segunda-feira, 28 de julho de 2014

A direita delirante e seus vassalos amestrados - Por Guilherme Boulos*


A direita delirante e seus vassalos amestrados.
Não é casual que ultraconservadores brasileiros aplaudam massacre em Gaza. A eles, que um dia tiveram argumentos, restaram o porrete e a incitação ao fascismo

A direita brasileira já foi melhor. Teve nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merquior entre seus quadros, formulando sobre teoria econômica e política internacional. Naquele tempo, a direita recorria a argumentos, além do porrete. Hoje restou apenas o porrete, aplicado a esmo sem maiores requintes de análise.

Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe.

Reinaldo Azevedo é hoje o maior representante dessa turma. Com 150 mil acessos diários em seu blog mostra que há um nicho de mercado para suas estripulias. Ao lado dele tem gente como Rodrigo Constantino, aquele que se orgulha das viagens a Miami e se despontou como legítimo defensor dos sacoleiros da Barra da Tijuca.

Antes os intelectuais de direita iam fazer estudos em Paris. Agora vão comprar roupas em Miami. Sinal dos tempos e das mentes.

Dispostos a tudo para fazer barulho no debate público, mas sem substância em suas análises, aproximam-se frequentemente de um discurso delirante.

Reinaldo Azevedo jura que o governo petista quer construir o comunismo no Brasil. E vejam, ele não está falando do Lula de 1989, mas do governo do PT de 2003 a 2014. Sim, o mesmo que garantiu lucros recordes aos bancos e empreiteiras na última década. Que manteve as bases da política econômica conservadora e que nem sequer ensaiou alguma das reformas populares historicamente defendidas pela esquerda. Neste governo que, com muito esforço, pode ser apresentado como reformista, ele enxerga secretas intenções socializantes. Certamente com o apoio da Odebrecht e de Katia Abreu. Só no delírio…

Para ele, João Goulart é que era golpista em 64. Os black blocs são amigos do ministro Gilberto Carvalho. E as pessoas só são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus por medo de serem acusadas de elitistas. Ah sim, sem esquecer que a mídia brasileira – a começar pelas Organizações Globo – é controlada sistematicamente pela esquerda.

Ele baba, ele xinga. Ofende os fatos e fantasia perigos. Lembra, embora com menos poesia, dom Quixote atacando os moinhos de vento.

A pérola mais recente é escabrosa: Israel seria vítima do marketing internacional do Hamas. No momento em que o mundo vê a olhos nus centenas de palestinos serem massacrados na Faixa de Gaza, ele denuncia uma conspiração internacional de mídia contra o Estado de Israel. Encontrou eco no também direitista delirante Luis Felipe Pondé, em artigo na Folha de S.Paulo.

Teoria da conspiração vá lá, até pode ter seu charme; mas, como dizia Napoleão, entre o sublime e o ridículo há apenas um passo. Reinaldo Azevedo e seus sequazes já atravessaram faz tempo esta fronteira.

De fato, os textos que têm se prestado a publicar acerca do genocídio na Palestina já superaram o ridículo. Chegaram ao cinismo. Dizer que as crianças mortas na Faixa de Gaza são marketing é uma afronta do mesmo nível da deputada sionista que defendeu o extermínio em série das mulheres palestinas para impedir a procriação. É apologia covarde ao genocídio e ao terrorismo de Estado.
A direita se diferencia da esquerda, dentre outras coisas, pela análise dos fatos. Mas não por criar fatos ou ignorá-los. Ao menos quando tratamos de uma direita séria.

No caso de Reinaldo Azevedo e dos seus, estamos num outro campo. Não é apenas a direita. É uma direita delirante. A psiquiatria clínica é clara: negação dos dados da experiência, somada a uma reconstrução da realdade pela fantasia chama-se delírio. Aqui há ainda o agravante da fixação em temas recorrentes. PT, movimentos populares e mais uns dois ou três.

Um delírio em si é inofensivo. O problema é quando começa a juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras. É assim que nascem os movimentos fascistas. Quem defende extermínio higienista em Gaza também deve defendê-lo no Complexo do Alemão ou em Paraisópolis.

Reinaldo Azevedo certamente ainda não representa um risco político real, mas o crescimento de seus seguidores é um sintoma preocupante da intolerância e desapego aos fatos que ameaçam o debate público no Brasil.

Texto publicado originalmente na coluna de Guilherme Boulos na “Folha de S.Paulo”
Imagem: Vítor Teixeira (detalhe)
Fonte: http://outraspalavras.net/ 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quem é Israel?

DISPARATE ISRAELENSE - por Paulo Moreira Leite

Ao dizer que Brasil é "anão diplomático" porta-voz da chancelaria de Israel esconde papel brasileiro na fundação de Israel

A reação de um porta-voz da chancelaria do governo de Benjamin Netanyaou à notas de repúdio do governo brasileiro diante do massacre de Gaza reflete uma reação insolente, pela diplomacia, e absurda, do ponto de vista histórico.

Definir o Brasil – e qualquer outro país – como "anão diplomático" é um gesto mal educado em qualquer caso mas puro delírio nas relações entre Israel e Brasil.

Isso porque a delegação brasileira presente a Conferência da ONU em San Francisco, em 1948, teve um papel importante na decisão que permitiu a partilha da Palestina, medida que deu origem ao Estado Judeu.

Vamos recapitular o que houve. Encarregado de presidir a sessão da ONU, entidade então em seus rascunhos, o antigo chanceler Oswaldo Aranha, um dos homens fortes durante a maior parte do governo Vargas, foi a San Francisco como chefe da delegação brasileira. Estávamos no governo de Eurico Dutra, bastante alinhado com os Estados Unidos.

Em San Francisco, Aranha fez um levantamento prévio das preferências entre os países presentes. Descobriu que a partilha da Palestina, que o Brasil apoiava, não reunia o mínimo de 2/3 de votos necessários para ser aprovada. Atuando em sua própria lógica, os soviéticos de Josef Stalin apoiavam Israel porque ajudava a prejudicar os inglêses. Os norte-americanos tinham alguma simpatia pela ideia, mas não podiam assumir um alinhamento aberto. Aranha fez, então, uma pequena manobra diplomática.

Adiou a decisão, dando tempo para que os aliados de Israel conquistassem os votos necessários. Foi assim que os israelenses venceram e a ideia de instalar um Estado de fora para dentro numa terra habitada, há pelo menos dois mil anos, por uma população árabe, foi aprovada. A noção de dar uma terra sem povo para um povo sem terra, uma das frases mais absurdas do marketing político mundial – mesmo com a imigração massiva promovida por entidades sionistas nas décadas anteriores a demografia do lugar apresentava dois árabes para cada judeu – ganhou legitimidade internacional. O prestígio de Oswaldo Aranha entre a comunidade israelense tornou-se gigangesto, a ponto de seu nome virar nome de rua em Tel Aviv.

Pesquisas nos arquivos do Itamaraty vieram a demonstrar, décadas depois, que no final da década de 1930 Aranha foi um dos responsáveis pela postura anti-judeus da política de imigração que o governo brasileiro assumiu durante a maior parte da Segunda Guerra. Ainda que na prática tenha ocorrido – por vias legais e também pelo contrabando – uma imigração judaica muito maior do que os textos escritos sugerem, não faltam ordens e resoluções assinadas por Aranha que envergonham quem as lê. Mesmo considerando que refletem um mundo no qual noções de hierarquia racial faziam parte da ideologia vigente, são inaceitáveis.

Mas, em 1948, ele assumiu outra postura, viabilizando um projeto que o movimento sionista buscava desde 1897. Ao contrário do que disse o porta-voz do governo de Israel, que chegou a lembrar a derrota de 7 a 1 para a Alemanha na Copa!, foi, do ponto de vista israelense, um gesto de gigante.
A reação disparatada, 66 anos depois, só não é estranha porque faz parte do comportamento dos governantes israelenses há muito tempo. Ajuda, no plano externo, a evitar a discussão que interessa: a necessidade de interromper um novo ataque brutal a população palestina, massacrada numa região de onde não pode sequer escapar. A nota do governo brasileiro lembra, corretamente, os direitos da população palestina, atacada cotidianamente.

Também ajuda a estimular o nacionalismo judaico, um elemento importante na política israelense desde sempre.

Já em 1949, o drama dos refugiados palestinos – milhares foram retirados e expulsos de suas casas e conduzidos até a fronteira – tornou-se um assunto da diplomacia internacional.

Interessado em encontrar uma saída negociada, o governo do presidente americano Harry Truman mostrou-se decepcionado com a postura de Israel, que não exibia a menor disposição de encontrar uma saída satisfatória para a situação. Fazendo uma analogia dramática, mas que seria usada com frequencia pelos críticos e adversários de Israel nos anos seguintes, Truman usou um emissário para informar Ben Gurion, ministro da Defesa de Israel e seu patrono, para registrar uma mudança em sua visão do problema naquela região que ia muito além de uma simples querela diplomática. Truman mandou dizer que "agora estava inclinado a apoiar os árabes, da mesma forma que anterioramente havia suportado a causa sionista porque tinha simpatia com com os refugiados judeus, sobreviventes do Holocausto." ("1949 – the first israelis," de Tom Segev, página 35 e seguintes).

O mesmo Tom Segev, historiador registra a reação de Ben Gurion a mensagem do presidente dos EUA. Em seu diário, Ben Gurion sustenta que Israel foi criado por conta própria e não deve satisfação a ninguém – nem a aliados internacionais, nem a ONU. "O Estado de Israel não foi estabelecido como consequencia da resolução da ONU," escreve ele. Mais adiante: "a América não levantou um dedo para nos salvar..." Ainda: "não existem refugiados – mas combatentes que querem nos destruir (...) nos exterminar uma segunda vez." E ainda: "nossa autopreservação é mais importante para nós do que a obediência" aos Estados Unidos.

