Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/41006/charge+do+latuff+grecia+fecha+acordo+com+credores+europeus.shtml
terça-feira, 14 de julho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Escândalo: o lobby das petroleiras que se transformou em projeto de lei – por Antonio Lassance
Escândalo: o lobby das petroleiras que se transformou em projeto de lei
Plano do lobby das petroleiras estrangeiras revelado pelo
Wikileaks mostra o entreguismo de José Serra: senador quer dar de bandeja o
pré-sal.
Entreguismo juramentado
O senador José Serra (PSDB-SP) transformou interesses do lobby das petroleiras
estrangeiras em projeto de lei. Com o apoio de vários congressistas, conseguiu
aprovar requerimento de urgência para que o projeto seja votado o quanto antes.
A proposta (Projeto de Lei do Senado 131/2015) permite excluir a Petrobrás do pré-sal e deixar a exploração do petróleo brasileiro exclusivamente por conta de empresas estrangeiras.
Na justificativa de seu projeto, ruge e urge o Senador:
“Torna-se imprescindível então a revogação da participação obrigatória da estatal no modelo de exploração de partilha de produção, bem como da condicionante de participação mínima da estatal de, ao menos, 30% da exploração e produção de petróleo do pré-sal em cada licitação.”
O entreguismo sequer nos poupou do sarcasmo. Bafeja que a permissão para excluir a Petrobras é para "ajudá-la" nesse momento difícil. O empurrãozinho é para tirá-la do jogo. Os campos podem vir a ser explorados com 100% de participação estrangeira e zero de presença da empresa brasileira.
Para os setores nacionalistas, a participação, mesmo que minoritária (30% da Petrobrás, no mínimo, e até 70% de outras empresas), é considerada essencial para se ter um mínimo controle sobre o real volume de Petróleo extraído, além do domínio fundamental que a Petrobrás exerce sobre a tecnologia de extração.
O regime de partilha também garante o conteúdo nacional que alimenta uma ampla rede de empresas brasileiras relacionadas direta ou indiretamente à economia do petróleo e gás. A mudança nas regras do jogo pode tirar de cena essas empresas e os respectivos empregos mantidos em nosso território.
É disso que se trata: manter ou entregar. É resgatar e fortalecer a Petrobras ou dela subtrair uma importante fonte de recursos.
Serra e as petroleiras estrangeiras: “nós”
Um vazamento feito pelo grupo Wikileaks (o Cable 09RIODEJANEIRO369) revelou que o lobby das empresas petrolíferas estrangeiras atuou pesadamente para, desde 2009, derrubar a proposta encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso e aprovada sob muita polêmica, mas com uma correlação de forças, na época, mais favorável aos interesses nacionais. A correlação de forças agora mudou, e o lobby estrangeiro voltou à carga com toda força.
No Cable (a mensagem descoberta e vazada pelo grupo Wikileaks), José Serra aparece como interlocutor privilegiado do lobby petrolífero. O Cable tem origem no Consulado dos Estados Unidos, no Rio de Janeiro. É classificado como confidencial seguindo o código 1.4(B) das regras de classificação de documentos do Departamento de Estado. O código é usado em informações relacionadas a governos de outros países e cujo vazamento possa significar "dano aos interesses nacionais" - dos Estados Unidos, bem entendido.
O Cable revela detalhes de conversas tidas com Serra quando este era, pela segunda vez, pretendente à Presidência da República. Serra já anunciava o mesmo simulacro de seu projeto atual no Senado: não se colocar publicamente contra o regime de partilha, mas apresentar emendas que, na prática, significassem sua reversão.
A julgar pelas mensagens reveladas, Serra fez mais do que apenas expressar sua posição. Agiu quase como um consultor das petroleiras estrangeiras, ao sugerir que uma boa saída seria boicotar os leilões do pré-sal. Se elas não fizessem ofertas, o modelo de partilha se revelaria um fracasso e forçaria o retorno ao antigo modelo de exploração.
Diz o texto em inglês, atribuindo a Serra a estratégia: "There will be no bid rounds, and then we will show everyone that the old model worked… And we will change it back". Um detalhe importante que não pode passar desapercebido, estampado na mensagem do Cable atribuída a Serra: ele se refere às petroleiras e ao PSDB como "nós". "Não haverá ofertas" (obviamente, ofertas das petroleiras estrangeiras nos leilões) "e então nós mostraremos a todos que o velho modelo funcionava… e nós vamos fazê-lo voltar."
