quinta-feira, 19 de maio de 2016

Michael Temer e o Capitalismo de Desastre – por Gustavo Henrique Freire Barbosa


Michael Temer e o Capitalismo de Desastre
Pode haver mais que trapalhadas, no festival de erros bizarros que marca os primeiros dias do golpe. Naomi Klein já ensinou: o caos é o melhor caminho para levar sociedades a aceitar as “terapias de choque”

El Ladrillo era o nome do programa de governo apresentado pelos chamados Chicago Boys, discípulos do monetarista Milton Friedman, no Chile de 1973, quando o cadáver de Salvador Allende ainda estava quente. Sabiam que sob o regime ditatorial de Pinochet teriam a oportunidade única de levar aos limites um projeto ultraliberal e privatizante que jamais passaria pelo crivo das urnas. Na toada de seu guru, viam na crise a grande oportunidade de pôr em prática seus ensinamentos. O próprio Friedman sentenciou certa vez no famoso ensaio Inflation: causes and consequences que “somente uma crise – real ou pressentida – produz mudança verdadeira. Esta, eu acredito, é a nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las em evidência e acessíveis até que o politicamente impossível se torne politicamente inevitável”.

Arautos do projeto neoliberal preconizado pelo mestre da Escola de Chicago ainda hoje se aglomeram como abutres tão logo sentem o cheiro de inabaláveis catástrofes naturais e profundas crises políticas e econômicas. Foi assim em Nova Orleans no ano de 2005, com a privatizante política escolar aplicada após as inundações causadas pelo furacão Katrina, e no Sri Lanka em 2004 depois da calamidade causada por um tsunami, ocasião em que pescadores e moradores de comunidades ribeirinhas foram expulsos de suas casas para que o litoral pudesse ser loteado para a construção de luxuosos resorts. A política de “terrenos limpos”, expressão cunhada pelos próprios empreendedores de Nova Orleans, prossegue com o mesmo e inabalável fim: aproveitar oportunidades excepcionais para promover os interesses de corporações e, na esteira de traumas coletivos, implementar uma engenharia econômica e radical praticamente impossível de ser aplicada em condições normais de temperatura e pressão democráticas.

Mesmo em situações onde plataformas eleitorais baseadas em políticas de livre-mercado puderam ser levadas à frente pela via democrática, como é o caso da vitoriosa campanha de Ronald Reagan nos EUA no início da década de 80, concessões tiveram de ser feitas diante da exposição das fragilidades e contradições de suas ideias à luz dos embates eleitorais e de fortes pressões populares. Reagan viu-se, assim, obrigado a manter, contra a vontade de seu staff, um núcleo intangível do Estado de bem-estar social, além da seguridade social e escolas públicas. Esta situação levou Friedman, mentor filosófico e intelectual da política econômica do então presidente – a obra Free to choice, escrita em coautoria com sua esposa, tornou-se um dos principais amparos legitimadores da política reaganiana – a qualificar essa situação como uma “ligação irracional a um sistema socialista”. Algo semelhante aconteceu com a submissão do projeto liberalizante ao escrutínio popular nas eleições presidenciais brasileiras de 2006, quando o candidato Geraldo Alckmin teve dois milhões de votos a menos que no primeiro turno após seu adversário, o ex-presidente Lula, conseguir emplacar a pecha de privatizador no atual governador de São Paulo.

Voltando ao Chile, o mais curioso é que, mesmo em circunstâncias políticas antidemocráticas onde não havia quaisquer obstáculos para o laboratório das políticas de livre-mercado, o projeto neoliberal não conseguiu ser aplicado em sua íntegra, uma vez que a Codelco, estatal chilena de mineração e cobre, uma das principais atividades econômicas chilenas, passou longe das sucessivas séries de desestatizações promovidas por Pinochet, permanecendo ainda hoje sob o controle do Estado.

As invasões do Iraque e Afeganistão e o desastre do 11 de setembro foram episódios que serviram, da mesma forma, para que fosse feita a terraplenagem necessária ao que Naomi Klein chama, no livro A Doutrina do Choque, de capitalismo de desastre. Somente a Halliburton, por exemplo, lucrou 20 bilhões de dólares com a guerra do Iraque. O mais interessante é que Dick Cheney, vice do ex-presidente George W. Bush e entusiasta da belicosa política externa dos EUA, já exercera a função de CEO da empresa, uma tradicional e benevolente abastecedora dos fundos do Partido Republicano.

