terça-feira, 22 de março de 2011

Trens "velhos" voltarão ao metrô de São Paulo de cara nova

Fonte: UOL

As coisas que acontecem no Estado de São Paulo são incríveis, nestas últimas décadas do Império Tucano do PSDB tudo que funcionou foi à propaganda e nada mais.

E a mídia paulista que sempre esta mais preocupada com o Governo Federal sempre se esquece de São Paulo e dos seus milhares de problemas isso em todas as áreas do Estado.

O ex-governador e ex-presidente José Serra, ex-presidente já que para grande parte da mídia ele já estava eleito, só esqueceram de avisar os eleitores, mas enfim, ele dizia que o Metrô teria as melhores condições em seu Governo, as propagandas eram fabulosas, o caboclo pegaria o Metrô na estação de Arthur Alvim e chegaria em 20 minutos em Pinheiros, nem mesmos as estações que não tem nem 4 quilômetros de distância não funcionam como deveria, todas essas mentiras são constantemente propagadas por essa mídia podre que quer nos enfiar goela abaixo todas essas falcatruas.

E para ver que isso não tem fim agora teremos trens do metrô velhos com cara de novos, isso é mais uma das pérolas destes homens que tomaram o Estado de São Paulo de assalto.

Provos Brasil

Anarquistas pintam mural no “dia das mulheres”, em São Paulo - por ANA

Anarquistas pintam mural no “dia das mulheres”, em São Paulo
[Um grupo libertário de muralistas surgiu recentemente em São Paulo e já realizou alguns trabalhos nas ruas da cidade, o último no “Dia Internacional das Mulheres”.]

Comunicado:
O 8 de março este ano teve uma particularidade, caiu justamente no Carnaval. Quem se lembrou do “Dia Internacional das Mulheres”? E por outro lado, quem se esqueceu do Carnaval?

No Brasil tem-se uma tradição de parar tudo no Carnaval, até mesmo a marcha que ocorre todos os anos no dia 8 de março não aconteceu na data (e se ocorresse, não haveria uma grande participação).

Foi aí que pensamos: “não há data melhor para fazer um mural que dia 8″ e foi o que partimos a pintar e fazer!

A idéia de pintar um mural era justamente chamar a atenção das mulheres para a ação, indo contra ao que se tenta projetar aqui de que o dia das mulheres é a data para felicitar, dar rosas vermelhas e todo esse teatro de “reconhecer” a importância da mulher na sociedade.

Assim, a proposta do mural veio para chamar as mulheres e homens para a ação. É claro que dentro do sistema econômico que vivemos tanto homens quanto mulheres sofrem diversas imposições de como se comportar, como ser, que corpo ter, por isso acreditamos que uma verdadeira transformação social não venha de um ou de outra, mas da junção das forças.

Sabemos que existem lutas específicas da mulher, pois a mulher não pode decidir sobre seu corpo, ainda hoje é alvo de inferiorização e submissão… E não é isso que queremos! Pensamos que as mulheres têm tanta capacidade quanto os homens de se posicionar, discutir e agir. Não queremos companheiras e amigas em casa cuidando dos filhos e filhas enquanto seus companheiros estão lutando!

Não esperemos mais para construir o mundo que queremos no futuro. O mundo é hoje! Pois aquilo que sonhamos no futuro será fruto daquilo que realizamos hoje…

Mais infos e fotos:

› http://artelibertaria.wordpress.com/

agência de notícias anarquistas-ana
acende chama
sorriso no escuro
sol de quem ama

Carlos Seabra

Wisconsin/EUA: Cães são vendidos por um dólar para serem usados em pesquisas nas universidades - por ANDA

Wisconsin/EUA: Cães são vendidos por um dólar para serem usados em pesquisas nas universidades - Por Vanessa Perez (da Redação)

Defensores dos animais pressionam o governador do estado de Wisconsin pela proibição do uso de cães na experimentação.Foto: Henry County/Humane Society
Qual é o preço dos cães do abrigo de Wisconsin, nos EUA? De acordo com a lei atual – e o governador Walker – 1 dólar é tudo o que é preciso para comprar um cão abandonado e submetê-lo a uma vida de miséria.

Uma lei antiga, de 1971, inclui a disposição que permite que os cães do abrigo sejam vendidos para laboratórios de “pesquisa científica” por um dólar.

O projeto de lei foi recentemente trazido de volta à mesa de emendas, mas não para remover a cláusula para que isso aconteça. Pelo contrário, a nova lei vai alterar apenas um pequeno detalhe: O nome da Universidade de Wisconsin-Madison será acrescentado à lei. A lei atualmente em vigor, estabelece que uma escola dentro do sistema da Universidade de Wisconsin e do Medical College of Wisconsin podem legalmente comprar animais abandonados por um dólar cada.

Wisconsin não faz parte dos 17 outros Estados que proíbem o uso de cães em experimentação, mas os defensores dos animais estão pedindo ao Governador Walker que revogue completamente a lei, em vez de simplesmente adicionar o nome de uma Universidade.

A Hand4Paws Animal Action Team, um novo grupo internacional de defesa, está lutando contra o projeto de lei, exigindo que o Governador Walker acabe com a venda de cães errantes.

Hand4Paws se dedica a “chamar a atenção para o sofrimento dos animais, para ajudar a acabar com seu tormento e promover, com ênfase, em animais sob risco, atingindo um público mais amplo através da mídia social.

Eles criaram uma petição no site da Animals Change, direcionada ao Governador Walker. A petição já tem mais de 600 assinaturas e mais ativistas estão aderindo à causa todos os dias.

O grupo também gostaria de ver as pessoas ligando ou enviando cartas (educadas) ao Governador Walker em oposição ao projeto de lei.

A escola já utilizou 237 cães em pesquisas em 2010.

A caixa de emails da PETA ficou lotada de e-mails de defensores dos animais inconformados com o projeto. Justin Goodman, diretor associado do laboratório de investigação da PETA, diz que o ato de vender animais bandonados para pesquisas “, não só representa uma traição aos animais, mas também aos contribuintes, porque as pessoas mais razoável esperam que os abrigos de animais sejam um refúgio seguro para os animais perdidos e abandonados. ”

Animais abandonados, no abrigo, por seus tutores, são isentos da lei. No entanto, se uma das escolas precisar de mais cães do que os que estão disponíveis no abrigo, os cães novos que chegam podem ser enviados diretamente para a escola, ignorando o processo de adoção de costume.

Hand4Paws acredita que toda a prática é “cruel e injustificada”.

Diga ao governador Walker que pare com a venda de cães para as Universidades. Fale pelos animais, participe da petição acessando aqui.

Fonte: http://www.anda.jor.br

segunda-feira, 21 de março de 2011

Obama no Brasil: Manifestantes protestam e vão parar em Presídio, viva a Democracia - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

O documentário “A Conspiração de Chicago” já está disponível online gratuitamente - por ANA

O documentário “A Conspiração de Chicago” já está disponível online gratuitamente Companheiros e companheiras:
Nós temos procurado maneiras de fazer uma versão online de "A Conspiração de Chicago", a partir do lançamento em DVD. Tivemos várias limitações técnicas, e as pessoas da CrimethInc.com gentilmente nos ofereceu lançar a cópia online.

A versão online já está disponível gratuitamente.

Versão em espanhol:
› http://cwc.im/chicago-espanol
Versão em inglês:
› http://cwc.im/chicago

Haverá mais notícias sobre o próximo curta-metragem.

Atenciosamente,

Subversivo Filmes de Ação

› contact@subversiveactionfilms.org
› www.subversiveactionfilms.org

"A Conspiração de Chicago" é um documentário de três anos de realização. O trabalho foi gravado no Chile, e a história se estende às terras indígenas Mapuche del Wallmapu. O conceito do filme começou com a morte de um ex-ditador militar.

Celebramos nas ruas de Santiago com milhares de pessoas, depois de ouvir a notícia: o general Augusto Pinochet morreu. Seu regime assassinou milhares e torturou dezenas de milhares de pessoas após o golpe militar em 11 de setembro de 1973. Celebramos sua morte e as implicações do sistema político e econômico que o colocou no poder poderia, por si só, serem fatais. Nós começamos este filme com a morte de um ditador, mas continuamos com o legado de uma ditadura.

"A Conspiração de Chicago" leva o nome de aproximadamente 25 economistas chilenos que freqüentaram a Universidade de Chicago e outras universidades de prestígio, no início dos anos 60, para estudar sob a influência dos economistas neoliberais Milton Friedman e Arnold Harberger. Depois de abraçar as idéias neoliberais de Friedman, esses economistas, regressaram para ajudar Pinochet na aplicação dessas novas políticas de livre mercado. Privatizaram quase todos os aspectos da sociedade, e o Chile logo se tornou um exemplo típico do capitalismo de livre mercado, sob a mira de uma arma de fogo.

O golpe militar foi uma conspiração iniciada pela burguesia do Chile e assistidas por seus parceiros internacionais. A ação militar, e seu apoio da CIA, foi executada sob o pretexto de que o presidente Salvador Allende, um reformista e defensor do estado democrático, era na realidade um militante revolucionário marxista. Afirmaram que seu governo incluiu um plano secreto (Plano Z) para estabelecer um sistema semelhante ao de Cuba comunista. A existência deste plano nunca foi demonstrada com êxito pelos militares.

"A Conspiração de Chicago" é uma nova visão do golpe militar, que enfoca a história do governo de Allende. Mesmo antes de sua eleição, houve organizações armadas revolucionárias em todo o Chile, como o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR). Durante o governo de Allende, alguns setores acreditavam que um projeto reformista nunca poderia acabar com o sistema capitalista. Estes grupos foram o principal setor a liderar uma resistência armada contra os militares após o golpe começar. Enquanto a ditadura assumiu o controle, as organizações armadas foram expandidas e tornaram-se conhecidas como o MAPU-Lautaro e a comunista Frente Patriótica Manuel Rodríguez Frente (FPMR), além do MIR.

"A Conspiração de Chicago" começa em 29 de março de 1985. Neste dia, dois jovens irmãos e militantes do MIR, Rafael e Eduardo Vergara, foram mortos a tiros pela polícia em Villa Francia, povoado politicamente ativo. Uma pesquisa recente conduzida pelo governo chileno demonstra que foram procurados pela polícia, como tantos jovens antes deles, foram assassinados por motivos políticos. Sua comunidade Villa Francia respondeu criando um dia de memória e de protesto, o Dia do Jovem Combatente. Seu irmão mais velho, Pablo Vergara, foi posteriormente caçado, em Temuco, cidade no sul do Chile, em 1987.

