sexta-feira, 19 de outubro de 2018

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Esse é o Brasil que os acéfalos querem ... ódio... preconceito ... intolerância ... discriminação ... e mortes!!! Acorda Brasil!!!

Aos gritos de “Bolsonaro”, travesti é morta a facadas no centro de SP

Testemunhas relatam que quatro homens, aos gritos de "Bolsonaro" e "Ele sim", entraram em discussão com uma travesti em um bar no centro de São Paulo e a esfaquearam antes de fugir; vítima não resistiu e morreu a caminho do hospital
https://www.revistaforum.com.br/aos-gritos-de-bolsonaro-travesti-e-morta-a-facadas-no-centro-de-sp/


Candidato fascista à presidência do Brasil é elogiado por @DrDavidDuke , líder da gangue racista Ku Klux Klan. Não entendeu? Tá bem, eu desenho - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

Olavo de Carvalho, o “ideólogo de Bolsonaro”, contra o professor Haddad - Por Christian Ingo Lenz Dunker.

Olavo de Carvalho, o “ideólogo de Bolsonaro”, contra o professor Haddad

Olavo critica o pós-modernismo, o multiculturalismo e o politicamente correto porque ele é seu maior praticante, no sentido corrompido do termo. É assim que opera um fake thinker, um falso pensador caçador de patos: não é só falta de rigor ou pirotecnia retórica, é a corrupção como irresponsabilidade intelectual.
Todos os regimes, piores ou melhores, têm o seu ideólogo. Em geral ele não é alguém muito respeitado em sua área ou situa-se perifericamente em relação aos seus pares. Sua função é dupla: justificar as arbitrariedades de quem ele se aproveita para criar projeção e traduzir as mensagens do líder de modo a criar vantagens estratégicas para seus adeptos no exercício do pequeno poder cotidiano. Em geral, o ideólogo não se forma nas fileiras no partido ou nas ideias diretas de seu mestre, mas se aproveita da flutuação de seus pontos de vista para encaixar uma afinidade de circunstâncias. Isso é possível porque a função do ideólogo é sobretudo suspender ou desestabilizar os sistemas que garantem a legitimidade e a autoridade que atribuímos a certas formas de saber.

Por exemplo: o saber jurídico da República de Weimar foi neutralizado por um ideólogo como Roland Freisler, durante a ascensão do nazismo1; o saber universitário americano foi controlado por um ideólogo como Joseph McCarthy, no início da guerra fria; o saber artístico e intelectual soviético foi destroçado por Andrei Jdanov, durante a ascensão do stalinismo. Todos eles eram pensadores medíocres, mas que sabiam usar uma oscilação de tom que os permitia fazer alusões impressivas ao lado de palavras chulas gerando um efeito de autenticidade. Podiam ser também eruditos e especialistas em apenas uma área, mas que transferiam sua autoridade para problemas nos quais não eram realmente estudiosos.
Bolsonaro possui alguém que se comporta dessa maneira e que age conforme os requisitos para o cargo – tanto que foi devidamente reconhecido pelo filho do deputado pelos serviços prestados à candidatura do pai. Olavo de Carvalho possui uma longa ficha de desmascaramentos e refutações marcada pelo exercício continuado da improbidade filosófica. O fato de que ele não tem nenhuma formação regular, como uma graduação em ciências humanas, nem mestrado nem doutorado, não deveria ser um empecilho, afinal existiram muitos bons pensadores que vieram de fora do sistema universitário ou permaneceram em sua periferia. É por isso que o fato de que seus primeiros trabalhos foram sobre astrologia2, que ele tenha sido militante comunista e adepto da seita islâmica Tariqa, que hoje viva refugiado nos Estados Unidos, não o desabonam, mas criam os traços ideais para representar o papel de alguém antissistema, independente e fora da academia. Ele tem o que parece ser suficiente para que acreditemos nele: passagens pelas grandes redações de jornais e revistas, a partir da qual criou-se um grupo de pessoas que gostam de suas ideias. Isso confere uma vantagem grande ao personagem, pois ele poderá desfazer de saberes eruditos, complexos e sempre em controvérsia relativa, como a ciência e a filosofia profissional, representando a sabedoria do homem comum, confirmando seus preconceitos e transferindo convicção e autoridade para aquilo que as pessoas já pensam.

Um ideólogo alimenta-se de oposições, controvérsias e ofensas porque isso cria inimigos necessários para manter uma crença viva, instala uma solidariedade composta pelo ódio e aproveita-se do sentimento de inferioridade intelectual que habita muitas pessoas. Qualquer ataque à sua obra apenas confirma sua situação de pária e injustiçado intelectual e apenas aumenta a aura de perseguido, com a qual se afiniza com as massas. O truque do piques funciona assim: para influenciar meus adeptos uso palavras difíceis, citações e títulos extravagantes ou valho-me da participação em eventos semi-científicos como o Congresso Brasil Paralelo, que contou com mais de sessenta influentes participantes, entre eles nomes como Ronaldo Caiado, Onyx Lorenzoni e Gilmar Mendes que explanaram sobre a realidade do Brasil pelo ponto de vista liberal-conservador3. Repare que a palavra chave é influência, ainda que esta venha pela associação com a notabilidade suspeita do rol elencado. A ideia aqui é que você pode tornar-se sábio por contágio, como se a cultura e o pensamento funcionassem ao modo da revista Caras. Toda vez que alguém acusar a inconsistência de suas ideias, recorra à sua pessoa, ou à do seu crítico. Toda a vez que se aponta a inconsistência de sua pessoa, recorra às suas obscuras ideias incompreendidas. Se nenhuma das duas anteriores der certo, apele para palavrões. “Cu”, “buceta” e “cagada” são expressões recorrentes de nosso autor para exprimir seus conceitos e qualificar seus adversários4.
Mas então como mostrar que Olavo de Carvalho é um fake thinker? Qualquer crítica desse tipo será neutralizada pelo argumento de que eu mesmo sou um professor titular da USP, esse antro de esquerdistas incultos e comprados pelo sistema petista. Se digo o que digo só pode ser por interesse pessoal em preservar meus privilégios, de perpetuar a hegemonia cultural, “tal como Marx e Gramsci propunham”. Ou seja, vale tudo. De um lado, critico o relativismo e a pós-modernidade, de outro me autorizo a falar qualquer coisa porque a verdade virou uma questão de maioria de opinião e de número de adeptos. As ciências humanas comportam uma variedade de tradições e entendimentos, o que dá margem para as posições mais heterodoxas.

Examinemos o problema de um ponto de vista muito tosco e elementar, mas não obstante objetivo. Há um sistema imparcial que agrega e compara essa variedade de posições própria ao campo da ciência, validando o valor e a legitimidade do conhecimento que se produz, a partir da própria comunidade de cientistas. Este sistema vale para qualquer um que publique qualquer coisa em ciência, em qualquer lugar do mundo. Trata-se do Google Scholar (“Google Acadêmico”, no Brasil), ou seja, uma forma de quantificar quantas vezes e por que qualidade de revista científica seus livros ou artigos são citados por outros autores. Todo pesquisador tem um i-10 que é o índice de citações que seus textos têm na comunidade internacional e que vale como medida de reconhecimento da relevância de seu trabalho. Portanto, não vale dizer que o sistema universitário ou que a filosofia brasileira não reconheceu ou persegue as ideias inovadoras e incompreendidas de nosso autor.

O sistema tem várias críticas, mas ele serve como uma espécie de peneira genérica para falar sobre quem é quem quando se trata de ciência. A vantagem é que qualquer um pode entrar neste sistema e verificar a quantidade e qualidade de citações que um autor tem5. Por exemplo, um pesquisador de esquerda como Vladimir Safatle, com 45 anos, tem um i-10 de 40, que corresponde a 282 citações de sua principal obra6. Um reconhecido autor de direita, como José Guilherme Merquior, tem 331 citações em sua obra mais conhecida. Olavo de Carvalho tem 30 em sua obra magna O que você precisa saber para não ser um idiota, sendo que, destas, 28 são referências de pesquisas sobre a emergência do pensamento conservador no Brasil, discursos contra a corrupção e pesquisas sobre jornalismo político. Ou seja, citam o texto como índice de fenômeno social, a emergência de uma nova direita, e não por suas ideias em si. Sua obra mais “técnica”, Teoria dos discursos em Aristóteles, tem apenas três citações na área da filosofia, todas desabonando seu trabalho.

Isso significa que não é que suas ideias são rejeitadas, mas que seu pensamento é irrelevante para a área na qual ele se situa. Mostrar seus erros técnicos, suas ilações inconsequentes e outras fragilidades de alguém que não sabe pensar com rigor é como colocar um time amador em comparação com um profissional. Uma seleta das afirmações erráticas de Olavo de Carvalho incluem: a ONU apoia o terrorismo, Pepsi é feita com fetos abortados, há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela, a Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro, há livros ensinando crianças fazer sexo oral com elefantes, o Brasil hoje é uma ditadura comunista, a mídia apoia os gays para promover o controle populacional, o marxismo nasceu do satanismo, Darwin é o pai do nazismo, a web foi criada para combater o ateísmo, o ser humano não precisa de cérebro pra viver, o nazismo e FMI são de esquerda, Bill Clinton era um agente de Pequim, os EUA entraram no Vietnã para perder, há 40 milhões de comunistas no Brasil, cigarro não dá câncer (ele é um fumante inveterado), não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação, o empresariado nunca se organizou politicamente, a ditadura foi branda e tinha eleições democráticas, o General Geisel era comunista.