O que se construiu, ao longo dos anos seguintes, foi uma visão mitológica de Israel, avalia o estudioso Geoffrey Wheatcroft, no livro "The Controversy of Zion." Analisando um histórico que envolveu várias formas de perseguição, como progroms na antiga Russia, sem falar no Holocausto, Wheatcroft lembra que "é claro que Israel deu aos judeus um novo sentido de orgulho e auto-respeito." Mas adverte: "sem apoio do Ocidente, Israel não poderia sobreviver." Investigando essa contradição, Wheatcroft lembra duas questões. Se o nacionalismo judaico ajudou a emancipar os judeus como homens "donos de seu destino", a criação de Israel se fez na "dependência e generosidade" norte-americana, situação que ajuda a compreender traços que define como "paranóicos" no discurso político israelense.

Há um aspecto curioso nessa dependência em relação aos Estados Unidos, contudo. Envolve uma ajuda militar entre 3 e 5 bilhões de dólares por ano mas não pode ser descrita como uma clássica relação do tipo metrópole-colonia. Os interesses israelenses tem uma presença descomunal na política interna norte-americana.

Desde a guerra pelo Canal de Suez, em 1957, quando mostrou sua importância para enfrentar a resistência dos países árabes, Israel tornou-se a nação amiga dos países ocidentais numa região hostil a exploração imperial do petróleo. Este é seu papel e sua função geopolítica. Mas, se Harry Trumann já havia encontrado problemas com a política de Israel em relação aos vizinhos, o republicano Dwight Einsenhower também encontrou os seus. Explorando a divisão de poderes, lobistas israelenses fizeram uma fortaleza no Congresso americano, graças a um sistema político favorável a intervenção de grandes interesses. Não só não há limites para contribuições privadas em eleições. Também não há verbas públicas para o funcionamento de gabinetes dos parlamentares, que dependem, assim, de amizades endinheiradas para pagar assessores – oferecidos pelas grandes empresas – para tocar boa parte de seus gabinetes. O saldo é que os lobistas de Israel tem a maior organização de Washington, e só perdem para a NRA, a associação dos fabricantes de armas. Embora a população judia dos Estados Unidos represente pouco mais de 2,2% da população, seus lobistas têm 50 milhões de dólares por ano para gastar. Na década passada, venceram por 60 a 0 uma disputa no Senado. Conforme um levantamento da insuspeita revista Economist, sua única derrota relevante ocorreu na década de 1950. Naquela época, o secretário John Foster Dulles, chegou a dizer, ironicamente, que não se considerava inimigo dos judeus "mas não podemos ter nossas políticas feitas em Jerusalém."

A historiadora brasleira Arlene Clemesha já registrou que os Estados Unidos usaram seu poder de veto mais de 40 vezes para impedir a aprovação de resoluções desfavoráveis a Israel no Conselho de Segurança da ONU. Ela lembra:

"Por que duvidar que a manutenção do conflito israelo-palestino não seja do interesse dos Estados Unidos? Lobistas em Washington pouco poder teriam se suas posições não estivessem em frequente acordo com interesses dos sucessivos governos norte-americanos."

Esta é a questão. Falar em anões é só um disfarce.

Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/147938/PML-Israel-teve-rea%C3%A7%C3%A3o-insolente-do-ponto-de-vista-hist%C3%B3rico.htm 

Custos de sistema anti-míssil podem explicar operação em Gaza - por Rogerio Maestri


Custos de sistema anti-míssil podem explicar operação em Gaza

Na história sempre temos pretextos para ações militares, desde pretextos reais que são maximizados para mobilizar a população, como o assassinato do o arquiduque Francisco Fernando herdeiro do Império Austro-Húngaro em 28 de junho de 1914 que levou a primeira Guerra Mundial, como pretextos fabricados intencionalmente, como o incidente do Golfo de Tonkin, fabricado intencionalmente pelo governo Norte-americano para justificar o começo da Guerra do Vietnam.

Todos estes pretextos têm por objetivo começar uma ação militar com fundo econômico. Se olharmos a invasão da faixa de Gaza como uma consequência do assassinato de três jovens Israelenses dentro de uma área dominada pelo governo Israelense e por consequência dentro da sua jurisdição de investigação e punição dos assassinos, vemos que mais uma vez estamos a frente de um incidente que foi maximizado.

Invadir a faixa de Gaza com as baixas previstas pelo eficiente exército de Israel, não faz sentido dentro da lógica de retaliação empregada sistematicamente por esse Estado, até o dia 17 de julho foram confirmada a morte de 27 soldados israelenses e mais de 100 feridos, número de mortes que será bem amis pesado à medida que o ritmo da ação se desenvolver.

Mas qual seriam os verdadeiros motivos da invasão, os famosos túneis que cruzam a fronteira e que com a tecnologia de prospecção do subsolo que existem hoje em dia são facilmente detectados ou os foguetes Qassam que são atirados pelo Hamas sobre Israel.

Pelo número de vítimas durante o período que os arcaicos foguetes Qassam estão sendo usados, não deveria ser a causa de tão arriscada invasão, pois em mais de 14 anos de lançamento destes foguetes morreram menos israelenses do que no início desta invasão, entretanto, como diz um bom policial, para achar um criminoso procure primeiro um motivo econômico e talvez esteja por aí o motivo da invasão da faixa de Gaza.

O foguete Qassam é um parente próximo aos grandes rojões empregados em espetáculos pirotécnicos. É um pequeno conduto de aço de 11,5 cm de diâmetro, propulsionado por uma mistura de açúcar e nitrato de potássio (fertilizante agrícola) que o estopim é constituído por um cartucho de arma de fogo acionado por um prego. A carga explosiva é composta de TNT e outro fertilizante o nitrato de ureia.

Como se pode ver o Qassam é uma arma extremamente rudimentar, ultrapassada e BARATA. Se formos pesquisar na Internet a estimativa de custo de cada Qassam é de R$3.000,00 a R$1.500,00, e se feito em massa este custo pode cair ainda mais.

Após o início do uso dos foguetes Qassam, Israel desenvolveu um sofisticado sistema de proteção contra estes foguetes que na prática derruba 100% deles, logo sobre o ponto de vista de sinistralidade o Qassam é mais uma lenda do que uma arma.

Apesar de toda a disparidade tecnológica há uma disparidade maior que justifica a invasão da faixa de Gaza, o custo da defesa contra estes foguetes primitivos. No início do lançamento dos Qassam Israel começou a desenvolver um sistema eficientíssimo para intercepta-los, o chamado “Iron Dome”. Este sistema possui várias partes desde radares e centros de controle até os fantásticos foguetes Tamir, é um sistema eficiente (bem melhor do que o Patriot norte-americano) e funciona perfeitamente, com um pequeno problema O CU$TO.

Cada sistema é composto por uma base que tem um custo de implantação do sistema foi previsto um custo de US$680 milhões para o ano fiscal de 2013, e o total já deve ter ultrapassado o custo de quase meia dezena de bilhões de dólares. Porém o custo de implantação não é o único, para cada míssil Qassam lançado deve-se lançar dois mísseis Tamir,e cada míssil Tamir custa entre US$60.000,00 ou US$100.000,00 (conforme as estimativas feitas).

Quanto às guerras dos mísseis podemos resumir o seguinte. A cada míssil Qassam (US$500,00) lançado com absoluta certeza que não vai atingir nada, devem ser lançados dois misseis Tamir (US$120.000,00 ou US$200.000,00) que deverão com certeza atingir o Qassam.

Por menos recursos que tenha Hamas o custo de um lançamento dos Tamir corresponde a 240 a 400 mísseis Qassam e se o Hamas gastar US$100.000,00 nos seus foguetes Israel deverá gastar US$24 a US$40 bilhões para intercepta-los.

Fonte: http://jornalggn.com.br/

Terceira Intifada em curso? - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Aécio e o aeroporto – por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Por que os EUA e Israel estão tão interessados que o caos na Palestina perdure? – por Ismael Hossei Zadeh


Por que os EUA e Israel estão tão interessados que o caos na Palestina perdure?

Entenda como os interesses do complexo industrial-militar americano e dos sionistas israelenses convergem no que diz respeito ao caos no Oriente Médio.
Observadores da geopolítica do Oriente Médio tendem a colocar a culpa do caos na região em um suposto fracasso das políticas “incoerentes”, “ilógicas” ou “contraditórias” dos EUA. No entanto, evidências irrefutáveis apresentadas neste estudo sugerem que, na verdade, o caos representa o sucesso, e não o fracasso, destas políticas — que foram formuladas pelos beneficiários da guerra e das aventuras militares na região e em outros locais. Enquanto as políticas norte-americanas na região são certamente irracionais e conflituosas do ponto de vista da paz internacional e mesmo do ponto de vista dos interesses nacionais como um todo, elas são bastante lógicas do ponto de vista dos beneficiários econômicos e geopolíticos da guerra e de hostilidades internacionais; isto é, do (a) do complexo militar-industrial, e (b) dos militantes sionistas que propõem uma “Grande Israel.”

As sementes do caos foram plantadas há cerca de 25 anos, quando o muro de Berlim caiu. Uma vez que a razão para um aparato militar gigantesco durante a Guerra Fria era a “ameaça do comunismo,” os cidadãos americanos celebraram a queda do Muro como o fim do militarismo e a aurora dos “dividendos da paz” — uma referência aos benefícios que muitos gozariam nos EUA em decorrência da reorientação de parte do orçamento do Pentágono na direção de necessidades sociais.