Os ventos mudaram e o lobby quer ir à forra
Ao contrário da aposta do tucano e da maioria das empresas associadas ao lobby petrolífero estrangeiro, quando se fez o leilão do Campo de Libra (2013), localizado no litoral do Rio de Janeiro - até então, o maior da camada pré-sal , o resultado foi considerado um sucesso.
Coincidentemente, a maioria das gigantes do petróleo, as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron e as britânicas British Petroleum (BP) e British Gas Group (BG), cumpriram o combinado: não participaram. Seguiram a aposta de fazer o leilão fracassar.
Mas o lobby falhou e o consórcio vencedor teve a participação de uma das gigantes do petróleo, a Shell. Todo o plano arquitetado em 2010 tinha ido por água abaixo e uma das gigantes roeu a corda do lobby. A Chevron, que encabeça o lobby das petroleiras no Brasil, é a principal concorrente mundial da Shell. A Shell, por sua vez, comprou a BG e tornou-se a principal parceira da Petrobras.
Os ventos começaram a mudar desde que o Governo Dilma passou a sofrer fissuras em sua base de apoio; depois que o Congresso elegeu uma bancada ainda maior de parlamentares interessados em fazer negócios por meio da política; e a partir do exato momento em que José Serra retornou ao Senado.
A segunda empresa que mais gasta dinheiro em lobby do petróleo, nos Estados Unidos, a ultrareacionária Koch Industries, inclusive financia direitistas que estiveram à frente de protestos de 15 de março e 12 de abril deste ano, contra o governo Dilma.
A partir de agora, eles têm a faca e o queijo na mão - e não é para fazer a partilha com nenhum dos brasileiros, a não ser os que façam parte do seu lobby. A orgia do parlamentarismo de negócios testa a consciência dos brasileiros e sua disposição para reagir, antes que seja tarde demais.
(*) Antonio Lassance é cientista político.
A proposta (Projeto de Lei do Senado 131/2015) permite excluir a Petrobrás do pré-sal e deixar a exploração do petróleo brasileiro exclusivamente por conta de empresas estrangeiras.
Na justificativa de seu projeto, ruge e urge o Senador:
“Torna-se imprescindível então a revogação da participação obrigatória da estatal no modelo de exploração de partilha de produção, bem como da condicionante de participação mínima da estatal de, ao menos, 30% da exploração e produção de petróleo do pré-sal em cada licitação.”
O entreguismo sequer nos poupou do sarcasmo. Bafeja que a permissão para excluir a Petrobras é para "ajudá-la" nesse momento difícil. O empurrãozinho é para tirá-la do jogo. Os campos podem vir a ser explorados com 100% de participação estrangeira e zero de presença da empresa brasileira.
Para os setores nacionalistas, a participação, mesmo que minoritária (30% da Petrobrás, no mínimo, e até 70% de outras empresas), é considerada essencial para se ter um mínimo controle sobre o real volume de Petróleo extraído, além do domínio fundamental que a Petrobrás exerce sobre a tecnologia de extração.
O regime de partilha também garante o conteúdo nacional que alimenta uma ampla rede de empresas brasileiras relacionadas direta ou indiretamente à economia do petróleo e gás. A mudança nas regras do jogo pode tirar de cena essas empresas e os respectivos empregos mantidos em nosso território.
É disso que se trata: manter ou entregar. É resgatar e fortalecer a Petrobras ou dela subtrair uma importante fonte de recursos.
Serra e as petroleiras estrangeiras: “nós”
Um vazamento feito pelo grupo Wikileaks (o Cable 09RIODEJANEIRO369) revelou que o lobby das empresas petrolíferas estrangeiras atuou pesadamente para, desde 2009, derrubar a proposta encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso e aprovada sob muita polêmica, mas com uma correlação de forças, na época, mais favorável aos interesses nacionais. A correlação de forças agora mudou, e o lobby estrangeiro voltou à carga com toda força.
No Cable (a mensagem descoberta e vazada pelo grupo Wikileaks), José Serra aparece como interlocutor privilegiado do lobby petrolífero. O Cable tem origem no Consulado dos Estados Unidos, no Rio de Janeiro. É classificado como confidencial seguindo o código 1.4(B) das regras de classificação de documentos do Departamento de Estado. O código é usado em informações relacionadas a governos de outros países e cujo vazamento possa significar "dano aos interesses nacionais" - dos Estados Unidos, bem entendido.
