dois menores, em um carro, sem que o motorista tivesse habilitação. Acabou liberado, mas nunca mais foi visto.
Iracema Barreiros Alves, mãe de Davi Barreiros Alves, desaparecido (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Foi levado para a Delegacia do Menor Infrator e depois para a Fundação Casa. Eu recebi um telefonema para buscar meu filho, mas quando cheguei lá disseram que ele já estava indo para casa, só que nunca chegou. Eu voltei e disseram que ele tinha sido liberado com o pai de outro menor, que o teria deixado em outro lugar. Como liberaram o meu filho para outra pessoa?”, perguntou Iracema.

O filho de Antônio Carlos Borges de Carvalho, Jackson Antônio, acabou morto em 23 de junho de 2013, em Itacaré, município praiano a 150 quilômetros ao sul de Salvador, e até hoje não se sabe o motivo. “O meu filho foi brutalmente assassinado, aos 15 anos. Ele era judoca desde os 7 anos, surfava e cursava o primeiro ano do curso técnico de guia de turismo. O corpo foi encontrado por mim, enterrado em um buraco, de cabeça para baixo, com as pernas cortadas na altura do joelho e com um tiro na cabeça. Até hoje, não tive acesso ao inquérito. O delegado o colocou em sigilo de Justiça”, contou Carvalho.
Antônio Borges pai de Jackson Antonio Souza de Carvalho, morto em Itacaré (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Cleonice Oliveira, mãe de Jean Carlos Oliveira da Silva, 20 anos, disse que o filho foi sequestrado, juntamente com dois jovens, os irmãos Luis Ricardo, de 20 anos, e Sérgio Luis Nascimento, de 28, no dia 16 de maio de 2013, após a casa ser invadida pela Companhia de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar. “Eles foram algemados e encapuzados, de madrugada, na casa onde moravam, e colocados em viaturas. Há um ano e sete meses a gente não tem mais nenhuma informação. Não há investigação alguma. Queremos saber onde eles estão. É isso que nos move.”

A professora Lucimoura Santos, mãe de Sérgio Luís e Luís Ricardo, ainda espera notícia dos filhos: “Levaram eles e até hoje não tenho informação sobre o paradeiro. Mas temos esperança de que estejam vivos”.
Ana Lucia Conceição da Silva, mãe de Mateus Silva Souza, de 19 anos, é outra que não viu mais o filho.

“Ele saiu de casa dizendo que ia para uma lan house, no dia 10 de maio de 2012. Até agora, não tenho notícia nenhuma. Fiquei sabendo que meu filho foi pego pela polícia e torturado, no bairro de Itaigara, em Salvador. Ele estava com mais dois colegas, que saíram correndo [ao ver a polícia]. Ele parou, para se justificar. Aí deram um tiro na perna dele e o jogaram na mala do carro. Até o dia de hoje, não sei o que aconteceu. Sumiram com o meu filho.”
Cleonice Oliveira, mãe de Jean Carlos Oliveira da Silva, e Lucy Moura Santos, mãe de Luiz Ricardo Santos Nascimento e Sérgio Luiz Santos Nascimento, todos sequestrados em Canabrava (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Hamilton Borges, militante da organização Quilombo X Ação Comunitária e da Campanha Reaja, disse que o objetivo das entidades é lutar contra os grupos de extermínio, a brutalidade policial e a lógica de segurança pública vigente no estado. “Ser negro, jovem e pobre é uma sentença de morte na Bahia. As abordagens policiais são letais. As pessoas estão sendo orientadas pelas famílias a não sair às ruas. A gente vive em uma grande cadeia, onde tem tortura, mortes e desaparecimentos que, na verdade, são sequestros”, disse Hamilton.

Ele alegou que o governo baiano não criou nenhum mecanismo para combater os grupos de extermínio nem a brutalidade policial, o que levaria a polícia da Bahia a ser a terceira que mais mata no país, em dados absolutos. Além disso, Hamilton disse que há um componente de discriminação racial nas abordagens.

“Se o policial encontra um garoto branco, de classe média alta, fumando maconha, leva para casa e entrega para os pais, dizendo que ele estava cometendo um erro. Se um garoto negro apenas está usando um chapéu, uma tatuagem, eles matam e desaparecem.”