Mas enquanto os cidadão norte-americanos celebravam, os poderosos interesses que investiam na expansão dos gastos militares se sentiram ameaçados. Sem surpresas, estas forças mudaram seus alvos para salvaguardar seus interesses contra as “ameaças de paz.”

Para sufocar as vozes que demandavam os dividendos da paz, os beneficiários da guerra e do militarismo começaram a redefinir metodicamente as “fontes de ameaça” pós-Guerra Fria dentro do espectro do novo mundo multi-polar, que ia além da tradicional “ameaça Soviética” da era anterior. Ao invés de “ameaça comunista”, os “estados párias,” o islamismo radical e o “terrorismo global” seriam os novos inimigos.

Publicamente, a maior parte da reavaliação do mundo pós-Guerra Fria foi apresentada pelos militares de alta patente. Por exemplo, o General Carl Vuno, chefe do estado-maior do exército dos EUA, declarou ao Comitê da Câmara em maio de 1989: “muito mais complexo [do que qualquer perigo imposto pela União Soviética] é a situação ameaçadora em desenvolvimento no resto do mundo… neste mundo multi-polar, nós enfrentamos ameaças de países que estão se tornando cada vez mais sofisticados militarmente e mais agressivos politicamente”[2].

O General Colin Powell, presidente da junta de chefes do estado-maior na época, argumentou no Comitê do Senado que apesar da queda da União Soviética, os EUA precisavam continuar com seu acúmulo de forças militares por outras obrigações: “Com todos estes desafios e oportunidades confrontando nossa nação, é impossível acreditar que a desmobilização ou esvaziamento das forças militares americanas são um caminho para o futuro. O verdadeiro ‘dividendo da paz’ é a paz mesmo… A paz surge através da manutenção da força” [3].

Enquanto os militares de alta patente, vestidos de uniformes belos e chamativos, tomavam o papel principal na luta contra a diminuição do complexo militar-industrial; militaristas civis, trabalhando dentro e fora do Pentágono e associados aos think-tanks militaristas, tramavam por trás das cortinas. Entre eles se incluem o então secretário de defesa Dick Cheney; seu subsecretário de defesa Paul D. Wolfowitz; Zalmay Khalizad, então assessor de Wolfowitz; e I. Lewis “Scooter” Libby, então subsecretário adjunto de defesa. Este grupo de homens e seus pensadores e colaboradores (tal qual Richard Perle, Douglas Feith, e outros) trabalharam diligentemente juntos prevenindo cortes pós-Guerra Fria. “O que tinhamos medo era que as pessoas dissessem ‘vamos trazer todas as tropas de volta pra casa, vamos abandonar nossa posição na Europa’,” relembrou Wolfowitz em uma entrevista [4]

Estes planejadores militares eram oficilamente afiliados ao Pentágono e/ou com a administração de Bush pai,mas também eram colaboradores próximos de think-tanks lobistas ultranacionalistas como o American Enterprise Institute, Project for the New American Century e o Jewish Institute fo National Security Affairs que foi montado para servir tanto ao lobby das armas quanto ao lobby de Israel. Mesmo um olhar superficial sob os registros destes think tanks — sob seus membros, seus recursos financeiros, suas estruturas institucionais, etc — mostram que eles foram criados para servir como frontes institucionais de camuflagem de negócios incestuosos e/ou relacionamentos políticos entre o Pentágono, seus principais empreiteiros, os militares de alta patente, o lobby de Israel e outras corporações beligerantes [5].

Em um esforço cuidadoso e calculado para redefinir o mundo pós-Guerra Fria como um mundo “mais perigoso” e desenhar uma nova “estratégia de segurança nacional” para os EUA, este time de planejadores militares e think-tanks produziram um documento geopolítico-militar logo após a queda da União Soviética que foi conhecido como “Guia de Planejamento de Defesa,” ou “Estratégia de Defesa para os anos 1990.” O documento, revelado pela Casa Branca ao Congresso no início dos anos 1990, focava em “pontos imprevisíveis de turbulência no terceiro mundo” como novas fontes de atenção para o poder militar dos EUA na era pós-Guerra Fria: “na nova era, nós prevemos que nosso poder militar continuará a ser um alicerce essencial do equilíbrio global… que as demandas para o uso de nossas forças militares estarão no Terceiro Mundo, onde novas abordagens podem ser necessárias” [6]

Para responder às “turbulências nas regiões mais vitais,” a nova situação requisitava uma estratégia para “identificar ameaças” — uma estratégia militar que “conteria e reprimiria conflitos locais ou regionais no Terceiro Mundo com rapidez e eficiência antes que eles saíssem de controle.” No mundo pós-Guerra Fria de “múltiplas fontes de ameaças,” os EUA também necessitariam estar preparados para lutar guerras de “baixa e média intensidade.” Baixa e média intensidade não se referem ao nível de poder de fogo e violência empregados, mas à escala geográfica se comparada com uma guerra mundial ou regional que paralisaria os mercados globais.

A “Estratégia de Defesa para os anos 1990” também falava de manter e expandir a “profundidade estratégica” norte-americana — um termo cunhado pelo então secretário de defesa Dick Cheney. O termo tinha uma conotação geopolítica, significando que, após a queda do Muro de Berlim, os EUA deveriam estender sua presença global — em termos de bases militares, estações de escuta e inteligência e tecnologia militar — a areas anteriormente neutras ou sob influência da União Soviética.

As prescrições políticas destas profecias eram inequívocas: tendo projetado (e depois criado) o mundo pós-Guerra Fria como um lugar fracionado em “múltiplas ameaças aos interesse nacionais norte-americanos,” beneficiários poderosos do orçamento do Pentágono tiveram sucesso na manutenção dos gastos nos mesmos níveis da Guerra Fria. Proponentes do militarismo contínuo “se moveram com rapidez notável para assegurar que a queda da União Soviética não afetaria o orçamento do Pentágono ou nossa 'posição estratégica' que garantimos em nome do anti-comunismo.”[7]

Para levar a cabo a “Estratégia de Segurança Nacional” do mundo pós-Guerra Fria, os organizadores do plano necessitavam de pretextos, que frequentemente significavam inventar ou fabricar inimigos. Beneficiários dos dividendos de guerra às vezes encontravam “inimigos externos e ameaças apenas decidindo unilateralmente que ações ao redor do mundo eram terrorismo,” ou por classificar arbitrariamente alguns países como “apoiadores do terrorismo”, como Bill Christison, assessor aposentado da CIA, demonstrou [8].

Eles também criaram atritos internacionais através de políticas traiçoeiras que tinham o intuito de provocar ira e violência, o que seria o estopim para futuros atos de terrorismo e um ciclo vicioso de guerra. E é claro, a abominável força por trás desta estratégia servia para manter os lucros do negócio da guerra. Gore Vidal caracterizou satiricamente esta maldita necessidade dos beneficiários da guerra de constantemente aparecerem com novas ameaças e inimigos como “clube do inimigo do mês: cada mês somos confrontados com um horroroso inimigo que devemos atacar antes que nos destrua” [9].

Uma pequena guerra aqui, outra ali, uma guerra de “baixa intensidade” no país x, outra de “média intensidade” no país y — cinicamente chamadas de “guerras sob controle” — são estratégias que manteriam o orçamento militar na direção dos cofres do complexo industrial-militar sem causar um conflito de larga escala que acabaria com os mercados mundiais.

Ainda dentro deste cenário, a abordagem do governo dos EUA aos ataques hediondos de 11 de setembro foi uma oportunidade para que a guerra e agressão não chegassem de surpresa a qualquer um familiar às necessidades viciosas do militarismo. Os ataques monstruosos foram tratados não como crimes, mas como uma “guerra contra a America.” Uma vez que foi estabelecido que os EUA estavam “em guerra,” as agressões imperialistas começaram. Como colocou Chalmers Johnson, a tragédia de 11 de setembro “serviu como um maná do paraíso à uma administração determinada a aumentar o orçamento militar” [10]

Nesta época, já haviam sido rotulados como “hostis” governos como os do Irã, Iraque, Líbia e Coréia do Norte por serem desonestos ou apoiarem o terrorismo, o que requeria uma “mudança de regime.” Antes dos ataques de 11 de setembro, no entanto, tais rótulos demonizantes não eram aparentemente suficientes para convencer o povo americano a apoiar os EUA em sua tendência à guerra. A tragédia de 11 de setembro serviu de pretexto para tais conflitos — que se seguiram a mudança de regime no Iraque e em outros países hostis ao redor do mundo.

Como beneficiários dos dividendos de guerra, o complexo industrial-militar considerava a paz internacional e a estabilidade como inimigos para seus interesses, e assim também acontecia com militantes sionistas proponentes da “Grande Israel”que perceberam que a paz entre Israel e seus vizinhos palestinos/árabes era prejudicial a seus objetivos de tomarem o controle da “Terra Prometida.” A razão para este medo da paz é que, de acordo com algumas resoluções das Nações Unidas, a paz significaria o retorno de Israel a suas fronteiras pré-1967, isto é, fora da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Logo, seu medo da paz faz com que continuem suas tentativas de sabotagem das negociações.