O Cable revela detalhes de conversas tidas com Serra quando este era, pela segunda vez, pretendente à Presidência da República. Serra já anunciava o mesmo simulacro de seu projeto atual no Senado: não se colocar publicamente contra o regime de partilha, mas apresentar emendas que, na prática, significassem sua reversão.
A julgar pelas mensagens reveladas, Serra fez mais do que apenas expressar sua posição. Agiu quase como um consultor das petroleiras estrangeiras, ao sugerir que uma boa saída seria boicotar os leilões do pré-sal. Se elas não fizessem ofertas, o modelo de partilha se revelaria um fracasso e forçaria o retorno ao antigo modelo de exploração.
Diz o texto em inglês, atribuindo a Serra a estratégia: "There will be no bid rounds, and then we will show everyone that the old model worked… And we will change it back". Um detalhe importante que não pode passar desapercebido, estampado na mensagem do Cable atribuída a Serra: ele se refere às petroleiras e ao PSDB como "nós". "Não haverá ofertas" (obviamente, ofertas das petroleiras estrangeiras nos leilões) "e então nós mostraremos a todos que o velho modelo funcionava… e nós vamos fazê-lo voltar."
Os ventos mudaram e o lobby quer ir à forra
Ao contrário da aposta do tucano e da maioria das empresas associadas ao lobby petrolífero estrangeiro, quando se fez o leilão do Campo de Libra (2013), localizado no litoral do Rio de Janeiro - até então, o maior da camada pré-sal , o resultado foi considerado um sucesso.
Coincidentemente, a maioria das gigantes do petróleo, as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron e as britânicas British Petroleum (BP) e British Gas Group (BG), cumpriram o combinado: não participaram. Seguiram a aposta de fazer o leilão fracassar.
Mas o lobby falhou e o consórcio vencedor teve a participação de uma das gigantes do petróleo, a Shell. Todo o plano arquitetado em 2010 tinha ido por água abaixo e uma das gigantes roeu a corda do lobby. A Chevron, que encabeça o lobby das petroleiras no Brasil, é a principal concorrente mundial da Shell. A Shell, por sua vez, comprou a BG e tornou-se a principal parceira da Petrobras.
Os ventos começaram a mudar desde que o Governo Dilma passou a sofrer fissuras em sua base de apoio; depois que o Congresso elegeu uma bancada ainda maior de parlamentares interessados em fazer negócios por meio da política; e a partir do exato momento em que José Serra retornou ao Senado.
A segunda empresa que mais gasta dinheiro em lobby do petróleo, nos Estados Unidos, a ultrareacionária Koch Industries, inclusive financia direitistas que estiveram à frente de protestos de 15 de março e 12 de abril deste ano, contra o governo Dilma.
A partir de agora, eles têm a faca e o queijo na mão - e não é para fazer a partilha com nenhum dos brasileiros, a não ser os que façam parte do seu lobby. A orgia do parlamentarismo de negócios testa a consciência dos brasileiros e sua disposição para reagir, antes que seja tarde demais.
(*) Antonio Lassance é cientista político.
Fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Escandalo-o-lobby-das-petroleiras-que-se-transformou-em-projeto-de-lei/4/33849
Ataque a igreja frequentada por negros nos EUA deixa 9 mortos - por Latuff
Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/40739/charge+do+latuff+ataque+a+igreja+frequentada+por+negros+nos+eua+deixa+9+mortos.shtml
Julian Assenge: como a NSA espionou Paris
Julian Assenge: como a NSA espionou Paris
Ainda exilado na embaixada do Equador em Londres, Assange
falou, na noite de ontem (24/6) à rede de TV francesa RF1, no rastro do
escândalo suscitado por suas revelações
Em revelação-bomba, que marca sua volta à cena global,
criador do Wikileaks desvenda vigilância de Washington sobre três presidentes
franceses, ministros, diplomatas, altos funcionários e parlamentares
Os Estados Unidos colocaram a República francesa sob escuta.
Os presidentes François Hollande, Nicolas Sarkozy e Jacques Chirac, assim como
numerosos ministros, altos funcionários, parlamentares e diplomatas, estiveram
sob escuta, diretamente ou indiretamente, por quase uma década pelos serviços
secretos norte-americanos, de acordo com documentos confidenciais da Agência de
Segurança Nacional (NSA), obtidos pelo Wikileaks.