"A Conspiração de Chicago" é sobre hoje. Depois de um plebiscito nacional em 1988, Pinochet terminou seu governo em 1990. As classes políticas no Chile permitiram ao país votar o fim da ditadura e da crescente preocupação de uma insurreição armada. O ano de 1990 trouxe um governo democrático no Chile, seguindo as mesmas políticas econômicas neoliberais impostas pela ditadura. Ao longo do filme, acompanhamos o descontentamento social que existe hoje. Exploramos o legado de uma ditadura.

"A Conspiração de Chicago" é sobre os estudantes que lutam contra uma lei de educação que foi iniciada no último dia do regime militar. Mais de 700.000 estudantes se declararam em greve durante o ano de 2006, para protestar contra o sistema de ensino privatizado. A polícia reprimiu brutalmente as manifestações e ocupações estudantis.

"A Conspiração de Chicago" é sobre o Dia do Jovem Combatente. O dia 29 de março não é apenas sobre os irmãos Vergara - é um dia para lembrar todos jovens combatentes que morreram durante a ditadura e o regime democrático atual.

"A Conspiração de Chicago" é sobre os bairros da periferia de Santiago. Foram originalmente ocupações de terra, e mais tarde tornaram-se centros de resistência armada contra a ditadura militar. Alguns, como Victoria e Villa Franca, continuam como áreas de confronto e descontentamento até hoje.

"A Conspiração de Chicago" é sobre o conflito Mapuche. O povo mapuche bravamente resistiu à ocupação espanhola, e continua a resistir contra as corporações multinacionais e o Estado chileno, que rouba a terra para plantações, minas, barragens e de produção agrícola. O governo tem usado uma lei antiterrorismo do período ditatorial para prender comuneros Mapuche em luta. Dois jovens Weichafes (guerreiros Mapuche) - Alex Lemon e Matías Catrileo - recentemente foram mortos pela polícia chilena, um em 2002, outra em 2008.

"A Conspiração de Chicago" é uma resposta a uma conspiração global do neoliberalismo, do militarismo e do autoritarismo.

agência de notícias anarquistas-ana
os teus cabelos
por travesseiro
como dormirei?

Rogério Martins

[França] Apresentação do documentário "México, a céu aberto" em Lille - ANA

[França] Apresentação do documentário "México, a céu aberto" em LilleQuarta-feira, 16 de março, no Centro Social Libertário de Lille, na França, às 19h30, foi apresentado o documentário "O México, a céu aberto", do cineasta mexicano Andrés DCO. Organizado pelo Coletivo da Raiva Digna e o Grupo de Anarquistas de Lille, essa projeção foi precedida de uma exposição fotográfica de alguns movimentos sociais da América Latina (Panamá e México, principalmente) e uma pequena conversa com o próprio diretor.

Além de mostrar a paisagem desoladora e os terríveis efeitos ambientais, deixadas de rastro pelas mineradoras transnacionais, especialmente as canadenses que se estabeleceram no México, bem como várias formas de organização social e de resistência; o filme é um tributo a Betty Cariño, que foi membro e coordenadora da Rede Mexicana de Afetados pela Mineração (REMA) e assassinada em março de 2010, no estado de Oaxaca, e a Mariano Abarca Roblero, membro da REMA-Chiapas, morto em Chicomiselo, Chiapas, por funcionários da mineradora canadense Blackfire, em 27 de novembro de 2009.

agência de notícias anarquistas-ana
Silêncio de outono.
Nem o grito do carteiro...
cochicho de folhas.

Anibal Beça

Quem controla o controle nuclear? - Por Stephen Leahy*

Quem controla o controle nuclear? - Por Stephen Leahy*O setor de energia nuclear tem poucos especialistas independentes, o que coloca em xeque a transparência e a imparcialidade dos órgãos fiscalizadores.

Uxbridge, Canadá, 21 de março de 2011 (Terramérica).- Enquanto o Japão enfrenta um acidente nuclear que pode ser o pior da história, parece evidente que qualquer debate sobre a segurança da energia atômica deveria abordar a independência dos órgãos reguladores. No dia 26 de abril de 1986, vários incêndios e explosões na central nuclear ucraniana de Chernobyl liberaram material radioativo que se espalhou sobre a Europa oriental e ocidental, especialmente na própria Ucrânia, Bielorússia e Rússia, que na época eram repúblicas soviéticas.

Após 25 anos, o reator número quatro de Chernobyl continua desprendendo radioatividade apesar de estar sepultado sobre uma grossa mas deteriorada cobertura de concreto armado. Estados Unidos e União Europeia tentam conseguir mais de US$ 2 bilhões para construir um sarcófago permanente que contenha a radiação. O desastre de Chernobyl costuma ser atribuído à tecnologia obsoleta e à falta de transparência característica do regime soviético.

O acidente na central japonesa de Fukushima I, operada pela Companhia de Energia Elétrica de Tóquio (Tepco), ocorreu em razão dos danos causados pelo terremoto de nove graus na escala Richter e ao imediato tsunami do dia 11. Porém, “a Tepco não tem os melhores antecedentes de segurança ou transparência na informação”, disse Mycle Schneider, analista de políticas energéticas e nucleares radicado em Paris que trabalha habitualmente no Japão.

Em 2002, descobriu-se que a Tepco falsificava informação sobre segurança e a empresa foi obrigada a fechar seus 17 reatores, incluídos os de Fukushima I, que fica 240 quilômetros ao norte de Tóquio, Leste do país, no litoral do Pacífico. Executivos dessa empresa admitiram ter apresentado cerca de 200 relatórios técnicos com dados falsos nas duas décadas passadas. A manobra foi descoberta porque um engenheiro norte-americano que trabalhava na Tepco a divulgou, disse Mycle ao Terramérica.

Em 2007, um terremoto de 6,6 graus obrigou a Tepco a fechar os sete reatores da maior central nuclear do mundo, na costa Oeste do Japão. A usina de Kashiwazaki-Kariwa foi fechada por 21 meses para realização de reparos e testes adicionais contra terremotos. Somente quatro de seus reatores voltaram a operar. “Não existe um único lugar do Japão que não seja propenso a terremotos”, disse Mycle.

Este país obtém um terço de sua eletricidade de 55 reatores nucleares, o que o coloca em terceiro lugar, depois da França, com 59, e dos Estados Unidos, com cerca de 100. O Japão não tem petróleo, gás natural, nem carvão, e é um grande consumidor de energia. O país planeja construir outros 15 reatores. Em outras instalações atômicas japonesas ocorreram falhas.

Em 2004, um acidente matou cinco trabalhadores. Em 1996, outro provocou uma chuva radioativa que alcançou os subúrbios do nordeste de Tóquio, mas houve pouca repercussão porque o governo proibiu a imprensa de divulgar a informação, disse o jornalista Yoichi Shimatsu, ex-editor do The Japan Times Weekly em um artigo publicado no The 4th Media.

Os ambientalistas japoneses protestam há muito tempo contra regulações inapropriadas e a cultura da indústria nuclear de encobrir seus erros. O problema é que as empresas do setor, como a Tepco, e as agências reguladoras do governo são “essencialmente o mesmo”, afirmou ao Terramérica o presidente da não governamental Coalizão Canadense para a Responsabilidade Nuclear, Gordon Edwards. Essa situação se repete no Japão, Canadá, Estados Unidos e em outros países, acrescentou Gordon. “Há poucos especialistas nucleares independentes no mundo. Todos trabalham para a indústria, ou já trabalharam e agora são reguladores”, ressaltou.

O Canadá tem uma grande indústria nuclear de propriedade estatal, com 17 reatores que fornecem 15% da eletricidade do país. O governo canadense vendeu reatores Candu a vários países, entre eles Argentina e, mais recentemente, China. As centrais nucleares do Canadá são alvo de múltiplos reparos, todos eles caros, e também de fechamento, principalmente por vazamento. Não há vítimas fatais, mas os custos com reparação chegam a milhares de milhões de dólares.

A indústria e as agências de fiscalização não têm interesse em educar o público ou os governantes, disse Gordon. “Nunca explicam que a radioatividade não é algo que se pode apagar. Não explicam que mesmo quando se fecha um reator este continua gerando enorme quantidade de calor que deve ser eliminado para impedir a fusão do combustível”, destacou.

Um claro exemplo é o reator número quatro de Fukushima I, que estava fechado desde dezembro. Entretanto, o combustível já usado imerso nas piscinas de armazenamento começou a esquentar quando o sistema de refrigeração parou de funcionar por causa do terremoto. Para John Luxat, especialista em segurança nuclear da Universidade McMaster, no Canadá, os prédios de Fukushima resistiram bem, mas houve um problema com o gerador elétrico que deveria alimentar o sistema de esfriamento.

O Canadá tem uma importante reguladora, que é a Comissão Canadense de Segurança Nuclear (CNSC), encarregada de fazer cumprir as normas, disse o especialista ao Terramérica. Para dirigi-la, o governo designa especialistas da indústria e de outros setores. Toda nova norma eleva consideravelmente os custos, admitiu John, que trabalhou na indústria nuclear canadense.

“Em 2008, quando a presidente da CNSC Linda Ken tentou colocar as regulamentações canadenses em linha com os padrões internacionais, o governo a destituiu”, disse ao Terramérica o analista nuclear do Greenpeace Canadá Shawn-Patrick Stensil. Uma das mudanças que ela promoveu foi ordenar o uso de geradores de apoio alimentados a óleo combustível caso houvesse falha elétrica após um terremoto, acrescentou.

“A independência da Comissão ficou comprometida com a designação de um presidente favorável à indústria nuclear”, afirmou. A CNSC e a indústria se negam a divulgar seus estudos sobre segurança para uma avaliação independente, argumentando que é muito perigoso torná-los públicos, declarou Shawn-Patrick.

“A indústria sempre exagera a segurança e os benefícios, e subdeclara os custos e os riscos”, disse ao Terramérica Mark Mattson, da organização não governamental Lake Ontario Waterkeeper. “É impossível conseguir que forneçam evidências que sustentem seus argumentos”, afirmou.

A maioria dos reatores nucleares do Canadá está na região da Grande Toronto, no leste do país, onde vivem quase seis milhões de pessoas. N final deste mês acontecerão audiências públicas para discutir a construção de mais dois reatores, embora a decisão de construí-los já tenha sido tomada na esfera política, explicou Mark. “Na realidade, não precisamos dessa energia adicional. O único motivo para isto ir adiante é incentivar a indústria”, destacou.