No lastro da experiência chilena, graves rupturas democráticas também foram de bom alvitre, para os que buscam abrir as porteiras para a triunfal entrada do fundamentalismo de mercado. A introdução de reformas econômicas radicais na Argentina na década de 1970 deu-se no contexto de uma ditadura militar que deu cabo da vida de mais de trinta mil pessoas. Na China, em 1989, o massacre da praça Tiananmen e a repressão subsequente possibilitaram o loteamento do país sob o olhar assustado e impotente dos sindicatos. O ritmo crescente das privatizações russas iniciadas em 1993 sob o governo de Yeltsin, por sua vez, veio no contexto de uma aguda crise política em que membros da oposição foram presos e tanques foram enviados para bombardear o parlamento.

No entanto, as  catástrofes naturais e as quebras beligerantes da normalidade democrática não são os únicos fatores úteis a pavimentar a efetivação do projeto global de livre-mercado, imposto por grandes conglomerados transnacionais. Na América Latina e na África dos anos 1980, por exemplo, foi a crise da dívida que forçou países a “privatizar ou morrer”, como bem afirmou Davison Budhoo, executivo do FMI. O sacrossanto compromisso com a eliminação gradual da esfera pública, a diminuição de gastos sociais e a autorização para que corporações agissem conforme suas vontades fizeram surgir nos países que abraçaram a cartilha do Consenso de Washington uma completa promiscuidade entre o poder político e o econômico. Elites corporativas e agentes políticos se mancomunam para abocanhar valiosos recursos antes situados sob o domínio público, aprofundando ainda mais os laços de dependência pós-colonial entre o mundo capitalista central e o periférico.

Assim como os oportunistas empreendedores imobiliários no Sri Lanka e os lobistas da educação privada em Nova Orleans, o vice-presidente Michel Temer vislumbrou no quadro de profunda instabilidade institucional pela qual passa o Brasil a oportunidade perfeita para tornar público seu programa de governo chamado “Ponte para o futuro”, cujo manifesto propósito é privatizar “tudo o que for possível”. Temer está perfeitamente ciente de que uma sincera plataforma eleitoral contendo as diretrizes do seu programa diminuiria ainda mais seu 1% de intenções de voto apontado por recente pesquisa do Datafolha.

A versão do capitalismo idealizada por Milton Friedman e abraçada com fervor por Temer possui, segundo Naomi Klein, o declarado e perigoso desejo de chegar a uma pureza inatingível, arvorando-se no inconfessável desejo de começar do zero e no ímpeto totalitário da criação total, razão pela qual os ideólogos do livre-mercado possuem tamanho fetiche por crises e desastres. A “Ponte para o futuro” apresentada por Temer, frontalmente contrária ao projeto vitorioso de sua própria chapa nas eleições de 2014, dá uma dupla dimensão ao golpe, vez que, além de estar em vias de chegar ao poder por caminhos ilegítimos, busca aplicar um programa que dificilmente seria chancelado pelo voto – ainda que a presidente Dilma sequer tenha colocado o programa vitorioso em prática, iniciando seu segundo mandato nomeando de cara Joaquim Levy, um autêntico chicago boy, para o Ministério da Fazenda. São as urnas, porém, o foro adequado para decidir sobre as escolhas e a permanência do governo petista, de maneira que a iniciativa de Temer em tornar o “politicamente impossível em politicamente inevitável” não passa de mais uma reedição de uma tragédia histórica sob o patético rompante de farsa.

Golpe no Brasil: a conexão internacional - por Pedro Marin


Golpe no Brasil: a conexão internacional
Thomas Shannon, com quem Aloysio Nunes encontrou-se logo após o impeachment passar na Câmara. Ex-embaixador no Brasil, entre 2013 e 16, é agora o “número 3″ no Departamento de Estado

Como fundações norte-americanas financiaram grupos como o MBL, que dizem agir “pelo bem do Brasil”. Os encontros de Aloysio Nunes em Washington, e a visita de Temer ao cônsul geral dos EUA

Auditórios cheios, carros de som, escritórios. Organizações como Instituto Millenium, Movimento Brasil Livre (MBL), Instituto Liberal, Instituto Ludwig Von Mises e Estudantes Pela Liberdade, como num passe de mágica, emergiram no cenário político brasileiro, publicando livros e realizando manifestações com enormes estruturas, treinamentos e palestras – um processo que encontrou terreno fértil no país, devido à crise mundial e à Operação Lava Jato.