Pela mesma razão, estes proponentes enxergam a guerra e a convulsão (ou, como David Ben-Gurion, um dos fundadores do Estado de Israel colocava, “atmosfera revolucionária”) como oportunidades para a expulsão dos palestinos e para a reconfiguração geográfica de região e expansão do território israelense. “O que é inconcebível em tempos normais,” Ben-Gurion apontava, “é possível em tempos revolucionários; e se neste tempo a oportunidade for perdida — um mundo todo é perdido” [11]

Ecoando um sentimento similar de que a dissolução e fragmentação dos estados árabes em mosaicos de grupos étnicos é possível apenas sob condições de guerra e convulsão sociopolítica, o notório linha-dura Ariel Sharon apontou em março de 1988 que “se as revoltas palestinas continuarem, Israel teria de guerrear contra seus vizinhos árabes. A guerra, ele declarou, proveria ‘as circunstâncias’ para que se removesse a população palestina por inteiro da Cisjordânia e de Gaza e até mesmo de dentro de Israel” [12].

Esta visão de que a guerra “proveria as circunstâncias” para a remoção dos palestinos dos territórios ocupados tem como premissa a espectativa de que os EUA também compartilham desta noção e iriam apoiar o expansionismo de Israel no caso de uma guerra. A espectativa não é de forma alguma estranha ou incomum, pois os beneficiários dos gastos militares nos EUA teriam prazer de ajudar Israel, não tanto pelo bem do país, mas por seus propósitos nefastos — a aliança entre o complexo militar-industrial e o lobby de Israel.
Por causa dos interesses destes dois poderosos grupos convergindo na direção da fomentação da guerra e das convulsões políticas no Oriente Médio, uma aliança potente e ameaçadora foi forjada entre os dois — ameaçadora porque a poderosa máquina de guerra norte-americana é agora suplementada pela incomparável capacidade de relações públicas do lobby pro-Israel nos EUA. A convergência e/ou interdependência dos interesses do complexo militar-industrial e aquele dos militantes sionistas é o coração do ciclo perpétuo de violência na região.

Tal aliança não é oficial; ela é sutilmente forjada através de uma elaborada rede de poderosos think tanks como os seguintes: The American Enterprise Institute, Project for the New American Century, America Israel Public Affairs Committee, Middle East Media Research Institute, Washington Institute for Near East Policy, Middle East Forum, National Institute for Public Policy, Jewish Institute for National Security Affairs, and Center for Security Policy.

Imediatamente após a Guerra Fria, estes think tanks e seus operadores dentro e fora do governo publicaram vários documentos que defendiam claramente mudanças de fronteiras, mudanças demográficas e mudanças de regime no Oriente Médio. Por exemplo, em 1996, um influente think tank israelense, o Institute for Advanced Strategic e Political Studies, patrocinou e publicou um documento intitulado “Uma quebra limpa: uma nova estratégia de segurança para região,” que argumentava que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu “deveria fazer uma ‘quebra limpa’ do processo de paz de Oslo e reassumir a reivindicação da Cisjordânia e de Gaza. O documento apresentou um plano onde Israel deveria ‘formular seu ambiente estratégico,’ começando com a derrubada de Saddam Hussein e a instalação da monarquia hashimita em Bagdá para servir de primeiro passo em direção a eliminação dos governos anti-Israel da Síria, do Líbano, da Arábia Saudita e do Irã”[13].

Em uma “Carta Aberta ao Presidente” (Clinton), de 19 de fevereiro de 1998, vários think tanks e indivíduos representando o complexo militar-industrial e o lobby de Israel, recomendaram “uma estratégia política e militar para tirar Saddam do regime.” Entre os signatários da carta estavam: Elliott Abrams, Richard Armitage, John Bolton, Douglas Feith, Paul Wolfowitz, David Wurmser, Dov Zakheim, Richard Perle, Donald Rumsfeld, William Kristol, Joshua Muravchik, Leon Wieseltier, e Stephen Solarz [14].

Em setembro de 2000, outro think tank militarista chamado Project for the New American Century (PNAC), lançou um relatório entitulado “reconstruindo as defesas da América: estratégia, forças e recursos para um novo século,” que projetava explicitamente o desempenho de um papel imperialista pelos EUA no mundo todo. Ele estabelecia, por exemplo, “que os EUA durante décadas tentaram ter um papel permanente na segurança da região do Golfo Pérsico. Enquanto o conflito sem resolução com o Iraque provê uma justificativa imediata, a necessidade de uma substancial presença americana no Golfo transcende a questão do regime de Saddam Hussein.” Os patrocinadores do relatório incluiam Richard Cheney, Donald Rumsfeld, Paul Wolowitz, Lewis Libby e Willian Kristol, que também foi co-autor do relatório[15].

O influente Jewish Institute for the National Security Affairs (JINSA) também emitiu declarações e documentos que defendiam “mudanças de regime” no Oriente Médio. Seu assessor, Michael Ladeen, que também assessorou extra-oficialmente a administração Bush em questões do Oriente Médio, falava abertamente da era da “guerra total” que estava por vir, indicando que os EUA deveriam expandir suas políticas de “mudanças de regime” no Iraque a outros países na região como o Irã e a Síria. “Neste fervente apoio a estas políticas pró-assentamentos e anti-palestina, o JINSA recomendou que a ‘mudança de regime’ no Iraque deveria ser apenas o início para que os dominós caissem no Oriente Médio”[16].

Em suma, a evindência é arrebatadora (e irrefutável) de que o caos no Oriente Médio, Norte da África e Leste Europeu/Ucrânia não é por causa de políticas “equivocadas” dos EUA e seus aliados, como muitos críticos tendem a sustentar. O caos é causado por políticas premeditadas e muito bem desenhadas que foram cunhadas por uma aliança entre o complexo militar-industrial e o lobby israelense no mundo pós-guerra fria.
 
Tradução de Roberto Brilhante
Referências:
[1] Excertos do meu livro, The Political Economy of U.S. Militarism, especialmente capítulos 4 and 6, foram usados neste ensaio.
[2] Citado em Sheila Ryan, “Power Projection in the Middle East,” inMobilizing Democracy, edited by Greg Bates (Monroe, Maine: Common Courage Press, 1991), p. 47.
[3] Ibid., p. 46.
[4] James Mann, “The True Rationale? It’s a Decade Old,” Washington Post, Sunday (7 March 2004), page B02.
[5] For a detailed exposition of this dubious relationship see Ismael Hossein-zadeh, The Political Economy of U.S. Militarism (Palgrave-Macmillan 2007), chapter 6.
[6] Chalmers Johnson, The Sorrows of Empire (New York, NY: Metropolitan Books, 2004), pp. 20-21.
[7] Ibid., p. 20.
[8] Bill Christison, “The Disastrous Foreign Policies of the United States,”Counterpunch.org (9 May 2002), .
[9] Gore Vidal, Perpetual War for Perpetual Peace: How We Got To Be So Hated (New York: Thunder’s Mouth Press/Nation Books, 2002), pp. 20-1.
[10] Chalmers Johnson, The Sorrows of Empire (New York, NY: Metropolitan Books, 2004), p. 64.
[11] Quoted in Stephen J. Sniegoski, “The War on Iraq: Conceived in Israel,” <http://vho.org/tr/2003/3/Sniegoski285-298.html>.
[12] Ibid.
[13] Ibid.
[14] Ibid.
[15] Ibid.
[16] William D. Hartung, How Much Are You Making on the War, Daddy? (New York: Nation Books, 2003), p.109.

Créditos da foto: Hanbit Jang / Flickr 

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Quase 150 crianças morreram nos ataques de Israel a Gaza, alerta Unicef - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Está na Bíblia – por Georges Bourdoukan


Está na Bíblia!!!

A Palestina, incluindo a tribo de Israel,  aos palestinos  pertence.

Por favor, acompanhem o meu raciocínio.

1-   Os judeus só reconhecem quem é judeu por parte de mãe;

2-   Está na Bíblia que Rute era moabita;

3-  Rute era avó de David e bisavó de Salomão e, naturalmente, de todos os seus descendentes, principalmente o mais nobre de todos, Jesus Cristo, o ilustre filho da  Palestina.

E o que isso significa?

Tudo e muito mais.

Repetindo: como se sabe, os judeus reconhecem como judeu somente quem nasce de mãe judia.

Em poucas palavras, Rute era moabita, portanto David, Salomão e Jesus não poderiam ser judeus.

É verdade que isso não teria a menor importância não fosse a avassaladora propaganda judaica para justificar a invasão e ocupação da Palestina.

E pesquisando ainda mais, não encontrei nenhuma escritura onde Deus oferece a Palestina ou qualquer pedaço de terra a Abraão e seus descendentes.

E se houve alguma oferta de Deus, ela sem dúvida  coube ao primogênito de Abraão, pois nas sociedades semíticas, o primogênito era  sempre  o herdeiro.

E o primogênito de Abraão, como todos sabem, foi Ismael, considerado o pai dos árabes.

Portanto meus amigos e de acordo com o Livro Sagrado, a Palestina, incluindo a tribo de Israel, aos palestinos pertence.

Palavra da Bíblia.

Fonte: http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br

O fardo do Homem Branco – por Nuno Ramos de Almeida


O fardo do Homem Branco

16/7: mulher lamenta morte de quatro crianças que brincavam na praia, em Gaza, e foram atingidas por bomba disparada pela marinha israelense

Cumplicidade com genocídio dos palestinos marca declínio do Ocidente. E cada criança morta é um prego no caixão da velha democracia

Em 1899, os Estados Unidos da América discutiam no Congresso a anexação das antigas colônias espanholas que tinham lutado pela sua independência, nomeadamente as Filipinas. Nessa altura, o poeta britânico Rudyard Kipling escreveu um poema apologético para declarar que o facho da civilização tinha passado das mãos do Reino Unido. “O Fardo do Homem Branco” defendia que passara a caber a Washington tratar dos selvagens para o bem deles, sem contar com o seu agradecimento. Os nativos do mundo tinham de ser dirigidos pelas potências ocidentais. Eram homens inferiores, de civilizações fracas que precisavam de ouvir a voz do dono. Os agitadores deviam ser castigados e eliminados, se necessário por meios violentos. Os selvagens deviam ser controlados, para seu bem. Assim começava a declaração de bondade civilizadora:

Tomai o fardo do Homem Branco,
Enviai vossos melhores filhos.
Ide, condenai seus filhos ao exílio
Para servirem aos seus cativos;
Para esperar, com arreios
Com agitadores e selváticos
Seus cativos, servos obstinados,
Metade demônios, metade crianças.