Procurada para se pronunciar sobre os casos, especialmente o mais recente, de Davi Fiuza, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou, em nota, que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas. Disse que várias vertentes são investigadas, inclusive a participação de policiais. Os que estavam de plantão no dia do desaparecimento estão sendo ouvidos no inquérito. A secretaria também informou que, no período de 2013 a 2014, 104 policiais foram demitidos, graças ao trabalho das corregedorias.

Fonte: http://outraspalavras.net/outrasmidias/capa-outras-midias/brasil-quem-sao-os-novos-desaparecidos/

Uma retratação as mulheres (feministas ou não) - por Latuff

Uma retratação as mulheres (feministas ou não)


Uma retratação.

Agora a noite, tive uma conversa com três mulheres, feministas, militantes, e que me fizeram repensar sobre minhas posições. Fora elas, outras aqui na Internet, como a Mhel Marrer, a Conceição Oliveira (mariafrô), a Helena Gonçalves, e muitas outras desde ontem. Foram dois dias praticamente dedicados a discussão sobre a charge e minha visões sobre o que seria o feminismo radical. Daí cheguei a seguinte conclusão.

A charge dá margem para interpretações equivocadas, e pode mesmo ser utilizada para endossar argumentos antifeministas, o que nunca foi minha intenção. O feminismo é relevante e necessário, e de fato, por mais agressiva que seja a abordagem, não são as radfem que mais matam no Brasil e no mundo e sim o machismo.

As mulheres que se sentiram agredidas pela charge, minhas opiniões ou atitudes, peço desculpas. E sobre dar opiniões a respeito do feminismo, preparei mais esta charge.

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Festival do Filme Anarquista e Punk acontece neste final de semana, em São Paulo


Festival do Filme Anarquista e Punk acontece neste final de semana, em São Paulo
De 05 a 07 de dezembro, a Casa de Cultura Tendal da Lapa, em São Paulo, estará sediando a terceira edição do Festival do Filme Anarquista e Punk, com uma diversificada maratona cinematográfica. Títulos nacionais e internacionais pouco divulgados nas grandes salas de cinema compõe a programação do Festival.

Na seleção do Festival, destaque para os filmes “Anarquistas em Tucuman”, curta-metragem da Argentina, de Jose Saravia; “Andes Libertários: O Anarquismo no Peru”, longa-metragem peruano de Renzo Forero; ”An anarchist life” (Uma Vida Anarquista), longa-metragem da Itália, de Ivan Bormann e Fabio Toich; “Casa da Lagartixa Preta “Malagueña Salerosa - 10 anos de experiências anarquistas”, longa-metragem brasileiro, da Anarco Filmes, Do Morro Produções e Ativismo ABC.

Para conferir a programação completa do Festival, que também abre espaço para bate-papos, exposições, oficinas, sarau poético, lançamento de livro, banquinhas de materiais libertários, acesse anarcopunk.org/festival. A Casa de Cultura Tendal da Lapa fica na Rua Constança, 72 - Lapa, São Paulo (SP). Entrada gratuita.

Notícia relacionada:

agência de notícias anarquistas-ana

por entre os salgueiros

clarão sedoso das águas

enluaradas
Rogério Martins

O Feltrinelli brasileiro - por Maria do Rosário Caetano


O Feltrinelli brasileiro
O anarquista brasileiro Edgard Leuenroth não teve imagem tão poderosa quanto à de Che Guevara para difundir mundo afora, mas teve uma causa: a luta dos operários ligados à vertente anarcossindicalista

Edgard Leuenroth (1881-1968), cujo rico acervo foi adquirido pela Unicamp e está disponibilizado para consulta pú­blica no Centro de Pesquisa e Documen­tação Social, protagonizou história que lembra a do editor italiano Giangiacomo Feltrinelli (1926-1972).

Se Feltrinelli foi editor poderoso, nem por isto deixou de abraçar causas re­volucionárias (criou os GAP – Gruppi d’Azione Partigiana) e fez de sua edito­ra uma das principais difusoras da lite­ratura de esquerda e da histórica foto de Che Guevara, feita por Alberto Korda. Aquela do guerrilheiro heroico, que cor­reu o mundo.