De acordo com as informações da NSA a que a Mediapart e o
Libération, em conjunto com o WikiLeaks, tiveram acesso sob a operação de
espionagem do Palácio do Eliseu [sede do governo francês], as interceptações
foram instaladas de 2006 a 2012 – mas nada impede que tenham começado antes e
não tenham continuado depois. Classificadas como “top secret”, as notas
detalham a espionagem obsessiva da França pelos Estados Unidos em questões
diplomáticas, de política local ou econômicas de todo tipo.
Que os Estados Unidos mantenham sob escuta os principais
dirigentes de um país aliado como a França revela, para alguns, um segredo de
polichinelo. A informação é agora comprovada por documentos originados no coração
do aparelho de Estado dos EUA.
Sobretudo, os elementos que tornamos públicos a partir de
hoje (veja aqui a análise dos documentos) revelam a magnitude até
então insuspeita da espionagem estadunidense, desprovida de qualquer suporte
judicial e controle real. Pois não são apenas os sucessivos presidentes da
República que foram espionados nos últimos anos; todos os estratos do poder público
foram, em um ou outro momento, alvo dos EUA, quer fossem ministros,
conselheiros presidenciais e ministeriais, diplomatas, porta-vozes. Até mesmo
dentro do Palácio do Eliseu, por exemplo, muitas linhas telefônicas (fixas ou
celulares) foram grampeadas.
Já um pouco manchada pelas revelações do ex-agente Edward
Snowden, a imagem da NSA e, com ele, a dos Estados Unidos, não deve sair
engrandecida a partir destas novas revelações, que lançam uma luz crua sobre as
práticas agressivas e injustas da maior potência mundial contra um país
normalmente considerado “amigo”. Ao menos de fachada.
Procurada, a NSA não quis comentar.
Assim como seus dois antecessores de direita, o atual
presidente socialista François Hollande não escapou à curiosidade dos grandes
ouvidos de Washington. Um relatório de 22 de maio de 2012 da NSA fez explicitamente
referência a uma conversa mantida quatro dias antes entre o recém-eleito
presidente e seu primeiro-ministro na época, Jean-Marc Ayrault. A conversa gira
em torno da vontade de François Hollande de organizar “consultas secretas” com
a oposição alemã a respeito de uma possível saída da Grécia da zona do euro –
um assunto ainda atual.
Os analistas da NSA evocam, no mesmo documento, a existência
de “relatórios anteriores” relativos a entrevistas sobre a chanceler Angela
Merkel. Isso sugere, portanto, que as interceptações do presidente francês
pelos EUA têm sido constantes.
No Palácio do Eliseu afirmou-se na terça-feira (23/6) que,
mesmo sem haver registro oficial desta conversa, ela é “bastante crível.”
Mas a presidência da República não quis fazer qualquer comentário quanto ao
mérito do tema, neste estágio. Na comitiva do presidente, contudo, diz-se que
antes do encontro entre François Hollande e Barack Obama, em 11 de fevereiro de
2014, em Washington, em seguida a essa entrevista, “foi assumido o compromisso
de não praticar mais escutas indiferenciadas dos serviços de Estado de um país
aliado”.
O diretor geral do partido de Nicolas Sarkozi (LR, ex-UMP),
Frédéric Péchenard, levou a informação para o ex-chefe de Estado, que “não
pretende responder neste momento.”
Os documentos classificados como “top secret”
Como a maior parte dos documentos obtidos pelo WikiLeaks, o
relatório de maio de 2012 da NSA, que tem como alvo François Hollande relava
numerosas iniciais que, uma vez decifradas, dão a dimensão da natureza
ultrassensível dos documentos revelados. Carimbadas como “top secret” (TS),
essas notas discutem as informações obtidas por meio de interceptações
eletrônicas (SI para SIGINT, ou seja “sinal inteligente”) e não deveriam ser,
sob nenhuma circunstância, compartilhadas com um país estrangeiro (NF para
NOFORN, sendo “nenhum estrangeiro”).
A nota sobre Hollande também é acompanhada, além de muitas
outras, da menção “não convencional”, uma categoria particular da numenclatura
na NSA, que corresponde à obtenção de documentos por meio de operações
excepcionais.
Nesta mesma nota sobre Hollande, aparece uma
pequena menção adicional, nem um pouco anódina: “Satélite Estrangeiro”. Este
termo, FORNSAT abreviado, refere-se a uma rede mundial de estações
de escutas da NSA espalhadas em países aliados dos Estados Unidos. Todas as
suspeitas dirigem-se — sem que seja possível ter certeza absoluta — às
antenas alemãs.