Os títulos de seus livros incluem coisas como O dever de insultar e O imbecil coletivo II. Sua Teoria das doze camadas da personalidade é um resumo ridículo e pretensioso das concepções psicológicas mais correntes em psicologia. Algo assim como se eu pedisse a um aluno de terceiro ano que me contasse em 19 páginas tudo o que se disse até aqui sobre o conceito de personalidade. Tipo: conheça 13 capitais da Europa em quatro dias e descubra a verdade da milenar cultura ocidental, rápido e barato. São textos que fazem vergonha alheia e denunciam o provincianismo indefeso do brasileiro médio em matérias não escolares.

Como vimos, ideólogos servem principalmente para serem usados na desqualificação de saberes e autoridades simbólicas ou estrategicamente importantes. Por isso, não adianta dizer que eles não são sérios, pois isso só confirma, na língua da alienação, que eles são outsiders e “antissistema”. Fernando Haddad, pode ser criticado como um mal prefeito, como membro de um partido corrupto ou como alguém que toca violão muito mal, mas o seu i-10 é de 15, contra “nem entra em campo” de Olavo de Carvalho. Sua obra Plano de desenvolvimento da educação7 foi citada 127 vezes, sempre em contexto técnico ou científico. Haddad conclui o curso de direito na USP, depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia na mesma universidade.

Mas o que são títulos? Tantas pessoas têm títulos e não sabem nada, não é mesmo? Haddad estudou em McGill, a melhor universidade canadense, o Carvalhão não terminou seu mestrado, mas para quê estudar fora? Durante mais de dez anos Haddad fez o que faltou decisivamente na formação de Olavo de Carvalho: deu aulas para alunos reais de um curso de graduação. Mas qual é o valor disso? Afinal a USP nunca teve um filósofo que se preze (afirmação textual do próprio). Haddad deu aulas com notas, frequência, alunos inquietos ou indolentes, aulas de verdade. Aulas públicas, abertas e gratuitas e não cursos pagos pela internet. É neste contexto de desigualdade maiúscula, que testemunha a ignorância de muitos em reconhecer a diferença entre um verdadeiro professor e pesquisador e um “bundão” que fica atrás da mesa falando e caçando patos nos EUA (no sentido literal e metafórico), que podemos examinar as afirmações de Olavo de Carvalho sobre o livro de Haddad8:
1. “O PT quebra imagens, esfrega o crucifixo nos órgãos genitais, urinam [sic] na Bíblia e agora quer apoio católico”. A afirmação é grotescamente falsa. A pergunta de fundo é: para quem esta mensagem pode ser persuasiva, a ponto de ser retuitada pelo filho do deputado Jair Bolsonaro? Para alguém que jamais lerá este texto, que não compreende o que é pesquisa, que só entende que devemos dar crédito a pessoas famosas. Quanto mais espetacular a chamada mais ela tem efeito. Realmente, qual é a diferença disto e de mentir para ser eleito?
2. Como disse Caetano Veloso: “Considero o texto de Olavo incitação à violência. Convoco meus concidadãos a repudiá-lo. Ou vamos fingir que o candidato dele já venceu a eleição e, por isso, pode mandar matar quem não votou nele?”9 Ou seja, a conspiração comunista, a hegemonia cultural da esquerda universitária e tudo o mais que o caçador de patos denuncia é exatamente o que ele está imediatamente disposto a praticar. Um intelectual que defende a violência como método perde imediatamente o direito ao uso desta qualificação, tornando-se imediatamente um “idiota”, cumprindo assim o lema de que as pessoas transformam-se naquilo que elas mais odeiam.
3. Todavia, o campeão da inconsequência e o prêmio maior de Tolice do Ano, e que me leva a escrever este texto, vai para sua afirmação de que Haddad queria vencer o “tabu do incesto” para implantar o socialismo no Brasil. Haddad faria “apologia do incesto”, provavelmente como extensão do “kit gay” (que nunca existiu) e da “ideologia de gênero” (que é outra invenção brasileira para traduzir, em idioma de má fé, os “estudos de gênero”, disciplina universitária presente em Harvard, Cambridge e Yale). Depois da repercussão imediata de tamanho erro, facilmente verificado pela imprensa, Olavo de Carvalho retirou o post e o substituiu por outro dizendo que Haddad “subscrevia integralmente a sociedade erótica, advogado pela Escola de Frankfurt que advoga a erotização da relação entre mães e filhos”10.
Ora, o tabu do incesto é uma expressão usada por Freud em seu texto de 1913, Totem e tabu, para designar o fato de que em todas as culturas humanas conhecidas há uma restrição para o casamento dentro da própria família. Desta regularidade Freud inferiu a existência de um potencial desejo da criança pela mãe, que deu origem à hipótese do complexo de Édipo. Este desejo é reprimido dando origem ao processo de socialização como reconhecimento de uma lei maior que nos impede de realizar tudo o que queremos. Muitas culturas e alguns padrões de família exageram essa repressão, criando crianças demasiadamente proibidas em seus desejos e em suas vidas eróticas. Por isso uma transformação social deveria atentar para padrões menos rígidos de repressão e de implantação da lei. Ora, essa tese simples e difundida amplamente, tanto entre pensadores de direita quanto de esquerda, foi deformada para justificar a “erotização da infância” e a “apologia do incesto”. É assim que opera um fake thinker, um falso pensador caçador de patos. Ele toma uma ideia, a deforma sem rigor, e depois a usa para causar medo nas pessoas. Isso não é uma questão de “interpretação” ou “ponto de vista”, as ciências humanas podem admitir variações e variedades, mas elas têm um critério, que é o do rigor. Neste caso é claro e cristalino que nem a psicanálise, nem a Escola de Frankfurt, nem Haddad defendem a “apologia do incesto” ou a “erotização da infância”.
Essa inconsequência com os conceitos está longe de ser apenas um vale tudo acadêmico, ela é uma prática específica de relação com a palavra. Olavo critica o pós-modernismo, o multiculturalismo e o politicamente correto porque ele é seu maior praticante, no sentido corrompido do termo. Chegamos assim ao termo correto para o tipo de pensamento cultivado por Olavo de Carvalho: não é só falta de rigor ou pirotecnia retórica, é a corrupção como irresponsabilidade intelectual. Neste dia do professor é preciso agradecer e saudar os docentes, mas também perceber que há os traidores da classe. Não são aqueles que informal mal, ou que transmitem no limite de suas possibilidades e de sua formação, mas os que propositalmente dizem mentiras. Desinformar as pessoas em um país tão carente de professores e de ensino, fazê-lo de forma proposital e com fins políticos (lembremos das adesões diretas de Bolsonaro e seus filhos à Olavo de Carvalho), usar palavrões e praticar falta de decoro acadêmico só merece um juízo, como diria o Capitão Nascimento: pede para sair!
Notas
1 Christian Ingrao, Crer e destruir: os intelectuais na máquina de guerra nazista da SS (Rio de Janeiro, Zahar: 2017).
2 Olavo de Carvalho, A imagem do homem na astrologia (1980).
3 https://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_de_Carvalho 4 Exemplo de um tuite de 17 de setembro de 2018: “Quer o chamem de ‘Bolsominion’ por ser eleito do Bolsonaro, ou de ‘falso direitista’ por preferir outro candidato, a resposta oficial, nós dois casos, deve ser: — É o cu da mãe.”
5 https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=fernando+haddad+&btnG= 6 https://scholar.google.com.br/citations?user=fw3hwBYAAAAJ&hl=pt-BR
7 Fernando Haddad, O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, Brasília, Inep/MEC: 2008.
8 Fernando Haddad, Em Defesa do Socialismo. Petrópolis, Vozes: 1998.
9 Caetano Veloso, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo“, Folha de S.Paulo, 14 de outubro de 2018.
10 Gilmar Lopes, “FALSO: Fernando Haddad defende incesto entre pais e filhos em seu livro?“, E-farsas, 14 de outubro de 2018.
Christian Ingo Lenz Dunker é psicanalista, professor Livre-Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Analista Membro de Escola (A.M.E.) do Fórum do Campo Lacaniano e fundador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP.
Fonte: https://blogdaboitempo.com.br/2018/10/15/olavo-de-carvalho-o-ideologo-de-bolsonaro-contra-o-professor-haddad/

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

As máscaras caíram e continuam a cair nos dias de hoje. Não há meio termo. Quem se diz isento acaba apoiando com seu silêncio as forças do obscurantismo. É hora de assumir um lado. A democracia ou a barbárie fascista. E você? De que lado está? - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

Atentados de direita fomentaram AI-5 – por A.N.A.