Quando Ernesto Guevara de la Serna foi assassinado, em outubro de 1967, na Bolívia, o editor italiano imprimiu mi­lhões de pôsters com o mais famoso re­trato do rebelde argentino-cubano.

O anarquista brasileiro não teve ima­gem tão poderosa quanto à de Che Gue­vara para difundir mundo afora. Mas te­ve uma causa: a luta dos operários liga­dos à vertente anarcossindicalista. Ele foi tipógrafo, jornalista, arquivista, propa­gandista e militante anarquista. Torna­-se, portanto, impossível contar a histó­ria da imprensa operária brasileira sem falar dele. Afinal, fundou ou colaborou com mais de vinte publicações editadas nas primeiras décadas do século XX. Al­gumas delas: Folha do Braz, O Traba­lhador Gráfico, A Terra Livre, A Lucta Proletária, A Folha do Povo, A Lanter­na, A Guerra Social, O Combate, A Capi­tal, Spartacus, A Plebe, Jornal dos Jor­naes, Ação Libertária e Ação Direta.

Anarcossindicalista
Edgard Frederico Leuenroth nasceu em Moji Mirim, no interior de São Pau­lo, filho de um médico-farmacêutico e de uma sobrinha do Visconde de Rio Cla­ro. Tinha cinco anos quando o pai fale­ceu. Mudou-se, então, com a mãe, para a capital paulista. Fixaram-se no bairro operário do Brás. Em dificuldades finan­ceiras, a família precisou dos serviços do menino, que abandonou os estudos aos dez anos para exercer pequenos ofícios (auxiliar de limpeza, etc.).

Aos 19 anos, passou a frequentar as reuniões do Círculo Socialista. Aos 20, em contato com o poeta libertário Ricar­do Gonçalves, conheceu a filosofia anar­quista. Fundou o Centro Typográphi­co de São Paulo e, na grande greve geral que paralisou a metrópole industrial, em 1917, teve liderança fundamental. Como mostra o filme Libertários, de Lauro Es­corel.

Um episódio, em especial – também registrado pelo filme – fez a greve cres­cer: a morte do jovem anarquista de ori­gem espanhola José Martinez durante protesto na porta da Fábrica Mariângela. O enterro do rapaz, no cemitério do Ara­çá, atraiu milhares de pessoas e ampliou o alcance da greve, iniciada pelos operá­rios têxteis do Cotonifício Crespi (sedia­do na Mooca).

Para se ter uma ideia, 70 mil trabalha­dores pararam as fábricas, armazéns fo­ram saqueados, bondes e outros veícu­los incediados e barricadas erguidas nas ruas. Leuenroth, que integrava o Comitê de Defesa Proletária, era tido como prin­cipal líder do levante anarcossindicalis­ta. E foi preso. Com o triunfo da Revolu­ção Bolchevique, na Rússia, a repressão no Brasil recrudesceu e muitos dos líde­res anarquistas vindos da Itália e da Es­panha foram deportados.

Num dos textos que enriquecem o li­vreto que acompanha o DVD de Libertá­rios e Chapeleiros, o professor Michael M. Hall, da Unicamp, realiza consistente análise das ideias, agitações e greves que abalaram a São Paulo das duas primeiras décadas do século XX [leia trecho ao fi­nal deste texto]. 

Polo aglutinador
O Arquivo Edgard Leuenroth, criado na gestão do reitor Zeferino Vaz, há exa­tos 40 anos, é coordenado pelo Institu­to de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas. Nasceu, por umas destas ironias da história brasilei­ra, em plena ditadura militar. Seu propó­sito: ser “um polo aglutinador e difusor de investigação científica sobre a história dos trabalhadores”. Lá estão depositados mais de cem fundos e coleções (a princi­pal é a de Leuenroth), boa parte deles já digitalizados e abertos à consulta públi­ca, em prédio próprio, dentro do campus da universidade campineira.