Nos últimos meses, a imprensa de fato revelou como o
serviços secretos alemão, o BND,
foi subcontratado para apoiar a espionagem norte-americana. Isso que gerou uma
forte indignação na Alemanha e a abertura de um inquérito parlamentar que visa
descobrir o tipo de decumento obtido pelo WikiLeaks.
Além do atual chefe do estado francês, outras personalidades
francesas da alta cúpula foram vigiadas. De acordo com os documentos em nossa
posse, que revelaremos nos próximos dias, o antigo presidente Nicolas Sarkozy e
Jacques Chirac, o ex-ministro socialista da economia Pierre Moscovici (hoje é
comissário europeu) e o ex-embaixador da França em Washington Pierre Vimont
também foram espionados.
É preciso dizer que o apetite da inteligência
norte-americana pela França revela enorme voracidade. Um outro documento
confidencial (ver abaixo) da NSA, redigido sobre o ex-presidente Sarkozy
(2007-2012), aponta a lista de alvos franceses definidos pelos EUA. Os dados
são preocupantes. Foram espionados membros destacados da assessoria pessoal do
então presidente, Nicolas Sarkozy: o conselheiro diplomático Jean-David
Levitte, o secretário geral do governo Claude Guéant, o porta-voz do ministério
das Relações Exteriores Bernard Valero, o ex-ministro Jean-Pierre Jouyet (hoje
secretário geral do governo), um dirigente da diplomacia não identificado,
e o ministro do Comércio Exterior Pierre Lellouche.
A lista de alvos franceses estabelecidos pela NSA sobre o
presidente Sarkozy
Para Claude Guéant, antigo secretário geral do governo e
ex-ministro do interior, “esta prática é escandalosa”. “O governo francês deve
reagir de forma apropriada. No mínimo, é necessário uma explicação em alto
nível, colocando um compromisso absoluto para acabar com essas práticas.
Estamos caminhando em direção a um mundo que é extremamente preocupante, onde
ninguém mais tem intimidade ou confidencialidade”, queixa-se o assessor próximo
de Nicolas Sarkozy.
“Se os americanos espionaram Merkel, por que os outros não
teriam sido grampeados?”, comentou Frédéric Péchenard, ex-chefe da policia
nacional e atual diretor geral dos Republicanos. “Mas se quisermos ser capazes
de nos defender, precisamos que nossos serviços estejam à altura. Precisamos de
meio técnicos, humanos e jurídicos mais eficazes. Ser vigiado por aqueles que
deveriam ser nossos aliados, pode causar um problema diplomático”, frisa ele.
“Eu, que era um grande amigo dos EUA, sou cada vez
menos”, disse o deputado Pierre Lellouche ao Midiapart. “Não estou surpreso.
Não me surpreende de ter sido vigiado enquanto estava no Comércio Exterior,
porque a espionagem industrial interessa muito aos norte-americanos. Sempre
temos esse tipo de conversações. Agora, retrucam com o argumento no âmbito da
lei sobre inteligência: nós vigiamos a todos, por que nos impedir de vigiar?
Vigiamos todos em qualquer lugar. Infelizmente, vou ter que dizer à Assembleia
Nacional, que estamos inseridos num império global construído no plano econômico,
onde os EUA não hesitam em conectar as redes da CIA, NSA, e também a
justiça norte-americana, que na sequencia amarra o processo. Eu denunciarei
isso sem parar”, acrescenta.
Segundo os documentos da NSA, telefones fixos de
conselheiros africanos a serviço do governo francês e os ministérios da
Agricultura e das Finanças foram igualmente grampeados. Encontramos também uma
lista de alvos conectados â antena do Centro de Transmissão Governamental
(CTG), situado no Palácio do Eliseu. Este é responsável de assegurar a “defesa
secreta”, em permanente contato com o governo e particularmente com os chefes
de Estado e o primeiro-ministro. Em outro número, referido com o título “FR VIP
AIRCRAFT REL”, reenvia para verificação uma linha da frota aérea governamental,
o ETEC [French Air Force], ligado a Força Aérea.
Au-delà du scandale que peut susciter aujourd’hui cet
espionnage américain, la facilité avec laquelle les États-Unis paraissent
pouvoir intercepter la moindre conversation des plus hauts dirigeants français
interroge aujourd’hui la faiblesse des capacités de contre-ingérence des
services de renseignement français. À ce propos, l’Élysée a coutume de rappeler
que sur les questions diplomatiques et militaires, il n’y a jamais eu de fuite
quelle qu’elle soit, précisant que s’agissant des sujets les plus sensibles,
toutes les précautions sont prises. Jusqu’à preuve du contraire.