* O autor é correspondente da IPS.
Crédito da imagem: Digital/Globe
Legenda: Fotografia tirada por satélite da central nuclear Fukushima I lançando vapor radioativo no dia 14 de março.
Fonte: http://www.envolverde.com.br/

O prêmio Nobel da Paz Obama levando a desgraça e morte ao povo líbio – por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Os perigos da intervenção humanitária na Líbia - por Robert Fisk – La Jornada

Os perigos da intervenção humanitária na LíbiaE depois da Tunísia e do Egito, tinha que ser a Líbia, não é mesmo? Os árabes da África do Norte demandam liberdade, democracia e o fim da opressão. Sim, isso é o que têm em comum. Mas outra coisa que estas nações têm em comum é que fomos nós, os ocidentais, que alimentamos suas ditaduras década após década. Os franceses se encolheram diante de Ben Ali, os estadunidenses paparicaram Mubarak e os italianos acolheram Kadafi até que nosso glorioso líder (Tony Blair) foi ressuscitá-lo entre os mortos políticos.

Então, vamos tomar todas as medidas necessárias para proteger os civis líbios, certo? É uma lástima que isso não tenha nos ocorrido nos últimos 42 anos. Ou 41 anos. Ou...bem, vocês sabem o resto. E não dos deixemos enganar sobre o que significa, na verdade, a resolução do Conselho de Segurança da ONU. Uma vez mais, será a mudança de regime. E assim como no Iraque – para usar uma das únicas frases memoráveis de Tom Friedman nesse tempo – quando o último ditador se for, quem sabe que tipo de vampiro sairá do caixão.

E depois da Tunísia e do Egito, tinha que ser a Líbia, não é mesmo? Os árabes da África do Norte demandam liberdade, democracia e o fim da opressão. Sim, isso é o que têm em comum. Mas outra coisa que estas nações têm em comum é que fomos nós, os ocidentais, que alimentamos suas ditaduras década após década. Os franceses se encolheram diante de Ben Ali, os estadunidenses paparicaram Mubarak e os italianos acolheram Kadafi até que nosso glorioso líder (Tony Blair) foi ressuscitá-lo entre os mortos políticos.

Seria por isso, pergunto-me, que não ouvimos Lord Blair falar de Isfahán (central nuclear iraniana)? Sem dúvida deveria estar ali, aplaudindo com júbilo uma nova intervenção humanitária. Talvez só esteja descansando entre um episódio e outro. Ou talvez, como os dragões no “Reino das fadas “, de Spenser, esteja vomitando em silêncio panfletos católicos com todo o entusiasmo de um Kadafi em plena forma.

Abramos a cortina um pouco e observemos a obscuridade que há atrás dela. Sim, Kadafi é um louco absoluto, um lunático do nível de Ahmadinejad do Irã ou Lieberman de Israel, que se pôs a fanfarronear dizendo que Mubarak podia ir para o inferno, mas tremeu de medo quando Mubarak foi de fato lançado nesta direção. E existe um elemento racista nisso tudo.

O Oriente Médio parece produzir estes personagens...em oposição a Europa, que nos últimos cem anos, só produziu Berlusconi, Mussolini, Stálin e aquele baixinho que era cabo na infantaria da reserva do 16° regimento bávaro e que perdeu o juízo quando foi eleito chanceler em 1933...Mas agora estamos voltando a limpar o Oriente Médio e podemos esquecer nosso próprio passado colonial nesta região. E por que não, quando Kadafi diz ao povo de Bengasi: “iremos ruela por ruela, casa por casa, quarto por quarto”. Sem dúvida a intervenção humanitária é uma boa ideia. Além de tudo não haverá tropas em terra.

Desde logo cabe dizer que, se esta revolução fosse reprimida com violência, na, digamos, Mauritânia, não creio que exigiríamos zonas de exclusão aérea. Nem na Costa do Marfim, pensando bem. Nem em nenhum outro lugar da África que não tivesse depósitos de petróleo, gás ou minerais ou carecesse de importância do ponto de vista de nossa proteção a Israel, que é a verdadeira razão pela qual o Egito nos importa tanto.

Enumeremos algumas coisas que poderiam acabar mal. Suponhamos que Kadafi fique em Trípoli e que britânicos, franceses e estadunidenses destruam seus aviões, seus aeroportos, ataquem suas baterias de veículos blindados e mísseis e ele simplesmente não desapareça. Na quinta-feira, observei como, pouco antes da votação na ONU, o Pentágono começava a informar os jornalistas sobre os perigos de toda a operação, precisando que poderia levar dias para instalar uma zona de exclusão aérea.

A truculência e a vilania de Kadafi são reais. Nós as vimos sexta-feira, quando seu ministro do Exterior anunciou o cessar fogo e o fim de todas as operações militares, sabendo perfeitamente que uma força da OTAN decidida à mudança de regime não aceitaria isso, o que permitiria a Kadafi apresentar-se como um líder árabe amante da paz e vítima da agressão do Ocidente: Omar Mujtar vive novamente (chefe do movimento de resistência contra a ocupação militar italiana da Líbia, enforcado em 1931).

E que tal se simplesmente não chegarmos a tempo, se os tanques de Kadafi seguirem avançando. Então, enviaremos mercenários para ajudar os rebeldes? Nos instalaremos em Bengasi, com conselheiros, ONGs e a tradicional retórica diplomática? Note-se como, neste momento crítico, já não falamos das tribos da Líbia, esse curtido povo guerreiro que invocamos com entusiasmo há um par de semanas. Agora falamos da necessidade de proteger o povo da Líbia, já sem falar dos senoussi, o grupo mais poderoso de famílias tribais de Bengasi, cujos homens vêm travando grande parte dos combates. O rei Idris, derrubado por Kadafi em 1969, era senoussi. A bandeira rebelde vermelha, branca e verde – a velha bandeira da líbia pré-revolucionária – é de fato a bandeira de Idris, uma bandeira senoussi.

Agora suponhamos que os rebeldes cheguem a Trípoli (o ponto chave de todo o exercício, não é mesmo?): serão bem recebidos ali? Sim, houve protestos na capital, mas muitos destes valentes manifestantes vinham de Bengasi. O que farão os partidários de Kadafi? Se dispersarão? Se darão conta que sempre odiavam Kadafi e se unirão à revolução? Ou continuarão a guerra civil?

E se os rebeldes entram em Trípoli e decidem que Kadafi e seu filho demente Saif al-Islam devem receber o que merecem, junto com seus capangas? Vamos fechar os olhos para as matanças em represália, os enforcamentos públicos, os tratamentos que os criminosos de Kadafi têm infringido há anos contra seus opositores. A Líbia não é o Egito. Uma vez mais, Kadafi é um pirado e, dado seu estranho comportamento com seu Livro Verde no balcão de sua casa bombardeada, é provável que, volta e meia, também fique furioso.

Também há o perigo de que as coisas saiam mal do nosso lado: as bombas que caem sobre civis, os aviões da OTAN que podem ser derrubados ou explodidos em território de Kadafi, a súbita suspeita entre os rebeldes, o povo líbio e os manifestantes pela democracia de que a ajuda do Ocidente tem intenções posteriores. E ainda há uma aborrecida regra universal nisso tudo: no segundo em que se empregam as armas contra outro governo, por maior razão que se tenha, as coisas começam a se desencadear. Os mesmos rebeldes que na manhã de quinta expressavam sua fúria ante a diferença de Paris, sacudiam bandeiras francesas à noite em Bengasi. Viva os Estados Unidos. Até que...

Conheço os velhos argumentos. Por pior que tenha sido nossa conduta no passado, que devemos fazer agora? É um pouco tarde para perguntar isso. Amávamos Kadafi quando ele chegou ao poder em 1969. Quando ele mostrou seu um louco, passamos a odiá-lo. Depois voltamos a amá-lo – falo de quando lord Blair apertou suas mãos – e agora o odiamos de novo.

Por acaso Arafat não teve um histórico similar de altos e baixos com os israelenses e estadunidenses? Primeiro era um super-terrorista que desejava destruir Israel. Depois, um super-estadista que apertou a mão de Yitzhak Rabin, e logo em seguida voltou a ser um super-terrorista quando se deu conta que tinha sido enganado sobre o futuro da Palestina.

Algo que podemos fazer é localizar os Kadafi e Saddam do futuro que alimentamos hoje, os futuros dementes sádicos da câmara de torturas que cultivam seus jovens vampiros com nossa ajuda econômica. No Uzbequistão, por exemplo. E no Turkmenistão, no Tayikistão, Checênia e outros do mesmo estilo. Homens com os quais temos que tratar, que nos venderão petróleo, nos comprarão armas e manterão “na linha” os terroristas muçulmanos.

Tudo é tão conhecido que chega a cansar. E agora estamos de novo envolvidos nisso, dando socos na mesa em unidade espiritual. Não temos muitas opções a menos que queiramos ver outra Srebrenica (NT), não é verdade? Mas um momento: por acaso aquilo não ocorreu muito depois de que impormos nossa zona de exclusão aérea na Bósnia?

(NT) O Massacre de Srebrenica foi a matança, em julho de 1995 de até 8.373 bósnios, variando em idade de adolescentes a idosos, na região de Srebrenica na Bósnia e Herzegovina pelo Exército Sérvio da Bósnia sob o comando do General Ratko Mladic e com a participação das forças especiais da Sérvia conhecidos como "Escorpiões". Em várias ocasiões foram assassinadas crianças e mulheres. Considerado um dos eventos mais terríveis da história europeia recente, o massacre de Srebrenica é o maior assassinato em massa da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Foi o primeiro caso legalmente reconhecido de genocídio na Europa depois do Holocausto.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Fonte: Carta Maior

sábado, 19 de março de 2011

Go Home Obama! por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

sexta-feira, 18 de março de 2011

Passeata hoje convoca Dia de luta anti imperialista no domingo!!!

Com concentração às 16h, na Candelária, os movimentos sociais farão umapasseata convocando a atividade de domingo e informando a população sobre opapel nefasto que os EUA cumprem no mundo inteiro.
Obama, volte para casa! O ato do domingo terá concentração às 10h no metrô da Glória e integrará o Dia Anti-imperialista de Solidariedade aos Povos em Luta. As palavras de ordem da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso neste dia serão “Leilão É Privatização!” e “Obama, tire as garras do Pré-sal!”.