Durante o lançamento do DVD de Li­bertários e Chapeleiros, em São Pau­lo, os professores Paulo Sérgio Pinhei­ro e Victor Leonardi relembraram a for­mação do Arquivo Edgard Leuenroth, do Centro de Pesquisa e Documentação So­cial-Unicamp (AEL-CPDS). E confessa­ram a necessidade de “muito jeitinho” para driblar os empecilhos que foram surgindo pelo caminho.

“Jeitinhos”
Após os terríveis anos Médici, o gene­ral Ernesto Geisel assumiu a presidên­cia anunciando “abertura lenta e gradu­al”. Neste clima, o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, com outros colegas pro­gressistas, resolveu, apoiado pelo reitor Zeferino Vaz, procurar o então ministro da Indústria e Comércio, Severo Gomes, para que bancasse a aquisição do valio­so Arquivo de Leuenroth. O material es­tava sob a guarda de dois filhos do líder anarquista, Germinal (homenagem a Zo­la, claro) e Nilo Leuenroth.

O ministro Severo Gomes prometeu ajudar. Mas o presidente Geisel mandou chamá-lo, pois queria saber o que o Mi­nistério da Indústria e Comércio tinha a ver com a aquisição de arquivo de jornais e documentos da luta operária anarcos­sindicalista.

Antes, a equipe reunida pela Unicamp para criar o Centro de Pesquisa e Docu­mentação Social teve de enfrentar outro contratempo. O professor Victor Leonar­di deixara a UnB (Universidade de Brasí­lia) para trabalhar neste projeto da Uni­camp. Só que, na hora de ser contrata­do, um dossiê com sua história política foi parar nas mãos do ministro Golbery do Couto e Silva. A documentação acusa­va Leonardi de práticas subversivas. Sua contratação foi vetada. Deu-se, então, um jeitinho: Paulo Sérgio Pinheiro assu­miu o comando do projeto e Victor Leo­nardi continuou atuando, mas “por baixo do pano” (sem seu nome nos documen­tos oficiais).

Severo Gomes usou de muita diplo­macia para convencer Geisel. Argumen­tou com o general-presidente que, pa­ra melhor conhecer a indústria brasilei­ra, fazia-se necessário conhecer a histó­ria dos operários. O projeto foi aprovado. “O dinheiro gasto na compra do Acervo Leuenroth” – relembra Pinheiro – “cor­responde hoje ao preço de um aparta­mento na Avenida Vieira Souto, no Rio. Conseguimos salvar patrimônio cobiça­do por importante ‘brazilianista’, o esta­dunidense J.W. Foster Dulles, que dese­java levá-lo para a Universidade de Aus­tin, no Texas”.

Hoje, os originais da história operá­ria paulista, protagonizada especialmen­te por imigrantes italianos, espanhóis e portugueses, estão depositados na Uni­camp. E cópias foram encaminhadas ao Instituto Histórico de Amsterdã e ao Ins­tituto Feltrinelli da História Operária, em Milão. (MRC).

São Paulo-SP
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/30730

Massacre: Todos os dias o mundo perde de 96 a 110 elefantes africanos – por Ana Rita Negrini Hermes


Massacre: Todos os dias o mundo perde de 96 a 110 elefantes africanos
Foto: Reprodução

Os caçadores matam os elefantes e o marfim é traficado para a Ásia, onde é vendido para que sejam feitas pulseiras, jóias e ornamentos. Ainda hoje, os turistas continuam a comprar peças de marfim ignorando completamente o que estão ajudando a financiar. Há centenas de lojas na China e na Tailândia que comercializam o produto. As equipes de fiscalização governamentais, bem como a fiscalização online estão fazendo pouco ou quase nada para impedir este comércio – apesar de ser ilegal. As informações são do Facebook “International Animal Rescue Foundation World Action South Africa.”

A maior empresa de turismo do Reino Unido, embora não endosse a compra de marfim, meramente diz a seus clientes para “- Terem cuidado com qualquer coisa que contenha produtos feitos de marfim, tartaruga marinha, corais, flores ou pele de répteis. O comércios de lembranças feitas com elementos da vida selvagem é controlado internacionalmente para salvaguardar as espécies, então seus presentes podem ser confiscados pela alfândega, em seu retorno.”