Além do escândalo que pode suscitar, a espionagem
norte-americana demonstra a facilidade com a qual os EUA podem interceptar
qualquer conversa do mais alto escalão francês, diante da questiona fraca
capacidade dos serviços da contra-inteligência francesa. A este respeito, o
governo francês costuma lembrar que nas questões diplomáticas e militares,
nunca houve vazamento de nenhuma natureza, acrescentando que nos casos mais
sensíveis, são tomadas devidas precauções. Até que prova em contrário…
Por Julian Assange, Fabrice Arfi e Jérôme
Hourdeaux, no Miadiapart | Tradução: Inês Castilho e Cauê Ameni
Fonte: http://outraspalavras.net/destaques/julian-assange-como-a-nsa-espionou-paris/
sexta-feira, 19 de junho de 2015
FEIRA SAMBAQUI - Dia 20 de Junho de 2015 - FANZINE AVISO FINAL - 25 ANOS!
Queridos amigos!
No próximo sábado, dia 20 de junho, estarei na FEIRA SAMBAQUI.
Lá
divulgarei meu livro FANZINE NA EDUCAÇÃO e lançarei oficialmente a
edição # 33 do fanzine AVISO FINAL, que completará 25 anos em setembro!
A feira contará, dentre vários convidados, com as presenças dos amigos e autores Márcio Sno, Zhô Bertholini e Jurema Barreto.
Abraços!
Renato
FEIRA SAMBAQUI
Dia 20 de Junho de 2015
das 9h às 16h
Biblioteca Municipal Paul Harris
Rua Augusto de Toledo, 255
São Caetano do Sul - SP
segunda-feira, 8 de junho de 2015
[EUA] Comunicado sobre a saúde de Mumia Abu-Jamal - por ANA
[EUA] Comunicado sobre a saúde de Mumia Abu-Jamal
Estimados amigos e amigas:
Os seus telefonemas, e-mails e cartas ao Departamento de
Correções (DOC), a prisão SCI Mahanoy, e ao governador da Pensilvânia salvaram
a vida de Mumia. Neste processo, também destacamos a crise e o péssimo
atendimento médico para milhares de homens e mulheres nas prisões dos Estados
Unidos.
Desde março deste ano, Mumia esteve na enfermaria da prisão
três vezes e duas vezes em um hospital fora da prisão. No entanto, estamos
preocupados pois até hoje não temos um diagnóstico de seus muitos problemas de
saúde. Apesar de uma aparente melhora, Mumia quase sempre tem de usar uma
cadeira de rodas para ir de um lugar para outro, tem as pernas e tornozelos
muito inchados e ainda tem uma afecção de pele, embora não esteja tão extrema
como antes. Dada a experiência de Mumia de quase morrer há dois meses,
complicado com esses problemas que não são resolvidos, a falta de um
diagnóstico o deixa em perigo clínico.
Outro problema, relacionado com a sua saúde, é que o DOC se
recusa a entregar a Mumia, a sua esposa e a seus advogados os registros
hospitalares que têm direito a receber. O DOC argumenta que não tem nenhuma
razão para entregar os registros por causa da ação movida pelos advogados de
Mumia que acusa o DOC de inconstitucionalmente proibir o acesso de Mumia a visitas
com seus advogados e sua esposa durante sua última internação. Mas a violação
dos direitos de Mumia para ter acesso aos registros médicos é ilegal. Os
advogados entraram com um forte protesto.
Pedimos a todas as pessoas que apoiam Mumia que liguem, enviem
e-mails, ou escrevam cartas para o DOC e o governador da Pensilvânia, para
exigir o seguinte:
1. Liberar Mumia Abu-Jamal.
Mumia nunca deveria ter sido preso, em primeiro lugar. Ele
nunca recebeu um julgamento imparcial e há muitas provas de sua inocência. Em
vista da crise de saúde que ameaça sua vida e o tratamento desastroso que ele
recebeu do DOC, ele não pode permanecer na prisão por mais um dia. É imperativo
que o liberem para que ele possa obter um bom diagnóstico e um tratamento por
uma equipe de médicos independentes e competentes.
2. Divulgar os registros médicos de Mumia.
O DOC se recusa a divulgar os últimos registros de Mumia. A
ação arbitrária e ilegal do DOC, em retaliação a uma demanda apresentada pelos
advogados de Mumia, põe Mumia em perigo ao reter informações essenciais para o
seu tratamento.