A idéia da manifestação é partir em direção ao centro do Rio com bandeiras, faixas e panfletos. Cada movimento e ativista levará seus materiais específicos explicando para a população porque somos contra a vinda de Obama. É importante a presença de todos que querem um mundo sem guerras e defendem um Brasil livre e soberano. Vamos mostrar que a sociedade brasileira não está omissa, nem disposta a bater palmas para os EUA.

Fonte: http://somostodospalestinos.blogspot.com/

A visita de Obama ao Rio - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Assange diz que a "internet é a maior máquina de espionagem que o mundo jamais viu" - por Patrick Kingsley

Assange diz que a "internet é a maior máquina de espionagem que o mundo jamais viu"

"Ela [a web] é mais uma tecnologia que pode ser usada para estabelecer um regime totalitário de espionagem, de contornos nunca vistos. Ou, por outro lado, se tomada por nós, se tomada por ativistas e por todos aqueles que querem uma trajectória diferente para o mundo tecnológico, pode ser algo que todos esperamos."

A internet é a "maior máquina de espionagem que o mundo jamais viu" e não é uma tecnologia que, necessariamente, favoreça a liberdade de expressão, afirmou o co-fundador da WikiLeaks Julian Assange, numa rara aparição pública.

Assange reconheceu que a web pode permitir uma maior transparência do governo e uma melhor cooperação entre os ativistas, mas disse que esta deu às as autoridades a melhor oportunidade de sempre de monitorizar e capturar dissidentes.

"Apesar de a internet ter, de certa forma, a capacidade de nos permitir o conhecimento, a um nível sem precedentes, do que o governo está a fazer, e de facilitar a cooperação para responsabilizar os governos repressivos e as sociedades repressivas, é também a maior máquina de espionagem que o mundo já viu ", disse aos estudantes da Universidade de Cambridge. Centenas fizeram fila durante horas para assistir à palestra.

Assange prosseguiu: "Ela [a web] não é uma tecnologia que favoreça a liberdade de expressão. Não é uma tecnologia que favoreça os direitos humanos. Não é uma tecnologia que favoreça a vida civil. É mais uma tecnologia que pode ser usada para estabelecer um regime totalitário de espionagem, de contornos nunca vistos. Ou, por outro lado, se tomada por nós, se tomada por ativistas e por todos aqueles que querem uma trajetória diferente para o mundo tecnológico, pode ser algo que todos esperamos. "

O co-fundador da WikiLeaks também sugeriu que o Facebook e o Twitter desempenharam um papel menos importante nos levantamentos no Médio Oriente do que o que foi antes argumentado pelos comentadores dos media sociais e pelos políticos.

Assange disse: "Sim, [o Twitter e o Facebook] tiveram um papel, embora nem de perto tão grande quanto a Al-Jazeera. Mas o guia elaborado pelos revolucionários egípcios... diz na primeira página: `Não usar o Facebook e o Twitter`, e diz na última página: `Não usar o Facebook e o Twitter`.”

"Há uma razão para isso. Havia realmente uma revolta no Facebook, no Cairo, há três ou quatro anos. Era muito pequena.. e o Facebook foi usado para perseguir os principais participantes. Foram espancados, presos e interrogados ".

Para Assange, os telegramas divulgados pela WikiLeaks desempenharam um papel fundamental para incentivar as sublevações no Médio Oriente e forçar o governo dos EUA a não apoiar o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak.

Assange disse que os telegramas diplomáticos sobre as atitudes dos EUA em relação ao antigo regime tunisino fortaleceram as forças revolucionárias em toda a região.

"Os telegramas da Tunísia mostraram claramente que, se se chegasse ao ponto de um conflito entre as forças armadas, por um lado, e o regime de Ben Ali, por outro lado, os EUA, provavelmente, apoiariam os militares".

E continuou: "Isso deve ter sido a causa de os países vizinhos da Tunísia pensarem: se houver intervenção militar, eles podem estar do mesmo lado que os Estados Unidos"

Assange, que fez um apelo contra a sua extradição para a Suécia por supostas acusações sexuais, disse que as divulgações da WikiLeaks também forçaram os EUA a abandonar o seu apoio tácito a Mubarak.

"A divulgação de telegramas sobre a aprovação de Mubarak aos métodos de tortura de Suleiman, impediu que Joseph Biden repetisse a sua afirmação anterior de que Mubarak não era um ditador. Não foi possível que Hillary Clinton publicamente saísse em apoio ao regime de Mubarak."

Respondendo a uma pergunta sobre Bradley Manning, o soldado dos EUA preso por supostamente divulgar informações confidenciais, Assange disse: "Nós não temos ideia se ele é uma das nossas fontes. Toda a nossa tecnologia foi preparada para assegurar que não sabemos."

O co-fundador da WikiLeaks expressou simpatia por Manning. "Ele está numa situação terrível. E se não está ligado a nós, [então] está lá como inocente... e se ele for de alguma forma ligado às nossas publicações, então é claro que temos alguma responsabilidade. Dito isto, não há qualquer alegação de que ele tenha sido preso por ter alguma coisa a ver connosco. A alegação é que ele foi preso por ter falado à revista Wired, nos Estados Unidos. "

Assange também criticou o New York Times, dizendo que este jornal suprimiu artigos sobre a atividade militar secreta americana no Afeganistão.

Tradução de Luis Leiria.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br

A múmia Lucia Hippolito - por Gustavo Barreto

A múmia Lucia Hippolito

A apresentadora e comentarista política da CBN Lucia Hippolito estava fazendo chacota de um comunicado de imprensa dos movimentos sociais, utilizando para isso a estrutura de rádio brasileira (uma concessão pública). O episódio ocorreu na manhã desta quinta-feira (17).

O tom jocoso marcou a leitura do comunicado, onde risos eram mesclados com tons de “absurdo” acerca de todos os tópicos do texto dos movimentos (leia aqui sobre a plenária popular que gerou o ato conjunto).

O áudio não deve ir ao ar. E isto tem uma explicação: além de uma peça de propaganda política explícita para tentar ridicularizar um ato dos movimentos sociais organizados em torno de bandeiras e lutas populares, a notável “cientista política” cometeu uma gafe tão ridícula quanto seu próprio ato.

Ao ler uma referência que o texto dos movimentos fazia ao preso político afro-americano Mumia Abu-Jamal, Lucia comentou: “Eu não sabia que tinha uma múmia presa”.

Ex-integrante do Partido dos Panteras Negras, Abu-Jamal é jornalista e ativista, símbolo internacional contra a pena de morte e um dos mais conhecidos prisioneiros políticos do mundo. Está há quase 30 anos em isolamento total no corredor da morte nos EUA, falsamente acusado pela morte de um policial. Em 2008 sua sentença de morte foi convertida para prisão perpétua. Mas ele pode voltar a ser condenado à morte e executado a qualquer momento. Leia mais sobre Abu-Jamal aqui.

Cabe registrar que a jornalista possui um espaço destacado na imprensa brasileira e, caso queira continuar gozando de algum resquício de credibilidade, deveria se dar o respeito de agir de acordo com o código de ética da profissão.

Em que situação é admissível que jornalistas utilizem comunicados de imprensa para ridicularizar quaisquer setores da sociedade e, neste caso, setores da sociedade civil que representam milhares de pessoas – como ela mesmo constatou ao ler a extensa relação de sindicatos, partidos e outros movimentos sociais que assinam a nota? Em que casos é permitida a completa falta de zelo com a checagem jornalística mínima acerca dos conteúdos descritos na nota? Onde está, por fim, o direito de resposta?

Ao terminar de ler em tom jocoso o manifesto gentilmente enviado à CBN, Lucia comentou: “Esses aqui nem sequer participaram do Woodstock. São do tempo do manifesto comunista de 1848”.

Entende-se que os “cientistas políticos” que pregam o fim da História tenham tamanho desprezo pelo conhecimento secular. Mas não esperávamos que pudessem ser eles próprios verdadeiras múmias egípcias.
Fonte: http://www.fazendomedia.com

Documentário: “O fim da civilização” - por ANA

Documentário: “O fim da civilização”

FIN:CIV (o fim da civilização) é um filme que examina a dependência à violência sistemática e exploração ao meio ambiente, que domina as culturas "civilizadas" ambientais. Os tópicos de “FIN: CIV” são baseadas nos livros "Endgame", do autor estadunidense Derrick Jensen, onde pergunta: se a vossa terra é invadida por alienígenas que destroem florestas, envenenando o ar e a água, e contaminam as colheitas, resistiria à ocupação?

A super-exploração dos recursos naturais é a principal razão pela qual as grandes civilizações morrem. Neste momento o mundo está em crise: a economia no caos, a escassez de petróleo, o aquecimento global fora de controle e desordem política. As manchetes de jornal repetem artigos atrás de artigos sobre a corrupção e numerosas traições ao confiante público. Somos testemunhas de como este sistema entra em colapso e em seu desespero tenta agarrar tudo o que pode, até não sobrar nada.

Dada toda esta destruição, vemos atos de coragem autêntica, por moradores nas zonas mais afetadas. “FIN: CIV” documenta atos heróicos de resistência, no seio das comunidades que sofrem a repressão contínua e a violência do sistema atual. Também “FIN: CIV” analisa os mitos mais comuns da esquerda e faz-nos analisar quais são as táticas que nos levará a um futuro melhor.

Derrick Jensen narra várias partes de “FIN: CIV” e faz um chamado a proteger a terra como se fosse nossa mãe. “FIN: CIV” desconstrói o sistema capitalista e os mecanismos que o perpetuam, com rápidas montagens, gráficos, comédia, animação e música. Também narra as histórias pessoais, nas quais os indivíduos fazem grandes sacrifícios para defender seus lares. "FIN: CIV" é um documentário para os nossos tempos, tempos em que devemos agir com firmeza, se quisermos salvar o que resta do planeta.

Trailer e mais infos sobre o filme:

› http://submedia.tv/endciv/2010/10/12/finciv/

agência de notícias anarquistas-ana
o arrozal lindo
por cima do mundo
no miolo da luz

Guimarães Rosa

quinta-feira, 17 de março de 2011

Como nossos políticos são criativos em seus atos de corrupção! E como sempre nada acontecerá, exceto o seu arquivamento.


Fonte: UOL

Os anos passam e os políticos do Estado de São Paulo continuam com o seu descaramento e falta de caráter. Enquanto a cidade de São Paulo fica submersa e abandonada a própria sorte com os seus alagamentos e problemas sem fim o prefeito estava mais preocupado com o seu destino político, ou seja, para essa corja pouco importa o que esta acontecendo com os cidadãos e essa desgraça permanece.