Atentados de direita fomentaram AI-5
Cinquenta anos depois do ato que sepultou as liberdades democráticas no país, a Pública obtém documentos que provam que foi a direita paramilitar, e não a esquerda, que deu início a explosões de bombas e roubos de armas

Documentos inéditos, guardados há meio século nos arquivos do Superior Tribunal Militar (STM), jogam luzes no cenário que levou ao recrudescimento da ditadura militar, com a edição do AI-5 (Ato Institucional número 5) em dezembro de 1968. Depoimentos de personagens, relatórios oficiais e uma infinidade de papéis anexados a processos que somam cerca de 10 mil páginas, ao qual a Pública teve acesso, demonstram que o AI-5 fez parte de um plano para alongar a ditadura com atentados a bomba em série, preparados no final de 1967 e executados até agosto do ano seguinte por uma seita esotérica, paramilitar e de extrema direita.

Até esse momento, episódios de ação armada da esquerda, que também ocorreram, eram apontados como causa para a decisão dos militares de endurecer o regime.

Comandadas por um líder messiânico a serviço da linha dura do governo militar, as ações terroristas da direita, que chegaram a ser atribuídas, equivocadamente, às organizações de esquerda, segundo apontam as investigações, tiveram como estratégia aquecer o ambiente como preparação do “golpe dentro do golpe”, o que daria ao regime uma longevidade de mais 17 anos.

Na cadeia de comando do grupo se destacam um general da reserva Paulo Trajano da Silva, que se dizia amigo pessoal do então presidente-ditador Artur da Costa e Silva, e, na linha de frente do plano, um complexo personagem, Aladino Félix, conhecido como Sábado Dinotos, líder da seita, mentor e também autor dos atentados.

Formado por 14 policiais da antiga Força Pública (como era chamada à época a Polícia Militar de São Paulo), todos seguidores fanáticos de Aladino Félix, o grupo executou 14 atentados a bomba, furtou dinamites de pedreiras e armas da própria corporação, além de praticar pelo menos um assalto a banco, plenamente esclarecido. Foram os pioneiros do terrorismo, e os responsáveis pela maioria das ações terroristas registradas no período – um total de 17 das 32 contabilizadas pelos órgãos policiais.

- Para ler o artigo na íntegra, clique aqui:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/02/politica/1538488463_222527.html

agência de notícias anarquistas-ana

Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Sílvia Rocha

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/04/atentados-de-direita-fomentaram-ai-5/

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

[Cuiabá-MT] Conjuntura Política Brasileira, Farsa Eleitoral e Anarquismo – por A.N.A.

[Cuiabá-MT] Conjuntura Política Brasileira, Farsa Eleitoral e Anarquismo
A Coordenação Anarquista Brasileira – CAB convida a todas e todos para o Ato Público e Debate sobre o tema “Conjuntura Política Brasileira, Farsa Eleitoral e Anarquismo“, onde serão apresentadas as análises, perspectivas e propostas do anarquismo especifista em relação ao nosso atual momento político.
Quando: 8 de setembro, às 18h30.

Onde: Associação dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso (em frente ao Hospital Veterinário.)

Rusga Libertária – MT
Blog/Site: www.rusgalibertaria.noblogs.org
FB: https://www.facebook.com/events/283299425600375/

agência de notícias anarquistas-ana
Sozinho na casa.
Lá fora o canto das cigarras.
Ah se não fossem elas…
Anibal Beça

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/09/05/cuiaba-mt-conjuntura-politica-brasileira-farsa-eleitoral-e-anarquismo/

Tragédia no Museu Nacional - por Jota Camelo

Fonte: https://www.facebook.com/jotacamelocharges/?hc_ref=ARRdeIcDh2zID1P6BTw2yA9eckkOLfJ3qJMjWZxuh1Hl1T3Mv01JGYURxkouFH7YE78&fref=nf&__xts__[0]=68.ARD1OD2AogTvKZg_y_ngnXMeeEsJej9gncTdGqIszPcUtal4QQpjRXYolCUDmAH13tc2bC2w1qOvkW7BcFJdM8nYcMLGb7x0sADkp7WwXpsDaRRxN3tquDjPPq9MgocXbsvqkhSRb-Rm8CMGwWVEAslX_H9kX7c-_ye_waMu8OvQ1et-XbvMCw&__tn__=kC-R

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Estou de luto pelo Museu Nacional e pela cultura no Brasil. Meus pêsames aos funcionários, estudantes, professores e cientistas que lutaram para manter vivo tão importante museu. O acervo conseguiu sobreviver aos séculos mas não aos anos de descaso de sucessivos governos - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

São Paulo – VII Festival do Filme Anarquista e Punk de SP acontece em dezembro – por A.N.A.

São Paulo – VII Festival do Filme Anarquista e Punk de SP acontece em dezembro
Em sua sétima edição, o Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo abre inscrições para o envio de filmes. O evento ocorre no início de dezembro, dias 1 e 2. Confira a seguir a chamada em português, english e español.

Português
Chegamos ao sétimo ano do Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo, e mais uma vez convidamos para envio de filmes para compor a mostra, que será nos dias 1 e 2 de dezembro de 2018 em São Paulo, no Ponto de Cultura Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta)! Você tem um projeto faça-você-mesmx de audiovisual? Fez um filme relacionado a punk e/ou anarquismo em suas mais diversas expressões? Pensa no audiovisual como uma ferramenta importante para nossas lutas? Para participar e compartilhar sua produção é só se inscrever no formulário disponível em anarcopunk.org/festival:


English
We are now in the seventh year of our Anarchist and Punk Film Festival, in São Paulo – Brazil, and one more time we´re inviting you to send movies to screening during 1nd and 2rd december, 2018 in Ponto de Cultura Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta). Do you have an DIY audiovisual project? Do you made a film related to punk and/or anarchism in its several expressions? Are you thinking in audiovisual as an important tool to our struggles? To take part of our Festival and share your production, is just submit your film in the form available in anarcopunk.org/festival:

Español
Llegamos ahora en el setimo año de nuestro Festival de Cine Anarquistra y Punk de São Paulo – Brazil, y una vez más invitamos al envio de peliculas para proyección el 1 y 2 de deciembre, 2018 en Ponto de Cultura Nia Domo (Rua Gastão Madeira, 50 – Vila Maria Alta). Tienes un proyecto hazlx-tu-mismx de audiovisual? Has hecho una pelicula sobre punk y/o anarkismo? Piensas el audiovisual como una importante herramienta para nuestras luchas? Para inscribirse y compartir tu producción, basta rellenar el formulario disponible en anarcopunk.org/festival:

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agência de notícias anarquistas-ana
Galhos desfolhados.
Árvore seca anuncia:
O inverno chegou.
Josete Maria Vichineski
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/27/sao-paulo-sp-vii-festival-do-filme-anarquista-e-punk-de-sp-acontece-em-dezembro/

Temer joga a pá de cal na cultura nacional - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

A farra do golpe - por Jota Camelo

Fonte: https://apoia.se/jotacamelocharges

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Mais uma vítima inocente no Rio, de uma guerra que não se pode vencer - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

O empreendimento que mais cresce no país - por Leo Villanova

Fonte: https://caviaresquerda.blogspot.com/2018/08/o-empreendimento-que-mais-cresce-no-pais.html

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

PM Press: Dez anos de Molotovs Literários - por Craig O’Hara – A.N.A.

PM Press: Dez anos de Molotovs Literários
PM Press, com sede na Bay Area, celebrou seu aniversário de 10 anos de publicações no mês de maio com uma festa badalada em Oakland, Califórnia, onde a equipe, autores e fãs gargalharam com um esquete cômico de política, quebraram um drone de entregas da Amazon e dançaram a noite toda ao som de punk rock.

A PM foi fundada no fim de 2007 por um pequeno grupo de pessoas com décadas de experiências em publicação, mídia e organização. No início nos esforçamos para criar e distribuir áudios, vídeos e textos radicais lançados através de todas as vias disponíveis e formatos possíveis. Fiel a uma variação do nosso nome, “Print Matters” (Matérias Impressas), somos tendenciosos a favor de livros impressos como o melhor formato para transmitir ideias sobre mudança social.

PM Press nunca teve um bestseller no [jornal] New York Times, e você nunca vai achar uma resenha sobre algum de nossos livros em suas páginas. Não faz parte da equação financeira para pequenas publicações alcançar o mainstream vendendo milhões de cópias por cada títulos, mesmo que tenhamos vendido milhões de livros no total, um de cada vez, cara a cara.

Eventos como feira de livros anarquistas e a existência de livrarias radicais são extremamente necessários para expor o trabalho da PM pelo mundo. Nós organizamos, promovemos ou participamos de 370 eventos de autores e 200 exposições de mesas em 2017, por conta própria. A PM é, atualmente, gerenciada por uma equipe de 10 pessoas; a maioria espalhada pela Costa Oeste, outros trabalhando em Rockies, Appalachia, New England, Montreal e no Reino Unido. Após anos de trabalho voluntário, somos capazes de pagar salários produzindo 30 títulos a cada ano, por meio de grandes vendas, ultrapassando um milhão de dólares. E assim como a [revista-jornal] Fifth Estate, PM acaba de celebrar seu 400º lançamento.

Existe uma redução no número de pessoas interessadas nos textos anarquistas históricos em 2018, que há tempos vem sendo líderes do movimento. Enquanto o anarquismo é um tópico de estudo intelectual e debate nas universidades, um discurso desfalcado também ocupa lugar por além das comunidades pobres e da classe trabalhadora que estimularam o movimento nos séculos 19 e 20.