Apesar das tentativas de seus fundadores e por parte da imprensa em pintar os projetos que defendem como algo “para o bem do Brasil”, oriundo “do povo brasileiro” e “espontâneo”, todas estas organizações contam com financiamento e articulação estrangeira, conforme detalhou a reportagem de Marina Amaral na Agência Pública, mostrando como uma rede de ONGs promove treinamento de lideranças, patrocina “intelectuais” para aglutinar consensos nas redes e movimentos para incendiar as ruas. Entre as organizações presentes na América Latina e leste europeu chama atenção, em especial, a Atlas Network.

Fundada em 1981 com objetivo de “promover políticas econômicas do livre mercado pelo mundo”, a Atlas é um think-tank que financia declaradamente as atividades da direita em mais de 90 países. Com um orçamento anual de US$ 11,5 milhões, ela atua patrocinando a formação de quadros neoliberais. Como a legislação dos EUA impede que essas entidades financiem agitações políticas mundo afora, cada movimento é amparado por “institutos de formação”, que estão liberados para receber os recursos. Esse é o caso da relação do centro de formação Estudantes pela Liberdade (EPL) com a militância profissional do MBL, por exemplo. O orçamento do EPL deste ano saltou para R$ 300 mil. “No primeiro ano, a gente teve mais ou menos R$ 8 mil, o segundo foi para R$ 20 e poucos mil, de 2014 para 2015 cresceu bastante. A gente recebe de outras organizações externas também, como a Atlas. A Atlas, junto com a Students for Liberty, são nossos principais doadores. No Brasil, as principais organizações doadoras são a Friederich Naumann, que é uma organização alemã, que não são autorizados a doar dinheiro, mas pagam despesas para a gente”, declarou Juliano Torres diretor executivo do EPL.

Na Ucrânia – onde em 2014 houve um golpe contra o Presidente eleito Viktor Yanukovich -, a Atlas financiou, por exemplo, o Centro de Liberdade Econômica Bendukidzke e o Centro Para Pesquisa Econômica e Social. O primeiro tem como membros o ex-Presidente da Georgia e atual governador de Odessa, Mikheil Saakashvili, além do vice-chefe da administração (pós-golpe) do Presidente Petro Poroshenko, Alexander Danyluk. O segundo é também financiado pela Open Society Foundation, do famoso especulador e homem das revoluções coloridas, George Soros, e tem como parceiros agências governamentais ucranianas, canadenses e inglesas, além da USAID (EUA) e o Banco Mundial.

Em 2014, a Atlas despejou US$ 4,5 milhões mundo afora em uma série de organizações mais ou menos similares, segundo o formulário 990, que as organizações filantrópicas têm de entregar a Receita Federal nos EUA. Somente na América Latina, foram alocados US$ 984 mil equivalente a R$ 3,9 milhões a organizações que seguem o pensamento de liberais como Milton Friedman, Hayek e Mises, e fazem oposição aos governos progressistas da região. É o caso de Cedice Libertad, da Venezuela, e de organizações como a norte-americana Human Rights Foundation, criada pelo venezuelano Thor Halvorssen, primo de Leopoldo López e filho de embaixador durante o governo de Andrés Pérez, que mira em especial os países com governos não-alinhados a Washington (Venezuela, Cuba, Rússia) e que se tornou conhecida em 2015 por criar uma campanha para lançar propaganda em território norte-coreano por meio de balões de gás.

A Atlas por sua vez também é financiada por uma série de grandes corporações e outras fundações. Empresas como Google, a gigante do petróleo Exxon Mobil e organizações como a DonorsTrust [1], State Policy Network, criada pelo empresário e conselheiro de Ronald Reagan Tom Roe, e a Charles G. Koch Foundation [3], ligada às famigeradas Indústrias Koch, são alguns dos nomes que colaboraram para que a Atlas, no ano de 2014, doasse mais de 10 milhões de dólares pelo mundo.

Uma revolução colorida para o Brasil?

É claro que é motivo para fazer soar os alarmes: a direita liberal cresce exponencialmente e combate num país com 31 anos de tradição democrática, de abismos sociais no campo e nas cidades, onde um partido governou nos últimos 12 anos com apoio maciço e manteve alianças com governos populares da região. Até a rua, historicamente monopolizada pela esquerda, foi tomada.