Entre o consenso dos meios de comunicação e dos poderosos, houve um homem que não se calou. O escritor que assinava Mark Twain, autor das As Aventuras de Huckleberry Finn, respondeu com um artigo em plena euforia “civilizadora”, quando os poderosos norte-americanos abriam garrafas de champanhe pela anexação das ilhas do Havaí, de Samoa e das Filipinas, de Cuba, Porto Rico e de uma ilhota que se chama, eloquentemente, dos Ladrões. Perante isto, Mark Twain faz uma singela proposta, pede que se mude a bandeira nacional: que sejam negras, diz, as listas brancas, e que umas caveiras com tíbias cruzadas substituam as estrelas e assumam a verdadeira identidade de piratas.

m pleno século XXI pouco mudou. Somos governados por piratas: a cumplicidade dos governos ditos civilizados, e da sua obediente comunicação social, com o genocídio dos palestinos, é reveladora da manutenção da ideia de que há seres humanos mais humanos que outros. Os palestinos são para essa gente verdadeiros homo sacer, que podem ser mortos e torturados, segundo o direito romano nos tempos do Império, sem nenhuma sanção legal ou moral. Há gente que acha que Israel é uma democracia e por isso tem o direito de assassinar crianças palestinas. Há colaboracionistas ditos de esquerda que defendem que, como em Israel a situação dos gays e das mulheres é melhor que nos países árabes, as tropas hebraicas têm licença para destruir as casas palestinianas e matar as mulheres e crianças de Gaza.

Ironia da história, a operação ideológica que permite aos assassinos justificar o sangue derramado é a mesma que permitia aos nazistas justificar aos alemães a solução final. Para os nazis, os judeus eram sub-humanos, e por isso podiam ser mandados para as câmaras de gás; para os “democratas ocidentais” os palestinos são criaturas culpadas pela sua morte e as bombas israelitas são a garantia da paz.

A atitude de apoio ao genocídio dos governos europeus põe em causa a própria democracia. Nem todos chegam ao nível de sabujice reles do líder socialista francês François Hollande, que proíbe manifestações contra a invasão israelita em Paris e manda a polícia de choque disparar contra os manifestantes, mas é preciso dizer que uma democracia não é definida pela forma como trata os poderosos, mas pela forma como trata os mais desprotegidos. Israel não é uma democracia, não porque não trata bem os judeus, mas porque funciona como um regime de apartheid para a sua população árabe e como um regime nazi para os palestinos. O mesmo sucede com a Europa Ocidental: não existirá democracia enquanto permitirmos, sem reagir, o massacre dos palestinos. A luta pela paz e uma Palestina independente é um combate pela nossa liberdade e pela afirmação dos seres humanos contra as bestas.

Fonte: http://outraspalavras.net/ 

Gaza e uma barbárie que é tragicamente humana – por Renato Rovai


Gaza e uma barbárie que é tragicamente humana.
Não é nada simples falar da estupidez humana. Nada simples Porque de alguma maneira somos parte desta máquina de moer carne. Deste cinza que se faz vermelho em muitas partes. Somos cúmplices silenciosos ou barulhentos de um pouco de tudo que estamos vivendo. Quem ainda não teve a curiosidade de jogar as letras que completam a palavra Gaza no Google imagens não deve fazê-lo. Depois de muito resistir o fiz. Fui lá e vi o que não queria. Entre elas a imagem de um bebê que deveria ter no máximo um ano. Totalmente torrado e dilacerado. Enquanto isso, alguns israelenses faziam piquenique para ver Gaza queimar. Sentados em sofás e comendo seus lanches levados em sacolinhas de mercado. Um homem desfrutando a tragédia do outro. É disso também que se trata quando jovens são executados nas periferias e nas salas das boas famílias de classe média e da elite pessoas bem nascidas e bem nutridas entre uma garfada e outra decreta-se: um bandido a menos. Ou qualquer outra coisa do gênero. Desse gênero bizarro de não se importar com a vida do outro. Dessa forma carcomida de humanidade cuja mediação mais e menos sofisticada é o dinheiro. É o poder de ter. É o derrotar o outro como forma de poder ser mais. Não importa o que eu tenho, desde que o outro tenha menos. E ainda há o discurso que se quer lógico. Por essa lógica as crianças palestinas são ameaças futuras. Os garotos quase todos negros das nossas periferias são ameaças futuras. A interrupção de suas vidas, por isso, é quase que uma ação de segurança. É o ou eles ou nós. E como eles não contam podem ser sacrificados em nome do nosso sossego. Do nosso presente e do nosso futuro. Como índios que não tinham alma. Não são só as indústrias de armas que desejam a guerra. Não são só Estados terroristas. Eles também e eles mais. Mas há muito de humano nessa destruição. Nessa maluquice de execuções e extermínio. Há por trás disso uma humanidade imensa e que pode envergonhar. Mas que é humana. O humano é o pai desta história. Dessa imensa barbárie. Dessa quase sagrada estupidez.

PS: Há pouco mais de um mês estou de licença da Fórum e só tenho atuado aqui neste blogue. Tomei essa decisão por conta de outras atividades que decidi assumir e que estão, entre outras coisas, tomando todo o meu tempo.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br

terça-feira, 22 de julho de 2014

E o céu se encheu de bombas de fósforo – por Georges Bourdoukan


E o céu se encheu de bombas de fósforo
Na batalha diária pelo pão nosso de cada dia somos alimentados com mentiras e enganos.
Não nos permitem enxergar dois palmos à frente.
Você já tentou dedicar algum tempo para a reflexão?
E não falo sobre o tempo que passou, mas o momento.
Procure conseguir alguns minutos por dia só para você.
Tente juntar as peças e ficará surpreso com o que vai encontrar.
E para os novos leitores, um esclarecimento...

Abraão era iraquiano
Moisés era egípcio
Jesus era palestino
Theodor Herzl era austríaco
Golda Meier era russa
Shimon Perez é polaco
Issac Rabin era lituano
Nunca existiu um país chamado Israel
E a Bíblia não existiria não fosse a Palestina.

Pense nisso.
Fonte: http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br

Não perturbe! @Netanyahu e @BarackObama no trabalho! - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

segunda-feira, 21 de julho de 2014

@BarackObama e @Netanyahu gostava de status de Gaza! por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Galeano: Pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa...


Galeano: Pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa 
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros.

Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar Irlanda para liquidar a IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.

(*) Artigo publicado no Sin Permiso. Eduardo Galeano

Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Argentina acusa "fundos abutres" de extorsão - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Arrancados da natureza: Comércio de guepardos está levando espécie à extinção – por ANDA


Arrancados da natureza: Comércio de guepardos está levando espécie à extinção
Guepardos são vendidos como símbolo de status no Oriente Médio (Foto: Piroschka Van De Wouw/EPA)

O crescente comércio de guepardos para serem explorados como animais domésticos “de luxo” no Oriente Médio está levando à extinção as populações que já eram ameaçadas, de acordo com estudo recente. O relatório do estudo também revela números horríveis desse comércio, com mais de dois terços dos filhotes que são contrabandeados em uma rota pela África morrendo no caminho. Finalmente, as nações dos dois lados do comércio concordaram que é necessária uma ação urgente. As informações são do The Guardian.

Os guepardos, famosos como os animais terrestres mais ágeis do mundo, perderam cerca de 90% de sua população no último século quando suas imensas faixas de habitat na África e Ásia foram tomadas por fazendeiros. Restaram menos de 10 mil animais, e os números estão decrescendo. Há uma tradição antiga de uso de guepardos treinados como animais de caça na África mas, mais recentemente, uma demanda por eles como animais de companhia por serem símbolo de “status” nos estados do Golfo reduziu ainda mais as populações.

Guepardos são extraordinariamente fáceis de serem domesticados, especialmente quando filhotes, e o relatório descobriu casos nos estados do Golfo desses felinos dentro de carros como passageiros, sendo levados para passear com guias como cães e até mesmo colocados para se exercitar sobre esteiras. Outras evidências mostraram guepardos andando por salas de estar e se atracando com seus tutores, incluindo crianças pequenas.

“Todo esse comércio não foi apreciado pelo público ou pelo meio conservacionista”, disse Nick Mitchell, que contribuiu com o relatório para a Cites (Convenção sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas), em uma primeira visão abrangente sobre o comércio de guepardos. “Se nós não agirmos agora sobre esse mercado e sobre o uso da terra, poderemos certamente perder sub populações em poucos anos”.