Um dos nossos trabalhos como editores anarquistas, é introduzir a política histórica do anarquismo – auto-organização ativa, promoção da igualdade, oposição a hierarquia, o Estado, e organizações religiosas – nos movimentos, meios e mídias. O anarquismo está sempre do lado do oprimido. Nunca deseja o respeito do mainstream.

Temos um leque grande o suficiente para fazermos parte de discussões com diferentes culturas e experiências, de presos políticos a roqueiros punks, cientistas sociais a cartunistas.

Entre nossos bestsellers, estão livros como Sisters of the Revolution: A Feminist Speculative Fiction Anthology, o colorido Understanding Jim Crow: Using Racist Memorabilia to Teach Tolerance and Promote Social Justice, e o livro de história da Virginia Ocidental Gun Thugs, Rednecks, and Radicals, tapa as lacunas entre os apoiadores das publicações anarquistas, aqueles envolvidos com ativismo de justiça social de base, escritores profissionais e educadores fazendo seus melhores trabalhos em suas áreas.

Com o ritmo em que os editores independentes trabalham, vender 3 mil cópias por ano faz dele um bestseller. No entanto, um conjunto único de literaturas anarquistas, incluindo obras sobre a CNT na Revolução Espanhola, coleções do trabalho do filósofo alemão, Gustav Landauer, e livros dos ativistas britânicos Stuart Christie ou Colin Ward, talvez, não vendam 100 edições ao todo.

Muitos dos problemas atuais em ser um editor independente são os mesmos de décadas atrás. Os custos da produção de um livro – papel, frete, armazenamento, propaganda, distribuição – são preocupações do cotidiano. E poucos querem fazer o trabalho sem glamour e fisicamente exigente de armazenagem, ou gastar anos aprendendo habilidades altamente detalhadas de revisão, indexação e design de livros para projetos que raramente vão gerar lucros.

Entretanto, incontáveis escritores, artistas e ativistas enviam mais manuscritos e propostas do que a PM poderia publicar. Se uma dezena de editores independentes se juntassem para publicar esses textos, em todos os formatos e gêneros, eles teriam muito trabalho pela frente.

Livros antiautoritarismo atrai atenção no movimento anarquista moderno, mas construir alternativas eficientes para o capitalismo é o que devemos fazer, e não apenas lançar livros. As ideias e os exemplos nesses livros devem inspirar os criadores de bibliotecas comunitárias, grupos de cultivo e compartilhamento de comida, lares de cuidados para crianças e idosos não capitalistas, associações de apoio a presidiários – e claro, eventualmente, revoluções.

Veja livros e camisetas da PM em pmpress.org

Craig O’Hara, cofundador da PM Press, passou 25 anos editando e vendendo livros radicais para lojas, em feira de livros, conferências, shows de rock, mercados de pulgas e encontros anarquistas.
Tradução: Lucas Insuela

agência de notícias anarquistas-ana
A cada dia
um renascer mais profundo
agarra-se à vida
António Barroso Cruz

The Fifth Estate | Verão de 2018
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/17/eua-pm-press-dez-anos-de-molotovs-literarios/

Fazendo a limpa - Jota Camelo

Fonte: https://caviaresquerda.blogspot.com/
https://apoia.se/jotacamelocharges

"Ponte para o futuro"? @MichelTemer levou os trabalhadores ao abismo social! Desemprego, precarização do trabalho, inflação e insegurança são algumas das palavras que marcam o projeto de Temer para o País - por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

O Estado Assassino Judeu e seu eterno genocídio contra os Palestinos de Gaza – por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

RJ – Chamado Global de Solidariedade e Luta – por A.N.A.

RJ – Chamado Global de Solidariedade e Luta.
14 de Agosto, dia internacional de apoio aos 23 ativistas condenados no Rio de Janeiro, em defesa do direito de manifestação, por todas e todos que lutam”

Convocamos todos os movimentos sociais, organizações populares e revolucionárias, sindicatos, movimentos estudantis, grupos de defesa dos direitos humanos, intelectuais progressistas e demais setores da sociedade civil para organizarem ações simultâneas nesse grande dia de solidariedade e luta, contra a criminalização dos movimentos sociais e em defesa do direito de manifestação.
Sugestões de ação:

– Manifestações de rua nas embaixadas ou consulados brasileiros nos países (se possível a entrega de memorandos repudiando a perseguição política aos 23).
– Debates, palestras contra a criminalização da luta em universidade e escolas.

– Colagem de cartazes, panfletagens de apoio aos 23.
– Faixas nos locais de estudo, trabalho ou moradia de apoio aos 23.

– Segurar cartazes e postar nas redes sociais de apoio aos 23 e por todas e todos que lutam.
Sugerimos que cada país ou cidade traga em conjunto com a pauta dos 23, os debates a respeito da criminalização dos que lutam em suas localidades! Temos exemplos de prisões e perseguições políticas em todas as partes do mundo, sendo o exemplo mais recente da jovem palestina Ahed Tamimi que durante seis meses demonstrou exemplo de bravura e firmeza ao não se dobrar frente a prisão.

Toda e qualquer ação de apoio é bem-vinda!
Vamos mostrar que os 23 não estão sozinhos!

Esse ataque representa uma ataque a todas e todas que lutam em diversas partes do globo! Nossa luta é classista e internacionalista!
Registre suas ações de apoio! Estaremos postando durante todo o dia as manifestações vindas das mais diversas localidades! Mande sua foto ou vídeo para:



Para mais informações acesse:
https://cebraspo.blogspot.com/2018/07/manifestacoes-de-repudio-sentenca-dos-23.html?m=1


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agência de notícias anarquistas-ana

Era rio
agora na avenida
rio da vida

Alice Ruiz
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/10/rio-de-janeiro-rj-chamado-global-de-solidariedade-e-luta/

Se você acha que tá frio aí dentro da sua casa, imagine lá fora... por Latuff

Fonte: https://twitter.com/LatuffCartoons

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O criminoso – por A.N.A.

O criminoso
#Eleições2018Nãovote!

És tu o criminoso, ó Povo, já que és tu o Soberano. És, é verdade, o criminoso inconsciente e ingénuo. Votas e não vês que és vítima de ti mesmo.

Contudo, não reparaste ainda por experiência própria que os deputados, que prometem defender-te, como todos os governos do mundo presente e passado, são mentirosos e impotentes?

Sabe-lo e queixas-te disso! Sabe-lo e nomeia-los! Os governantes, quaisquer que sejam, trabalharam, trabalham e trabalharão pelos seus interesses, pelos das suas castas e das suas súcias.

Onde foi e como poderia ser de maneira diferente? Os governados são subalternos e explorados: conheces algum que o não seja?

Enquanto não tiveres compreendido que só a ti cabe produzir e viver à tua maneira, enquanto suportares – por medo – e fabricares – por crença na autoridade necessária – chefes e directores, fica também a sabê-lo, os teus delegados e os teus amos viverão do teu labor e da tua patetice. Queixas-te de tudo! Mas não és tu o autor das mil chagas que te devoram?

Queixas-te da polícia, do exército, da justiça, das casernas, das prisões, das administrações, das leis, dos ministros, do governo, dos financeiros, dos especuladores, dos funcionários, dos patrões, dos padres, dos proprietários, dos salários, dos desempregados, do parlamento, dos impostos, dos fiscais da alfândega, dos possuidores de rendimentos, da carestia dos víveres, das rendas dos prédios rústicos e urbanos, dos longos dias de trabalho na oficina e na fábrica, da magra ração, das privações sem conta e da massa infinita das iniquidades sociais.

Queixas-te, mas queres a manutenção do sistema em que vegetas. Revoltas-te, por vezes, mas para recomeçar sempre no mesmo. És tu que produzes tudo, que lavras e semeias, que forjas e teces, que amassas e transformas, que constróis e fabricas, que alimentas e fecundas!

Porque não consomes até à saciedade? Porque és tu o mal vestido, o mal alimentado, o mal abrigado? Sim, porque és o Zé Ninguém sem pão, sem sapatos, sem morada? Porque não és o senhor de ti mesmo? Porque te curvas, obedeces, serves? Porque és tu o inferior, o humilhado, o ofendido, o servidor, o escravo?

Elaboras tudo e nada possuis? Tudo é por ti e tu nada és.

Engano-me. És o eleitor, o maníaco do voto, o que aceita o que é; o que, pelo boletim de voto, sanciona todas as misérias; o que, ao votar, consagra todas as suas servidões.

És o criado voluntário, o doméstico amável, o lacaio, o serviçal, o cão que lambe o chicote, que rasteja diante do pulso teso do dono. És o chui, o carcereiro e o bufo. És o bom soldado, o guardaportão modelo, o locatário benévolo. És o empregado fiel, o servidor dedicado, o camponês sóbrio, o operário resignado com a sua própria escravatura. És o carrasco de ti mesmo. De que te queixas?

És um perigo para nós, homens livres, para nós, anarquistas. És um perigo de igual modo que os tiranos, os senhores que crias para ti próprio, que nomeias, que apoias, que alimentas, que proteges com as tuas baionetas, que defendes com a tua força de bruto, que exaltas com a tua ignorância, que legalizas com os teus boletins de voto – e que nos impõem com a tua imbecilidade.