A isso se somam outras estranhíssimas casualidades: o juiz Sérgio Moro, há pouco responsável pelas fagulhas que incendiaram o país, fez em 2009 um “curso para potenciais líderes” nos EUA, patrocinado pelo Departamento de Estado. É também notável o fato de que no processo da Lava-Jato, somente empresas brasileiras tenham sido atingidas, ainda que diferentes denúncias contra companhias estrangeiras tenham sido feitas. Um dia após a aprovação do impeachment na Câmara dos Deputados o Senador Aloysio “quero ver ela sangrar” Nunes viajou para o quartel-general do poder global: Washington. Por lá, conforme revelou o colunista Mark Weisbrot, no Huffington Post, encontrou-se com o ex-embaixador dos EUA no Brasil e atual “número três” no escalão do Departamento de Estado, Thomas Shannon: “A disposição por parte de Shannon em encontrar-se com Nunes alguns dias depois da votação do impeachment envia um poderoso sinal de que Washington está com a oposição nesse empreendimento. Como sabemos disso? Muito simples, Shannon não precisava ter comparecido a esse encontro. Se ele quisesse mostrar que Washington estava neutro em relação a esse feroz e altamente polarizador conflito, ele não teria se encontrado com protagonistas notáveis de nenhum dos lados, especialmente nesse momento.”

Por fim, para o ansiedade dos desconfiados e o choque dos distraídos, é importante notar os laços que o Sr. Michel “quero jantar com Biden” Temer manteve com seus parceiros do norte. Em 19 de Junho de 2006, por exemplo, Temer – à época presidente do PMDB – encontrou-se com o cônsul-geral dos EUA no Brasil, em São Paulo, e respondeu a perguntas em relação às eleições, os candidatos, e seu partido. Diz o cônsul para Washington, em mensagem vazada pelo Wikileaks em 2011: “Tratando do destino de seu próprio partido, Temer confirmou que o PMDB não terá um candidato para a Presidência, e não entrará em nenhuma aliança formal com o PSDB ou o PT. […] O PMDB continua rachado quase ao meio entre grupos pró e contra Lula. O último busca alianças com o PT e busca diversos ministérios na segunda administração de Lula. Temer, que é anti-Lula, foi altamente crítico em relação à facção pró-Lula e falou com ironia em relação a algumas das divisões e contradições internas do partido.”
Para o cientista político e historiador Moniz Bandeira, os alarmes dispararam há muito tempo. “Essas manifestações que começaram no ano passado e antes da Copa não foram espontâneas. Foram preparadas antecipadamente, com elementos treinados, agitadores treinados”, diz ele, que em “A Segunda Guerra Fria” (Civilização Brasileira, 2013), descreve em detalhes o papel de certas ONGs e think-tanks nas chamadas revoluções coloridas pelo mundo. “O que é necessário no Brasil é que o governo faça como Putin: obrigue o registro de todas as ONGs, o registro do dinheiro que recebem, de onde recebem e como e onde aplicam.”

Moniz aponta como interesses norte-americanos a prevalência do dólar como moeda global – segundo ele, ameaçada pelo BRICS – e a inexistência de potências no continente. “É isto que os Estados Unidos não querem: que o Brasil tenha submarino nuclear, eles não querem uma potência na América do Sul – ainda mais ligada à China e à Rússia. E há um detalhe que o brasileiro não sabe: há uma luta pela moeda de reserva internacional. Porque o fato de que os EUA detém o direito de emitir o dólar o quanto queiram e ser o dólar a moeda internacional; é aí que repousa a hegemonia dos EUA. E o que a China e Putin querem acabar é com isso – daí a criação do modelo dos BRICS.”
[1] organização que possibilita doações anônimas para a “causa da liberdade”, criada pela Donors Capital Fund, considerada no relatório Fear, Inc uma das 10 maiores organizações contribuintes para o ódio contra islâmicos nos EUA)
[2] Em 2014 a fundação doou 25 mil dólares (cerca de 90,5 mil reais) à Atlas.
[3] A Koch Industries é uma empresa ligada ao setor do petróleo. Como Soros, os irmãos Koch são famosos por financiar instituições e revoluções coloridas pelo mundo.

Fonte: http://outraspalavras.net/brasil/golpe-no-brasil-a-conexao-internacional/

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A república das bananas em LUTO!