3. Permitir que os médicos independentes de Mumia
tenham acesso regular a ele para que possam desenvolver um diagnóstico preciso
e um plano de tratamento adequado.
4. Liberar o Major Tillery (#AM 9786) do isolamento
prolongado em uma cela da prisão SCI Frackville. Antes de Mumia entrar em
choque diabético em março deste ano, um preso solidário, Major Tillery,
enfrentou o Superintendente da prisão SCI Mahanoy John Kerestes para perguntar
se as autoridades da prisão iriam permitir que Mumia morresse. Em retaliação,
Major Tillery foi transferido para a prisão SCI Frackville, em confinamento
solitário durante seis meses sob acusações forjadas. Essa punição é parte de
uma longa prática de retaliação por parte do Estado contra qualquer pessoa que
defenda Mumia. Major Tillery tinha começado a recolher informações e comparar a
devastadora condição da pele de Mumia com problemas de pele sofridos por outros
presos na prisão SCI Mahanoy.
International
Concerned Family and Friends of Mumia Abu-Jamal
International
Action Center
Educators
for Mumia Abu-Jamal
Free Mumia
Abu-Jamal Coalition (NYC)
Campaign to
Bring Mumia Home
Prison
Radio
MOVE
•
Secretário, Pennsylvania Department of Corrections
John
Wetzel
Telefone: 001 717
728 4109, 001 717 728
2573
E-mail: ra-contactdoc@pa.gov
• Governador Tom Wolf
Telefone: 001 717
787 2500
E-mail: governor@pa.gov
Conteúdo relacionado:
agência de notícias anarquistas-ana
À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco
Winston
Após escândalo de corrupção na Fifa, CBF entra na mira - por Latuff
Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/40599/charge+do+latuff+apos+escandalo+de+corrupcao+na+fifa+cbf+entra+na+mira.shtml
domingo, 31 de maio de 2015
Preso na Cisjordânia, brasileiro-palestino está em greve de fome há mais de 40 dias - por Latuff
Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/40500/charge+do+latuff+preso+na+cisjordania+brasileiro-palestino+esta+em+greve+de+fome+ha+mais+de+40+dias.shtml#/0
[EUA] Mumia Abu-Jamal sai do hospital - ANA
[EUA] Mumia Abu-Jamal sai do hospital
Atualização: quinta-feira, 21 de maio de 2015
Na noite da terça-feira passada, 19 de maio, Mumia Abu-Jamal
foi transladado de volta à prisão SCI Mahanoy depois de haver passado mais de
uma semana em isolamento, algemado a sua cama no Centro Médico Geisinger.
Ali lhe fizeram uma biópsia e outros exames, mas não compartilharam os
resultados com o médico independente de Mumia.
Na quinta-feira, 21 de maio, Mumia recebeu uma visita de sua
esposa Wadiya pela primeira vez em 13 dias. Em uma conferência de imprensa
depois da visita, Wadiya relatou que ele apareceu em cadeira de rodas e que ela
notou uma leve melhora em sua saúde, mas que ainda tem muita dor e que seus pés
e pernas todavia estão muito inchadas e sangrentas. Disse que se portou normal
e falou naturalmente, mas que as vezes sonhou acordado e ia “ao outro
lado”.
Rachel Wolkenstein, que acompanhou Wadiya, conseguiu falar
com Eddie Africa, que também está encarcerado em Mahanoy e às vezes pode ajudar
Mumia a chegar de um lugar a outro. Eddie também tem diabetes e não recebeu uma
dieta ou tratamento adequado para a enfermidade. Disse que muitos presos estão
na mesma situação e também tem raras afecções de pele que não foram
diagnosticadas. A Mumia ainda não deram um diagnóstico e não teve um tratamento
adequado.
Segue a campanha para exigir visitas e chamadas sem
restrições, assim como acesso a seu médico independente e seus advogados, e,
sobretudo, sua liberdade!
Chamem a:
• Geisinger Hospital: 001 (570)
271-6211; (570) 271-7907.
• SCI Mahanoy, Superintendente John Kerestes: 001 (570)
773-2158, ramal 8102, ou pressione 0.
Conteúdo relacionado:
agência de notícias anarquistas-ana
Sou casca no chão
Sou raspa de pote
Sou minha insurreição!
Sou raspa de pote
Sou minha insurreição!