Os guepardos não se reproduzem facilmente em cativeiro, e o comércio no Golfo é suprido por animais arrancados da natureza na África. Entre as distintas sub espécies que vivem na região, os números de indivíduos somam aproximadamente 2.500. Os animais são traficados por barcos da Somália para o Yemen, e então levados por estradas para dentro dos estados do Golfo, incluindo a Arábia Saudita. “Números imensos de guepardos morrem durante o percurso”, afirmou Mitchell, que é coordenador do Programa de Conservação Ampla para Guepardos e Cães Selvagens Africanos, um projeto de parceria entre a Zoological Society of London e a Wildlife Conservation Society. “Com certeza, nós estamos falando de uma população pobre do Nordeste africano e eles não estão muito preocupados com o bem estar dos animais”. Apreensões de filhotes de guepardos geralmente contabilizam 30 animais, com 50 a 70% morrendo no caminho. Há também uma demanda por sapatos feitos de pele de guepardo no Sudão, onde são considerados objetos de alto status social.
Ainda mais ameaçadas são as sub espécies de guepardos no Irã, onde apenas 40% sobreviveram à perda de território e agora enfrentam o contrabando. Outras sub espécies seriamente ameaçadas vivem no norte e no oeste africanos, com menos de 250 indivíduos. No local, a ameaça principal é a demanda por suas peles para vestuário, e ossos e partes do corpo, usadas na medicina tradicional e em rituais de magia.

A maior população sobrevivente dos guepardos – com cerca de 6.200 animais – está na África do Sul. A caça de troféus, que paga entre 10 mil e 20 mil dólares por animal, é permitida na Namíbia, em Botsuana e no Zimbábue, totalizando mais de 200 mortes por ano. Na África do Sul, aproximadamente 90 guepardos criados em cativeiro são exportados para zoológicos a cada ano, e os conservacionistas temem que também haja animais “ilegais” dentro desses números.

Mitchell diz que está “cautelosamente otimista” de que um novo grupo de trabalho da Cites, formado em reposta às revelações do relatório, deverá coibir o comércio ilegal de guepardos com melhor aplicação da lei. “Foi dito aos países que não se pode ignorar o fato de que isso está sendo monitorado”, disse ele.

David Morgan, chefe de Ciência da Cites, declarou: “Países do Oriente Médio posicionaram-se muito claramente e esse é um sinal de progresso. O Catar, os Emirados, o Kuait, todos reconheceram o problema”.

Morgan disse que a demanda por espécies ameaçadas, incluindo os grandes felinos, vem mostrando uma tendência “da saúde à prosperidade”, ou seja, uma ênfase crescente nesses animais como símbolo de status, mais do que a exploração para supostos usos medicinais. “Muitos países asiáticos ainda praticam o comércio de partes dos animais para fins medicinais, mas a procura deles por motivo de exibição parece estar crescendo”, explicou ele. “Isso vem com o crescimento das economias desses países, o que impulsiona a demanda. Mas os pequenos números de animais deixados na natureza não poderão suportar isso”.

A recente cúpula da Cites, que terminou na semana passada na Suíça, também abordou o assunto da crise da caça aos elefantes. “A Tailândia recebeu um último aviso”, disse Morgan. “Foi feita uma nota de que eles têm que colocar a casa em  ordem, ou haverá consequências”. A menos que atue em seu comércio de marfim, parte chave da cadeia de marfim da África para a China, a Tailândia será barrada do comércio de toda a vida selvagem coberto pelo acordo internacional da Cites, incluindo o comércio lucrativo de orquídeas e cactos.

A Interpol estima que o comércio ilegal de vida selvagem movimente de 10 a 20 bilhões de dólares por ano, o quarto comércio negro mais lucrativo depois do tráfico de drogas, pessoas e armas. A situação já encontra-se em uma escala em que prejudica pessoas e nações, especialmente na África, conforme John Scanlon, secretário geral da Cites, disse ao The Guardian em 2013: “Envolve cada vez mais sindicatos de crime organizado e, em alguns casos, milícia rebelde. Isso representa uma séria ameaça à estabilidade e à economia dos países afetados e rouba-lhes os seus recursos naturais. É preciso que isso pare”.

Ele acrescentou: “O Conselho de Segurança das Nações Unidas relacionou o grupo armado Exército de Resistência do Senhor ao contrabando de marfim na República Democratica do Congo, enquanto o grupo al-Shabaab da al-Qaida foi ligado ao comércio ilegal de marfim na Somália”.

Fonte: http://www.anda.jor.br/

Quatro crianças palestinas mortas por Israel enquanto jogavam futebol na praia – por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A história de Gaza que os israelenses não contam – por Robert Fisk


A história de Gaza que os israelenses não contam. 
A história do direito de autodefesa de Israel é a de sempre. Mas como e por que, para início de conversa, há 1,5 milhão de palestinos apertados em Gaza?

Pois bem, na tarde da última sexta-feira o saldo de mortos estava 110 a 0 a favor de Israel. Mas passemos para a história de Gaza que, a esta altura, ninguém vai contar. Trata-se da terra. Os israelenses de Sderot estão recebendo tiros de rojões dos palestinos de Gaza, e agora os palestinos estão sendo bombardeados com bombas de fósforo e bombas de fragmentação pelos israelenses. É. Mas e como e por que, para início de conversa, há, atualmente, um milhão e meio de palestinos apertados naquela estreita Faixa de Gaza?

As famílias deles, sim, viveram ali, não eles, no que hoje há quem chame de Israel. E foram expulsas – e tiveram de fugir para não serem todos mortos – quando foi criado o Estado de Israel.

E – aqui, talvez, melhor respirar fundo antes de ler – o povo que vivia em Sederot, no início de 1948, não era israelense, mas árabe palestino. A vila palestina chamava-se Huj. Nunca foram inimigos de Israel. Dois anos antes de 1948, os árabes de Huj até deram abrigo e esconderam ali terroristas judeus do Haganah, perseguidos pelo exército britânico. Mas, quando o exército israelense voltou a Huj, em 31 de maio de 1948, expulsaram todos os árabes das vilas... para a Faixa de Gaza! Tornaram-se refugiados. David Ben Gurion (primeiro premiê de Israel) chamou a expulsão de “ação injusta e injustificada”. Pior, impossível. Os palestinos de Huj, hoje Sderot, nunca mais puderam voltar à terra deles.

E hoje, bem mais de 6 mil descendentes dos palestinos de Huj – atual Sderot – vivem na miséria de Gaza, entre os “terroristas” que Israel mente que estaria caçando, e os quais continuam a atirar contra o que foi Huj.

A história do direito de autodefesa de Israel é a história de sempre. Hoje, foi repetida e a ouvimos mais uma vez. E se a população de Londres estivesse sendo atacada como o povo de Israel? Não responderia? Ora, sim. Mas não há mais de um milhão de ex-moradores de Londres expulsos de suas casas e metidos em campos de refugiados, logo ali, numas poucas milhas quadradas cercadas, perto de Hastings!

A última vez em que se usou esse falso argumento foi em 2008, quando Israel invadiu Gaza e assassinou pelo menos 1.100 palestinos (1.100 mortos palestinos, 13 mortos israelenses). E se Dublin fosse atacada por foguetes – perguntou então o embaixador israelense? Mas, nos anos 1970, a cidade britânica de Crossmaglen, no norte da Irlanda, estava sendo atacada por foguetes da República da Irlanda – e nem por isso a Real Força Aérea britânica começou a bombardear Dublin em retaliação, matando mulheres e crianças irlandesas.

No Canadá em 2008, apoiadores de Israel repetiram esse argumento fraudulento: e se o povo de Vancouver ou Toronto ou Montreal fosse atacado com foguetes lançados dos subúrbios de suas próprias cidades? Como se sentiriam? Não. Os canadenses nunca expulsaram para campos de refugiados os habitantes originais dos bairros onde hoje vivem.

Passemos então para a Cisjordânia. Primeiro, Benjamin Netanyahu disse que não negociaria com o ‘presidente’ palestino Mahmoud Abbas, porque Abbas não representava também o Hamas. Depois, quando Abbas formou um governo de unidade, Netanyahu disse que não negociaria com Abbas, porque ‘unificara’ seu governo com o “terrorista” Hamas. Agora, está dizendo que só falará com Abbas se romper com o Hamas – quando, então, rompido, Abbas não representará o Hamas...

Enquanto isto, o grande filósofo da esquerda israelense, Uri Avnery – 90 anos e, felizmente, cheio de energia – ataca a mais recente obsessão de seu país: a ameaça de que o ISIS se mova para oeste, lá do seu ‘califato’ iraquiano-sírio, e aporte à margem leste do rio Jordão.

“E Netanyahu disse”, segundo Avnery, que “se não forem detidos por uma guarnição permanente de Israel no local (no rio Jordão), logo mostrarão a cara nos portões de Tel Aviv”. A verdade, claro, é que a força aérea de Israel esmagaria qualquer ‘ISIS’, no momento em que começasse a cruzar a fronteira da Jordânia, vindo do Iraque ou da Síria.

A importância da “guarnição permanente”, contudo, é que se Israel mantém seu exército na Jordânia (para proteger Israel contra o ISIS), um futuro estado “palestino” não terá fronteiras e ficará como enclave dentro de Israel, cercado por território israelense por todos os lados. “Em tudo semelhante aos bantustões sul-africanos” – diz Avnery.

Em outras palavras: nenhum estado “viável” da Palestina jamais existirá. Afinal, o ISIS não é a mesma coisa que o Hamas? É claro que não é.

Mas Mark Regev, porta-voz de Netanyahu, diz que é! Regev disse à Al Jazeera que o Hamas seria uma “organização terrorista extremista não muito diferente do ISIS no Iraque, do Hezbollah no Líbano, do Boko Haram…” Sandices. O Hezbollah é exército xiita que está lutando dentro da Síria contra os terroristas do ISIS. E Boko Haram – a milhares de quilômetros de Israel – não ameaça Tel Aviv.

Vocês entenderam o ‘espírito’ da fala de Regev. Os palestinos de Gaza – e esqueçam as 6 mil famílias palestinas cujas famílias foram expulsas pelos sionistas das terras onde hoje está Sederot – são aliados das dezenas de milhares de islamistas que ameaçam Maliki de Bagdá, Assad de Damasco ou o presidente Goodluck Jonathan em Abuja.