Agora os gatunos de sempre voltaram ao poder, e com muito apoio dos alienados, e eu que pensava que esse povo tinha aprendido a lição.

E como diz um grande amigo meu “tá indo votar? Deixe de ser babaca”...

Provos Brasil em apoio ao 54 milhões que teve o seu direto retirado por uma corja!

ACORDA BRASIL, ACORDA MEU POVO, ESSE GENTE QUE AÍ ESTÁ NÃO PENSA EM VOCÊ!!!

quinta-feira, 31 de março de 2016

ACORDA BRASIL !!!


Este impeachment é golpe

A Rede Globo montou uma campanha implacável em torno do tema “impeachment não é golpe”, recorrendo a um recurso primário. Chega até o jurista e pergunta se impeachment é golpe. É o jurista obviamente responde que não, já que previsto na Constituição.

A pergunta a ser feita é “este impeachment, da maneira como está sendo montado, é golpe?”.
É golpe.

Como impichar uma presidente sem apontar uma culpa sequer, sem comprovar nenhum crime de responsabilidade?

Alguns idiotas da objetividade – parafraseando Nelson Rodrigues – desenvolveram um sofisma primário: mesmo que não tenha cometido crime de responsabilidade, o fato de não ter apoio de dois terços do Congresso é razão suficiente.

Ou seja, é golpe.

A Constituição não prevê o voto de desconfiança ao presidente. Trata-se de um instrumento do parlamentarismo, que permite ao Congresso derrubar o gabinete e ao presidente negociar um novo gabinete. Ou, em caso de impasse geral, decretar a dissolução do Congresso e novas eleições gerais.

Que fique claro, então, que qualquer expediente não contemplado na Constituição é golpe. E, na eventualidade do impeachment passar na Câmara, se o Supremo Tribunal Federal recusar a análise de mérito sobre o que for considerado crime, a ele também se aplicará a pecha de golpista.

Luis Nassif 
(fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/este-impeachment-e-golpe)

Não vai ter golpe! - por Latuff

Fonte: https://latuffcartoons.wordpress.com/

terça-feira, 8 de março de 2016

Cinco mentiras que a direita quer que você acredite – Por Bertone de Oliveira Sousa


Cinco mentiras que a direita quer que você acredite


Depois de um texto em que desconstruímos o devaneio do discurso em torno de “marxismo cultural” que a direita tanto repete, vamos agora discutir outras inverdades e distorções grosseiras que são repetidas à exaustão por aquelas pessoas que se identificam como direita ou conservadores. Escolhi cinco temas que considero que estão entre os principais: Bolsa família, cotas raciais, meritocracia, “ideologia de gênero” e Paulo Freire. A maior parte do que é dito sobre esses assuntos está no nível do senso comum. Contudo, frequentemente ganha contornos de uma narrativa ideológica. Vamos analisar brevemente as narrativas em torno de cada um desses temas e mostrar seus equívocos. 