[EUA] Anarquistas realizam ações contra a polícia em Seattle - por ANA

[EUA] Anarquistas realizam ações contra a polícia em SeattleA noite do último sábado de fevereiro, dia 26, em Seattle, esteve iluminada pela voz e o fogo de um grupo de aproximadamente 30 anarquistas, que totalmente vestidos de negro, encapuzados, portando faixas e bandeiras combinando com suas roupas, protagonizaram uma série de distúrbios no centro da cidade. Os rebeldes usaram foguetes pirotécnicos, bengalas e extintores, pedras, e mesmo paus de suas bandeiras contra diversos objetivos.

Atacaram várias entidades financeiras e locais de grandes empresas, além de queimar fogos de artifício em alguns carros dos guarda-costas. Foram realizadas diferentes pichações e lançados cerca de mil panfletos. Tudo isso foi realizado entre múltiplos gritos como “No justice, no peace!” (Sem justiça não haverá paz).

Uma vez dispersa a massa revoltada três pessoas foram detidas nas horas seguintes à ofensiva, e pese as que foram postas em liberdade um pouco depois, ainda se encontram a espera de julgamento. Elas foram acusadas de vários delitos, entre outros: distúrbios e obstrução do tráfico de carros.

A ação do bloco negro começou na esquina das ruas Boren e Howell. Para aqueles que não sabem, devido ao silêncio sepulcral dos meios de “informação”, a escolha deste lugar longe de ter sido uma simples casualidade, teve um forte fundo simbólico. Foi nesta rua que durante o mês de agosto do ano passado um indígena estadunidense de 50 anos de idade, que tinha problemas com álcool e trabalhava como talhador de madeira, foi abatido a sangue frio por um agente de polícia.

O homem, chamado John T. Williams, regressava a sua casa à noite, depois de terminar sua jornada de trabalho. Portava nas mãos um pedaço de madeira e uma navalha que usava para entalhar. Foi abordado por um carro de polícia do qual saiu um agente empunhando sua pistola, ordenando que ele atirasse a arma (sua navalha) ao chão e se deitasse no solo. John, que tinha problemas de surdez em função de sua avançada idade, não ouviu a primeira advertência do policial e depois de somente poucos segundos, o agente da lei abriu fogo contra o pobre homem que morreu instantaneamente por causa dos disparos.

Convém destacar que as investigações, fotografias, gravações em vídeo e outros dados posteriores ao assassinato corroboraram que o indígena não só portava a navalha porque era uma ferramenta essencial de seu emprego e, além do mais, comprovam que ela estava fechada quando o policial lhe atingiu.

O fato de John portar uma navalha foi uma mera desculpa para que o bastardo policial miserável, à serviço do Estado, pudesse saciar sua sede de sangue naquela noite.

Obviamente, o assassino não foi condenado, a farda é um escudo impenetrável para as leis burguesas e na terra do Tio Sam eles sabem disso mais do que ninguém. O juiz determinou que não poderia punir ao policial responsável pelo assassinato porque não havia sido provado que o agente tivesse “atuado com malícia”.

Por isso, esta noite foi realizada uma ofensiva sob o nome de “anti-cop action” (ação anti-policial), que devolveu aos bastardos o produto de sua opulência e de seu abuso de poder.

Morte ao Estado. Polícia assassina!

Tradução > Juvei

agência de notícias anarquistas-ana
os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

"Obama foi anulado pelo conservadorismo de bordel dos EUA" - Maria da Conceição Tavares

"Obama foi anulado pelo conservadorismo de bordel dos EUA"

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares fala sobre a visita de Obama ao Brasil, a situação dos Estados Unidos e da economia mundial. Para ela, a convalescença internacional será longa e dolorosa. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, diz. E acrescenta: "a sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”.

Quando estourou a crise de 2007/2008, ela desabafou ao Presidente Lula no seu linguajar espontâneo e desabrido: “Que merda, nasci numa crise, vou morrer em outra”. Perto de completar 81 anos – veio ao mundo numa aldeia portuguesa em 24 de abril de 1930 - Maria da Conceição Tavares, felizmente, errou. Continua bem viva, com a língua tão afiada quanto o seu raciocínio, ambos notáveis e notados dentro e fora da academia e esquerda brasileira. A crise perdura, mas o Brasil, ressalta com um sorriso maroto, ao contrário dos desastres anteriores nos anos 90, ‘saiu-se bem desta vez, graças às iniciativas do governo Lula’.

A convalescença internacional, porém, será longa, adverte. “E dolorosa”. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, dispara Conceição que não se deixa contagiar pelo entusiasmo da mídia nativa com a visita do Presidente Barack Obama, que chega o país neste final de semana.

Um esforço narrativo enorme tenta caracterizar essa viagem como um ponto de ruptura entre a ‘política externa de esquerda’ do Itamaraty – leia-se de Lula , Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães - e o suposto empenho da Presidenta Dilma em uma reaproximação ‘estratégica’ com o aliado do Norte. Conceição põe os pingos nos is. Obama, segundo ela, não consegue arrancar concessões do establishment americano nem para si, quanto mais para o Brasil. ‘Quase nada depende da vontade de Obama, ou dito melhor, a vontade de Obama quase não pesa nas questões cruciais. A sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”. O entusiasmo inicial dos negros e dos jovens com o presidente, no entender da decana dos economistas brasileiros, não tem contrapartida nas instâncias onde se decide o poder americano. “O que esse Obama de carne e osso poderia oferecer ao Brasil se não consegue concessões nem para si próprio?”, questiona e responde em seguida: ‘Ele vem cuidar dos interesses americanos. Petróleo, certamente. No mais, fará gestos de cortesia que cabem a um visitante educado’.

O desafio maior que essa discípula de Celso Furtado enxerga é controlar “a nuvem atômica de dinheiro podre” que escapou com a desregulação neoliberal – “e agora apodrece tudo o que toca”. A economista não compartilha do otimismo de Paul Krugman que enxerga na catástrofe japonesa um ponto de fuga capaz, talvez, de exercer na etapa da reconstrução o mesmo efeito reordenador que a Segunda Guerra teve sobre o capitalismo colapsado dos anos 30. “O quadro é tão complicado que dá margem a isso: supor que uma nuvem de dinheiro atômico poderá corrigir o estrago causado por uma nuvem nuclear verdadeira. Respeito Krugman, mas é mais que isso: trata-se de devolver o dinheiro contagioso para dentro do reator, ou seja, regular a banca. Não há atalho salvador’.

Leia a seguir a entrevista exclusiva de Maria da Conceição Tavares à Carta Maior.

CM- Por que Obama se transformou num zumbi da esperança progressista norte-americana?
Conceição - Os EUA se tornaram um país politicamente complicado... o caso americano é pior que o nosso. Não adianta boas idéias. Obama até que as têm, algumas. Mas não tem o principal: não tem poder, o poder real; não tem bases sociais compatíveis com as suas idéias. A estrutura da sociedade americana hoje é muito, muito conservadora –a mais conservadora da sua história. E depois, Obama, convenhamos, não chega a ser um iluminado. Mas nem o Lula daria certo lá.

CM- Mas ele foi eleito a partir de uma mobilização real da sociedade....
Conceição - Exerce um presidencialismo muito vulnerável, descarnado de base efetiva. Obama foi eleito pela juventude e pelos negros. Na urna, cada cidadão é um voto. Mas a juventude e os negros não tem presença institucional, veja bem, institucional que digo é no desenho democrático de lá. Eles não tem assento em postos chaves onde se decide o poder americano. Na hora do vamos ver, a base de Obama não está localizada em lugar nenhum. Não está no Congresso, não tem o comando das finanças, enfim, grita, mas não decide.

CM - O deslocamento de fábricas para a China, a erosão da classe trabalhadora nos anos 80/90 inviabilizaram o surgimento de um novo Roosevelt nos EUA?
Conceição - Os EUA estão congelados por baixo. Há uma camada espessa de gelo que dissocia o poder do Presidente do poder real hoje exercido, em grande parte, pela finança. Os bancos continuam incontroláveis; o FED (o Banco Central americano) não manda, não controla. O essencial é que estamos diante de uma sociedade congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada...

CM- É uma decadência reversível?
Conceição – É forçoso lembrar, ainda que seja desagradável, que os EUA chegaram a isso guiados, uma boa parte do caminho, pelas mãos dos democratas de Obama. Foram os anos Clinton que consolidaram a desregulação dos mercados financeiros autorizando a farra que redundou em bolhas, crise e, por fim, na pasmaceira conservadora.

CM - Esse colapso foi pedagógico; o poder financeiro ficou nu, por que a reação tarda?
Conceição - A sociedade americana sofreu um golpe violento. No apogeu, vendia-se a ilusão de uma riqueza baseada no crédito e no endividamento descontrolados. Criou-se uma sensação de prosperidade sobre alicerces fundados em ‘papagaios’ e pirâmides especulativas. A reversão foi dramática do ponto de vista do imaginário social. Um despencar sem chão. A classe média teve massacrados seus sonhos do dia para noite. A resposta do desespero nunca é uma boa resposta. A resposta americana à crise não foi uma resposta progressista. Na verdade, está sendo de um conservadorismo apavorante. Forças e interesses poderosos alimentam essa regressividade. A tecnocracia do governo Obama teme tomar qualquer iniciativa que possa piorar o que já é muito ruim. Quanto vai durar essa agonia? Pode ser que a sociedade americana reaja daqui a alguns anos. Pode ser. Eles ainda são o país mais poderoso do mundo, diferente da Europa que perdeu tudo, dinheiro, poder, auto-estima... Mas vejo uma longa e penosa convalescença. Nesse vazio criado pelo dinheiro podre Obama flutua e viaja para o Brasil.

CM – Uma viagem cercada de efeitos especiais; a mídia quer demarcá-la como um divisor de águas de repactuação entre os dois países, depois do ‘estremecimento com Lula’. O que ela pode significar de fato para o futuro das relações bilaterais?
Conceição - Obama vem, sobretudo, tratar dos interesses norte-americanos. Petróleo, claramente, já que dependem de uma região rebelada, cada vez mais complexa e querem se livrar da dependência em relação ao óleo do Chávez. A política externa é um pouco o que sobrou para ele agir, ao menos simbolicamente.