Sim, mas... Se o ISIS está a caminho para tomar a Cisjordânia, por que o governo sionista de Israel continua a construir colônias ali?! Colônias ilegais, em terra árabe, para civis israelenses... na trilha do ISIS?! Como assim?!

Nada do que se vê hoje na Palestina tem a ver com o assassinato de três israelenses na Cisjordânia ocupada, nem com o assassinato de um palestino na Jerusalém Leste ocupada. Tampouco tem algo a ver com a prisão de militantes e políticos do Hamas na Cisjordânia. E nem o que se vê hoje na Palestina tem algo a ver com foguetes. Tudo, ali, sempre, é disputa por terra dos árabes.

Robert Fisk é jornalista e escritor britânico premiado diversas vezes com textos sobre o Oriente Médio. É um dos poucos repórteres ocidentais que fala árabe fluentemente. 

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

A luta contra o Estrado Assassino de Israel – por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Os campeões mundiais - por Latuff

Fonte: http://latuffcartoons.wordpress.com/

A Copa e a Democradura II: Para xs “esquerdistas” entregadxs ao sistema – por Vantiê Clínio Carvalho de Oliveira


A Copa e a Democradura II: Para xs “esquerdistas” entregadxs ao sistema
Iniciemos por um evento histórico recente, que é apontado por muitos historiadores como o marco do início de uma nova época: o atentado contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, em 11 de Setembro de 2001. Sem negar que o fanatismo religioso causa muitos males, pergunto: vocês não têm a menor dúvida de que o atentado contra as Torres Gêmeas foi cometido por ordem de Bin Laden?! Vocês sabem que a família de Bin Laden tinha altos negócios com o governo Bush e que este – o presidente – ficou “impassível” durante algum tempo (conforme registros em vídeo) após receber a notícia do atentado, durante uma palestra para estudantes…?! Será que o título do texto que Noam Chomsky publicou logo após o atentado – que é: “O Atentado de 11 de Setembro é Um Presente Para os Conservadores” -, não poderia apontar para algo mais do que o seu “valor facial” (ou seja: algo mais do que a primeira leitura sugere)? Afinal, não foi esse atentado que deu a justificativa “moral” para os E.U.A. invadirem o Iraque, como também para recrudescerem as legislações e os expedientes de controle interno – e externo – sobre as vidas dos cidadãos, com expedientes como esse controle virtualmente universal da internet, denunciado por Edward Snowden? E qual é a linha de intervenção externa que os U.S.A. têm adotado, no período pós-ditaduras da América Latina..? A DEMOCRATIZAÇÃO de países politicamente “atrasados”…! Para mim, nenhuma destas forças – nem seus modos de luta – me interessam.

Como penso que vocês devem saber: anarquistas não são comunistas marxistas, que sonham com uma “ditadura do proletariado”. Essa tradição de pensamento ditatorial, como vocês mesmos admitem, é a formação da “esquerda” partidária (daí serem muito hábeis na utilização dos expedientes autoritários, mesmo nas DEMOCRADURAS)! Aliás, para mim, bem entendido, anarquismos nem sequer são “esquerda”, porque “direita” e “esquerda” referem-se a dois lados em luta pelo poder do Estado! Talvez, seja isto mesmo que os “States” queiram que se torne pensamento único: a ideia de que em política só existem duas opções, ou as ditaduras (“clássicas”), ou as democracias representativas, ou seja, a ideia de que fora do Estado não há “salvação” e de que, dentro do Estado existe uma promessa de paraíso: a “liberdade política” meramente estatística, ritualística e sazonal do sufrágio universal e seus corolários de formalismos legislativos promotores da “equitatividade social”!

Se vocês são otimistas e acham que estamos caminhando cada vez mais para um mundo melhor (“um mundo onde todos tenham a mesma oportunidade, de fato e de direito”), eu lhes digo que penso que estamos sim caminhando para um mundo das melhores utopias… NEGATIVAS, tais como “pintados” nas obras “1984″ e “Admirável Mundo Novo”. Ali, se vê populações felizes, com todas as suas necessidades básicas garantidas, se sentindo espontâneas e confortáveis como… peixes em aquários, que de tão acostumados com os vidros transparentes das estruturas que os contêm (faço aqui uma analogia com as estruturas políticas, econômicas e sociais altamente hierarquizadas e burocráticas dos Estados Modernos), nem sequer “sonham” com a possibilidade da existência do mar… Poético demais? Então, vamos aos duros fatos:

Vocês sabem que, neste momento, governos “democráticos” – inclusive de “esquerda” – de todos os países ricos estão “tratando” imigrantes pobres com confinamentos em campos de segregação (Alemanha e Itália), suas polícias (que nem são militarizadas como a do Brasil) estão “tocando o terror” contra populações de imigrantes (isso em países com governos social democratas, como a França, onde se multiplicam casos de agressões policiais a imigrantes pobres), suas políticas – dos países “democráticos” – concentram-se basicamente em impedir a qualquer custo – inclusive atirando – a entrada de imigrantes pobres em seus territórios e que, para os que conseguem entrar, a ordem é deportar maciçamente…?! Vocês sabem que, também no Brasil, o Governo Federal formou uma força tarefa para “despachar” (para fora do país), rapidamente, imigrantes Haitianos ilegais?

Vocês sabem que, em vários países “democráticos”, as manifestações que REALMENTE incomodam o Status Quo (ou seja, aquelas que denunciam todos os que fazem o jogo do poder) vêm sendo duramente reprimidas?! Por exemplo: Na Espanha, foram divulgadas imagens na internet de policiais algemando manifestantes em postes na rua e lhes dando longos banhos com os caminhões de água; nos E.U.A. a polícia já tinha iniciado essa moda que chegou esses dias em São Paulo, de borrifar gás de pimenta nos olhos de manifestantes já contidos por vários homens (aliás, a “versão quebra bancos” dos black blocks surgiu lá, devido ao descaso com que a grande mídia trata estes crimes “oficiais”); aqui no Brasil, para além da repressão contra as manifestações urbanas, operários grevistas na “insuspeita” construção da Megausina Hidrelétrica de Belo Monte (na região do Rio Xingu) receberam a “visita” da Força Nacional que não foi nada “cordial” com os trabalhadores no exercício do seu “legítimo direito de greve”! Então, como se vê, o problema da polícia não é ser ou não militarizada, como a do Brasil: isso é uma questão ilusória! O problema da polícia é SER POLÍCIA! A polícia – militar ou não – é uma das instituições destinadas a fazer o uso da força para manter o Status Quo (manter o sistema e os grupos que fazem seu jogo), e ai da Polícia que não possa fazer uso da força quando isso interessa à manutenção do sistema!

Vocês já se questionaram “por que”, justamente num momento em que a internet está servindo para mobilizar, mundialmente, tantos movimentos de protestos com uma tendência declarada à reivindicação de uma VERDADEIRA DEMOCRACIA (como foi o lema dos “Indignados”, na Espanha de 2011) – ou seja, reivindicações de Democracia Direta -, “por que”, justamente nesse momento, surgem propostas de regulação governamental da internet, como a do Marco Civil e a da Netmundial? Sei, o papo é que as grandes corporações de transmissão de dados já estão privatizando os dados dos usuários… Mas, então, a única escolha aí é entre ter seus dados virtuais controlados pelas corporações ou controlados pelos governos?! Aliás, para quem tem olhos para ver, a maioria dos governos mundiais são eleitos com megacampanhas eleitorais, cada vez mais caras e financiadas por grupos de grandes interesses econômicos, configurando-se, de fato, em mandatários destes grupos corporativos. Então, há alguma escolha aí, entre “a cruz” – das ilusões da religião dos nacionalismos – ou “a espada” – do mercado que fere as dignidades pessoais em nome do lucro?! Ou seja, parafraseando – não por acaso -, a música do polêmico Ney Matogrosso: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, porque isso vai longe, meninxs isso vai longe…” Vai sofisticar mais ainda os já tão refinados mecanismos de controle existentes sobre as vidas das pessoas nas sociedades contemporâneas: e qualquer prática que seja REALMENTE crítica com relação ao Status Quo, já será detectada e anulada desde o seu nascedouro, pelo BIG BROTHER! Não é à toa que um dos grandes conhecedores do mundo da internet, Julian Assange (do WikiLeaks), declarou que a internet está se tornando uma das maiores ameaças à civilização (ou seja, ao desenvolvimento do livre pensamento)… E também não é à toa que ele – Assange – está sendo vítima de uma campanha de difamação e de incriminação… A tal liberdade de pensamento nas democracias representativas só vai até onde se pensa O QUE SE PERMITE QUE SEJA PENSADO, ou seja, que a democracia representativa é o único e o melhor dos mundos políticos! Quem enxerga para além dos vidros do aquário, “mija fora do balde”, “joga água fora da bacia” – melhor, “do aquário”, porque perceber que existe o mar e querer se agitar para sair do aquário em direção à amplitude do horizonte, é crime contra o Estado – ou melhor, é um dano contra os vidros de contenção (qualquer alusão à estratégia black block não será mera coincidência?)!