És bem o Soberano que bajulam e levam à certa. Os discursos lisonjeiam-te. Os cartazes prendem-te a atenção; gostas das parvoíces e que te façam a corte: satisfaz-te, enquanto aguardas que te fuzilem nas colónias, te massacrem nas fronteiras, à sombra ensanguentada da tua bandeira.

Se línguas interesseiras lambem à volta da tua real bosta, ó Soberano!; se candidatos sedentos de posições de chefia e atafulhados de banalidades escovam o espinhaço e a garupa da tua autocracia de papel; se te embriagas com as lisonjas e as promessas que te vertem os que sempre te traíram, te enganam e vender-te-ão amanhã: é porque te pareces com eles. É porque não vales mais que a horda dos teus famélicos aduladores. É porque, não tendo podido elevares-te à consciência da tua individualidade e da tua independência, és incapaz de te emancipar por ti mesmo. Não queres, portanto, não podes ser livre.

Vamos, vota bem! Tem confiança nos teus mandatários, acredita nos teus eleitos.

Mas deixa de te queixar. Os jugos que suportas, és tu mesmo que tos impões. Os crimes de que padeces, és tu que os cometes. És o senhor, és o criminoso e, ó ironia!, és o escravo, és a vítima.

Nós, saturados da opressão dos amos que nos dás, saturados de suportar a sua arrogância, saturados de suportar a tua passividade, vimos chamar-te à reflexão, à acção.

Vamos, tem um bom movimento: despe o hábito estreito da legislação, lava o teu corpo rudemente, a fim de que rebentem os parasitas e a bicharia que te devoram. Só então poderás viver plenamente.

O CRIMINOSO É O ELEITOR!

Albert Libertad, Proclamação do jornal “L´anarchie”, Março de 1906

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/06/11/o-que-e-o-governo/
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/06/08/elisee-reclus-nao-vote-aja/

agência de notícias anarquistas-ana

Minha voz
Torna-se vento —
Coleta de cogumelos.

Shiki

Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/06/o-criminoso/

OS EUA devem melhorar as relações com a Rússia e desafiar a expansão da NATO - Por Democracy Now, EUA