Entretanto, embora este aviso seja de domínio público, os turistas continuam a comprar marfim e com isto o dinheiro volta aos caçadores e ao comércio do mercado negro. Muitos turistas estão, involuntariamente, ajudando a levar uma das espécies com mais risco de extinção do mundo, a sua extinção em si – tudo por causa de uma lembrança exótica. Embora os últimos números indiquem que alguns itens do comércio de produtos da vida selvagem sejam trazidos por criminosos, a maioria parece ser inocentemente trazida na volta das férias como lembranças.
Foto: Reprodução Internet

No último ano, cerca de 158 mil plantas ilegais como o Ginseg Americano, orquídeas e 221 produtos feitos com marfim e pele e 959 répteis vivos como cobras, lagartos e tartarugas foram aprendidos pela alfândega. Muitos itens passarão pela alfândega sem serem descobertos e estes números são somente no Reino Unido. Se considerarmos todos os turistas de outras partes do mundo, incluindo muitos outros países com procedimentos alfandegários mais brandos e onde as pessoas não se importam com a compra de produtos da vida selvagem, é possível imaginar o tamanho do problema.

O número de produtos feitos com marfim encontrados à venda subiu de 5.865 em janeiro de 2013 para 14.512 em maio deste ano, enquanto entre janeiro e dezembro de 2013, o número de lojas que vendem marfim cresceu de 61 para 105. Pelo menos vinte mil elefantes africanos foram mortos em 2013 por caçadores , para suprir a alta demanda da Ásia, onde a Tailândia tem a não invejável reputação de ser o lugar com o maior número de mercados de marfim irregulares do mundo. Acredita-se que gangues transnacionais asiáticas estão por trás deste tráfico. De certa forma, uma lei de 75 anos que permite o comércio legal de marfim de elefantes domesticados na Tailândia é culpada pela atual crise do tráfico.

“As autoridades tailandesas estão adiando por quase duas décadas a revisão de sua ultrapassada legislação sobre o marfim e a paciência do mundo com ela está se esgotando – já é hora de revisar e fechar a brecha legal que permite a lavagem do marfim de elefantes africanos, bem como o comércio aberto de outras espécies relacionadas na CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção – e fechar o comércio ilegal de marfim,” disse Chris Shepherd, Diretor regional da TRAFFIC no sudeste asiático.

Apesar das proibições internacionais da venda de marfim e regulamentações declarando ilegal, muitas das lojas em Bangkok têm placas mirando em compradores chineses, minando diretamente os esforços da China em desencorajar a compra de marfim por seus cidadãos que viajam ao exterior. Em 2013, a Tailândia deu boas-vindas a 26.7 milhões de visitantes, de acordo com a Autoridade de Turismo da Tailândia, com a China no topo da lista com 4.7 milhões de turistas, um pulo de 69% se comparado a 2012 quando o total de turistas era quase 20%.

“O grande crescimento no número de turistas significa que as autoridades alfandegárias deveriam inspecionar com mais rigor os visitantes saindo ou retornando da Tailândia com lembranças feitas de marfim,” disse Shepherd. “A mensagem deveria estar chegando aos turistas que visitam a Tailândia de forma clara e firme – compre marfim e estará comprando problemas.” Ironicamente, os elefantes são venerados na Tailândia como uma parte importante da identidade do país, já que são parte integral das crenças e cultura tailandesas. Apesar disto, a Tailândia está sempre presente nas análises do ETIS – Sistema de Informações sobre o Comércio de Elefantes, gerenciado pela TRAFFIC em nome da Conferência das Partes da CITES, como um dos países mais problemáticos no mundo em relação ao comércio do produto.

“A Tailândia tem que cumprir suas obrigações internacionais – já ouvimos promessas de tomada de ação antes, mas o mundo ainda está esperando ver o país cumprir os comprometimentos públicos que fez,” disse Shepherd. E se você pensa que tudo isto é ruim, o Facebook respondeu aos pedidos da International Animal Rescue Foundation no ano passado e há cerca de três meses removeu as páginas de 30 comerciantes de marfim – que voltaram a funcionar novamente. Veja as páginas que difundem esta indústria cruel.

Fonte: http://www.anda.jor.br/04/12/2014/dias-mundo-perde-96-110-elefantes-africanos