1. Bolsa Família é esmola pra condicionar as pessoas a votarem em um partido. Tem que ensinar a pescar ao invés de dar o peixe.
Bolsa Família é política de redistribuição direta de renda. Foi criada durante o governo Lula a partir da fusão de outros programas que já existiam antes e que foram criados por FHC. Juntamente com o Fome Zero, esse programa foi responsável pela saída de dezenas de milhões de pessoas da linha de pobreza ou, para ser mais exato, mais de trinta milhões entre 2004 e 2010.
A afirmação “tem que ensinar a pescar ao invés de dar o peixe” não se aplica nesse caso. O poder de compra que o Bolsa Família concedeu a muitas pessoas alavancou a economia e proporcionou a muitos que outrora dependiam de um emprego com carteira assinada ou nem tinham perspectiva de emprego, que se tornassem empreendedores e gerassem outros empregos. Inclusive muitos pequenos empresários que são contra o programa não sabem que suas empresas existem por causa dele.
Além disso, um dos critérios do programa é que, para receber o benefício, os filhos dos beneficiados devem estar matriculados em uma escola. O programa contribuiu decisivamente para a queda da mortalidade infantil.  Isso desmonta outro argumento muito utilizado contra ele: que as pessoas “fazem” mais filhos para receber o pagamento. Mas não tem problema. Com a melhoria da qualidade de vida, apesar de o valor pago ainda estar muito aquém das necessidades básicas das famílias mais pobres, o objetivo também é que esses filhos na escola se tornem futuros profissionais e tenham condições de ingressar com dignidade no mercado de trabalho.
Falar de Bolsa Família como medida eleitoreira também não faz sentido. O programa trouxe resultados concretos, palpáveis, contribuiu para a melhora da economia e redução da miséria de forma visível e ainda foi adotado por outros países. O PT, apesar de todos os seus erros, ganhou as últimas três eleições presidenciais porque fez políticas de caráter social-democrata que a oposição não fez. Portanto, é natural que isso tenha rendido ao partido votos entre os segmentos sociais, as regiões e estados do país onde houve mais ascensão social e melhoria da qualidade de vida em decorrência dessas políticas. Além disso, o programa não torna as pessoas dependentes dele: apenas entre 2003 e 2013, mais 1,5 milhão de pessoas deixaram o benefício por terem melhorado de vida.
Por outro lado, a atual recessão econômica e aumento do desemprego são decorrentes da corrupção. O Bolsa Família não tem nenhuma relação com isso e em parte é por causa dele que a economia não está pior. Conceder bolsas sociais é uma prática comum em países desenvolvidos e com valores muito mais altos do que o que vemos aqui. Por exemplo: recentemente, a Suíça anunciou um plebiscito para conceder um salário básico no valor de 2.700,00 euros mensais a toda a população.
Nós temos condições não apenas de ampliar o valor do benefício como também de manter outros programas sociais. Infelizmente, no Brasil os ricos sempre tiveram a máquina pública a seu favor, inclusive aqueles que defendem “Estado mínimo” sempre recorrem ao Estado para receber benefícios e financiamentos para seus negócios. O discurso contra programas sociais escamoteia uma tentativa de patologizar a pobreza de modo a retratá-la como indolente, inapta, conformada e indigna de qualquer ação do Estado a seu favor.

2. Cotas raciais na universidade privilegia o negro e é racismo contra o branco, que também não tem cota.
A incompreensão do que sejam as cotas e quais seus objetivos é o que mais contribui para a reprodução desse discurso. Primeiro, é importante dizer o que as cotas não são: elas não existem para saldar dívida histórica com a escravidão ou o quer que seja. Se fosse, seria patético. Seria impossível resolver problemas ainda decorrentes da escravidão no passado apenas com as cotas. Segundo: as cotas não constituem uma política para melhorar a educação. É por isso que não vem ao caso criar cota para o branco e para o pobre, porque sua meta não está relacionada à elevação da qualidade do ensino. Isso significa dizer que cota não é política educacional.
Cota é política de integração racial. Seu objetivo é reduzir o preconceito com a presença do negro em espaços onde ele historicamente não está presente ou está presente em número muito reduzido. Nesse sentido, a cota é política de ação afirmativa, é política de inclusão. A ausência do negro na universidade é uma das maiores causas de preconceito com aqueles poucos que conseguiam ingressar, que são minoria e, não raramente, são estigmatizados por estarem num espaço que historicamente não é deles. Mesmo nas universidades públicas, em especial nos cursos mais concorridos, o negro é ínfima minoria.
Apenas melhorar a escola pública não seria suficiente para isso porque, mesmo numa escola pública melhor, o negro ainda poderia sofrer preconceito na universidade porque continuaria a chegar lá em pequeno número. Além disso, numa escola pública de qualidade o negro continua sendo excluído dela pelo branco por ter menos capital cultural e econômico para concorrer em condições de igualdade. Melhorar a escola pública para que o negro também esteja nela deve passar por políticas de combate à favelização, ao subemprego (onde o negro está presente em grande quantidade) e à marginalização social que envolve o círculo vicioso criminalidade-estigmatização/exclusão-cadeia.
A cota é para proporcionar a convivência racial e, através da convivência, reduzir o preconceito. A melhoria da escola básica é uma política que evidentemente não deve ser deixada de lado mas, se buscamos combater o preconceito no sentido de diminuí-lo, a política de cotas é o melhor caminho por contribuir para isso mais rapidamente. Essa foi uma política que deu certo nos Estados Unidos nos anos 1960 e 1970 e aqui também várias pesquisas têm mostrado resultados positivos.
Aqueles que falam em vitimismo dos negros ou chamam cota de privilégio, em geral apenas reproduzem o discurso de que o negro deve concorrer nas mesmas condições que o branco. Estes ignoram ou desprezam os problemas históricos que envolvem o negro e o excluem da boa escola e da universidade e a discriminação que envolve sua exclusão. Ainda estamos longe de eliminar o preconceito. Por isso, como política de integração racial, a cota é necessária, importante, deve ser mantida e valorizada. (O leitor pode ler mais sobre isso no texto “A importância das políticas de ação afirmativas”, cujo link está ao final).