OS EUA devem melhorar as relações com a Rússia e desafiar a expansão da NATO.
Nesta entrevista dada à Democracy Now, Noam Chomsky reflete sobre um encontro realizado em Helsínquia entre Putin e Trump, as alterações climáticas e a nova lei "estado-nação judaico" de Israel
O presidente russo, Vladimir Putin, convidou o presidente Trump para Moscovo poucos dias depois de a Casa Branca ter adiado uma reunião planeada entre os dois líderes em Washington antes das eleições a meio do mandato. O convite para Moscovo foi feito depois da reunião entre Trump e Putin em Helsínquia, Finlândia, no início deste mês. Para saber mais sobre as relações entre os EUA e a Rússia, falámos com o renomado dissidente político, autor e linguista Noam Chomsky. É professor laureado do Departamento de Linguística da Universidade do Arizona e professor emérito do Massachusetts Institute of Technology, onde lecionou por mais de 50 anos. Os seus livros mais recentes incluem “Global Discontents: Conversations on the Rising Threats to Democracy” e “Requiem for the American Dream: the Ten Principles of Concentration of Wealth and Power”. Juntou-se a nós de Tucson, Arizona, na semana passada. Perguntei-lhe sobre a recente cimeira Trump-Putin em Helsínquia e falei-lhe da cobertura dos media nos EUA:
ANDERSON COOPER: Temos assistido a uma das performances mais vergonhosas que certamente já vi de um presidente americano numa cimeira com um líder russo.
GEORGE STEPHANOPOULOS: Todos os que estão a assistir poderão contar aos amigos, familiares, filhos, que viram um momento histórico. E pode não ser pelas razões certas.
NORAH O’DONNELL: Este encontro de Helsínquia fica para os livros de história. A recusa do presidente Trump em desafiar o homem forte russo foi condenada de forma generalizada pelos membros do seu próprio partido e da administração. A cimeira que poderia ter sido sobre a condenação dos EUA à Rússia terminou com o presidente Putin a presentear o presidente Trump com uma bola de futebol da Copa do Mundo e Trump a entregar a Putin a sua absolvição.
AMY GOODMAN: Estes foram os comentários de Norah O'Donnell, da CBS, George Stephanopoulos, da ABC News, e Anderson Cooper, da CNN, depois da conferência de imprensa a 16 de julho com Trump e Putin. Perguntei a Noam Chomsky a sua opinião sobre a cimeira de Helsínquia.
NOAM CHOMSKY: Trump tem basicamente um princípio: eu primeiro. Essa é a política dele em quase tudo, e afirmações extravagantes e assim por diante são perfeitamente explicáveis – no pressuposto de que isso é o que o impulsiona. Agora, é crucial, para ele, garantir que a investigação de Mueller seja desacreditada. O que quer que surja, se o implica de alguma forma, o funcionamento dos media e da cultura política, que será considerada de enorme importância, muito mais significativa do que as suas políticas do ambiente que podem destruir a civilização humana. Mas, dadas as circunstâncias altamente distorcidas, ele precisa de garantir que a investigação de Mueller é desacreditada. E essa foi a parte central do seu encontro com Trump. Deixando de lado a maneira como ele se comportava - a bola de futebol, que aparentemente tinha um dispositivo de escuta embutido e assim por diante - sim, isso foi estranho e desagradável e assim por diante.
AMY GOODMAN: Bem, na verdade, aquele mundo - aquela bola de futebol, aquela bola em particular tem aquele pequeno dispositivo, e é assim que é vendida. Era uma bola de futebol da Copa do Mundo, e é isso que é - essa é uma das coisas que as pessoas gostam, poder colocar o iPhone ao lado e obter informações.
NOAM CHOMSKY: Sim, bem, Putin estava a tratar Trump, mais ou menos, com desprezo, seja o que for que pensemos sobre isso. No entanto, a sua principal preocupação era bastante óbvia, e essa foi a questão central dos encontros Putin-Trump. E assim simplesmente não vejo grande significado na sua atuação de uma maneira tola e infantil numa entrevista. Ok, foi assim. Agora vamos para as questões importantes que não estão a ser discutidas. A questão de melhorar as relações com a Rússia é de extrema importância em comparação com as declarações ao dizer: “Bem, não sei se devo confiar nos meus próprios serviços de inteligência”. Disse isso por razões óbvias: desacreditar a investigação sobre Mueller e garantir que a sua base política fervorosamente leal se mantém solidária. Essa não é uma política atraente, mas podemos entender muito facilmente o que ele está a fazer.
AMY GOODMAN: Esses serviços de inteligência… - o ex-diretor da CIA, John Brennan, twittou: “O desempenho de Donald Trump na conferência de imprensa em Helsínquia ultrapassa e excede o limite de 'altos crimes e delitos'. Não foi nada menos do que traição. Não só os comentários de Trump foram imbecis como ele está totalmente no bolso de Putin. Patriotas Republicanos: Onde estão??? Novamente, o tweet do ex-diretor da CIA John Brennan. Noam?
NOAM CHOMSKY: Bem, os seus comentários foram certamente incorretos. O que quer que se pense do comportamento de Trump, não tem nada a ver com altos crimes e delitos ou traição. Isso não é verdade. Mas, novamente, o mesmo ponto que tenho tentado dizer ao longo do tempo, estamos concentrados em questões de menor importância e a deixar de lado problemas de enorme importância e significado, seja pensar como lidar com a imigração ou se estamos a lidar com a questão da sobrevivência da vida humana organizada na Terra. Esses são os tópicos em que deveríamos pensar; não se Trump se comportou mal numa conferência de imprensa.
AMY GOODMAN: Noam Chomsky, queria perguntar-lhe sobre a NATO. O Presidente Trump questionou uma disposição fundamental da aliança militar da NATO: a defesa mútua dos países membros da NATO. Ele fez essa observação durante uma entrevista com o apresentador da Fox News, Tucker Carlson, há apenas uma semana:
TUCKER CARLSON: Porque é que o meu filho deve ir para Montenegro para defendê-lo de ataques? Porquê?
PRESIDENTE DONALD TRUMP: Eu percebo o que você diz. Eu fiz a mesma pergunta. Sabe, Montenegro é um pequeno país com pessoas muito fortes.
TUCKER CARLSON: Sim, eu não sou contra o Montenegro.
PRESIDENTE DONALD TRUMP: Certo.
TUCKER CARLSON: Ou a Albânia.
PRESIDENTE DONALD TRUMP: Não, a propósito, eles são pessoas muito fortes. Eles têm pessoas muito agressivas. Podem ficar agressivos e, parabéns, você está na Terceira Guerra Mundial.
AMY GOODMAN: O Presidente Trump tem questionando toda a ideia da NATO. Bem, pode abordar especificamente isso? Interessante ele escolher o Montenegro, onde, bem, muitos meses atrás, quando ele estava com o G7 e o G8, afastou o primeiro-ministro de Montenegro. O ponto importante é que gostava de saber se pensa que a NATO deve existir.
NOAM CHOMSKY: Essa é a questão crucial; não se Trump fez um comentário feio e humilhante sobre um pequeno país. Mas para que serve a NATO? Desde o início, desde as suas origens, tínhamos metido nas nossas cabeças que o objetivo da NATO era defender-nos das hordas russas. Podemos deixar de lado, no momento, a questão de saber se isso era exato. Em todo o caso, esse foi o tema dominante, na verdade, o tema único. Ok, desde 1991, não há mais hordas russas. Então, a questão é: Porquê a NATO?
Bem, o que aconteceu foi muito interessante. Houve negociações entre George Bush, pai, James Baker, secretário de estado, Mikhail Gorbachev, Genscher e Kohl, alemães, sobre como lidar com a questão - isso foi depois da queda do Muro de Berlim e do início do colapso da União Soviética. Gorbachev fez uma concessão surpreendente. Surpreendente. Ele concordou em permitir que a Alemanha, agora unificada, ingressasse na NATO - uma aliança militar hostil. Basta olhar para a história dos anos anteriores. Somente a Alemanha praticamente destruiu a Rússia, a um custo extraordinário, várias vezes durante o século anterior. Mas ele concordou em permitir que a Alemanha - uma Alemanha rearmada - se juntasse à NATO, uma aliança militar criada para combater a Rússia. Houve um quid pro quo, ou seja, que a NATO - que é basicamente composta pelas forças dos EUA - não se expandisse para Berlim Oriental, para a Alemanha Oriental. Ninguém falou sobre nada para além disso. Baker e Bush concordaram verbalmente. Não escreveram, mas essencialmente disseram: "Sim, nós não vamos" - na verdade, a frase que foi usada foi "nem um centímetro para o leste". Bem, o que aconteceu? A NATO imediatamente foi para a Alemanha Oriental. Sob Clinton, outros países, antigos satélites russos, foram integrados na NATO. Finalmente, a NATO foi tão longe, como mencionei antes, em 2008 e novamente em 2013, que sugeriu que mesmo a Ucrânia, bem no centro das preocupações estratégicas russas – para qualquer presidente russo, não importa quem seja, qualquer líder russo – pudesse aderir à NATO.
Então, o que é que a NATO está a fazer? Bem, na verdade, a sua missão foi alterada. A missão oficial da NATO foi alterada para controlar e salvaguardar o sistema energético global, as rotas marítimas, oleodutos e assim por diante. E, claro, ao mesmo tempo, age como uma força de intervenção dos Estados Unidos. Essa é uma razão legítima para mantermos a NATO, para ser um instrumento para o domínio global dos EUA? Eu acho que é uma questão bastante séria. Essa não é a pergunta que é feita. A pergunta que se faz é se Trump fez algum comentário depreciativo sobre Montenegro. É outro exemplo do que eu disse antes: o foco dos media e da classe política, e da comunidade intelectual em geral, na marginália, negligencia questões cruciais, questões que, literalmente, têm a ver com a sobrevivência humana.
A sobrevivência da vida humana organizada está em risco devido às alterações climáticas e às armas nucleares
Pelo menos oito pessoas morreram na Califórnia devido a incêndios florestais provocados por mudanças climáticas em todo o estado. No total, os bombeiros lutam contra 17 incêndios florestais em toda a Califórnia, atingindo mais de 200 mil hectares e forçando evacuações em massa, inclusive no Parque Nacional de Yosemite. Os incêndios ocorrem no meio de uma onda de fenómenos climáticos extremos em todo o mundo, inclusive na Índia, onde mais de 500 pessoas morreram em consequência de enchentes e fortes chuvas nas últimas semanas. Os cientistas associaram o aumento das inundações e as chuvas às mudanças climáticas.
NOAM CHOMSKY: Não podemos enfatizar o facto de que estamos num momento único da história da humanidade. Na verdade, estamos desde 1945. Em 1945, a história humana mudou drasticamente. Em agosto de 1945, a humanidade demonstrou que a sua inteligência tinha criado um meio de destruir a vida na Terra. Ainda não o tinha em absoluto, mas era óbvio que iria se estender e expandir, como de facto aconteceu.
Alguns anos depois, em 1947, o Bulletin of Atomic Scientists estabeleceu o seu famoso Relógio do Juízo Final. Quão longe estamos da meia-noite para o desastre final? Foi definido para os sete minutos para a meia-noite. Uma vez chegou aos dois minutos para a meia-noite de 1953, quando os EUA e depois a União Soviética detonaram armas termonucleares, que têm a capacidade de essencialmente de destruir a vida. Desde então oscila de várias formas. Já voltámos aos dois minutos para a meia-noite - com um acréscimo:
Não se sabia em 1945 que estávamos a entrar, não apenas na era nuclear, mas numa nova época geológica, a que os geólogos chamam Antropoceno; uma época na qual a atividade humana está a ter efeitos severos e deletérios no ambiente, em que a vida humana e outras não pode sobreviver. Também entrámos no que hoje se chama sexta extinção, uma rápida extinção de espécies, que é comparável à quinta extinção, 65 milhões de anos atrás, quando um asteroide, enorme asteroide, atingiu a Terra.
A World Geological Society foi finalmente fundada no fim da Segunda Guerra Mundial com o início do Antropoceno e a forte escalada e destruição acentuadas do meio ambiente; não apenas o aquecimento global, o dióxido de carbono, outros efeitos dos gases de estufa, mas também questões com o plástico nos oceanos que se prevê tenha maior peso no mar do que o peso dos peixes, num futuro não muito longínquo.
Portanto, estamos a destruir o ambiente para a vida humana organizada. Estamos a contribuir para um desastre terminal com confrontos nucleares regulares. Qualquer pessoa que tenha olhado para os registos, que são chocantes, teria de concluir que é um milagre termos sobrevivido tanto tempo. Seres humanos, neste momento, esta geração, pela primeira vez na história, tem que perguntar: “A vida humana sobreviverá?”. E não num futuro distante - as sociedades organizadas? - essas são as questões com as quais nos devemos preocupar. Tudo o mais é insignificante em comparação com isto.
E voltemos outra vez para NATO; o que está a fazer? Expandiu-se para a fronteira russa. Se der uma olhadela nas políticas do Trump de um ponto de vista geoestratégico, elas são totalmente incoerentes. Quer dizer, por um lado, ele está a ser simpático com Vladimir Putin, por outro, aumenta as ameaças contra a Rússia e, consequentemente, para nós mesmos. Armas para a Ucrânia, grave ameaça para a Rússia. Ao aumentar as forças na fronteira russa, fazem com que os russos façam o mesmo. Manobras militares, o novo programa nuclear que instituiu, que é uma grave ameaça para Rússia e, de facto, para o mundo.
Já sob Obama, os programas de modernização tinham atingido um nível em que representavam uma ameaça literal de primeiro ataque à Rússia. Trabalhos importantes sobre isso têm aparecido nas revistas científicas, Bulletin of Atomic Scientists. Trump está a intensificá-lo, ao modernizar ainda mais forças extremamente perigosas, diminuindo também significativamente o limiar para a guerra nuclear; também novas armas, que são armas nucleares supostamente táticas, que, como qualquer estrategista nuclear pode dizer, são apenas incentivos para a escalada para um desastre final. Essas são enormes ameaças contra a Rússia, para nós também, agora combinadas com sermos educados com Putin numa conferência de imprensa. Geoestrategicamente não faz sentido.
AMY GOODMAN: Trump foi atrás dos aliados da NATO, desde a Grã-Bretanha até à Alemanha e, antes disso, Macron na França, bem como Trudeau no Canadá. Mas também, enquanto questiona a NATO, diz que o está a fazer porque quer simplesmente que gastem mais e, na verdade, nomeou os fabricantes de armas nos Estados Unidos para gastarem mais, chegando a dizer que deveriam usar 4% dos seus orçamentos em armas. Pode comentar?
NOAM CHOMSKY: Por outras palavras: na minha opinião é que nada disso faz sentido; se estivermos à procura de uma estratégia séria por trás, estamos à procura no lugar errado. Não é isso que está por trás disto. Nada disso faz sentido do ponto de vista estratégico. Nenhum. É tudo contraditório, incoerente e assim por diante. Isso deve dizer-nos algo: vamos procurar noutro lado. E tudo faz sentido no pressuposto de que ele é impulsionado por uma preocupação esmagadora: ele mesmo. Tudo isso tem sentido para um megalomaníaco que quer se certificar de que tem poder, tem riqueza, tem de apelar para um número de círculos eleitorais para se certificar de que é apoiado.
Estabelecer um eleitorado extremamente robusto: expandir a NATO, construir o sistema militar, modernizar as armas nucleares e assim por diante. OK, ele tem-nos no bolso. O eleitorado crucial e atual é o setor corporativo e os super-ricos. E ele está apenas a dar-lhes presentes. Enquanto ele está a atacar os media- os media estão a ajudá-lo, concentrando-se nele - os seus apaniguados no Congresso estão a realizar um simples roubo. Quero dizer, é inacreditável, se der uma olhadela ponto por ponto. Já mencionei alguns exemplos antes.
Então ele tem de manter uma base de votação; caso contrário está fora. E ele faz isso fingindo: "Eu vou confrontar a NATO, fazê-los pagar mais, então eles não vão continuar a roubar-nos." Ótimo. "Eu vou enfrentar a China: parem de roubar a nossa propriedade intelectual.” Ótimo. "Vou pôr tarifas em todo mundo. Estou a defender-vos, aos vossos direitos de trabalhadores.” Ponto por ponto, tudo se encaixa. E eu acho que é basicamente o que está a acontecer. Essa busca por alguma geoestratégica coerente por trás disso é quase impossível. Existem algumas coisas, claro. O esforço para construir uma aliança dos estados mais reacionários do Médio Oriente contra o Irão - Arábia Saudita, Israel, Emirados Árabes Unidos, Egito, sob a ditadura - é uma estratégia louca, mas coerente.
Devo dizer que um corolário da doutrina do "eu primeiro", que tem sido observado repetidas vezes, é que se Obama fez algo, “eu tenho de fazer o oposto”, não importa o que seja. Não importa quais são as consequências. “Caso contrário, não sou um presidente transformador, um presidente significativo”.
Noam Chomsky condena a mudança de Israel para a extrema direita e a nova lei “estado-nação judaico”
Israel aprovou uma lei amplamente condenada que define Israel como o estado-nação do povo judeu e dá aos judeus o direito exclusivo à autodeterminação. Também declara o hebraico como a única língua oficial do país e encoraja a construção de colónias judaicas no território ocupado como um “valor nacional”. A lei foi condenada internacionalmente e houve acusações de que Israel legalizou o apartheid.
AMY GOODMAN: Vou agora perguntar-lhe sobre a passagem da nova lei em Israel que o define como o estado-nação do povo judeu e lhe dá o direito exclusivo de autodeterminação. A lei também declara o hebraico como a única língua oficial do país e encoraja a construção de colónias judaicas no território ocupado como um “valor nacional:
PRIMEIRO MINISTRO BENJAMIN NETANYAHU: Este é um momento decisivo nos anais do sionismo e na história do estado de Israel. Vamos continuar a garantir os direitos civis na democracia de Israel. Esses direitos não serão prejudicados. Mas a maioria também tem direitos, e a maioria decide. A maioria absoluta quer garantir o caráter judaico do nosso estado para as próximas gerações.
AMY GOODMAN: Pode falar sobre essa nova lei, Noam Chomsky?
NOAM CHOMSKY: Sim. Em primeiro lugar, uma ligeira correção: as colónias totalmente judaicas autorizadas estão em Israel. Não é sequer uma questão relativa aos territórios ocupados. São todas assim. Estão dentro de Israel.
Então, sim, a nova lei muda a situação existente, mas não tanto quanto está a ser reivindicado. O que a nova lei determina já está praticamente em vigor há muito tempo. A lei volta às leis do território de 1960 que o Tribunal Superior israelita estabeleceu e definiu: "Israel é o estado soberano do povo judeu" - todo o povo judeu, mas não os seus cidadãos, apenas os judeus. Isso foi há 60 anos. As leis do território foram estabelecidas de tal maneira que, como foi reconhecido na época internamente em Israel, não fora, as terras do estado estariam efetivamente sob a administração do Fundo Nacional Judaico. Uma série de práticas legais e administrativas foram criadas para dar essa garantia. Se está interessada em detalhes, escrevi sobre isso detalhadamente há 30 anos num livro chamado Towards a New Cold War. Mas, basicamente, uma complexa matriz foi criada para garantir que o Fundo Nacional Judaico estaria no controle das terras do Estado. Isso equivale a mais de 90% do território do país.
Qual é a missão do Fundo Nacional Judaico? Bem, tem um contrato com o estado de Israel que determina que a sua missão é trabalhar para o benefício - estou a citar - de pessoas “de raça, religião ou origem judaica”. OK, o que é que se espera disto? O que se espera é que 92% a 93% das terras do país sejam efetivamente reservadas para pessoas de raça, religião e origem judaicas. E foi isso que aconteceu.
Isto finalmente chegou aos tribunais, ao tribunal Supremo de Israel, no ano de 2000. Uma associação de liberdades civis em Israel trouxe um caso. Os queixosos eram um casal árabe, um casal árabe profissional, que queria comprar uma casa numa colónia judaica, a colónia de Katzir, que era, como na maior parte do país, só para judeus. O tribunal finalmente decidiu a seu favor, numa decisão muito restrita.
Quase imediatamente, começaram os esforços a tentar descobrir uma maneira de contornar a situação, de várias maneiras. E a nova lei simplesmente é isso que faz, diretamente. Autoriza todas as colónias judaicas em Israel, o que significa cerca de 90% do país. Se olharmos para o desenvolvimento das colónias ao longo dos anos - isso é discutido num artigo importante do escritor israelita Yitzhak Laor numa edição recente do Haaretz - eu escrevi sobre isso num post aqui em Truthout - ele aponta que 700 colónia todo-judaicas foram criadas, sem nenhuma participação árabe. Os palestinianos árabes estão confinados a cerca de 2% do território, muitos deles expulsos de lá.
Portanto, é formalizado o que foi praticado de maneiras complexas. O árabe deixa de poder de ser uma língua oficial. São aprimoradas práticas passadas introduzindo-as na que é hoje chamada Lei Básica, que é efetivamente a constituição. Sim, essas são mudanças, mas menos dramáticas do que a forma como são retratadas, não porque sejam formas adequadas, mas porque sempre foi assim de uma forma ou de outra.
Aliás, isso não deve ser muito estranho para os americanos. Olhemos para a habitação – assunto que foi recentemente discutido por [Richard] Rothstein, num livro interessante. Se você olhar para os programas habitacionais do New Deal, eles foram legal e explicitamente direcionados para garantir projetos somente brancos, cidades somente brancas. É por isso que as cidades que surgiram nos anos 1950, como Levittown, eram 100% brancas. Vários requisitos legais foram introduzidos para que isso fosse garantido. Este é o New Deal. E não estamos a falar sobre o Sul Profundo, embora, é claro, eles o tenham influenciado.
Isso não mudou até o final dos anos 60. E nessa altura, já era tarde demais para beneficiar os afro-americanos. A razão foi por causa de mudanças económicas gerais nos anos 50 e 60 que foi um período de grande crescimento nos Estados Unidos, proporcionando pela primeira vez, em centenas de anos de história, 400 anos de história, que os afro-americanos tivessem algum tipo de hipóteses de entrar na sociedade convencional. Mas eles foram impedidos da habitação, por meios legais. No momento em que esses meios legais foram desmantelados, estávamos a entrar no início do período neoliberal de estagnação e declínio, por isso não lhes fez nenhum bem. Esse é outro capítulo da feia história do racismo americano.
Então, não deveríamos ficar muito surpreendidos com o que está a acontecer em Israel, que é muito feio e faz parte da mudança do país para a direita, e que foi previsto em 1967, previsto logo de caras: a ocupação seria levar o país para a direita. Quando se tem a bota no pescoço de alguém, não é bom para a sua psique. E acho que estamos a ver isso acontecer.