CM – E o assento brasileiro no Conselho de Segurança?
Conceição - Obama poderá fazer uma cortesia de visitante, manifestar simpatia ao pleito brasileiro, mas, de novo, está acima do seu poder. Não depende dele. O Congresso republicano vetaria. Quase nada depende da vontade de Obama, ou dito melhor, a vontade de Obama quase não pesa nas questões cruciais.

CM - Lula também enfrentou essa resistência esfericamente blindada, mas ganhou espaço e poder...
Conceição - Obama não é Lula e não tem as bases sociais que permitiriam a Lula negociar uma pax acomodatícia para avançar em várias direções. A base equivalente na sociedade americana, os imigrantes, os pobres, os latinos, os negros, em sua maioria nem votam e acima de tudo estão desorganizados. Não há contraponto à altura do bloco conservador, ao contrário do caso brasileiro. O que esse Obama de carne e osso poderia oferecer ao Brasil se não consegue concessões nem para si próprio?

CM – A reconstrução japonesa, após a tragédia ainda inconclusa, poderia destravar a armadilha da liquidez que corrói a própria sociedade americana ? Sugar capitais promovendo um reordenamento capitalista, como especula Paul Krugman?
Conceição - A situação da economia mundial é tão complicada que dá margem a esse tipo de especulação. Como se uma nuvem atômica de dinheiro pudesse consertar uma nuvem atômica verdadeira. Não creio. Respeito o Krugman, mas não creio. O caminho é mais difícil. Trata-se de devolver a nuvem atômica de dinheiro para dentro do reator; é preciso regular o sistema, colocar freios na especulação, restringir o poder do dinheiro, da alta finança que hoje campeia hegemônica. É mais difícil do que um choque entre as duas nuvens. Ademais, o Japão eu conheço um pouco como funciona, sempre se reergueu com base em poupança própria; será assim também desta vez tão trágica. Os EUA por sua vez, ao contrário do que ocorreu na Segunda Guerra, quando eram os credores do mundo, hoje estão pendurados em papagaios com o resto do mundo –o Japão inclusive. O que eles poderiam fazer pela reconstrução se devem ao país devastado?

CM – Muitos economistas discordam que essa nuvem atômica de dinheiro seja responsável pela especulação, motivo de índices recordes de fome e de preços de alimentos em pleno século XXI. Qual a sua opinião?
Conceição - A economia mundial não está crescendo a ponto de justificar esses preços. Isso tem nome: o nome é especulação. Não se pode subestimar a capacidade da finança podre de engendra desordem. Não estamos falando de emissão primária de moeda por bancos centrais. Não é disso que se trata. É um avatar de moeda sem nenhum controle. Derivam de coisa nenhuma; derivativos de coisa nenhuma representam a morte da economia; uma nuvem nuclear de dinheiro contaminado e fora de controle da sociedade provoca tragédia onde toca. Isso descarnou Obama.

É o motor do conservadorismo americano atual. Semeou na America do Norte uma sociedade mais conservadora do que a própria Inglaterra, algo inimaginável para alguém da minha idade. É um conservadorismo de bordel, que não conserva coisa nenhuma. É isso a aliança entre o moralismo republicano e a farra da finança especulativa. Os EUA se tornaram um gigante de barro podre. De pé causam desastres; se tombar faz mais estrago ainda. Então a convalescença será longa, longa e longa.

CM – Esse horizonte ameaça o Brasil?
Conceição - Quando estourou a crise de 2007/2008, falei para o Lula: - Que merda, nasci numa crise mundial, vou morrer em outra... Felizmente, o Brasil, graças ao poder de iniciativa do governo saiu-se muito bem. Estou moderadamente otimista quanto ao futuro do país. Mais otimista hoje do que no começo do próprio governo Lula, que herdou condições extremas, ao contrário da Dilma. Se não houver um acidente de percurso na cena externa, podemos ter um bom ciclo adiante.

CM – A inflação é a pedra no meio do caminho da Dilma, como dizem os ortodoxos?
Conceição - Meu temor não é a inflação, é o câmbio. Aliás, eu não entendo porque o nosso Banco Central continua subindo os juros, ainda que agora acene com alguma moderação. Mas foram subindo logo de cara! Num mundo encharcado de liquidez por todos os lados, o Brasil saiu na frente do planeta... Subimos os juros antes dos ricos, eles sim, em algum momento talvez tenham que enfrentar esse dilema inflacionário. Mas nós? Por que continuam a falar em subir os juros se não temos inflação fora de controle e a prioridade número um é o câmbio? Não entendo...

CM - Seria o caso de baixar as taxas?
Conceição - Baixar agora já não é mais suficiente. Nosso problema cambial não se resolve mais só com inteligência monetária. Meu medo é que a situação favorável aqui dentro e a super oferta de liquidez externa leve a um novo ciclo de endividamento. Não endividamento do setor público, como nos anos 80. Mas do setor privado que busca lá fora os recursos fartos e baratos, aumentando sua exposição ao risco externo. E quando os EUA subirem as taxas de juros, como ficam os endividados aqui?

CM – Por que o governo hesita tanto em adotar algum controle cambial?
Conceição - Porque não é fácil. Você tem um tsunami de liquidez externa. Como impedir as empresas de pegarem dinheiro barato lá fora? Vai proibir? Isso acaba entrando por outros meios. Talvez tenhamos que implantar uma trava chilena. O ingresso de novos recursos fica vinculado a uma permanência mínima, que refreie a exposição e o endividamento. Mas isso não é matéria para discutir pelos jornais. É para ser feito. Decidir e fazer.

CM - A senhora tem conversado com a Presidenta Dilma, com Lula?
Conceição - O governo está começando; é preciso dar um tempo ao tempo. Falei com Lula recentemente quando veio ao Rio. Acho que o Instituto dele está no rumo certo. Deve se debruçar sobre dois eixos fundamentais da nossa construção: a questão da democracia e a questão das políticas públicas. Torço para que o braço das políticas públicas tenha sede no Rio. O PT local precisa desse empurrão. E fica mais perto para participar.
Fonte: Carta Maior

Empresa que opera usina de Fukushima falsificava relatórios de inspeção - por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Israel na encruzilhada - por Reginaldo Nasser

Israel na encruzilhada

No mesmo momento em que o mundo árabe se une em um amplo movimento para a democracia, em Israel as instituições democráticas estão em crise. Enquanto os árabes cobram responsabilidade de seus líderes, os líderes de Israel estão, frequentemente, enfrentando investigações e acusações de corrupção. Os manifestantes invadiram as praças das grandes cidades árabes, mas a Praça Rabin, em Tel Aviv, permanece silenciosa. Onde estão os que exigem mudanças que tragam a paz e a prosperidade para todos os israelenses?

Tal como seus antecessores, Binyamin Netanyahu sempre ponderou que Israel não poderia estabelecer acordos diplomáticos confiáveis com os Estados Árabes a não ser que estes passassem por um efetivo processo de democratização. No entanto, desde o primeiro momento em que a revolução democrática no mundo árabe emitiu seus primeiros sinais na Praça Tahrir, no Cairo, o mesmo Netanyahu usou todos os esforços diplomáticos para manter Mubarak no poder, alegando que sua queda ocasionaria conseqüências desastrosas para toda a região. A democracia que os líderes israelenses sempre apregoaram aos seus vizinhos é agora vista como uma séria ameaça. O silêncio dos lideres Palestinos não foi menos revelador. A Autoridade Palestina, do presidente Mahmoud Abbas, perdeu o seu principal apoiador, Mubarak, em sua luta política contra o Hamas.

Apesar das nações com os quais Israel deveria fazer a paz (Líbano, Síria e Palestina) não estarem sendo atingidas pelas revoluções que hoje varrem a região, a situação agora é diferente, pois o tratado de paz com o Egito é crucial para seus cálculos de segurança. Provavelmente os novos governos formados no Egito e em outros países, vão refletir o descontentamento interno e, mais cedo ou mais tarde, promoverão ajustes nas questões de política externa. Acostumados a olhar apenas para os problemas de Israel em suas relações exteriores (Palestinos, Irã, Hezbolah ou Síria), a opinião pública internacional deverá observar com atenção, a partir de agora, as movimentações que poderão acontecer na sociedade civil israelense e que definirão, em grande medida, a orientação que o Estado deverá adotar nos próximos anos.

Alon Ben-Meir alerta para o fato de que, no mesmo momento em que o mundo árabe se une em um amplo movimento para a democracia, em Israel as instituições democráticas estão em crise. Enquanto os árabes cobram responsabilidade de seus líderes, os líderes de Israel estão, frequentemente, enfrentando investigações e acusações de corrupção. Os manifestantes invadiram as praças das grandes cidades árabes, mas a Praça Rabin, em Tel Aviv, permanece silenciosa. Onde estão os que exigem mudanças que tragam a paz e a prosperidade para todos os israelenses? pergunta Ben-Meir (Israel, Where Are You? Jerusalem Post, 25/02/11. ver também do mesmo autor And if Not Now, When? , The Huffington Post.com, 7/03/2011)

O fato é que a tão alardeada democracia israelense vaza água por todos os lados. O poderoso movimento dos colonos está em franca expansão, ocupando terras palestinas e construindo cidades. Segundo a organização israelense de direitos humanos B’tselem, são 500.000 colonos (cerca de 130.000 são militantes armados) que controlam 42% do território da Cisjordânia.

A nova imigração russa tem sido fator fundamental nas eleições. Em 2009, a grande maioria dos russos que imigraram para Israel, depois de 1989, votaram no partido da ultra-direita, Yisrael Beitenu (Israel é o Nosso Lar) liderado pelo atual ministro de relações Exteriores, Lieberman, que sempre faz questão de dizer que nunca existirá um Estado Palestino. Os árabes-israelenses são uma comunidade marginalizada nas estruturas políticas, econômicas e educacionais de Israel. Formam 20% da população, mas contribuem com apenas 8% do PIB e 60% de seus membros vivem abaixo da linha da pobreza.

Oficiais israelenses e unidades de combate estão ficando cada vez mais ideológicos e religiosos. Em 1990, 2,5% dos oficiais de infantaria eram religiosos. Esse número saltou, em 2007, para 31,0%. Pesquisa conduzida pelo instituto israelense Maagar Mochot indicou que quase 50% dos estudantes do ensino médio de Israel não acreditam que os árabes devam ter os mesmos direitos que os judeus do Estado de Israel.