Rubens Jardim
Fonte: http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/05/25/eua-mumia-abu-jamal-sai-do-hospital/
O Brasil no pêndulo das elites: entre liberalismo submisso e desenvolvimentismo autoritário - Por Edemilson Paraná
O Brasil no pêndulo das elites: entre liberalismo submisso e desenvolvimentismo autoritário.
Várias leituras da história brasileira no último século,
algumas delas já canônicas entre nós, adequadamente contextualizadas em termos
da inseparabilidade dos grandes embates políticos de seus respectivos contextos
culturais e intelectuais, apontam para um antagonismo clássico, que vive a nos
assombrar de tempos em tempos: de um lado um suposto liberalismo cosmopolita,
democrático e sustentado na pregação das liberdades individuais e de mercado;
de outro certo estatismo nacionalista de tons positivistas, desenvolvimentista
e voltado para os problemas da “organização nacional”. Em sua busca conjunta
pela superação do “atraso” na luta prometeica por um “Brasil moderno”, ambos
denunciam-se mutuamente como inimigos mortais: de um lado o anti-nacionalismo
submisso, dependente, elitista e inautêntico; de outro o dirigismo populista,
burocrático, corrupto e autoritário.
Ainda que seja absolutamente questionável a pureza desses
“tipos-ideias” quando se fala de gestão do capitalismo aqui ou alhures, ler a
disputa entre tais “projetos” a partir de seus supostos antagonismos pode até
ser útil do ponto de vista taxonômico. Compreender a história política do país
no último século a partir desta chave interpretativa, no entanto, é o mesmo que
tornar-se refém de uma meia verdade, simplória e simplificadora em sua
incompletude. É que, dessa forma enquadrada, tal contraposição esconde as
flagrantes homologias entre tais (o)posições por meio das quais um acordo
tácito fica nebulosamente encoberto: a manutenção das graves e intocadas
estruturas de poder, controle e propriedade social no Brasil. Talvez seja mais
adequado, alternativamente, caracterizar nossa história política como um
pêndulo: um movimento previsível que varia entre centralização e
descentralização, liberalismo e estatismo, nacionalismo e cosmopolitismo,
sustentado por um mesmo eixo de tensão: nossa condição dependente em termos da
divisão internacional do trabalho e escandalosamente desigual em termos de
configuração interna.
Os pontos de encontro a sustentar o eixo desse pêndulo das
elites são muitos: estadocentrismo político, elitismo e ideologia anti-popular
(seja pelo porrete, seja pela “assistência”, as massas são vistas como
submissas, perigosas ou incapazes), o racismo (implícito e/ou explícito), a
crença na força do “império da lei” como via para o controle social e
manutenção da estrutura de desigualdades, de onde emana o compartilhamento de
certo autoritarismo judicial e, por fim, a crença na tecnocracia meritocrática
como saída para o “atraso” por ambos diagnosticado: a leitura, em suma, do país
primitivo, do Estado sem sociedade, do capitalismo sem iniciativa, da revolução
sem proletariado.
Contemporaneamente, em especial a partir da Nova República,
mas com raízes mais profundas, o apego a um conceito vazio de democracia,
bonito no papel e pavorosamente violento na prática, reificado na estabilidade
institucional e macroeconômica (rentista e patrimonial) como remédio para todos
os males de que padecemos, consubstancia-se num pacto nada silencioso dessas
mesmas elites, que a cada quatro anos, no entanto, voltam a encenar para o
grande público o grande espetáculo de seus viscerais desafetos.
É evidente, e sobretudo quando o gotejar desse copo cheio
ameaça transbordar, que o povo em movimento e resistência joga papel
fundamental nas tensões, arranjos e rearranjos de poder antes como hoje. Mais
do que desconhecimento desse fator, o que há de parte de nossas elites
dirigentes é um medo inconfesso da raiva justa, encaminhado de forma cínica e
brutal. Tudo somado, há entre Geisel e Dilma, Getúlio e Lula, JK e FHC, Beto
Richa e Paulo Garcia menos diferenças do que se supõe: ruidosas na superfície,
talvez, mas quase imperceptíveis em suas profundezas. Eis algumas das origens
do mal-estar atual: já é passada a hora de desestabilizarmos de vez a “máquina”
pendular do poder no Brasil.
***
Edemilson Paraná é jornalista, mestre e doutorando em
Sociologia pela Universidade de Brasília.
Fonte: http://blogdaboitempo.com.br/2015/05/20/o-brasil-no-pendulo-das-elites-entre-liberalismo-submisso-e-desenvolvimentismo-autoritario/
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