E, vejam que eu me limitei aqui apenas às questões dos imigrantes pobres, dos manifestantes pró Democracia Direta, das ameaças à liberdade na internet como consequência da intensificação dos seus usos para fins de mobilizações realmente críticas… Eu poderia me estender mais tratando, p. ex, da questão dos estreitos vínculos das indústrias farmacêutica e bélica com a maior parte dos Estados “democráticos”, de modo que esses Estados submetem suas populações a políticas de vacinações massivas com substâncias cuja eficácia – e efeitos colaterais – ainda não são ponto passivo entre a comunidade científica, bem como estes Estados também são cúmplices – direta ou indiretamente – de boa parte das guerras do mundo moderno, pelo fato de serem alguns dos maiores clientes das indústrias armamentistas…

Mas, como eu já lhes disse, acho sim que estamos caminhando para um mundo digno das melhores utopias NEGATIVAS: um “Admirável Mundo Novo”, onde os cidadãos cada vez mais condicionados a viverem em harmonia com as leis e regras sociais – a se sentirem felizes dentro do aquário – têm as suas capacidades perceptivas e críticas cada vez mais entorpecidas por uma droga chamada… O acesso ao consumo em massa de produtos/bugigangas descartáveis, como também ao consumo de produtos da indústria de entretenimento como o… FUTEBOL!

Se depois de sabermos de tudo isto, vocês ainda acham que os Estados democráticos modernos são “racionais”, ou seja, que por dentro de suas instituições se pode garantir um mundo sem violência nem derramamento de sangue, um mundo melhor, onde todos tenham a mesma oportunidade de fato e de direito, eu precisarei ir mais além na minha demonstração e sintetizar todo o quadro apresentado em uma frase bastante didática: O MUNDO DOS ESTADOS NACIONAIS É UMA GRANDE MÁFIA! E se mesmo assim vocês continuam acreditando que é interessante brigarmos com o autoritarismo da FIFA, mas também por melhores sistemas de saúde, educação etc, sem questionarem a natureza do Estado e da grande propriedade do Capital, enquanto instrumentos alienadores do poder EFETIVO dos cidadãos “comuns” sobre a sua vida em coletividade, então, nem conversemos sobre “luta”, porque para mim, assim como já denunciava Ivan Illich (ainda nos anos setenta) muitos desses programas de expansão das redes de atendimentos de modernos serviços estatais e/ou empresariais, são na verdade parte de uma grande estratégia de apagamento dos modos de vida comunitários tradicionais (de convivialidades não prioritariamente mediadas por valores monetários), em substituição pelo modo de vida capitalista moderno (da dominância dos valores do mercado, concorrencial, produtivista e consumista), sob o argumento de que a “falta de acesso” a esses serviços modernos configura “pobreza” (quando pode ser apenas um outro modo de produção e consumo, tal como nos casos de tribos indígenas e comunidades caboclas e de pescadores). E ainda mais: as Comunidades Zapatistas no México – onde milhares de pessoas experimentam um modo de vida autogestionário, sem Estado, sem patrões, mais próxima à natureza e sem miséria – têm denunciado que o Estado Mexicano tem seduzido muitos dos seus integrantes para saírem das comunidades, atraídos pelo modo de vida consumista, propiciado por… “Programas sociais”!

Então, o que se vê é que os Estados Modernos têm exercido, majoritariamente, um papel histórico de promover a ampliação da dominação das formas de sociedades de mercado – um processo de arruinamento dos modos de vida que diferem do moderno modo de vida ocidental, industrial, produtivista e consumista. Em outras palavras: uma homogeneização, em escala planetária, das formas humanas de viver! Então, no âmbito deste modelo civilizatório, não se pode falar em respeito a tradições e/ou à diversidade! Exemplo disto é o fato de que entre os jovens de países orientais como o Japão e a China, onde a “moderna economia de mercado” foi desenvolvida e/ou estimulada (com a adoção de políticas governamentais específicas, claro), os modos de vestir se assemelham cada vez mais aos do Ocidente (com a universalização do uso do jeans, p. ex.), os gostos musicais também (verificando-se uma tendência ao crescimento do gosto pela música difundida na moderna indústria cultural ocidental, diga-se, estilos como o rock, o pop, o tecno etc), os hábitos alimentares idem (com a dominância cada vez maior do estilo alimentar dos “fast foods”) e até os tradicionais jogos locais tendem a ser secundarizados cada vez mais em favor do… FUTEBOL! E o futebol é um ótimo fenômeno para exemplificar este processo de homogeneização universal dos modos humanos de viver, sob a ação dos Estados Nacionais e das modernas sociedades de mercado:
Vocês sabem que entre os critérios que compõem o chamado “padrão” FIFA nas “arenas” – este é o nome, pois agora são europeizadas -, além da expulsão de comunidades pobres do entorno dos antigos estádios, consta também o da abolição das “gerais” – aquelas áreas dos estádios onde os ingressos eram mais baratos e que por isso eram frequentadas pelos torcedores pobres -? Sem falar, no impedimento à entrada de “fanfarras”, no impedimento ao uso de suportes de bandeiras (mastros), como também na abolição de cabines de vendas de ingressos no local etc. Ou seja, a FIFA homogeneiza – “padroniza” – o perfil dos torcedores nos estádios, configurando assim uma situação em que os grupos que aparecem nas telas das transmissões mundiais dos jogos são majoritariamente grupos de classe média (ou seja, os representantes da excrescência chamada “opinião pública mediana”)… Qualquer semelhança com o projeto de estratificação social sonhado pelo Governo Federal para a sociedade brasileira, será mera coincidência?! Aliás, quem diz ser crítico do autoritarismo da FIFA, para ser coerente, deve ser crítico do Governo Federal também, porque a FIFA não impôs unilateralmente suas regras ao Brasil, ao contrário, o Governo Federal ACEITOU SEDIAR A COPA, ou seja, é parceiro da FIFA, tendo o governo, inclusive, oferecido a este Pool de grandes corporações “agrados” tais como uma completa isenção fiscal para o megaevento! Em tempo: gosto da arte do futebol, mas rechaço veementemente a INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO, que é um dos ramos de negócios mais criminosos do mundo, posto que é um dos que mais se prestam para a lavagem internacional de dinheiro oriundo de atividades criminosas (não é à toa a tradição de ligação entre bicheiros e times de futebol no Brasil).

Então, se, como vocês mesmos devem admitir e deduzir, só há uma classe de regimes sócio-políticos onde todos são levados a ver o mundo de forma igual, o que dizer de um modelo civilizatório como este, dos Estados Nacionais e das Modernas Sociedades de Mercado, onde domina todo este processo de homogeneização global dos modos de vida humanos?! Claro que a resposta já foi antecipada pelo seu próprio raciocínio: DITADURA, aliás, DEMOCRADURA (visto a existência dos RITUAIS FORMAIS de legitimação – pelo uso do sufrágio universal – das trocas sazonais de grupos administradores do sistema, bem como a existência FORMAL de ordenamentos jurídicos que garantem direitos individuais básicos como a liberdade de expressão e o direito inalienável à vida – que o digam os manifestantes libertários sistematicamente presos no Brasil e ao redor do mundo, bem como os imigrantes de países pobres, quando – e se – conseguem aportar em países democráticos ricos).

Nós, “progressistas”, subestimamos muito a inteligência dos grandes estrategistas a serviço da manutenção do sistema: nos achamos tão bons que não conseguimos ver nada a nossa frente, a não ser os nossos “anseios”, e esquecemos de coisas simples, tais como o fato de que felicidade e liberdade são duas situações que não mantêm nenhuma relação de vínculo necessário entre si e que, portanto, um povo pode ser feliz, mesmo nas mais sofisticadas das servidões (aliás, principalmente nestas, pois aqui a servidão é mais difícil de ser percebida do que em autoritarismos clássicos),como os habitantes das utopias negativas de George Orwell e Aldous Huxley,  como o peixe que vive no aquário sem nem sequer “sonhar” que existe mar.

E é por compreender que o fundamentalismo da moderna sociedade de mercado é a religião universal cada vez mais dominante hoje e que, como em toda e qualquer religião, seus adeptos cada vez mais numerosos se sentem felizes apenas por co-participarem de seus rituais sagrados – o produtivismo e o consumismo em massa, inclusive de entretenimento -, e por compreender também, por outro lado, que existem outras possibilidades de vida humana mais autônomas e que, como diz Cornelius Castoriadis, “existe sempre a possibilidade dos sujeitos desviarem o olhar em relação à sua cultura” (e enxergarem diferentemente das visões dominantes), é por tudo isto que eu não penso mais em termos de revolução (pois, antes que “outros” a façam, o sistema já “faz”… com a ajuda de vocês) mas sim em termos de REVOLTA, e ao contrário do que vocês pensam, eu acho que isso deve ser feito o tempo todo (e não apenas quando não se concorda com o governo da vez), porque, através disso, se poderia encontrar alguma ORIGINALIDADE (ao invés de apenas reproduzir modos “enlatados” de vida)!

Quando vejo que boa parte dos que estão se dispondo a enfrentar o grande império atual – das modernas sociedades de mercado e dos Estados Nacionais – são muito jovens, quero me afastar da “razoabilidade” e “maturidade” dos velhos (independentemente da idade cronológica) que antes eram “críticos” e hoje são colaboradores do projeto de mundialização deste modelo civilizatório que está transformando todos em meros cidadãos produtores/consumidores em massa (como também transformando tudo em mero produto de consumo em massa), e me pego a repetir o seguinte trecho de uma letra do – agora “outsider” – cantor e compositor cearense, Belchior (que, também não por acaso, eu lembro aqui): “Mamãe quando eu crescer eu quero ser adolescente, no planeta juventude haverá vida inteligente…”

Sim, sejamos tranquilos, porque existem todos os tipos de vida, mas nem todxs os seres vivem dispostxs a roubar o fogo da liberdade dxs deusxs, como Prometheus!

Nos vemos por aí, amigxs.

Vantiê Clínio Carvalho de Oliveira

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