No que se referem à economia israelense os dados não são tão animadores, apesar do crescimento de 5,4% em 2010. De acordo com o mais recente relatório do Instituto Nacional do Seguro Social, 23% da população vivem abaixo da linha da pobreza. Em 1988, a classe média representava 33% da população de Israel. Em 2009 caiu para 26,6% e Israel já é considerado um dos paises mais desiguais do mundo.

Em contundente artigo escrito no Haaretz (When did it become illegal to be a Leftist in Israel? 06/01/2011) Gideon Levy denuncia que “não é mais legítimo ser de esquerda em Israel”. O Knesset ( parlamento israelense) resolveu criar uma comissão de inquérito sobre as atividades dos grupos de esquerda sob a acusação de “ações de deslegitimação” contra o Estado de Israel". Fazer campanha pelos direitos humanos, se opor à ocupação ou investigar crimes de guerra tornou-se ilegítimo.

Mas, é justamente em momentos de instabilidade e incertezas como esse que o governo de Israel precisará do apoio da comunidade internacional e de seus cidadãos. Entretanto, Netanyahu prefere virar as costas para essa nova ordem regional em formação. E se a turbulência chegar aos territórios palestinos, qual será a resposta de Israel? Mesmo com todas as limitações e obstáculos que apontamos acima, Israel será obrigado a passar por mudanças profundas sob pena de ficar ainda mais isolado devido às campanhas internacionais. Os atuais governantes não terão mais a desenvoltura diplomática anterior quando era possível fazer acordos diplomáticos com os ditadores árabes corruptos.

Gideon Levy advertiu apropriadamente que se os lideres políticos israelenses não mudarem sua forma de agir levando em consideração a complexidade de sua sociedade “eles vão acordar um dia, seja em 10 ou 20 anos, como os líderes da Líbia, Egito e Tunísia, no meio de um pesadelo”. Resta acreditar e torcer para que a rua judaica dê seu recado no devido momento.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

quarta-feira, 16 de março de 2011

As nuvens da catástrofe nuclear estão soltas por aí – Por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

Fórum Social Mundial, Egito e transformação - por Immanuel Wallerstein

Fórum Social Mundial, Egito e transformação

O problema é que se mantém uma diferença não-resolvida entre os que querem outro mundo. Há aqueles que acreditam que o que o mundo precisa é de mais desenvolvimento, mais modernização e, portanto, da possibilidade de uma distribuição de recursos mais equitativa. E há outros que consideram que o desenvolvimento e a modernização são a maldição civilizacional do capitalismo e que temos de repensar as premissas culturais básicas para um mundo futuro, algo que chamam de mudança civilizacional.

O Fórum Social Mundial (FSM) está vivo e de boa saúde. Reuniu-se em Dacar, no Senegal, entre 6 e 11 de Fevereiro. Por uma coincidência imprevisível, foi nessa semana que o povo do Egito derrubou Hosni Mubarak, fato que acabou por ocorrer no momento em que o FSM realizava a sessão de encerramento. O Fórum Social Mundial passou a semana aplaudindo os egípcios e debatendo o significado das revoluções tunisina e egípcia, pelo seu programa de transformação, por mostrarem um outro mundo que é possível – possível, não garantido.

Entre 60 e 100 mil pessoas participaram no Fórum, o que em si mesmo é uma cifra notável. Para realizar um evento assim, o FSM requer movimentos sociais fortes (que existem no Senegal) e um governo que ao menos tolere a realização do evento. O governo senegalês de Abdoulaye Wade dispôs-se a “tolerar” a realização do FSM, embora a poucos meses do evento tenha cortado três quartos do apoio financeiro que prometera dar.

Mas logo vieram as mobilizações tunisina e egípcia e o governo ficou cheio de dúvidas. E se a presença do FSM inspirasse um levantamento semelhante no Senegal? O governo não podia cancelá-lo, devido à presença de Lula, do Brasil, de Evo Morales, da Bolívia, e de numerosos presidentes africanos. Assim, limitou-se a fazer o que pôde para sabotá-lo. Demitiu o reitor da principal universidade onde o Fórum ia decorrer, a quatro dias da abertura, e nomeou um novo reitor que prontamente reverteu a decisão de suspender as aulas durante o FSM para que houvesse salas disponíveis para as atividades.

O resultado foi o caos organizativo, pelo menos nos dois primeiros dias. No final, o novo reitor permitiu que se usassem 40 das mais de 170 salas necessárias. Com imaginação, os organizadores montaram tendas por todo o campus, e as reuniões fizeram-se, apesar da sabotagem.

O governo senegalês tinha razão de se assustar tanto com o FSM? O próprio FSM debateu qual era a sua relevância para os levantamentos populares no mundo árabe e noutros lugares, protagonizados por gente que provavelmente nunca ouviu falar dele. A resposta dada pelos participantes reflete a divisão existente há muito tempo nas suas fileiras. Há aqueles que acreditam que 10 anos de reuniões do FSM contribuíram significativamente para solapar a legitimidade da globalização neoliberal e que a mensagem penetrou em todos os lados. Por outro lado, há aqueles que acham que os protestos recentes mostram que a política de transformação está noutros lados e não passa pelo FSM.

Eu mesmo descobri duas coisas surpreendentes acerca da reunião de Dacar. A primeira é que quase ninguém mencionou o Fórum Econômico Mundial de Davos. Quando foi fundado em 2001, o FSM apresentou-se como o anti-Davos. Em 2011, Davos pareceu tão pouco importante politicamente aos presentes, que foi simplesmente ignorado.

A segunda foi o grau de consciência que todos os presentes tinham da interconexão de todos os assuntos em discussão. Em 2001, o FSM estava principalmente preocupado com as consequências econômicas negativas do neoliberalismo. Mas em cada uma das reuniões posteriores, o FSM foi acrescentando outras preocupações – o género, o meio ambiente (em particular as alterações climáticas), o racismo, a saúde, os direitos dos povos indígenas, as lutas laborais, os direitos humanos, o acesso à água, os alimentos e a disponibilidade de energia. E subitamente em Dakar, qualquer que fosse o tema da sessão, ficaram à vista as ligações com outras preocupações. Esta, na minha opinião, foi a grande conquista do FSM – abraçar mais e mais preocupações e fazer com que toda a gente veja as suas íntimas ligações.

Houve, no entanto, uma queixa subjacente ente os participantes. As pessoas disseram, corretamente, que todos sabemos contra o que estamos a lutar, mas que deveríamos expressar com mais clareza as nossas propostas. É com isto que poderemos contribuir para a revolução egípcia e para as outras que vão ocorrer em todo o lado.

O problema é que se mantém uma diferença não-resolvida entre os que querem outro mundo. Há aqueles que acreditam que o que o mundo precisa é de mais desenvolvimento, mais modernização e, portanto, da possibilidade de uma distribuição de recursos mais equitativa. E há outros que consideram que o desenvolvimento e a modernização são a maldição civilizacional do capitalismo e que temos de repensar as premissas culturais básicas para um mundo futuro, algo que chamam de mudança civilizacional.

Aqueles que defendem uma mudança civilizacional, fazem-no sob vários guarda-chuvas. Os movimentos indígenas do continente americano (e de outras partes) dizem que querem um mundo baseado no que os latino-americanos chamam de “bem viver” – essencialmente um mundo baseado em bons valores, que exige baixar a velocidade do crescimento econômico ilimitado que, dizem, o planeta é demasiado pequeno para sustentar.

Se os movimentos indígenas centram as suas reivindicações em torno da autonomia, com o objetivo de controlar os direitos agrários das suas comunidades, os movimentos urbanos de outros lugares do mundo enfatizam as formas pelas quais o crescimento ilimitado está a levar ao desastre climático e a novas pandemias. E há os movimentos feministas que sublinham o vínculo entre as exigências de crescimento ilimitado e a manutenção do patriarcado.

Esse debate em torno do tema de uma “crise civilizacional” tem grandes implicações no tipo de ação política que se quer empreender e no papel que os partidos de esquerda que buscam o poder do Estado desempenhariam nesta transformação do mundo em discussão. É uma questão que não será resolvida com facilidade. Mas trata-se de um debate crucial na próxima década. Se a esquerda não conseguir resolver as suas diferenças nesta questão-chave, então o colapso da economia-mundo capitalista poderá levar ao triunfo da direita mundial e à construção de um novo sistema-mundo ainda pior do que aquele que existe agora.

Por enquanto, todos os olhos estão voltados para o mundo árabe e para ver até onde os heróicos esforços do povo egípcio vão conseguir transformar a política em todo o mundo árabe. Mas os detonadores de tais levantamentos existem em todo o lado, mesmo nas regiões mais ricas do mundo. No momento, justifica-se que sejamos semi-optimistas.

Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net. Foto por Fabíola Correa.
Fonte: http://www.revistaforum.com.br/

Presidente dos Estados Unidos Barack Obama seja bem-vindo ao Rio de Janeiro - Por Latuff


Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

terça-feira, 15 de março de 2011

Resenha: Eros e Civilização – Uma Interpretação Filosófica do Pensamento de Freud - Por Paulo Marçaioli

Resenha: Eros e Civilização – Uma Interpretação Filosófica do Pensamento de Freud

[...] Eros e a Civilização é um livro de filosofia que tem o objetivo de revisitar as ideias da psicanálise lançadas inicialmente por Freud, criticá-las, relacioná-las ao âmbito da sociedade de classes e destacar os aspectos ainda atuais das teses de Freud, confrontando-os com o revisionismo dos “neofreudianos”. Por Paulo Marçaioli

Considerações PreliminaresEros e Civilização foi escrito em 1955, correspondendo ao 4º dos 10 grandes livros publicados em vida por . O filósofo alemão está relacionado à Escola de Frankfurt e, no imaginário comum, remete ao conjunto de pensadores que influenciou as lutas do Maio de 1968 na França.

De fato, Marcuse influenciou aqueles jovens ativistas. E muito do que aparece em Eros e Civilização remete às inquietações daquele movimento. A discussão sobre o problema da sexualidade e sua vinculação às relações de poder e/ou arranjos sociais e históricos de dominação e controle; a crítica radical do trabalho alienado, explorando analiticamente os significados simbólicos e psicológicos da exploração e da condição humana em sociedades capitalistas; a sinalização de novas formas de resistência, envolvendo particularmente a crítica igualmente radical dos valores burgueses; enfim, tudo isso sinaliza preocupações semelhantes entre o movimento do Maio de 1968 e o filósofo.