3. Cotas raciais e bolsa família ferem o princípio da meritocracia.
Meritocracia é algo importante, mas quando existe igualdade de oportunidades. O Brasil é um país historicamente marcado por abismos sociais e regionais enormes; um país formado sob a égide do latifúndio, do patrimonialismo, da escravidão e o distanciamento das elites brancas e bem-nascidas do restante da população. Todas essas mazelas ainda ecoam no presente, por isso qualquer discurso de meritocracia serve apenas a uma poderosa ideologia de exclusão.
Acredita-se que o mérito estaria no esforço e na capacidade criativa que garantiria a ascensão social. Desse modo, os mais pobres seriam os únicos responsáveis por sua condição. Mas não, o que se esconde nesse discurso não é o mérito do esforço, mas do nascimento, que em grande parte garante a reprodução das desigualdades sociais oceânicas que historicamente sempre marcaram o Brasil. Os mais ricos habituaram-se a viver como castas, em espaços urbanos habitacionais, educacionais e de sociabilidades quase completamente separados dos grupos sociais de baixa renda. As políticas sociais dos últimos anos criaram algumas fendas nessa barreira promovendo inclusão social, seja através da redistribuição direta de renda (Bolsa Família) ou de políticas para inclusão de minorias (como cotas para negros e índios nas universidades).
Mesmo com a atual crise e o aumento do desemprego essas conquistas podem ficar parcialmente comprometidas, embora não perdidas. De todo modo, houve uma redução visível da extrema pobreza e da fome no país e ainda uma aproximação de convivência entre as classes em espaços que antes eram exclusividade dos grupos mais privilegiados. Além disso, a expansão dos Institutos e Universidades Federais proporcionou a possibilidade de acesso ao ensino superior e ascensão social a muitas pessoas que não podem se deslocar para as grandes cidades para estudar.
Isso, é claro, não agradou a muita gente. Um caso emblemático disso foi um artigo de Danuza Leão, quando era colunista da Folha de SP, em que ela reclamava que agora tinha que ver o porteiro do prédio em Paris ou Nova York. Assistimos à ascensão de uma direita ultraconservadora, nacionalista, anti-petista e anti-marxista, cujas ações conseguem facilmente cooptar as classes médias altas para a polarização política que ela vem promovendo. Aqueles que defendem meritocracia no Brasil na verdade defendem privilégios, uma vez que não existe igualdade de oportunidades.

4. A ideologia de gênero visa impor o homossexualismo nas escolas.
Ideologia é um termo que já foi definido de diferentes maneiras por diferentes autores, desde seu aparecimento, no início do século 19. A rigor, é muito utilizada para se referir à visão de mundo de determinado grupo ou de uma classe social. Nesse passo, pode se tornar um instrumento de controle do comportamento dos indivíduos em determinado contexto. Uma visão de mundo ou uma crença se transforma em ideologia quando passa a exercer esse poder regulatório para universalizar uma narrativa sobre o mundo, desacreditando ou denegando as demais.
Nesse sentido, o termo “ideologia de gênero” é uma expressão capciosa, muito mencionada por conservadores e/ou fundamentalistas religiosos para denunciar uma suposta conspiração anti-cristã que quer impor o homossexualismo como norma. Nada disso, é claro, tem fundamento. Aqueles que lançam mão desse discurso nunca estudaram gênero e o fazem para promover uma guerra cultural entre cristãos/conservadores e homossexuais/esquerda.
Foi isso o que fizeram com o material didático apelidado pejorativamente de “Kit gay”. O material atendia aos requisitos dos Parâmetros Curriculares Nacionais para a educação básica. Alguns vídeos que o acompanhava foram postados na internet e tinham o claro objetivo de desconstruir o preconceito entre os jovens acerca da homossexualidade. Lamentavelmente, graças ao lobby da bancada evangélica no Congresso, o material não foi utilizado nas escolas.
Gênero não diz respeito apenas à homossexualidade, nem a sexo, mas a identidade social, a uma construção identitária. Foi a ignorância em relação a isso que gerou celeuma em torno da prova do  ENEM de 2015 que trazia uma citação de Simone de Beauvoir que dizia que “não se nasce mulher, torna-se mulher”.
A discussão de gênero nas escolas, que os conservadores tanto se descabelam para banir, objetiva trazer para o jovem discussões pautadas em conhecimentos especializados no sentido de promover esclarecimentos e também a redução do preconceito. Numa era em que o jovem tem acesso a muita informação e nem sempre tem clareza para distinguir entre o que é importante e fundamentado e o que não é, cumpre à escola trazer para a sala de aula esses temas e lhe fornecer instrumentos conceituais e teóricos para pensar essas questões fora do senso comum.
Não existe “ideologia de gênero”, não se busca universalizar um discurso mas, ao contrário, combater o preconceito pelo debate qualificado. Aqueles que falam em ideologia em geral são os mesmos que também tratam o feminismo e a homossexualidade como doenças, com tratamento e cura, através da mistura espúria de ciência e religião ou de uma leitura literal da Bíblia.