Israel está bem ciente disso, aliás. Analistas políticos israelitas têm apontado há alguns anos que Israel devia preparar-se para um período em que vai perder o apoio de setores do mundo que têm alguma preocupação com os direitos humanos e o direito internacional, e deveria estar a voltar-se para alianças com os países que simplesmente não se importam com isso. Digamos que a Índia, sob o recente governo ultranacionalista de Modi, compartilha com Israel o movimento em direção ao ultranacionalismo, à repressão, ao ódio ao Islão; a China não presta atenção a essas coisas; Singapura; Arábia Saudita; Emirados Árabes Unidos.
E podemos ver isso acontecer nos Estados Unidos também. Não há muito tempo, Israel era o queridinho absoluto da América liberal. Isso mudou. Agora, até entre os democratas autoidentificados há mais apoio aos palestinianos do que a Israel. O apoio a Israel nos Estados Unidos mudou para a direita ultranacionalista e para os evangélicos, que, pelas razões erradas, apoiam as ações israelitas, com alguma paixão, de facto, enquanto ao mesmo tempo muitos deles apegam-se a doutrinas em que afirmam que a segunda vinda de Cristo, que é iminente, levará a uma série de eventos que terminarão com os judeus a ser enviados para a perdição eterna. Isso ao mesmo tempo que apoiam as ações israelitas. E é por isso que a base do apoio israelita nos Estados Unidos mudou para a ala direita do Partido Republicano. E isso está a acontecer no mundo inteiro.
No meio da repressão mortal de Israel aos protestos em Gaza, Chomsky diz que os EUA devem acabar com o apoio aos "assassinos".
Em Gaza, milhares de pessoas reuniram-se no sábado para o funeral de Majdi al-Satari, de 11 anos, que morreu depois de baleado na cabeça por um atirador israelita na sexta-feira em protestos perto do muro de separação com Israel. Moumin al-Hams, de 17 anos, e Ghazi Abu Mustafa, de 43 anos, também foram baleados e mortos por atiradores israelitas nos protestos. No total, soldadas israelitas mataram pelo menos 150 palestinianos desde o início dos protestos não violentos da Grande Marcha do Retorno, a 30 de março.
AMY GOODMAN: Vamos falar da situação em Gaza. O ministro da Segurança Interna de Israel, Gilad Erdan, disse na quinta-feira que Israel poderia lançar outra operação militar em larga escala contra a Faixa de Gaza. Isto ocorre após a violenta repressão de Israel aos protestos pacíficos em Gaza de março a maio, quando as forças israelitas mataram mais de 136 palestinianos e feriram mais de 14.000. Falei com o médico palestino-canadense Tarek Loubani, que foi baleado pelas forças israelitas em ambas as pernas enquanto ajudava a tratar os palestinianos feridos pelas forças israelitas durante a Grande Marcha de Retorno não violenta. Era 14 de maio, uma segunda-feira. Perguntei ao Dr. Loubani - logo depois de ter sido baleado se sentiu que foi um alvo.
DR. TAREK LOUBANI: Eu não sei a resposta. Não sei quais ordens que eles receberam ou o que estava nas suas cabeças, por isso não posso dizer se fomos deliberadamente atingidos. O que eu posso dizer é o que sei. Nas seis semanas da marcha não houve vítimas de paramédicos. E num dia, 19 paramédicos - 18 feridos mais um morto - e eu estávamos todos feridos; foram todos alvejados com munição real. Éramos todos - Musa estava realmente num resgate na altura, mas toda a gente com quem conversei era como eu. Estávamos fora durante uma trégua, sem fumo, sem nenhum caos, e fomos alvejados e atingidos por munições reais, a maioria de nós nos membros inferiores. Assim, é muito, muito difícil acreditar que os israelitas que atiraram sobre mim e sobre os outros colegas - apenas da nossa equipe médica, quatro de nós foram baleados, incluindo Musa Abuhassanin, que faleceu - não sabiam quem nós éramos, que não sabiam o que estávamos ali a fazer e que eles estavam direcionados para qualquer outra coisa.
AMY GOODMAN: Então, mais tarde, no mesmo dia, 14 de maio, o homem de quem o Dr. Loubani falava, o paramédico Musa Abuhassanin, foi baleado e morto pelas forças israelitas. Foi baleado no peito. O Dr. Loubani twittou uma foto legendada: “Uma foto assombrosa, sexta-feira, 11 de maio. À esquerda: Mohammed Migdad, baleado no tornozelo direito. Hassan Abusaada. Tarek Loubani, baleado na perna esquerda e joelho direito. Moumin Silmi. Youssef Almamlouk. Musa Abuhassanin, baleado no tórax e morto. Voluntário desconhecido. Fotógrafo: baleado e ferido.” E mostrou esta fotografia, que achava que seria para um álbum de recortes, e percebeu que estes eram alguns dos últimos dias de suas vidas. O que está acontecendo em Gaza agora, na sua perspetiva, Noam?
NOAM CHOMSKY: Podemos acrescentar a essa lista a jovem palestiniana, uma médica, que foi assassinada por um franco-atirador, longe da chamada fronteira, quando cuidava de um paciente ferido. Sim, é horrivelmente feio.
Mas há um pano de fundo, como sempre. O pano de fundo crucial é que os israelitas - esse domínio israelita em Gaza, que reduziu a vida à mera sobrevivência, chegou a um ponto em que as Nações Unidas, outros analistas preveem que até ao ano 2020, Gaza será literalmente inabitável. São 2 milhões de pessoas, metade delas crianças, enjauladas numa prisão, cuidadosamente controladas, com restrições selvagens à alimentação e a qualquer coisa que lhes chegue, ao ponto de os pescadores serem mantidos perto da costa para não poderem pescar, os esgotos foram destruídos, as centrais elétricas foram atacadas.
O programa oficial - oficial - era manter Gaza no que era chamada uma dieta, o suficiente para simplesmente sobreviver. Não parece bem se todos morrerem de fome. Observe que este é um território ocupado, o que é reconhecido até pelos Estados Unidos, por todos menos Israel. Então, aqui está uma população mantida numa prisão, num território ocupado, alimentada com uma dieta para mantê-los numa mera sobrevivência , constantemente usada como um saco de pancada para o que se chama a si próprio o exército mais moral do mundo, agora a chegar a um ponto onde dentro de alguns anos será inabitável e além disso com atos sádicos, como atiradores altamente treinados a matar uma jovem médica palestiniana quando ela está a cuidar de um paciente, e o que o médico acabou de descrever.
E o que fazemos com isto? Nós realmente reagimos. Os Estados Unidos reagiram. E reagiram cortando drasticamente o financiamento para a única organização, a UNRWA, organização da ONU, que mantém a população dificilmente viva. Essa é a nossa resposta, juntamente com, é claro, o apoio esmagador a Israel, fornecendo as armas, o apoio diplomático e assim por diante. Um dos mais extraordinários escândalos, se é a palavra certa, no mundo moderno.
Podemos fazer alguma coisa? Claro, claro que podemos. Gaza deveria ser um próspero paraíso mediterrânico. Tem uma localização maravilhosa, tem recursos agrícolas, pode ter praias maravilhosas, pesca, recursos marinhos, até tem gás natural no mar, que não é permitido usar. Então, há muito que pode ser feito. Mas nós - os EUA preferimos, repetidamente em todas as administrações, - mas muito pior agora - como sempre, apoiar os assassinos.
AMY GOODMAN: Noam, Israel ameaça outro ataque a Gaza, como o que chamaram de Operação de Proteção em 2014, quando mataram mais de 2.000 pessoas, em que cerca de um quarto desse número eram crianças.
NOAM CHOMSKY: Sim, estão a ameaçar. Se der uma olhadela aos registos, não há tempo para falar sobre isso agora, há um livro maravilhoso que acaba de ser publicado. O livro de Norman Finkelstein, Gaza, sobre o martírio de Gaza, é um estudo definitivo sobre isso. Mas o que aconteceu desde 2005 é bem evidente. Quer dizer, a história anterior é suficientemente feia.
Mas em 2005, Ariel Sharon e outros falcões israelitas reconheceram que não fazia sentido manter alguns milhares de colonos judeus a colonizar ilegalmente Gaza, usando a maior parte dos seus recursos e dedicando uma grande parte do exército israelita a protegê-los. Isso era totalmente sem sentido. Então, decidiram transferi-los das sua colónias ilegais e subsidiadas em Gaza para colónias ilegais e subsidiadas em áreas que Israel queria manter, na Cisjordânia, nas colinas de Golã.
Foi enquadrado como um evento traumático, mas isso foi uma jogada para a opinião mundial. Foi basicamente uma piada. Eles poderiam ter feito isso facilmente. E eles sairiam, e a isso chamaram retirada. Mas eles permaneceram sob a total ocupação israelita, apenas que o exército não estava dentro de Gaza. Estava a controlar do lado de fora. Houve um acordo alcançado em novembro de 2005 entre os palestinianos e Israel com um cessar fogo, sem violência, abrindo o porto de Gaza, reconstruindo o aeroporto que Israel destruiu, abrindo a fronteira para que houvesse fluxo livre com Israel e Egito e assim por diante. Esse acordo durou duas semanas, em novembro.
Em janeiro, os palestinianos cometeram um grande crime: fizeram umas eleições livres, reconhecidas como livres e justas, apenas uma no mundo árabe. Mas o resultado saiu da maneira errada. As pessoas erradas ganharam: o Hamas. Israel, imediatamente, aumentou a violência, aumentou o cerco, aumentou a repressão contra Gaza, impôs a dieta. Os EUA reagiram com o procedimento operacional padrão: começaram a organizar um golpe militar. O Hamas antecipou o golpe militar, que foi um crime ainda maior. A violência, a violência dos EUA e Israel, aumentou. A selvageria do cerco aumentou e assim por diante.
Então a coisa continua assim. Repetidamente, há um episódio a que Israel chama cortar a relva. Esmagá-los. Eles estão indefesos, claro. Então, há um acordo alcançado, que o Hamas aceita e cumpre. Israel viola-o constantemente. Finalmente, uma escalada israelita da violação leva a uma resposta do Hamas que Israel usa como pretexto para o próximo episódio de cortar a relva. Eu analisei isso. Norman Finkelstein analisou isso no seu livro. Outros também já o fizeram. Essa é a história desde 2005.
Então, sim, pode haver outro (ataque). Mas agora estamos a chegar a um ponto quase terminal. Repito, espera-se que a Faixa de Gaza, devastada de forma tão violenta ao longo dos anos, se torne literalmente inabitável. Agora, existem maneiras de lidar com isso. Não é preciso um cientista brilhante para descobrir isso. É bem óbvio.
AMY GOODMAN: E, Noam, a solução que você diz é muito evidente e simples?
NOAM CHOMSKY: Muito evidente. Cumprir os termos do acordo de novembro de 2005. Permitir que Gaza se reconstrua. Abrir os pontos de acesso para Israel e Egito. Reconstruir o porto marítimo que foi destruído. Reconstruir o aeroporto que Israel destruiu. Permitir a reconstrução das centrais elétricas. Deixá-los tornar-se um território florescente no Mediterrâneo. E, claro, permitir: lembre-se de que os famosos Acordos de Oslo exigiam, explicitamente, que a Faixa de Gaza e a Cisjordânia fossem um território unificado e que a sua integridade territorial fosse mantida. Israel e os Estados Unidos reagiram imediatamente separando-os. ok? Isso também não é uma lei da natureza. Direitos nacionais palestinianos podem ser alcançados, se os EUA e Israel estiverem dispostos a aceitar isso.
Originalmente publicado em democracynow.org. 
Artigo traduzido por Paula Cabeçadas para Esquerda.Net