No posfácio político da obra, escrito em 1966, Marcuse já saúda os protestos estudantis norte-americanos contra as guerras imperialistas como uma nova etapa da luta. Citando-o:

Em defesa da vida: a frase tem um significado explosivo na sociedade afluente. Envolve não só o protesto contra a guerra e a carnificina neocoloniais, a queima de cartão de recrutamento, a luta pelos direitos civis, mas também a recusa em falar a língua morta da afluência, em usar roupas limpas, desfrutar os inventos da afluência, submeter-se à educação para a afluência. A nova boemia, os beatniks e hipsters, os andarilhos da paz – todos esses “decadentes” passaram agora a ser aquilo que a decadência, provavelmente, sempre foi: pobre refúgio da humanidade difamada.

O livro, segundo nossa interpretação do posfácio político, associa-se ao movimento de luta política, de “luta pela vida”. Eros, a propósito, designa um deus relacionado à beleza e ao amor sexual – ao longo do ensaio é tratado como sinônimo do “instinto de vida”. A luta pela vida, por sua vez, assume um significado de luta antissistêmica – luta contra o que Marcuse chama de “princípio da realidade” das sociedades repressivas. O instinto pela vida, hoje, passa a ser parte de uma estratégia geral de luta contra o capitalismo – a civilização em sua fase desenvolvida do ponto de vista da luta contra a escassez cria condições objetivas para a construção de uma sociedade igualitária baseada na socialização do trabalho e da política.

Finalmente, Eros e a Civilização é um livro de filosofia que tem o objetivo de revisitar as ideias da psicanálise lançadas inicialmente por Freud, criticá-las, relacioná-las ao âmbito da sociedade de classes e destacar os aspectos ainda atuais das teses de Freud, confrontando-os com o revisionismo dos “neofreudianos”.

Marcuse parte de algumas categorias que são estranhas a um leitor que não conhece Freud. Logo no capítulo 2, Marcuse, provavelmente atento a tal fato, resgata e descreve didática e rapidamente conceitos da psicanálise – id, ego, superego, repressão, princípio de realidade. A esses termos, acresce outros, destinados a contemplar uma perspectiva mais ampla (que leva em consideração a história e os conflitos de classe), propondo alguns termos novos. “Mais Repressão”, a “restrição requerida pela dominação social” e “princípio de desempenho”, a “forma histórica do princípio de realidade”.

Seja como for, vale ponderar que a leitura deste ensaio de Marcuse nos pareceu bastante difícil. Com certeza, algumas discussões da obra escaparam-nos. Ainda assim, Eros e Civilização é um livro que vale ser lido: desafiar-se enfrentar o complexo tema da subjetividade humana, dos desejos libidinais e do impulso pela morte, da repressão moral e do problema da sexualidade no capitalismo, cria melhores condições para, hoje, avaliarmos novas formas de lutar frente a uma compreensão mais elaborada da realidade e de suas contradições.

Marcuse interpreta FreudO objetivo do ensaio é resgatar as ideias de Freud acerca do problema dos instintos humanos na civilização. O “mal estar da civilização” de Freud diz respeito às contradições supostamente insolúveis entre as exigências do instinto em oposição às exigências da vida em sociedade. Marcuse propõe-se, como indica o título, fazer uma interpretação filosófica de Freud. Isto significa que sua interpretação de Freud não remete a certa abordagem “terapêutica”, que irá circunscrever as possibilidades de reflexão lançadas pelo pai da psicanálise a um conjunto meramente instrumental de práticas cujo objeto exclusivo é atenuar o sofrimento e a dor do indivíduo egoísta, solitário e alienado. Esta interpretação filosófica cumpre, igualmente, a função de demarcar os limites e as possibilidades das ideias de Freud para a luta antissistêmica.

Os limites dizem respeito ao já conhecido ceticismo do pai da psicanálise com relação ao socialismo, ou, no que se refere à crítica marcusiana, à suposta inevitabilidade do “mal estar da civilização”. A naturalização do “mal estar da civilização” é oposta à adequação dos conflitos entre desejos individuais e exigências da civilização, à história e aos conflitos de classe.

Vamos citar, nesse sentido, a crítica da teoria dos instintos.

Contudo, na teoria de instintos, Freud não extrai quaisquer conclusões fundamentais, a partir da distinção histórica, atribuindo a ambos os níveis uma validade geral e igual. Para a sua metapsicologia não constitui fatos decisivo se as inibições são impostas pela escassez ou pela distribuição hierárquica da escassez, pela luta pela existência ou pelo interesse na dominação. E, com efeito, os dois fatores – o filogenético-biológico e o sociológico – cresceram juntos na história documentada da civilização.

Mas a sua união desde há muito se tornou “inatural” – e o mesmo aconteceu à “modificação” opressiva do princípio do prazer pelo princípio da realidade. A sistemática negação, por Freud, da possibilidade de uma libertação essencial do primeiro implica o pressuposto de que a escassez é tão permanente quanto a dominação – uma hipótese que nos parece discutível.

A noção de civilização em Freud passa a ser extrapolada por Marcuse. O viés marxista de sua reflexão filosófica sobre a psicanálise diz respeito, portanto, ao debate sobre as formas como se dão a repressão instintiva partindo do pressuposto de que a realidade pode/deve ser superada e em como uma sociedade pós-repressiva deveria se diferenciar da sociedade do capital.

As críticas ao revisionismo neofreudiano são, finalmente, objeto de um capítulo exclusivo do ensaio. E neste ponto, Marcuse busca retirar as possibilidades do pensamento de Freud, confrontando-o com a orientação de neofreudianos. De maneira geral, a psicanálise criticada por Marcuse corresponde àquela que tem compromissos exclusivos com a “cura” de pacientes. A abordagem terapêutica dos neofreudianos deve operar de forma a desconsiderar o problema dos controles repressivos forjados pelo Estado, família, trabalho alienado, etc. “O analista e seu paciente compartilham dessa alienação, e como esta não se manifesta, usualmente, em qualquer sintoma neurótico, mas, pelo contrário, como timbre de ‘saúde mental’, não aparece na consciência revisionista [das ideias de Freud]”. É interessante notar como, diante dos distintos pressupostos, a psicanálise freudiana pode tanto atuar num sentido emancipatório quanto num viés bastante reacionário. Exemplificando este último viés, Marcuse cita Sullivan que, em estudo sobre neuroses, identifica a conduta de um indivíduo “depreendido voluntariamente” das amarras do senso comum e que, por livre escolha, adota uma ideologia (ou consciência) radical como sinal de “grande insegurança” ou loucura. Marcuse, por suposto, ridiculariza Sullivan. Levada ao pé da letra, a tese de Sullivan faria de Jesus a Lênin, Sócrates a Giodarno Bruno, perigosos psicopatas.

Finalmente, Eros e a Civilização municia especialistas em psicologia e psicanálise preocupados em entender os fenômenos da neurose individual, da depressão ou do “mal estar da civilização” como sintomas de um mundo igualmente doente e que deve ser revolucionado.

O papel da libido na luta antissistêmica
Na nossa opinião, o capítulo mais interessante de Eros e a Civilização é o décimo, “A transformação da Sexualidade em Eros”. Desde que Marcuse não compartilha da tese de Freud e dos neofreudianos da “naturalização” da sociedade repressiva, o filósofo alemão se aventura corajosamente a pincelar o que seria e quais seriam os requisitos de uma sociedade não repressiva. (Interpretamos ser a sociedade não repressiva a sociedade comunista).

A nova cultura não repressiva tem como eixo central nova relação entre a razão e os instintos. O trabalho não-gratificante passa a ser objeto de prazer, inclusive libidinal. Todo o padrão de prazer libidinal deverá sofrer alterações tão radicais que subverterão e desintegrarão instituições organizadas a partir de relações privadas interpessoais. A família monogâmica e patriarcal, por suposto, desaparece e a transformação da libido (de uma sexualidade refreada a uma espécie de “prazer total”) exigirá mudanças profundas nos marcos políticos e societários. Por isso, a luta de Eros, deus da beleza física e do amor sexual, é uma luta política.

Como conclusão, vamos transcrever dois parágrafos do capítulo 10. Optamos por finalizar esta resenha com esta passagem, já que aqui surgem boas provocações para reflexão e para a atuação.

A complexidade e densidade discursiva do ensaio de Marcuse devem permanecer inquietando os espíritos críticos e servindo como fonte teórica para a luta contra o capital.Freud realçou repetidamente que as duradouras relações interpessoais de que a civilização depende pressupõem que o instinto sexual é inibido em seus fins. O amor, e as relações duradouras e responsáveis que ele exige, baseiam-se numa união de sexualidade com o “afeto”, e essa união é o resultado histórico de um longo e cruel processo de domesticação, em que a manifestação legítima do instinto se torna suprema e suas partes componentes são sustadas em seu desenvolvimento. Esse refinamento cultural da sexualidade, essa sublimação do amor, tem lugar numa civilização que estabeleceu relações possessivas particulares separadas e, num aspecto decisivo, conflitantes com as relações sociais de posse. Enquanto, fora do privatismo da família, a existência do homem foi principalmente determinada pelo valor de troca dos seus produtos e desempenhos, sua vida no lar e na cama foi impregnado do espírito da lei divina e moral. Supôs-se que a humanidade era um fim em si e nunca um simples meio; mas essa ideologia era efetiva mais nas funções privadas do que nas sociais dos indivíduos; mais na esfera da satisfação libidinal do que na do trabalho. A força plena da moralidade civilizada foi mobilizada contra o uso do corpo como mero objeto, meio, instrumento de prazer; tal coisificação era tabu e manteve-se como infeliz privilégio de prostitutas, degenerados e pervertidos. Precisamente em sua gratificação e, em especial, em sua gratificação sexual, o homem tinha de comportar-se como um ser superior, vinculado a valores superiores; a sexualidade tinha de ser dignificada pelo amor. Com o aparecimento de um princípio de realidade não-repressivo, com a abolição da repressão requerida pelo princípio do desempenho, esse processo seria invertido. Nas relações sociais, a coisificação reduzir-se-ia à medida que a divisão do trabalho se reorientasse para a gratificação de necessidades individuais desenvolvendo-se livremente; ao passo que, na esfera das relações libidinais, o tabu sobre coisificação do corpo seria atenuado. Tendo deixado de ser usado como instrumento de trabalho em tempo integral, o corpo seria ressexualizado. Essa mudança no valor e extensão das relações libidinais levaria a uma desintegração das instituições em que foram organizadas as relações privadas interpessoais, particularmente a família monogâmica e patriarcal.

Com exceção da foto inicial, as esculturas são de Ron Mueck.
Fonte: http://passapalavra.info/