5. Paulo Freire é o responsável pela decadência da educação no Brasil.
Essa é certamente uma das mais idiotas de todas as bobagens que a direita tem repetido no Brasil. Recentemente, todos os principais meios de comunicação noticiaram que Paulo Freire é o único autor brasileiro entre os cem mais requisitados pelas universidades de língua inglesa, com o livro “Pedagogia do oprimido”.
Paulo Freire se tornou um dos bodes expiatórios que a direita escolheu pra demonizar no Brasil, acusando-o de ser responsável pela ineficiência de nosso sistema educacional e pela “doutrinação marxista” que ela pensa existir em nossas escolas. Então, como é possível que um autor que causou tanto estrago na educação de seu país esteja entre os mais pedidos e lidos pelas melhores universidades do mundo?
Aqueles que falam isso na verdade nunca leram PF e, se alguns leram, nunca entenderam. Como disse o historiador José Eustáquio Romão em entrevista à BBC, PF “nunca foi aplicado no Brasil”. Na verdade, tudo o que a direita fala sobre ele são estereótipos, frases reducionistas sem nenhuma preocupação com a veracidade do que está sendo dito, como já é corriqueiro nesse segmento.
PF dialoga com o marxismo mas sua concepção de educação não se limita a uma só linha de pensamento. Crítico da ideologia, do autoritarismo e do discurso que fala em neutralidade do ensino, ele mostra nesse livro que educar não é somente transferir conhecimentos mas deve ser um ato voltado para a liberdade, sem com isso se abrir mão da autoridade, do conhecimento e da competência profissional.
Nunca aplicamos Paulo Freire como nunca aplicamos praticamente nenhum teórico da educação porque educação nunca foi prioridade no Brasil, não apenas dos governos mas também e principalmente da sociedade, inclusive daqueles que criticam PF. Seu método de alfabetização parte da vivência cultural do grupo a ser alfabetizado, a partir de palavras que fazem parte de seu cotidiano. Esse método foi usado em países como Finlândia, Coreia do Sul e tem sido aplicado também no Japão, Hungria, Armênia e País Basco.

Conclusão
Graças ao poder de alcance da internet, todas essas mentiras e preconceitos têm se espalhado na velocidade da luz e pega até gente que aparentemente deveria estar bem preparada para identificar esses erros.
A direita no Brasil resolveu sair do armário mas saiu furibunda e criticando assuntos que não compreende e autores que não lê. Seu debate de baixo nível não fomenta nenhuma possibilidade de diálogo. Tudo o que fala está eivado de ódio proto-fascista, mágoa e maniqueísmo político. Mas também podemos usar a internet para levar esclarecimentos e desconstruir essas narrativas.

Fonte: https://bertonesousa.wordpress.com/2016/02/26/cinco-mentiras-que-a-direita-quer-que-voce-acredite/

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

10 de dezembro Dia Internacional dos Direitos Animais: uma data para mudanças!!!

Fonte: http://www.anda.jor.br/10/12/2015/dia-internacional-direitos-animais-data-mudancas

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Os clássicos do STF, por Pataxó


Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/os-classicos-do-stf-por-pataxo

Sírios fogem de guerra civil e partem para Europa - por Latuff

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/41596/charge+do+latuff+sirios+fogem+de+guerra+civil+e+partem+para+europa.shtml

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Continua drama da imigração na Europa - por Latuff

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/41478/charge+do+latuff+continua+drama+da+imigracao+na+europa.shtml